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História

"Roraimense do Rio Grande do Sul!"

História de: Catarina Ribeiro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/03/2008

Sinopse

Catarina fala de suas raízes italianas e indígenas de Santa Maria - RS, além de aspectos alemães da cultura e da culinária do sul do país. Em seguida, conta sobre sua infância no campo e sobre sua escola. Depois, Catarina começa a narrar a aventura de sua vida: viajar pelo norte do Brasil em busca de fazer teatro - é assim, conta, que conheceu a Ação Griô, e começou a participar dela com a ajuda de Dona Bié, mestra Griô de Roraima. A partir daqui, começa a narrar a mudança exercida pela Ação nas vilas Martins Pereira e Nova Colina, através da oralidade e da rememoração de práticas como o Lindô. Catarina ressalta o prazer de fazer parte dessa ação e a importância da contação de histórias e do resgate de culturas antigas.

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História completa

Os cantadores do Nordeste, eu acho, eles sempre me encantaram. Então, quando eu conheci o livro da pedagogia Griô, falei: “Uau, isso que eu quero”. E a nossa mestra, a Dona Bié, que tá no projeto com a gente, eu conheço ela desde 2001. Aí, quando eu vi essa criatura falando, eu digo: “Ainda vou fazer um trabalho com ela”. Quando implantamos as atividades do Ponto de Cultura na vila onde ela mora, ela foi uma das primeiras pessoas que eu convidei pra vir pras reuniões de articulação com as lideranças. e tava começando a construir alguma coisa pra ver como, principalmente a história, né, porque uma coisa que a gente está buscando nessas vilas e a gente sempre achou importante a presença deles, é a memória dessas vilas, porque são vilas que estão do lado da BR 104, que liga Roraima ao Amazonas e Venezuela e é essa coisa, essa colcha de retalhos, pessoas vindo de vários lugares do país. Então, ali a gente entrou na ação com eles nessa perspectiva, de resgatar essas histórias. E a entrada da Dona Bié traz uma coisa, na ação, traz uma coisa importante, que é... Tem muito maranhense em Roraima. Eles vieram uma, por uma circunstância política de um governador que trouxe os eleitores do Maranhão para lá. Então, se diz no dito popular: “O maior trabalho social feito no Maranhão foi feito por Roraima”. Isso criou... Vieram muitas pessoas com pouca qualificação, aí criou uma fricção, um atrito. Hoje, assim, Roraima, para falar de maranhense, é uma coisa que se desqualifica: “Ah, isso é coisa de maranhense”. Então, na comunidade que a Dona Bié vive, é uma comunidade muito introspectiva,Aí fomos fazer uma pesquisa, a comunidade foi originada em torno de um acampamento militar, que foi para construir a BR. Então, a gente fez as nossas viagens. Então, o pessoal tá trancado, tá na retaguarda e a Dona Bié sempre cantou essas músicas, sempre falava do Lindô. Mas a gente começou a ver com as crianças e os adolescentes: “Vocês conhecem Lindô?” “Não.” Ninguém sabia nada. Conversava com as pessoas e ninguém sabia, ninguém lembrava. E aí... Quando a Dona Bié começou a fazer esse trabalho com o grupo de teatro, a memória veio à tona de todo mundo. Todo mundo começou a lembrar que sabe também, né? Então, eu acho isso interessantíssimo. No dia 31 de agosto, ela fez no terreiro da casa dela. Aí foi todo mundo, o diretor não conseguiu segurar ninguém na escola, teve, inclusive, que liberar o ônibus pra ir pra casa dela. E aí a gente viu gente que tinha brincado e tinha esquecido que tinha brincado e outros que: “Poxa, que coisa interessante isso, que novidade é essa?” Mas a minha leitura é: à medida que ela foi reconhecida como mestra no projeto nacional, aí isso fortaleceu a autoestima da comunidade, sim. Quando a gente entrou, que a gente entrou e tá entrando, então eles já são nossos facilitadores, nossos mobilizadores dentro da escola. Cada grupo tem 15, 16 jovens de várias séries, né? Então, esta está sendo a estratégia e está sendo bem interessante, porque eles estão também fazendo, a partir do, eles estão fazendo na família. E descobrindo: “Ah, meu avô... pá pá pá...” E isso foi um, tá sendo, foi e tá sendo um agente detonador das memórias, porque eles começaram a buscar as histórias da comunidade, né? A gente estimulou isso: “Nós vamos construir um texto de teatro, mas que fale da gente, das histórias da gente, da comunidade. Agora, quem sabe essas histórias são vocês, então vamos buscar isso”. Aí eles começaram a buscar e, na comunidade dela, tá um textos que eles tão construindo que agrega vários elementos das visagens, da assombração que vem nas estradas, né? Tem ma história de uma bicicleta que vai passado... Que isso é tudo é dentro de um grande assentamento agrário, né? Então tem uma história de uma bicicleta, que vai andando de bicicleta e daqui um pouco alguém senta nessa bicicleta e fica pesada, né? Tem uma história de uma pedra enorme que fica na frente da vila, que diz que aparece só uma porta lá e que puxa... Tu abre essa porta e aparece uma mulher, né? E tem uma história mais... Diz que nas curvas de algumas dessas vicinais, tu escuta um caminhão baú vindo e não vem nada. Então, eles conseguiram agregar isso tudo, mais a história de um lobisomem, né, num texto. Então, isso pra gente é uma conquista muito grande, que eles começaram a se ver, olhar suas coisas com um outro olhar, né? Quer dizer, a partir disso virou uma outra comunidade: “Ah, eu conheço fulana, que conheceu fulano...” Então é uma frente que se abre, a partir da Dona Bié, nessa comunidade.

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