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Sinopse

Éder Flávio Barbosa nasceu em Passos- MG em 12 de dezembro de 1981. Segundo filho de Laércio Barbosa e Maria Geni Barbosa. Tem uma relação muito forte com a música de viola herdada do pai. Sua família de origem humilde, não tinha dinheiro para comprar seu berço. Ele dormia numa bacia que até hoje está na casa da sua mãe. Foi alfabetizado pela mãe em casa antes de ir para a escola. Com 5 anos começou a frequentar a Escola Deus Universo e Virtude. Apesar de desde os 8 anos de idade trabalhar vendendo salgados no trabalho do pai e sorvetes no bairro Nossa Senhora das Graças e na estrada perto de casa, tem lembranças doces e amorosas desse período da vida. Com seu primeiro dinheiro comprou um cavaquinho. Com 11 anos, trabalhava como servente de pedreiro ajudando o pai na construção de casas. Aos 15 anos já assumia a construção de casas sozinho. 

 No ginásio estudava pensando em ser piloto da aeronáutica. Tentou por 3 anos mas não conseguiu passar na prova. Com 19 anos sofreu um acidente de moto em que fraturou a coluna e ficou paraplégico. Passou a enfrentar o preconceito e a resistência dentro de casa com a mudança da relação com pai. A partir desse momento desistiu do sonho de ser piloto, vendeu a moto e comprou um computador. Passou para a faculdade de informática. Arrumou um estágio na empresa CONTEC. Estudava pela manhã e à tarde ia para o trabalho. Depois de dois meses foi contratado, trabalhava de dia e estudava à noite. 

Acredita que tudo que acontece na sua vida tem um motivo escolhido por Deus. 

Depois de acidentado fez faculdade, começou a namorar a atual esposa, casou-se, teve filhos e entrou em FURNAS. 

Terminando a faculdade, soube da vaga para deficientes e se candidatou. Ingressou na empresa como técnico de informática pela Usina de Estreito e depois foi transferido para a Usina de Furnas, onde atua até hoje. 

Ajudou a empresa e seus colegas de trabalho a se adaptarem ao dia a dia de um cadeirante. Foi o primeiro cadeirante a trabalhar na Usina. Em 15 anos de empresa vê diversos avanços na diminuição do preconceito e a favor da inclusão.  A usina se adaptou às necessidades de pessoas com mobilidade reduzida. 

Hoje ele supervisiona o setor de suporte de TI de toda a área de Minas e faz palestras sobre Mobilidade e Motivação em várias áreas da empresa.

Éder é casado com Solange e são pais de Kauã (15 anos) e Kauane (7 anos).


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História completa

Um excerto sobre a história de Éder 

[...] uma máquina, um micro, não é apenas um computador onde eu navego e entro na internet, não é, ele também faz toda a operação de uma usina. A comunicação que é feita ali, os e-mails, o telefone, tudo é gravado, pois é muita responsabilidade. A gente só a percebe quando para tudo, quando cai o sistema. Normalmente, a TI fica ali escondidinha, fazendo tudo funcionar, e não pode parar.

 

Eu já conhecia FURNAS. Na região onde moro a empresa é uma das maiores, então ela sempre foi referência de trabalho, sempre foi mencionada como um lugar bom para trabalhar. 

Eu estava terminando o último ano da faculdade e trabalhando na Contec quando soube da oportunidade em FURNAS, da cota para deficientes na empresa. Na época, falei com a assistente social: “Adriana, me interesso, quero trabalhar”. Tinha duas vagas para TI e fui lá fazer a entrevista. Eu fui à usina de Luiz Carlos Barreto de Carvalho, a vaga era ali em Estreito, na usina de Estreito. Tinha mais quatro candidatos para essa vaga. Felizmente, deu tudo certo! Me escolheram! 

Depois surgiu a oportunidade de ir para a usina de Furnas. E eu fui! Me lembro muito bem do primeiro dia, eu já cheguei na usina para trabalhar. E foi novidade para todo mundo, para o pessoal também, porque eles não tinham nenhum candidato com deficiência, eu fui o primeiro cadeirante a trabalhar na usina, isso há 15 anos. Posso dizer que nós crescemos juntos ali na empresa na parte de adaptação. Adaptar banheiro, sala e tudo para que eu pudesse me locomover. 

Eu fui trabalhar na Divisão de Eletroeletrônico, e o pessoal me recebeu muito bem, o Wilson Trivelin, o Jurandir, o Gleison, era nós quatro aqui da área Minas que tomava conta da parte de TI. Aprendi muito quando eu cheguei e acho que contribui também, porque eles passaram a me ver com outros olhos, entenderam que a limitação da cadeira é uma limitação física, não intelectual. 

Às vezes, eu ia no restaurante com a minha namorada e o garçom chegava e perguntava para ela: “O que ele vai comer”? Ela falava: “Pergunta para ele, ele não anda, mas fala. E fala muito!”. Já vivi algumas situações como essa, o preconceito existe, diminuiu muito, mas ainda existe. 

Um dia nós tivemos um treinamento no Rio de Janeiro. Todos os quatro estavam escalados para ir e o gerente falou: “Ah, Éder, você não vai, não”. “Ué? O que será que eu fiz de errado?” “Mas não vou por quê?” “Não vai porque a viagem é de avião”. “Tá, mas e daí”? “Como você vai entrar no avião”? “Eles me carregam. Como que eu entro no ônibus? Eles me carregam. Vou entrar no avião”. “Mas não é constrangedor para você?”. “Não, não é, eu vou. Constrangedor para mim é perder a oportunidade, isso eu não quero, eu vou”. “Então tá ótimo, então vá”. E eu fui fazer treinamento. 

Eu sei que não é por maldade, é por zelo, é por cuidado. Só que muitas das vezes tem que perguntar: o que é melhor para você? Você consegue fazer? Dá para você fazer? Você consegue ir? É assim que eu acho que tem que ser comigo, na verdade, com qualquer outra pessoa com mobilidade reduzida ou qualquer outra deficiência. Tem que perguntar.  

As coisas mudaram muito nesses últimos anos, nós fomos vivenciando e aprendendo juntos, e o leque foi se abrindo, com possibilidades e oportunidades, aqui em FURNAS. Tivemos até uma corrida e caminhada aqui na empresa, evento de final de ano que o pessoal da saúde organizava. Eu ia, eu corria com a cadeira, ia todo mundo junto e eu correndo com a cadeira. Foi um aprendizado muito grande, tenho muitas fotos de momentos como esses.

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Hoje, eu trabalho em um escritório aqui na vila de Furnas, só que eu tenho que ir constantemente para a sala de controle. A maioria dos escritórios fica na Vila de Furnas e, digamos, o “chão de fábrica”, onde ficam os geradores, onde fica a subestação e tudo mais, fica dentro da usina.

Eu faço parte da área de TI, sou Supervisor de Incidentes. Minha equipe está espalhada, tenho pessoas em Estreito, Mascarenhas de Moraes e em Furnas; trata-se de um pessoal contratado, que presta serviços, e eu os acompanho, ajudo e fiscalizo. Nós tomamos conta da região de Minas Gerais, tudo em relação à TI da área de Minas é nossa responsabilidade, e a minha gerência, eu estou no CSAI, fica no Rio de Janeiro.

E afinal, o que faz a área de TI? 

Ela tem muita responsabilidade e trabalhar nela é um grande desafio. Primeiro, vale destacar que FURNAS tem uma dimensão gigantesca, eu tenho subestação sob a nossa responsabilidade que fica a 800 Km daqui, e às vezes a gente tem que ir para lá fazer a manutenção, fazer alguma ação. A grande maioria das intervenções são realizadas de maneira remota, mas de vez em quando é necessária uma incursão in loco.

Outro ponto incrível é que todo o sistema de comunicação de FURNAS é de FURNAS! É tudo interligado, tem fibra ótica interligando tudo, todos os pontos. Então, a gente tem que entender e mexer nisso aqui na ponta também. Inclusive, dentro das usinas. 

FURNAS se destaca muito por sua rede, e é gratificante você ver que todas as máquinas, os geradores, os maquinários, ligados e interligados na rede, tudo ligado por computador. Hoje, é o computador que vai definir se é para gerar mais, gerar menos, se deve abrir uma comporta... E isso tudo está dentro da área de TI, nossa responsabilidade. É claro que temos os operadores, a manutenção, outros funcionários imprescindíveis, mas TI é muito importante. 

TI normalmente fica associada ao pessoal que vai lá no escritório arrumar o computador, programá-lo, passar um antivírus, mas em uma empresa do porte de FURNAS, evidentemente sua ação vai além disso, por exemplo, um canal de comunicação cai, não tem mais comunicação entre quem está fazendo a operação da usina com quem está pedindo, por exemplo, NOS; tem que ter comunicação! Então, justamente para evitar isso, tem mais de um canal, tem comunicação via rede, tem fibra, tem rádio; a comunicação é muito eficiente dentro da empresa e requer atenção constante. 

Na parte das máquinas: uma máquina, um micro, não é apenas um computador onde eu navego e entro na internet, não é, ele também faz toda a operação de uma usina. A comunicação que é feita ali, os e-mails, o telefone, tudo é gravado, pois é muita responsabilidade. A gente só a percebe quando para tudo, quando cai o sistema. Normalmente, a TI fica ali escondidinha, fazendo tudo funcionar, e não pode parar. 

No dia a dia, os problemas mais comuns são falhas no hardware das máquinas, no software, dúvidas dos usuários, dúvida de como entrar no sistema, como atua, como faz. Um e-mail que não está funcionando, que a gente tem que resolver. Basicamente, esses são os problemas mais comuns, mas vale lembrar que são mais de 300 máquinas só na usina de Furnas, 300 computadores, todos ligados em rede, tudo ao mesmo tempo. É muita coisa.

Agora, o incomum... TI tem uma grande capilaridade, tem um botãozinho e acende uma luzinha o pessoal já passa para TI! Há muita confusão sobre o que é responsabilidade da área de TI ou não. Por exemplo, acham que o micro-ondas é de TI. Não! Teve um dia que chegou uma máquina de cortar papel. “Estou com uma máquina aqui com problema”. 

“Oi?”

Não! Veja, uma passagem que foi especial para mim, um grande desafio pessoal, foi quando nós fomos trocar os servidores daqui da usina, uma ação que gerou grande impacto, e fizemos tudo de forma sincronizada, sem perder nada, sem dar impacto nenhum para o usuário. Na verdade, o usuário nem ficou sabendo da troca. Foi um serviço muito grande, nós trocamos tudo que era sucateado. E a hora que a ação terminou, que deu tudo certo, foi um alívio geral.  

Eu ajudo também na parte de eventos aqui da usina. Tivemos agora uma reunião com o Ministério de Minas e Energia, com o governador de Minas Gerais, a presidência de FURNAS, Eletrobras, todo mundo, todo mundo junto aqui na usina. E um evento como esse envolve muitos preparativos, muita coisa para poder recebê-los. Foi muito bom, muito gratificante, uma coisa muito grande que nós fizemos com repercussão nacional. 

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