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Roda de Histórias com moradores de assentamentos de Caucaia e São Gonçalo do Amarante

Sinopse

No dia 01 de junho de 2014 foi realizada a Roda de Histórias com moradores de assentamentos dos municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante – Ceará. O encontro aconteceu no Jardim Botânico de São Gonçalo do Amarante e contou com a presença de moradores que foram deslocados devido às transformações ocasionadas pelo Complexo Industrial Portuário do Pecém (CIPP). A roda contou com moradores dos assentamentos Forquilha, Nova Vida, Tapuio e Novo Torem, e compartilharam suas experiências sobre a região antes e depois da chegada do Complexo. 

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História completa

A Roda de Histórias com moradores de assentamentos dos municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante foi diferente de todas as outras. Ao contrário dos outros grupos, onde a mobilização para o evento partiu de seus próprios coletivos, este encontro contou, em sua maioria, com idosos e aposentados, convidados seguindo o critério de localidade, em um belo domingo de sol.

Observa-se que a motivação dos participantes para estarem ali era a de poder contar, ouvir e refletir sobre transformações as quais seus municípios estão passando. Seus relatos trouxeram o que poderia ser chamado de cerne de uma pesquisa qualitativa. Por meio de suas histórias, evidencia-se que quem vive um processo de mudança, vivencia situações que vão muito além de uma definição maniqueísta.

Após um começo truncado, a reunião de condomínio modificou-se para uma verdadeira roda de causos. Descrições da paisagem, personagens do passado, saberes antigos como os tratos com ervas, chás e mandingas. Parteiras, misturas de mel, banha de galinha e alho, e pés de pimenta e cidreira em todos os quintais.

Além de contos que permitiram conhecer um pouco desse universo cultural do campo cearense, vale frisar as falas que destacam a complexidade do viver na região, como a de Seu Antônio: “Hoje, com esse investimento do Porto do Pecém, essas firmas que chegaram, teve uma grande melhora, porque se não fosse isso eu estava com minhas filhas trabalhando, até fazendo faxina, porque não tinha emprego. E hoje todo mundo tem emprego, todo mundo tem suas condições de viver, todo mundo tem sua geladeira em casa, muitos têm suas motos, têm um transporte... Eu não vou dizer que só naquela época era bom. Era bom, mas eu acho que apesar da violência que está acontecendo, as coisas melhoraram, não só porque está havendo muitas coisas aí, mas por outra parte, financeira, está sendo melhor do que naquela época. O que eu quero dizer é isso, porque hoje eu tenho minhas filhas empregadas, meu genro empregado, e se não fosse o Porto do Pecém, elas estavam trabalhando mais eu lá na roça, porque não tinha onde se empregasse”. E a de Lúcia: “O que eu sinto falta lá de onde a gente morou é aquele terreiro bem limpo que nem a gente tinha, aquela paisagem bonita, a lua de noite, quando a gente terminava de jantar, a gente vinha pro terreiro, sentava naquela areia bem limpa dos terreiros da gente. E do gado da gente, que a gente possuía. Só isso que eu sinto saudade”.

Histórias como a de Antônio, Lúcia, Hernanes, Maria, entre outros participantes da roda, estão agora registradas e se tornaram ainda mais vivas dentro de um acervo com outras narrativas. Que elas alcancem novos públicos, ouvintes, e que encantem e tragam a reflexão para além de suas fronteiras naturais. O contexto observado em Caucaia e São Gonçalo do Amarante se repete em outras localidades. Será que estas histórias podem ajudar a compreendê-las?

 

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