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Roda de Histórias Anacés

Sinopse

No dia 18 de maio de 2014 foi realizada a Roda de Histórias com representantes da etnia indígena Anacé. O encontro aconteceu na região de Matões, distrito de São Gonçalo do Amarante (CE). O grupo de convidados e a equipe do Museu da Pessoa foi recebida com um delicioso lanche disposto em folhas de bananeiras. A Casa de Cultura Anacé estava cheia, e após a recepção deu-se início a troca de narrativas. Relatos sobre antigos costumes, como o roçado e a pesca tradicional; personagens como Dona Umbilina, seres que com seus poderes caminharam entre o real e o imaginário; conflitos de terra e a transformação do espaço, foram alguns dos temas expostos neste dia.

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História completa

No dia 18 de maio de 2014 foi realizada a Roda de Histórias com representantes da etnia indígena Anacé. O encontro aconteceu na Casa de Cultura Anacé, na região de Matões, distrito de São Gonçalo do Amarante (CE). Pode-se afirmar que momentos como esses são para guardar, refletir, e agradecer pela oportunidade de poder parar e ouvir um pouco. Tratam-se de narrativas sobre pessoas desconhecidas, acerca de uma região invisível, que em um ato de comunhão, a roda de histórias, discutiu-se sobre uma cultura e um povo que vive processo de extinção, reconstrução e descoberta. “Tudo ao mesmo tempo agora”.

Para início da Roda de Histórias, foram entoados três cantos: Um indígena, um católico e outro evangélico. Todos em círculo, de mãos dadas, olhos fechados, e respeito, muito respeito. Situações como essa mostram as influencias e o sincretismo religioso presente na comunidade. A identidade indígena para estas bandas, apesar de sua secular presença, não é uma obviedade. Além do preconceito oriundo desde os tempos mais remotos da colonização, a luta pela posse de terra torna essa situação ainda mais complexa (e temerária).

As histórias gentilmente compartilhadas trouxeram o tema do conflito de terras e da luta pelo reconhecimento identitário. E suas falas, talvez pelo motivo do encontro, da presença das câmeras de vídeo, muito marcaram a vida da região como antes e depois do Complexo Industrial Portuário do Pecém (CIPP). Todavia, dentre todos os relatos, é possível vislumbrar amores, medos, dúvidas, lutas, verdadeiros contos da vida privada.

Como a história de Antônio Adelino, que fala sobre um tempo distante, de “brincadeira sadias, sem malícia”. É com emoção que relata a construção da BR e a primeira vez que viu um jipe. Também conta que: “no caminho lá existia cobra, gato, essas coisas assim e pra se livrar da cobra todo mundo andava com uma faca grande no lado aqui, no cinturão, facão, uma foice ou uma espingarda boa pra matar a cobra. Se ela se apresentasse: matava”.

Outro tempo, outras demandas, outros personagens, como Dona Umbilina, já falecida, porém presente na imaginação e referendada em mais de um relato. Ângela contou na roda que: “Ela tinha uma oração que quando o fogo invadia uma plantação de cana, de capim, da mata mesmo, a gente corria, chamava ela, ela ia e apagava o fogo através da oração. Aconteceu com a gente, foi assim uma presença viva que a gente tinha. No dia que a gente tava comemorando o Primeiro Jogos Indígenas, que a gente tirou terceiro lugar, a gente muito alegre, fazendo aquela festa, soltamos fogos, aí a faísca do fogo foi pra dentro do capim, invadiu tudo e a gente chamou ela. Ela veio com a oração dela e a mão dela, poderosa, apagou o fogo”.

Causos como esses brotaram aos montes, e a conversa se estendeu até a vontade de um novo café.

Para conhecer a história dos Anacés seria necessário mais vários dias de prosa, de qualquer maneira, está aqui registrado uma pequena parte dessa trajetória. Hoje, a etnia está de mudança da região do Matões para uma reserva indígena, conquistada a muito custo. A transformação dos dias de hoje é bem vista por uns e tiram o chão das gerações mais antigas. Os próximos capítulos ainda estão para ser vistos e escritos.

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