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História de: Geraldo Magela
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/05/2020

Sinopse

Infância. Mudança para São Paulo. Primeiro emprego. Entrada e momentos marcantes na Avon. Esposa e família. Trabalho voluntário. Importância e aprendizados que teve da Avon.

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História completa

P – Bom dia, seu Geraldo, vamos começar com o senhor falando o seu nome completo, o local e data de nascimento.

 

R – Bom dia a todas [e] todos. Meu nome é Geraldo, eu nasci em 3 de setembro de 1977, em Curvelo, uma cidade de Minas Gerais.

 

P – Qual é a sua atividade atual, seu Geraldo?

 

R – Hoje eu sou líder do setor de Malote. Explicar, assim, rapidamente, para vocês terem a noção do que é: todos os pedidos da gerente de setores - elas têm em média duas mil revendedoras por setor -, eu sou responsável para estar retirando esses pedidos nas residências delas e levando até o local de coleta. Onde esses pedidos vão ser escaneados e aonde vai gerar o “picklist” [lista de separação e preparação de pedidos] e a nota fiscal para separar os produtos. Em torno de 70, 80 mil/dia.

 

P – Dia?

 

R – É.

 

P – Qual o nome dos seus pais?

 

R – Marcílio e Maria José.

 

P – E qual é a atividade profissional deles?

 

R – O meu pai é aposentado, né? Ele tinha uma fábrica de beneficiamento de arroz, e minha mãe é doméstica.

 

P – E qual que é a origem da sua família, de onde vocês vêm?

 

R – Minas. 

 

P – E o senhor tem irmãos?

 

R – Eu mais dez, somos em 11. 

 

P - Todos meninos?

 

R – Não, são sete mulheres e quatro homens. Família grande.

 

P – Vamos voltar um pouquinho e falar da sua infância?

 

R – Vamos.

 

P – Onde o senhor morava?

 

R – Eu nasci em Curvelo, em Minas, morei até os 12 anos. E [com] 12 anos, vim aqui para São Paulo - estamos até hoje aqui.

 

P – E como que era a sua casa na infância, o cotidiano da sua casa?

 

R – Ó, é, até gosto de falar, porque apesar de uma infância, assim, humilde, mas eu tinha todo o conforto de uma família, sabe? Tipo uma casa enorme, apesar que era uma casa tipo da roça, mas praticamente no centro da cidade. E por ser uma família grande, então, minha casa estava sempre cheia. Sempre tinham festas e bastante amigos. Tive uma infância saudável, muito boa, que hoje, infelizmente, a gente não pode estar patrocinando isso para os filhos da gente. Porque envolve tudo, né, segurança, espaço - a gente não tem mais isso. Então eu não posso reclamar da minha infância não. 

 

P – Fala um pouquinho da cidade, como era?

 

R – É uma cidade pequena e, praticamente, todo mundo [se] conhecia. E tinha bastante amigos, onde eu jogava bola, ia para o rio nadar, pescar. Então foi uma infância, assim, maravilhosa.

 

P – Então o senhor teve muitas brincadeiras?

 

R – Sim, nossa, demais até.

 

P – E qual que era a sua preferida?

 

R – Apesar que eu não sou lá grande coisa, (risos) mas sempre gostei demais de futebol. Sempre.

 

P – E as lembranças marcantes que o senhor tem dessa época?

 

R – Dessa época?

 

P – Isso, da infância. 

 

R – Das amizades, sabe? Tipo assim, das amigas da minha mãe, dos amigos do meu pai, tudo. Na verdade, a gente sentia até uma proteção a mais, porque: “Ah, é filho do Marcílio, filho da Maria.” Então era como se fosse filho; onde você ia, se sentia protegido - isso aí marcou bastante. Que hoje, aqui em São Paulo, você, às vezes, por exemplo, eu digo até eu como exemplo, gosto de fazer bastante amizade, mas aonde eu moro, a gente chega tarde, sai, tem outras atividades; então mal a gente conhece os vizinhos. Sabe quem é, de bom dia, boa tarde, [mas] não tem aquela, como era antigamente, que você frequentava as casas, tudo. Então, isso aí, marcou bastante para mim.

 

P – E o senhor começou a estudar, então, nessa cidade?

 

R – Isso.

 

P – Com quantos anos?

 

R – Com 7 anos. Aquela época não, você tinha que entrar com 7. Então, com 7 anos. 

 

P – Fala um pouquinho da escola, como era? 

 

R – Ó, de escola, eu tenho, (risos) eu era meio levado, né, como diz o outro. Eu brigava muito na escola, então não era de estudar; só no dia da prova e olhe lá. Era um aluno regular, mas eu reconheço que eu dei bastante trabalho para os meus professores. Mas, apesar de tudo, até quando eu vou à cidade lá, e eles sabem que eu estou, eles vão à minha procura. E eu procuro também visitar o pessoal. Mas eu fui levado, muito levado. 

 

P – E depois, com 12 anos, você veio para São Paulo?

 

R – Eu vim para São Paulo, e aí eu tive que, até atrasei um pouco os estudos, porque eu tive que ajudar a minha família. Porque o meu pai tinha um sócio nessa empresa que ele tinha, e levou meu pai à falência; então eu tive que correr atrás, para ajudar no orçamento da casa.

 

P – Então foi por isso que vocês vieram para São Paulo?

 

R – É, na verdade, mais porque, tipo assim, uma irmã mais velha casou, veio para cá. Então minha mãe ficava mais aqui do que lá. Aí ela falou: “Vamos para São Paulo porque, apesar do que aconteceu aqui com teu pai, lá o campo de trabalho é mais amplo, tudo, tem mais oportunidade”. Aí nós viemos.

 

P – E como era São Paulo quando você chegou aqui?

 

R – Ah, muito bom. Apesar da garoa, tudo, né, frio, tal, mas muito bom. São Paulo, a gente pode falar o que for, mas a gente só dá o valor a São Paulo quando a gente sai daqui. Para trabalhar, por exemplo, realmente, você sente falta, porque em São Paulo tem tudo. Então, mas para a gente, no início, para acostumar foi meio complicado, porque onde a gente morava era uma cidade muito pacata, muito tranquila; então aqui, já naquela época, comparando com a cidade lá, era um monstro, né? 

 

P – _____, era muita diferença. E o senhor veio para São Paulo com a sua família e já começou a trabalhar?

 

R – Já comecei a trabalhar.

 

P – Então o senhor começou a trabalhar com 12 anos?

 

R – Com 12 anos.

 

P – E qual foi seu primeiro emprego?

 

R – Engraxate. (risos) Eu trabalhava como engraxate em... Durante a semana, na feira, e nos finais de semana como engraxate. Até que um dia tinha um, eu acabei conquistando o pessoal lá e queriam só que eu engraxasse. O pessoal, a turminha que, ficaram revoltados, e começava a brigar comigo. Aí um senhor viu, o dono de uma loja, ele falou: “Ó, eu quero, quer trabalhar comigo?” Eu falei: “Quero sim.” Então ele falou: “Segunda-feira você vem até, pega seus documentos e vem falar comigo.” Mas nesse dia coincidiu de meu pai estar aqui - porque meu pai continuou em Minas. Aí foi meu pai e minha mãe. Então ele pegou e falou: “Um dos maiores requisitos foi você ter trazido os seus pais com você.” Então você, para a gente, a gente vê, acho que inspirou mais confiança e tal. E eu sei que com dois meses, eu na loja, ele falou: “Ó, eu tenho que fazer uma viagem para Recife, e quero que você ajude a Sheila a tomar conta da loja.” 

 

P – Uma loja de quê?

 

R – Era uma loja que tinha tudo: sapatos, roupas, e eu tinha, eu entrei lá [e] limpava o chão, varria, tudo. E em dois meses, eu já ficava no caixa - apesar da minha pouca idade. Então, e daí para a frente eu fui, eu saí de lá porque eu achei uma coisa melhor, ele até me incentivou e me ajudou. E eu fui trabalhar na Embaixada Alemã como “office boy”. Até que gostava muito de trabalhar lá. E até eu sofrer um assalto na rua, tudo, aí eu tive que sair de lá. No que eu saí, entrei no Bradesco [e] fiquei três anos. Saí, entrei na Avon e estou até hoje.

 

P – Ah, é? E você retomou os estudos? Fez algum curso durante esse período?

 

R – Eu fiz, aí como eu retardei bastante os estudos, voltei a fazer aquela que era o supletivo. Eu fiz o supletivo no Santa Inês, e tentei começar uma faculdade, mas aí não deu porque eu logo me casei. Casei novo, tudo. Então eu parei os estudos. E pretendo ainda continuar, mas a gente chega a uma certa idade que dá uma, você começa a investir nos filhos, né? Então aí já te atrapalha um pouco. 

 

P – Então o senhor falou que foi para a Avon. Como que o senhor foi para lá? E quando, lembra?

 

R – Lembro perfeitamente. Eu tinha, meu cunhado, que na época não era meu cunhado, era um amigo, né? Trabalhava lá e falou: “Ó, lá está precisando, mas [é] trabalho temporário”. Eu falei: “Eu faço qualquer coisa”. Aí eu trabalhei três meses temporário no CPD (Centro de Processamento de Dados). Depois eles renovaram para mais três meses, e aí falaram: “Ó, Geraldo, você vai ter que fazer um teste e quem sabe surge uma vaga. Você...”. Tinham vários, todos nós fizemos esse teste, tudo, e aí eu fiquei chateado porque todo mundo queria trabalhar na Avon, até hoje. Então eu fui trabalhar com meu pai. Meu pai já tinha montado um depósito de gás, eu fui carregar bujão lá com ele, né? Num dia, no dia seguinte, chegou o telegrama para que eu retornasse, que tinha sido aprovado. E estou até hoje, né?

 

P – É? Em que ano que foi isso, o senhor lembra?

 

R – 1980.

 

P – E o senhor conhecia a Avon antes disso?

 

R – Conhecia, a minha mãe era, lá em Minas, ela revendia Avon; então a gente sempre tinha aquela curiosidade: “Como é a fábrica da Avon?” E, mas nunca imaginava de trabalhar na Avon. Então isso para a gente foi muito gratificante, até para a minha mãe, né? “Puxa vida...” Ela começa a contar história de quando ela vendia. E a maior parte do orçamento nosso, na época em que meu pai estava com a empresa, praticamente faliu, o que bancou a minha casa, uma boa parte, foi ela vendendo produto da Avon.

 

P – Que ótimo. E o senhor lembra do seu primeiro dia de trabalho lá na Avon?

 

R – Lembro.

 

P – Lembra?

 

R – Lembro perfeitamente.

 

P – Como é que foi?

 

R – É lógico, você chega assim meio acanhado, né, porque você vê todo mundo... Você fala do início, né, quando eu fui como temporário?

 

P – Isso.

 

R – Então, em primeiro lugar, eu fui conhecer a empresa. Me perdia lá e não sabia nem como andar lá na empresa.

 

P – A sua primeira impressão, assim, quando chegou lá?

 

R – O que eu queria mesmo era conhecer os produtos, a linha de produtos, a linha de embalagem. Porque, exatamente, minha mãe vendia Avon, revendia Avon, e eu não via a hora. Então eu fui, fiquei totalmente perdido lá dentro e tal. Mas logo fui muito bem aceito pelo pessoal, acho que, de fato é por, desculpa, o meu cunhado estar trabalhando lá, acho que ele já tinha falado de mim para o pessoal. Fui muito bem recebido por eles, e aí eu, no segundo dia eu já estava à vontade.

 

P – Conseguiu conhecer a linha?

 

R – (risos) Ó, se eu te falar que até hoje acho que eu não conheci totalmente, mas uma boa parte. Mesmo porque está sempre mudando, renovando, mas é bastante interessante.

 

P – O senhor começou a trabalhar, então, em Interlagos já?

 

R – Já em Interlagos.

 

P – Em 80.

 

R – Isso.

 

P – Fala um pouquinho da sua trajetória na empresa. O senhor começou como temporário...

 

R – É, eu comecei como temporário na, no CPD, que era separação e corte, aonde que saíam todas as notas fiscais, nós tínhamos que microfilmar, cortar, separar o “picklist” da nota fiscal e anexar o pedido de compra da revendedora para serem separados os produtos. E ao mesmo tempo eu ajudava o pessoal do Itemdata, que era aonde que tem a liberação do faturamento. E dali eu passei para processamento de pedidos, que envolvia toda área de coleta de dados, que na época, para a gente, era digitação, era tudo digitado. E cuidava... também tinha parte de malote que... Só que era um departamento muito grande, então tinham várias atividades dentro desse departamento. E aí eu comecei a cuidar de trocas e faltas. Depois fiquei como líder do departamento inteiro, aí comecei também a cuidar do setor de Correspondência da Avon, tanto o nacional como o internacional. Utilizava Correio, Federal Express, DHL. E com isso aí, você vai só agregando mais conhecimentos e mais responsabilidades. Mas já peguei o setor de Motoboy também da empresa, de todo o pagamento bancário. E dali, eu fui para o RH. Sempre com, cuidando também da área de Malote, que é aquele que eu falei para vocês dos pedidos de compras. E depois, dali, eu fui para Vendas, de Vendas fui para a área de “Custom Care”, que é onde estou até hoje. E com a responsabilidade também de cuidar do Malote, de relacionado a todos os gerentes de vendas, gerentes de setores, agências de cobrança. Então hoje toda a correspondência aqui da Avon, a nível Brasil, passa por nós. E com isso, também, a responsabilidade vai aumentando, porque vai mudando, você tem que acompanhar. Alguns projetos que a gente participa para reduzir o tempo de malote, ou seja, aumentar o tempo de vendas para gerentes de setores. Para a companhia, isso é bastante interessante. E estamos lá, cada dia aprendendo mais. Porque você fala: “Pô, já sei tudo”. Não, pelo contrário. A gente é um eterno aprendiz, então...

 

P – O senhor passou por várias experiências, né?

 

R – Passei, bastante.

 

P – Quais foram os principais desafios que o senhor enfrentou?

 

R – Ó, foi quando eu passei a responder para [o] RH, que o gerente na época era o Eduardo Ribeiro, e eu fazia determinada coisa, de repente falou: “Ó, você vai ficar responsável pela área de FedEx, do Correio, e mais o serviço interno”. Que também tinha um serviço interno lá que tinha os motoboys. Além dos motoboys, tinham os mensageiros, que seriam os contínuos internos. Então, quer dizer, eu abracei um monte de coisas, e ele falou assim: “Você tem até amanhã para responder”. Eu fiquei assim, falei: “Eu não vou conseguir”. Para mim, algumas coisas eram novidade. Porque você estar no comando é uma coisa, agora você pôr a mão e fazer, né? Então, e outra, eu tenho, até hoje, a gente sempre tem o colinho da mamãe que é a coisa melhor que existe. Eu fui consultá-la, tal, ela pegou, falou: “Olha, você pega com Deus - que a minha mãe sempre [foi] muito católica - e confia em você. Se está te dando essa oportunidade, é porque você tem condições”. Aí eu cheguei falei, cheguei para o Eduardo, ele me, quer dizer, ele me ligou: “E aí Geraldo?” Eu falei: “Não, vou aceitar”. Ele falou: “Que bom, fico contente”. E com isso, até [com] o meu desempenho tive um aumento. E ele tinha me prometido outros aumentos, mas só como ele saiu da área, né, não foi possível. Mas foi assim uma experiência boa e eu até agradeço o Eduardo, porque ele me encostou na parede, tudo, aí eu vi que são desafios que a gente tem que tentar. Hoje em dia, você tem que, não pode desistir da, eu acho que tem que correr atrás e conseguir. E, então, esse foi um dos maiores desafios que aconteceu lá dentro da Avon. Eu fiquei bastante contente, e você acaba pegando mais confiança, né? Foi muito bom.

 

P – E as alegrias que a Avon te proporcionou?

 

R – Ó, bastante. Isso aí são inúmeras. Tanto porque a Avon sempre foi, assim, tipo uma família. Hoje em dia, mudou bastante. Mas a gente, eu conhecia todo mundo da Avon, sem exceção. Agora, até com a modernidade de estar mudando dali, aqui, tudo, tem muita gente que saiu, outros se aposentaram. Mas me proporcionou imensas, tipo, eu casei [e] estava na Avon. O nascimento das minhas duas filhas, eu estava na Avon. E tipo assim, sempre tive todo apoio da companhia. E então são tantas que não dá nem para a gente estar citando. Mas sempre teve, tive o apoio da Avon, dos amigos da Avon. Então, tanto é que eu estou lá até hoje. Você até acaba, quando tem uma empresa tão boa assim, acaba se acomodando, né? E foi meu caso.

 

P – O que é que o senhor considera como a sua principal realização em Avon?

 

R – É, eu acho que tudo. Porque hoje eu tenho uma família maravilhosa, meu teto para morar, que isso é muito importante. Consegui formar minha filha. Eu tenho uma filha que conseguiu terminar, fez Administração de Empresas, e está fazendo pós-graduação agora. Então tudo o que eu tenho hoje, agradeço à Avon. 

 

P – Como era o relacionamento com os colegas de trabalho?

 

R – Sempre o melhor possível. Eu sempre, tipo assim, fui o, que eu falo muito. Então, eu sempre procuro deixar o pessoal à vontade. Inclusive, eu já fui até chamado a atenção porque às vezes eu via uma pessoa quando ela entrava assim, ficava meio tímida, achava parecido com alguém [e] um apelido eu colocava. Aí o meu gerente um dia viu e me chamou a atenção.

 

P – É mesmo?

 

R – É. Eu falei: “Ó, eu faço isso até para a própria pessoa se soltar um pouco. Então eu acho, uso isso até como artimanha porque tem dado certo. E em momento algum alguém me procurou, falou: 'ó, Geraldo, eu não quero que você me chame disso.' Que se chegar e falar, eu vou parar, eu não vou...” Aí ele falou: “Não, mas eu não gostei, tal”. Eu falei: “Agora, você vai me desculpar, isso é uma, se você me falar: ‘Eu não quero que você coloque mais.' Eu não vou colocar mais, mas eu vou ficar chateado porque eu não gostaria de mudar”. Aí ele saiu bravo, tal, aí ele, e eu tenho o hábito de sempre chegar cedo na companhia. Esse dia ele chegou cedo também e me chamou na sala, falou assim: “E eu tenho apelido?”. (risos) Eu falei: “Eu não posso falar”. Ele falou: “Eu quero te pedir desculpa, estava nervoso. Eu cheguei em casa, comentei com a minha esposa, ela pegou e falou que eu estava errado. Então, tanto é, eu quero te pedir desculpa.” E ficou até, sabe? Então eu sempre tive um bom relacionamento com, não só com os meus funcionários, mas com todo mundo da empresa. Eu acho que isso aí é fundamental. Lógico, todos nós, às vezes, você levanta meio, né? Mas eu, sempre quando entro na Avon, dificilmente alguém chega para mim: “Pô, você está triste? Você está chateado?”. Não, sabe, eu sempre estou com bom astral, tudo. Isso aí acho que me ajuda no decorrer do dia.

 

P – E pode citar alguns apelidos para a gente?

 

R – Ó, tem bastante, viu? Tem muito apelido. Mexerica era um rapaz que, inclusive, quando ele me chamou, meu gerente, me falou: “Puxa vida, esse...” Chama Alexandre, o rapaz. Se eu, quando eu vou na feira eu lembro do Alexandre, porque é idêntico, sabe? E também devo ter apelido lá, mas, entendeu? Sempre tem bastante apelido lá o pessoal. Mas é gostoso.

 

P – E o que é que a Avon representa para os funcionários?

 

R – Ó, a Avon é aquilo que eu falei, né? Eu acho que para todos nós, a Avon representa tudo. Porque ali você, ela te dá condições de mudar de vida, de você progredir. Os funcionários, por exemplo, têm tudo ali. Nós temos, tem o berçário, sabe? Tem tudo, então só tem que falar bem. E outra, tudo que a gente tem, tem que agradecer à Avon, porque ela te dá condições disso. Ela, quem entra lá, que estuda, que está a fim de subir, tem essa oportunidade. A Avon seria um plano de carreira - nós temos lá. Então não tem o que falar, tipo, é aquilo que eu falei antes: tem gente que só sai de lá quando aposenta. Mas eu não aconselho, assim, tipo, de você entrar numa empresa e ficar. A não ser que você corra atrás, tudo, e faça tudo. Continue os estudos, sempre. Uma das coisas que eu falo bastante para o meu pessoal é que: “Gente, estuda. Estuda, procura contato com outro pessoal dos departamentos”, porque você no telefone é uma coisa, mas você conhecendo a pessoa pessoalmente é, muda um pouco. Então é tudo de bom trabalhar na Avon. (risos) Talvez eu tenha até, fala: “Pô, você está forçando um pouco a barra”, mas é o que eu sinto. Eu gosto muito de trabalhar na Avon.

 

P – Agora, o senhor podia contar para a gente um caso engraçado, de alguma coisa que aconteceu lá?

 

R – Tenho sim. Tenho um caso que, coleta de dados, ela era no Brasil. Ô, desculpa, aqui, só em São Paulo. Então nós descentralizamos, hoje temos três locais de coleta. Eu fiquei bastante tempo viajando, dando treinamento para o pessoal. Não só eu, como a equipe da Avon. E teve uma vez que nós fomos para Florianópolis. A gente ia almoçar, era quase todo dia churrasco e tal. Aí tem um amigo, que eu nem vou citar o nome, mas eu vou dar alguma dica, que hoje ele não está trabalhando aqui em São Paulo, ele está no CD Bahia. Aí ele falou assim: “Pô, Gê, vamos comer alguma coisa diferente?”. Era uma quarta-feira, estava meio frio: “Vamos comer uma feijoada”. Comemos a feijoada, tudo, aí ele, a gente vinha no táxi, eu estou vendo ele olhando, eu estou vendo ele assim. Falei: “(Vando?) Está tudo bem?” E ele... É, quase que eu falo o nome dele, né? Corta essa parte aí. “Tá tudo bem aí?” Ele falou: “Tudo bem, mas eu acho que eu estou, vou abrir... Pode abrir o vidro um pouquinho?” O motorista falou: “Pode, fica à vontade.” Aí eu vi que ele não estava legal, eu falei: “Para aí. Que é que foi?”, “Acho que a feijoada me fez mal”. Nós ficamos perto da lanchonete lá, tal, procurando uma farmácia. Eu falei: “Você tem Sonrisal?”. O cara: “Tenho”, “Então dá um, por favor”. Aí ele chegou para mim e falou assim: “Como que eu tomo isso aqui?”. Eu pensei que ele estava brincando, né? Eu falei: “Ah, igual comprimido.” Ele pegou Sonrisal, engoliu e tacou água por cima. Olha, ele parecia um pai de santo. Eu ri tanto aquele dia, quase que não volto para trabalhar, sabe? Mas ele ficou louco, então isso foi, até hoje, quando ele vê, fala que é mentira. Mas foi muito legal. E um outro caso que aconteceu, não especificamente na Avon, mas eu te falo para ver como o nome da Avon é tão forte. Eu tenho o costume de quase todo final de ano ir para Minas. E o pessoal pensa [que] por você trabalhar na Avon, tem tudo de graça lá. Apesar que a gente tem o desconto [e] tal, mas, é tudo pago, lógico, nem poderia ser. E eu tenho o costume de comprar, fazer uma comprinha e levar para o pessoal. Um presentinho, tal. E deu na rodovia, o policial me parou: “Bom dia”, “Bom dia”, “Posso saber o porquê o senhor está em alta velocidade?” Eu falei: “Eu, em alta velocidade nessa estrada, a Fernão Dias, cheia de buraco?”. Aí ele pegou e falou: “Eu estou mentindo?”. Eu falei: “Não, eu não sei, mas eu, para mim, acho que tem alguma coisa errada”. O cara [não era] nada simpático. E olhava o carro, pediu um monte de coisas. Quando ele pediu os documentos, tinha um crachá da Avon. Ele falou: “Você é da Avon?”. Eu falei: “Sou”. “Puxa, minha esposa revende Avon”. Aí, quer dizer, acabei ganhando um amigo, e não me multou, porque eu acho que também não tinha nem como eu estar correndo ali, não sei nem porque ele queria me multar. Mas, no fim, eu falei: “Ah, estou até levando uns produtinhos”. Porque na hora que ele abriu o carro, que ele quis ver tudo. Ele falou: “Puxa vida, será que eu vou ganhar um presentinho?”. Aí eu fui lá, peguei, sabe, dei um produto para ele. Ele ficou muito contente e me liberou. Eu falei: “Ah...”. Aí a minha esposa falou assim: “A hora que eu chegar em casa, vai ter uma multa, quando a gente retornar.” Mas não teve não. Quer dizer, é um nome muito forte aí fora também, todo mundo conhece. E tem outros casos também, que eu trabalhava de  madrugada e sempre tem o pessoal da manutenção. Entrou um eletricista novo, seu Sabino. Aí ele, todos os dias, ia lá conversar com a gente. Na hora da janta, ele, eu falei: “Ó, para o senhor não ficar sozinho, pode vir ficar aqui com a gente. Fazer horário de janta”, “Eu posso?”, “Pode”. Aí, legal. Mas teve uma hora que nós vimos a porta bater: “bééé”. E ele, assim, todo amarelo, não conseguia falar. Eu falei: “Gente, pega água para ele”. Corremos, pegamos a água e demos para ele. Aí ele melhorou, eu falei: “O que aconteceu? O senhor está passando mal?” Ele pegou, falou assim: “Eu vi... Tem mais alguém trabalhando aqui além de vocês?” Eu falei: “Não, não tem”, “Eu vi uma mulher de branco, para mim é uma enfermeira”. Eu falei: “O senhor está louco, não tem.” Como eu falei que não tinha ninguém, aí que ele ficou pior ainda. Aí a gente sabia que não tinha, mas quem tinha coragem para ir lá embaixo para ver se tinha a (risos) enfermeira? Eu peguei, falei assim: “Não, vamos lá. Vocês não são homem não? Vamos lá.” Aí foi todo mundo junto. Aí nós, realmente, tinha uma enfermeira lá. 

 

P – Ah, tinha?

 

R – Mas o que acontecia? Tinha um ambulatório lá dentro e ela trabalhava. Ela trabalhava e estudava. Então como ela ficava para o período da noite, ela dormia lá [e] ninguém sabia. Aí nós tivemos, e ele não conseguia trabalhar, nós não vimos nada. Nós tivemos que acionar o pessoal da segurança para eles irem abrir a porta lá para ver. E ela dormia lá. Quer dizer, eu não sei se ela foi desligada da empresa, foi transferida, mas, realmente, ele tinha razão. Quase que ele sente um troço lá. Tem bastante coisa, mas para a gente lembrar assim de, porque tem história. Ali tem.

 

P – Coitado. Vamos falar um pouquinho da sua família, seu Geraldo. O senhor é casado.

 

R – Casado.

 

P – Qual o nome da sua esposa?

 

R – Denise. 

 

P – Como que o senhor conheceu a sua esposa?

 

R – Ela morava na mesma rua que eu. E, só que nós temos uma diferença de nove anos, sou nove anos mais velho do que ela. Eu e o meu cunhado, o irmão dela, que inclusive arrumou um emprego na Avon para mim, a gente fazia som. Que eram aqueles bailinhos de casa de família, sabe? Então o pessoal contratava a gente, a gente ia dar o som. Às vezes, até nem cobrava, mais por gostar mesmo. E, naquela época, a gente tinha as namoradas, né? E eu namorava a Rosana [a] algum tempo. Terminei porque ela tinha uma irmã que chamava, a Rosangela, que era muito chata. Quando a gente chegava, ela chegava das baladas e via a gente ali namorando, ela mandava a outra entrar. Era a mais nova, tinha que respeitar. Então eu peguei uma bronca dela assim, que, e acabei terminando com a Rosana. E esse meu cunhado, hoje, o Ricardo, que deu uma força, ele falou: “Volta, não sei o quê”. Eu falei: “Eu não quero". Mas eu vi que ele estava interessado nela: “Por que é que vocês não namoram?” Aí ele começou a namorar a Rosana. Um belo de um dia a gente ia ao cinema, eu e um amigo, passamos lá na casa do Ricardo - porque era, tinha que passar, não tinha jeito, que eu morava no final da rua e ele na primeira casa. Aí nós entramos, estava a tal de Rosangela, que era a irmã que eu detestava. Meu amigo chegou e falou: “Gê, eu não vou mais no cinema não. Que mulher bonita, não sei o que, tal.” Eu falei: “Ih, não quero nem saber.” Que eu já tinha pegado antipatia dela. Aí passou, fomos para o cinema. Depois voltamos ao baile - quando não tinha baile nas outras localidades, a gente fazia baile na minha casa ou na casa do Ricardo. E está a Rosangela lá, ela mudou - morava em Ituiutaba e veio para cá. Aí a minha, que é a minha sogra, chegou e falou assim, a mãe do Ricardo: “Pô, a Rosangela está querendo aprender a dançar, ensina para ela”. Eu fui ensiná-la. Aí, tal, no fim, aquilo ali rolou um namoro. Conclusão, eu namorei cinco anos com ela. Então a gente ia para a praia [e] a Denise, que hoje é minha esposa, era pequenininha, ela ia com a gente. Ela ficava no banco de trás, a gente ia para a praia, tal. Às vezes, a gente ficava namorando [e] ela ali segurando vela, mas nem pensar. Aí em casa, na casa dela, a gente estava lá, a Denise ia buscar uma Coca, uma coisa para a gente, sempre ali. Conclusão, ela voltou para, que ela fazia faculdade em Ituiutaba, ela voltou. Eu ia lá uma vez por mês, ela vinha aqui, aquela coisa toda. Só que molecão. Ela pegou, falou...

 

P – Isso o senhor tinha quantos anos?

 

R – Eu tinha acho que 21, era. Ela pegou, falou assim: “Ó, Gê, quase cinco anos que a gente está namorando, está na época da gente casar, né?”. Eu falei: “Ah, uma que eu não estou preparado”. Ela falou: “Você sabe que eu tenho meu ex, né?”. Eu falei: “É, tudo bem, casa com ele. Ele é fazendeiro”, “Ah, é? Então tá bom”. Aí eu não ia mais lá, parei de estar escrevendo, ligando para ela. Depois, só vi o convite de casamento chegando para mim. Quer dizer, aquilo ali para mim foi, fiquei muito chateado. Realmente, ela casou. E depois de um, acho que um ano e pouco, dois anos, eu casei com a Denise. Só que aí já, a Denise tinha 14 anos. Quer dizer, ela ficou grávida, né? Então foi uma situação meio, foi muito difícil porque para a minha sogra foi mais fácil [de] falar. Falei. E, para o meu cunhado - antes foi para o meu cunhado, né? Nós saímos, tinha um amigo nosso que tinha uma boate e não podia entrar menor. Mas como ele era o dono e tal, e era um lugar bacana, não tinha nada demais, mas, na época, era meio complicado. Aí eu fui obrigado a tomar uma cervejinha, tal, mas para dar a notícia para ele. Falei: “Ricardo, o seguinte, você vai ser tio”, “O quê?”, “Você vai ser tio”, “A Denise está grávida?”. Eu falei: “Tá.” Eu falei e não sabia qual seria a reação dele. Ele chegou para o pessoal e falou: “Ô, gente, bebida hoje aqui é tudo por minha conta, cara. Eu vou ser tio!”. Me deu a maior força, né? Aí contamos para a mãe dele, [que] ficou muito chateada. Porque é complicado, né? E ele falou: “Agora, duro é falar para o pai. Aí vai ser complicado". Ele me chamou, porque eu era, tinha, como [se fosse] da família. Para você ter uma ideia, a época que eu saí do banco, antes de entrar na Avon, eu fiquei desempregado, ele deixava o carro dele comigo. Só levava ele na empresa para trabalhar e eu ficava com o carro. Abastecia o carro para mim, tudo. Então eu fiquei muito chateado com a situação também. Quando expliquei para ele tudo, falou: “Eu sei como o senhor deve estar se sentindo. Estou errado, estou errado. É muito difícil, mas eu quero casar. A Denise também quer casar”. Ele falou: “É isso? Então está bom. Está ok”. Só que ele tomava todas, né, meu sogro. Quando falamos para a minha sogra eu falei: “Ó, conversamos com o seu Osvaldo, tudo, e ele tudo bem.” Eles falaram: “Eles falaram isso, ele falou isso porque está de fogo.” Então, e eu estava dormindo lá nesse dia, quando foi três e meia da manhã, horário que ele acordava para ir trabalhar, ele acordou todo mundo, reuniu todo mundo e falou: “Ó, Geraldo, então aquilo que eu estava bêbado quando falei com você, eu estou confirmando agora”. Quer dizer, ele não estava bêbado. “Eu vou te ajudar, vou ajudar vocês no que for possível”, “Que bom, beleza. Só do senhor estar aceitando numa boa, já está ajudando”. Então, quer dizer, tinha tudo para dar errado. E ele me preveniu, falou: “Ó, você vai levar convite para todo mundo, mas você sabe como é que é família. Se alguém falar alguma coisa, vira as costas e não é problema dele. O problema é nosso, entendeu?” Aí tudo bem. Casamos, fomos morar com o sogro. Morei alguns meses só, porque tem aquele ditado: “Quem casa quer casa.” E então quando eu entrei onde eu trabalhava, o que eu fazia, o salário era muito baixo e tudo. Mas aí eu aluguei uma casinha de dois cômodos [e] nasceu a Gabriele. E foi com muita dificuldade, fui batalhando ali. Eu, hoje em dia está mais fácil, porque quando você casa, pede tudo. Que nem meu cunhado quando casou, ele tem a casa montada. Eu, na época, o meu melhor presente que ganhei foi um fogão usado que, de quatro bocas, que só funcionava duas. (risos) Então, tipo assim, foi tudo para mim, muito difícil. Então eu dou muito valor ao que eu tenho hoje porque... Aí a minha esposa, depois, voltou a estudar também, né? E ela também chegou, falou: “Olha, eu sei que você está fazendo de tudo, é um, está lutando, mas acho que eu posso trabalhar. Eu quero trabalhar para te ajudar”. Ela começou a trabalhar também. Trabalhou bastante tempo. E a gente queria adotar uma criança, e estava tudo certo para adotar, [mas] aí ela pegou, ficou grávida. E como a minha primeira filha, praticamente, foi criada com a minha sogra - e sabe vó como é que é, né, muito liberal, aquela coisa toda, deixa fazer o que não pode, tal. Ela falou: “Ó, vamos cuidar legal da Carol.” Nós tínhamos uma empregada que estava judiando bastante da minha filha, que quando ela, foi até indicada por um amigo meu. E eu fiquei com dó porque ela falou: “Eu preciso de um dinheiro porque eu vou ter que pôr a minha filha numa creche para poder cuidar da sua filha”. Emprestei um dinheiro para ela, fiz um adiantamento. No dia, eu fiquei com dó, não descontei o salário dela. E, tipo assim, tudo que eu ia no mercado que comprava para a minha filha, comprava para a filha dela também. Não na mesma quantidade, mas tipo fralda, por exemplo, para dormir; eu falei: “Ela não vai dormir mais com fralda de pano. Eu vou doar isso para você”, “Ai, que bom”. Só que volta e meia a minha filha [estava] com problema, toda assadinha. Eu levava na médica, [que] falou: “Não estão trocando fralda”. Eu falei: “O que? Eu estou gastando o dobro de fralda, que...”, né? Conclusão, ela estava nos roubando. Aí minha esposa falou: “Não, eu vou parar de trabalhar”, ela parou de trabalhar. E hoje a Carol é a caçulinha, está com 13 anos, vai fazer 14, e a Gabriele que está com, vai fazer 27 agora em setembro, e que é casada já. Eu tenho um netinho de três anos, que é o Marcelinho. E é só.

 

[Pausa]

 

P – Seu Geraldo, o que o senhor mais gosta de fazer nas suas horas de lazer?

 

R – Ó, estar com a minha família. Isso aí para mim é fundamental. Eu sou muito caseiro, e adoro - tudo que a gente faz é por eles, né? E também, tem uma creche que chama Sobei que são sete unidades, que eu participo já há quase 10 anos; nós temos 3300 crianças. Eu, a minha filha, as minhas filhas, a minha esposa, fazemos um trabalho voluntário. É tipo, que nem, a minha esposa é artista plástica, então volta e meia ela está fazendo algum, pintando algum quadro para ser, para a gente estar vendendo lá. Ajuda na parte de churrasco que nós fazemos. Eu vou até aproveitar [para] convidar vocês aqui para o dia 5 de julho, vai ter um churrasco lá maravilhoso [com] mais de duas mil pessoas. Tudo para angariar fundos para a Sobei. E sempre tem alguns eventos. O pessoal, sabendo da seriedade da creche, está sempre nos oferecendo oportunidades para montar alguma barraca nossa, para estar arrecadando fundo para a Sobei. E então, uns 15 dias atrás, aqui, agora, no Brooklin, em Santo Amaro, ali tem uma festa que é muito conhecida: Maifest, e Oktoberfest que eles fazem lá, tem a comida típica alemã, tal [e] nós participamos lá com três barracas. Que, inclusive, nós tivemos até o privilégio de o prefeito, quase todo ano ele vai almoçar na nossa barraca lá, o Kassab. E também procuro duas, três vezes na semana jogar peladinha, né, o futebol. Não aprendi até hoje, mas eu sou persistente, né? Então eu estou brincando lá com o pessoal.

 

P – Tá certo, o senhor ainda é novo.

 

R – Obrigado.

 

P – Tá bom. Vamos falar mais um pouquinho da Avon?

 

R – Vamos.

 

P – Na sua visão, qual a importância da Avon nesse sistema da venda direta, de porta em porta?

 

R – Ó, eu acho que esse é o segredo. Eu acho, é muito importante essa porta porque, poxa, quantos anos já? Só no Brasil aqui já são 50 anos, então a coisa funciona mesmo. E eu acho importante, porque acho que foi, a empresa cosmética, acho que é a pioneira nesse porta a porta [e] teve resultado. [Tanto] que nós estamos até hoje aí já, acho que, cento e tantos países. 

 

P – Verdade. E esse fato da Avon conseguir distribuir os produtos de beleza em lugares tão distantes assim? Como é isso, como o senhor vê isso?

 

R – A gente vê a força da empresa como que é, o nome Avon. Porque você vê, tem lugares aí, que como você acabou de citar, que são muito longe, que vai, sai daqui de caminhão, chega, pega um barco e, sabe? Além de ser muito longe, muito distante, o trajeto, o caminho é bastante difícil. E eu acho que é por isso, a Avon atende todo mundo. Então acho que o segredo é esse aí de estar atendendo todas as classes, seja aonde for. E também, a Avon está, sempre procura trabalhar para entregar esses produtos num tempo mais curto.  Às vezes, ela até gasta um pouco mais, mas ela quer ver a satisfação dos clientes. Então ela não mede esforços para isso. No dia a dia, a gente está sempre procurando cada vez atender melhor.

 

P – E essa disseminação, né, que a Avon tem de distribuir os produtos para tantas mulheres, assim? Muitas mulheres hoje têm a possibilidade de ficarem mais bonitas devido à Avon.

 

R – Exatamente, porque se você for ver são os preços, são melhores que no mercado, e um produto de boa qualidade. Então isso, às vezes, que nem o pessoal fala, é supérfluo, não sei o que, mas a vaidade fala mais alto. Então as mulheres não deixam de comprar um batom, um perfume, um creme. Então isso aí é até bom para a autoestima delas. Então isso aí é, acho que para as mulheres isso é em primeiro lugar. Então...

 

P – E como o senhor vê esse lado da Avon, de colocar tantas mulheres no mercado de trabalho?

 

R – Eu vejo isso aí um, assim, muito positivo. Porque, infelizmente, hoje o mercado é muito disputado, então a grande quantidade de desemprego tem, sabe, a Avon acaba participando e ajudando. Porque a mulher, ela não, ela pode ter uma outra atividade, tá, e ao mesmo tempo revender Avon, no próprio trabalho. Eu tenho vários amigos de, amigas, que têm filhos hoje graças à Avon, formados, graças a revender os produtos da Avon. Então isso é bom. Até o trabalho que a Avon faz, a Avon pensa tanto na mulher, que nós temos o Instituto Avon lá que, sobre a prevenção do câncer. Se você for ver hoje, em termos de orientação, eu acho que a Avon já deve ter soltado mais de 40 milhões de comunicados orientando a forma correta de prevenção do câncer de mama. Então a Avon pensa muito na mulher. A empresa é da mulher, né? Então, esse que, se a Avon sair do mercado, é muita gente desempregada, porque tem muita gente que revende Avon. Então, para você ter uma ideia, muita gente que eu tenho conhecimento fala que é Geraldo: “Ah, não sei”, “É da Avon”, “Tá, que legal”. Aquela coisa toda, já pede um produto. Então a gente, quando pode, dá um presentinho para a pessoa. Mas todo mundo pede, porque você trabalha na Avon, o pessoal que gosta da, realmente, gosta do produto são aqueles clientes fiéis. Aqueles que: “Uso só esse produto aqui e acabou”. Então isso é muito bom.

 

P – Como o senhor vê a atuação da Avon no Brasil?

 

R – No Brasil? Olha, eu vejo assim de uma forma muito positiva, porque eu classifico dessa forma. De repente eu tenho sido até, como se diz, puxando o saco da Avon, né? Porque é uma grande empresa, está sempre, é a que lidera o mercado. Apesar que a gente tem outra empresa que também forte no mercado, mas, normalmente, a Avon lidera o mercado. É exatamente por causa de seus produtos; e está sempre lançando novos produtos, a Renew, uma série de produtos. Então ela não para, está acompanhando a evolução do mercado.

 

P – E qual é o fato mais marcante que o senhor presenciou ao longo desses seus anos na Avon?

 

R – Mais marcante? (pausa) Ó, o fato que, mais marcante assim, foi quando a minha filha começou a trabalhar na Avon. Hoje ela não trabalha mais, mas ela trabalhou por oito anos. Então para mim foi bastante, foi marcante, né? Porque, tipo assim, não é porque ela era minha filha - ela participou de todos os processos, passou. E até teve época que ela era minha funcionária. Então era muito difícil, tipo, uma outra área falou assim: “Você tem uma funcionária para me indicar?”, de eu chegar e indicar outra. Daí eles falaram: “Pô, mas o conhecimento que a gente tem é que a tua filha...”. Eu falei: “Ó, mas fica difícil. Então você fala com o meu superior, pede para ele escolher. Eu não posso”. Então, e tipo assim, fatos marcantes que aconteceram, funcionários que entraram para trabalhar comigo e hoje estão em funções melhores do que a minha. Isso para mim é muito marcante. E a confiança que os funcionários da Avon têm para comigo: “Ô, Geraldinho, preciso um cara na área de Marketing. Tem um cara bom?”, “Tenho”. E nunca me arrependi, sabe? Sempre que eu indiquei, deu certo. Então são vários fatos marcantes para a gente assim. 

 

P – E um aprendizado de vida que o senhor leva?

 

R – Na Avon?

 

P – Isso.

 

R – Muito bom, maravilhoso. Porque eu tive assim experiência de trabalhar com pessoas deficientes auditivas, tive uma experiência muito boa pelo fato delas renderem até mais do que uma pessoa normal e de eu entendê-las perfeitamente. Então, até hoje, eu tenho amigos deficientes que saíram da Avon e que eu faço sempre questão de estar junto. Ou quando eu vejo, onde for, paro o carro, vou conversar. E para mim é, tanto é, até o João Maggiori ele tem um, o irmão dele trabalhou comigo. Então todo mundo fala: “Ah, porque é irmão”. Não, ele era irmão do presidente, mas trabalhava mais do que todo mundo. Então foi um aprendizado, assim, fantástico. E a Avon investe nisso. Se vocês tiverem a oportunidade, um dia lá, vocês vão ver que tem bastante pessoas deficientes. Isso aí, pessoas ______ não pode trabalhar. Pelo contrário, é só lá ver, que a pessoa é feliz [e] ele leva uma vida normal como a gente. Isso é muito bom.

 

P – E o que é que o senhor acha da Avon estar resgatando a memória da empresa através desse projeto?

 

R – Ó, eu acho isso maravilhoso. Eu até tinha o hábito de reunir todo o pessoal que trabalhava comigo, o pessoal da antiga, sabe? Eu alugava um sítio e mandava convite para todo mundo, todo mundo participava. Inclusive, eu tenho as fotos lá, eu até vou passar para vocês. Então, pessoas que a gente não via há muito tempo, pessoas que às vezes até se sentia mal: “Poxa vida, eu saí da Avon, ninguém me procura mais”. Então, quando tinha esse convite, nossa, o pessoal vinha assim, podia trazer a família. Então muito legal. Muito, eu sempre faço esses tipos, quer dizer, agora não que fica mais difícil. Mas sempre que pode, eu estou reunindo o pessoal da antiga. E também, ao mesmo tempo, eu até fiquei muito contente com a atitude do nosso presidente Luis Felipe [Miranda], ele fez isso na Avon, de reunir os aposentados. Então tinham pessoas que não iam há anos. Eu achei uma atitude maravilhosa da parte dele, foi muito bacana.

 

P – E o que o senhor achou de ter participado dessa entrevista?

 

R – Ó, eu confesso, porque tipo assim, hoje eu estou me sentindo um ator da Globo. (risos) Não, é sério, mas eu, para descontrair um pouco, a gente sempre fica assim. Para participar, você fica: “Pô, mas como que é?”. Você fica com medo e tal. E, mas a partir da hora que eu entrei aqui mudou totalmente, pela simpatia de vocês [e] a recepção que eu tive, então me soltei. Acho que isso aí ajudou demais. Então eu estou me sentindo aqui o bam-bam-bam. (risos)

 

P – O senhor quer falar mais alguma coisa para a gente? Contar mais algum caso, alguma coisa? Fica à vontade.

 

R – Contar mais um caso... Ó, eu sei que quando eu sair daqui vou lembrar um monte, mas agora, no momento, assim é...

 

P – Não?

 

R – É meio difícil. 

 

P – Então tá bom. Então em nome da Avon e do Museu da Pessoa, nós agradecemos muito a sua entrevista.

 

R – Obrigado, eu é que agradeço.

 

[Fim do depoimento]

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