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Retomada do Povo Tapeba

História de: Dourado - Tapeba
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/12/2014

Sinopse

Antonio Ricardo Domingos Dourado da Costa Tapeba, nasceu em 18/02/1961, na Aldeia Lagoa dos Tapeba. É sindicalista e uma liderança do seu povo. Em seu relato descreve as dificuldades dos Tapeba, as divisões internas, a sua militância no movimento indígena regional, seu envolvimento com o sindicalismo, como representante da categoria dos vigilantes. Conta causos da luta pelos direitos trabalhistas de uma Cerâmica na região, onde os trabalhadores eram Tapeba e semi-escravizados pelo propritário; a manifestação em Cabrália (Sul da Bahia) em 2000, em comemoração aos 500 anos de descoberta do Brasil; a ida à Alemanha e a descoberta de um projeto apresentado pela Arquidiocese de Fortaleza, em nome dos indígenas Tapeba, sem a autorização deles; a inauguração da refinaria da Petrobras na região e a vinda do Presidente Lula, seu amigo dos tempos do movimento sindical.

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História completa

Meu nome é Antônio Ricardo Domingos Dourado da Costa Tapeba. Foi uma luta muito grande pra aprovar a questão do meu nome, que quando eu tinha dez anos, eu nem sabia que meu nome era Antônio Ricardo. Quando eu fui pra escola foi que eu fiquei sabendo que meu nome era Antônio Ricardo e aí, eu não gostei do nome. Eu era conhecido como Dourado e depois de uma luta de 18 anos, eu cheguei a incluir o nome Dourado Tapeba, meu nome é Antônio Ricardo.


Quando eu nasci, segundo a minha irmã que me pegou, na época minha irmã fez o trabalho de parto, a minha mãe me deu a luz em casa, e no terceiro dia que ela foi me banhar, antes do umbigo cair aí, ela achou que eu era um peixe, parecido com um peixe. Aí, ela disse: “Não, esse aqui vai ser o meu Dourado”. Aí, pegou. Tanto que quando eu vim saber que meu nome era Antônio Ricardo eu já tinha dez anos de idade.


Eu nasci aqui mesmo na aldeia, na Lagoa dos Tapeba em 18 de fevereiro de 1961. Meu pai era Arlindo Domingos e a mãe, Amélia Costa. E sou o caçula da família. Nós éramos 13. Hoje já morreu duas irmã, um outro irmão.


Meu pai sempre trabalhou na roça como agricultor, era coletor de fruta. Ele passou a vida inteira nessa luta aqui de trabalhar na roça, plantar milho, feijão, rama de batata que, às vezes, ele fala de plantar batata, mas batata não nasce, o que nasce é a rama, a mani pode ser mandioca. Na época das coleta de fruta ele pegava e coletava fruta pra ir vender no centro da cidade. Caju, manga, goiaba, várias frutas que tem aqui na região. Sapoti, cajá, umbu.


A minha mãe, ela trabalhava muito com renda, com aquela almofada de bilro, era parteira da comunidade. Ela pegou mais de mil criança. Ela sofreu muito comigo, porque eu tinha muita vontade de estudar e aqui não tinha escola. Quando eu completei 11 anos eu peguei, fugi pra Iguatu, fui no trem, onde a minha morava. Cheguei lá, minha irmã ficou perguntando porque que eu tinha ido lá, “Não, minha mãe mandou vir, me deixou lá na estação”, menti de novo. Aí, eu sei que com três meses depois, que naquele tempo não tinha carta, não tinha nada, foi que meu cunhado veio aqui e aí, foi que veio dizer pra minha mãe que eu tava lá. A minha mãe foi pra Iguatu, queria me trazer de volta, a minha irmã pegou e disse: “Não, ele tá estudando e tudo”. Sei que quatro anos depois eu voltei, continuei meus estudos, consegui terminar o segundo grau aqui.


A nossa infância era uma infância boa. Era uma infância humilde, a gente tinha problema de questão de alimento, era escasso. E a gente não brincava, praticamente, a gente brincava trabalhando, ajudando os pais da gente. A gente ia pra roça, fazia as aposta com os outro, quem é que terminava primeiro. Quem terminava primeiro ia ter que ajudar o outro. Eu era muito assim sem-vergonha. Eu deixava pra terminar por último pra os outro me ajudar.  Era uma infância que a gente brincava trabalhando. Quando saía da roça, a gente tinha umas lata de sardinha, essas lata de leite ninho, enchia de areia, botava uns arame, pegava umas corda, amarrava e saía puxando, aquilo era nosso carro, nosso trem. Era dessa forma que a gente ia na nossa infância, nós não tinha como comprar bola, a gente pegava, às vezes, tirava a meia do pai da gente escondido, enchia de pano, fazia a bola pra brincar de bola de meia.


Hoje eu não jogo mais porque eu quebrei o tornozelo, tive um acidente também, eu quebrei o nariz jogando pela seleção de Caucaia, quebrei esse braço. Eu parei eu tinha 43 anos. Tá com dez ano que eu parei. Já tô com 53 também, faço só olhar o pessoal jogar. E reclamar dos que não joga (risos).


Minha adolescência foi essa, fui pra Iguatu e consegui estudar, conseguí terminar o segundo grau. Terminei o segundo grau aqui em Fortaleza, no Liceu do Ceará. Fui pra casa do meu padrinho, que morava no Antônio Bezerra. Eu trabalhava até quatro, cinco hora da tarde e à noite ia pro colégio, mandava me deixar no carrinho dele lá e ia. A minha lembrança é que muitas vezes a gente chegava um pouco atrasado, tarde, a gente enchia os carro de pedra, Às vezes, o caro dava o prego e eu ficava perturbadinho pra chegar na escola. Eu chegava atrasado 15 minutos, 20 minutos, era um aperreio danado, mas eu digo, mas com fé em Deus e Tupã, eu vou conseguir.


No começo do meu tempo, tinha forró com sanfona, depois o pessoal inventaram um negócio do triângulo, do pandeiro. Aí gente melhorou mais a batucada. O pessoal cobrava cota pra entrar. No começo cobrava também comida. Depois que começou a aparecer dinheiro mais fácil, o pessoal começava a ganhar mais, inventaram de botar dinheiro. Aí, meu pai dizia assim: “Essa coisa não vai dar certo com dinheiro. Dinheiro é coisa do cão”.


Meu pai, ele não tinha religião. Na realidade, ele gostava dumas cachaçazinha feita por nós mesmo, que era feito da mandioca. E aí, teve um tempo que viu o pastor vir fazer uma pregação na casa de uma pessoa que já era crente. Ele e a mãe foram convidado e foram. E lá eles aceitaram a Jesus. Aí, pronto, passaram mais de 50 ano, morreram na fé, foram crente, evangélico.


Eu não me casei, me casaram. Eu tinha 22 ano. Eu não tinha vontade de casar na época. Eu achava tão bom a vida em casa. Eu namorava com minha ex-esposa, e apareceu ela grávida.  Meu pai e minha mãe me botaram na cabeça que eu tinha que casar, que não era pra deixar assim. Casemo. Vivemos 19 anos juntos. Morávamos atrás da casa da minha mãe.


A nossa terra dá 36 mil hectare. De tanta invasões, hoje não passa de seis mil. Que aqui nossa terra ia desde a Serra da Taquara, no final da divisa com Maracanã e Maranguape até a Serra do Juá.. A gente tem as plotagem tudo, as coordenada geográfica, já foi identificado, delimitada, inclusive, ela foi demarcada em 97, mas o prefeito na época entrou com ação, um mandado de segurança dizendo que nós atrapalhava o crescimento de Caucaia. Só que o prefeito na época, ele é posseiro também de uma grande área. Como ele era o prefeito, ele usou o município pra dizer que a gente empatava o crescimento do município. Só que aí foi revogada a demarcação da terra, quando foi feito novos estudo, porque o município não tinha participado, ele alegou isso. Foi feito novos estudo, o município foi convocado, só que nesse outro tempo, foi a mulher dele que foi prefeita. Só que ela não quis participar e recorreu de novo, dizendo que o município não tinha participado. Foi feito novos estudo em 2002 e o prefeito atual disse que era a favor da gente, que a gente apoiasse ele e tal, a gente foi, apoiamos. Ele criou a Coordenadoria Indígena na Prefeitura, ele apoiou mesmo, continua apoiando. Já foi publicado o relatório de identificação de habitação, só que eles entraram de novo, o ex-prefeito, que é da família Arruda, dizendo que a terra é deles.. E agora ficou melhor pra nós fazer a defesa porque ele entrou duas vezes dizendo que era empecilho pra crescimento do município, como ele não é mais político, inclusive tem o mandato cassado. Além de nós ser indígena, nós somos munícipes também. Então, nós tem esse depoimento do atual prefeito, que vai contradizer com o que ele disse anteriormente. Tá mais fácil de a gente conseguir derrubar esse recurso que eles entraram, no STJ.


Eu vejo o sofrimento de todo mundo, aí eu digo: “Rapaz, tá na hora de nós fazer uma retomada de nossa terra aí, que é nossa terra, o pessoal trabalhando na própria terra e dando pros outro? Tá na hora de nós fazer uma articulação”. Aí, eu saí falando com todo mundo, pessoal aqui da comunidade, aqui temos 384 famílias, aqui dentro. Só que na época tinha 270, aumentou mais. Comecei a juntar gente dessa comunidade, da comunidade do Trilho, nós temos 17 comunidade. Nós fizemos a reunião grande, aí dissemos que nós ia fazer a festa da Carnaúba. Virou tradicional a festa da Carnaúba, depois, a partir desse dia. Aí, o que é a festa da Carnaúba? Eu digo: “Não, vamos fazer a Festa da Carnaúba, chegando lá a gente sabe qual é a festa”. Juntemos todo mundo dentro lá da área lá. Isso nós cheguemos lá na faixa de seis e meia da manhã, se juntemos aqui aí, fomos tudo pra lá. Nós tinha uma faixa de umas 300 pessoa lá, 300 índio. A gente pediu pro pessoal ligar lá pra Funai e pra Polícia Federal. Com três dia, a Funai chegou mandou chamar eles lá deram o prazo de um mês pra os posseiros tirarem toda a plantação que eles tinham lá pra gente assumir tudo. Eles ficaram lá. Passou um mês eles não arrancaram a mandioca, nem as batata que tinha. O que que a gente fez? Mandemos um documento pro Ministério Publico e pra Funai dizendo já tinha passado um mês e não tinha tirado. Aí, o pessoal da Funai vieram aqui e deram mais cinco dias, aí, passou cinco dias, digo: “Pessoal, tá na hora de nós fazer o nosso jeito”. Fomos lá, arranquemos toda a mandioca e foi vendido uma parte, foi feito farinha da outra, tinha uma casa de farinha aqui. Porque além de ter se apossado há muitos anos de lá, eles queriam se apossar dessa outra parte. Aí, nós retomamos. Hoje toda essa área que nós temos aqui foi retomada, porque era tudo na mão dos posseiros, dos Guimarães. E todas as terra que nós temos aí, na mão, foi retomada. Com sucesso, graças a Deus. A gente faz a retomada justamente pra ocupar o espaço que tá deixado. Nós não tá tomando que é dos outro, não. Nós tamo pegando o que é nosso. Retomando o que é nosso. E aí, nós temos feito isso, garantido a nossa sobrevivência.


O Toré é a nossa dança sagrada Quando é numa faixa de cinco hora da tarde até oito hora da noite, fazia uma fogueira e ia conversar as coisas da comunidade, as coisa da roça. Contava história, história que o pessoal chama de Trancoso. E meu pai contava muita história, era bom.


Eu represento hoje os índio da Região Nordeste, que eu sou Coordenador Executivo da Articulação do Povo Indígena de Minas Gerais e Espirito, é ligado à APIB que é a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. A maior dificuldade que eu tenho aqui é ter alguma liderança que não compartilha com o que é pra ser, o geral.


Eu entrei no Movimento Sindical. Foi numa época que houve uma greve, com três dia que eu tava de vigilante houve uma greve. Aí, eu sou meio desmantelado, eu peguei, digo: “Vou fazer essa greve também, que eu não vou, tô entrando agora, será que eu tô entrando agora por causa da greve?” Aí, eu peguei, conversei com os pessoal dos postos tudinho. Eram 12 postos de trabalho lá na, eu trabalhava na UFC, era pela Serval. Eu cheguei, conversei com pessoal, digo: “Pessoal, é o seguinte, eu tô entrando agora, mas eu tô vendo o sofrimento de todo mundo aí, já tá um ano defasado o salário e eu tô aí. Se vocês for pra greve eu vou também. Vocês são da antiga e eu sou novato. Não estou nem aí se perder o emprego, não”. Nessa história eu conversei com todo mundo e conseguimos fazer parar 90% dos posto, e só durou um dia e meio a greve. Nessa história eu passei três ano, aliás, eu passei um ano, foi a eleição do Sindicato. Como eu liderei essa questão lá, mandaram me chamar pra participar da chapa. Botaram eu como Diretor de Patrimônio. Eu fui participar da chapa, ganhamos a eleição.


Hoje eu eu tô como Assessor do Controle da Saúde Indígena pelo Imip, o Instituto Materno Infantil de Pernambuco, que é uma ONG que assume a gestão das equipes de saúde indígena. Contrata médico, enfermeiro, os agente de saúde, os técnico de enfermagem, tudo a questão da equipe.


No ano 2000, a gente participou da Conferência Nacional dos Povos Indígenas, que foi em Porto Seguro, na Bahia. Lá, foi uma batalha muito grande, nós éramos três mil índio, total do Brasil inteiro contra seis mil policiais da Bahia. E aí, o negócio pesou, porque o Movimento Sem Terra se misturou no nosso meio, a polícia pegou e foi pra cima também. Nós sofremos as represália porque as bomba bateram em mim, ainda tenho marca de bomba aqui, nas minhas perna. Pra nós foi uma repercussão boa, que mostrou que os povos indígenas, não fomos comemorar os 500 anos, mas de resistência, mas não de coisa boa. Nós derrubemos lá uma estátua de Cabral, que tinha lá em Santa Cruz de Cabrália, por isso que o pessoal começaram a ir pra cima da gente. Fomos em três ônibus daqui do Ceará, que foi os povos daqui, cada povo foi uma representação dos 14 povos, foram três ônibus daqui. E na volta a gente tinha uma reunião com um pessoal da Alemanha. Na Alemanha, nós fomos discutir a questão da agressão dos direitos dos indígenas no Brasil. E tinha uma reunião lá pra discutir a nível internacional. E daqui do Brasil fui só eu, representando o Brasil, foi tirado na Conferência o nome, eu foi eleito lá, representando a Capoib, que era o Conselho da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Coloquei lá a questão da agressão dos direitos indígenas, que não tá sendo respeitado, a Convenção 69, que precisava ser ratificada, inclusive, foi só ratificada só em 2010, pelo Governo Lula, Presidente Lula. E a gente tava sofrendo muitas represália na questão da demarcação da terra. Fiz a denúncia ao Governo Brasileiro sobre tudo isso. Que naquela quem tava no Governo o Fernando Henrique Cardoso. A a experiência foi boa, só que eu achava que, eu sou muito calorento, e quando eu cheguei, achava que não ia sentir frio lá. Cheguemos lá, tava sete grau abaixo de zero. Precisou o representante lá da Organização lá, comprar aquela capa preta pra mim vestir. Eu dava graças a Deus quando chegava no hotel, que no hotel não era ar condicionado, era o aquecedor. Dessa história, passei sete dias lá, quando a gente saía de manhã, o asfalto era coberto de gelo, parece que o asfalto era branco. Mas a experiência foi boa, eu conheci cinco cidades, foi Kassel, Goch, Munique, Frankfurt e Colonia, já na divisa com a Bélgica. E lá foi onde eu descobri que as organizações aqui do Ceará estavam fazendo coisas que não era certo, lá pra nós. Porque as ONG, elas queriam participação indígena nos projetos e nós tava sabendo que não tinha projeto pra nós, que na época, a Pastoral Indigenista, que não era mais a Dona Lurdes, que ela tinha morrido, era outro lá na ordenação, era a Ana, e a Missão Tremembé que era a Maria Amélia. Tinha uma ONG que financiava, e a Miserium também. Eu fui nas duas organizações, quando eu cheguei lá, eles perguntaram como é que tava a história no Ceará. Digo: “Ó, tá muito ruim, justamente eu estou aqui pra articular e ver se vocês conseguem aprovar algum projeto lá pros povos indígenas do Ceará” “E vocês não participam dos projetos lá não?” “Não, até agora não” “Não, pois já tá aprovado dois projeto, um da Pastoral Indigenista e o da Missão Tremembé. Quer dizer que vocês não participaram do projeto?”, digo: “Nunca participamos” “Pois tem várias assinaturas de vocês aqui. Como é seu nome?”. Eu digo: “Antônio Ricardo, tal”. Aí, ele olhou lá, tava lá meu nome, e vários outros nome das liderança. Quer dizer, pegava as assinaturas de reuniões que eles faziam e mandavam pros projeto. Aí, eu digo: “Não, eu não participei de reunião de projeto, não. Participei de reuniões, sim, das discussões da comunidade, mas não de projeto, de elaboração de projeto”. Aí, cancelaram os projetos, em vez de eu ajudar, eu fui pra atrapalhar. Mas não ia mentir, não sabia como funcionava as coisas aí. Voltamos pra cá, quando a gente voltou, pedi uma reunião de emergência pra discutir, porque eu voltei muito puto da vida mesmo. Aí, pedi pra Ana fazer uma reunião pra discutir. Aí, na reunião ficou lá: “Quer o quê?” “Não, pra discutir a questão da comunidade”. Aí, chamemos um pessoal, as liderança, chamemos os Pitaguary, os Jenipapo-Kanindé, que é os três povos que eles trabalhavam, aí coloquei. Menina, quando eu fiz essa fala a Ana ficou: “Não, Dourado, é porque não dava tempo de reunir vocês, não sei que...”. Digo: “Mas lá, eles disseram que tem que ter a participação nossa. E aí?’. Aí, eu disse pra ela, o que eles disseram, que iam cancelar o projeto. Realmente, eles mandaram comunicado dizendo que iam cancelar o projeto. Aí, num instante eles souberam reunir nós tudinho pra ir pra lá pra Arquidiocese, pra elaborar um novo projeto, só que não foi aprovado mais não. Aí, passou três ano pra poder ser aprovado um projeto com a nossa participação. Quer dizer, o pessoal, ninguém sabia quanto é que entrava.


Eu imaginava, logo, antes mesmo de eu entrar nesse Movimento, eu imaginava que nós ia ter essa terra demarcada bem rapidinho. Eu imagino que daqui 20 anos que ainda vai ter mais problema. Porque nós tamo num local muito próximo das áreas urbana. Desmataram nossa mata toda, praticamente. E, a questão das droga, questão da violência tem se alastrado muito, descendo pra banda de cá, pra essas áreas. Então, se essa terra não for demarcada logo com a proteção da Funai e da Polícia Federal, que é quem dá proteção às terras indígenas, a gente vai tá numa situação mais pior, mais calamitosa.


Meu maior sonho é ver essa terra demarcada. A terra toda regularizada, todo mundo trabalhando coletivamente.


Eu sinto assim que eu acho que merece divulgar o que a gente já passou, o que a gente tá passando, o que a gente espera pra frente. Porque eu acho que a gente contando, a gente ficando no anonimato, ninguém nunca vai saber como é que foi a história do povo. Eu acho que muitas coisa que as lideranças antigas têm pra contar. 

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