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Responsabilidade social, a marca histórica

História de: Eduardo Augusto de Andrade Lopes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/06/2020

Sinopse

Em seu depoimento Eduardo Augusto de Andrade Lopes relata sobre seu trabalho na Esso. Trabalhando na Esso, se envolveu nos diversos projetos desenvolvidos, como o Prêmio Esso de Jornalismo. Projetos ambientais voltados para recuperação de bacias em parceria com universidades como Esalq. Projetos sociais para a abertura de escolas de informática em comunidades para promover desenvolvimento e oportunidades.

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P 2 – Eduardo, bom dia.

R – Bom dia.

P 2 – Você poderia começar falando seu nome completo, local e data de nascimento?

R – O meu nome é Eduardo Augusto de Andrade Lopes, sou natural do Rio de Janeiro, nascido em maio de 1954.

P 2 – Eduardo, poderíamos começar falando um pouco da empresa, da ESSO [Esso é um nome comercial da empresa norte-americana ExxonMobil Corporation e de suas empresas relacionadas. Seu nome é derivado de Standard Oil Company]. Existe uma área de responsabilidade social na ESSO?

R – Sim. A ESSO hoje tem 92 anos de Brasil, chegamos aqui em 1912, fomos a primeira empresa de petróleo a se instalar no Brasil e ao longo desses 92 anos formamos uma tradição forte de participação na sociedade brasileira. A primeira marca histórica que nós trazemos é um programa institucional, que é o Prêmio Esso de Jornalismo, que já está em funcionamento há 49 anos, sendo completados nesse ano de 2004, ano que vem completamos 50 anos do Prêmio Esso de Jornalismo, que é a primeira linha de atuação que a nossa área de responsabilidade social olha. Ou seja, dentro dos direitos de cidadania a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa têm sido algo que a gente tem incentivado e preservado dentro da nossa filosofia, que é a filosofia que tentamos imprimir aos demais projetos na área de responsabilidade social, ou seja, a participação direta e o desenho direto dos nossos parceiros. Então, no caso do Prêmio Esso de Jornalismo, o que acontece? As diversas categorias são escolhidas a partir de duas comissões de jornalistas, a primeira é uma comissão de seleção de trabalhos, onde 39 trabalhos da mídia impressa são selecionados para um posterior julgamento e eleição do melhor do ano, e a quatro anos atrás nós criamos o Prêmio Esso de Telejornalismo dentro do mesmo espírito, uma segunda comissão escolhe os trabalhos finalistas, sempre composta de profissionais de imprensa. O prêmio é voltado para profissionais de imprensa e para prestigiar o trabalho desses profissionais que têm lutado pela liberdade e qualidade da informação ao público no Brasil. Então, esse é um programa muito antigo dentro do espírito de parceria onde o nosso parceiro, no caso o setor jornalístico brasileiro, é o responsável pela condução do programa. A segunda área que nós temos prestigiado nos últimos 15 anos, é um programa mais recente, mas provavelmente de forma pioneira também, que é a área de meio ambiente. Nós que iniciamos em 1989 um programa junto com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, junto com a Fundação Pro-Natura, com o Instituto Pro-Natura, e com os órgãos ambientais do estado do Rio de Janeiro o primeiro plano diretor da Ilha Grande, e durante quatro anos nós apoiamos o Pro- Natura na preservação de algumas áreas da Ilha Grande depois de um desenho feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nós sete anos seguintes, nós nos associamos à Universidade de São Paulo no campus de Piracicaba, o instituto funciona junto à Esalq [Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiros] e se chama Cena [Centro de Estudos Nucleares para a Agricultura] e junto com o Cena nós iniciamos um projeto chamado “Piracema”, que é um projeto de apoio à pesquisa científica na área de preservação de bacias hidrográficas brasileiras. Esse projeto tinha o foco específico de preservação da bacia do Piracicaba e cobria uma área de 12 mil quilômetros quadrados. Então, nós financiamos durante sete anos um programa de pesquisa científica em relação a todas as cidades que compunham a bacia do rio Piracicaba nesta área, e ao longo desse período tivemos a oportunidade de apoiar o Cena na montagem de um laboratório de geoprocessamento que permitiu um mapeamento extremamente detalhado das condições de vida no rio Piracicaba e, consequentemente, matéria prima para apoio de políticas públicas. E hoje as diversas prefeituras contam com um material extremamente completo por parte da universidade para as decisões de implementação de políticas públicas. Em seguida, nós embarcamos em um outro projeto também na área ambiental e na área de preservação de bacias hidrográficas brasileiras, que foi um projeto com a Universidade do Norte Fluminense onde nós capitalizávamos os sete anos anteriores de parceria com o Cena e criávamos o intercâmbio universitário entre as duas Universidades, inclusive com a presença físicas de pesquisadores das duas instituições e apoiando a montagem de um laboratório de geoprocessamento. Porque o georreferenciamento diário da bacia hidrográfica permite um estudo extremamente detalhado de questões como assoreamento, contaminação dos rios, perspectivas de recuperação, áreas com maior ou menor degradação e, conseqüentemente, elementos para tomadas de decisão em políticas públicas. No caso do rio Paraíba do Sul a principal preocupação era obviamente alguma contribuição que se pudesse dar ao comitê da bacia, que é o Ceivap [Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul]. Terminada essa participação de dois anos com a Universidade Norte Fluminense nós procuramos um projeto de educação ambiental na Amazônia, sempre dentro da filosofia de deixar o desenho do programa a cargo do parceiro. Nosso negócio definitivamente é distribuição de combustíveis, óleos lubrificantes, produtos químicos e a atuação no mercado do petróleo.  Quem entende da atividade que está sendo apoiada e patrocinada, é o parceiro por definição, ele precisa ter uma participação no desenho extremamente ativa e obviamente que a gente tenha uma identidade muito grande. Então, nós partimos para a Amazônia onde já existe um apoio muito grande de inúmeras instituições, mas no caso deste projeto, que foi o projeto de educação ambiental do Instituto Mamirauá na Amazônia, que fica localizado em Tefé, que tem um apoio muito forte de fundos de pesquisa do G 7, mas para onde nenhum recurso na área de educação ambiental vinha sendo dirigido, eles têm hoje uma estrutura flutuante, que está ancorada no lago de Tefé e pode ser transportada, onde eles realizam atividades de educação ambiental, baseadas nas diversas pesquisas que são feitas pelo instituto. Então, a pesquisa sobre o peixe-boi, sobre a pesca sustentada de pirarucu, de tucunaré, e depois da presença do projeto na região houve uma transformação muito grande dessa região, que se tornou uma reserva de desenvolvimento sustentável a partir do trabalho pioneiro do cientista chamado Marcio Aires, que faleceu há dois anos atrás. E o Márcio conseguiu estender a uma segunda reserva de desenvolvimento sustentável, a reserva de Amaná, a proteção por parte do governo estadual, esses dois parques se localizam ao lado do Parque Nacional do Jaú e as três áreas juntas representam hoje um dos maiores patrimônios naturais da humanidade, inclusive com proteção da Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura]. O nosso objetivo lá é preservar a cultura das comunidades ribeirinhas e seguir o desenho de educação ambiental que o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá programou, estamos lá há dois anos e vamos entrar ano que vem no terceiro ano nessa área de meio ambiente, e a outra área, dentre as coisas maiores que a gente tem feito, é esse apoio a instituições como o CDI [Comitê para Democratização da Informática] na área de inclusão digital ou de combate à exclusão digital. Nossa parceria com o CDI começou em 1999 quando nós tivemos dentro da empresa um imenso projeto de troca de plataforma de computadores, e na época nós tínhamos mais de 1.200 máquinas espalhadas pelo Brasil que seriam objeto de troca dessa plataforma, e não queríamos ver esse esforço se perder, quer dizer, a disponibilidade de tanto equipamento se perder em iniciativas pulverizadas. Foi quando a gente teve um primeiro encontro com o Rodrigo e, depois de conhecer, obviamente pela divulgação nos meios de comunicação, tivemos uma empatia muito grande com a proposta de trabalho dele porque é exatamente esse mesmo espírito de ter um parceiro que tinha um desenho de um projeto que tivesse identidade com o que a gente acreditava. Ou seja, investimento em tecnologia: a importância do investimento em tecnologia para o desenvolvimento das nações, para o desenvolvimento das comunidades onde essa atuação fosse possível, e o critério de auto sustentabilidade, que foi uma coisa que nós vimos que poderia ser feita e continuar a ser feita independente de uma atitude assistencialista, ou qualquer que fosse, dos parceiros. Então, nesse ponto, a empatia com a proposta do Rodrigo, com a proposta do CDI, por consequência foi muito grande, e começamos o primeiro projeto com 60 máquinas, doação de 60 máquinas que deram origem as EICs [ Escola de Informática e Cidadania] de Vila Aliança em Bangu, Complexo do Alemão, Morro de São Carlos e Ilha do Governador. Essa foi uma experiência piloto e a partir dessa experiência é que essas 1.200 máquinas, que eu quis dizer que são os computadores, impressoras e outros equipamentos – foram doados. E aí a gente teve uma oportunidade única, porque essas máquinas estavam distribuídas em geografias muito distintas pelo Brasil. Então, nós fizemos um esforço muito grande dentro da empresa, uma concentração em pontos focais que pudessem ser pontos de doação para os CDIs regionais, nossa parceria que começou com o CDI do Rio de Janeiro, rapidamente se ampliou para cidades como Curitiba, Fortaleza, Recife, Campinas onde a gente fez uma parceria belíssima junto com outras empresas, com o Corpo de Bombeiros e outras empresas que funcionam no complexo de Paulínia conosco.

P/1 – Para doar ao CDI?

R – Para doar ao CDI e para criar Escolas de Informática e Cidadania. Em Campinas, especificamente foi feita uma escola dentro da Colônia de Férias do Corpo de Bombeiros, onde existia uma atividade educativa que acontecia um determinado número de vezes por ano. Então, essa sinergia se multiplicou em diversas geografias do Brasil, em Curitiba por exemplo, nós fizemos uma parceria que resultou em uma doação de 300 dessas 1200 máquinas. O CDI Paraná ampliou o número de escolas e renovou as escolas que já tinham sido montadas a partir dessa doação que a ESSO fez, inclusive projetos extremamente particulares, como projetos que foram feitos com laptops para assistência de crianças com doenças crônicas em hospitais, projetos com caras e naturezas completamente diferentes. Em Recife, por exemplo, eu tive a oportunidade de inaugurar duas EICs em dois morros; no Alto de José Bonifácio e Alto do José do Pinho, como eles chamam, junto com um projeto que teve a participação na época muito forte da Rede Globo Nordeste também, essa parceria nesse sentido foi muito feliz porque ela multiplicou a sinergia em diversos locais do Brasil, dando a oportunidade que os nossos funcionários em diversas instalações tivessem uma interface com o CDI da mesma forma como nós nos relacionamos aqui.

P 1 – Participam como voluntário também?

R – Não necessariamente, mas na medida em que os CDIs tiveram essa solicitação, foi o caso de Campinas onde a gente tem uma participação muito ativa através da nossa fábrica de fluidos em Paulínia. Já em Fortaleza, por exemplo, essa solicitação por parte do CDI regional não foi forte, então existe um relacionamento com o pessoal do terminal de Fortaleza, mas não da mesma forma que existe em Campinas, ou que existe aqui no Rio onde eu tenho uma proximidade muito grande com o CDI matriz e CDI Rio de Janeiro.

P 1 – O projeto entre vocês com o CDI é de doação de equipamentos ou tem outras coisas também?

R – Bem, a fase seguinte foi começar a participar como mantenedor do CDI, e hoje nós temos uma verba destinada à manutenção do CDI, independente de projetos. E além de trabalhar como mantenedores do CDI nós também temos projetos específicos que a gente patrocina, como por exemplo, há dois anos a gente vem patrocinando parte do Dia Nacional da Inclusão Digital.

P 1 – No Rio?
 R – No Rio de Janeiro e em outras cidades, já apoiamos em Recife e Curitiba também. Então, esse é um projeto específico fora a parceria para manutenção do CDI e essa manutenção a gente achou que era importante na medida em que a gente reconhece a base sobre a qual o CDI precisa estar firmado para que esse fator multiplicador de unidades autônomas seja um fator presente e forte.

P 1 – O apoio é no CDI regional ou matriz?

R – Como mantenedores apoiamos o CDI matriz. Agora, independente disso, nós apoiamos projetos específicos nos CDIs regionais, no Rio de Janeiro por exemplo, a gente tem um projeto junto com o CDI e com o Nós do Cinema para formação de jovens nessa área de cine vídeo, esse é um projeto financiado completamente à parte, é um projeto que utiliza recursos de incentivos fiscais em parte e por aporte direto da Esso, isso é um exemplo. Outro exemplo foi Curitiba onde nosso apoio foi um apoio específico ao CDI Paraná da mesma forma que em Recife também.

P 1 – Você contando, quer dizer, as vias de financiamentos de apoio nessa área, dá para perceber que foi muito diferente. A parceria com o CDI parece que inaugura uma linha diferente de apoio, e esse apoio institucional também parece uma coisa que vocês nunca tinham feito antes, assim, uma nova forma de atuação.

R – A uma instituição específica nessa área de inclusão social, não, mas na área ambiental sim. Nossa parceria com as três universidades que patrocinamos antes era uma parceria institucional forte, mas na área de meio ambiente, na área social é definitivamente a parceria mais forte que a gente tem hoje.

P 1 – Com uma ONG, é o CDI?

R - - É com CDI.

P 1 – E o que fez criar essa parceria forte, também pelo tempo de apoio desde 1999, né?

R - - Desde 1999, mas eu acho que o que criou a força desse apoio foi a característica do CDI de uma proposta extremamente inovadora, uma proposta onde existe uma metodologia, existe uma proposta pedagógica bem definida e associada a um esforço de inclusão de populações que não teriam a menor chance em outras circunstâncias. Então, a proposta é uma proposta de autonomia, de unidades que funcionem de uma forma totalmente auto-sustentadas o que para a empresa é extremamente importante. As empresas, de um modo geral, não gostam de olhar para projetos que representem uma dependência indefinida e com um compromisso totalmente em aberto, a proposta do CDI, não, ela é bastante clara e a gente sabe o projeto que está sendo tocado. O desafio obviamente existe sempre, quer dizer, não existe nada pronto e acabado, o desafio que existe é garantir que as lideranças comunitárias mantenham essa passagem do bastão ao longo do tempo. Isso, eu acho que é a luta de todos os CDIs regionais e da matriz também.

P 2 – Como se dá o acompanhamento de vocês nos projetos que se desenvolvem pelo CDI?

R – Bem. Nosso apoio principal é institucional como mantenedores e eu participo de reuniões periódicas com o CDI como uma espécie de mentor em determinadas áreas. Então, o meu trabalho voluntário como mentor é uma forma de participação com o CDI matriz, fora isso, nos projetos específicos que a gente tem fora esse patrocínio institucional, em Campinas por exemplo, o nosso pessoal da fábrica de fluidos participa diretamente das atividades do CDI a partir do momento em que ele foi formado. Em Recife nós tivemos representantes no Dia Nacional da Inclusão Digital. Aqui no Rio de Janeiro eu estive presente também no Dia Nacional da Inclusão Digital, junto com as atividades que foram conduzidas aqui na Cinelândia. Em Araucária, que é uma localidade pouco distante de Curitiba, junto do nosso terminal de distribuição, que é um pool, é o maior pool de distribuição de combustível da América latina, nós tivemos também duas escolas que foram feitas em parceria com o CDI junto à comunidade, onde o próprio superintendente do terminal participava diretamente do esforço de montagem e de acompanhamento das atividades. Agora, o nosso acompanhamento se restringe a uma colaboração, porque entendemos que a metodologia do CDI junto com o trabalho da comunidade é o que efetivamente leva o projeto adiante.

P 1 – Vocês recebem algum tipo de relatório? Vocês acompanham a participação?

R - - Recebemos relatórios mensais do CDI com as atividades desenvolvidas em diversas áreas, quer dizer, não só no que diz respeito ao desenvolvimento das EICs, como atividades extraordinárias, os encontros realizados, como no Dia Nacional da Inclusão Digital e outras coisas.

P 1 – Você teria alguma observação a fazer sobre o trabalho? O ponto que você acha que poderia ser melhorado no trabalho do CDI?

R – Olha, eu acho que toda instituição vive em processo contínuo de transformação e mudança, uma instituição como o CDI existir em um país como o Brasil, um país extremamente heterogêneo, é por si só um desafio. Então, eu acho que o grande desafio é manter a unidade dessa proposta de uma metodologia que case bem com as lideranças comunitárias, uma metodologia pedagógica que case bem com as lideranças comunitárias e o desafio de fazer permanentemente essa passagem de bastão entre os líderes que se associam ao CDI. Isso é um deles, o segundo desafio é acompanhar a velocidade estupenda com que tecnologia invade a vida das pessoas, eu acho que o CDI tem feito coisas que tem acompanhado esse processo, quer dizer, o próprio projeto que a gente tem junto com o CDI e o Nós do Cinema é um retrato claro disso; acesso a tecnologias de cine vídeo para que comunidades que jamais teriam condições de se habilitar numa área como essa, se habilitem e possam se engajar ao mercado de trabalho. Ou projetos como a gente fez junto com o CIEE [Centro de Integração Empresa Escola], que foi pegar ex-alunos do CDI, juntar numa turma de pré-vestibular, fundamentalmente voltada para afrodescendentes e prepará-los para o ingresso na universidade e posteriormente no mercado de trabalho, é um projeto que já vem sendo conduzido desde o início do ano.

P 1 – No Rio?

R – No Rio, são os dois últimos projetos com o CDI junto com o CIEE e com o Nós do Cinema, então a capacidade de renovar e dar início a pequenos projetos como esses que uma vez provados eficientes e eficazes ao longo do tempo, tentar fazê-los permanentemente, ou seja, incorporar os processos de mudança e rapidez dos avanços da tecnologia à vida, fundamentalmente daqueles que têm pouco ou nenhum acesso a esses recursos.

P 2 – Tem um projeto que eu acredito seja patrocinado pela Esso, que é o Projeto da EIC da Ilha do Governador e que é uma experiência muito interessante que é de fazer uma EIC num batalhão da PM.

R - - Isso. Essa é uma experiência que não deu certo, é um exemplo de uma experiência que não deu certo e toda vez que isso acontece, nós reconhecemos e entendemos a razão de não ter dado certo e buscamos outras alternativas. Na Ilha do Governador já existia uma EIC numa localidade distante, mas houve uma manifestação extremamente forte do Batalhão que funciona próximo ao nosso terminal de fazer uma Escola de Informática e Cidadania onde eles se propuseram a liderar o trabalho e a receber fundamentalmente crianças da comunidade para treinamento, e essa experiência foi uma experiência que não deu muito certo. Quer dizer, a acolhida do batalhão a esses grupos não foi uma acolhida suficientemente aberta e forte para que a comunidade se sentisse à vontade para estar ali, a despeito do nosso apoio. E quando eu digo nosso, são as várias empresas que compõem o complexo da Ilha do Governador, a escola foi fechada recentemente e os equipamentos foram devolvidos ao CDI porque o próprio batalhão pela freqüente solicitação de outro tipo de demanda de atividade acabou não conseguindo liderar esse projeto. Isso reforça um pouco aquilo que eu acabei de dizer sobre a importância das lideranças comunitárias fortes, são elas que carregam o sucesso das escolas de informática e cidadania, junto com uma metodologia bem-sucedida e bem aplicada.

P 1 – Vocês têm alguma forma de divulgação? Algum boletim onde vocês comuniquem essas ações de apoio?

R – Internamente nós temos uma intranet onde a divulgação de todas as nossas ações na área institucional é feita e os 1.200 funcionários em todo o Brasil tem acesso a essa informação em bases diárias. Além disso a gente publicou há dois anos atrás, uma primeira edição da nossa revista interna de responsabilidade social, que é um número adicional em relação à revista que é enviada aos nossos clientes, e publicamos periodicamente nas revistas para os clientes essas ações na área de responsabilidade social, e que eu prefiro chamar um pouquinho distintamente de Cidadania Corporativa mais do que responsabilidade social. Nós temos um conceito no mundo da Esso, um conceito de “cidadania corporativa” que é uma coisa diferente de responsabilidade social, porque a empresa assim como as pessoas, precisam ter muito clara a importância do exercício dos direitos do cidadão, direitos civis, sociais e políticos. Nós conseguimos ao longo destes 92 anos, estar prestigiando esse conjunto de direitos durante um tempo muito grande. Então, através do Prêmio Esso os direitos civis mais fundamentais foram mantidos, inclusive durante o período mais difícil do governo militar. Os direitos sociais a gente vem incorporando nos últimos 15 anos com ações na área ambiental e social e os direitos políticos, esses a gente faz questão de atuar via outros recursos, como os direitos civis e os direitos sociais. A área política é uma área que a gente não se sente em condição de participar ativamente então a gente espera que, garantindo os demais conjuntos de direito a gente propicie as condições fundamentais para o exercício dos direitos políticos. Cidadania para a gente é um conceito vinculado a esse tipo de exercício de liberdade e é o que a gente tem procurado fazer. Nos nossos relatórios internos a noção de cidadania corporativa é procurada e transmitida sempre através dos veículos internos e externos, como essa revista que vai para os nossos clientes. Agora sobre o ponto de vista de divulgação, a gente não entende que marketing institucional seja uma coisa que queremos fazer, achamos que a ação institucional tem resultado ao longo do tempo.     
São 50 anos em uma atividade, é 15 na outra, outros cinco na outra, que provavelmente vai fazer com que a empresa seja reconhecida como empresa cidadã, muito mais do que gastar o dinheiro da divulgação no lugar errado.

P 1 – Tem alguma coisa que nós não perguntamos e você gostaria de acrescentar nesse depoimento?

R - - Não. Eu continuo à disposição de vocês.

P 2 – Talvez uma avaliação macro do trabalho do CDI? Como você avaliaria o trabalho do CDI?

R – Eu sou um admirador a distância do trabalho do CDI, acompanho bastante as atividades que estão ligadas aos projetos aos quais a gente se incorporou e tenho certeza que os demais parceiros com quem tenho a oportunidade de conversar tem uma parceria também bastante forte com o CDI, basta você acompanhar no próprio site em companhia de quem o CDI está que você reconhece isso, mas em relação aos projetos individuais eu não me sinto à vontade para julgar e avaliar. Acho que a gente tem que ter a humildade para falar da floresta que a gente enxerga, das árvores que a gente conhece, mas não me sinto capaz de julgar com essa amplitude.

P 2 – Agradecemos. Queria colocar mais alguma coisa?

R – Não. Continuo à disposição de vocês para o que precisarem.

P 1 – Talvez o encerramento com uma pergunta. O que você acha de ter dado esse depoimento aqui, sobre isso e sobre a idéia do CDI de fazer o resgate da sua história através do depoimento de pessoas.

R – Olha, eu acho extremamente importante que uma iniciativa como essa seja conduzida, porque só através de instituições que tenham uma história de vida forte e documentada a gente vai conseguir preservar não só a memória do que se faz de bom como preservar os valores dessas instituições que podem fazer muito pela população. O terceiro setor hoje tem um peso extremamente importante, a solidariedade é cada vez mais necessária e juntar as mãos mais do nunca é fundamental num mundo extremamente fragmentado como a gente vê. Então, eu acho que nesse sentido o trabalho do CDI é um trabalho de uma profunda solidariedade.

P 2 – Perfeito. Obrigado.

P 1 – Obrigado.

P 1 – Em nome do Museu da Pessoa e do CDI nó agradecemos.

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