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História

Responsabilidade e encantamento

História de: Cami Estevão Girondi Cabral
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/10/2021

Sinopse

Cami Estevão Girondi Cabral nasceu no município de Duque de Caxias no Rio de Janeiro, no dia 30 de abril de 1980. 

Seus pais se conheceram na Estação da Central do Brasil, no trem. Seu pai era 19 anos mais velho que sua mãe. Seu nascimento foi muito esperado e festejado pela família. Filha única do casal. 

Seu pai era economista da Rede Ferroviária Nacional. Após dois meses depois do nascimento de Cami, no caminho do trabalho seu pai levou um tiro dentro do ônibus onde estava e ficou paraplégico. Dalí a carreira do seu pai foi interrompida. Sua mãe, Maria Paulina Girondi, dona de casa, assumiu os cuidados da família e do marido.

Seus pais foram sempre muito presentes na sua criação. Cami cresceu cercada de muito afeto e com direcionamento para os estudos e carreira. Seu pai sempre foi seu maior incentivador para os desafios que enfrentou na vida. 

Por 20 anos morou no mesmo apartamento num conjunto habitacional bem próximo da Linha Amarela no bairro do Méier. Apesar de ser uma área dominada por bandidos, sempre se sentiu muito segura no seu bairro. Apesar de não ter irmãos de sangue, seus primos são seus irmãos de coração. 

Do maternal até a quarta série estudou na Escola Pequeno Céu. Depois estudou da quinta à oitava série no Colégio Metropolitano no Méier. Por incentivo dos amigos e buscando independência, com 13 anos, fez concurso para Escola Técnica Virgínia Patrick com ênfase em processamento de dados. 

Dos 11 aos 18 anos frequentou o grupo da Igreja Evangélica Cristã Maranata que a família frequentava. Foi onde conheceu seu primeiro namorado. 

Com 15 anos, já formada na escola técnica, entrou no pré-vestibular. Depois de 6 meses, com 16 anos, foi aprovada para cursar Ciência da Computação, na Universidade Gama Filho. No meio do segundo período da faculdade, começou a trabalhar como monitora do professor de informática na Escola Técnica Rezende Rammel no Lins. 

Depois de um ano foi demitida, mas já aguardava o estágio em FURNAS. Aguardou fazer 18 anos para ingressar em FURNAS como estagiária na Subestação do Grajaú. Sua paixão por FURNAS nasceu naquela Subestação. Se encantou pelo profissionalismo, o comprometimento e tinha orgulho de fazer parte da equipe. Mantém seus laços de amizades profissionais mais fortes naquele período. Permaneceu no estágio por um ano e 8 meses. 

Saiu dali para estagiar numa empresa de asfalto, a Betunel. Saiu de lá quase se formando e precisava terminar as matérias pendentes da faculdade. Conheceu seu marido Leonardo nesse último ano de faculdade. Começou a trabalhar na Xerox do Brasil desenvolvendo o portal de EAD da empresa. 

Depois de um ano terminou a faculdade, saiu da Xerox e ingressou na pós-graduação na PUC. Se inscreveu para o concurso de FURNAS. No período de espera foi aprovada para a Aeronáutica. Antes de ser convocada foi fazer a prova de Furnas. 

Trabalhou no setor de suporte no Departamento de Aviação Civil até ser convocada para Furnas, um ano depois. 

Ingressou como funcionária em FURNAS em 2005, na área de desenvolvimento de sistemas para suprimentos no Escritório Central.

Se casou com o Leonardo aos 27 anos, no dia do seu aniversário. Em 2010 teve seu primeiro filho, o Samuel.

Depois que retornou da licença maternidade, recebeu o convite para ir para a área de BI que estava implantando o novo sistema de controle – SAP, o chamado Projeto Sintonia.

Fez outra pós-graduação na PUC voltada para business intelligence.

Ficou nessa área até retornar da licença maternidade do seu segundo filho, o Felipe. Passou para a área de Segurança da Informação que estava sendo construída na época.

Em 2017, depois de uma reestruturação da empresa, a área deixou de ser coordenação e passou a ser um departamento dentro da empresa. 

Hoje, Cami é gerente substituta da DSI.P, departamento responsável pelo segurança de informação. Um dos projetos mais recentes da equipe foi a implantação do Plano de Continuidade de Negócios. 


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História completa

Um pequeno excerto sobre a história de Cami

Eu adorava imaginar que a gente fazia parte de uma coisa tão grandiosa. Os mais velhos também trabalhavam com esse brilho no olhar, e isso refletia muito na gente que tinha acabado de entrar. Trabalhar ali era um misto de muita responsabilidade com um encantamento. E uma semana antes tinha faltado luz no país inteiro, e a gente estava lá ouvindo como eles resolviam esse problema.



Minha primeira passagem por FURNAS foi como estagiária na subestação de Grajaú, Rio de Janeiro. Nós éramos em três meninas na subestação, não tinha muitas outras mulheres, tinha o pessoal da equipe de limpeza, mas no administrativo, com mais acesso à sala de controle, não, nós éramos as únicas. Até um tempo antes da gente entrar, não tinha nem banheiro para mulher. No nosso andar, os banheiros eram só masculinos, mas o gerente da subestação, que era o Júlio Moreira, ele cedeu um banheiro que era exclusivo dele para as meninas terem um banheiro naquele andar. 

Eu nunca tinha visto isso na minha vida, nunca imaginei passar por isso, chegar num lugar para trabalhar e não ter banheiro para mulheres. Também não estava acostumada a pensar sobre o tema, a condição da mulher... Mas enfim, na ocasião, muita gente nova estava entrando junto na subestação, além das meninas, tinha mais outros três estagiários e uma galera bem mais nova da área de manutenção. Estávamos quase todos na faixa dos 18, 22 anos e foi muito legal! Passei por muitas experiências profissionais nessa época, eu vivenciei dois apagões, dois blackouts na subestação, e eu achava o máximo estar num lugar que transmitia energia, que a gente via os disjuntores se desligando, que a gente via os transformadores, onde a gente participava um pouquinho desse sistema, porque o trabalho era bem da sala de controle, bem do pessoal de manutenção. 

Eu adorava imaginar que a gente fazia parte de uma coisa tão grandiosa. Os mais velhos também trabalhavam com esse brilho no olhar, e isso refletia muito na gente que tinha acabado de entrar. Trabalhar ali era um misto de muita responsabilidade com um encantamento. E uma semana antes tinha faltado luz no país inteiro, e a gente estava lá ouvindo como eles resolviam esse problema. 

Eu acho que muito da minha paixão por FURNAS nasceu ali. Eu acabei ficando oito meses, a carga horária mínima do estágio para a faculdade, e saí de lá muito apaixonada e muito triste, mas eu precisava tocar outras coisas da minha vida. E todos os meninos dessa leva foram contratados como operadores e acabaram ficando em FURNAS. E depois eu tive o prazer de reencontrar alguns deles, com a minha história de retorno a empresa. 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Depois de ser chamada no concurso, o que pesou muito na minha decisão de voltar ou não voltar para FURNAS é que eu sabia que a vaga seria para o escritório central, e eu tinha muito medo de não me adaptar porque meu estágio tinha sido numa subestação, algo totalmente diferente. Eu entrei pensando em voltar um dia para uma área regional, mas enfim, entrei e fui parar na área de desenvolvimento para suprimentos. 

Na minha primeira entrevista, estou falando de 2005, eu me lembro muito da Cristiane Staccioli, que trabalha até hoje na TI de FURNAS. Eu me lembro que a Cris foi a pessoa que mais se interessou por mim na entrevista, mas como eu já tinha trabalhado com suporte, no departamento de Aviação Civil, quando eu fiz o estágio em FURNAS também tinha passado por suporte... Eu queria muito ter a oportunidade de trabalhar com desenvolvimento de sistemas, mas fui para suprimentos e acabei ficando quatro, cinco anos. 

Tempos depois, quando eu estava no quinto mês de licença maternidade do meu primeiro filho, recebi um telefonema da Isabel, minha gerente: “Olha, tem um negócio aqui que é a tua cara, eu sei que você está de licença, mas lembra daquela conversa que a gente teve, que você me pediu um desafio diferente, não consigo pensar em outra pessoa, quer?” “Quero! Mas isso não vai influenciar no meu retorno?” “Não, não vai”. 

Essa foi a minha primeira mudança de área dentro de FURNAS. Quando eu voltei de licença eu já fui direto, no caso, o Projeto Sintonia, que foi o projeto de implantação do RP, que é o SAP, o RP de FURNAS é o SAP. A equipe de projetos teve um ano para implementar, um projeto super ousado, com um prazo extremamente curto, mas obviamente a gente conseguiu. No início de 2010, a chave foi virada e estava tudo funcionando, ou pelo menos do jeito que dava para começar funcionando. 

O B.I. é uma parte relacionada a relatórios gerenciais e análises de dados. Então, a tradução é Business e Intelligence. Tem a ver com inteligência de negócios, você pegar dados que aquele RP, que aquele sistema naturalmente absorve, por causa das entradas que são feitas e transformar aquilo ali em alguma informação que seja útil para uma tomada de decisão. A ferramenta do SAP que fazia isso na época era o VW, hoje, eu não sei se continua. 

Eu fiquei cinco anos no desenvolvimento de sistemas, lá no suprimentos, depois fui para o BI, trabalhando com toda equipe de projeto. E logo depois a gente migrou para uma outra gerência, ainda trabalhando com BI VW. Nunca deixei de ser analista de sistemas, deixei de ser desenvolvedora VBenetti para ser analista de dados. Nessa época, eu fiz uma outra pós-graduação na PUC, mas voltada para bussness intelligence. Foi uma época bastante cansativa porque eu já era mãe, estava trabalhando durante o dia e estava estudando à noite. Então, alguns dias eram bem difíceis, impossível estar ali conectada em 100% das atividades. 

Eu fiquei nessa área até engravidar do Felipe, meu segundo filho. Quando eu estava grávida do Lipe, inclusive, a gente tinha uns serviços para fazer que precisavam ser rodados durante a madrugada. Algumas vezes eu saí de FURNAS assim... entrava às 8:00 horas da manhã de um dia e saia de lá 11:00 horas da manhã do dia seguinte. Eu fiz isso grávida, algumas vezes e ainda voltava para casa dirigindo, cansada para caramba. Mas assim, com a ânsia de ver tudo funcionar. 

Quando eu voltei da gravidez do Lipe, eu achei melhor buscar um desafio diferente na empresa. Tinha uma Superintendência que estava tentando estruturar uma área de segurança da informação e as pessoas ficaram sabendo que eu queria muito sair um pouquinho da TI e fazer uma coisa diferente. O superintendente na época era o Vitor Albano, me chamou para conversar e eu aceitei, topei o desafio de ir para lá. Depois, nesse processo de reestruturação, algumas coordenações viraram departamento e criou-se uma gerência de segurança da informação. 

Não dá para falar da área do jeito que eu queria porque o assunto é sempre muito sigiloso. Mas assim, tratando de parque industrial, hoje, o sistema elétrico é muito visado no mundo inteiro, e não existe 100% de segurança, tudo que a gente faz é tentar minimizar os riscos. Quando eu estou falando de um cyber ataque, dependendo de qual seja o alvo, dependendo da intenção, eu posso estar colocando uma cidade debaixo da água, eu posso estar colocando dezenas de hospitais sem energia, e isso é muito tenso, para quem trabalha com segurança, principalmente com segurança na rede operativa, é isso.







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