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História

Representatividade Feminina

História de: Sandra Kennedy Viana
Autor: Ana Paula
Publicado em: 07/06/2021

Sinopse

Sandra se mudou para o Paraná quando tinha apenas 8anos de idade. Sempre gostou da educação do interior. Cursou serviço social em Londrina. Os movimentos sociais sempre estiveram presentes na sua vida tanto pessoal quanto profissional. Atualmente é prefeita em Registro.

História completa

Projeto Fundação Banco do Brasil Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Sandra Kennedy Viana Entrevistado por Karen Workman Registro, 20 de Fevereiro de 2011 Código: MRR_CB21 Transcrito por Camilla Militino Revisado por Paola Feltrin Ramos P/1 - Eu queria começar perguntando seu nome completo, data e local de nascimento. R - Meu nome é Sandra Kennedy Viana, nasci em Divisa Nova, no sul de Minas Gerais, no dia 8 de fevereiro de 1964. P/1 - Qual o nome dos seus pais? R - Pedro Assis Viana e Aparecida de Lourdes Batista Viana. P/1 - Eles eram de Minas? R - Sim, a gente brinca que nasceram no pé da serra porque todo mineiro é muito rural. Nasceram na área rural deste município de Divisa Nova e vivemos lá até os meus pais se casarem. Minha mãe casou muito jovem, com 16 anos; hoje quando vejo uma garotinha de 16 anos, penso: “Quando minha mãe tinha 17 anos, eu já tinha nascido.” Casaram muito jovens e meu pai já tinha cinco filhas. P/1 - Ele tinha quantos anos quando casou? R - Dez anos a mais que a minha mãe. Meu pai tinha 25 anos e minha mãe tinha 16 anos. Meu pai trabalhava com café no sul de Minas e era meio natural por conta do trabalho que os pais quisessem que o primeiro filho nascesse homem para ajudar e eu nasci. Até hoje eu tenho o cartãozinho de quando nasci, eles capricharam na minha chegada. Depois veio a Simone, a Cibele, e meu pai: “Cadê um menino para me ajudar?” Depois Soraia e Cintia, cinco mulheres. P/1 - Nunca veio um homem? R - Meu pai desistiu do café e veio para o Paraná, daí nasceu o Sandro Romão, é o único homem de cinco mulheres. Por conta disso, a gente sempre teve uma relação de ajudar meu pai na roça. P/1 - Como era o trabalho dele? R - Era trabalhar com o café, nós ajudávamos a descobrir onde era o formigueiro para matar formiga, que era o que nós podíamos fazer aos oito anos. Eu morei lá até os oito anos de idade, estudei em escola rural, experiência boa. P/1 - Vocês moravam em um sítio, em uma fazenda? R - Morava no sítio, chamávamos de fazenda, independente do tamanho da área. P/1 - É uma fazenda. R - Mas era legal, uma casa muito jóia e meu pai com um carinho imenso com a gente, preocupação com estudo, minha mãe também. Uns dois anos, eu estudei no rural. No primeiro ano minha mãe que era professora, nós tínhamos esse privilégio, depois veio outra professora, enfim, mas o que era gostoso era de ver essas coisas que hoje eu leio nos livros, quando fala do rural brasileiro, pensar isso com orgulho, de lembrar que isso fez parte da minha história. Era a história da mula sem cabeça, a história da assombração, na curva da estrada onde eu passava todos os dias para ir na escola e a gente morria de medo daquelas coisas. Eu tenho prazer em pensar que isso fez ___. P/1 - Isso fez parte da sua vida? R - Isso fez parte da minha vida apesar de relativamente jovem, ou de uma geração que ainda estava saindo do campo, as histórias do Mazzaropi serem contadas. A televisão naquela época, isso não é novidade para você que trabalha com memória, era um fator de agregação. A primeira televisão que chegou lá no sul de Minas era na casa dos meus pais, toda a vizinhança ia para lá assistir, telequete, eu não me lembro os nomes mais dos programas, assistir Franco Show, era o máximo. P/1 - Moacir Franco ___. R - Airton Rodrigues e não sei o que mais, enfim, era colocado uma lona no chão e todos se sentavam para assistir e muito ruim o sinal da tv, ficava lá no alto da serra, quando você levantava o pano vermelho era para virar a antena para direita, quando você levantava o pano branco era para virar para a esquerda, para tentar sintonizar um pouco melhor a imagem. Essas foram coisas da ___, que fez parte. P/1 - Eles já eram responsáveis por uma fazenda e tudo com essa idade. Ele tinha herdado do pai, era uma tradição de família, como que era? R - É, meu pai já tinha 25 anos, muito voltado para o trabalho. Ele já conseguiu comprar essa fazenda logo que se casou, mas porque era sempre voltado para o trabalho mesmo, desde criança já “essa vaca é sua” e daquela vaca vai dar outro bezerrinho, já cuida do bezerrinho, e meu pai era tropeiro. Meu pai chegou a sair do sul de Minas e ir pra essa região de Botucatu levar gado, buscar mulas que usavam no rural, meu avô era carreador, acho que é uma coisa que você não conhece. P/1 - O que é carreador? R - É quem conduz o carro de boi. Um carro de boi era super importante para carregar alimentos, meu avô é que sabia dominar isso, tem uma técnica, tem que saber e entender. Meu vô tinha um carro de boi, fazia as viagens de carro de boi. Chama atenção que com 26 anos, meu pai consegue comprar uma fazenda. Mas não foi herança, trabalhava muito. P/1 - A origem da família dos seus pais é brasileira, eles eram filhos de imigrantes, alguma coisa assim? R - São portugueses que vieram de Viena. A família da minha mãe já é mais urbana, da cidade do interior, das minhas tias e minha mãe passear, eu também participei um pouquinho disso, porque as minhas tias mais jovens já eram próximas de idade, passear naquelas pracinhas do interior que as meninas ficavam andando e os meninos sentados no banco do jardim, era uma coisa de paquerar a distância. E a hora que davam dez horas no sino da igreja todas as meninas de família, ou seja, todo mundo que queria mostrar que era garota séria, ia para casa correndo, dava dez e quinze e você não via mais ninguém na cidade, uma cidade de 20.000 mil habitantes, é Cabo Verde o nome da cidade porque eu morava no rural entre essas duas cidades. Fala muito de Muzambinho, esqueci o nome dele, ele fala de esportes... Milton Neves, obrigada! Por isso que essa região ficou conhecida, mas é perto de Poços de Caldas, a minha infância teve muito a ver com isso. P/1 - Você ficou lá até os 7 anos? R - Com 8 anos vim para o Paraná. P/1 - Porque vocês vieram para o Paraná? R - Acho que foi ficando difícil para o meu pai sustentar todos nós, cinco filhas, com aquela fazenda. Ele procurou desgarrar de raiz, coisa que é muito difícil para o mineiro. Foi para o norte do Paraná, era muito promissor, e ele foi aos poucos com muita cautela, meu pai era muito família, não queria levar os filhos de qualquer jeito. Durante dois anos, nós fomos nas férias de julho e de dezembro conhecer o que era essa cidadezinha, São Pedro do Ivaí, perto de Jandaia do Sul de Maringá, antes da minha mãe aprovar que nós poderíamos mudar, de meu pai ver as escolas direitinho e nos mudamos pra São Pedro do Ivaí. Era o meu pai e a minha mãe na frente, com cinco filhos atrás, uma bebê ainda e a empregada, todos em um fusca. Dava para fazer um belo filme, a disputa era o chiqueirinho, é aquele lugar que você guarda a mala atrás do fusca, era um lugar privilegiado. P/1 - Você lembra dessa viagem? R - Foram duas férias de julho e duas de dezembro, viajando de fusca para o Paraná. Com muita luta,mas uma coisa muito legal era que meu pai era muito ___. P/1 - O que você lembra dessa chegada no Paraná? R - Muita lama porque era tudo terra. Lá quando chove, é difícil o carro se locomover, você pode colocar aquelas correntes nos pneus dos carros e mesmo assim você atola, era muito comum. A cena que eu lembro é de você empurrar o carro, empurrar o caminhão de mudança , coisas assim, mas era um lugar novo, uma cidade legal, fiquei nessa cidade até o que nós chamávamos de ginásio, até 14 anos lá , história de baile de debutante, aquelas outras coisas foi lá. P/1 - Lá que você viveu tudo isso? R - É. P/1 - A escola ___? R - A escola do ginásio ____. P/1- Como era a comunidade nesse lugar quando vocês chegaram? R - Eu valorizo até hoje esse espaço das cidades pequenas, quando a gente fala: “A cidade é tão pequena”, como se fosse uma vergonha, eu acho que eles têm uma qualidade de vida muito legal porque as relações são muito jóia, lá fiz meus amigos, a gente ia para piscina, a tarde andava de bicicleta, descia o morro no trilho e aquelas coisas gostosas de criança. Isso me lembra muito, meu pai dava o fusca, para mim quando eu tinha 9 anos, para ir para a fazenda, porque nós morávamos na cidade, o sítio era uns sete quilômetros mais longe. P/1 - Ele dava o carro para você dirigir? R - Para eu buscar o leite todos os dias, eu tinha que botar uma almofada, morria de medo, eu adorava dirigir, mas o medo era quando você passava uma ponte e depois daquela ponte tinha um morro, nesse morro tinha uma pedra, se você não sabia, lembrava de engatar direitinho ali aquele carro, voltava aquelas coisas que qualquer criança pode ter insegurança quando está dirigindo. P/1 - E você fez isso ___? R - É, mas dirigi muito bem. Meu pai sabia que eu tinha condições, enfim, hoje tenho tranquilidade com o carro, com a direção. P/1 - Só para cá porque ela não quer ___, tá bom? R - Meu pai hoje já mora no Mato Grosso e eu fui sozinha com as crianças de carro, nunca tive nenhum problema com direção. Foi loucura do meu pai, mas me ajudou bastante a lidar com essa coisa. P/1 - Vocês ficaram lá , fizeram seu baile de debutante, fizeram tudo lá? R - Isto. Estudei, era uma época que a gente tinha francês, mesmo no interior. P/1 - É mesmo? R - Tinha francês, inglês. P/1 - Era escola pública? R - Escola pública. Uma coisa era cantar hino nacional toda semana , desfilar na rua, essas lembranças que passam quando você me pergunta, me provocando, me passam essas lembranças, portanto eu terminei a oitava série e de novo a preocupação do meu pai era que a gente tivesse em uma escola melhor, aí mudamos para Maringá. Ele continuou trabalhando em São Pedro do Ivaí, já trabalhava com gado nessa época e nos mudamos, minha mãe e os seis filhos, já tinha vindo meu irmão. Uma geada muito forte que marcou a economia do Paraná em 1975, nós vivemos isso, foi um baque, mas meu pai segurou a onda e eu mudei para Maringá. Em Maringá eu fiz o ensino médio, naquela época a gente chamava de ____. P/1 - Segundo grau, né? R - Colegial, segundo grau. Estudei no Colégio Marista mas já foi uma outra fase, grupo de jovens, pastoral da juventude, preocupação com o social. P/1 - Nessa época você começa a despertar para esse mundo externo e como que foi? R - É. Não sei dizer muito, de qualquer forma nesse momento a gente começa a agir dessa forma, porque acho que a minha formação na igreja católica foi muito forte, sempre puxava um pouco para essa questão da solidariedade, se preocupar com o outro, é o princípio do amor ao próximo. Depois nessa época, já em Maringá, a gente conversando na pastoral da juventude vinha os fundamentos da teologia da libertação, a gente acredita em salvar a alma depois que morre, mas é construir um mundo mais justo, solidário, fraterno, que as pessoas possam se dizer pessoas, na sua integridade aqui na terra e não depois, portanto nós tínhamos que nos colocar neste rumo, neste caminho, de ajudar a mudar o mundo aqui, me levou a participar do rotary clube da juventude, um caminho mais tradicional a participar de grupos de jovens, a fazer trabalhos na periferia. P/1 - Você já tinha quantos anos mais ou menos? R - 15, 16 anos, nessa fase. Porque eu entrei na faculdade com 17 anos. P/1 - E nessa época, por exemplo, a questão de ter uma ditadura, como era isso na sua vida? Você sabia que tinha uma ditadura militar? R - Sabia um pouco. Me lembro quando eu fiz um trabalho dessa redemocratização mesmo. Entendia que tinha uma repressão, a gente não podia falar tudo o que pensava. Em 1979 eu fiz um trabalho, Figueiredo falando daquela frase tão lamentável, comparando o cavalo ao povo... não me lembro mais a frase, mas era aquela coisa, que ele preferia o cheiro de cavalo ao cheiro de povo, e portanto aquela questão dos militares. A gente sabia que a falta de liberdade não era justo e que não precisava ser sempre daquela forma. O professor de física que chamou muito a gente para essas reflexões no segundo e terceiro ano. Eu acho engraçado porque um professor de física, mas que normalmente o físico está ligado à filosofia, que também trazia essas reflexões para a gente, um grande cara, ainda tenho contato com ele, está na universidade lá em Maringá. P/1 - Ele que te ___? R - É, ele ia puxando algumas pessoas para essas reflexões sobre o ponto de vista filosófico, qual era a razão de ser nesse mundo, e que mundo é esse que a gente vive e acho que foram tendo várias ___. Mas foi ler mesmo, Boff, principalmente Frei Beto, já no terceiro ano, colegial. Dom Pedro Casaldáliga, Frei Beto e Dom Helder Câmara. Que dava algumas coisas assim, o prazer de pensar que esse mundo poderia ser diferente, sabe? Isso sempre me chamou atenção e não era muito comum no mundo que a gente convivia. P/1 - Isso não era todo mundo? Você que sentia isso? R - Não era todo mundo, eu sentia que ___, mas não sou diferente de ninguém. P/1 - Mas não era um grupo? R - Não era. Eram algumas pessoas mas não quer dizer que eu só convivia com pessoas que tinham militância porque nessa época, não existia o Partido dos Trabalhadores ainda, os partidos estavam naquela polarização ainda, MDB [Movimento Democrático Brasileiro] e ____. P/1 - Arena [Aliança Renovadora Nacional]. R - Arena. No segundo grau eu não tive esse espaço para ter movimento estudantil onde eu pudesse me formar, foi mais o espaço da igreja mesmo, que eu pude ter contato com a teologia da libertação, ter algumas pistas. Tem algumas contribuições pessoais, Esther Viana, uma tia assistente social em Campinas, fazia trabalho de reurbanização de favelas, eu comecei ver que aquilo podia ser muito legal. Hoje ela é do PSDB [Partido da Social Democracia Brasileira], mas naquela época ela militava no MDB. Eu achava aquela referência muito legal, foi me puxando um pouquinho, era bom. P/1 - Isso foi te levando e foi definitivo para decidir a sua universidade? Como foi que você terminou o segundo grau ___? R - Cara, você pergunta umas coisas da vida da gente ___. P/1 - Ah, mas essa é minha especialidade. O que eu posso fazer? Responda o que quiser. R - Não, é porque tudo é um causo para se contar. Eu tinha dúvida entre arquitetura e serviço social. Hoje eu vejo que não é tão diferente assim, mas naquela época eu não sabia. P/1 - Você ficou entre essas duas coisas? R - Essas duas coisas. Fui conhecer alguns arquitetos, já tinha referência de serviço social com essa tia e resolvi fazer serviço social. P/1 - Por que a arquitetura te chamou atenção? R - Me parecia que a arquitetura podia cuidar do belo para as pessoas, que o mundo podia ser mais belo com a contribuição da arquitetura, eu não encontrei isso com clareza nas pessoas que eu entrevistei, entrevistei arquitetos que estavam dentro do seu arquiteto pensando em casas ou prédios públicos. E fui para a área do serviço social que também é um dilema, porque o assistencialismo, a gente abomina isso, a gente quer ver essa prática do serviço social como uma prática de transformação da realidade, como é a realidade, tudo é uma contradição e o próprio serviço social não está imbuído dessa prática de transformação social como um todo, muitas vezes fica trabalhando no conserto de alguns problemas, mas eu gostei de ter feito esse curso, me ajudou a pensar também a realidade. P/1 - Então ___. R - Fiz o curso em Londrina. P/1 - Como era esse curso? Qual era a abordagem? R - Eu falava com Márcia Amaral. A minha professora, conversei essa semana com ela, me lembrou que ela estava entrando na faculdade naquele ano e até o ano passado ela era ministra do bem, do desenvolvimento social. A geração em Londrina era uma geração de professores que estava pensando no serviço social com uma abordagem mais ousada e mais revolucionária. Uma delas era a Márcia, e o debate nesse curso era isso, a transformação social ou acertar alguns problemas da sociedade, se é vista como uma sociedade funcional e só tem alguns problemas locais então o serviço social vai lá e atua sobre aqueles problemas localizados, ou se de verdade e é nisso que eu acredito, nós temos uma sociedade como um todo que ela é contraditória e injusta e é preciso ter mudanças nas raízes, portanto é preciso ter mudanças no modo de produzir e se apropriar daquilo que é produzido. Em outras palavras, precisa de distribuição de renda ou não adianta as entidades sociais, só atuação pontual. Elas são importantes desde que a gente entenda que elas são pontuais, né? P/1 - Uhum. R - Não adianta discutir a exploração do trabalho infantil, a exploração sexual de crianças e adolescentes ou o bolsa família, por exemplo, sem pensar que a gente precisa acabar com o país que ainda é campeão em concentração de renda com tudo isso que o governo Lula avançou invegavelmente, os indicadores estão ai. Saiu da indigência, até essa gente pode usar aquele termo bem ruim de falar. Tem muito para fazer. O curso foi isso. A época da faculdade ainda era o restinho do movimento estudantil. Eu peguei isso. P/1 - Você fez esse movimento? R - Fiz. Participei ___. P/1 - Isso, a gente está falando dos anos ___. R - Em 1981, entrei na faculdade e saí em 1985. Eu peguei o que sobrou do movimento estudantil. Muito forte no Paraná, o Poeira, que era chamado, no estado de São Paulo, eu já não me lembro mais os grupos, mas um Poeira que tem como expressão, é o grupo Cheida que foi secretário de meio ambiente aqui do Paraná, do Requião que tem outros expoentes na música; tem o JB [Jornal do Brasil] lá no jornal, no Folha de São Paulo, enfim, algumas figuras daquela época que estão transitando em alguns lugares. P/1 - E você era uma liderança nesse movimento? R - Essa mania de achar que tem que obrigação ___. P/1 - Essa mania de liderança persegue ___. R - É uma coisa de achar que a gente pode ajudar, acho que isso é bom de um lado, mas coloca a gente em alguns desafios muitas vezes difíceis de enfrentar. Eu achava que não podia só ser aluna, eu também precisava ajudar a mudar meu curso, melhorar e aí chamava assembleia de estudantes. Que medo, aquele monte de gente na sala e eu era presidente do centro acadêmico. Eu não dormi à noite inteira, era uma garota de 18 anos, enfim, mas não dava para ficar só assistindo, ainda mais no meu curso que tinha muito aquela situação das meninas de classe alta que só queriam fazer o curso para ___. P/1 - Casar. R - Eu não podia ser uma pessoa dessa forma. Respeito as opções, hoje sou muito tolerante com isso, mas também sou intolerante para dizer o que eu não quero. Sou tolerante com as posições diferentes, acho que as pessoas definem o que querem da vida mas cada dia a gente tem que reafirmar o que a gente quer, senão a gente também cai no mesmo, porque é muito difícil. Mas, a faculdade foi um aprendizado bem legal. Depois fui trabalhar com habitação popular na área dos conjuntos habitacionais, esse movimento está ressurgindo agora em São Paulo que era contra o aumento das passagens de ônibus, nós lutamos para caramba contra o aumento das passagens de ônibus naquela época. R - Meu filho agora. P/1 - Seu filho agora? R- Meu pai era muito bravo porque ele tinha muito medo, meu pai conhecia a ditadura. P/1 - Ah, pois é, como era o seu pai? R - A nossa grande bandeira foi a gratuidade do ensino, se o curso custava 600 reais a matrícula, a mensalidade, a gente pagava metade disso, não era fácil para a gente pagar, para o meu pai não era. Mas meu pai não queria me ver envolvida com os comunistas como era todo mundo chamado, quem se envolvia com qualquer processo de organização. E hoje a minha filha estuda na UEL [Universidade Estadual de Londrina] gratuitamente, e hoje falo para o meu pai que nós conseguimos a gratuidade por conta daquele movimento que eu fiz a muitos anos antes. Eram eleições diretas para reitor, para presidente do Brasil, nós estávamos na faculdade naquela época, eu tenho o privilégio de ter vivido esse movimento. P/1 - E seus irmãos participavam? R - Não, cada uma entrou um pouco nessa questão social. Soraia, jornalista, entrou muito para fazer essa área de imagem, sempre vídeos mais engajados ou ligados a sócio, a área socioambiental, tem a Fica [Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental] um festival voltado à questão socioambiental na cidade de Goiás, ela foi uma das organizadoras e ela é da comissão de julgamento, que julga também esses vídeos. De certa forma são engajados, ela foi do Psdb, uma outra irmã foi do PT [Partido dos Trabalhadores], a outra historiadora, enfim, ___. P/1 - O seu pai _____. R - A outra foi para a Alemanha, para continuar estudando história, Simone, trabalhava um pouco a questão da mulher na Unicamp [Universidade Estadual de Campinas] como pesquisadora mas ainda não tinha se firmado profissionalmente. Acho que era contratada freelancer, não sei exatamente o vínculo, mas trabalhava na questão da mulher e resolveu ir para a Alemanha para estudar história, junto com um companheiro. A historiadora voltou mágica, hoje faz espetáculos de mágica para crianças, interativo, muito bonito, muito legal, o trabalho da Simone está bonito. P/1 - Que legal. R - O Sesc [Serviço Social do Comércio] está abrindo espaço para ela, já está conseguindo apresentar em alguns lugares, Campinas, Poços de Caldas. São muitas irmãs né, tem uma outra que é arqueóloga. P/1 - Que legal. R - E tem a Cíntia que é geóloga. Uma está em Porto Velho, Cibele na católica de Goiás como arqueóloga, a Simone em Campinas e a Soraia agora em Campinas novamente. P/1 - E o seu irmão? R - E meu irmão foi para a área do meu pai, é agrônomo e está no Mato Grosso, não com o meu pai, mas próximo. P/1 - E como foi sua chegada aqui no Vale? R - Pois é. Terminei a faculdade, meus pais moravam em Goiânia. Em 1985, tive notícias de uma oportunidade de trabalho aqui por um amigo que estudou comigo e morava em São Vicente. Então, eu vim para cá para concorrer a essa vaga, ou seja, para participar de um processo seletivo, para trabalhar com comunidades rurais na área de extensão rural, e apoiar a produção desses agricultores. Não sabia onde ficava Vale do Ribeira, cara. Nunca tive contato com a região. P/1 - Não tinha ideia de nada disso? R - Não tinha ideia. Literalmente peguei o mapa e tentei localizar onde era, nunca tinha vido, e vim pra cá prestar o concurso, fui aprovada e resolvi ficar. Recém formada, não estava casada, eu namorava, ele continuou em Londrina e eu vim para cá. P/1 - Você tinha um namorado? R - Tinha, hoje ele é o meu marido, o Ronaldo. E foi muito legal, eu gostei muito de ter aparecido essa oportunidade na minha vida porque eu vim aqui pro Vale do Ribeira e aqui é uma região que nos instiga, nos provoca, de novo a contribuir para que as coisas mudem, uma região mais pobre do estado mais rico, porque a gente vai passar por aqui e não vai se importar com isso? Temos que trabalhar com a inclusão dessa região, dar oportunidades. Mas é uma região muito particular por conta da questão socioambiental. P/1 - Quando você chegou aqui, o que você encontrou, viu um lugar que não tinha a menor ideia, você tinha uma vivência em Goiânia, tinha uma vivência em ___. R - Em Londrina. P/1 - Londrina, no Paraná. O que te apareceu esse lugar? R - Pareceu muito o que foi o meu início de vida, minha infância por causa da cidade pequena. Morei inicialmente em Eldorado, uma cidade pequenininha, depois mudei pra cá para poder ___. P/1 - Para Registro. R - Mudei para Registro mas ainda trabalhando em Eldorado, mudei para cá mais para ficar ligada a possibilidade de continuar os estudos na Universidade, tinha muito medo de me afastar da academia e das outras coisas que mais gostava e gosto muito daqui, de trabalhar com as pessoas e com as coisas daqui. Eu fiquei muito ligada a um pedaço do Vale do Ribeira no início, que foram os posseiros de Eldorado. P/1 - Quer dizer, você chegou pra trabalhar com eles. R - Pra trabalhar com eles, eu podia optar entre sete cidades porque tinham equipes em sete cidades, escolhi Eldorado e fui trabalhar com os posseiros que hoje são os vários quilombos de Eldorado, mas como era 1985, começo de 1986, não tinha o conceito de quilombo, tinha o conceito de posseiro, porque sempre foi a luta pela terra aqui, sempre foi uma coisa importante, eles não tinham o título. Quem eram os posseiros? Eram agricultores familiares que moravam e ainda moram ao longo do rio acima, em direção a Ribeira. E fui conhecendo aquele povo, trabalhando com eles, buscando formas diretas de vender o que produziam, a banana. P/1 - Então, o seu papel efetivamente com eles era fazer o que? R - Nós tínhamos o agrônomo, um técnico agrícola e a assistente social. Era organizá-los para enfrentar os seus entraves no processo de trabalhar e de viver. Era trabalhar para tentar vender melhor aquilo que eles produziam. P/1 - E o que eles produziam basicamente? R - Para venda, a banana. Mas nós queríamos a diversificação também. Trabalhavam com palmito jussara clandestino, então eram tratados como bandidos, porque roubavam o palmito para vender. Era assim, já que não tinha licença ambiental para isso e nós fomos sempre trabalhando com a ideia de alternativas, pode ser a banana passa para vender para o mercado orgânico, pode ser a banana passa para vender para merenda escolar. A cada hora era uma cultura que era salvadora da pátria, urucu, outras espécies, seringueira veio numa época como forte, mas as mulheres começaram a produzir alimentos, uma horta muito grande, quase dois hectares de horta onde catorze mulheres se reuniram e começaram. Apesar de parecer 14 mulheres um grupo pequeno, mas foi uma referência de organização para toda aquela região porque elas trabalhavam sempre, é tradição, em mutirão. As mulheres inclusive num mutirão para colheita do arroz, no mutirão para plantar o milho, mas nessa época com a nossa chegada foi diferente porque elas trabalhavam juntas para vender o que elas produziam, o que elas venderam para merenda escolar. Elas tiveram pela primeira vez aquilo que a mulher camponesa não tinha contato, que era a moeda, o dinheiro. Isso agora é fruto do meu trabalho. Começaram a trabalhar, inclusive a melhorar a cozinha onde era o ambiente de trabalho dela que nunca um homem ia querer melhorar, porque era sempre um local secundário, elas foram comprando fogão novo, porque era o fogão, enfim, a mulher começou a ter um papel diferente, a roupa dos filhos, não queria mais ver o filho sem calçado, foi bem legal esta experiência com as mulheres do quilombo sapatu. P/1 - Ah, foi dentro de um quilombo essa experiência. R - Foi dentro de um quilombo. P/1 - E essas mulheres plantavam o que? R - Para vender, havia vários produtos que não eram tão perecíveis. A mandioca, a batata doce, cenoura, enfim, tubérculos. P/1 - Mas isso vocês que orientavam, os agrônomos? R - É, os agrônomos orientavam. Começaram a produzir pequenos animais, melhorar o plantel de galinhas, enfim, ter mais fartura de alimentos. A questão do tratamento da água para o consumo, a área de saneamento, nós fomos trabalhando forte com elas. Tem muita história, muito longa, que eu não vou abusar da nossa conversa mas ai com isso vem um movimento forte com a igreja católica de resgatar a negritude, a questão afrodescendente que não tinha, eles tinham vergonha de serem negros e veio forte um movimento com várias contribuições, de vários setores, da luta contra a construção de barragens, porque o governo Quércia propunha construir quatro barragens no rio e os quilombos foram se unindo porque eles iam perder as terras deles se construíssem as barragens inicialmente previstas aqui próximas da cidade onde eles estão. E esse movimento de um lado puxando para o resgate da cultura e do outro lutando contra as barragens fez com que essas pessoas, essas comunidades, se tornassem hoje um exemplo de organização, não só do Vale do Ribeira, mas eles participam de eventos até internacionais, foram para a Suíça, um grupo de pessoas participar do movimento nacional, propondo matrizes energéticas menos impactantes ou limpas, eles estão bem linkados com os temas de barragens, ou porque não construir barragens e com propostas alternativas. Minha filha chama-se Julia por causa da Dona Julia, do quilombo São Pedro, foram eles que foram me dando um sentido muito forte de continuar nessa região apesar da gente abrir mão de muita coisa porque estamos longe, agora não, agora o que passa lá na paulista logo passa aqui no cinema, na questão do cinema não estamos mais longe mas claro que você fica mais longe de espetáculos de teatro, fica mais longe das oportunidades de cultura e de academia mas tem muita coisa que vale a pena e fui ficando. E aí meu namorado veio e nos casamos aqui. P/1 - Ele ficou aqui também? R - Ficou. O Ronaldo é mais novo do que eu, veio seis meses mais tarde e resolvemos, enfim, tínhamos começado a namorar lá, vimos que era legal continuarmos juntos e nos casamos aqui em Registro em 1988 e já nasceram dois filhos, a Julia, que agora estuda em Londrina, e o João Vitor, que está aqui. De vez em quando faz espetáculo nesta praça aqui porque adora rock. P/1 - Ele faz teatro? Ah, rock. R - Rock, gosta muito. É um cabra bom. P/1 - Que legal. R - Ele gosta muito, Eric Clapton é uma referência para ele, estuda guitarra e se dedica bastante e estuda também de forma geral, é um bom garoto e a Julia também, com certeza. P/1 - Mas você acabou se envolvendo, o pessoal do quilombo, na época nem quilombo, as comunidades rurais, te influenciaram afetivamente até, e como que foi que você foi saindo desse trabalho de assistente social, o que foi acontecendo, o que foi mudando? R - É, pois é, eu trabalhei com os quilombos, e com essa comunidades uns dois anos, um pouquinho menos que isso Karen, porque não era um vínculo fixo, não era funcionária pública portanto era possível a demissão e eu fui exonerada do cargo pela militância, não era nem pela militância política partidária, não tinha outra atuação naquela época aqui na região, mas por eu ser filiada ao partido dos trabalhadores, outras lideranças aqui da região descobriram a minha ficha de afiliação que eu nem tinha me atentado ainda para transferir porque eu estava fazendo aqui era, para mim o suficiente, eu já estava militando, eu já estava trabalhando no projeto que eu acredito de sociedade, nem me preocupei com ficha de afiliação, mas descobriram a minha afiliação lá em Londrina, e portanto o grupo Pmdb [Partido do Movimento Democrático Brasileiro] na época, início do governo Montoro, em 1986, acho que já era o governo Quércia, fizeram muita pressão política e eu fui exonerada desta equipe que chamava “Programa de Apoio a Agricultura Familiar” que eram sete equipes. E como eu já disse, entrei por um processo seletivo portanto não tinha vínculo com ninguém, não fui escolhida por ninguém, passei em uma seleção mas chegando aqui a gente foi se envolvendo. Participou de movimento com eles de luta pela terra, a gente participava da Abra, eu organizei o primeiro núcleo da Abra aqui, que é a Associação Brasileira de Reforma Agrária. A Abra naquela época tinha uma visão, uma projeção muito grande, quase não se tinha movimento sem terra, então a Abra era um grupo de pessoas, intelectuais, professores, militantes, pessoas que queriam que a terra fosse melhor dividida no país. A gente tinha um núcleo da Abra aqui em Registro. Portanto, resumindo, a intolerância política me exonerou e eu tive que sair da comunidade, teve uma resistência muito bonita, sou muito grata às comunidades, porque eles resistiram, fizeram abaixo assinado, chamaram outras lideranças que podiam reverter isso e eu consegui ser readmitida, foi muito legal, comemorei, mas por três meses, depois demitiram de novo e aí ninguém tinha mais fôlego para de novo fazer movimento e eu fui exonerada. E tinha duas opções: ir embora, eu não tinha intenção; gostei, queria ficar aqui já morando em Registro, como eu disse, e portanto bem nessa época surgiu a possibilidade de concurso público no governo do estado. Me parece que foi o último concurso público que o governo fez e eu passei e fui trabalhar na Unidade Básica de Saúde em Juquiá, continuei morando em Registro e trabalhei em Juquiá nessa Unidade Básica de Saúde. Vou resumir um pouco, porque a história da gente é sempre tão comprida. Com isso, tem um grupo de sanitaristas na área da saúde, a doutora Cecilia de La Torre, doutora Cristina Turasi, uma pessoa excepcional, que percebeu que eu poderia contribuir nos projetos rurais na área da saúde então mesmo estando na saúde continuei trabalhando um pouco com o rural, com os poços rurais, agente de comunidade de saúde rural e fomos desenvolvendo os outros projetos, inclusive de alimentação alternativa, de fitoterapia, com essas comunidades, o quilombo do Morro Seco e outras comunidades. E com isso, aqui em Registro é um pouco diferente de tudo que eu contei das comunidades tradicionais, Registro é uma outra realidade, a maior parte está no urbano, não existe essa questão das comunidades tradicionais, é o contrário, é outra cultura que dialoga fortemente conosco. A comunidade japonesa oriunda da imigração e da colonização, é uma região colonizada há 100 anos atrás, 2013 faremos 100 anos convivendo com essa outra realidade, você vai criando outras possibilidades e como na minha cidade de Registro poder contribuir com esse projeto de melhoria da nossa comunidade, enfim, de uma sociedade melhor, tive militância partidária, ajudei a formar muita associação de moradores, sindicatos, sindicatos de motorista. P/1 - Só um minutinho, vamos trocar. Bom, vamos retomar. R - Nós estávamos onde? Vamos ver. P/1 - Tinha essa coisa da comunidade japonesa. R - Isso! P/1 - E você estava ajudando a formar sindicatos aqui ___. R - É. P/1 - E tudo isso você tava fazendo enquanto você estava ___? R - Porque eu estava trabalhando, já era funcionária pública estadual na área da saúde, tinha meu trabalho, era coordenar os postos rurais do Vale do Ribeira, e enfim, outras demandas de formação, então, profissionalmente estava assegurada, podia continuar aqui e eu achava isso limitado. Fui ajudar esta cidade, essas pessoas a se organizaram, a gente acreditava muito e acredito, claro, nessa experiência, eu ajudei a formar associações, sindicatos, sindicatos de motoristas para enfrentar essa exploração que ainda é absurda com relação a carga horária, enfim, várias experiências com condição civil. E Ronaldo, meu marido, em 1996, 8 anos depois que nós moramos aqui, já militava no PT, ajudando a organizar o Partido dos Trabalhadores nesse período todo, depois que eu estava aqui. Ele foi candidato a prefeito em 1996, tinha muitos candidatos, quem entrou, entrou com uma diferença muito pequena e aí o PT já começou a ser mais respeitado aqui com a candidatura do Ronaldo né, que eram umas pessoas muito jovens antes e o Ronaldo tem esse perfil mais de homem sério, de certa forma até isso ajudou, além de que nós tínhamos um bom programa para a cidade e dialogamos também com as questões de comunicação legal, nossa música era legal, o que a gente podia fazer, e acho que o PT passou de 1996 para cá a ser visto pelo menos com mais seriedade na nossa comunidade e achei que continuava fazendo, educação de base, formar núcleo do PT nos bairros, trabalhar com formação, enfim, com cidadania, nunca pensei em ser candidata a nada, não era a minha, o meu perfil, é uma decisão muito grande que você tem que tomar porque a sua individualidade não existe mais, você perde a privacidade, eu não era afim disso de jeito nenhum, me incomodava muito aquilo que as pessoas falavam sobre mim, não topei de jeito nenhum, então acabou que em dois __. P/1 - Acabou que ele foi candidato, não ganhou? R - Não ganhou. P/1 - Por que passou para você a ideia de ser candidata? R - Pois é, foi que na próxima eleição ___. P/1 - Estava te falando, 2000 ___. R - Em 2000. Não tinha candidato. P/1 - Ele não queria mais se candidatar? R - Não. O Ronaldo é um grande estrategista, uma pessoa que ajuda a pensar legal nas coisas, mas nessa questão de votação, de público, tem que ter outro perfil e ele não se sentiu bem nisso, não se dispôs. É muito estranho dizer isso, mas em 2000 eu fui candidata porque precisava ser candidata, nós não tínhamos outra liderança e eu achava que nós precisávamos ter um candidato. _____ tinha sido um prefeito, de 1996 a 2000 que foi tido na cidade como um dos melhores prefeitos da história e ele fez um bom mandato mesmo mas eu não acreditava que nós poderíamos nos limitar a achar que Registro estava bem só porque tinha mais asfalto e que era uma cidade mais limpa. Hoje eu vejo o quanto isso é importante mesmo, é difícil você manter o asfalto e a cidade limpa, mas não pode ser só isso. Um município e uma região como a nossa, tem que ver assim, como que a minha contribuição como prefeito, vereador, deputado, como qualquer espaço público, como é que eu contribui para gerar oportunidade de trabalho para as pessoas, de renda, de inclusão, não pode ser só uma cidade bonitinha, limpa e organizada. Para que a gente possa sair desse patamar de cidade ou de região considerada ainda com uma estagnação econômica e é mesmo porque os jovens vão embora daqui, sem opção. Nós temos que interferir no desenvolvimento social, ou seja, desenvolver para as pessoas. Fui candidata em 2000 para dar esse recado, com muita humildade e tranquilidade, eu sei que isso é importante e que no meu governo não estou conseguindo fazer tão bem isso mas eu fico muito tranquila porque não basta só isso, a gente tem que investir em outras coisas e por isso que nós trouxemos o centro de distribuição do O Boticário pra cá. Porque? Empregou, resolveu o problema? Claro que não, mas criou oportunidade de eu conversar com muitas empresas hoje e dizer “olha, já tem uma empresa grande lá que dá oportunidade para as pessoas, que não impacta o meio ambiente”, que é essa área de logística que a gente quer apostar. Você pode ter empresas que já tão produzindo em outros lugares, no Sul por exemplo, mas que tem que mandar para o mercado consumidor de São Paulo. São Paulo não tem mais para onde crescer, você não pode chegar com um caminhão fora de hora, seja por causa da regulamentação, seja por causa da segurança. Então, você ter um centro de distribuição aqui, produz em lugares que for e a gente fala isso porque nós não queremos mesmo processamento de matéria prima para produto porque normalmente isso é muito impactante para o meio ambiente. É bom que a produção continue em outro lugar, mas que a distribuição seja daqui, que é a questão da logística e de transporte de mercadorias, então, o O Boticário abre hoje muitas portas, estou conversando com muitas empresas grandes que tem olhado com outro olhar para cá, porque tem alguém que tem uma marca forte que já está aqui, tem aquela coisa, “poxa, se tem empresa grande lá, pode ser que tenha negócio” e com a duplicação da BR isso tem sido. Em 2000 não tinha nada disso elaborado na cabeça, mas tinha aquela ideia de não dá só para falar de cidade bem organizada e fui candidata, depois de um prefeito que tinha sido considerado o melhor da história, falei: “Poxa, agora é tudo ou nada.” e era literalmente um banquinho na esquina de cada esquina da cidade chamando o prefeito para o debate porque eu queria conversar dessas coisas, remédio em posto de saúde, como que podia dizer que era uma grande administração se o povo não tinha medicamento. Você gasta para formar um profissional médico, nós pagamos as universidades federais para formar médico, você gasta para contratar médico, gasta para construir o posto de saúde, chega a pessoa lá com a receita e vai embora com a receita debaixo do braço, enfim, e não dava para dizer que podia, enfim, essa era a ideia. Remédio no posto, oportunidade de emprego para as pessoas, trabalhar com o social como é chamado e eu tinha acho que 13 partidos coligados com o meu adversário que estava indo para a reeleição e nós, com o PT e mais o PSDB, PCdoB [Partido Comunista do Brasil] e foi, mesmo assim fiz 17% dos votos, fiquei muito feliz porque até então o PT só tinha feito 8% com o Ronaldo, fizemos uma campanha legal. P/1 - Você foi candidata em 2000 e depois você foi candidata em ___. R - Em 2002 fui candidata a deputada pelo Vale, , é uma das regiões com mais regiões que eu conheço, não existe um município, existe a região do Vale do Ribeira. Essa questão de já ter colocado o pé na vida pública como candidata ___. P/1 - Você foi ___. *R - Eu não acredito em candidato por região, não acho que esta ideia do voto distrital seja ___, a não ser que seja misto, mas não acho que cada região tem que ter o seu deputado, assim como não acho que cada baia tem que ser o seu vereador. Mas o Vale do Ribeira pela particularidade, eu topei fazer esse debate, o Vale do Ribeira precisa de um deputado. Porque vinham sempre os deputados de fora, cada um tinha alguns votos daqui e depois o compromisso era muito pequeno. E acho que abrimos um grande debate na região sobre isso. Todos os candidatos que me antecederam, ou seja, já tiveram candidatos antes de mim tinham tido 9.000, 10.000 votos e eu fiz 25.000 votos, isso deu um “opa, acho que o Vale tem possibilidade de eleger alguém”, esses 25.000 votos acho que levou as pessoas porque eu não tinha apoio de nenhum prefeito, não tinha apoio de nenhum vereador, era um movimento, eram as pessoas com as quais a gente dialogava no nosso segmento, dos trabalhadores, dos grupos organizados que nós dialogamos. Eu gostei da experiência e viajei de canto a canto, e o Vale tem uma diversidade muito legal, tomara que vocês queiram fazer mais entrevistas porque um dia eu estava em cima de um cavalo fazendo campanha em Barra do Turvo que é o rural com montanha. Outro dia eu estava em uma canoa indo lá para o Marujá, com o seu Ezequiel porque é pescador, outro dia eu estava na periferia de Registro que é uma periferia igual São Paulo ou qualquer outro lugar sabe? O Vale do Ribeira é essa diversidade. Em 2004 fui candidata a prefeita de novo, eu já tinha estado no ministério, o presidente Lula, o grupo me convidou para ajudar no ministério da saúde, trabalhei um ano com Gastão Vagner, de Campinas, um grupo que estava no ministério da saúde. Implantamos dois projetos bem legais, que é a Saúde no Campo, que as prefeituras tem um dinheiro a mais para onde tem assentado, quilombola e indígena, e implantamos, na época que eu estava lá, não implantei, eu participei do grupo porque levou muito tempo para ser implantado as práticas alternativas no SUS [Sistema Único de Saúde]. Porque os grupos, as corporações, são muito contrárias a você implantar a homeopatia, acupuntura, mas hoje a gente já tem acupuntura no SUS inclusive aqui em Registro, nós já temos médicos acupunturistas mas, as organizações, CRM [Conselho Regional de Medicina] associações todas de profissionais na área foram muito contrários. Fiquei um ano em Brasília, em meados de 2004 foram as eleições e eu fui convidada a participar mais uma vez e participei pela segunda vez como candidata a prefeita. Contribuí, tinha sido contaminada mesmo, acho que vale a pena a gente ser prefeito, acho que dá pra mudar muita coisa, e vim para ser candidata. Perdi por 3% dos votos, é muito pouco, perder por pouco é a pior coisa que tem. P/1 - Aí você foi lá, então vou voltar. R - Voltar. Você perder por muito, resolve, mas por pouco, você fica naquele compromisso, “poxa, metade, era só dois candidatos”, metade da cidade votou em mim, eram só dois mesmo, não sei se eu cometi algum engano, mas eu acho que sim. Não, eram três, desculpa! Já eram três. Mas é, tinha feito quarenta e acho que 43% dos votos, posso ter errado no percentual mas eu sei que perdi por 3% dos votos, não me lembro agora o percentual exato. Não teve jeito. Mas, eu continuei aqui, já tinha voltado do Ministério, continuei aqui trabalhando na secretaria do Estado, como eu estou até hoje, funcionária pública. E fui candidata de novo em 2008. P/1 - E ai ? R - Ganhei e aqui estou. P/1 - Agora você já é prefeita há dois anos, né? R - Dois anos. P/1 - A sua visão dos desafios, das coisas a fazer, mudou ? R - Mudou a compreensão do grau de dificuldade para fazer algumas coisas, eu imaginava que para fazer o trivial era mais fácil. O trivial é você manter a cidade com o pavimento em ordem e limpa, isso é o trivial, isso qualquer cidade tem que ter. E isso é incrivelmente difícil, porque é muito caro o pavimento, você conseguir dinheiro para o asfalto é muito caro. E você pode fazer um monte de coisa, pode fazer um projeto, pegar o tradicional, um hospital de primeira linha na sua cidade, mas se você sai de casa e cai o seu carro cai em um buraco, você vai xingar o prefeito porque tem um buraco na frente da sua casa, sabe? E eu estou percebendo isso, percebi isso rápido, mas a solução para isso não está com recurso próprio , depende de conseguir recurso do governo, do estado e do governo federal. O governo do estado tem nos ajudado muito pouco pela questão partidária, isso é evidente, basta ver os convênios dos governos passados e o meu e o governo federal tem nos ajudado muito. Eu tenho certeza que esse desafio do trivial, eu vou vencer, porque os recursos estão chegando e nós vamos asfaltar, recapear, enfim, e a cidade no ponto de vista da limpeza urbana, já bem mais em ordem. Mas isso é o trivial, agora eu tô muito motivada com os desafios que nós nos propusemos e a gente tá conseguindo, isto não é por mérito pessoal e por isso que eu falo com tranquilidade a gente, pessoas, administração, gente de fora ajudando, é o que cria oportunidades de trabalho como eu falava para você. Criar condição para o jovem não precisar sair daqui, criar condições de que a gente se desenvolva. A gente está com escola técnica federal, que vai ser inaugurada agora em agosto, isso dá um prazer danado porque escola técnica federal será, daqui dois anos no máximo, uma escola tecnológica, ou seja, será graduação, será oportunidade de você ter uma escola federal, uma universidade federal aqui, mesmo com o técnico, com cinco cursos, já agora o vestibular em agosto, então, trouxemos escola técnica federal, fizemos um debate pesado com a Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], porque o sistema S, o Sesi, Senai, não tinha nada aqui, fiquei esses dois anos dizendo que eles tinham obrigações com o Vale do Ribeira e conseguimos fazer essa conversa com o Paulo Skaff, que é o presidente atual, e já agora vai ser começado a construir o Sesi e o Senai, uma escola do Sesi, período integral, aquela qualidade de escola bem legal que eu acho que vai nos ajudar muito, mas o Senai por ser esse curso profissionalizante e também o Senac [Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial]. O Senac vai receber terreno público, vai conceder muitas bolsas dos cursos do Senac gratuitos. Ter três escolas do sistema S e o instituto federal, criamos o polo de educação em Registro. Um polo de educação para hora que eu vou conversar com qualquer empresa, isso é a grande fortaleza que eu posso dizer, O Boticário veio porque eu tinha duas coisas, levei o contrato, aliás já tinha até começado a duplicação da BR, eu falei vai começar a duplicar a BR e levei o projeto do instituto federal que já estava aprovado, estava na fase de licenciamento ambiental, então O Boticário veio sabendo que terá gente para formar, terá escolas para formar mão de obra, para esse tipo de empresa. Uma empresa que na grande São Paulo, significa uma sinalização de oportunidades, agricultura é forte, é importante, a banana é cultura, mas nós temos que diversificar, porque hoje, 90% da população está aqui na cidade. Como que eu vou querer que o jovem saia daqui para trabalhar com a banana no sítio, já veio pra cá, já faltou política pública lá atrás agrícola que permitisse o fortalecimento da agricultura, já estão aqui, tem que ter oportunidade aqui para as pessoas, a questão da educação. O terceiro curso da Unesp [ Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita] também está para vir, essas escolas estão todas espacialmente uma do lado da outra. A Unesp fica próxima a BR, do lado da Unesp fica o instituto federal, o Sesi e o Senai, o terreno que nós doamos para eles, vão ficar quatro grandes escolas. As pessoas estão na cidade e eu não posso ser prefeita e me conformar, dormir direito, com as pessoas morando em papelão, a casa caindo, as condições que são comuns a qualquer cidade, mas aqui eu quero muito terminar o meu mandato com as pessoas morando bem, isso me dá muita alegria. É difícil você ir e ver como as pessoas moram na cidade que você governa, é uma coisa absurda. Uma garota veio de São Paulo dois anos atrás, quatro filhos, uma mãe cega, me levou a foto, eu falei “não, eu vou lá na sua casa”, catei o carro lá na prefeitura, fui junto. Não tem condição. Qualquer animal mora melhor que aquilo. O que a gente fez, aluguel social, não por causa desse caso, porque existem vários outros casos iguais. Aprovamos uma situação onde quando chega a isso eu posso garantir seis meses de aluguel para a pessoa até a gente organizar uma outra alternativa, e a alternativa que nós estamos apostando são as políticas públicas, construir 280 casas. Você vai ver assim, 700 famílias vão sair dessa condição sub-humana e vão morar na sua casa. Isso não é fácil, porque você pensa assim “ah, é só a prefeita ligar lá e traz o projeto”, não é. Dá uma trabalheira, tem que convencer a empresa a vim construir, a empresa quer terreno e o terreno você não pode dar porque se a prefeitura for comprar terreno, não tem recurso para isso, é convencer mesmo. Chegamos nessas casas e elas estavam paradas há dois anos, todas abandonadas lá, o povo morando ____. Vocês viram a gente na globo, nas épocas de enchente, no Vale do Ribeira e as casas abandonadas, o projeto de concessão parado, brigamos muito, e conseguimos retomar, a construção das casas. Vamos buscar mais casas ainda, porque o Ibge [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] mostrou que de 2000 a 2010, 10 anos a gente perdeu 4.000 pessoas do rural, 1.000 pessoas estão na cidade, se 1.000 pessoas estão na cidade então a gente precisa de no mínimo 1.000 casas novas, dentro desse universo. Mas já tem muita gente que mora ao longo dos rios, naquelas políticas populistas de antigamente, deixa ocupar, não tira, estão morando do lado do rio e o rio enche ___. P/1 - Enche ___? R - É. Outro projeto bem legal que a gente está fazendo para ajudar a melhorar a vida das pessoas é canalizar um dos rios, o rio Ribeira, mas um córrego que deságua no Ribeira que é um problema para pelo menos 200 famílias, nós vamos canalizá-lo, já começou a obra inclusive, já está em andamento, e isso vai deixar muita gente com condição de dormir quando chove, porque quando começa a chover, já sabe que vai ter que botar o colchão nas costas e procurar uma escola para ficar. Mas são desafios, você quer fazer um bocado de coisa na sua cidade. Achei muito legal quando há pouco você comentou que só no Acre você viu uma praça como essa que tem internet livre, quero falar das coisas que eles respeitam, das pessoas mais simples que precisam de governo, mas quero também que a nossa cidade esteja “linkado” com o moderno, colocar internet livre aqui, nós estamos com um projeto mais arrojado na cidade digital para deixar outros pontos e bairros da periferia, centrais, enfim, pontuar, mapear alguns lugares que vai ter internet livre. P/1 - Pensando agora que você está no meio da sua gestão, qual é o seu maior sonho? R - Conseguir terminar o que eu comecei. P/1 - Tá bom. R - Nossa, é pouco tempo. E tem muita coisa começada, sabe? Conseguir fazer casa, conseguir terminar as creches e escolas e postos de saúde que nós começamos e uma coisa que não é prédio, é ver as crianças saindo pelo menos da quarta série onde eu tenho governabilidade, sabendo ler e escrever. Esse problema não é só do governo do estado, está também nas municipais. E é duro porque os prefeitos, eu acho que são muito mal organizados e não sobra dinheiro, ele sofre sozinho e todo mundo fala “ah, o prefeito fala que não tem dinheiro é porque não tem mesmo”, mas, estamos começando a organizar uma revolução dos prefeitos. Pelo seguinte, vou falar mais objetivamente, quando você tem uma rede estadual e uma rede municipal, os prefeitos em sua grande maioria são obrigados a comprar merenda escolar para os alunos do estado. Obrigados entre aspas, mas tem que assinar um convênio, se não assinar, cai facilmente na fatura do prefeito, “ah, a prefeita não dá mais alimentação, merenda escolar, para o pessoal do estado”. Apesar de ser um convênio, ou seja, eu posso não assinar, as condições não são fáceis se não assinar. Significa o que para mim, objetivamente? De 1,10 reais que eu gasto por aluno por dia e aí é merendeira que eu tenho que dar pro estado, é o alimento em si, botijão de gás, somando tudo isso dá 1,10 reais. O estado me passa menos de 0,20 centavos, então, eu tenho que pagar os municípios aqui, qualquer outra cidade tem que pagar para o estado para alimentar os alunos. É o estado de São Paulo, que tem orçamento para isso, que deve assumir a sua responsabilidade, transporte escolar a mesma coisa, transporte escolar custa x, e eles me pagam hoje por volta de 48% mais ou menos, para transportar os alunos do estado, são duas faturas que mais gastam na educação, e que às vezes por ter que pagar isso, eu não consegui comprar o uniforme para as crianças naquele ano, sabe? Há de se repensar a cota que o governo do estado passa para os municípios, que é muito absurdo, hoje é moda aqui no estado de São Paulo, as escolas técnicas estaduais, só que o município tem que dar o prédio, tem que colocar todos os funcionários lá dentro menos os professores, vigia, auxiliar de serviços gerais, o escriturário, tudo, pagar água, pagar luz, pagamos toda a conta da Unesp também, com exceção dos professores, toda a conta eu falo assim, vigilância, serviços gerais, água, luz, isso pesa muito para a gente. Assim que assumi a prefeitura, isso tudo tem do governo federal, dois órgãos, o Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária], é bem pequenininho, é um funcionário só, somamos tudo isso, deu 1.700.000 reais, o que consegui de recurso do governo do estado, brigando muito, uma emenda aqui e outra lá, ao final de contas eles me deram dois e trezentos e eu gastei 1.700.000 reais, a fatura quase que empatou, entendeu? Não é pouquinha coisa, isso eu estou falando de problemas de prefeita. Me desculpa, mas é porque isso faz parte ___. P/1 - É o que está na sua cabeça. R - Desculpa. Me impede de deixar uma praça bem cuidada ou qualquer outra coisa. Mas eu tenho muito prazer de ser prefeita, porque a hora de assinar um cheque que tem a ver com mudar a vida das pessoas, uma outra coisa bem legal que está acontecendo é todos os prefeitos, de cidade grande, tem que comprar do agricultor familiar um percentual para merenda escolar, isso está dando uma qualidade para a merenda bárbara, está vindo alimento bem fresco, mais saudável e está permitindo fortalecer economicamente o agricultor familiar. Lembrei agora de Várzea Paulista, é uma cidade perto de Jundiaí, que não tem um alqueire de terra sequer, então, tem que comprar de outros lugares, Osasco, São Paulo, enfim, isso está fortalecendo não só o seu prefeito, mas os agricultores estão podendo vender para outros lugares, isso é bem legal, trabalhando, dando oportunidade para os idosos estudarem. Nós aparecemos nas estatísticas com população adulta analfabeta muito alta e nós abrimos quatorze núcleos do Brasil alfabetizado, as diferentes faixas etárias que não tiveram oportunidade de estudar, estão estudando, isso dá um super prazer também. P/1 - Bom____. R - Com sei lá quantos anos morando aqui, não posso deixar de terminar esse papo sem dizer do carinho que tenho pela colônia japonesa hoje, porque eu falei muito das comunidades tradicionais, a (colônia Istaki?), traz uma contribuição muito importante. Ontem, encontrei um garçom afrodescentende falando japonês. Como eu tenho a nossa orquestra de viola caipira daqui, com o doutor Alceu que é um médico, japonês, tocando viola caipira, essa integração é muito legal e é isso que acontece na cidade de Registro. Tanto os japoneses abriram mão da sua cultura para conviver com a população local, os caiçaras. A população daqui também soube interagir e eles trazem uma contribuição muito legal para a nossa, para a história da nossa cidade. P/1 - Tá bom. Muito obrigada, Sandra. ------------- Fim da Entrevista------------
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