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RELATOS DA VIDA DE SELMA DE MORAES PRADO

História de: SELMA DE MORAES PRADO
Autor: EDITE MARQUES BERNARDELLI
Publicado em: 21/11/2012

Sinopse

DONA SELMA CONTOU QUE NASCEU NA CIDADE DE CRUZ ALTA NO RIO GRANDE DO SUL,VEIO DE UMA FAMILIA RELIGIOSA, FOI A SEXTA FILHA, CAÇULA, SEU PAI ERA SEVERO, MAS DONA SELMA COM SUA DOÇURA CONSEGUIA DOBRA-LO. A ESCOLHA DE SEU NOME NÃO TEVE UMA HISTÓRIA OU UMA ORIGEM, A SUA MÃE GOSTOU E FICOU SENDO SELMA. A CASA ONDE NASCEU ERA MODESTA E DE MADEIRA, TINHA UM QUINTAL GRANDE E UMA ENORME ÁRVORE ONDE ELA E SUAS IRMÃS BRINCAVAM DE CASINHAS E DE BONECAS, O BRIQUEDO QUE MAIS GOSTAVA ERA O DIABOLO, PARECIDO COM BILBOQUE. ELA ESTUDOU EM UMA ESCOLA PUBLICA, O ESTUDO ERA BEM RIGIDO, O RESPEITO ERA PRIMORDIAL, TAMBÉM TINHAM OS FAMOSOS APELIDOS, MAS NÃO ERAM LEVADO A SÉRIO, ERAM IGNORADOS. DONA SELMA TINHA UMA AMIGA PREFERIDA, CRESCERAM JUNTAS ATÉ A JUVENTUDE, DEPOIS ELA FICOU SABENDO QUE SUA AMIGA SE CASOU COM SEU PRIMO. NA SUA JUVENTUDE NÃO FOI NAMORADEIRA, MAS PASSEADEIRA, GOSTAVA DAS FESTAS DA IGREJA E DOS BAILES, AOS 17 ANOS VEIO MORAR NO PARANÁ, COM SUA IRMÃ MAIS VELHA E CUIDAR DE SEUS 4 SOBRINHOS, CONHECEU SEU SEBASTIÃO COM QUEM NAMOROU E CASOU. TRABALHOU DEPOIS DE CASADA, LECIONOU EM UMA ESCOLA COM SALA MULTISERIADA, FOI UMA EXPERIENCIA DE MUITO VALOR, MAS ESCOLHEU FICAR EM CASA E CUIDAR DE SUAS FILHAS. MOROU EM VÁRIAS CIDADES E CONHECEU MUITAS PESSOAS, HOJE É VÓ E BISAVÓ E, TAMBÉM VIÚVA, ADORA ARTESANATOS. CONTA QUE DA SUA HISTÓRIA DE VIDA O QUE LEMBRA COM SAUDADES É DE SEU ETERNO AMADO, O ESPOSO, QUE A FEZ MUITO FELIZ, É UMA SENHORA MUITO FELIZ E REALIZADA.

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História completa

RELATOS DA VIDA DE SELMA MORAES PRADO SUA INFÂNCIA EM CRUZ ALTA Na cidade de Cruza Alta, no Rio Grande do Sul, a família Pires de Moraes espera pelo nascimento de uma criança. Seu pai um homem severo, rígido e trabalhador, aguardava ansioso por um menino, pois sua família era só de mulheres. Nasceu de parto normal, Selma a sexta filha do casal em uma simples e modesta casa de madeira. Conta que sua irmã abaixo dela ficou com ciúmes e dizia que iria matar aquele gato... O gato era dona Selma pequenina e chorona. Cresceram e foram grandes amigas. Em seis irmãs, morreram duas e ficaram quatro. Dona Selma tinha um carisma grande pelo pai e ele por ela, com isso ela conseguia tudo o que queria e suas irmãs ao contrário morriam de medo do pai. Seu pai gostava muito de plantas, no quintal de sua casa era cheio de folhagem. Quem cuidava era seu pai. Um dia viajou a trabalho na construção de uma ferrovia e pediu que sua filha mais velha tomasse conta delas, havia formigas cortadeiras pelo quintal. Sua irmã noiva estava com a cabeça longe, só pensando no casamento, acabou esquecendo-se de passar o veneno, as formigas devoraram as plantas. Retornando da viagem seu pai ficou muito bravo. Lembra que sua irmã não gostou das bravuras de seu pai, tirou sua aliança e reclamou que mesmo noiva seu pai ainda queria mandar nela. Dona Selma era muito pequena, mas ainda lembra-se das palavras de seu pai e de sua irmã. O seu nome, não teve uma história ou origem, naquela época não tinha muitos nomes para escolher, sua mãe gostou e colocou Selma, de batismo Selma Catarina, n o registro Selma de morais pires e de casada Selma de Moraes prado. Na casa que morava tinha um enorme quintal e uma imensa árvore onde ela e suas irmãs subiam para construir casinhas e brincarem de bonecas. Também gostavam de brincar de amarelinha e de pular corda. Mas tinha um brinquedo que ela adorava chamado diabolo, parecido com o bilboquê. Veio morar do lado de sua casa, na mesma rua uma menina, magra e frágil, muito parecida com dona Selma. Tornaram-se grandes amigas, era como se fossem irmãs, faziam tudo juntas; iam para a escola, missa e passeavam também eram unidas tinham os mesmos gostos. O tempo passou e elas acabaram separando-se. Seguiram suas vidas. Hoje conta que sua amiga está viva e casou-se com seu primo. Ficou feliz em saber que sua grande amiga faz parte de sua família. Na época que foi para a escola, que era bem diferente das de hoje, foi para a primeira série e fez a primeira comunhão. O ensino era muito rigoroso, o respeito era primordial, ia-se para a escola para aprender, adquirir conhecimento, educação tinha que vir de casa. Os uniformes das meninas eram com saias quatro dedos abaixo dos joelhos, a blusa tinha gola alta e mangas compridas, tinham que usar: calor ou frio. O calção para educação física era com elástico na cintura e nos joelhos. Também estudou no colégio de freiras onde conclui o 2º grau. Nas escolas que estudou também tinham os famosos apelidos, a palavra bullying não existia, as crianças colocavam os nomes como: magrela, cabeluda, gorda. Ela por ter longos cabelos sofria com os apelidos que não gostava, mas eram ignorados dentro da escola. Em casa comentava com seus pais, e sua mãe com todo o carinho e paciência trançava seus cabelos com lindas e longas tranças, acalmando seu coração. VOCÊ CONHECE A CIDADE DE CRUZ ALTA? CRUZ ALTA É UM MUNÍCIPIO DO ESTADO RIO GRANDE DO SUL, COM UMA POPULAÇÃO DE 62.767 HABITANTES, OCUPA A 31ª POSIÇÃO DE CIDADE POPULOSA NO ESTADO. SUA ÁREA É DE 1.360,4 KM, A DENSIDADE DEMGRÁFICA 46,01 HAB/KM. TEM UM IMPORTANTE TRONCO RODO FERROVIÁRIO NA REGIÃO CENTRO NORTE DO ESTADO. O ACESSO À CIDADE SE DÁ PELA BR-158, NO EIXO NORTE-SUL, PELA BR 377, À LESTE, E TAMBÉM PELA RS 342, À OESTE. A LOCALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO CRUZ ALTA SITUA-SE EM UMA REGIÃO DENOMINADA PLANALTO MÉDIO, 452 METROS ACIMA DO NÍVEL DO MAR, COM CLIMA AMENO. CRUZ ALTA SE DESTACA COMO UM DOS PRINCIPAIS MUNICÍPIOS DO RIO GRANDE DO SUL. SEUS PRIMEIROS DESAFIOS Sua cidade natal é grande, bonita e histórica. Os moradores são religiosos e no centro da cidade tem um monumento de Nossa Senhora de Fátima com 31 metros de altura, a cidade tem um pólo do Exército e é reconhecida pela Força Aérea Brasileira, com “Terra dos Brigadeiros”. É conhecida como Cidade do Guarani, dos Tropeiros e de Érico Veríssimo, enfim sua terra tem muito que contar, sentiu saudades da sua infância em Cruz Alta. Sua diversão na infância era brincar e na juventude era dançar e passear. Sempre que saiam eram acompanhadas pelos pais, tios ou amigos de confiança da família. As festas que aconteciam na igreja eram animadas e tinha muita gente por ser uma cidade turística, as quermesses, os bailes eram tudo muito divertido e animado. Na época ela não tinha namorado e sim muitos paqueras. O inverno em Cruz Alta era muito frio, com geadas durante quase todo o inverno, mas não atrapalhava seus passeios, festas e bailes. Aos domingos pela manhã bem cedo tinha missa, era sagrado. Acordar para ir à escola, o frio não atrapalhava e nem as chuvas, tinha que levantar e ir, se podia sair para passear, ir ao baile, para fazer as outras tarefas também podia e tinha que fazer muito bem feito os afazeres de casa e da escola. Fez um curso de enfermagem no SENAC na sua cidade, não gostou e desistiu. Aos 17 anos saiu de sua cidade e foi morar no Paraná na cidade de Bonsucesso, bem diferente de cruz alta, era uma cidade pequena de costumes diferente principalmente o modo de falar. Foi morar com sua irmã edite a mais velha, era casada e tinha quatro filhos ainda pequenos. Foi nesta cidade que conheceu Sebastião, seu primeiro namorado, teve seu primeiro emprego no cartório de seu cunhado com quem tinha boa afinidade. Aprendeu muito com seu cunhado e ganhou muitas experiências. Sabia que tinha muito que aprender e um caminho ainda maior para ser percorrido. O QUE É O DIABOLÔ? ESTE JOGO DE MALABAR FOI INVENTADO NA CHINA DURANTE A DINÁSTIA. BATIZADA COMO KOUEN-GENE, QUE SIGNIFICA: FAZER ASSOBIAR O TRONCO OCO DE BAMBU. O DIABOLÔ CHEGOU NA EUROPA PELAS MÃOS DOS JESUÍTAS NO FIM DO SÉCULO XVII. TANTO FOI SEU SUCESSO NA INGLATERRA E FRANÇA QUE, A PARTIR DE 1810, SE CRIARAM CLUBES E COMPETIÇÕES ENTRE A ALTA SOCIEDADE. NA INGLATERRA DERAM-LHE O NOME DIABALLO ( O QUAL SE CONVERTEU EM DIABOLÔ COMO O SABEMOS).SUA PRÁTICA DIMINUIU APÓS A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL, MAS A PARTIR DOS ANOS 80 COMEÇOU APARECER DE NOVO O BRINQUEDO EM DIVERSOS TIPOS DE MATERIAIS E VARIADAS. MOMENTOS DE ALEGRIA, TRISTEZA E TRANSFORMAÇÃO Aos 23 anos casou-se com Sebastião, na cidade de Mandaguari. Um casamento lindo, alegres, com os familiares todos reunidos. O seu vestido branco longo, seu véu curto tudo muito simples e feliz, tem tudo guardado até hoje. O álbum de casamento, um momento de felicidade que quando sente saudades é ali, através das fotos, que volta ao passado e recorda as lembranças que foram boas. Casada continuou trabalhando. Seu esposo tinha um comércio no sítio e ela passou a trabalhar como professora que era a sua formação foi numa escola com sala multisseriada, com crianças das quatro séries do ensino fundamental ao mesmo tempo, que adquiriu uma experiência de grande valor, aprendendo a lidar, conviver e ensinar crianças de diferentes idades, tamanhos e personalidades. Adorou ensinar as crianças, mas o senhor Sebastião viajava muito e ela escolheu acompanhá-lo e cuidar de suas filhas que nasceram em Paranavaí. Morou também no estado de Minas Gerais, na cidade chamada Tombus. Foram tantos os lugares que viveram que lembra com saudades, dos vários amigos deixados pelos caminhos que passaram. Quando retornou a Cruz Alta para visitar sua família, já com suas filhas, sua mãe havia falecido, foi um momento de alegria e tristeza, pois um tempo antes quando recebeu a noticia, de sua morte através de um telegrama (poucos possuíam telefone), estava grávida de sete meses de sua primeira filha Tânia e, devido a distancia não pode retornar antes. Nas idas e vindas, suas filhas cresceram juntas curtindo a vida e, como dona Selma gostava de passear, Sandra e Tânia herdaram da mãe a alegria de juntas saírem para bailes e festas. Sandra sua filha mais nova casou-se e lhe deu dois netos. Com o passar dos anos sua vida foi mudando, entre alegrias, dores e saudades. SUA VIDA COM SUAS EXPERIÊNCIAS SÃO LIÇÃO DE VIDA Hoje dona Selma mora no litoral paranaense, no balneário de Ipanema em Pontal do Paraná, com suas filhas e netos. É viúva, sua filha mais nova divorciada e dona Selma tem um bisneto, com que adora brincar de jogar bola no quintal. Seus netos torcem por times diferentes e ela para não magoar nenhum dos dois, torce para São Paulo e Palmeiras e, juntos fazem a festa dos dois times. É muito carismática, adora lidar com seus animais de estimação: dois cachorros e uma calopsita. Sua casa tem uma varanda onde tem espaço para as redes e também para guardar os carros. No fundo do quintal, fica a casa de uma de suas filhas. Gosta de lidar com plantas e, tem um pequeno jardim, sua casa é acolhedora, gosta de receber os amigos e fazer uma comida bem caseira, não tem pratos de preferência, gostando de variar, para dona Selma, cozinhar não é só para si, mas para toda a família e amigos, sempre que pode o churrasco é bem vindo. Gosta de comer uma boa pizza, na pizzaria Bohemios em Ipanema. EI, VAMOS FUXICAR? A HISTÓRIA O FUXICO VEIO DAS NOSSAS RAÍZES AFRO DESCENDENTES NOS SEUS APOSENTOS USAVAM AS SOBRAS DE TECIDOS DAS SUAS PATROAS PARA ENFEITAR SUAS ROUPAS DE FESTA. NO BRASIL RECEBEU ESTE NOME, PORQUE ERA FEITO POR GRUPOS DE MULHERES, QUE SE REUNIAM NAS HORAS VAGAS, PARA CONFECCIONAR COM AS SOBRAS DE TECIDO, TOALHAS, COLCHAS E O QUE MAIS A IMAGINAÇÃO CRIASSE. O NOME FUXICO (FOFOCA) TRABALHAVAM, TAMBÉM FALAVAM... O FUXICO É FEITO PRINCIPALMENTE NAS CIDADES PEQUENAS, NENHUM PAÍS PRODUZ COMO O BRASIL. TALVEZ PELO JEITO CRIATIVO E HABILIDOSO PARA O ARTESANATO. Outra atividade que participou em 2008 foi trabalhar no contra turno das escolas municipais, com uma tarefa grandiosa: o artesanato. Trabalhou com crianças de sete a onze anos e, conseguiu com que elas aprendessem o fuxico, um tipo de artesanato, com retalhos de tecido, agulha, linha e muita paciência. Hoje continua fazendo cursos para se aperfeiçoar e seus artesanatos para tirar um troco. Em sua história de vida o que mais marcou dona Selma, foi seu casamento co senhor Sebastião, com quem teve uma experiência de amor, companheirismo e uma lição de vida. Dona Selma é uma senhorinha realizada e agradecida a deus pela história de vida que teve... Ah! E que ainda terá...
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