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História

A gente tem tudo na mão

História de: Rafael José Ravielo Camarinho
Autor:
Publicado em: 25/05/2021

Sinopse

Rafael José Rovielo Camarinho recorda a infância em Limeira em que vivia próximo a família materna, rememora a casa grande e as brincadeiras de rua, lembra da avó que foi a primeira pessoa que lhe deu um livro. Ele conta das mudanças de cidade, devido ao cargo de gerência que o pai exercia no Banco Real. Lembra dos acampamentos em família, onde teve contato com um derramamento de petróleo que o deixou perplexo, e que essa perplexidade de fato o ajudou a escolher sua profissão futura, de engenheiro ambiental. Rafael também discorre sobre as faculdades e a sua carreira profissional que iniciou no Horto Florestal de Rio Claro, passando, entre outras empresas, por Danone, Hub Incríveis até o Triciclo. Por fim, ele percorre um pouco sobre o namoro e casamento até a experiência de paternidade. 


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História completa

Lembro da casa. Era perto da casa da minha avó, com sala grande sofás de concreto, sabe, que são embutidos na parede, com almofadas em cima. Tinha um quintal gigante, que tinha piscina, tinha um cachorro, tinha um jardim na frente da casa,Típica casa do interior.Tem um Natal que meu tio Sidnei, que é irmão da minha mãe, ajudou a organizar e ajudou minha mãe a escolher vários brinquedos do Comandos em Ação, que na época eu adorava. Eu nunca vou esquecer a árvore de Natal montada, com um monte de caixa gigante, pra mim e pros meus primos. E foi na casa da minha avó esse Natal. Então, tem várias, mas essa é uma das que eu mais me recordo, assim. Meu tio trabalhava no Correio, então os embrulhos ele usava uma fita que era típica do Correio na época, que ele pegava de sobra, que eu nunca vou esquecer de mim soltando essas fitas. 

Então, eu nasci em Limeira, estudei em Piracicaba acho que de 1988 a 1992; aí, 1992, de Piracicaba a gente foi pra Botucatu, que eu fiquei até 1996; aí, 1996, fui pra Rio Claro e aí, em Rio Claro, a gente acabou ficando como família; depois meu pai foi transferido ainda pra Piracicaba, mas a gente acabou se estabelecendo em Rio Claro, porque Piracicaba era muito perto, ele ia e voltava todo dia. Acho que a maior mudança foi quando eu saí de Piracicaba, pra Botucatu, mesmo.

Eu sempre quis trabalhar com... vou dizer assim, não vou dizer meio ambiente, mas com ciências naturais. Minha mãe sempre foi muito ligada ao meio ambiente. Então, desde muito pequeno a gente ia, duas, três vezes por ano acampar em Ubatuba, e um dos momentos mais chocantes, pra mim, foi numa dessas viagens programadas, tinha havido um derramamento de petróleo em São Sebastião e a maioria das praias que a gente gostava de ir,estavam todas impróprias e eu não entendia, Então, foi mais ou menos nesse começo de infância, adolescência, que eu comecei a me relacionar e ter essa vontade de trabalhar com ciências naturais. Nunca pensei que eu fosse chegar hoje num nível de trabalho dentro das ciências do Meio Ambiente, mas relacionado a um aspecto tão técnico e específico, que é a logística reversa de embalagens.

Eu saí da Unicamp e fui pra Unesp, pra ampliar… E aí eu fui pra Engenharia Ambiental em Rio Claro, dentro do Instituto Geociências e aí que eu me reencontrei realmente, quando eu comecei a olhar pra Geociências como um todo: ciências do solo, da água, do ar e foi aí que eu comecei a me enxergar mais profissionalmente atuando na área. Eu passei no concurso, pra fazer um estágio no Instituto Florestal e acabaram me deslocando pro Horto Florestal de Rio Claro, que também foi uma fase maravilhosa da minha vida, fiz o estágio lá de quase dois anos, no Instituto Florestal, depois fui trabalhar como assessor dentro do Departamento de Manejo Florestal,

O primeiro projeto acho que mais importante foi um contrato pra gestão conjunta da unidade de conservação. Então, o Horto Florestal de Rio Claro é uma unidade de conservação de uso sustentável, é hoje classificada como uma floresta estadual, o nome oficial dela é Feena, Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade. Ali, dentro desse contexto, nós tínhamos como objetivo trazer a população de Rio Claro pra, de volta, visitar a floresta, é uma área de conservação com uma área de uso público enorme pra atividades recreativas.

Eu fiquei nesse trabalho até agosto de 2012. em agosto de 2012 eu fui contratado pela Danone, pra ser engenheiro ambiental da Divisão de Águas. A Divisão de Águas no Brasil tinha o produto mais famoso, a Bonafont, a água. Então, a gente traçou todo esse plano de logística reversa olhando pro produto, pra benchmarking e olhando pras nossas embalagens.Então, a gente entendia como, dentro das opções de coleta direta, a Retorna Machine era a mais completa e com melhor custo que tinha no mercado. Por isso que, na nossa avaliação de viabilidade, ela entrou como modelo de coleta direta que a gente iria usar e o nosso plano era colocar pelo menos 20 máquinas na rua, como um protótipo, né? Pra gente começar a coletar as garrafas de Bonafont.

Nesse meio tempo eu estava conversando com o Felipe já, o Felipe me chamou e falou: “Rafa, nós terminamos o desenvolvimento dos nossos produtos. Agora está na hora da gente escalar a Triciclo. Quer vir comigo? Vamos escalar? Preciso de alguém com a sua experiência, pra organizar processo, garantir execução, pra colocar as máquinas na rua, pra fazer relacionamento institucional e você é o cara que conhece, às vezes, até mais do que os meus próprios funcionários, a Retorna Machine. Quer vir?” E aí, foi nessa que eu fiz essa passagem pra Triciclo.

A Triciclo quer que a pessoa escolha cinco minutos do dia dela pra vir reciclar na nossa máquina.

“A gente tem tudo na mão: a gente tem uma solução, que é um sistema seguro de monetização da logística reversa. A gente tem um modelo de negócios de um ecoponto digital, que é autônomo, que é totalmente escalável nosso sistema. A gente tem, de um lado, empresas preocupadas com a sustentabilidade dos seus produtos. A gente tem, do outro lado, prefeituras e organizações públicas que estão quebradas financeiramente, com um custo excessivo de coleta seletiva, coleta seletiva ineficiente. A gente tem, do outro lado, empresas participando de PPPs milionárias, pra resolver questões de saneamento. Então, quando a gente olha pra todo esse universo, a gente realmente tem um produto que consegue fazer uma coleta seletiva com eficiência; consegue ter rastreabilidade e garantia de destino final; consegue engajar o consumidor, não só pelos pontos, mas pela rotina de criar; consegue ter um sistema que consegue desonerar o erário público de custos com coleta seletiva, a gente consegue complementar isso”.

A Retorna Machine é, hoje, uma moderna ferramenta de logística reversa. Ela faz parte de um ecossistema. Cada máquina nova que a gente monta e liga, automaticamente se conecta à nossa rede e começa a conversar com nosso sistema central.

Eu tenho um propósito pessoal que se encaixa com o propósito da empresa. Então, quando você tem um propósito de resolver um problema estrutural de 200, 300 anos. Eu estou falando aqui de saneamento básico, de coleta de lixo, de resíduo, de lixão, né? A gente não vai resolver isso do dia pra noite. A gente precisa de inúmeras soluções.


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