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Quero cuidar das pessoas: ser enfermeira!

História de: Maria Helena S. Mandelbaum
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Maria Helena Mandelbaum é enfermeira “desde sempre”. Um dos seus maiores prazeres é cuidar das pessoas, acolher e ajudar o outro. Desde pequena já fazia isso, primeiro com os irmãos, depois em um consultório, ainda adolescente. Quando chegou a época da faculdade, não restava dúvidas do que queria para o resto da vida: continuar enfermeira. Aprendeu a importância de grupos de apoio para os pacientes. Com o tempo, idealizou o Dermacamp. O acampamento de dermatologia ganhou vida para acolher crianças com doenças de pele e para dar mais sentido, não só à vida das pessoas atendidas, mas também à jornada de Maria Helena.

História completa

O Dermacamp partiu de um pressuposto de ser um projeto voluntário em que as pessoas que viessem ali quisessem fazer alguma coisa que pudessem ajudar quem tem problemas de pele severos e crônicos a ter uma qualidade de vida melhor. Quando fui para um congresso nos Estados Unidos, em 1996, fui nas sessões em que vi muito claro o quanto o trabalho do grupo de apoio era importante para os pacientes

 

Eu disse: “Poxa, é isso que eu quero fazer. Eu quero trabalhar com o grupo de apoio, juntar pacientes que têm as doenças dermatológicas para que eles percebam que eles não estão sozinhos, que não são os únicos, que você pode ter o preconceito, mas o outro também tem”.

 

Porque, não que a dermatite atópica não seja séria, mas comparando com algumas doenças da dermatologia, você pode ver que tem doenças que comprometem mais a sua vida. Quem sabe, se você conhecer alguém com uma doença que afeta tanto a vida, pode ver que consegue gerenciar a sua doença. Eu comecei a ter essa ideia com o doutor Samuel - e ele diz que foi o lado do coração da história - de criar essa ONG, de criar o Dermacamp, porque eu achava que era importante reunir pacientes com diferentes patologias.

 

Patologias que tinham até manifestações diferentes, mas que tinham um ponto em comum: o preconceito que eles tinham. Todos tinham o preconceito, porque doença na pele está ali, aparece. Se você tem uma doença na pele, todo mundo já olha assim: “Vai pegar”. Eu sempre ouvi muito isso dos pacientes.

 

Eu ouvi muitos depoimentos pesados. Eu via pacientes depressivos, tomando muita medicação. Eu via os pais também depressivos, uma desestruturação da família. Eu queria intervir nisso. Eu queria ajudar.

 

Tenho desde sempre essa coisa de cuidar das pessoas. Eu cuidei de dois irmãos meus, mais novos. Quando minha mãe ficou viúva, cuidei deles. Tinha aquela responsabilidade. Tanto é que esse cuidar me trouxe uma experiência que me marcou: estava fazendo a minha tarefa de casa na cozinha e eles dois brincando ali, enquanto esquentava a água para dar banho neles. Aí um deles bateu no fogão e caiu a água quente nos dois. Teve aquela queimadura. Caiu aquela água quente, grudou tudo na roupa. E eu era muito jovem ainda. Tinha 13 anos ainda. Imagina uma menina ali, fazendo a lição, e dois irmãos queimados ao mesmo tempo. Eu tive de cuidar deles também, porque a minha mãe teve de continuar com a rotina dela.

 

Fomos ao pronto-socorro e tudo, mas não era como é hoje. Eu tive de, muito cedo, trocar aqueles curativos, dar banho neles. Por outro lado, eu tinha muito essa coisa: dali para diante essa minha responsabilidade aumentou muito, porque não podia acontecer mais nada com os meus irmãos além daquilo que já tinha acontecido

 

E eu tive muito dessa coisa. Não queria chegar, sentar e ter meu consultório. Queria mesmo é cuidar das pessoas. Eu queria fazer o trabalho de enfermeira.


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