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História

Querer, ter vontade e acreditar

História de: Ana Maria Gati
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/10/2008

Sinopse

Nasceu em Jundiaí em dezembro de 1963. Infância na chácara da família. Observou as mudanças de sua cidade natal. Brincadeiras de rua. Cursou Engenharia de Alimentos na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Trabalha por 15 anos na Mars, em Porto Alegre. Morou nos Estados Unidos. Entra na Avon em 2002, por meio de Lírio Cipriani, como diretora de manufatura. Elogia a gestão de equipe e os projetos PACTO, "Cinco S". Diferencial da Avon são os projetos sociais. É casada, tem dois filhos. 

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História completa

P/1 – Boa tarde, Ana.

 

R – Boa tarde.

 

P/1 – Vamos começar. Eu gostaria que você falasse o seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – É Ana Maria Gati, 04 de dezembro de 1963. E nasci em Jundiaí, São Paulo. O sotaque não deixa enganar, né?

 

P/1 – Ana, qual a sua atividade atual?

 

R – Eu sou responsável, eu sou diretora de manufatura na Avon Interlagos, na Avon Cosméticos que fica aqui em Interlagos desde 2002.

 

P/1 – Certo. E qual o nome dos seus pais?

 

R – Sebastião e Isaura Gati.

 

P/1 – E qual que é a origem da sua família?

 

R – Puxa! Bom, os meus bisavós vieram três da Itália e um da Espanha, então são europeus, já aí de bastante tempo, terceira geração, né?

 

P/1 – Tá bom. Qual que era a atividade dos seus pais? Profissional.

 

R – Meu pai, meus pais eles tiveram assim uma vida bastante simples, já os bisavós eles vieram como imigrantes, né, toda aquela história, e meus pais estudaram pouco, mas sempre foram assim muito dedicados, né? Meu pai então fez aí um curso de torneiro mecânico e ele sempre foi aprimorando nisso, mas ele sempre fez com muito esmero a atividade dele, até se aposentar, né, até os 60 anos. A minha mãe ela trabalhou desde muito jovem mas depois que eu nasci, eu era a filha mais velha, eu tenho mais um irmão, ela daí ela ficou em casa cuidando da gente, mas ela sempre fez de tudo (risos). Então essa é a atividade, né, não era só uma dona de casa mas uma pessoa assim que sempre procurou fazer e se envolver em cada detalhe na vida de, muito presente na vida de, nossa, né, minha e do meu irmão. 

 

P/1 – Tá bom. Ana, vamos falar um pouco da sua infância?

 

R – Sim. 

 

P/1 – Você lembra onde você morava?

 

R – Claro. Até os seis anos eu morei numa chácara que daí é onde morava o meu avô, né, o pai da minha mãe. E era interessante porque era uma casa meio afastada assim naquela época, hoje já tá tudo, virou cidade, mas naquela época era afastado da cidade, e morava então, teve momentos que tava o meu avô, meus pais, meu irmão, meu irmão era pequenininho tinha recém-nascido, e meus tios, então era uma família enorme, né, (risos) naquela chácara que tinha muita árvore, muita... Então a minha infância foi assim muito contato com a natureza, né? Depois a gente foi pra uma só a minha família, né, meus pais, meu irmão a gente foi pra uma outra casa, mas próximo dali. Aí aos nove anos a gente fez uma mudança e ali a gente ficou, meus pais estão até hoje nessa casa, né, em Jundiaí. Mas assim, a minha recordação é muito daqueles momentos aonde tinha aquela família enorme, né? Porque a gente foi numa casa que tinha dez pessoas para uma casa de quatro (risos), então às vezes até a minha bisavó… Então a família muito, da família da minha mãe, um pessoal muito próximo, muito unido, né? Então era muito interessante aquela convivência. Aí os tios foram casando e tal. Mas me lembro muito bem disso. E Jundiaí era uma cidade pequena, né, parecia tudo tão longe de São Paulo, hoje tá tudo tão próximo. Foi isso. 

 

P/1 – Fala um pouco mais como era a cidade.

 

R – A cidade? Puxa! A cidade! A gente morava afastado da cidade, né, então me lembro que uma vez por mês assim minha mãe ia na cidade então a gente ia com ela, para fazer compra, naquela época tinha que receber o pagamento do meu pai. Então era um evento ir até a cidade, né, que a gente ia de ônibus e tudo, porque a cidade realmente era muito assim concentrada no centro e a gente vivia nesse bairro um pouco mais distante. Então assim, a minha recordação de criança é de uma Jundiaí muito diferente, né, hoje Jundiaí é uma cidade, ela sempre foi uma cidade que tinha mais indústrias mas era conhecida como uma cidade industrial, mas ela não tinha essa, não era uma cidade... Hoje é uma cidade quase que dormitório também, onde muita gente mora e trabalha em São Paulo, ou em outra região, né? E era uma cidade também muito, que tinha muita agricultura, né, plantação de uva e tal, então todos os bairros em volta assim eram um sítios, chácaras e hoje são cidades que foram crescendo, né, e muitas até como Itupeva, Louveira, Cajamar não tinha nada era uma, era só chácaras e sítios e tudo mais e hoje viraram cidades mais industriais, residenciais, muitas com muitos condomínios, prédios, né? Então foi interessante observar esse, eu não moro em Jundiaí desde os 23 anos, então quando eu terminei a faculdade, mas foi interessante acompanhar essa evolução da cidade, uma cidade que praticamente agrícola de colonização italiana, né, então tinha algumas famílias que eram assim ícones na cidade, né, pra uma cidade mais assim, sei lá, maior mas que se desenvolveu  e ainda tem aquele traço de cidade do interior, né, não tem jeito.

 

P/1 – Tá bom. E quais eram as suas brincadeiras preferidas na infância?

 

R – Ah, eu por morar mais assim no interior, a gente, nosso, gostava mesmo é de árvore, de pega-pega, correr, esconde-esconde, mas sempre com, andar de bicicleta, naquele tempo dava pra sair na rua, as crianças saíam na rua, brincavam, era uma maravilha, hoje tem que ficar todo enjaulado, né? Então isso é muito interessante de lembrar. Nossa, estão me fazendo recordar cada coisa... (risos) Então as brincadeiras a gente inventava, não tinha muito brinquedo, um que outro brinquedo, uma boneca, mas nem usava boneca, né, brincava com as coisas que a gente inventava, a gente construía os brinquedos, os carrinhos, e carrinho de rolemã, então era brincar na rua, né, a gente brincava na rua, a gente nem brincava dentro de casa, era uma coisa. Então era uma coisa muito diferente do que eu vejo os meus filhos hoje, que é, ainda mais em São Paulo, né? Mas mesmo em Jundiaí a gente não vê, talvez pela falta de segurança e tudo o mais, né, a gente não vê mais isso, mas essas eram as nossas brincadeiras. Eu gostava, eu senti muito quando a gente saiu daquela chácara que tinha muitas árvores e aí já não tinha aquele monte de árvore quando a gente depois dos seis anos, né, eu morava até os seis anos lá. Depois eu comecei na escola e tudo mais que é também com oito, sete? Oito anos, sete, oito anos e eu era muito estudiosa, adorava estudar, né, então... Mas também tinha tempo pra brincar.

 

P/1 – E era próximo ao colégio?

 

R – Não era muito não, viu? Tinha que pegar um ônibus, carregar aquela mochila pesada, né, (risos) se eu me lembro bem e subir uma rampa enorme caminhando. Não era muito próximo mas a gente ia num grupo de crianças, imagina que a gente vê isso hoje, né? Saía aquele grupo de algumas crianças pra ir pra escola, pegava o ônibus, se virava sozinho, então essa era uma realidade assim muito diferente, né, de hoje, já com oito anos. Então os mais velhos cuidavam dos mais novos, então os que tinham dez, 12 cuidavam dos que tinham oito, era mais ou menos assim a rotina, né? Aí eu mudei de escola, era um pouco mais perto a outra, mas também a gente tinha que pegar um ônibus pra chegar, uns 15 minutos, uma meia hora pra chegar a gente ia de ônibus, ainda o ônibus parava em todo lugar, né? Então (risos) ia demorando mais ainda o tempo. Mas era muito gostoso, uma escola muito pequena onde eu fiz o primário e depois fui pra uma escola maior, mas era... Aí foi uma grande mudança ir pra aquela outra escola e ali eu fiquei até antes de entrar na faculdade. Era aonde todo mundo ia, né, toda aquela região ali todo mundo ia naquela mesma escola, poucas alternativas de escola que também tinha pouca gente, né? Esse era o ritmo. Agora tô tendo uma experiência de procurar escola, mudei meus filhos de escola, é tanta escola que a gente fica até zonzo, antes não tinha nem muita escolha, né, era aquilo mesmo. 

 

P/1 – E qual o nome da escola, da primeira e da segunda você lembra?

 

R – Puxa vida! A primeira era uma escola municipal, a primeira, até o primário, né, uma escola que só tinha até a quarta-série e era Escola Estadual. Não, Escola Municipal Rotary, do Rotary, isso mesmo, Escola Municipal Rotary Club, sei lá, acho que era do Rotary, nem sei, nunca pensei nisso (risos). E depois eu fui pra uma outra escola que era Escola... Instituto de Educação, Instituto Experimental de Educação. Na verdade ele era uma escola experimental, existia esse conceito antes. Aí depois todos se transformaram numa escola estadual, né, ao longo do ginásio ela se transformou numa escola estadual, mas eram escolas do estado eram muito boas, aliás eram as melhores… Ia para escola particular quem não conseguia estudar na escola estadual, era um outro conceito. Já no colégio, o ensino médio já a escola estadual já estava mais decadente, mas era muito boa, gostava muito. 

 

P/1 – E que lembranças marcantes você tem dessa época da infância, da escola?

 

R – Nossa, mas essa é uma pergunta muito difícil! (risos) É uma pergunta muito difícil de pensar. Olha...

 

P/1 – Algum evento que tenha acontecido que você lembre?

 

R – Ah, eu adorava no primário tinha muitas competições, né, competições de matemática, competição de... Deixa eu pensar, eu estudei numa época, né, na década de 1970 de colégio que tinha o... Como é que chamava? Na época da Ditadura Militar tinha o nome do presidente da República que era um ditador, né, então era todo dia cantava o Hino Nacional era uma coisa assim meio chocante se a gente pensar hoje, mas quase todo dia a gente cantava o Hino Nacional, o Hino da Bandeira era uma coisa muito patriota, entre aspas, né? Então eu me lembro muito disso, né, a gente às vezes um frio danado e a gente lá cantando o tal do Hino Nacional, o Hino da Bandeira do lado de fora da escola, então eram umas coisas interessantes. Eu gostava muito das competições e gostava de tirar nota boa, né? E tinha uma amiga que era muito próxima, essa eu sempre, ela vinha em casa, a gente fazia o dever, ia na casa dela, né? Então foi quando eu comecei a criar aquele mundinho, ir pra além da vizinhança e dos primos e tal e conhecer outras pessoas e ter amigos, né? Então isso foi muito interessante, era uma mudança assim e era muito importante aquela amizades, aquele vínculo então eu acho isso muito, uma lembrança muito gostosa. E em casa eu acho que o que mais gostava eram as festas de família, então as famílias sempre fazendo atividades porque não tinha muita alternativa também, cinema a gente ia uma vez ou outra. Então outras atividades assim, parques e tal também não tinha, então o outro parque que tinha que a gente ia de vez em quando. Então tinha muita reunião com as famílias mesmo de datas comemorativas, aniversários, família que, eles são assim até hoje se visitam muito, eu tô distante já aqui em São Paulo fica mais difícil, mas eu tô sempre indo também. Então eu me lembro muito disso dos meus primos, né, eu adorava quando vinha gente em casa e eles, a gente também ia pra casa deles, férias, né, então vinha uns e dormia aqui outros dormir lá. Então essa era a programação, né, fazer, inventar brincadeiras, mas gostava mesmo era de inventar brincadeira. Então eu acho que engraçado, né, hoje os brinquedos todos prontos, antes não tinha, não tinha dinheiro também pra isso, meus pais não tinham dinheiro pra sair comprando um monte de coisa, então a gente inventava, fazia, construía (risos). 

 

P/1 – Tá certo. E aí você falou pra mim que você ficou nessa escola até o colegial. 

 

R – A segunda escola sim. 

 

P/1 – Isso, que é a Experimental?

 

R – A Experimental.

 

P/1 – Isso. E depois do colegial?

 

R – Aí no último ano eu fui fazer cursinho, aí começou vamos dizer assim a outra rotina aí, né? Fui fazer faculdade, passei no vestibular tal, aí fiz faculdade em Campinas então eu viajava todos os dias, ia e vinha, uma hora pra ir e uma hora voltar em Campinas, na Unicamp. E foi um tempo muito bom, né, a gente... Não foi um momento que teria talvez sido melhor se eu pudesse ter morado fora, convivido mais com o clima da faculdade, mas meus pais não tinham condições, então a situação era meio assim: “Olha, se quiser estudar então tem que ser colégio, faculdade do governo e a vida vai ser meio contida, né?” Não tinha mesmo, não tinha. Tinha eu e mais um irmão e foi ainda na década de 1980 onde tinha muitas reduções de jornada de trabalho, então a grana também tava curta, né? Então, mas eu acho que consegui aproveitar muito, o que eu fazia. Eu tinha a faculdade, tinha, construí muitos amigos, né, amigos que eu ainda mantenho até hoje, apesar de depois eu me mudar, ir pra outro estado, tal, me distanciei mas eu continuei mantendo muito desses amigos. E era muito interessante que a gente passava o dia todo na faculdade, né, então isso era, foi uma mudança muito grande.

 

P/1 – Você fez faculdade de?

 

R – Engenharia de Alimentos. Eu não sabia o que que eu ia fazer, então eu tava durante aquela coisa, uma responsabilidade muito grande, né, pra escolher mas como eu gostava muito de matemática, gostava de, e gostava de estudar, automaticamente, “vou fazer engenharia”. E aí, vamos dizer assim, nos últimos momentos aí de escolha de qual das engenharias essa era uma engenharia nova naquela época, era uma faculdade recente e eu achei que eu tinha que fazer uma coisa nova porque quase não tinha. E eu acho que naquela época foi uma escolha muito boa porque o mercado de trabalho foi muito interessante depois daquilo, hoje tem muito mais faculdades com essa formação mas eram poucos profissionais no mercado, então foi muito interessante essa escolha, né, ela é muito próxima de uma engenharia química então foi legal, foi legal. 

 

P/1 – Com quantos anos você começou a trabalhar?

 

R – Depois que eu terminei a faculdade com 23, né?

 

P/1 – E qual que foi o seu primeiro emprego?

 

R – Eu fiz vários estágios durante a faculdade, então durante as férias, não tinha dinheiro ia fazer estágio. (risos) Ia fazer estágio, ganhava alguma coisa, pelo menos ficava entretida, né? Aí eu fui trabalhar, tinha muitas, me formei numa época, em 1987, tinha muita alternativa, tinha muito trabalho, foi no Plano Cruzado, o Brasil estava crescendo e tal, né, então entre os seus altos e baixos, né? E eu tive algumas alternativas de emprego, eu acabei escolhendo o mais longe, eu fui trabalhar numa empresa que pertence ao grupo Mars, é um grupo multinacional que também tava começando no Brasil, em Porto Alegre, então eu me mudei, fui falei assim: “Ah, vou ficar uns dois anos lá e volto, né?” No fim fui ficando... Fiquei, acabei me casando lá, mas me mudei também várias vezes, né? Fiquei 15 anos nessa empresa, é uma empresa de alimentos, aquelas Pedigree, Wyskas, M&Ms, ela é conhecida pelos produtos, né, e não pela empresa. E ela cresceu muito então nesses 15 anos eu acabei me mudando várias vezes também, por trabalho, fui pros Estados Unidos, eu viajava bastante, que eu trabalhava numa área de desenvolvimento de produto, de processos. E eu gostava muito das viagens, né, então pra quem está iniciando a carreira, fazer, ter aquela exposição para mim foi super interessante. Aí depois acabei indo para outras áreas aí de manufatura, compras, logística, mas foi, eu peguei um momento de crescimento da empresa no Brasil, né? E foram anos acho que muito bom, foi um tempo assim de desenvolvimento e de exposição muito grande, né? Então sei lá, deu certo, às vezes a gente começa um trabalho numa empresa e eu acho que eu consegui entrar no momento certo do crescimento dela no Brasil. 

 

P/1 – E em quais outros lugares você trabalhou?

 

R – Olha, depois dessa empresa, eu acabei vindo pra Avon, eu passei rapidamente por uma outra empresa que achei que não era o caminho, né, que é uma empresa da área de soja, e produtos de soja, mas eu achei que não era aquela trabalho e acabei vindo pra Avon. 

 

P/1 – É? E como que você chegou na Avon?

 

R – Puxa! Eu acredito que você deve ter entrevistado aqui o Lírio, né? (risos) Foi uma pessoa que conhecia o Lírio e que me deu o nome dele, e eu falei assim, isso depois de eu me mudar, né, eu tava em Porto Alegre de volta, eu tinha ido para Mogi Mirim, no interior de São Paulo, tinha morado nos Estados Unidos, tinha voltado pra Porto Alegre umas duas ou três vezes, aí depois que saí dessa empresa fui voltando para São Paulo, fiquei pouco tempo nessa outra empresa. E aí um belo dia, me lembro até hoje, passando pela Raposo, né, eu vi lá escrito Avon, eu falei assim: “Puxa, como é que tá a Avon hoje, né?” E conversei com essa colega e ela me recomendou, ela falou assim: “Olha, eu tenho uma pessoa, né, um conhecido e tal” e foi o Lírio. Liguei pro Lírio e fui conversar com ele e aí foi um processo, foram seis meses mais ou menos a gente conversando, acabei fazendo entrevista com um monte de gente, e a Avon estava exatamente num momento de reestruturação, né, então foi assim que eu acabei entrando, ela tava numa reestruturação, tava buscando alguém pra área de, tava profissionalizando mais o negócio de supply chain, de toda a cadeia produtiva. E aí então era uma empresa que sempre foi muito voltada pra vendas, que bom tem que vender, mas... Então acabei indo pra lá, né? Foi muito interessante, de alimentos para cosméticos, parecia muito diferente, mas é uma engrenagem muito parecida de negócio, né? E assim foi a chegada lá. 

 

P/1 – E você começou como?

 

R – Entrei já como diretora de manufatura mesmo.

 

P/1 – Já entrou como diretora de manufatura, certo. E quais são as suas responsabilidades na empresa? O que a sua área abrange? O que especificamente?

 

R – Bom, assim muito por cima, eu sou responsável pela produção dos produtos cosméticos, né? Então isso envolve aí várias áreas que um grupo grande de pessoas, tem mil e 700 pessoas hoje, essa fábrica cresceu muito, a gente passou por um processo de, passou e ainda tá passando, né, por um processo de modernização, é uma fábrica muito antiga, de 35 anos. Uma experiência muito diferente do que eu tinha vivido anteriormente que era de um negócio que estava começando no Brasil, de construir novo, de fazer tudo novo, de lançar produto novo e chegou na Avon era um processo de construção e modernização e assim a empresa tem sido nos últimos sete, oito anos ela tem passado por esse processo de, essa coisa de não só da imagem mas tudo que está por trás disso, né, a tecnologia, os produtos, a gestão, a forma de trabalho, né? Então foi nesse contexto apesar de, vamos dizer assim, nesses seis anos a cada ano foi muito diferente, foi muito intenso, né? Foi muito intenso por quê? Porque é um processo de transformação muito grande, então a fábrica mais do que duplicou e a gente ainda tá ampliando, são três fábricas dentro de uma fábrica com diferentes tecnologias. E mais que isso, não só produzir mais no mesmo ambiente, conseguir fazer mais com as... Mas com muito investimento, recurso e pros processos de reorganização da empresa muito intenso, né? Então eu acho que assim, gosto muito de ver que teve uma evolução muito boa, ela foi criando credibilidade, as pessoas também foram ficando mais satisfeitas, os resultados muito palpáveis, fácil de ver, eu gosto de ver resultado, eu gosto de construir coisa, não é, adoro construção! (risos) Adoro construção! Já me meti em reformas tanto pessoalmente quanto na empresa, né? Então construção e projetos de mudanças e modernizações. Então assim desde casa, apartamento (risos) a empresa também. Então eu acho que tem que tá constantemente vendo a diferença, fazendo as coisas acontecerem, né? Então acho que Avon tem sido uma experiência muito gratificante nesse sentido, porque eu me senti sempre com muita liberdade de criar, né? Assim como foi a empresa anterior também, não posso, não posso reclamar. Eu acho que a gente quando quer, quando tem vontade e acredita em alguma coisa a gente estimula a criação, né? E quanto mais você põe sementinhas, mais essas sementinhas vão dando flores e aí você vai inventando mais, quer dizer, uma coisa puxa a outra, né? Nesse período também eu voltei, desde que vim pra São Paulo, voltei a estudar, né, então isso para mim tem sido muito legal. Acho que também viver em São Paulo, que não era uma cidade que eu achava que eu queria morar, sabe? Eu vivi em vários outros lugares, mas achava que em São Paulo eu nunca ia morar, e sabe que tem sido pra mim o melhor lugar que eu já morei (risos). Então eu digo assim, que há anos atrás quando eu morava em Jundiaí eu dizia assim: “Nossa, nunca vou morar em São Paulo, chego lá me dói os olhos, é uma poluição, aquele estresse” e eu gosto muito daqui, eu gosto da cidade, gostei muito de voltar a estudar. Então eu achei que foi, tem sido para mim uma experiência muito boa, por incrível que pareça aquela cidade que eu falei que não ia trabalhar, não ia morar é o lugar que mais gostei até hoje. 

 

P/1 – Ana, você trabalhava com alimentos, né?

 

R – Isso. 

 

P/1 – Qual foi a sua primeira impressão quando você chegou na Avon com esse mundo novo?

 

R – Eu diria que o foco de cosméticos tem todo esse glamour, né, por trás, essa história de vender um sonho. Então ele é uma situação de realidade com emoção. Uma empresa que você tem que estar sempre envolvendo a emoção junto com, vamos dizer assim, por mais realista que seja produzir, comprar e distribuir, e toda essa cadeia por trás aí de vendas e marketing a gente tem que ter uma dose, vamos dizer assim, de emoção, de sonho quando se faz alguma coisa dentro da Avon. Eu acho que isso está muito ligado a natureza do produto que se vende, né? Um pouco diferente de alimentos que é muito mais realista, muito mais prático, né, preto e branco não tinha uma zona cinza (risos), não tinha uma zona cinza nessa realidade e é muito mais ligado a gosto e preferência do consumidor sem necessariamente toda essa história por trás, né? Eu aprendi muito isso, eu achei que o que eu aprendi nesses anos foi esse lado mais humano, mais da gestão, junto com, vamos dizer assim, o técnico, né? Então pra mim eu acho que foi uma coisa muito diferente, que você é capaz de mover as pessoas para realizar, né, o palpável, o tangível dentro de uma cadeia produtiva, né, mas também com essa dose de aproveitando muito as vezes, os projetos de comunicação, os projetos de produtos. E as pessoas se empolgam com isso também, com a Avon constantemente na mídia então você vai somando tudo isso, é uma gestão muito diferente, né? Vamos dizer assim, o mundo da cadeia produtiva toda ele é um mundo muito mais masculino, muito, muito mais duro, né? Mas a Avon não, a Avon tem uma mistura aí (risos) é um pouco diferente isso, você tem que mesclar essas coisas, né? Então acho que essa foi, assim, no começo me chocava porque eu queria: “Isso é assim, vamos fazer assado, pá pá” mas não funciona, né, na Avon não funcionava assim, então a gente tinha que entender um pouco aí a sequência e a forma do espírito da empresa, o DNA, cultura bastante diferente, mas um pouco eu acho que tá ligado aí com a história da própria Avon e toda a história da revendedora e toda essa emoção por trás, né, então isso acaba permeando pelo restante da organização. Eu não sei se eu consegui me explicar (risos).

 

P/1 – Deixa eu te fazer umas perguntas. Eu queria que você falasse um pouco mais da sua área, das áreas que são subordinadas a sua área, de como que é esse processo essa rotina de trabalho mesmo que você tem?

 

R – Tá. Bom, que que está comigo, né? Primeiro eu faço parte de uma organização de cadeia de suprimentos. Eu não sei se de repente a gente deve comentar, mas toda a organização de supply chain hoje ela é uma organização regional e global, né, e no Brasil a gente tem um foco, vamos dizer assim, específico para o Brasil, diferente de algumas outras organizações na região que atendem vários países, pelo tamanho do Brasil, pela importância do negócio, né? E dentro dessa, a gente dentro dessa organização a gente trabalha de uma forma matricial. Então as várias áreas que compõem: qualidade, recursos humanos, segurança, meio ambiente, engenharia, planejamento, distribuição a gente acaba trabalhando em desenvolvimento de embalagens. Então todo mundo acaba trabalhando de uma forma independente de quem reporta para quem, quem é subordinado a quem, a gente tem que fazer acontecer. Então dentro de uma organização em transformação, parte dessa estrutura toda que eu te comentei está ligada ao global, parte ao regional, parte ao local, é uma realidade muito em transformação, mas muito muito dinâmica que força também esse networking, esse contato da aproximação das pessoas. Essa é uma coisa que me chamava muito a atenção na Avon, na empresa pelo menos com uma comparativa que eu tinha com a empresa anterior, a gente já existia um networking muito forte, né, um contato então eu conhecia tudo quanto era unidade em todos os países, as pessoas, então você transferia coisas de um lado para o outro de uma forma muito prática, a gente viajava, todo mundo viajava muito e a Avon era muito departamentalizada e hoje ela tá vivendo essa realidade, né? O que eu acho muito saudável porque sem esse intercâmbio entre as pessoas, entre país e tal, cada um tenta inventar a sua realidade. Então hoje eu acho que a gente dentro dessa organização a gente tá mais, vamos dizer assim, forçado, né, a todo mundo a trabalhar de forma mais integrada. Comigo, diretamente, eu tenho a produção de três minifábricas: fragrâncias, cremes e loções e maquiagem, e as áreas que suportam essa produção, né? Então tem a manutenção, a logística, o grupo de melhoria contínua, tô pra fazer toda a movimentação nessa logística interna de movimentação, recebimento, movimentação pras área de processos e envase, e a manutenção deste parque industrial, né? Mas ao mesmo tempo eu tenho a responsabilidade também pela gestão dessas interfaces, dessas outras áreas para quê? Para atingir um objetivo comum, de custo, de serviço, de entrega, né? É uma ginástica interessante (risos). 

 

P/1 – Você fala das minifábricas. Como que funciona?

 

R – Como que a gente dividiu? Na verdade nós dividimos a fábrica em três por grupos de tecnologia, tecnologia de similaridade de processo, né? Fragrâncias então você trabalha com um grupo que trabalha com, vamos dizer assim, falando de uma forma técnica, ele com álcool e as fragrâncias e vidro e plástico. Então é um conceito de produto, é uma referência em termos de desenvolvimento de produto, de marketing, então tem ali a sua gestão própria e eles também têm uma organização matricial com as áreas suporte, para garantir que a informação acabe sempre chegando, porque a Avon é muito complexa, né? Cremes e loções então também, tanto cremes quanto loções então são processos de emulsão e xampu, coisa do tipo. E maquiagem que é um misto, né, pó, batom e sombra. E essa necessidade de divisão, ela aconteceu pela complexidade, nós temos uma taxa de inovação de produtos muito grande, né, se a gente pensar a gente acaba produzindo em torno de dois mil itens diferentes no ano e em torno de 500, 600 trocam no ano, né, e são produtos mais desde produtos mais simples, produtos mais sofisticados mas é uma taxa de inovação muito grande, né? E com uma troca de, a gente olha assim nos folhetos e a gente não consegue traduzir o que significa isso para o ambiente de produção. Pega um folheto e você vê que todo, né, toda a campanha tem a mudança de preço, de posicionamento dentro do folheto, né? O que acontece as ofertas. Isso faz com que cada item ele tenha uma venda diferente toda campanha. Então o nosso número de corridas de produção é diferentes no mesmo dia, no mesmo mês é muito grande, a gente tem 50, 60, 60 linhas de envase de produto entre as três mini-fábricas que fazem aí três, três mil, quatro mil set up’s diferentes por mês, né? Então 150 ordens de produção por dia. Então faz com que tenha uma complexidade muito grande, isso requer uma gestão mais focada, né? Então por isso que a gente acabou dividindo, para dar mais foco, para trazer melhores resultados. 

 

P/1 – Vamos lá. Ana, você falou que Avon tá, ela continua passando por um processo de modernização, né? Então, nós queríamos saber quais as ferramentas que vocês usaram nesse processo?

 

R – O que aconteceu? Pelo estilo, pelo próprio estilo da Avon, né, pelo DNA da Avon e pelo número de pessoas envolvidas nesse processo nós fomos em conjunto, parceria com outras áreas dentro da empresa, principalmente recursos humanos, né, modelando um programa que depois de um tempo a gente acabou chamando de Programa Avon de Competitividade Total, PACTO, ele é composto de vários pilares, pilares eu não digo, mas eu digo assim, a gente foi chamando de estações, a gente simulou isso como se fosse uma estação do metrô, né? Então você vai passando por estágios, né, para fazer o desenvolvimento desse programa e também da modernização. Então ele tem muitas, têm programas, têm processos, têm ferramentas. Então os programas, por exemplo, nós criamos... E tudo isso tá sendo, apesar de existir no mercado essas ferramentas, programas e projetos e processos, nós fomos também adaptando a realidade da Avon, desse mundo complexo de um grupo grande de pessoas, de necessidade de modernização tecnológica e conhecimento técnico das pessoas, né? Então nós criamos um pilar muito importante, é o programa que nós, de desenvolvimento de pessoas, através de grupos semi-autônomos... Então foi aquilo que eu comentei com vocês, o foco, para garantir que a gente tivesse foco dividiu a fábrica em três tecnologias, grupos de tecnologias diferentes e dentro de cada grupo desse tem ainda grupos menores, por tipo de equipamento, por tipo de processo, né, que se faz. E a cada grupo desse a gente criou o que a gente chama de grupos semi-autônomos, onde as pessoas passaram e ainda continuam passando por um processo de evolução de formação, de treinamento técnico, de operação, de qualidade, de segurança, né? E de uma forma a compartilhar o que acontece naquela linha, porque normalmente tem grupos com dez, tem grupo com 20, 30 pessoas até 50 pessoas, depende do tipo de tecnologia e também da produção daquele item, né? Um batom, por exemplo, tem vários equipamentos, vários linhas. Então isso forma um grupo e onde eles discutem, os indicadores, então nós tivemos que definir quais eram os indicadores, ensinar essas pessoas, trouxemos escola, SENAI, uma série de suporte, né, trabalho em equipe, multi-habilidade entre essas pessoas, então se hoje ele faz uma tarefa, amanhã ele pode fazer uma outra tarefa diferente. Então todo mundo aprende um pouco, e também conversam, podem conversar mais sobre esse, sobre o que está acontecendo naquela linha, né? Então isso motiva as pessoas, porque eles acabam aprendendo várias coisas, acabam tendo treinamento, e para a empresa também é bom, né, porque você acaba desenvolvendo essa multi-habilidade. E a gente percebeu assim que os indicadores, claro, suportados por programa também de manutenção preventiva, produtiva dentro desse PACTO, né? Uma evolução muito grande da parte técnica, que suporta a manutenção e o bom andamento das linhas. Então a gestão de todos os indicadores fica mais focada e eles conseguem acompanhar a evolução das eficiências, produtividade, perdas, redução de perdas, né? Então isso, vamos dizer assim, esse programa de manutenção, grupos semi-autônomos, melhorias dos processos de programação da fábrica, melhoria dos processos de engenharia, projetos de engenharia para modernização de tecnologias, equipamentos, infra-estrutura, né? Sistemas de qualidade também, faz parte de sistemas de qualidade, de segurança para que as pessoas também tenham procedimentos, padronização dos processos, então tudo isso, né? E a gente tem aí uma série de ferramentas, dentre elas uma ferramenta até tem um nome japonês: Kaizen, né, que vem aí das origens da mentalidade enxuta e Toyota e tudo o mais, que é uma ferramenta que é onde as pessoas, que é uma das estações do PACTO, onde se as pessoas têm um problema, se junta um grupo por alguns dias e faz uma, tem toda uma sequência de análises do problema e uma proposta de solução e uma ação, né? Então isso faz com que, e nesses grupos de no máximo doze pessoas elas, o que elas fazem? Tem vários níveis, você pode ter um gerente, diretor, supervisor, o pessoal do chão de fábrica. Então isso faz com que qualquer um participe disso, né? E vão aprendendo também ferramentas de análises de problema e solução de problemas, e com isso os indicadores também melhoram, né? Então, e às vezes pela complexidade que a gente tem você acaba aproximando as áreas, você imagine um grupo desse de 12 pessoas uma semana trabalhando no problema, né? Só vai sair resultado, coisa que no dia-a-dia levaria muito tempo, então essa é uma ferramenta que já tem seis anos e a gente tá muito feliz, a gente acaba criando um monte de tipo de Kaizen, a gente tem até prestado serviço para outras áreas: para vendas, para marketing, para compras, né, porque são, é uma forma de trabalho que envolve pessoas. Então para, na Avon, a gente precisa muito de ferramentas, tem um monte de ferramentas no mercado e de técnicas, mas a gente precisa sempre olhar ferramentas e formas que envolvam muita gente, que sejam de fácil multiplicação, né? Então toda vez que a gente define fazer um comunicado ou um treinamento a gente tem que multiplicar isso por tantas pessoas, então a gente tem, vai aprendendo a trabalhar em escala, né, em escala. Então essa tem sido uma das formas de melhoria contínua, é por isso que a gente acaba chamando que esse é um programa de melhoria contínua. E a gente colocou embaixo dele como um guarda-chuva todas essas ferramentas, sistemas, programas, né, mas sem os grupos, sem o treinamento da reformação das pessoas, todo esse lado técnico. Hoje a gente tem, desde o ano passado uma, depois que a gente atingiu um determinado nível de estabilidade dos processos produtivos, de melhor eficiência, melhor domínio dos processos e das tecnologias através das pessoas, a gente também começou a entrar com programa, também muito conhecido, que é o Programa Total, Programa de Manutenção Produtiva Total, né? Esse é um programa também muito conhecido no mercado, mais complexo, que envolve aí oito pilares de manutenção preventiva, produtiva e todas essas coisas relacionadas ao bom desempenho da linha, buscando aí o erro, a falha zero e o desperdício zero, aquela coisa, né, bem oriental, mas a gente está conseguindo aplicar isso hoje na fábrica pras novas tecnologias, né? E a gente tá trazendo equipamentos muito mais rápidos e muitos mais modernos que requer também um lado muito mais técnico, né? Mas a gente não pode perder essa essência de multiplicar isso pro grande grupo.

 

P/2 – E esse Kaizen faz parte do PACTO?

 

R – Todos eles, é uma das estações. Então são varias estações: Kaizen é um deles, o grupo semi-autônomo é outro, manutenção produtivo total é outra, sistemas de qualidade, sistemas de segurança...

 

P/1 – O “Cinco S”.

 

R – O “Cinco S” é uma maravilha” (risos) Ô coisa difícil de se fazer, né? Coisa difícil de fazer mas nós estamos no terceiro “S”, né, que na verdade é uma coisa que a gente pode aplicar em casa também (risos). Que o primeiro... São cinco palavras em japonês, né, que na verdade levam a organização e disciplina, né? Então primeira coisa é você tirar tudo que não precisa, segundo é você organizar, terceiro é você fazer a limpeza, saúde do ambiente, né, tratar todos os aspectos de ergonomia e saúde, e por último ter a disciplina de manter isso, né? Então isso, e as pessoas gostaram tanto disso, né, tem algumas coisas que são interessantes, ano passado nós tivemos a certificação da ISO-14.001, que é a ISO que regulamenta a parte de meio ambiente, né, e juntamente com o “Cinco S” o envolvimento e o engajamento das pessoas foi super interessante porque eles falavam: “Não, agora a gente tá aplicando isso em casa também, né?” Segregação do lixo, contabilização desses desperdícios, né, o cuidado de onde dispor alguns itens que podem ser ruins pra natureza. Então toda essa preocupação isso traz um ambiente de saúde e qualidade para o negócio muito interessante, não é a toa que existem as certificações. Mas de novo, né, quando a gente pensa em fazer alguma coisa a gente tem que pensar o tamanho e tempo que isso vai levar e o impacto disso para o grande grupo, né? Então tudo na Avon o fator multiplicador é muito grande, né, acho que vocês tem escutado isso bastante (risos). Mas essa é, tem sido muito interessante, o pessoal tem abraçado isso, diminuiu o número de... Melhorou os índices de qualidade, melhorou os índices de meio ambiente, né, de consumo de água, energia e também de redução de desperdícios, né? Porque as pessoas começam a medir, medir mais, a entender os impactos, né, então isso também faz parte aí do programa. Então quando a gente comunicou dessa forma, em forma de um trem, de um metrô, de uma sequência de estações é que não tem, não tem fim. A gente agora tá trabalhando numa estação de automação da informação, né, é um projeto aí já que começou o ano passado e que vai levar um bom tempo, mas é a gente automatizar mais a informação, além de agora não só a tecnologia, mas também a informação que circula para que a gente possa ter mais agilidade nos processos, né? Então a criação é meio lúdica, né, a história do trem mas foi muito fácil pras pessoas entenderem: você vai evoluindo conforme você vai avançando nas estações, né?

 

P/2 – E quando é que o PACTO começou a ser...?

 

R – Ele, cada um dessas estações elas começaram desde 2002, a gente começou a desenhar, a implementar isso. Em 2002 que a gente desenhou, começou a fazer um piloto, né? E aí elas foram criando as estações. Mas ela tomou a forma de estação e de metrô em 2005, que a gente tinha já como o PACTO em 2004 mais ou menos, mas todos os programas começaram no final de 2002 mais ou menos, né? Que teve todo um processo de desenho, de estudo, né, pra começar e não tem fim. A gente vai tá sempre… Agora, a gente já tá num processo de evolução dos grupos semi-autônomos, então a gente tem estágios de evolução: primeiro foi a construção, depois os estágios da evolução. E sempre tem espaço para ficar melhor, eu acho que esse é o interessante de qualquer trabalho, é você buscar sempre o espaço de ficar cada dia melhor. Então essa é mais ou menos o conteúdo aí dos programas.

 

P/2 – Como é que está sendo essa experiência de trabalhar nisso?

 

R – Ah, para mim eu acho muito gratificante, né, porque você vê o resultado, você vê o resultado acontecer, as pessoas também se desafiando e não é uma coisa que é boa só para a empresa, é uma coisa que é boa para cada um, né? Porque quando você se envolve nesses projetos, sejam projetos de melhoria contínua, um projeto de construção, né, de um novo equipamento. Seja lá o que for desses projetos você aprende, isso constrói para a sua experiência de vida. Então eu vejo assim desde os gestores, os gerentes, os supervisores, os engenheiros e todo o pessoal da operação, assim, muito motivado em participar, porque ele vai construindo experiência, ele sai daquela rotina, fazer todo dia a mesma coisa, fazer tudo igual. Ele sabe que ele pode propor idéias e ele pode ver essas, têm tanta oportunidade ainda mais um negócio complexo como esse, né você sempre tem oportunidade andando (risos) é só cavar que você acha. 

 

(pausa)

 

P/1 – Ana, quais foram os principais desafios que você enfrentou, que você enfrenta na Avon?

 

R – Desafios? Eu acho que, o que eu diria, né? (pausa) Apesar de ser uma empresa muito de relacionamento, de um contato entre as pessoas muito grande, às vezes uma coisa que pra mim foi, tem sido, ainda é, sempre vai ser um desafio... É a disciplina, a disciplina, vamos dizer assim, na hora que você busca todo mundo é muito solícito, né, todo mundo participa bastante, mas fazer as coisas acontecerem, elas são, requer um pouco de energia e diplomacia entre as áreas. Talvez por ter sido uma empresa muito departamentalizada e que hoje tá num processo de transição de organização, então requer muita energia, que todo mundo sempre tá bem, tal, tá legal, mas na hora de realizar, né, requer assim uma certa energia de juntar as pessoas, de mobilizar, de procurar a forma de comunicar apropriada. Então pra mim isso no começo foi um desafio, né? Hoje eu posso dizer que acostumei, aprendi esses caminhos mas foi desafiador. Foi desafiador porque ela tem um estilo diferente de trabalho, você consegue realizar as coisas, mas tem que pensar muito bem nos caminhos que você chega entre as pessoas, porque todo mundo é muito solícito mas aí você tem que fazer um acompanhamento muito de perto para que as coisas sejam consistentes mesmo e tragam o resultado. E outro que eu vejo assim: é muita coisa ao mesmo tempo, né? A Avon, pela complexidade, ela tem uma, são muitas necessidades também, né, são muitas atividades ao mesmo tempo. Então é um desafio, é um desafio que eu gosto, né, eu gosto desse ambiente, vamos dizer, vários pratos rodando (risos), movimento dos pratinhos chineses, mas é desafiador, às vezes tem que parar, pensar e buscar o melhor caminho e priorizar, porque tem tanta coisa por fazer que eu diria que a... Eu diria que para poder fazer o melhor é você saber como priorizar o que você vai fazer, que realmente ela é muito envolvente e muita coisa ao mesmo tempo, se você não priorizar você acaba dando o foco na coisa errada, e aí todo mundo que tá contigo, se você tem um grupo grande acaba indo também no caminho que não é o mais apropriado. Então eu diria que a arte está na priorização do que você vai fazer (risos), porque coisa para fazer tem demais, né? Acho que esse são alguns, mas não acho que seja assim, hoje a gente também passa por desafios que a empresa não teve tão fortes mas em todo é melhoria de eficiência e de custo, né? Mas que eu acho muito válido e ela precisa disso para se manter competitiva no mercado, não só na inovação, mas também em como realizar essa inovação que seria aí a área da cadeia de suprimentos. Então eu acho que isso é uma, também é desafiador, é desafiador mas interessante porque uma vez que todo mundo entende que você consiga mobilizar a coisa vai tranquilo, mas requer uma certa energia para buscar os caminhos (risos). 

 

P/1 – Tá certo. E as alegrias que a Avon te proporcionou?

 

R – As alegrias. Olha, eu diria que tem muitos momentos aí super interessantes, às vezes é assim como esse, né, de hoje eu acho que são momentos que fazem a gente refletir na hora de fazer uma premiação pras equipes, uma comemoração de resultado, né? Isso me deixa muito satisfeita e eu diria assim também muito orgulhosa de ver as coisas aconteceram, de ver muitas vezes quando a gente conversa com as próprias revendedoras, que elas colocam nas gerentes de setor em termos de melhorias de qualidade, de produto, de serviço, então eu acho que isso me deixa muito contente de ver, né? E outras alegrias que eu vejo assim que nesse período que eu tô na Avon, como eu comentei antes, eu também fui buscar, voltei a estudar, fazer MBA, fazer mestrado, e acabei utilizando e uso até hoje, muitas vezes, a Avon como um caso de estudo, né? E também isso me deixa muito contente, porque eu diria que é um aprendizado diferente, né, analisar muitas vezes os processos e as formas de trabalho, com foco aí de administração que a Avon tem e que ela tem uma particularidade muito grande dentro do mercado que é uma empresa de venda direta, né, de grande escala. Então a Avon é um caso de estudo pra muita coisa, e eu também tenho explorado muito isso, né, então isso para mim é muito interessante. E até meus filhos, quando eles vêem as propagandas: “Ai mãe, isso é feito lá? Como é que é?” Então eu acho que é uma empresa muito presente no dia-a-dia da gente. Então eu acho que a cada comemoração, a cada resultado atingido, a cada caso estudado para mim é um momento, é uma coisa de satisfação, né, de orgulho. Eu diria mais ou menos isso. 

 

P/1 – E o que você considera a sua principal realização na empresa?

 

R – Puxa! Eu diria que a transformação dessa manufatura para mim é uma grande realização, né? Saiu de uma que se criou uma identidade, credibilidade, né, e se tornou hoje uma solução e não um problema, né? Porque a gestão, a gestão de uma equipe dessa é muita demandante, uma equipe de produção normalmente ela é muito demandante, muito exigente, e eu diria que eles apontam, quando as coisas não tão bem ou alguma coisa, são muito realistas, né, diferente de algumas outras áreas. Então para mim foi muito, tem sido muito gratificante isso, de ver esse processo de transformação e essa construção de credibilidade. E tem sido um modelo para muitas outras Avons do grupo, muito do que a gente tem feito e desenvolvido os trabalhos aqui. É a maior fábrica da Avon no mundo, então a gente acaba tendo uma responsabilidade grande (risos) de fazer e fazer o quê possa servir de modelo para outras unidades. Assim como a gente também pega coisas, eu diria que esse mundo é uma troca, né, quando eu visito uma outra unidade, uma outra fábrica mesmo que não seja da Avon a gente tá sempre aprendendo. Então eu acho que isso também é muito, é uma contribuição muito grande para mim e para a empresa.

 

P/1 – Tá certo. E você já foi visitar outras? 

 

R – Conheço.

 

P/1 – Para, nessa questão mesmo do...

 

R – Independente, às vezes para troca de experiência, às vezes para um projeto, para reuniões de trabalho, né? Então isso é muito importante, né, se é uma empresa global, então não só a manufatura como as outras áreas, conhecer o desenvolvimento, pesquisa e desenvolvimento, embalagens. Eu acho que trabalhei com várias áreas antes da Avon e para mim, eu diria que a cada, isso é típico nas organizações, a cada país, a cada unidade você tem alguma diferente que você pode acrescentar. 

 

P/1 – Mas apenas para viagem, você não trabalhou fora?

 

R – Na Avon não, na Avon não.

 

P/1 – Tá bom. E como é o relacionamento com os colegas de trabalho? 

 

R – Olha, eu diria que é muito positivo. Eu acho que de novo a gente tem todos, na Avon tem todas as áreas, são assim tem muitas atividades, por isso que eu digo da priorização, né? E a importância do relacionamento, para estar alinhado às prioridades das áreas afins, dependentes, com marketing, com compras, com planejamento, então esse relacionamento é fundamental, né? Numa empresa de relacionamento, numa empresa que requer uma gestão de detalhes, né? Você não consegue trabalhar, independente da posição que você tiver dentro da Avon você não consegue trabalhar só no estratégico, no macro, né, muitas vezes você tem também que ter a habilidade e conhecimento pra poder descer nos detalhes, porque é uma empresa complexa e cheia de detalhes, né? (risos) Então você tem que acertar esses botõezinhos o tempo todo. 

 

P/1 – E o que você acha que a Avon representa para os seus funcionários?

 

R – Olha, eu vejo as pessoas falarem da Avon com muito orgulho, né? É uma empresa grande no Brasil, é uma empresa que tem uma representatividade forte e eu vejo assim uma identificação muito grande, né? De pensar que dentro da própria produção, ou dentro da empresa como um todo, você tem um monte de revendedores e revendedoras também, né? Então isso é como fechar o ciclo dentro da própria, dentro dos próprios departamentos. Quer dizer, você mesmo está checando ali o trabalho que você tá prestando, né? Então isso é uma coisa você não é só consumidor, você pode ser também muitos revendedores, eu vejo na fábrica tem muita revendedora, revendedores, né?

 

P/1 – Tá bom. Vamos falar um pouco de família, você falou que quando você estava em Porto Alegre você casou?

 

R – Casei, casei. Foi em 1989, né, depois de dois anos que eu estava em Porto Alegre acabei me casando lá. 

 

P/1 – E hoje você tem filhos, né, que você comentou.

 

R – Tenho, tenho dois, né, uma nasceu quando eu estava em Mogi Mirim, né, que eu morei em Mogi Mirim, fui construir três fábricas num site lá num período que eu trabalhei em manufatura. E o outro é de Porto Alegre mesmo, quando eu já tava em Porto Alegre. Eles têm nove e onze, um menino e uma menina, Pedro e Estela. Que são para mim a minha grande razão de vida, né? É isso.

 

P/1 – E o que você gosta de fazer nas suas horas de lazer?

 

R – O que eu gosto de fazer? Puxa! Eu acabo hoje... Eu sempre gostei muito de artes, sempre gostei de cinema, de teatro, por incrível que pareça, pinturas, eu gosto. Mas depois das crianças eu diria que é uma fase hoje que no meu tempo livre acabo me envolvendo muito com as atividades deles porque falta tempo, falta tempo para isso. Mas eu acho que curtir hoje as coisas que eles gostam, daqui a pouco eles estão grande e acabou, né? Então acabo fazendo muita coisa: ir no parque, andar de bicicleta (risos), eles gostam muito de praia, a gente vai bastante para Jundiaí na casa dos meus pais, né, que é uma casa aí tem todos, tem a família toda. Então eu diria assim que eu acabo me envolvendo muito com isso, com essas, com as atividades deles, né? E tento também fazer alguma coisa para mim aí que, pelo menos, o tempo que sobra um pouco de caminhada, gosto muito de caminhar, é uma coisa que me faz bem, uma hora, se eu pudesse eu caminharia todo dia uma hora na rua, né, eu gosto de caminhar na rua: você vai caminhando e pensando, é uma coisa que é tão bom… Mas nem sempre eu consigo, fim de semana certamente mas durante a semana nem sempre, que tá escuro e eu também tenho medo (risos). Mas aí vou pra esteira, né, a esteira ou academia fazer alguma coisa assim, mas eu gosto muito, gosto de caminhar, gosto de natureza, né? Não sei se porque cresci no interior mas o verde me faz muito bem, tá próximo da natureza realmente isso é uma coisa que...

 

(troca de fita)

 

R - ... eu gosto e acabo também levando e eles e as crianças também gostam muito, né? Então a gente curte fazer essas coisas, o meu filho adora pescar, eu digo: “Ai meu Deus”, né, “que paciência!” Até isso tenho feito (risos), até pescar, e de preferência procurar um lugar que pesque rápido porque criança não tem paciência, né? Mas são essas, a minha filha adora esportes, então eu tenho me envolvido bastante com ela então antes era ballet, era ginástica olímpica, futebol, eu digo: “Meu Deus, né, haja energia pra tudo isso, né?” Eu nunca fui muito de esportes, eu gosto de caminhar, gosto da natureza, mas assim nunca fui muito, né, hoje faço porque eu acho que é importante fazer um pouco de exercício e tudo o mais, mas eu tô aprendendo com ela, né, tô aprendendo com ela, aos poucos, ficar sócio do clube para poder fazer as escolas de esporte, acompanhar, e ela tem, adora muito isso, né? E meu filho já gosta de música e eu sempre gostei, nunca aprendi a tocar nada (risos) mas tô incentivando ele, né, já que ele gosta, então ele tá aprendendo lá um pouco de violão, não sei se vai ter... Eu acho que é muito importante a criança, para mim tem sido muito interessante entender, talvez porque eu seja uma pessoa muito curiosa também, entender o que eles têm habilidade, né, não preciso fazer isso só na fábrica, a gente faz isso com os filhos também, né? Qual é a habilidade que ele tem, qual é a coisa que ele pode explorar mais, né? Então para mim tem sido assim muito interessante. Às vezes você vê que, e eles vão mudando, eles vão crescendo, os interesses mudam, né? Então acompanhar isso também não é fácil, eu diria que é uma tarefa difícil de muita responsabilidade (risos). Tem sido, tem sido muito interessante, eu procuro me envolver em tudo porque eu acho que é uma oportunidade única, né, daqui a pouco eles crescem e não tem mais. 

 

P/1 – É verdade.

 

R – No tempo que dá, né? Principalmente fim de semana. 

 

P/1 – Vamos falar mais um pouquinho da Avon, Ana. Na sua opinião, qual a importância da Avon nesse sistema de venda direta aqui no Brasil?

 

R – Não é nem a minha opinião, é uma coisa já clássica, a Avon é a referência, foi quem começou, quem tem o grande domínio nesse processo. Aliás é uma coisa que me impressiona muito, sempre me impressionei muito com isso na Avon. Nas reuniões da empresa junto com o presidente, com as outras áreas, que a gente tem regularmente, eu fico impressionada com a habilidade e a capacidade de vender e a criatividade da empresa, nesse segmento de venda direta, de criar formas de vender, criar formas de fazer negócio, né? Então assim toda aquela, vamos dizer assim, a estratégia, a premiação, a forma de apresentar. Eu digo por isso que eu tenho aprendido muito e aplicado também dentro da manufatura, porque é impressionante essa máquina de vendas, né? E eu diria que a empresa tira o melhor desse canal de vendas, né? É uma atividade que, por exemplo, eu trabalhei antes em empresa de varejo que vendia pra supermercado e tal, completamente diferente, porque você tá na mão do supermercado que é um intermediário, atacadista e a venda direta tem esse benefício de você ter o conhecimento aí e a gestão de toda até a ponta, desde você fazer o produto, criar os incentivos, todo o programa de venda e entregar na casa da revendedora. E então assim, nenhuma outra empresa no Brasil e no mundo tem a escala que tem a Avon, eu acho que ela faz, ela aproveita muito dessa escala grande, né, de volume e de revendedoras e uma engrenagem por trás disso tudo de incentivos e formas de venda e como fazer negócio. Eu nunca vi, eu nunca vi nada igual. E eu acho que ela não perde a sua essência, por mais que se modernize, se crie, se coloque tecnologia, eu acho que existe uma preservação muito grande, claro que também com a sua apropriada modernização, mas uma preservação muito grande dos conceitos, do campo, dos conceitos de como tratar a revendedora, como buscar essa lucratividade da revendedora, a motivação, né? Então eu acho que isso ela não perde, isso é muito forte dentro da empresa, é o DNA da empresa. 

 

(pausa)

 

P/1 – Ana, como você vê o fato da Avon dar a oportunidade de trabalho a um número tão grande de mulheres aqui no Brasil?

 

R – Olha, acho isso ótimo, né? Isso é bem marcante dentro da empresa, não é só com as revendedoras, mas em toda a empresa. Eu acho que em toda a gestão, executivos, a empresa tem um tratamento muito igual e as oportunidades… Você não vê diferenciação, o importante é você fazer um bom trabalho, é você acompanhar a empresa e entregar os resultados independente se você é homem ou mulher. Então eu acho que é assim, é muito difícil ver isso, é muito difícil você ver isso dentro das empresas hoje, porque por mais que você diga que não existe diferenciação ainda para subir na carreira, em geral você acaba ganhando um mundo muito mais masculino do que feminino, e na Avon você consegue, eu acho que você consegue trilhar esse caminho com igualdade, eu acho que isso é muito legal. E fora isso, a própria oportunidade, isso dentro da empresa, a própria oportunidade de trabalho da revendedora que pode ser um trabalho único, como pode ser um segundo trabalho, quer dizer, uma oportunidade de ganho independente e que ela pode utilizar o tempo que ela tem disponível. Então eu acho que para um país como o nosso isso é uma questão social, é uma questão social e que tem um grande mérito não só por ser uma empresa lucrativa, mas por ser uma empresa que tem uma quantidade de trabalhos diretos e indiretos muito grandes, né? Então sem contar que a gente olha revendedoras que tem mais um monte de pessoas, gente que trabalham com elas, então quer dizer, é uma pirâmide, uma cadeia muito grande, então acho isso, isso não tem, acho que não tem igual. 

 

P/1 – E como você vê a atuação da Avon no Brasil?

 

R – É uma empresa de destaque, né? Tá aí entre as maiores empresas, é só olhar na revista da Exame. É uma empresa que tem uma representatividade muito grande no faturamento, ela tem um peso não só no Brasil, como na corporação muito grande e respeitada, eu acho que isso é uma coisa interessante também. Uma empresa que tem respeito perante os órgãos, autoridades, credibilidade. Então eu acho que isso é fundamental pro desenvolvimento do país e das pessoas. Eu acho isso muito, acredito que isso é fundamental para uma empresa que cresce como ela cresce, né, para um ramo de negócio que cresce também e muito, ter essa credibilidade e respeito por toda a comunidade. Então funcionários, famílias, órgãos governamentais, ambientais, empresas, né?

 

P/1 – E qual é a sua visão a respeito das ações sociais realizadas pela empresa?

 

R – Olha, esse é uma, é outra, eu diria que é um outro ponto que diferencia a empresa. Ela não tá voltada somente para o lucro, para geração de empregos, mas também essa preocupação com a mulher, com o câncer de mama, “Um Beijo pela Vida”, pela violência, causas como violência doméstica. Causas assim até que você não escuta no dia-a-dia, né? Então ter a coragem de trazer isso à tona, de buscar formas de trabalhar e ajudar essas pessoas, contribuir para as pesquisas, no câncer de mama, na prevenção e tudo o mais, é uma coisa muito diferenciada, né? Então eu acho que, e se a gente vê qualquer um dentro da empresa tem muito orgulho disso, né? A própria Andrea Young, a senior da empresa, ela coloca isso de uma forma de muito orgulho e de responsabilidade. Então eu acho que é mais do que uma causa, é participar da sociedade, é contribuir para a responsabilidade social, trazer essas questões à tona e buscar formas de trabalhar essas questões não só falando, né, mas realmente agindo, agindo e mostrando os resultados. Então acho isso muito interessante. Eu faço parte aí da gestão do Instituto também e eu acho, o Instituto Avon, e eu acho super interessante essa, os profissionais, os profissionais de saúde, de coisas que você vê e fala: “O que tem a ver com cosméticos, né?” Não importa, é a sua parcela de contribuição para a sociedade. E existe um envolvimento de toda a gestão nisso, né, encontra tempo para se dedicar a isso e não só ao negócio e a venda, a lucratividade. Então eu acho que isso é uma qualidade, que é uma diferenciação também, e responsabilidade acima de tudo. 

 

P/1 – Você falou que você faz parte também do Instituto?

 

R – É, dentro do Instituto, né, que é presidido pelo presidente tem um corpo diretivo e às vezes tem… O que se discute em geral são onde serão os investimentos, como é que esses investimentos têm trazido resultado, qual é que tem sido os benefícios pras comunidades, onde que como as arrecadações, os programas. Eu acho isso muito, muito legal, né?

 

P/1 – Que é o fundo Viva o Amanhã?

 

R – É o Beijo pela Vida, né? São tantas, são tantas...

 

P/1 – São vários, né?

 

R – São vários que se eu começar a falar eu vou me atrapalhar, né? Mas é o Beijo pela Vida, é a violência doméstica, é o Viva o Amanhã, tem várias frentes sociais. Eu acho que isso é muito legal.

 

P/1 – Tá bom. E na sua opinião qual a importância da Avon para a história dos cosméticos?

 

R – História dos cosméticos?

 

P/1 – É, com toda essa modernização, esses produtos novos todos, que a Avon chegou aqui em 1958 no Brasil, né? Foi uma evolução.

 

R – Eu acho que não tem ninguém nesse país aqui que não use cosmético, ou algum produto cosmético que não conheça a Avon, né? Então eu acho que é uma empresa que tem aí uma marca top of mind que tem a sua marca registrada e produtos, e produtos acessíveis, produtos que podem... Isso também eu acho que é uma coisa que diferencia essa empresa, é que ela tem produtos pra qualquer renda, produtos mais sofisticados, produtos mais elaborados, mas ela mantém também os produtos mais simples, que pode aí toda, qualquer um pode ter acesso, então não existe distinção, né? Então essa, eu acho que, por isso que eu digo, desde uma adolescente, uma criança a uma pessoa mais, vamos dizer assim que mais simples, a uma pessoa que tem um maior poder aquisitivo, de qualquer que um que você fale alguma coisa ele usa (risos), alguma coisa ela usa, algum comentário sobre o produto sempre vai ter, né?

 

P/1 – É, atinge várias classes sociais. 

 

R – Então isso é muito interessante, você acaba tendo uma abrangência muito grande, então versifica e faz com que desperte a curiosidade em ver o que são as novidades porque sempre tem novidades, né? Uma empresa que inova com tamanha frequência e que investe em pesquisa e desenvolvimento também, né? Então eu acho assim o investimento nessa área na Avon é muito interessante, né, o centro de desenvolvimento nos Estados Unidos é realmente uma coisa que se manteve aí ao longo dos anos, e que a cada dia estão sempre procurando coisas novas, moléculas novas, tecnologias novas, né? Buscando sempre atingir esse sonho de beleza e bem estar. Então eu acho que não tem, é uma coisa muito interessante e que a empresa aposta muito e que ela vive disso. Se a gente olhar a grande parte da receita da empresa são os produtos novos todo ano, é uma aposta, todo ano é uma aposta: é criar, é inovar e buscar alguma coisa diferente para motivar as pessoas a usar e sempre evoluindo a tecnologia também, né? Então eu acho que a história do cosmético no Brasil e no mundo é uma coisa assim, ela faz parte, não tem como, 120 anos no mundo e 50 e poucos no Brasil eu diria que não tem como não ser parte da história, né? Ou até um grande, vamos dizer assim, uma direcionadora da história.

 

P/1 – E quais foram os maiores aprendizados de vida que você obteve trabalhando na Avon?

 

R – Vários, né? Eu acho que tem esse aspecto social que eu não presenciei forte em outra empresa que eu trabalhei, eu acho que isso é um aprendizado que a gente cultiva, não como profissional mas como pessoa. E também esse, é outra coisa, um outro aprendizado, são muitos, mas assim que são marcantes é a própria gestão de pessoas, é uma forma, um grande número de pessoas, de envolvimento dessa gestão, essa preocupação com o indivíduo, né? Então eu acho que com a equipe, a utilização do relacionamento como uma ferramenta de trabalho. Então eu acho que isso para mim tem sido um aprendizado muito positivo e que eu tenho certeza que vai se, vamos dizer assim, se juntando aos aprendizados e esse é aquele que fica, que permanece, que só pode crescer, pode crescer e aplicar não só no meu dia-a-dia, mas também no dia-a-dia da vida de gente com família, com filhos, com colegas, então eu acho que isso é muito legal.

 

P/1 – Tá bom. E Ana, você lembra de algum caso engraçado, de alguma coisa que aconteceu lá com alguém? Algum caso assim...

 

R – Ah eu sou difícil de lembrar, contar essas coisas, viu? (risos) Ah meu Deus! Caso engraçado? Tô olhando esse negocinho aqui tô achando tão interessante. Eu adoro esses negócios (risos). É uma coisa que não tinha como falar, eu adorava isso quando era criança! Fato engraçado? Ah, eu sou muito ruim desse negócio de lembrar fato engraçado, viu?

 

P/1 – Que tenha acontecido lá com a sua equipe ou com alguma outra equipe? Que você trabalha com diversas pessoas, né?

 

R – Puxa vida! Na hora assim eu não consigo lembrar de um, são tantas coisas, fatos engraçados a gente tem… Não sei se é fato engraçado, mas a gente, eu diria que na minha equipe a gente às vezes se pára assim, se depara com algumas coisas interessantes porque estão, são muitas pessoas, muitas vidas, muita... Às vezes você tá preocupado com alguma coisa mais relacionada ao indicadores e tal e de repente as pessoas estão querendo somente um pouco de atenção e de ouvido, né? Então me lembrei de uma agora assim que eu nunca, essa é difícil, eu tô péssima para lembrar essas coisas. Mas eu cheguei para um, a gente tava começando com os grupos semi-autônomos, e aí tinha um rapaz que era, tava sendo um dos primeiros operadores de máquinas, que a gente tava desenvolvendo pras máquinas que tinham mais tecnologia. Então era um conceito que tava todo mundo olhando, o que ia acontecer com aquele grupo, porque aquilo seria o marco diferenciador para os próximos. E aí eu cheguei pra ele, né, e perguntei assim: “Como é que tá a operação?” Mas o que eu quis perguntar pra ele é como é que tava a operação de produção, aí ele disse: “Ah a operação do joelho foi muito (risos), agora eu tô bem mas foi”. Aí eu digo: “Ai meu Deus, né?” Então foi muito engraçado, porque eu cheguei para ele pra perguntar como tava a operação, como é que tá lá o equipamento, o desempenho, os indicadores e ele foi me contar toda a história da operação no joelho, eu nem sabia que ele tinha operado o joelho (risos). Foi uma e aí eu escutei toda a história do joelho, então são coisas assim, essa pra mim foi marcante mas é, sei lá, num mundo com tanta gente. Então assim, e ele ficou super feliz porque eu falei dele, não perguntei, ele achou que eu tava perguntando dele, então ele ficou super satisfeito que eu sabia que tinha operado o joelho, então eu digo: “Ai meu Deus!” Essa foi (risos) muito engraçado, foi muito engraçado, eu falei: “Nossa gente, precisa sempre antes de perguntar uma coisa sobre o desempenho de uma linha é também saber como está a pessoa” porque essa é, para mim foi o aprendizado dessa: “Como é que está a operação, né? Como foi a operação”, eu não lembro exatamente o que eu perguntei. 

 

P/1 – Tá bom. Ana, o que você acha da Avon estar resgatando a sua memória, né, a sua história através desse projeto?

 

R – Ah eu fiquei tão surpresa com esse negócio, falar a verdade que eu tava curiosa pra saber o que era isso, né? Eu recebi esse convite, fiquei super contente, então eu até queria saber mais o que era, o que não era, mas eu pensei depois assim: “Puxa, é uma coisa que se faz assim uma vez a cada não sei quantos anos que uma empresa pode fazer um negócio desse, né?” Então me senti assim muito orgulhosa de ter sido convidada, de participar dessa história, de tá aqui, e tá vendo também a paciência de vocês pra poder com todo cuidado ao fazer as abordagens e procurar entender a cada um que vocês estão conversando, né? Eu não conhecia nem, nem sabia da existência do Museu da Pessoa, eu achei, 16 anos, né? Então cada dia a gente aprende mais, né? Além de ficar feliz eu aprendi alguma coisa aqui hoje que eu não sabia que existe uma entidade que tem essa preocupação, né, histórias de vida. E como a gente aprende através de história de vida de outras pessoas, né? A gente poder ver, eu não sei ainda como funciona tudo isso mas eu tô curiosa pra saber como funciona um pouco mais esse, a multiplicação dessas informações, não é só juntar, mas como é que vocês multiplicam tudo isso. E a empresa, a Avon, utilizar deste conceito, dessa entidade para incorporar na comemoração dos 50 anos, eu achei assim que tá muito ligado ao DNA da empresa, a cultura, a história de pessoas, de desenvolvimento de pessoas, de busca de oportunidade. Quer dizer, se a gente for pensar em tudo isso, tá tudo muito inter-relacionado, né? Então assim o pessoal também tá de parabéns pela escolha porque é uma coisa muito sutil mas de muita profundidade. 

 

P/1 – E o que você achou de ter participado desse projeto através desta entrevista?

 

R – Ai eu não sei se eu consegui fazer o meu melhor, sou sempre muito exigente comigo mesmo, né? E falando “Nossa, mas será que eu falei tudo, falei, ou podia ter agregado mais?” Então hoje assim eu fiquei super contente e sempre vou pensar: “Será que podia ainda fazer mais, podia fazer mais, contar, poder agregar mais a esse projeto?” Então achei, mas foi tudo surpresa, ninguém me preparou aí com nada, ninguém me falou nada exatamente como que era, então é uma coisa que vem do coração mesmo, vem da hora o que você lembra e o que você pode transmitir. Então eu acho que isso, isso é bem diferente, né? E tem que ter coragem também para fazer um negócio que você vai conduzir conforme a coisa acontecer, né? Então eu acho que isso vem até, não sabia que existia primeiro o Museu, segundo como participar, né? Fiz algumas perguntas mas ninguém quis me contar antes (risos). Queria me preparar mas.

 

P/1 – Tá bom. Ana, você quer deixar uma mensagem assim pra Avon, pras pessoas que vão ver esse vídeo? Sobre esses 50 anos de empresa? Sobre toda essa modernização que a empresa tá passando, que ainda vai passar, né?

 

R – Vai é um processo contínuo, né? Ainda bem, tem muita oportunidade pra todos que estão aí e que vão vir, né? Uma mensagem...

 

P/1 – Uma mensagem assim tipo...

 

R – Eu diria, eu diria que para as pessoas que vão assistir, que vão ver para acreditar, é uma empresa que tem os seus valores muito fortes, que busca constantemente essa inovação e essa modernização, mas não perde a sua essência de valores, da revendedora, dos conceitos da venda direta. Então acho que para as pessoas que podem estar vendo isso é continuar acreditando, fazendo o seu melhor mas nunca deixar a essência de lado, né? Porque sem essa essência a empresa ela não tem essa, melhor dizendo, essa essência é que dá à empresa uma, vamos dizer assim, uma qualidade única, uma qualidade única, a diferenciação e o potencial de crescimento ainda maior, né? Então tudo isso que tá envolvido por trás, a responsabilidade social, as causas, a forma de trabalho, relacionamento, os valores fazem com que você consiga dar uma cara única a tudo que você vai fazer de novo e de melhor, né? Então essa pra mim talvez seja, e acreditar que isso é importante, que faz a diferença. Acho que é isso. 

 

P/1 – Tá bom. Quer perguntar alguma coisa? Não? Você quer falar mais alguma coisa?

 

R – Ah, acho que não, né? (risos) Não sei se tem alguma coisa a mais que você gostaria de perguntar, cobriu tudo? Que que é esses negocinhos aqui?

 

P/1 – Então, Ana, em nome da Avon e do Museu da Pessoa nós agradecemos a sua entrevista.

 

R – Obrigada, foi um prazer e eu tô muito feliz de tá aqui hoje com vocês.

 

P/1 – Obrigada.

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