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História

Quem não quer ver sua casinha direita?

História de: Érica Tiranin Freitas
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/11/2021

Sinopse

Érica conta sobre sua vida e sobre a reforma feita em sua casa pelo Instituto Dara, em parceria com a Vedacit.  

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História completa

P/1 – Oi, Érica. Pra começar, a gente pergunta seu nome, local e data de nascimento. 

R – Eu me chamo Érica, tenho 23 anos. Moro em Ramos, [na] Rua Passos Coutinho, casa 15208. Nasci em nove de janeiro de 1998.   

P/1 – Qual é o nome dos seus pais e o que eles fazem? 

R – Meu pai hoje é falecido, o nome dele era Hélio Freitas. O da minha mãe é Guacira Tiranin da Silva. Ela não trabalha e eu sou a responsável agora, da casa. 

P/1 – Seus pais são do Rio também, que nem você? 

R – Sim, somos. 

P/1 – Você lembra da sua infância, da casa onde você se criou? 

R – Minha mãe, eu costumava dizer… Eu a chamava de cigana, ela vivia rodando o Rio de Janeiro. [De] alguns [lugares] eu lembro. Moramos na Penha, Cordovil e era bem dificilzinho, sabe, mas hoje eu costumo dizer que é bem melhor e está melhorando. 

P/1 – Você tinha alguma brincadeira favorita, na infância? 

R – Eu brincava de tudo. (risos) Garrafão, pique-esconde, basebol de taco, aquelas brincadeiras. Tudo, era de tudo. 

P/1 – E na época da escola, tem alguma lembrança marcante? 

R – Por eu me mudar sempre, eu vivia mudando de escola. E aí, as lembranças eram as mesmas: estudar, brincar, essas coisas, mas nada marcante. Tanto minha mãe rodava o Rio de Janeiro, que até esqueci. 

P/1 – E depois da escola, qual foi seu primeiro trabalho?

R – Desde os meus catorze anos, tomei conta de duas crianças, durante três anos. Era a Larissa e o Mateus, hoje eles já estão maiores. Depois disso, eu entrei numa firma lá no Riocentro. Trabalhei 28 dias de carteira assinada. Pela distância estava muito complicado de eu chegar, a minha mãe ficava muito preocupada e eu saí, mas antes disso eu trabalhei em firma perto da minha casa, com fábrica, essas coisas, [como] freelancer, né, [por] um tempo. 

P/1 – Como é que você teve contato com o Instituto Dara? 

R – Foi quando eu tive a Maria, minha filha. Minha bolsa rompeu, eu estava com 26 semanas; ela nasceu de 29 [semanas] e eu fiquei internada no Maria Amélia. Conheci uma assistente social e ela tinha visto, porque eu conheci a maternidade toda e aí eu podia falar muito com ela. Ela viu o meu perfil, que eu era mãe solteira; a Maria tinha acabado de nascer, não tinha condições, porque ela ter nascido prematura, aí ela me encaminhou pra lá. E lá foi a bênção da minha vida. (risos) 

P/1 – E como é que você conseguiu essa reforma pelo Instituto Dara e a Vedacit? 

R – Eu fui assistida lá um pouquinho mais de dois anos e eu conhecia todo mundo, porque eu vou explicar um pouquinho: ali a gente não tem como retribuir financeiramente, mas eu acho que a gente pelo menos tem que ter a gratidão e demonstrar, de alguma forma. Eu chegava ali, todo mundo parecia ser íntimo, porque eu falava com todo mundo. Sempre pareceu uma intimidade muito grande, porque todo mundo me conhecia. Elas viram a minha casa, porque eles vão visitar; precisava de reforma e aí Deus ajudou, encaminhou e eu consegui. 

P/1 – E como é que foi a reforma? Mudou muita coisa, depois dela? 

R – Antes da Maria nascer, porque eu não imaginava a primeira gravidez com cinco meses. Foi às pressas. Conseguimos ajeitar o quarto e tudo o mais, só que a cozinha era muito feia. Era tipo fio, telha, era horrível a cozinha e o banheiro e agora, ficou… Desculpa. Agora é lindo. Em vista do que era, ficou muito diferente. 

P/1 – Tinha algum problema antes, na sua casa? Por exemplo... 

R – Sim. 

P/1 - ... de infiltração, alguma coisa assim? 

R – Sim, tinha. Quando chovia na cozinha, pela telha - era telha - jorrava água, parecia uma cachoeira. Chovia muito e a gente ficava desesperado, porque não tinha como tirar, não tinha mais tanto balde, pano. A gente ficava desesperado, porque ia pra sala, molhava tudo. Chegou até a infiltrar. O móvel da cozinha, atrás, está todo arregaçado.     

P/2 – Deixa eu te fazer uma pergunta, Érica: eles fizeram uma reforma da casa toda, fizeram de um cômodo? Conta pra gente como é que foi. 

R – Da casa toda. Eles trocaram a fiação toda, a telha toda também, que a aparência... Não é que tinha que ser aparência, mas chovia, molhava, pingava aqui, pingava ali. Trocaram as telhas da casa inteira, as fiações - era horrível você entrar, via várias cores, parecia um arco-íris de tanto fio junto. Na cozinha fizeram a reforma total, botaram PVC. O banheiro também, trocaram os canos. Está outra casa. (risos) 

P/2 – E quando foi essa reforma? Ela foi durante a pandemia ou antes? 

R – Eu acho... A pandemia mexe muito com minha cabeça, às vezes até esqueço o ano que a gente está, mas eu acho que foi na pandemia. Olha só, cara, eu acho que foi na pandemia, sim. Foi. 

P/2 – Você lembra como foi, por exemplo: se demorou bastante ou se foi uma coisa rápida? 

R – Não, não demorou. Foi rápido, eu acho que em duas semanas, no máximo. Seu João, um pedreiro incrível… A gente até tem contato dele ainda, porque até a minha filha pergunta: “E meu tio João?” (risos) Foi rápido. Excelente. 

P/2 – E você acha que foi importante pra saúde da sua família, pro bem-estar de vocês, essa reforma? Ficou bem melhor? Você acredita que agora as condições estão bem melhores, pra vocês? 

R – Com toda certeza. Não tem dúvida nenhuma. Foi o que eu falei: não só aparentemente, também molhando tudo, perde-se móveis. Era horrível. E agora a gente tem a segurança que pode chover o quanto quiser que não vai descer água aqui, agora está reformado. É bom, por que quem não quer ver sua casinha direita? 

P/2 – Certo. E quais os seus sonhos pro futuro, Érica? 

R – Ai, hoje eu só quero viver. (risos) Com essa pandemia, a gente não sabe o dia de amanhã. Mas eu só quero viver e de uns tempos pra cá, estão caminhando as coisas na minha vida, dando certo. Estou trabalhando, graças a Deus e só isso. Quero que minha família fique bem e buscar o que precisar, ir atrás, que disposição eu tenho. 

P/2 – E o que você acha que é mais importante pra você, hoje em dia? Além de estar viva, da sua família estar todo mundo bem, com saúde. (risos) 

R – O que eu acho mais importante? Pra mim, é o crescimento da Maria, da minha filha. É acompanhar, ser presente na educação dela. Ainda mais por a gente morar na comunidade, é bem difícil pra gente. Eu quero isso, que ela estude pra caramba, seja... Não é que ela tem que ser o que eu queira, é que ela, pelo menos, tenha o estudo dela e pé no chão pra correr atrás do que precisar, né, que não somos eternos. 

P/2 – Qual o nome da sua filha?  

R – Maria Heloisa. 

P/2 – E qual a idade dela?  

R – Ela tem três anos. Vai fazer quatro em março. 

P/2 – Bom, então, pra encerrar, a última pergunta: o que você achou de contar um pouquinho da sua vida pra gente, hoje?

R – Eu estou bem à vontade. (risos) Estou aqui falando, se deixar eu falo o dia inteiro. Mas é bom pras pessoas. Se for parar pra eu falar da minha vida real vocês vão escrever um livro, vai ser um dia inteiro. Mas eu gosto de compartilhar um pedacinho dela, ainda mais por eu ter 23 anos e passar o que eu já passei e hoje estar de pé, não ter desistido de nada. 

P/2 – Está certo. Bom, então, em nome do museu, a gente agradece muito a sua participação, você ter aceitado conversado um pouquinho com a gente. 

R – Sim. (risos) Se um dia vocês tiverem interesse em ouvir tudo, pode me ligar também. Eu conto, vocês escutam, (risos) porque é bem... Eu só tenho essa carinha de 23, de nova, mas o que eu já passei, só Deus sabe. Mas é conquista, é um dia após o outro, vamos viver. (risos)                   


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