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História

Quem faria isso?

Sinopse

Em sua bela entrevista, Leno nos conta a respeito das origens indígenas de sua família, com suas tradições e cultura agrícola, tudo isso ensinado a ele desde pequeno. Em seguida, nos dá uma verdadeira aula a respeito da história da cidade de Barcarena e sua região, próxima a Belém. Leno fala de algumas lendas amazônicas e, depois, das dificuldades de conseguir estudo. A partir daqui, nos conta sua luta pela sua própria educação e, claro, pela dos filhos de Barcarena. Leno fala de sua formação como doutor em História e sua missão de escrever e divulgar a história local, junto às escolas da cidade

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História completa

A minha família é bem interessante. Minha mãe contava muitas histórias - quando a mãe conta as histórias dela, ela já é uma viúva. Então, só ela que tinha o poder, como se fosse uma matriarca da família. Mas era uma pessoa de muita força. Isso é bem legal, porque geralmente se tem ideia de que as mulheres são, sempre, acompanhantes dos maridos e, ao contrário, ela, a Gordolina, a Tia Gorda, era muito tida como uma pessoa, assim, de muita força na família, de tal modo que tem uma história que ela conta que um dos filhos dela convivia com vizinhos e vizinhas que acabavam, enfim, namorando meio que escondido. 

O relato é que uma moça que morava, que era vizinha, acabou vindo pra casa dele durante a noite. O resultado dessa história é que ela engravidou dele e, naquela altura, a mãe da moça chegou lá a dizer que ela tinha que, obrigatoriamente, casar com ele. Então, aí veio uma história que eu achei muito curiosa, que ela perguntou assim: “Escuta, você tem que casar, tem que assumir e tal”. Aí ela perguntava pra ele: “Você tem que casar com ela, de fato? Você gosta dela e quer viver com ela?” Aí ele dizia: “Não, essa foi uma relação por acaso e tal”. Aí a ameaça da mãe da moça era assim: “Se você não casar, ele vai preso”. E o que foi que ela fez? Optou pela prisão dele, mandou que ele fosse preso, fosse pro São José, que é uma cadeia de Belém, ele acabou ficando preso seis meses, que era pra ele aprender a se comportar e não mexer com a filha da vizinha, do que assumir o casamento. 

Bom, eu não sei dizer se depois que ele voltou lá teve continuidade nesse relacionamento, mas o fato é que ela dizer que ele deveria assumir e ir preso e consentir a prisão, pra mim é bem simbólico, porque o comum seria mandá-lo sair, do que fazê-lo casar ou ser preso. Então, ela admitiu a prisão. Então, eu achei isso muito curioso e de uma força muito grande, porque ela era a mulher da casa. Então, essa história é muito marcante pra nós, mandar o filho pra prisão, por exemplo. Quem faria isso, né?

 

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