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História

Que trajetória vivida, obrigada vida!

História de: Jéssica Martins Vieira
Autor: Jéssica Martins Vieira
Publicado em: 15/06/2020

Sinopse

Uma trajetória repleta de sonhos que foram alcançados com muita garra e dedicação. Gratidão pela vida e por toda estrada percorrida.

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História completa

Meu nome é Jéssica Martins Vieira, tenho 24 anos nasci na cidade de Brasília de Minas que fica localizada no norte do estado de Minas Gerais. Sou a filha mais velha e tenho mais três irmãos. Minha mãe aos seus 15 anos descobriu que estava grávida de mim. Nasci no dia 17 de Junho de 1995 e quando completei 02 anos ela e meu pai decidiram ir para a cidade de São Paulo em busca de uma vida melhor. Chegando em São Paulo meu pai começou a trabalhar de pedreiro e aos poucos foi se especializando na área. Minha mãe tinha o costume de cuidar da casa e dos filhos, enquanto meu pai trabalhava de pedreiro em algumas obras. Lembro que minha mãe sentia muita falta de sua família, pois todos tinham ficado em Minas. Já o meu pai tinha alguns irmãos que moravam em São Paulo, então não sentia tanta falta como ela. Minha mãe sempre cuidou muito bem de seus filhos, foi uma mãe bastante presente em todos os momentos, já meu pai era um pouco rígido, mas carinhoso do jeito dele. Sempre batalhou para nunca faltar comida em casa. Minha trajetória escolar foi muito boa, entrei na pré-escola no ano de 2000, tinha 04 anos. Tive muitas alegrias brinquei, explorei, aprendi e também chorei. Eu estudava no turno matutino, era levada para a escola pela minha mãe, e sempre quando chegávamos ao portão ela se despedia e eu seguia sozinha subindo a rampa em direção ao pátio da escola, todas as crianças subiam juntas e todos os pais permaneciam no portão olhando seus filhos entrarem na escola. No pátio todas as turmas se encontravam para realizar a oração, cantar músicas e dançar, músicas essas que trago comigo até hoje. Depois de cantar todos subiam as escadas indo para suas salas, lá realizávamos várias atividades lembro que pintávamos muito. Toda terça-feira era dia de parquinho, então torcíamos para não estar chovendo. Eu gostava muito de brincar na balança e na gangorra. Certo dia quis tentar brincar no escorregador, e para minha má sorte, caí dele. Até hoje tenho receio de escorregador e não tenho coragem de brincar nele (no caso de um escorregador para adultos). Sexta-feira era o dia do brinquedo, o dia mais esperado por mim e pelas crianças da minha sala, eu aproveitava esse dia para levar uma boneca velha que eu tinha. Em 2002 mudei de escola, fui para a escola EMEF Ulysses da Sylveira Guimarães, lá estudei da 1º até a 8º série (na época se falava série e não ano). Em 2004 quando estava na 3º série tive uma professora que até hoje tenho um grande apreço por ela, o nome dela é Gislaine. Lembro dela naquela época com os cabelos aloirados sempre usando uma tamanco de madeira em seus pés. Sabe aquela pessoa que era brava, mas carinhosa ao mesmo tempo? Ela era assim. Lembro que ela costumava jogar pedaços de giz nos alunos que conversavam na hora da explicação. A sala a amava, dentro da escola sentia como se ela fosse minha mãe. Teve um dia que a escola estava organizando uma excursão ao Zoológico de São Paulo e meus pais naquele momento não tinham dinheiro para poder pagar o passeio. Então a professora Gislaine pagou o passeio para mim, me senti tão querida por ela. Com o passar dos dias eu admirava ela mais e mais pois ela sempre fazia muito pelos seus alunos. Teve um dia que me marcou muito, no 5º ano ela estava explicando a disciplina de Matemática trabalhando expressões numéricas, então passou várias contas para serem resolvidas, conforme íamos terminando as continhas podíamos sair da sala e ir assistir um filme que estava passando na sala de vídeo. Me lembro que meus colegas foram saindo aos poucos, e eu fui ficando e ficando. Até que comecei a chorar baixinho, e nesse momento a professora Gislaine chegou perto de mim e me disse com carinho, que aprender expressões numéricas era importante. E que o filme podia esperar, então pegou um lápis e me ajudou a resolver. Daquele dia em diante tive mais facilidade para realizar as atividades futuras sobre essa matéria. Esse gesto pareceu simples, porém pra mim foi de grande valia. Recordei-me das “bitucas” de giz que eu recolhia do lixo escondida, lembrei do mimeógrafo que era usado para tirar cópias de atividades naquela época. Lembrei dos papéis de carbono e as atividades com algum erro de cópia que ela jogava no lixo e eu recolhia e levava tudo para casa. Pois quando eu chegasse em casa, ainda “tinha que dar a minha aula” para minhas bonecas e ursinhos. Foi um ano maravilhoso repleto de alegrias, a professora Gislaine era maravilhosa e foi através dela que eu passei a almejar em ser professora. Cada dia me inspirava mais e mais nela. Houve uma época em que, chegava o horário de ir embora e eu ficava para ajuda-la no turno da tarde, ajudava a dar aulas para os pequenos. Em mim ela enxergou um grande potencial, pois sabia do meu sonho e também acreditou nele, lançava então palavras de motivação e afeto. Hoje sou formada em Pedagogia e atuo como professora de Educação Infantil e tenho muito orgulho da história que construí. Não foi fácil, mas na verdade ninguém disse que seria. Corri atrás dos meus objetivos, me inspirei nas melhores versões de professores que tive. Também tive professores ruins, porém só me serviram de referência para não me torna-la como eles. Ser professora me transforma a cada dia, tenho tanta sorte de ter passado pelos momentos acima relatados que auxiliaram na construção da Jéssica de hoje. Foram muitos momentos, momentos alegres, momentos tristes, momentos de turbulências e também momentos de calmaria. Tudo que passei me causaram amadurecimento como ser humano. Só tenho a agradecer a vida, pela trajetória vivida, obrigada vida!

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