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História

Quando as músicas afloraram

História de: Iraci Rosa de Oliveira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/10/2021

Sinopse

Iraci recorda da sua infância, quando começou a trabalhar aos 6 anos, ajudando a cuidar de outras crianças. Depois, na juventude ela lembra que começou a ir sozinha trabalhar como doméstica. Ela conta também sobre o seu primeiro casamento, de quando desceu o morro de véu e grinalda, e que esse mesmo casamento lhe renderam os primeiros filhos, a saída de Macedo Sobrinho para a Maré e a sua primeira composição. Iraci rememora com alegria  a sua carreira como cantora e o que a motivou. 


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História completa

Na Nova Holanda já era uns barraquinhos de tábua, não tinha água também, mas o Miro Teixeira e a Cidinha Campos queriam saber o que queríamos pra favela, todo mundo gritou: “água”. E foram eles que colocaram água corrente para nós. Quando eu vim, eu vim para a rua F.

 

eu tinha nove anos de idade, a Emilinha fez aquela música: “assim se passaram dez anos..” e essa foi uma das primeiras músicas que eu gostei. Eu gostei da Emilinha, tinha aquela briga dela com a Marlene, mas eu gostava dela, achava bonito e fui acompanhar ela no teatro João Caetano, no dia do aniversário dela. Depois, eu já mocinha, fui na Rádio Nacional e cheguei perto dela, fiquei muito feliz, e ela cantou a minha música junto comigo. Eu mostrei pra ela a minha música, ela disse que se estivesse gravando ela teria gravado.

 

Eu tenho uma das filhas, quando ela estava com treze anos ela inventou umas músicas, e eu estava querendo ajudá-la, aí o dia que teve um incêndio aqui, o Wanderlei tocava berimbau e ele falou comigo: “A Manchete está precisando de pretinhas para uma novela de escravos. Eu não fiz fé, mas eu deixei ir, porque pra ficar aqui pra ver crimes, coisas violentas, então era melhor ir na Manchete porque iriam ver alguma coisa. Eu me lembrei que a minha filha tinha feito música, aí ele disse: “Ela fez música, você procura registrar.” Eu achei as músicas bonitas e quando eu percebi, quem estava fazendo músicas era eu. Ela me inspirou, quando eu percebi veio uma música em cima da outra. E essa não foi a minha primeira música, a primeira música eu fiz quando eu desmanchei o noivado, foi fofoca que desmanchou e eu fiz A Dona Candinha.

 

Ela saiu depois da primeira música, a primeira ficou Fofoqueira, mas a primeira escrita é a Dona Candinha, que foi inspirada quando eu desmanchei o noivado, agora a Fofoqueira já trouxe uma chuva, logo veio O Nazareno.

O Nazareno, o que é que está havendo?

E essa música quando veio, eu estava fazendo faxina, aí o meu patrão chegou na cozinha e falou pra empregada: “Não sei o que está havendo, que não tem comida de cachorro no supermercado.” Agora o que que comida de cachorro tem a ver com Nazareno? Aquele “havendo” ficou nos meus ouvidos, aí foram aparecendo as rimas e eu estava fazendo a faxina, aquilo me incomodando, quando eu acabei de fazer a faxina eu acabei de fazer o Nazareno.

O Nazareno, o que é que está havendo? O Nazareno, o que é que está havendo?

Você deixou sua mulher dormindo no sereno! Você deixou sua mulher dormindo no sereno!

Coitadinha da Sofia , como gemia, dormia no sereno numa noite fria.

Você ainda diz, está com pena leva pra você. Se alguém agarrar, você vai se arrepender.

 

As vezes eu penso numa coisa e a música vem inteira, mas às vezes eu penso e até vem a música, mas fica o resta bolinando na minha cabeça. Quando eu vejo eu rimo, eu já me acho e coloco. Tem música que às vezes é difícil achar a rima. Eu achava que era difícil fazer com meu nome, mas eu consegui fazer, e até mais de uma. As coisas vêm em pensamentos e às vezes vêm em sonhos, mas o Nazareno foi interessante porque quando o meu patrão foi chegando e eu fazendo faxina lá no quarto, aquilo ficou me incomodando.

 

Quando eu vim pra Maré foi quando as músicas afloraram, quando eu estava no Macedo Sobrinho só apareceu a música da briga, do noivado desfeito, mas aqui que vieram as músicas e eu consegui fazer.


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