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História

Psicólogo do riso

História de: Diego Baro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/04/2021

Sinopse

Diego Baro cresceu em Itaquaquecetuba e vive lá ainda hoje. As situações difíceis ou engraçadas que passou por lá são lembradas por ele com carinho, sobretudo porque servem de inspiração para boa parte das histórias que movem seus shows de comédia stand-up. Ele conta, em seu depoimento, que bem antes de subir aos palcos, tinha como plateia os amigos da escola, que se divertiam com suas trapalhadas e imitações de Mr. Bean. Sua vontade, nessa época de infância, ainda era ser psicólogo. Foi depois de descobrir vídeos na internet e de assistir a um espetáculo de humor em São Paulo que ele percebeu que sua vocação para ajudar os outros se daria de outro jeito: por meio do riso.

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História completa

Meu nome é Diego Baro, eu nasci em Arujá, São Paulo. Eu tenho 22 anos. Não... Ih, errei a idade, cara! Tenho 26 anos, eu nasci em 22 de setembro de 1990. É isso. O meu pai é do Recife, ele veio de Olinda, Pernambuco, que não é Recife, é Pernambuco – o cara que erra tudo (risos). E minha mãe é de Nova Olinda, no Ceará. E eles vieram para São Paulo tentar uma vida melhor, essas coisas. E se encontraram aqui e tiveram minha irmã, meu irmão e eu. Todos mais velhos, eu sou o mais novo. Eu nasci em Arujá, mas foi só no hospital, só simbólico mesmo (risos), porque eu morei, fui criado, tudo, em Itaquaquecetuba. Fiquei lá até os 26 anos, que é até agora (risos). Era num cortiço que a gente morava. E, no cortiço, tinha muita coisa, tinha todo tipo de gente junto em um lugar só. Acho que é até a base do que eu sou hoje (risos). Eu lembro que, na casa de trás, tinha um casal que eles sempre brigavam muito. Só que eles brigavam a ponto do cara bater na mulher e todas essas coisas. E eu tinha três, quatro anos, eu vi essas coisas. Aí, chamavam polícia, eu via a polícia passando. Eu ficava imitando o Gil Gomes (risos). Ficava fazendo a mão e fazendo: “A polícia chegou agora”. Era esse tipo de coisa. Tenho vergonha hoje? Tenho (risos). Era criança, a desculpa que eu uso é essa. A minha escola era próxima de casa, e eu lembro que era boa a escola. Eu sempre fui um aluno que nunca gostei de estudar. Ixi, era uma negação na escola (risos). Mas também eu não era bagunceiro, então, era só a questão da preguiça mesmo, de não querer fazer. Eu lembro que tinha uma professora na quarta série que todo mundo gostava muito dela. E eu não lembro o que eu fiz, não lembro, mesmo. Eu só lembro que um dos alunos ficou muito nervoso comigo: “Vou te pegar na hora da saída”. E ele veio me bater na hora da saída, porque eu tinha magoado a professora (risos). E eu lembro que eu nunca fui de briga, não sei se vocês repararam pelo meu físico, eu não sou de brigar. E ele me deu dois chutes na bunda, e eu fiquei chorando na frente da escola. Acho que é porque eu não gostava de fazer lição, em Itaquá a gente é muito apegado a esse negócio da lição, então... Na quinta série, foi quando eu comecei a descobrir que eu conseguia fazer o pessoal rir. Eu gostava muito do Mr. Bean, eu sempre fui apaixonado pelo Mr. Bean. E eu lembro que eu ficava imitando o Mr. Bean para os meus amigos (risos). E tinha um outro amigo meu, Alexandre o nome dele, e ele também gostava, e a gente ficava imitando as caras do Mr. Bean pra gente mesmo, e a gente ria muito com isso. E, depois disso, eu comecei a andar com outro pessoal, outros amigos meus que são amigos até hoje de Itaquá, e eu lembro que eu sempre fiz eles rirem. Eu ficava imitando outras pessoas, sabe? Hoje eu sou péssimo pra imitação, mas, de gestual assim, eu consigo, sabe? E era isso que eu usava. Foi quando eu comecei a desenvolver esse negócio: “Poxa, acho que eu consigo fazer essa coisa”. Antes da comédia, de eu saber que era comediante mesmo, eu queria ser psicólogo (risos). Não tem nada a ver comigo (risos). Mas eu queria, eu gostava muito de Psicologia, eu gostava demais, demais. E eu falava: “Acho que vai ser isso”. Só que, quando eu terminei a escola, que era o momento de eu falar: “Agora eu vou seguir a Psicologia”, foi quando eu comecei a fazer comédia stand-up, que é meio que uma Psicologia também, é uma consulta, é um desabafo. E o pessoal ri (risos). Eu terminei o ensino médio e eu tive que trabalhar. Comecei a levar currículo, aquela coisa toda, e arranjei emprego numa fábrica de espelho. Eu fiquei lá durante uns seis, oito meses. Era bem legal, era bem divertido. Daí, eu já comecei a ver muitos vídeos de comédia stand-up aqui no Brasil, que era em 2010, e eu comecei a me apaixonar, porque juntava aquilo que eu fazia na escola, que era fazer o pessoal rir, e num palco, que eu gostava bastante. Aí, falei: “Cara, eu acho que é isso”. Aí, eu comecei a procurar espaço para quem era iniciante e descobri no Orkut que tinha uma comunidade do pessoal em Santo André que ia fazer uma noite só para quem estava começando, para quem ia subir a primeira vez. Eu falei: “Cara, é aí que eu vou me encaixar”. E eu mandei mensagem pro cara lá. Ele falou: “É só vir aí, você faz o tempo que você escrever e se apresenta”. Aí, eu falei: “Tá bom”. Eu escrevi lá, acho que eu escrevi cinco, seis minutos, e falei: “Vou lá apresentar”. E esses meus minutos eram falando sobre onde eu moro, Itaquá, sobre a minha infância, essas coisas. Eu lembro que foi em 14 de julho de 2010 a primeira vez que eu subi no palco. No dia 14 de julho de 2010, eu subi a primeira vez, e foi demais, cara. Foi demais. Foi uma das melhores coisas que já me aconteceram ter subido no palco para fazer stand-up. A primeira piada foi sobre Itaquá, que eu falei que Itaquá era perigoso e tudo, era o que eu falava. E, aí, quando o pessoal riu a primeira vez, eu falei: “Cara, é muito isso”. E, aí, quando riram de novo, eu falei: ”Só confirmação do que eu queria mesmo”. E eu fiz os seis minutos e, quando eu saí do palco, eu falei: “Cara, isso aqui é muito incrível. É isso que eu quero pra vida”. Aí, foi onde eu tive esse toque. Caramba, é demais isso. É muito legal!

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