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História

"Proteger o alimento para tornar a vida mais prática"

História de: Mauro Donizete Terruel
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/03/2020

Sinopse

Infância. Primeiro emprego. Entrada na Tetra Pak. Cortadeira. Área de impressão e tecnologias. Embalagens e logística. Analista de Processos. Cooperpak e Tetra Pak Prev. Convívio entre colaboradores. Clube da Tetra Pak e seus eventos. Evolução das máquinas. Meio ambiente. Cursos e treinamentos. Programa de Voluntariado. Valores da empresa. Embalagens especiais. Certificações de qualidade. Padronização. Confiança na marca.

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História completa

P/1 - Rodrigo de Godoy

P/2 - Valdir Bertoldi

R - Mauro Donizete Terruel



P/1 – Boa tarde.

 

R – Boa tarde.

 

P/1 – Para começar, eu gostaria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R – Eu me chamo Mauro Donizete Terruel, sou do Monte Mor (SP) [e] nascido em 30 de maio de 1962.

 

P/1 – E qual o seu cargo hoje na Tetra Pak?

 

R – Analista de Processo

 

P/1 – O nome dos seus pais, quais são?

 

R – Pedro Terruel e Maria Julia Terruel.

 

P/1 – Eles nasceram onde, Mauro?

 

R – Em Mogi Mirim (SP), na cidade de Mogi Mirim

 

P/1 – Os dois?

 

R – Os dois, em Mogi Mirim.

 

P/1 – E qual é a atividade deles?

 

R – Meu pai era funcionário público e a minha mãe era do lar.

 

P/1 – Certo. Você nasceu e se criou sempre em Monte Mor?

 

R – Sim, nascido e criado em Monte Mor.

 

P/1 – E como era Monte Mor na época que você era criança?

 

R – Como era Monte Mor?

 

P/1 – O que você lembra da cidade na sua época de criança?

 

R – Eu, [era] muito pequenininho, [com] bastante estradas de terra. Cidade bastante pobre.

 

P/1 – E na época que você...

 

R – Uma cidade segura, vai. Antigamente, era bastante segura.

 

P/1 – E já tinha várias empresas, várias indústrias na cidade na época que você era criança? Você lembra disso?

 

R – Não.

 

P/1 – Ou ainda não tinha?

 

R – Não tinha.

 

P/1 – Ah, não tinha começado.

 

R – Não tinha.

 

P/1 – Ah, então ela era uma cidade que, basicamente, vivia do quê? De agricultura?

 

R – De agricultura.

 

P/1 – Agricultura.

 

R – Basicamente de agricultura.

 

P/1 – E você tem irmãos?

 

R – Tenho, eu e mais quatro irmãos.

 

P/1 – Você é o mais velho, mais novo?

 

R – Não, eu tenho duas irmãs mais velhas, um mais velho e um mais novo que eu.

 

P/1 – Todos moram em Monte Mor?

 

R – Duas irmãs moram em Paulínia (SP), um em Monte Mor e [outro] em Engenheiro Coelho (SP)].

 

P/1 – E o que você lembra da sua época de criança, assim, do que você brincava, como que era o seu cotidiano?

 

R – Brincava - uma vida bastante pobre - com as crianças ali da rua. A vida era estudar e brincar com as crianças de rua, mais ou menos por aí.

 

P/1 – E você estudou na escola de Monte Mor?

 

R – Estudei na escola de Monte Mor

 

P/1 – Como que era o nome da escola?

 

R – Era a Coronel Mendes Ferreira, onde eu fiz a quarta série; e da quinta à oitava, no Dr. Elias Massud - segundo grau também pelo Dr. Elias Massud.

 

P/1 – E você [é] casado?

 

R – Sou casado.

 

P/1 – Tem filhos?

 

R – Não.

 

P/1 – Não tem filhos.

 

R – Não tenho.

 

P/1 – E qual é o nome da sua esposa?

 

R – É Márcia Mesquita.

 

P/1 – E como que foi o começo da sua vida profissional. Qual foi seu primeiro trabalho?

 

R – Meu primeiro trabalho foi em construção civil, é, eu parei de estudar bastante jovem, eu acho que nos meus quinze anos, mais ou menos; e trabalhei dos quinze aos dezoito anos em construção civil. Depois, aos dezoito, eu entrei na Tetra Pak.

 

P/1 – Ah, então você só teve um trabalho antes de...

 

R – Só um trabalho. Esta foi minha primeira empresa e estou até hoje.

 

P/1 – Você entrou com 18 anos na Tetra Pak?

 

R – 18 anos.

 

P/1 – Como é que foi, é, você lembra, primeiro, quando chegou a Tetra Pak em Monte Mor? Você era criança, mas você já era muito moleque...

 

R – Ah, eu deveria ter uns 15 anos mais ou menos.

 

P/1 – Então você lembra quando chegou a Tetra Pak.

 

R – Lembro, lembro.

 

P/1 – Como é que foi o impacto de chegar a Tetra Pak na cidade, você lembra?

 

R – Bastante comentários, mas ninguém sabia o que essa fábrica ia fazer, na verdade. Existia bastante comentário, mas ninguém sabia. Ela se instalou em Monte Mor, mas ninguém sabia o que ela ia fazer e porquê estava ali.

 

P/1 – Não sabia que era uma fábrica de embalagens, não sabia o que era direito.

 

R – Eu, praticamente, não sabia.

 

P/1 – E a cidade como um todo, assim, o nome Tetra Pak não era um nome conhecido, então, ainda?

 

R – Hoje?

 

P/1 – Não, na época que se instalou.

 

R – Na época, não.

 

P/1 – Certo. E como é que surgiu a oportunidade de você ir trabalhar na fábrica?

 

R – Na verdade, eu estava trabalhando no ramo de construção civil e teve um amigo que trabalhou junto comigo, ele foi, preencheu uma ficha através de um gerente de planejamento que trabalhava na Tetra Pak, na época. Ele que me incentivou a preencher uma ficha e ir para a fábrica.

 

P/1 – E aí te chamaram para fazer a entrevista.

 

R – E aí tem uma história interessante. Chamaram para fazer a entrevista, eu fui, fiz a ficha; aí o motorista foi na minha casa para me chamar para fazer o teste. Quando eu cheguei em casa, o meu pai falou: "Ó, veio um rapaz da Tetra Pak aqui para você ir amanhã de manhã para fazer o teste". Eu, na verdade, não queria ir. Eu falei: "Não vou". O meu pai falou: "Você vai e acabou", entendeu? E eu acabei indo. Para a entrevista, foi a mesma coisa. O rapaz da Tetra Pak foi avisar na minha casa que era para eu ir no outro dia fazer a entrevista e meu pai; eu falei: "Não, eu não quero ir. Eu quero ficar fazendo isso, o que eu gosto de fazer". Até que meu pai deu uma carcada bastante grande em mim.

 

P/1 – Então seu pai foi o responsável de você trabalhar na Tetra Pak hoje?

 

R – É, ele e a minha mulher, são os dois - bastante responsáveis.

 

P/1 – Nessa época, você ainda não era casado?

 

R – Não era, não era.

 

P/1 – Aí você começou a trabalhar na Tetra Pak em qual função, Mauro?

 

R – Todos os funcionários que entravam naquela época, entravam pela cortadeira.

 

P/1 – Hum.

 

R – Que é uma máquina que ficava bem próxima do produto acabado. Todo o pessoal que entrava, entrava por essa máquina. Eu trabalhei 16 dias. Então, era assim: você entrava pela cortadeira, ficava um tempo na cortadeira, e depois o supervisor via a sua habilidade e aí, sim, te colocava em outras áreas que havia necessidade. Então eu entrei na cortadeira e trabalhei 16 dias lá. Dali, eu fui para a área de impressão.

 

P/1 – Mas você recebeu algum tipo de treinamento antes de mexer nessas máquinas? Como que foi, assim, já chegou e começou a trabalhar?

 

R – Ah, na minha época, não tinha esses treinamentos.

 

P/1 – Então foi meio instintivo o negócio.

 

R – Foi, foi.

 

P/1 – E o que é uma cortadeira? Só para a gente entender melhor.

 

R – A cortadeira, ela recebe os rolos laminados, e devido ao enfaixe que vai em forma de bobina para os nossos clientes - com essa cortadeira, corta os rolos na faixa determinada.

 

P/1 – Ah, tá. Dali segue para...

 

R – Dali, das bobinas, que vão para os clientes.

 

P/1 – E você passou só 16 dias nessas máquinas?

 

R – 16 dias.

 

P/1 – Aí você foi para a área de impressão.

 

R – Área de impressão.

 

P/1 – E na área de impressão, você ficou quanto tempo?

 

R – Praticamente, eu estou lá até hoje.

 

P/1 – Ah, você está lá até hoje lá na área de impressão?

 

R – Ali, eu entrava, assim, como auxiliar de impressora; depois era reserva de operadora [e] depois, operador. Então eu fiquei até [como] operador reserva [por] uns dois anos.

 

P/1 – Hum.

 

R – Depois, precisavam na área de cortadeira, então eu fui à área de impressora, fui para a área de cortadeira e já como operador de cortadeira. Trabalhei dois anos como operador de cortadeira e voltei para a área de impressão como operador de impressora, já como operador de impressora. Fiquei com operador de impressora até 1995.

 

P/1 – Até 1995. E qual que é a diferença de um auxiliar de operador para um operador: o que difere de uma função da outra? 

 

R – O auxiliar [é] o que alimenta a máquina, praticamente.

 

P/1 – E o líder é responsável por que, para saber se está tudo bem?

 

R – É, ele que fica, ele é responsável pelo o que está acontecendo durante o turno do operador da máquina.

 

P/1 – E na...

 

R – Desde qualidade, e produtividade.

 

P/1 – E uma máquina sempre tem um operador e um auxiliar, é isso? Ou tem máquinas que têm mais?

 

R – São quatro funcionários.

 

P/1 – São quatro?

 

R – São quatro funcionários. Hoje, você tem. Na época minha, eram três, mas hoje são em quatro. Você tem: operador um, operador dois e dois auxiliares.

 

P/1 – Cada um tem um auxiliar?

 

R – Sim, um auxiliar da máquina e o outro faz a preparação da máquina.

 

P/1 – E na área da impressão, é quando é impressa a embalagem, é isso?

 

R – Isso, isso.

 

P/1 – É quando é impresso o logo de um produto, é isso?

 

R – Onde imprime, recebe o papel branco, passa pela unidade de impressão - onde a gente pinta o papel, vamos falar assim.

 

P/1 – E esse papel que chega para ser pintado, ele já está pronto na embalagem ou você não recebeu o alumínio, não recebeu...

 

R – Não, não. Você recebe o papel branco, o papel virgem da fornecedora Klabin; entra pela impressora, onde aplica os desenhos da embalagem na impressora; dali ele vai para a laminação, recebe as camadas de polietileno, alumínio; depois vai para a área de corte, onde corta em bobina; e algumas bobinas que estão com defeito, ele vai para a área de Doctor [Machine] para tirar os defeitos. Então, dessas bobinas, das bobinas é que são enviadas para os clientes.

 

P/1 – E me diz uma coisa, essas bobinas já vão os desenhos de tudo? Não é, assim...

 

R – Sim.

 

P/1 – ...do produto, aonde que tem que ser...

 

R – Isso.

 

P/1 – ...que estão as dobras do, a embalagem...

 

R – Isso, está vincado.

 

P/1 – Ele está vincado, esse papel...

 

R – Já está vincado.

 

P/1 – ...ou é só o desenho?

 

R – Não, recebe o vinco na área de impressão. Na verdade, eu esqueci de falar um ponto: ele passa pela área de impressão, onde você faz os desenhos e passa em uma ferramenta que chama vincador, onde vinca o tamanho que vai ser esse envase.

 

P/1 – Ah, entendi. E que ano você entrou na Tetra Pak, mesmo?

 

R – Que eu entrei?

 

P/1 – Em 1980?

 

R – 1980. Então, foi bem no comecinho mesmo da Tetra Pak.

 

P/1 – Devia ter aí - ela foi inaugurada em outubro de 1978, então ela deveria ter um ano e meio de produção, mais ou menos. Um ano e meio, um ano e oito meses de produção.

 

P/1 – E ela era uma fábrica pequena na época que você começou a trabalhar lá ou já era grande?

 

R – Não, não, pequena. São, na verdade, os rolos mesmos, eram armazenados tudo, só tinha, praticamente dois barracões... 

 

P/1 – Hum.

 

R – ...onde era a área de produção e de matéria prima. Na verdade, os rolos, depois de impressos, laminados - até para ele irem cortar, impressos - e ficavam no mesmo barracão.

 

P/1 – Nossa. Então, é, os clientes não deveriam ser muitos nessa época.

 

R – Poucos.

 

P/1 – Os tipos de embalagens, a diferenciação não deveria ser muito grande também.

 

R – Eram poucos.

 

P/1 – E vocês faziam quais embalagens, naquela época - você lembra disso?

 

R – Todinho, era bastante forte. A Alimba era bastante forte; Parmalat; tinha a da Argentina, que chamava Kasdorf.

 

P/1 – E era sempre Tetra Brik, as embalagens - não é isso?

 

R – Sempre Tetra Brik.

 

P/1 – Não tinha outro tipo de embalagens, não?

 

R – Tinha TCA, que era outra embalagem retangular em triângulo.

 

P/1 – Ah, sei qual é. 

 

R – Quando eu entrei lá, tinha TCA. Depois, TCA e Tetra Brik.

 

P/1 – E aí você, na área de impressão, ficou até 1995 - isso, mais ou menos?

 

R – Como operador de máquina...

 

P/1 – Como operador.

 

R – Até 1995, 1994, por aí.

 

P/1 – Aí de lá...

 

R – Como operador de máquina.

 

P/1 – Aí você...

 

R – Ali, eu passei a ser líder de impressão. Acredito que eu deva ter ficado aí dois ou três anos como líder de impressão, e depois eu fui para o turno como líder de turno. Líder de produção; e eu acho que eu fiquei mais uns, eu até posso estar errando...

 

P/1 – Hum, claro.

 

R – Mas, pelo menos, uns 3, 4 anos como um líder de produção. Aí acabou essa função de líder de turno e agora eu trabalho dentro da impressão como analista da cela de impressão - voltado só para a impressão.

 

P/1 – Então, agora fala um pouquinho de como foram essas funções suas como líder de impressão, lá em 1995, logo depois que você deixou de ser operador.

 

R – Certo.

 

P/1 – O que é? Você coordenava todas as impressoras? Como que é isso?

 

R – Na verdade, tudo o que tinha na época eram duas impressoras, só, duas VTVs e eu fazia meu horário administrativo como líder de máquina. E seria um facilitador para operação, e treinamento. Então, basicamente isso daí. Isso como líder de máquina, fazendo a área administrativa, fazendo líder de máquina, líder de impressão. Quando eu fiquei essa quantidade de tempo...

 

P/1 – Aí depois você se tornou...

 

R – Quando eu passei a ser líder de turno.

 

P/1 – Que é...?

 

R – Líder de turno, daí já é a máquina como um todo.

 

P/1 – Não só a área de impressão.

 

R – Não só a área de impressão; havia a necessidade de ter um líder de turno, e eu acho que eu fiquei como líder de turno, aí, uns quatro, cinco anos.

 

P/1 – E você era um líder de turno específico? Como que é isso?

 

R – De um turno específico.

 

P/1 – Ah, tá.

 

R – De um turno específico.

 

P/1 – E como que funcionava antes e como funciona hoje essa questão de turno, assim, porque antes a fábrica não era 24 horas; no começo, quando você começou a trabalhar, ou já era?

 

R – Quando eu comecei a trabalhar já eram dois turnos. Eu acho que era das seis às quatro, das quatro à uma da manhã; uma coisa assim.

 

P/1 – Hum.

 

R – Eram só dois turnos, depois passou a ser três e hoje ela roda em quatro. Já foi para quatro, voltou para três. Hoje ela está em quatro turnos.

 

P/1 – E você trabalha em períodos específicos ou têm...

 

R – Não, hoje eu só faço horário administrativo.

 

P/1 – Horário administrativo. Aí você chegou no cargo que você está hoje, [de] analista de processos?

 

R – Isso.

 

P/1 – O que é um analista de processos? Do que ele cuida?

 

R – Ele continua, assim, como um facilitador de máquina, entendeu? O que eu poderia dizer: analisa os dados e tenta implantar melhorias - e implantamos melhorias em cima de onde há uma deficiência.

 

P/1 – Conta um caso de problemas que você, às vezes, tem que resolver no seu dia a dia de trabalho.

 

R – No dia a dia? Algum design que, às vezes, não tem uma boa performance na máquina. Então, você tem que trabalhar esse design, o que pode ser melhorado nesse design, o que eu posso fazer; contribuir para que essa máquina tenha uma boa performance, eliminando paradas de máquinas, entendeu? Esse tipo de, eliminar os defeitos.

 

P/1 – Na área de impressão.

 

R – Na área de impressão.

 

P/1 – Hoje, que tamanho que é a área de impressão, quantas pessoas trabalham? Quantas pessoas têm?

 

R – Hoje são três impressoras e deve ter aí, próximo a 50 pessoas.

 

P/1 – 50 pessoas?

 

R – Quase umas 50.

 

P/1 – E, por exemplo,...

 

R – Umas 45, 47 pessoas.

 

P/1 – ...por turno, quantas embalagens vocês imprimem? Passam por...

 

R – Por turno?

 

P/1 – Isso, para a gente ter uma ideia - um número aproximado.

 

R – Falar 24 horas, hoje, gira em torno [de] um milhão de metros.

 

P/1 – Um milhão de metros em um turno.

 

R – As três máquinas juntos, é. É nossa meta, e mais ou menos naquilo que a gente atende, um milhão e duzentos - às vezes dá um pouco menos -; mas se colocar um milhão de metros cada 24 horas, para seis horas.

 

P/1 – E o que mudou da época que você começou a trabalhar, lá trás, para hoje em dia, nas máquinas? Vamos começar pelas impressoras: mudaram muito?

 

R – Muito, muito. Na época era uma “Schiavi” - máquina italiana de quatro cores -, onde imprimiam o desenho que a gente chama de “Flexo Line”, que só tinha aquele recurso. Era uma máquina bastante manual. Hoje, não. Hoje dispõe de uma tecnologia muito grande. Hoje, as três máquinas são computadorizadas. Então, hoje, a gente imprime em “Photoprocess”; e antes era só “Flexo Line”, na época que eu entrei na fábrica.

 

P/1 – E o que mudou na “Photoprocess”, a qualidade?

 

R – Muito, a qualidade; o visual das embalagens é outra... Hoje você consegue reproduzir uma foto na embalagem, coisa que antes não tinha nada disso - era só traço, texto e um chapado; não tinha mais nada, só isso.

 

P/1 – E definição é boa, dessa impressão?

 

R – É boa.

 

P/1 – E teve mudanças no processo de impressão? Porque eu li alguma coisa que era “Flexo”, aí virou “Offset” e depois voltou a ser “Flexo”.

 

R – Na verdade, tem a “Flexo Line” - e de “Flexo Line” foi para “Offset”. Em 1990 fomos para “Offset”, e de Offset foi para “Photoprocess”. Hoje, você imprime alguma coisa em “Photoprocess”; e alguma coisa em “Flexo Line” ainda, mas são muito poucos - não sei dizer a porcentagem. Mas coisa, assim, talvez menos de 5% hoje, é a Flexo Line, e o restante, tudo, “Photoprocess”.

 

P/1 – E qual a diferença da “Flexo Line” para “Offset” para “Photoprocess”?

 

R – Definição.

 

P/1 – Basicamente definição?

 

R – Definição. Hoje, nossas máquinas de que imprimem “Photoprocess”, elas representam bastante a “Offset”.

 

P/1 – Ah, entendi. Essa qualidade que o “Photoprocess” permite na impressão é um diferencial grande do que vocês podem oferecer na área de impressão, com certeza.

 

R – Muito grande.

 

P/1 – E você acredita, também, que isso foi responsável pelo aumento gigantesco da produção de embalagem?

 

R – Alavancou muito as vendas, porque, quando você chega no supermercado e olha uma embalagem de “Flexo Line” e olha uma embalagem que representa uma foto: qual que você vai comprar? Eu vou comprar essa que é mais bonita. Então, alavancou bastante as vendas quando adquiriu essa, esse processo de impressão.

 

P/1 – E algo, não sei se você também sabe esse dado, mas é muito mais barato imprimir em “Flexo Line” do que em “Photoprocess”? Ou, hoje, essa diferença também não é...

 

R – Não, em “Photoprocess” é um pouco mais caro.

 

P/1 – É um pouco mais caro.

 

R – É um pouco mais caro porque você usa seis unidades da máquina - é uma produção um pouco mais cara do que um “Flexonline” -, você imprime quatro cores ou talvez um pouco mais que isso. É um pouco mais caro, mas talvez recompensa.

 

P/1 – E essas impressoras trabalham com todos os tipos de embalagens que a Tetra Pak possui? Desde a Tetra Prisma à Tetra Brik, coisas específicas para cada tipo de embalagem - na impressão?

 

R – Não, as três máquinas trabalham. Tem uma máquina que é mais específica - vou falar -, [com] uma qualidade melhor. Então a gente coloca essa produção, que, vamos falar, é mais difícil de imprimir e colocar em uma máquina mais nova, mais sofisticada. Então, isso é um acordo aí com o PCP para fazer isso daí.

 

P/1 – Então, essas impressoras são diferentes; na verdade, são três máquinas, mas não são três máquinas iguais?

 

R – Não são iguais porque uma é de 1995, outra é de 1997 e outra é de 2003, por aí, 2004. Então, cada uma que foi lançando, foi sofisticando mais essas máquinas.

 

P/1 – E com relação com as outras máquinas - que a gente falou aqui da impressora? Mas cortadeira [e] todas as outras máquinas que compõem a produção da embalagem, elas também mudaram muito durante os anos?

 

R – Muito. Essa máquina, mesmo, que eu fui operador - dois anos de operador -, era uma máquina que a velocidade baixa, máquina que oferecia muito risco - era bastante velha. Ela chegou na Tetra Pak já velha.

 

P/1 – Ah, ela já veio usada.

 

R – Já veio usada. A gente chama de Cortadeira 51.

 

P/1 – E fala uma coisa, Mauro, é, e quando, quais são os benefícios que um trabalhador, que é funcionário da Tetra Pak, recebe?

 

R – Benefícios?

 

P/1 – Não sei. Vocês têm plano de saúde, por exemplo?

 

R – Tem, plano de saúde...

 

P/1 – É, o que eles oferecem nesse sentido?

 

R – Plano de saúde, você tem cesta básica, Uniodonto... É, agora fugiu.

 

P/1 – Vocês têm uma cooperativa também, não tem?

 

R – Ah, tem a Cooperpak.

 

P/1 – Fala um pouquinho da Cooperpak; assim, você é associado da Cooperpak?

 

R – Eu sou associado.

 

P/1 – Desde bastante tempo? Bastante tempo ou há pouco tempo?

 

R – Eu acho que desde, eu acho que uns 10 anos...

 

P/1 – Ah.

 

R – Uns oito anos - faz tempo.

 

P/1 – E você já chegou a se utilizar da Cooperpak? 

 

R – Sim, emprestar dinheiro da Cooperpak.

 

P/1 – E como é que funciona, assim, vocês chegam lá e pedem uma quantia...

 

R – Sim.

 

P/1 – É assim mesmo, como se fosse um banco?

 

R – É assim mesmo. É como se fosse bem mais simples que um banco.

 

P/1 – Hum.

 

R – Você chega lá e fala: “Ó, eu preciso de um dinheiro, e tal”. Lógico, tem o seu limite lá. É até mais rápido que um banco, porque a gente está ali dentro - é muito mais fácil. Porque já debita no seu próprio salário no final do mês, então é bastante prático. 

 

P/1 – E todos os funcionários da Tetra Pak podem fazer parte da Cooperativa, é isso?

 

R – Podem. E tem outro benefício também: que é o Tetra Pak Prev - eu esqueci de falar

 

P/1 – O que é Tetra Pak Prev?

 

R – Tetra Pak Prev é a aposentadoria privada.

 

P/1 – Privada que é paga pela própria Tetra Pak? É descontado...

 

R – É descontado do nosso salário - depende do salário. A Tetra Pak injeta dinheiro em cima da aposentadoria privada, sua.

 

P/1 – Nossa. E da época que você entrou, lá em 1980, ainda, você tem colegas que entraram na mesma época que você e que continuam hoje na Tetra Pak?

 

R – Tem colegas que entraram antes de mim; que entrou no mesmo dia que eu, só tem um. Nós entramos, eu acho, em nuns 10, ficou eu e mais um. E têm pessoas que já estavam lá e alguns que entraram depois de mim.

 

P/1 – E como que é o convívio dos funcionários? Porque você está desde 1980, ou seja, você está há 27 anos. Então, há 27 anos é muito tempo. Você conviver 27 anos com pessoas que você vê diariamente, encontra e tal; você, necessariamente, estabelece um vínculo? Como que é essa relação?

 

 R – É, hoje já é difícil, porque ela cresceu bastante. Então, têm funcionários que estão lá há um ano e a gente nunca viu. Isso acontece, ela cresceu muito - mas aquela relação de, vamos falar, funcionários antigos é muito boa.

 

P/1 – Vocês, sei lá, saíam para jogar bola, fazer churrasco, essas coisas, fora?

 

R – Churrasco principalmente, jogar bola, fazer um churrasco. Tomar uma cervejinha junto com os amigos é muito gostoso.

 

P/1 – Desenvolveu-se uma amizade aqui.

 

R – Sim, ah, bastante grande [e] forte.

 

P/1 – E conta para a gente dessas comemorações que acontece na Tetra Pak - porque várias pessoas que deram o depoimento falaram de Festa Julina, de festa de final de ano, de festa que comemora as metas -, como é isso?

 

R – Se comemora muito.

 

P/1 – Se comemora?

 

R – Se comemora muito. É até uma tradição dizer, tem que ser a Tetra Pak mesmo. Qualquer conquista, qualquer prêmio recebido, existe essa, faz um evento com churrasco. É uma coisa muito...

 

P/1 – Todo mundo participa.

 

R – Todo mundo...

 

P/1 – ...da empresa.

 

R – Sim, sim, sim.

 

P/1 – E esse está acontecendo na própria empresa ou tem um espaço?

 

R – No clube.

 

P/1 – Ah, tem um clube?

 

R – Nós temos um clube, hoje, que fica bem pertinho da fábrica.

 

P/1 – Faz tempo que tem esse clube?

 

R – Eu acho que uns três anos.

 

P/1 – Bem recente.

 

R – É.

 

P/1 – Então, a maioria dos eventos acontecem nesse clube de vocês.

 

R – Praticamente, no clube: as festas de Natal, as festas de Julho - que a gente chama Festa Julina -; tudo no clube.

 

P/1 – E o que é esse clube? É um terreno, como que é?

 

R – Foi um terreno grande que a Tetra Pak adquiriu e fez lá uns quiosques, campo de futebol.

 

P/1 – Ah, tem uma estruturazinha de futebol.

 

R – Tem, tem.

 

P/1 – Ah, esse clube, vocês podem usar, por exemplo, nas festas oficiais - vamos dizer assim -, elas podem acontecer lá?

 

R – Sim

 

P/1 – Mas, por exemplo, se um grupo de funcionários quiser marcar uma partida de futebol para um dia fora do expediente...

 

R – Pode também.

 

P/1 – Pode utilizar?

 

R – Basta você requisitar aquele horário.

 

P/1 – Ah, vocês podem utilizar.

 

R – Sim, pode.

 

P/1 – E, fala uma coisa para a gente: nesses seus 27 anos de trabalho, qual foi o momento de maior crise da Tetra Pak? Ela teve um momento de crise?

 

R – Sim, teve. Eu não me recordo o ano, mas eu acho que foi em 1982 - eu não me recordo o ano que teve uma demissão de uns 20 funcionários, eu acho. Eu não recordo o ano, mas teve uma crise, sim.

 

P/1 – E nesses funcionários, teve algum colega seu?

 

R – Na verdade, todos eram.

 

P/1 – É, que ela era pequena?

 

R – Tiveram alguns que, é, pegou de volta.

 

P/1 – Ah, voltou a trabalhar.

 

R – Sim, sim.

 

P/1 – E qual teria o maior desafio que você passou na sua trajetória lá dentro.

 

R – Desafio?

 

P/1 – Uma meta que você achou que não fosse alcançar, mas alcançou. Alguma dificuldade que você teve, mas conseguiu superar.

 

R – Desafio é me adaptar como líder de turno, eu acho que foi um desafio para mim. Quando eu passei a ser líder de turno, era um desafio. Um desafio foi ter esses 27 anos, também foi um desafio.

 

P/1 – Que é tempo, trabalhar 27 anos no mesmo lugar.

 

R – É aquele negócio: quando você entra em um lugar, não sabe quanto tempo você vai ficar.

 

P/1 – E o que mudou na forma de trabalhar na Tetra Pak, do tempo que você entrou até hoje? Porque as máquinas, você já falou que mudaram muito.

 

R – Muito.

 

P/1 – E a forma de trabalho, também mudou?

 

R – Mudou muito, muito. Até a própria maneira de você registrar tudo, registrar o que acontece nas suas 8 horas, aí, mudou muito.

 

P/1 – Não é mais a mesma coisa?

 

R – Tinha tudo aquele puta monte de planilha que você tinha que preencher, manual, relatório, tudo na mão. Hoje, não. Hoje você tem o seu micro ali para cada máquina, está tudo automático.

 

P/1 – Facilita bastante.

 

R – Hoje tem um sistema P2 que ele controla tudo o que você está fazendo na máquina; então não precisa registrar nada, já está tudo ali. Antes não, você tinha uma parada de máquina: tinha que ficar registrando, fazendo relatório disso aí.

 

P/1 – E a Tetra Pak é muito preocupada com a questão ambiental?

 

R – Muito, muito.

 

P/1 – Tanto que a embalagem da Tetra Pak é 100% reciclável. Eu queria que você falasse um pouquinho dessas iniciativas ambientais que a Tetra Pak tem, que você tem conhecimento. Se existe ações, nesse sentido, junto a produção na forma como as embalagens são feitas ou não?

 

R – Existe na própria redução de material de “Setup”; existe uma preocupação da fabrica em relação ao meio ambiente, na redução de waste, principalmente para que não contribua tanto para o meio ambiente.

 

P/1 – Então, vocês recebem, é, indicações e informações, nesse sentido, de não desperdiçar - esse tipo de coisa?

 

R – Sim.

 

P/1 – E você falou que quando entrou, não teve treinamento - essa coisa de treinamento fixa e como parte da...

 

R – Na minha época não, não tinha bem isso.

 

P/1 – E hoje, como que ficou essa questão de treinamento?

 

R – Hoje, um funcionário novo, ele tem uma integração que ele fica, praticamente, mais de uma semana fazendo integração, com a fábrica. Hoje você entra como um terceiro e recebe toda essa integração [durante], praticamente, uma semana, 10 dias esse funcionário fica recebendo treinamento, conhecendo o que é a Tetra Pak.

 

P/1 – E você passou por algum curso, por algum treinamento que a Tetra Pak oferece? Quando muda uma máquina, por exemplo, quando... Não sei.

 

R – Ah, sim, quando instalou a primeira VTV, em 1995, eu fiquei 29 dias no México recebendo treinamento.

 

P/1 – Que legal. 

 

R – Fui aprendendo, conhecendo a máquina, que a hora que ela fosse instalada aqui, pelo menos, já tivesse um pouco, sabendo um pouco dessa máquina.

 

P/1 – E como é esse treinamento? Vocês operam essa máquina, vocês recebem apostila? Fala para a gente como que é esse, [um] treinamento desses que você teve no México.

 

R – Não, não tenho. Assim, nessa época, de 1995, eu tive, uma coisa a seguir. Tinha assim: eu fiquei 29 dias recebendo treinamento, mas ao lado da máquina, é, praticamente aprendendo a trabalhar, conhecendo a máquina, conhecendo o equipamento.

 

P/1 – Foi um grupo de pessoas ou foi só você?

 

 R – Não, eu fui sozinho.

 

P/1 – Teve que voltar a passar por outras pessoas ou...

 

R – Sim.

 

P/1 – Também tem isso, quando um pega a informação tem que passar para os outros - é assim mesmo?

 

R – Isso, isso.

 

P/1 – E das relações afetivas iniciais da Tetra Pak, por exemplo, ela ajuda alguma instituição ali da região da Monte Mor, dali da cidade? Existe essa preocupação, assim, nesse sentido também?

 

R – Sim. Ajuda asilo, ajuda hospital da cidade; existe muito.

 

P/1 – Tem um, a Tetra Pak possui algum programa de voluntariado ou esse tipo de coisa ou não?

 

R – Possui.

 

P: Possui?

 

R – Possui voluntariado para o asilo, tem as pessoas de lá para o asilo, tem umas pessoas de lá do asilo. Tem, assim, ah, a Pracinha Rausing que foi bastante voluntariado [para] que pintasse a praça.

 

P/1 – E teve alguma história que aconteceu com você nesses seus 27 anos de fábrica? Sei lá, alguma coisa engraçada, que você se lembre até hoje, com algum colega seu, alguma história que você saiba até hoje?

 

R – História sempre tem engraçada. Agora, compromete o outro.

 

P/1 – Não tem nenhuma que você possa contar sem comprometer? Não precisa nem falar nomes.

 

R – Não, tem; tem com um palavrão no meio.

 

P/1 – Não tem problema.

 

R – Não sei, talvez até contaram aqui; mas tem uma que eu acho engraçada. Tinha um funcionário lá que o apelido dele é Bóia, Bôia.

 

P/1 – Bôia?

 

R – É, Bôia porque ele é grandão. E ele tinha um bigode enorme, cobria até aqui a boca dele. Ele trabalhava à noite; fez um canudão, assim, um canudo de papel da Treta Pak mesmo, ficou que nem um cone, assim. Cinco horas da manhã - nós estávamos trabalhando à noite - e ele pegava esse canudão: "Acorda, Maria Bonita! Levanta, vai fazer o café!". Todo dia; era uma, um ritual.

 

P/1 – (risos)

 

R – Aí, um dia, um cara do controle de qualidade foi lá e passou uma cola mole.

 

P/1 – (risos)

 

R – Passou, aí ele chegou, e o canudão dele sempre ficava lá. Cinco horas da manhã, ele aí pegou esse canudão e falou: "Acorda, filho da puta!".

 

P/1 – (risos) Grudou na boca dele.

 

R – (risos) Grudou, ele teve que raspar o bigode.

 

P/1 – (risos) E o bigode.

 

R – Engraçado que ao invés dele falar "Acorda, Maria Bonita!", não deu, [então] ele falou "Acorda, filho da puta!”. (risos)

 

P/1 – Faz tempo que aconteceu isso?

 

R – Ah, isso foi nos anos 80.

 

P/1 – Faz bastante tempo já. E ele continua na Tetra Pak ainda?

 

R – Continua, continua.

 

P/1 – Então, é colega de trabalho de anos.

 

R – Ah...

 

P/1 – Ah, e o que você sabe dos valores da Tetra Pak? Quais são os valores que você conhece?

 

R – Valores?

 

P/1 – É.

 

P/1 – Liberdade com responsabilidade, inovação com criatividade... Tem quatro valores: inovação com criatividade, liberdade com responsabilidade, trabalho e diversão e - faltou um, que agora eu não lembro.

 

R – E o que é Liberdade com Responsabilidade, na prática?

 

 P/1 – Liberdade com responsabilidade é, praticamente, você faz, mais ou menos, aquilo que você quer, mas com responsabilidade - eu entendo dessa maneira. Que você, talvez, não precisa ficar dando muita satisfação para ninguém, mas tem essa liberdade de ir lá, fazer, criar com essa responsabilidade - eu acredito que é isso, entendo dessa maneira.

 

P/1 – E qual a importância, na sua opinião, da Tetra Pak no setor de desenvolvimento alimentício, da indústria alimentícia brasileira?

 

R – Qual a importância?

 

P/1 – Qual o papel da Tetra Pak? Assim, ela foi e é importante para a indústria alimentícia?

 

R – Sim. Proteger o alimento para tornar a vida mais prática, da embalagem da Tetra Pak.

 

P/1 – Como você descreveria uma embalagem da Tetra Pak?

 

R – Prática e confiável. Prática, confiável, o que mais? Segura, o que mais? Muito segura.

 

P/1 – E bonita.

 

R – Muito bonita.

 

P/1 – E, Mauro, hoje nós temos a disposição diversas embalagens: tem a Tetra Brik a Tetra Prisma. Qual a embalagem da sua preferência? Aquela que você fala: “Esta é a que eu acho mais bonita”.

 

R – Bonita? A Tetra Prisma, eu acho [a] mais bonita. A mais prática [é] a 1000 square, na minha opinião.

 

P/1 – Que é aquela mais compridinha de suco?

 

R – 1000 Square, ela é mais quadradinha, assim, é mais fininha; mais fácil de você pegar ela.

 

P/1 – Entendi.

 

R – É, essa eu acho mais prática e mais bonita; eu acho [que é] a 1000 Square Tetra Prisma - aquela sextavada.

 

P/1 – E me fala uma coisa, essas embalagens que já vem com tampa, quer dizer, que a gente compra no mercado e já vem com tampa, como a Prisma, por exemplo,...

 

R – Sim.

 

P/1 – ...como que é, a tampa é colocada depois ou no processo de...?

 

R – Não, depois; a tampa não é colocada...

 

P/1 – Mas ela está furada? A embalagem já vai com um...

 

R – Isso, já vai com o furo.

 

P/1 – Mas não com a rosca?

 

R – Isso. Isso aí é colocado na máquina de envase.

 

P/1 – Que é a do cliente.

 

R – Isso.

 

P/1 – Entendi. E hoje, qual é a embalagem que é mais produzida pela Tetra Pak? Existe uma que é mais produzida que as outras?

 

R – Você fala cliente ou...

 

P/1 – Não, no geral mesmo. Qual é a mais saída de produção?

 

R – Eu acho que a Pepsico é bastante forte. Toddynho, Pepsico, eu acho que vendem bastante.

 

P/1 – E hoje se produz todos os tipos de embalagens em Monte Mor, assim, das que são produzidas no Brasil ou tem algumas embalagens que só são produzidas em Ponta Grossa, por exemplo?

 

R – Tem a Tetra Wedge 200 Slim, é produzida em Ponta Grossa.

 

P/1 – Ah, em Ponta Grossa.

 

R – Sim, 284 mililitros em Ponta Grossa.

 

P/1 – E você lembra quando inaugurou em Ponta Grossa? Foi em 1999, mas você lembra da época que se falou em construir uma nova fábrica?

 

R – Sim, lembro.

 

 P/1 – E como que foi essa movimentação? A necessidade da segunda fábrica foi, porque eu acho que a demanda cresceu tanto que não estava [mais] dando conta, precisava [de] mais máquinas para produzir; você lembra como foi a movimentação da época?



R – Na verdade, para mim não foi uma movimentação, porque a gente ficava meio apreensivo: "O que vai acontecer?”.

 

P/1 – Ah...

 

R – "Será que vai acabar isso aqui e vai tudo para lá? Será que vai pegar alguém daqui e vai colocar lá.” Então ficou, esse tempo, assim, de falar o que... Apreensivo. Sem saber o que ia acontecer com a Tetra Pak em Monte Mor. 

 

P/1 – ...não tinha nada a ver; e ia continuar.

 

R – Continuar. Mas a princípio, eu, particularmente, pensei: “E agora, o que vai acontecer com isso aqui?". Você nunca está preparado. "Por que está mudando para lá", embora... E comentários também.

 

P/1 – Certamente você não era o único que pensava isso. Vários colegas...

 

R – A grande maioria pensava dessa maneira: "Será que a gente vai ser transferido para lá? O que vai acontecer com Monte Mor?”. Então ficava, assim, meio apreensivo, até dar a partida lá, ficamos meio apreensivo com a construção da fábrica em si.

 

P/1 – E a Tetra Pak tem várias certificações, ela tem as ISO.

 

R – Sim.

 

P/1 – Como que é o processo na sua área, por exemplo, na área de impressão - que foi a que você mais esteve, [por] mais tempo, e ainda está na área de impressão -? O que muda quando você tem que se adequar a uma certificação? Existem diretrizes que são passadas: “Você vai ter que mudar isso, mudar aquilo”?

 

R – Existem procedimentos que depois você tem que caminhar sobre procedimentos, daí, enquanto você não tem nada disso, muita coisa está só na sua cabeça. À medida que você adquire uma ISO, são procedimentos que você - você é treinado em cima desses procedimentos.

 

P/1 – E você lembra dessa época das ISO?

 

R – Lembro.

 

P/1 – Mudou muita coisa ou não?

 

R – Muda, sempre muda um pouco. Eu que não era acostumado com documentação nenhuma, você estranha um pouco. Depois, você já tem que seguir certas normas - já fica um pouco mais difícil.

 

P/1 – E a questão do WTC, é uma coisa que a sua área faz parte?

 

 R – WTC?

 

P/1 – (Tss?).

 

R – WCM?

 

P/1 – WCM, perdão, confundi as siglas. É “World Class Management”?

 

R – É.

 

P/1 – Como que é essa questão do WCM?

 

R – Seria, assim, padrão para tudo aquilo que você vai fazer.

 

P/1 – É padronizado.

 

R – Isso.

 

P/1 – E melhorou a produtividade com essas...

 

R – Muito

 

P/1 – Com essas mudanças?

 

R – Se você conhecesse a Tetra Pak antes e depois das mudanças, mudou muito.

 

P/1 – Para melhor.

 

R – Para melhor, sem dúvida.

 

P/1 – O que mudou, efetivamente?

 

R – Muda a sua qualidade, sua perda, a sua coletividade - tudo. Muda o ambiente de trabalho, muda muito. Apesar...

 

P/1 – Ah.

 

R – ...[de] ser implantado... Iniciou em 2000, quer dizer, são sete anos - mudou muito.

 

P/1 – E as pessoas gostam dessas mudanças? Os funcionários, eu digo, quando têm essas mudanças, elas são bem recebidas - digamos assim - ou às vezes você sente uma certa resistência? Você, como líder que já foi, o que percebia na sua equipe?

 

R – Mudanças sempre trazem certa resistência quando você quer mudar alguma coisa. Sempre tem resistência, mas não tem que ser resistente - é o caminho que você, na verdade, vai ter que seguir; aquele caminho. Se você não seguir aquele caminho, você está fora. Então, é...

 

P/1 – E têm pessoas que são mais resistentes que outras, têm pessoas que não aceitam?

 

R – Existem.

 

P/1 – E fala uma coisa para a gente, Mauro: os produtos comercializados nas embalagens de Tetra Pak, eles cresceram muito nos últimos anos - o consumo?

 

R – Muito.

 

P/1 – Você acha que hoje os consumidores encaram os produtos da Tetra Pak de forma diferente [em relação a] como ela era encarada antigamente?

 

R – Sim

 

P/1 – Vou te dar um exemplo, ah, na década de 80 - creio eu que foi na década de 80 -, tinha essa preocupação: “Mas como que o leite se conserva em uma embalagem sem conservante? Não, tem conservante, tem que ter conservante”.

 

R – Demorou a adquirir uma certa confiança, principalmente no leite. Muitos diziam: “Não, mas esse leite tem água aí dentro. Como você vai guardar um leite durante tantos meses aí sem estragar?”. Então, demorou para o consumidor assumir essa confiança nas embalagens da Tetra Pak.

 

P/1 – E por que você acha que hoje essa confiança [se] adquiriu? Por que teve um trabalho em cima disso?

 

R – Teve um trabalho da Tetra Pak, o trabalho bastante forte de marketing e as próprias pessoas. Hoje, você prefere comprar um litro de leite que é vendido na carrocinha, todo mundo vai preferir pegar em uma embalagem que você sabe que é muito mais higiênica.

 

P/1 – Você passou por vários presidentes, desde 80.

 

R – Vários.

 

P/1 – Quais que você lembra? Do primeiro, o que...

 

R – Do primeiro? Foi...

 

P/1 – O que você lembra de cada época, assim, “tal presidente é mais ou menos assim, era a empresa nessa época”.

 

R – O primeiro que, [quando] eu entrei era Lars-Erik Janson, Sr. Lars Janson. Até ele tinha, eu não sei quanto tempo ele ficou, eu não tinha muito contato e o tempo também não dá muito, mas teve o Lars. Depois teve o Karl Viggo; depois teve o Tommy - não sei o sobrenome -; depois, o Nelson Findeiss; e agora, o Paulo Nigro. Diferenças entre um e outro? Não sei se existe diferença entre um e outro, mas Nelson Findeiss foi algo assim: revolucionou a Tetra Pak, foi uma explosão na Tetra Pak - eu sei que, não sei se alguma coisa favoreceu, mas mudou muito na presidência dele.

 

P/1 – Foi na época dele que a empresa cresceu da forma assustadora?

 

R – Foi na época dele.

 

P/1 – Foi na época.

 

R – Eu não sei se ele é bastante abusado, eu não sei o que é, mas, é, foi na presidência dele que a Tetra Pak evoluiu bastante.

 

P/1 – E, como você sabe, a Tetra Pak agora comemora, em 2007, 50 anos de Brasil. Teve até a festa lá...

 

R – Lógico.

 

P/1 – ...de comemoração - eu estava lá. E o que você sabe da história? O que vem a cabeça quando alguém fala: “Tetra Pak tem 50 anos no Brasil”, e tudo mais?

 

R – De 50 anos no Brasil; assim, para mim, a Tetra Pak ela tem 30 anos de Brasil, porque quando eu entrei na Tetra Pak, eu não sabia que tinha esses 20 anos para trás aí. Então... Eu esqueci da pergunta.

 

P/1 – O que você sabe dessa história de 50 anos de Brasil. Aí você disse que sabe de 30, porque foi quando você entrou. Mas quais são os marcos então, vamos dizer assim, na sua visão - na história da Tetra Pak?

 

R – Nesses 30 anos, marcos? O que eu poderia dizer aqui: evolução, evolução, evolução.

 

P/1 – Ela evoluiu muito nesse tempo todo.

 

R – Sim.

 

P/1 – E, na sua opinião, qual a importância dos projetos de Memórias 50 anos de Tetra Pak? Porque você sabe que teve todo o movimento de coletas de fotos, de coletas de documentos de várias áreas da empresa, em Monte Mor. Teve várias ações na própria fábrica; não sei se você sabe, se você chegou a ver [que] no refeitório teve uma apresentação...

 

R – Sim.

 

P/1 – E agora, na coleta de documento desses funcionários. Qual a importância desse projeto?

 

R – Hoje eu não sei, mas, vamos falar: “Puxa, daqui a 50 anos”, mostrar tudo o que passou. Sei lá, 10 anos; o que vai ser daqui a 10 anos? Vamos ter tudo registrado nesses 50 anos, é muito bonito.

 

P/1 – O lema da Tetra Pak.

 

R – Porque nesses 50 anos, e [se] não tivesse nada também, meu... Eu acho bonito mostrar mais para frente, falar: “Olha, nos 50 anos, estava nisso aqui”.

 

P/1 – E o lema da Tetra Pak é: "Protege que é bom".

 

R – Isso.

 

P/1 – E o que é bom para você?

 

R – Bom para mim? Você fala como profissional ou como um todo? Bom para mim é amigos, minha esposa, meu lar, meu trabalho - eu acho que é isso, é bom.

 

P/2 – Bom, antes de a gente... Está chegando ao fim, mas [antes] eu queria tirar algumas dúvidas sobre impressão,

 

R – Hum.

 

P/2 – Como funciona a parte, assim, a ordem que vai ser feita [de] determinada embalagem? Por exemplo, agora está imprimindo tal embalagem - é por turno? Como que se faz isso?

 

R – PCP planeja. O PCP da fábrica planeja de acordo com a venda, ele planeja, é lançado no sistema e o operador; todas as áreas, vamos falar, têm a visão dos programas. Aí ele passa para a área de Clicheria - parte de impressão onde existe essa preparação de confeccionar os clichês -, vai montar o clichê nas camisas e até chegar isso na máquina. Então, você coloca esses programas de acordo com todas as OPs e aí você vai seguindo esse programa.

 

P/2 – E aí para trocar a embalagem, por exemplo, está fazendo uma de leite e vai mudar para o de suco demora muito tempo essa mudança para preparar a impressora ou é rápida?

 

R – Depende, se eu estou em um volume e vou para um mesmo volume, só vou mudar de cliente e tal - seria mais ou menos 10 minutos, isso para a área impressão. Agora, quando existe uma troca de processo - que a gente fala -, que você vai sair de um papel “Clay Coat” [e] vai para a semimetalizada, ou um semitransparente, aí a gente usa um tempo um pouco maior.

 

P/2 – E o tempo era maior na hora, quando você começou lá na área de impressão?

 

R – Muito mais.

 

P/2 – Muito maior?

 

R – Muito maior.

 

P/2 – Como era o processo? Assim, qual que era o processo ontem e hoje?

 

R – Antes você recebia tinta para determinadas cores e não se tinha controle de nada. Então, você tinha lá um catálogo e algumas pessoas chaves que acertavam essa tonalidade; e isso era tudo visual, manual, não tinha equipamento nenhum. Então, às vezes, tinha um “setup” que você jogava um rolo fora para produzir duas, entendeu? Até você acertar cor. E essa coisa ficava três horas de “setup” para a produção de uma hora, não é? Jogava um rolo fora para produzir dois.

 

P/2 – E qual foi a inovação que conseguiu diminuir esse tempo, você sabe o que foi?

 

R – A tecnologia, parceria com fornecedor de tinta, principalmente a inovação em cilindros de anilox.

 

P/2 – Eu ouvi dizer que tem tintas que vocês reciclam a tinta, é isso mesmo?

 

R – Recicla a tinta? Não, quando eu vou com a tinta para a máquina e, ela retorna outra vez; sempre vamos reutilizar essa tinta.

 

P/2 – Está certo.

 

R – Talvez, se você falar "recicla a tinta". A sujeira da banheira que fica a tinta, ela vai para uma máquina de filtração, onde você lava essa banheira e essa vai para uma outra máquina de filtração, onde você filtra essa sujeira; essa sujeira vai para um incinerador fora e essa água é reutilizada.

 

P/2 – Mas isso sempre foi feito, ou é uma coisa recente?

 

R – Não sei dizer quando, mas de uns 10 anos para cá, por aí.

 

P/2 – E a evolução em relação à impressão, mudou muito? A qualidade com certeza, mas, ah, é, esqueci da pergunta. Bom, a troca de material diminuiu a velocidade; tem mais alguma coisa que revolucionou além da qualidade da impressão e da velocidade, assim? Tem mais alguma mudança que ficou marcante?

 

R – A qualidade, velocidade, eficiência e redução de perda. São os quatro pontos que evoluiu muito, assim. Você tinha aí um “waste” que era altíssimo, agora está em um nível mais baixo.

 

P/1 – Você citou que têm vários tipos de papéis, é isso mesmo na impressão da embalagens - “Clay Coat”?

 

R – Sim, você tem papel “Clay Coat”, tem papel “Duplex” - que é uma porcentagem pequena - e tem um papel que é revestido com filme, que ele é um BOPP [filme] transparente e BOPP metalizado, onde são feitas aquelas embalagens metalizadas - foi feita também com BOPP transparente.

 

P/2 – Como assim transparente?

 

R – Aquelas embalagens 1000 Tetra Prisma, aquelas sextavadas, são feitas com filme transparente.

 

P/2 – Ah, entendi.

 

R – Ela tem um filme, você tem o papel e vai aplicar um filme transparente em cima desse papel para dar mais resistência nessa embalagem. E esse 1000 Tetra Prisma utiliza esse BOPP transparente, mas também tem o BOPP metalizado - você deve ter visto essa embalagem metalizada, que é feito em um filme de BOPP metalizado.

 

P/1 – Mas a impressão é no papel mesmo?

 

R – Não, é sobre o filme.

 

P/1 – Ah, sobre o filme.

 

R – [O] que muda [é] o processo aí. Você tem uma troca de processo e imprime sobre o papel “Clay Coat” ou sobre o fio, que são mudanças de processos aí.

 

P/2 – Mas esse metalizado, não é aquele alumínio que a gente vê na embalagem ou é?

 

R – Não, não. O alumínio é só o lado interno da embalagem. O metalizado nada mais é do que um filme transparente que é pulverizado e dá aquele efeito de metalizado.

 

P/2 – Ah, certo, é a embalagem.

 

R – A embalagem metalizada.

 

P/2 – O filme por baixo é metalizado e por cima é impresso.

 

R – Isso, isso.

 

P/2 – Ah, entendi.

 

R – Isso é feito no nosso fornecedor, essa metalização do filme.

 

P/1 – E o “Clay Coat” é mais ou menos o padrão do filme, papel padrão?

 

R – “Clay Coat”, sim. E, hoje, a nossa produção de BOPP significa uns 10% da nossa produção. O resto é “Clay Coat”.

 

P/1 – O tipo de papel também mudou do quando você entrou para hoje?

 

R – Antes era papel “Duplex”; hoje é “Duplex”, “Clay Coat”. Hoje existe um revestimento nele, que se torna um papel ou uma qualidade superior a antigamente.

 

P/1 – Ah, por isso, também, permite impressões mais...

 

R – Sim, sim.

 

P/1 - Fiéis, é isso?

 

R – Sim, você não consegue imprimir “Photo Process” em cima de um papel “Duplex”; tem que ser um papel “Duplex Clay Coat”, porque daí é revestido para poder aceitar essa impressão de “Photo Process”. Agora, imprimir “Photo Process” em cima de um papel Duplex...

 

P/1 – Ah.

 

R – Papel “Duplex” seria um papel de uma qualidade inferior, não tem a cobertura.

 

P/1 – Entendi. Mauro, a gente já está chegando no finzinho. Eu queria saber se talvez tenha um assunto, uma questão que a gente não tenha abordado que você gostaria de deixar registrado em seu depoimento.

 

R – Essa minha satisfação de trabalhar na Tetra Pak. É que eu sinto orgulho de trabalhar na Tetra Pak.

 

P/1 – E você gostaria de deixar algum recado para os seus colegas de trabalho, para os seus colegas de Tetra Pak?

 

R – Um recado para os nossos colegas: que sigam sempre em frente; que acreditem no sonho e sigam sempre em frente.

 

P/1 – E o que você achou de ter dado o seu depoimento para o Projeto?

 

R – A princípio um pouco apreensivo, porque eu não sabia quais seriam as perguntas. Mas foi bom, muito bom. 

 

P/1 – Então, o Museu da Pessoa e a Tetra Pak agradecem pela sua presença, pelo seu depoimento e pelo seu tempo Mauro. Muito obrigado.

 

R – Eu que agradeço.

 

[Fim do depoimento]

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