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Projetos para uma educação melhor

História de: Ivenete Teixeira dos Santos Rocha
Autor: Raquel
Publicado em: 08/06/2021

Sinopse

Viveu sua vida em Alagoa Nova. Adorava brincar de professora. Estudou em diversas escolas boas da região. Fez magistério e o período faculdade de Letras foi incrível. Se tornou professora e passou a dar aulas. assumiu a Secretaria Municipal de Educação Alagoa Nova. Parceria entre a prefeitura e o Instituto Camargo Corrêa, através do Instituto Alpargatas. A parceria desenvolveu diversos projetos como SGI, Jornal Escolar e outros, e todos obtiveram excelentes resultados, tanto para alunos, como pais e professores. Casou, teve três filho e três netos. Feliz por trabalhar na educação.

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História completa

Projeto: Projeto Instituto Camargo Corrêa Realização: Instituto Museu da Pessoa Entrevista de: Ivenete Teixeira dos Santos Rocha Entrevistado por: Fernanda Prado Data: Alagoa Nova, 15 de maio de 2011. Código: ICC_HV034 Transcrito por: Denise Yonamine Revisado por: Viviane Berkowitz Malaco P/1 – Ivenete primeiro eu queria agradecer a sua entrevista e agora pedir pra você falar o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento. R – Meu nome é Ivenete Teixeira dos Santos Rocha, Alagoa Nova, Paraíba, nascida em 28 de março de 1957. P/1 – E qual que é o nome dos seus pais? R – O nome dos meus pais é Manoel Teixeira Filho e Maria das Dores Teixeira. P/1 – E o quê que eles faziam? R – Meus pais... meu pai era agricultor e comerciante na zona rural aqui de Alagoa Nova, né, e ele sentiu a necessidade de se deslocar da zona rural para a zona urbana devido a necessidade de colocar os filhos para estudar, né? Então eu saí da zona rural para a zona urbana com a idade de dois anos e chegamos em Alagoa Nova, exatamente com essa pretensão dos meus pais, para colocar os filhos na escola. Que lá na zona rural, naquela época, não existia escolas. P/1 – E como você foi bem novinha, você não se lembra de nada da zona rural? Ou você tem alguma lembrança? R – Não, não tenho nenhuma lembrança da zona rural, a minha infância mesmo, a lembrança é aqui da zona urbana de Alagoa Nova. P/1 – E você tem irmãos? R – Tenho irmãos, tenho uma irmã e dois irmãos, né, uma irmã mora em São Paulo e os meus dois irmãos moram aqui em Alagoa Nova. P/1 – Certo, o que você gostava de fazer quando era pequena quais eram as suas atividades? R – Eu gostava de brincar de professora, de ser professora, e é exatamente, foi exatamente por este motivo que eu escolhi a profissão do magistério, né? Então o meu primeiro vestibular foi feito para o curso de Letras, eu fui aprovada, me identifiquei com o curso, cheguei a lecionar aqui no colégio estadual Monsenhor José Borges de Carvalho. Lecionei também no município de Matinhas, que era distrito de Alagoa Nova, atualmente é cidade e ainda leciono também na cidade de Matinhas. E aqui no município de Alagoa Nova, exerço a função de secretária municipal de educação. P/1 – Ivenete, antes de você falar das suas atividades hoje, seu período de formação também, conta como é que era essa brincadeira, com quem você brincava? Em que lugar ela acontecia? R – A brincadeira de professora ela acontecia num reservado que existia na minha casa, né, um local destinado a estudos. Então lá eu colocava um quadro e o giz, convidava algumas colegas e colegas da minha rua, sentavam todos no chão porque nós não tínhamos assim assento para todos e ali eu começava a ministrar as minhas aulas, de matemática, de português, né? As vezes eu pedia ajuda a minha mãe pra que ela me ensinasse alguma coisa para eu repassar para os meus alunos, eram assim chamados. P/1 – E era sempre você a professora? R – Não, as vezes a gente mudava, não é, as vezes eu trocava com a coleguinha, mas aí eu ficava naquela ansiedade, com vontade de estar ali na frente ministrando as aulas e depois eu pedia pra que a gente trocasse, não é, pra que ela voltasse a ser aluna e eu tomasse o meu lugar de professora. P/1 – E como é que era o município de Alagoa Nova nessa época? R – O município de Alagoa Nova naquela época era um município um pouco atrasado em relação aos dias de hoje, mas um local que sempre foi muito bom, agradável, clima ameno, não é? E eu me sentia muito bem, como ainda hoje me sinto, no meu município, ele sempre foi um município assim muito agradável, muito pacato, hospitaleiro e eu sempre me dei muito bem aqui no município de Alagoa Nova, por esse motivo ainda continuo aqui. P/1 – Ivenete qual que é a sua primeira lembrança da escola? R – Minha primeira lembrança da escola é que eu estudava numa escola perto da minha casa, e que eu ia para lá, levava o meu lanche e existiam algumas crianças que levavam macaíba, eu não sei se você conhece, é uma frutinha que existe aqui, e que eu era louca por macaíba, mas eu não levava macaíba, eu levava biscoito, eu levava suco, as vezes queijo, e lá eu queria muito chupar macaíba e eu não tinha macaíba. Então eu trocava o meu lanche pela macaíba, né? E isso, assim, é uma lembrança muito agradável que eu guardo ainda hoje que eu gostava muito da macaíba, não é, e a lembrança assim que me deixou, que eu gravei, assim, para o resto da minha vida foi exatamente essa, a troca que eu fazia do meu lanche com a macaíba. P/1 – Então ainda hoje quando você come essa fruta você se lembra disso? R – Ainda hoje quando eu como essa fruta eu me lembro dessa troca que eu fazia lá em sala de aula, na escola, no momento da merenda. P/1 – E como é que era essa escola, ela ficava perto da sua casa? R – Ficava perto da minha casa, ela funcionava em uma residência, tinha apenas um quadro, não é, e algumas carteiras e a professora ministrando as aulas. Era uma escola pobre. P/1 – E como é que eram essas aulas? Era muito seriado, como é que era? R – A turma era muito seriada, a turma... a professora ela ensinava aos alunos alfabetização, ou seja, alfabetizava esses alunos, ela também tinha alunos de primeiro ano, de segundo ano, de terceiro ano e ela era aquela pessoa que ela absorvia essa clientela, não é, de uma forma muito assim prazerosa nós participávamos dessas aulas, por quê? Porque ela era uma professora muito dinâmica, e nós nos sentíamos assim com muita vontade de participar dessas aulas, a gente não perdia as aulas dessa professora, né, porque nós gostávamos das aulas que essa professora ministrava, era uma professora muito dinâmica, apesar da escola ser uma escola pobre e ela com poucos recursos, mas ela conseguia, não é, entusiasmar a turma com as aulas dela. P/1 – E você lembra como é que era a turma, como é que você lidava com as diferentes idades dentro da sala, como é que era? R – Não, era uma turma boa, não existiam assim diferenças com relação, assim por conta da idade, não é, era uma turma boa, o relacionamento era muito bom e nós éramos muito unidos, era uma turma muito unida. Logo essa professora deixava, ela passava um estado de espírito muito bom, não é? Ela era uma pessoa muito religiosa e nos ensinava além dos conteúdos de sala de aula, ela também nos ensinava como nós devíamos nos comportar no dia a dia e com relação aos nossos colegas. Então ela ensinava de tudo lá na escola, e nós nos sentíamos muito bem, ela era uma professora que deixava que os seus alunos participassem das aulas e era uma verdadeira família a sala de aula de (da luz?) P/1 – Ivenete você estudou nessa escola até que ano? R – Eu estudei, eu fiz alfabetização, estudei a primeira série, a segunda série e depois a terceira e quarta série eu fui estudar no Professor Cardoso, é uma escola que ainda hoje existe, é uma escola do Estado, uma escola conceituada, de bons professores. A realidade já era bem diferente, era uma escola mais distante da minha casa, mas uma realidade já bem diferente, né, escola grande, com vários professores, não é, carteiras, salas de aula, cantina. Nós tínhamos também uma horta onde os alunos também participavam exatamente dessa horta, cuidando da horta, aguando, tirando algum matinho que por acaso nascesse. Então foi assim uma experiência muito boa também, porque aí já era uma escola grande, né, e eu senti assim, me senti até com muita saudade de da Luz, né, mas me senti assim de uma forma bem melhor, porque eu via que a escola era verdadeiramente uma escola e naquela que eu estudava anteriormente era apenas uma casa, com um quadro e algumas carteiras lá. P/1 – E como é que foi essa mudança? R – Como assim? P/1 – Da escola menor para grande, você se adaptou fácil? R – É como eu estou lhe dizendo a mudança para mim foi muito boa, por quê? Porque eu me senti, assim muito feliz por poder estudar em uma escola propriamente dita como eu já havia dito, não é, uma escola onde existem salas de aula, onde existia uma cantina, onde existia merenda escolar, então foi uma mudança assim que eu me senti realizada. P/1 – Você estudou nessa escola na Cardoso até que ano? R – Na Professor Cardoso? Eu fiz até o quarto ano, não é? Aí depois eu estudei pra fazer um teste para fazer um curso de (admissão?), não é, aí passei, aí fiz o curso de (admissão?) e comecei a estudar, fazer na época a quinta série do colegial, né, aí eu já comecei a quinta série no colégio Tabajara e depois eu fui para o colégio Monsenhor José Borges e Carvalho, uma escola também do Estado, aqui do município de Alagoa Nova. Terminado o antigo ginásio, né, então eu fui estudar em Campina Grande, né, estudei no colégio estadual da Prata, estudei no colégio Alfredo Dantas e terminei o meu Ensino Médio lá. E como eu já disse fiz vestibular para o curso de Letras, fui aprovada, me identifiquei muito com esse curso, não é, e antes de terminar o curso eu já comecei a ministrar as minhas aulas, né, eu era aluna e, ao mesmo tempo, professora e sou muito feliz por ter enveredado pelo caminho do magistério, me sinto realizada profissionalmente. P/1 – E como é que foi a sua mudança daqui de Alagoa Nova pra Campina Grande, você já conhecia a cidade? R – Não, eu não conhecia a cidade, meus pais fizeram a minha matricula lá e nós íamos em carros particulares, ou seja, aqui em Alagoa Nova existia um carro que transportava alunos para Campina Grande e o meu pai pagava esse transporte, esse carro, e esse carro me deixava na escola e me pegava na escola. Então eu não senti assim impacto, não é, eu me sentia feliz também cada vez mais, porque eu estava saindo de uma escola boa e estava indo também para uma outra escola boa. P/1 – E no colegial você fez o magistério? R – Não, no colegial eu fiz científico, não é, por isso eu tive que fazer o vestibular para o magistério, porque eu não fiz o curso normal, eu fiz o científico, então só com o científico eu não podia ministrar aulas, não é, então não era habilitada para o magistério, então eu tive que fazer um curso que me habilitasse para o magistério. P/1 – Quando é que você decidiu fazer esse curso? Como é que foi? R – Porque eu já sentia, eu já sentia vontade de ser professora, então eu procurei um curso num manual, eu procurei um curso que me desse condições de ser professora. Então eu escolhi o curso de Letras, porque eu sabia que eu terminando esse curso eu poderia ser uma professora. P/1 – Certo, e você lembra como foi a sua opção pelo científico? R – A minha opção pelo científico talvez tenha sido assim, pelo fato de eu não conhecer, né, de não saber que existia uma escola normal em Campina Grande que eu podia já fazer já começar o Ensino Médio, eu já podia começar pelo normal, então talvez tenha sido assim a falta de informação, não é, que eu fui fazer o científico. P/1 – E como é que foi o seu período de faculdade? R – O meu período de faculdade foi muito bom, né? P/1 – Teve algum professor que te marcou? Alguma corrente? R – Não, não, muito pelo contrário, meus professores eram excelentes, não é, e quanto mais exigente, mais eu gostava deles, por quê? Porque eu sabia que eles com aquela exigência estavam me conduzindo ao caminho de pesquisar mais, estudar mais e eu graças a Deus eu não tive nenhum problema na faculdade, né, foram os meus melhores momentos também. O único problema existente, não é, entre mim e a faculdade é que como eu já disse eu comecei a lecionar antes de terminar os meus estudos, então a minha vida, né, era muito corrida, eu casei também, tive filhos, então eu tinha que cuidar dos filhos, estudar e trabalhar, então eu senti uma certa dificuldade por isso. Mas relacionamento, professor-aluno, graças a Deus, foi o melhor possível. P/1 – E teve algum professor que você usou como modelo quando você começou a dar aula? Que você pensava assim, não, esse aqui eu escolhi por causa desse jeito dele dar aula, que ele era melhor na relação com o aluno ou esse aqui porque era mais exigente, como é que você foi se moldando como professora? R – É, eu procurei seguir exatamente o professor Marcos (Agra?) é um professor que ele exige um pouco, não é, ele exige um pouco não, ele exige muito do aluno, mas ele é um excelente professor, não é, ele é pesquisador, ele é muito estudioso, ele sabe muito e eu procurei me espelhar em Marcos (Agra?). P/1 – E ele foi seu professor em que época? R – Ele foi meu professor na universidade, segundo e terceiro período, hoje ele ainda é professor da universidade federal, foi meu professor também no curso de especialização e é uma pessoa maravilhosa. P/1 – E como é que foi o seu primeiro momento na sala de aula, você se lembra como é que foi entrar numa turma, lidar com pessoal? R – O meu primeiro momento em sala de aula foi assim, eu me senti um pouco tensa, apesar de ter muita vontade de querer fazer aquilo, que era exatamente dar aula, mas eu me senti assim um pouco tensa, né? Quando eu comecei a ministrar as minhas aulas lá na escola houve a necessidade de me darem umas turmas de língua portuguesa, de artes e de literatura brasileira. Então de início assim, eu sentia que a responsabilidade era muito grande, não é? E eu estudava muito para dar as minhas aulas. O primeiro dia assim, como eu já disse, foi um pouco tenso, mas depois eu comecei a relaxar um pouco, não é, eu tive muito apoio dos meus colegas e dos meus alunos também, não é? E depois eu consegui a credibilidade dos meus alunos e o nosso relacionamento era muito bom, eles gostavam muito de mim e eu deles, e graças a Deus a partir da segunda semana de aula então, eu já comecei a ministrar as minhas aulas de uma forma natural e até hoje eu me sinto muito bem em sala de aula. Gosto dos meus alunos, os meus alunos também gostam de mim e isso é importante na vida profissional da gente. P/1 – Qual que é o maior desafio de ser professora? R – O maior desafio de ser professor que eu enfrento é exatamente a necessidade que nós temos de nos atualizarmos, não é, a necessidade que temos de atualização e os recursos que nós temos são poucos para que a gente possa se atualizar, porque você sabe que o professor ele precisa ser sempre estudante, é necessário que ele esteja sempre estudando, né? Ele tem que evoluir com o tempo. E os nossos recursos são poucos para isso, mas é um desafio que a gente consegue superar, não é? Porque nós temos também como aprender pesquisando em internet, né, comprando um livro aqui, acolá, não é, você não pode comprar todos os livros, mas aí você compra os mais importantes, os que você tem assim necessidade com mais urgência e dá para você conseguir enfrentar esse desafio, né? Então o desafio é esse, o desafio é que o professor ele precisa trabalhar muito, ele precisa estudar mais, não é, e sempre. E os recursos são poucos para que ele possa investir nessa caminhada dele de professor, mas que a gente com força de vontade, com dedicação a gente vai conseguindo superar esses obstáculos, esses desafios. P/1 – Como é que deu essa sua chegada a vida pública, como é que você chegou a Secretaria da Educação? R – Eu fui convidada pelo prefeito, fui convidada pelo prefeito da época para ministrar algumas aulas de inglês em uma cidade aqui, aliás, em um povoado aqui de Alagoa Nova, São Tomé. E quando eu fazia dois anos que ministrava essas aulas de inglês lá no povoado de São Tomé, o prefeito daquela época me convidava para assumir a secretaria municipal de educação, isso há 20 anos, 22 anos atrás. De início assim eu quis recuar, talvez achando que eu não tinha a condição necessária para aquele cargo e tive a ajuda assim de muitas pessoas que eu deveria assumir, que eu deveria aceitar, que eu tinha condição suficiente e eu aceitei o convite do prefeito da época. E foi uma experiência muito boa, porque eu consegui unir a minha experiência de sala de aula as necessidades que eu tinha, e tenho de sala de aula ao cargo, não é, de gestor municipal. Então como eu era professora na época e como eu ainda sou professora, então, eu tento conciliar uma coisa a outra. Eu enquanto gestora, eu estou sentindo a necessidade de perto de cada professor, então eu acredito que para mim, como professora, para os professores e para o meu município isso foi muito bom, porque eu estou trabalhando com a necessidade do professor, né? Então a gente procura, na medida do possível, suprir a necessidade da escola, suprir a necessidade do professor, não é? E o que eu posso fazer pelo aluno, o que eu posso fazer pelo professor eu faço, porque eu sou professora. Talvez se eu não fosse professora eu não sentisse essa necessidade tamanha, né? Então, é uma experiência muito boa, eu me sinto assim realizada, não é, as vezes um pouco frustrada porque a gente também não pode suprir todas as necessidades e quando nós não podemos suprir todas essas necessidades, não é, então vem uma certa frustração. Mas que nós estamos fazendo um trabalho em prol da educação do município, que eu acredito que é um trabalho que está melhorando cada dia que passa, não é, a situação educacional do município de Alagoa Nova. P/1 – E você falou das necessidades dos professores e das escolas, quais necessidades são essas? R – As necessidades do professor, um ambiente adequado para ministrar suas aulas, material pedagógico também para ministrarem as suas aulas, o salário também do professor, não é? Que o professor ele também vive do dinheiro que ele recebe, então é necessário também que se veja o ambiente de trabalho, que se veja também o salário do professor, as condições que esse professor tem lá na escola. Então é preciso que a gente veja todas essas situações de uma forma geral pra que a gente possa melhorar a situação do professor, do aluno, porque o foco, o mais importante é exatamente o aluno, a aprendizagem do aluno. E para que haja essa aprendizagem é necessário também que o professor esteja de uma certa forma, assim, incentivado a isso. Então nós achamos que a escola, o espaço físico é importante, não é, o material para o professor também é importante e o salário dele também é importante, a formação continuada, a capacitação, e nós trabalhamos em cima de tudo isso. P/1 – Ivenete, você tá então na prefeitura há vinte e poucos anos? R – É, há mais de 22 anos. P/1 – Mas assumiu como secretária... R – Assumi como... eu sou professora municipal, não é, e como eu já disse eu fui convidada pelo prefeito da época para assumir a Secretaria Municipal de Educação. P/1 – E faz quanto tempo isso? R – Faz mais de 22 anos. P/1 – E como é que tava... quais eram os seus primeiros desafios como secretária da educação há vinte e tantos anos? R – Eram vários, né, quando eu cheguei a Secretaria Municipal de Educação o professor ele não disponibilizava sequer do giz para ministrar as suas aulas, né? Então a necessidade era muito grande, o professor, ele não tinha giz, a merendeira ela não tinha material de cantina. E de lá para cá, a gente sempre lutando, as condições também da educação melhoraram com o advento do FUNDEB [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica], antigo FUNDEF [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério]. As coisas também melhoraram muito, os recursos eles estão mais direcionados a educação, então graças a Deus, todos esses desafios foram enfrentados e nós ainda temos dificuldades, temos, né, mas a medida do possível a gente tenta superar todas essas dificuldades encontradas. P/1 – E como é que tava a cidade já nessa época, Alagoa Nova, já tinha diferença de quando você era pequena? R – Sim, já existia uma diferença muito grande, não é, porque Alagoa Nova já tinha escolas construídas que na minha época eu estudava em uma residência, não é, e quando eu assumi a Secretaria Municipal de Educação Alagoa Nova já tinha várias escolas construídas, tanto na zona urbana, quanto na zona rural, ela já estava bem evoluída com relação a número de escolas e número de professores. P/1 – Ivenete conta pra gente se você sabe como é que foi a chegada e a implantação da fábrica ali em Alagoa Nova, da chegada do Grupo Camargo Corrêa aqui pra cidade, se isso trouxe alguma mudança. R – A chegada do Instituto Camargo Corrêa aqui em Alagoa Nova... P/1 – Do Grupo assim, primeiro a chegada da fábrica... R – A chegada da fábrica? Do Instituto Alpargatas? P/1 – É. R – Pronto. Então a chegada da fábrica aqui para Alagoa Nova ela só veio trazer benefícios, primeiro porque ela está empregando os filhos de Alagoa Nova, não é, pessoas que estavam desempregadas e atualmente eu acredito que mais de 300 funcionários essa fábrica absorve. E todas essas pessoas são filhos e filhas de Alagoa Nova, então isso aí já foi um grande passo para Alagoa Nova. Depois o Instituto Alpargatas procura a Secretaria de Educação e quer fazer uma parceria entre prefeitura municipal e o Instituto Alpargatas para que esse instituto pudesse beneficiar também as escolas de Alagoa Nova. Então foi feita essa solicitação, o senhor Francisco, juntamente com Valdir, Berivaldo, vieram a Alagoa Nova e lá houve uma reunião, nessa reunião o Seu Francisco mostrava, juntamente com Valdir e Berivaldo, a parceria que eles gostariam de ter conosco, o prefeito foi sensível a essa parceria, ele quis que essa parceria acontecesse entre a prefeitura e o Instituto Camargo Corrêa, através do Instituto Alpargatas e a partir daí as melhorias para a educação de Alagoa Nova vieram acontecendo sucessivamente. Primeiro com o Projeto Juntos pela escola ideal, que é um projeto que o objetivo dele é exatamente arrumar a estrutura física da escola e você sabe que uma escola bem equipada, uma escola bonita, uma escola limpa, incentiva mais o professor a ministrar suas aulas e os alunos também a virem até a escola. É tanto que depois desse projeto Juntos pela escola ideal, o nosso número de alunos assim começou a frequentar mais a escola, o nosso índice de evasão também diminuiu consideravelmente, né? Porque eles se sentem atraídos pela escola, a escola agora é bonita, a escola está equipada, então ele se sente mais atraído pela escola. Depois nós tivemos também uma parceria com o Instituto Alpargatas para que viesse a Alagoa Nova o Programa SGI, Sistema de Gestão Integrado, né, que objetiva exatamente alinhar, né, a questão pedagógica da Secretaria de Educação com as escolas, ou seja, um trabalho que era feito por nós, mas esse trabalho não era sistematizado, esse trabalho não era alinhado e a partir do SGI nós começamos a sistematizar esse trabalho, nós alinhamos esse trabalho, não é, e a aprendizagem do aluno também melhorou consideravelmente, por quê? Porque parte da Secretaria de Educação, não é, o Sistema de Gestão Integrado e absorve atualmente a sete escolas da rede municipal de educação. Então nós estamos observando também que a aprendizagem desses alunos nessas sete escolas, né, também evoluiu de uma forma assim considerável. E você poderia me perguntar e como fica a situação das outras escolas, não é? Apesar delas não estarem inseridas nesse sistema, né, mas nós já estamos começando a dar sinais do SGI em todas as outras escolas, certo? Então elas também já começam a trabalhar algumas ferramentas pedagógicas do Sistema de Gestão Integrado. E como elas já começam a trabalhar essas ferramentas do Sistema de Gestão Integrado elas também já começam, não é, a solicitar de nós “Ivete mas porque a gente também não pode participar do Sistema de Gestão Integrado?”, então nós já estamos em fase de planejamento, a Secretaria Municipal de Educação já está articulando, né, está planejando e articulando com as demais escolas para que possa haver essa verticalização com toda a rede municipal de educação de Alagoa Nova. Então o SGI também é um programa, não é, que foi trazido pelo Instituto Alpargatas, né, e que nós aderimos a esse programa, tivemos a felicidade de aderir a este programa que só está trazendo benefícios para a aprendizagem do aluno. Nós também temos o programa Jornal Escolar, não é, que ele se sobressai graças a Deus de algumas cidades aqui circunvizinhas a nossa, é tanto que a semana passada nós tivemos a oportunidade de apresentar o nosso trabalho, essa experiência que está dando certo aqui em Alagoa Nova, nós tivemos a oportunidade de apresentar em Ipojuca, Pernambuco, né, porque nós conseguimos atingir 100% das escolas do nosso município com o Jornal Escolar, né? Então é uma equipe que está fazendo um excelente trabalho, a equipe do Jornal Escolar aqui de Alagoa Nova está conseguindo fazer um excelente trabalho, né, os alunos, a comunidade, as associações comunitárias, todas estão empolgadas com esse trabalho, né? O aluno, ele passou a ler mais, a pesquisar mais porque ele sabe que vai escrever alguma coisa para o jornal e que essa alguma coisa a mais que ele vai escrever vai ser publicada, que a comunidade vai ter condição de observar, de ver, de ler, né? Então o aluno está empolgado, ele também quer escrever, ele quer ler, ele quer conhecer determinados assuntos pra que possa escrever algo para o jornal, né? Temos também o Programa Ler, Prazer e Saber, não é, que é um programa, também, que foi instituído pelo Instituto Alpargatas aqui no município de Alagoa Nova, nós também fizemos um trabalho muito bom, não é? Conseguimos trazer para esse programa toda a comunidade de Alagoa Nova, por que nós conseguimos trazer? Porque nós instituímos através de um decreto a semana da leitura, porque nós instituímos através desse projeto a semana da leitura, então nessa semana da leitura todas as escolas trabalham com rodas de leitura, não é, e essas rodas de leitura elas vão até o hospital, cadeias públicas, residências, ou seja, as pessoas elas recebem a visita de um professor com alguns alunos em suas residências, e lá eles têm a oportunidade também de participar dessa roda de leitura, dessa contação de história. A biblioteca também ela faz essa roda de leitura nos três períodos, não é, nos três turnos, aliás, manhã, tarde, noite para que toda a comunidade possa participar. Então nós também conseguimos fazer um excelente trabalho, não é, no campo da leitura. O Instituto Camargo Corrêa com essa parceria, prefeitura municipal e Instituto Camargo Corrêa, só veio trazer benefícios para a educação de Alagoa Nova como eu já havia dito. E hoje nós estamos aqui não é exatamente com essa, nesse mutirão aqui na escola São Severino, né, uma escola que estava precisando de uma reforma, de uma ampliação, e essa comunidade está recebendo esses benefícios hoje e isso para nós é motivo de grande alegria, a comunidade também fica agradecida, né, porque a comunidade sabe que os filhos, agora, eles têm uma escola melhor, não é, nas condições físicas. O professor também agora ele também vai ter condição de ministrar uma aula melhor, ele está mais incentivado, ele está mais motivado, então... (troca de fita) (continuação da entrevista) P/1 – Então Ivenete, como a gente tava conversando você deu um apanhado geral de todos os projetos que estão acontecendo. Eu queria que você falasse qual a importância desse mutirão pra escola... R – Desse hoje...? P/1 – É, de mutirões, porque eles são importantes? R – A importância do mutirão é porque ele consegue, né, trazer a comunidade toda para a escola. Os alunos eles participam desse mutirão, os pais de alunos também participam desse mutirão, algumas pessoas também voluntárias da comunidade participam e qual é o benefício que isso vai trazer, não é? O benefício é que eles agora sentem a necessidade, eles têm mais cuidado com a escola, né, por quê? Porque eles participaram da pintura da carteira, eles participaram do conserto da carteira, da pintura da escola, eles arrumaram a escola. Então como eles participaram de tudo isso, ele é peça integrante, não é, desse mutirão então agora ele passa a ter mais cuidado, ele agora vai preservar melhor a escola “Ah, menino, você não pode riscar a parede! Isso nos deu trabalho!”, né, “Ah, olha não vamos riscar mais a carteira, porque a carteira fica feia, nós tivemos um trabalho aqui muito grande pra pintar essas carteiras, pra arrumar essas carteiras”. Então o benefício além de deixar a escola arrumada, não é, e como eu já disse o aluno e o professor mais motivados a estarem nessa escola, é exatamente também essa responsabilidade que eles adquirem diante da escola, por quê? Porque eles são parte agora, não é, eles também participaram de tudo isso e ele quer que esse fruto permaneça aí por muito e muito tempo, então eles agora eles têm responsabilidade com aquela escola. Então eu acho, não é, na minha concepção que o benefício maior é exatamente esse, esses dois, além de arrumar a escola, trazer uma escola com melhor condição para a comunidade, não é, é que a comunidade também participa, é peça integrante desse mutirão e que essa comunidade agora ela vai ter mais cuidado com aquela escola, vão preservar, então isso é muito importante para nós, porque também nos ajuda muito, não é? P/1 – Você também falou pra gente do SGI, que ele está implantando em sete escolas e que ele tem algumas ferramentas, quais ferramentas são essas, como é que funciona essa integração, a integração é só entre a escola e a secretaria ou é entre também os membros da escola, com pais? R – Olha, essa integração é feita de toda a comunidade escolar. Ela começa na Secretaria, se estende até a escola e lá na escola nós conseguimos envolver desde o gestor escolar, até o porteiro. Então todos se envolvem. Inclusive os pais de alunos, né, o pai de aluno ele participa da gestão integrada. Como se trata de uma gestão integrada nós não podemos deixar o pai do aluno, a mãe do aluno de fora desse sistema, não é, então ele participa da seguinte forma. Ele é convidado a escola, né, não mais para receber reclamação do seu filho, né, mas ele é convidado a escola pra ele participar efetivamente da vida escolar do seu filho, né? Então reuniões ele tem condição, não é, e é dada a oportunidade a ele também de ele escolher o que ele quer de melhor para o seu filho, né? Então ele vai ter condição de opinar sobre a merenda escolar, ele vai ter condição de opinar sobre a aprendizagem do seu filho, porque ele vai estar monitorando essa aprendizagem constantemente, não é? Ele vai ter condição também, ele vai ter oportunidade também de observar, não é, o professor, não que ele seja um fiscalizador do professor, não é, é tanto que nós já conseguimos, nós conversamos com o professor e ele sabe da necessidade de trazermos o pai e a mãe do aluno para a escola. E isso tem ajudado de uma forma considerável o professor, não é, invés do professor se sentir fiscalizado, então ele se sente ajudado pelos pais, porque os pais estão ali exatamente para ajudar o professor. Então o aluno ele deixa de faltar a escola, por quê? Porque ele tem a participação do professor nesse monitoramento, mas ele tem uma participação bem mais importante que é a participação do pai e da mãe também para monitorar essa frequência do aluno a sala de aula, não é? Então o aluno ele é monitorado também com relação ao dever de casa, né? Então ele está fazendo o dever de casa? O professor ele tem que tomar ciência disso, o pai também, e nós vamos saber porque é que esse aluno não está fazendo esse para a casa, porque o aluno não está fazendo esse dever de casa, não é? E dependendo do resultado dessa nossa pesquisa então nós criamos um plano de ação, então isso aí já é uma ferramenta do Sistema de Gestão Integrado. Então nós criamos um plano de ação para trabalhar, não é, essa questão da falta do aluno, certo? Para trabalhar também o pai do aluno, para trabalhar também o professor daquele aluno. Então, o aluno ele vai deixar de faltar também porque é criado um plano de ação, nós vamos trabalhar aquele motivo e com certeza, nós vamos sanar esse problema, certo, a questão do para casa. Depois nós temos a questão também do aluno que ele não se relaciona muito bem em sala de aula com o seu colega, então porque é que o aluno não se relaciona bem com o seu colega em sala de aula? Então vamos pesquisar o motivo, vamos saber o motivo, porque isto está acontecendo, não é? E criamos também, dependendo do resultado, um plano de ação, esse plano de ação também irá trabalhar esse problema, e nós tentamos também, não só tentamos, mas também solucionamos o problema. Então essa ferramenta, né, é muito importante dentro de uma gestão que é exatamente trabalhar os problemas existentes em sala de aula e que está dificultando a aprendizagem do aluno. Então se você trabalha tudo que está dificultando a aprendizagem do aluno, nós vamos ter no final um resultado positivo, por quê? Se aquilo que atrapalhava o aluno não está mais atrapalhando com certeza então agora a aprendizagem irá fluir. P/1 – Então esse plano de ação é individual e é feito... R – Esse plano de ação pode ser individual, por questões, assim por motivos, não é, o para casa que não está sendo feito, então se cria um plano de ação. Só que você vai verificar as causas de forma individual, certo? Então o próprio plano de ação ele já dá condição a você de você ir verificar essas causas de forma individual, né? Então você vai fazer uma pesquisa, você vai procurar saber o que está acontecendo com o Joãozinho, vai procurar saber o que está acontecendo com José e assim por diante. P/1 – E aí você também falou do Jornal Escolar e da apresentação lá em Ipojuca, qual foi a importância de todo mundo ir pra lá pra apresentar esses resultados? Como é que foi montada? Como é que foi a viagem ou a experiência de apresentar esse projeto pra outros lugares pra eles se espelharem em vocês? R – Uma experiência muito boa, né, porque nós estamos tendo condições de poder partilhar com outros municípios o nosso trabalho, né? Então como eu já disse, nós conseguimos atingir 100% das nossas escolas, até aquele professor que nós sentimos assim, eram poucos, mas que nós sentíamos assim uma certa resistência, não é, com o resultado do trabalho ele também se sentiu, não é, ele sentiu a necessidade de nos procurar e de começar a participar também daquele processo do Jornal Escolar, por quê? Porque ele estava sozinho e os alunos estavam perguntando “professor, porque é que na minha escola aqui, porque é que eu não participo, por quê os meus textos, os textos que nós produzimos aqui não são colocados no Jornal Escolar?”, né, quando os nossos colegas... a gente vê artigo de opinião, a gente vê uma poesia, a gente vê um desenho dos nossos colegas e os nossos professores, por que é que os nossos não estão aparecendo no jornal, né? Então o próprio aluno ele já começou a cobrar do professor e ele sentiu a necessidade de ir em busca da participação também do jornal. Então nós conseguimos atingir esse 100%. E a experiência de partilhar com outros municípios é uma experiência boa, porque nós estamos podendo, não é, estamos dando condição, acreditamos de um outro município que não estava conseguindo atingir 100% das suas escolas, atingirem esses 100%, porque nós lá conseguimos assim mostrar, né, nós conseguimos mostrar como fizemos para que todas essas escolas pudessem... sentissem a necessidade de aderirem ao Jornal Escolar. Então foi gratificante para o município, né, poder ajudar nesse sentido, foi uma experiência boa, a nossa viagem foi boa também, não foi melhor porque estava chovendo muito, né? E você sabe que muita água na estrada no meio do caminho a gente fica, nós ficamos assim um pouco receosas e receosos do que pudesse acontecer, até porque antes de sairmos de casa nós tomamos conhecimento de que uma barragem de Ipojuca estava prestes a ir embora, então nós ficamos um pouco preocupados, mas lá, chegando, não é, a secretária nos tranquilizou, que não tinha problema nenhum. E nós participamos do seminário no primeiro dia, participamos de algumas palestras e no segundo dia, né, que foi no sábado a nossa apresentação, nós tivemos a oportunidade de fazer essa apresentação e acreditamos que levamos assim uma forma de como os outros municípios que ainda não tinham conseguido fazer do jeito que fizemos, que eles possam também fazer. Por isso nós somos gratos, né, a Deus primeiramente, e as pessoas também que nos convidaram para que lá a gente pudesse partilhar a nossa experiência. P/1 - Ivenete pra todos esses programas são feitas formações e capacitações, por que que isso é importante? Por que que é importante vocês darem um curso de capacitação para o professor ? Ou então pro porteiro, para a merendeira, por que isso é importante? R – É importante porque na capacitação ele vai ter condição de aprender como ele vai desenvolver aquela ação, como ele vai desenvolver aquele projeto. Então no Jornal Escolar como foi feita a adesão para o Jornal Escolar e em sequência nós fomos convidados, não é, para que pudéssemos organizar uma equipe responsável por esse jornal, então nós formamos a nossa equipe A equipe ela é composta de uma coordenadora, uma formadora, uma articuladora, não é, e... como é o nome, me esqueci agora, formadora, articuladora e o diagramador, obrigada Valdir, e o diagramador, então são quatro pessoas, não é, que vão participar dessa formação. Nessa formação eles conseguem exatamente absorver todas aquelas orientações para repassar para o professor. E nós tivemos a felicidade lá na Secretaria Municipal de Educação de mais duas técnicas, não é, aderirem de forma voluntária para fazerem esse trabalho. Então além do formador, do articulador, do coordenador e do diagramador nós temos ainda duas técnicas que elas fazem esse trabalho também, ajudam a essa equipe de uma forma voluntária. Então eles são convidados pelo Instituto Alpargatas, eles se deslocam até a cidade de Campina Grande e participam lá de uma formação. Nessa formação eles adquirem todos aqueles conhecimentos como eu já disse para repassar aqui para o professor, então é importante que haja essa formação exatamente porque essa formação vai dar condições a essa equipe, não é, de repassar todas as informações para os professores. Então eles repassam na íntegra, da forma como é repassado lá eles repassam aqui para os professores. E os professores agora levam essas informações para sala de aula, certo? Então lá na sala de aula eles começam a fazer um trabalho, só que de uma forma bem mais sistematizada, porque você sabe que o professor, juntamente, com o aluno, o aluno já escreve em sala de aula, né? O aluno já produz o seu texto em sala de aula, só que agora de uma outra forma, não é, de uma forma bem mais organizada, não é ? E com um objetivo, e como eles têm esse objetivo, então é claro que eles fazem de uma forma prazerosa, né? E quando eles concluem o trabalho, esse trabalho é enviado a Secretaria Municipal de Educação, onde lá o diagramador faz todo o trabalho de diagramação, manda para Natal, manda para Fortaleza e Fortaleza nos repassa os jornais já prontinhos. Então na primeira edição do jornal nós fizemos uma festa, né, nós colocamos uma placa grande lá em frente ao teatro, né? “Extra, extra, extra, está chegando o Jornal Escolar!”, né? Convidamos todos os alunos, a comunidade, os pais de alunos, né, e levamos todo esse povo para o teatro e lá nós tivemos a oportunidade de apresentar os jornais e entregar a cada escola, foi uma festa. Os alunos ficaram empolgadíssimos, todos muito felizes, não é, “ah, mas olha o desenho que eu fiz! O texto que eu escrevi! Mas está aqui!”, né, alguns professores ao chegar a sua comunidade, né, convidaram os pais, convidaram os presidentes de associação e lá fizeram outra festa e os alunos tiveram uma outra oportunidade também já de mostrá-los a sua comunidade, não é, o produto do seu trabalho. Então isso tem dado um impacto muito grande na aprendizagem, né, é como eu já disse aqui a vocês. O aluno lê mais, o aluno agora escreve melhor, porque ele tem um objetivo e com isso a aprendizagem flui, né, consideravelmente. P/1 – E aí a gente falou dessas parcerias, né, entre o poder público, entre o Instituto, qual que é o seu papel dentro dessa parceria enquanto secretária da educação? R – O meu papel dentro dessa parceria é exatamente coordenar todos esses programas, monitorá-los, né, observar como eles estão sendo desenvolvidos e na medida do possível também ajudar e inclusive nessa formação do repasse das informações, da equipe técnica para os professores eu também já participei, não é, elas tiveram assim uma certa dificuldade porque a coordenadora, ou seja, a formadora que participou da formação lá no Instituto Alpargatas ela adoeceu, não pode vim ministrar as suas aulas e a equipe me pediu para que eu fosse repassar para os professores o passo a passo, não é, o passo a passo do artigo de opinião. Então eu também fui formadora, né, então o meu papel é esse, monitorar, é ajudar, é observar até que ponto isto está sendo importante para nós, não é? E o meu relato assim, a minha avaliação é que todos esses programas tem sido assim muito úteis a nossa gestão, né, ao nosso município, ao nosso aluno e dizer a você que o aluno aqui de Alagoa Nova é quem tem ganhado muito com isso, porque como já foi dito o impacto tem sido considerável na aprendizagem do aluno. P/1 – Quais são os papéis dos demais agentes do Instituto, da comunidade? R – O papel do instituto é exatamente trazer para nós, não é, trazer para nós os programas, fazer a formação, nos dar condição também de fazer com que esse programa possa acontecer no nosso município, inclusive condição logística, né? E, também, nos incentivar pra que a gente possa dar continuidade com esses programas e é um papel bem importante de todo o pessoal que faz o Instituto Alpargatas. P/1 – E o da comunidade? R – O da comunidade é receber os benefícios, né, receber os benefícios e servir também como parceiros voluntários, né? Que em todos esses programas aqui do município de Alagoa Nova nós temos muitos parceiros voluntários, pais de alunos, alunos, presidentes de associação, né? Pessoas envolvidas com a escola, amigos da escola também se envolvem com esse projeto, com esses programas e a comunidade toda, de uma forma geral, ela também se sente na obrigação de poder participar e de dar também a sua contribuição a cada programa desenvolvido aqui no nosso município. P/1 – E da primeira reunião que vocês tiveram de aproximação com o Instituto Camargo Corrêa, com o Instituto Alpargatas, quais eram os primeiros objetivos assim, quais são os de hoje, já tendo alcançado 100% do Jornal Escolar, já tido diversas... R – O primeiro objetivo era exatamente melhorar a qualidade do ensino, não é, e se nós fizermos uma avaliação, né, do primeiro ano de implantação desses programas aqui nos municípios de Alagoa Nova para hoje, nós vamos ver um avanço assim bem considerável, né? Os nossos alunos agora eles... a aprendizagem melhorou, não é, o nosso índice de aprovação aumentou, o nosso índice de repetência diminuiu, né? Então a avaliação que nós fazemos foi a melhoria do ensino, não é, e nessa melhoria do ensino nós observamos assim o índice de repetência e o índice de evasão diminuiu. P/1 – Ivenete, quais são as expectativas pra esse projeto? Pra continuidade desses projetos? R – A expectativa é, por exemplo, a questão do SGI, do Sistema de Gestão Integrado, não é, nós estamos terminando agora em julho a nossa formação, porque o Instituto Camargo Corrêa, juntamente com o Instituto Alpargatas, eles nos disponibilizaram uma instituição de ensino aqui para repassar todas as informações necessárias para que a gente pudesse implantar o SGI aqui no município de Alagoa Nova. Então essas informações nós estamos concluindo agora no mês de julho, não é, e a nossa expectativa é que mesmo que não tenha mais o Instituto responsável para estar ali gerenciando esse repasse é que nós possamos, não é, repassar para todas as outras escolas. Eu já havia dito no início que nós pretendemos verticalizar esse Sistema Integrado, não é, de gestão para todas as demais escolas, então o nosso objetivo é esse. É que mesmo sem ter alguém pertinho de nós, mas que a gente agora com o que aprendemos, não é, possamos agora caminhar sozinhos com esses programas trazidos pelo Instituto Alpargatas e Camargo Corrêa. P/1 – Ivenete voltando agora pra uma parte pessoal assim, você falou que casou nova, como é que você conheceu seu esposo, como é que foi seu casamento? R – Meu esposo é daqui de Alagoa Nova também, não é, os meus avós eles eram evangélicos e eu gostava muito de sempre nos finais de semana, na quinta-feira, tinha um culto evangélico na casa do meu avô e eu sempre ia pra casa do meu avô, não é, participar e ficar lá vendo esse culto. E uma certa vez eu estava assim encostada na porta, não é, e parou aquele rapaz, naquele carro e olhou pra mim e eu olhei para ele também e dali nasceu, não é, uma paquera, ele também, os pais dele eram evangélicos, eu acredito que tenha sido por esse motivo pelo qual ele parou lá em frente a casa do meu avô, porque estava acontecendo uma manifestação evangélica, e dali nasceu o nosso romance, não é? E nós casamos, temos três filhos, todos os três casados, temos três netos, não é, somos uma família pequena, porém muito unida e somos felizes. P/1 – E quais são suas atividades hoje? Como você concilia as suas atividades? R – Minhas atividades, eu sou professora, contínuo professora, não é, da rede estadual, né, inclusive eu já tenho tempo de me aposentar, mas eu não quis me aposentar ainda, porque eu gosto de dar aula, não é? E estou a frente da Secretaria Municipal de Educação de Alagoa Nova e também sou doméstica, né? Eu gosto muito dos meus afazeres domésticos, finais de semana, não é, sábado e domingo, às vezes eu sacrifico o meu domingo com a minha família pra ficar fazendo alguma coisa em casa que eu também gosto muito dos meus afazeres domésticos. Quando não, né, nos finais de semana assim a gente procura reunir a família ou eles almoçam lá na minha casa, almoço feito por mim, não é, ou nós saímos para um restaurante aqui próximo da nossa cidade, Campina Grande, na cidade de Campina Grande, almoçamos juntos. Na segunda-feira já começamos exatamente o nosso trabalho na secretaria, a noite eu estou ministrando as minhas aulas e no final de semana tudo de novo. Ou na minha casa almoçando ou nós vamos almoçar fora. P/1 – Tá certo, e quais foram seus maiores desafios durante essa sua trajetória? R – Meus maiores desafios...ou o meu maior desafio, trabalhar na educação, não é? Porque eu trabalho na educação porque eu gosto muito de fazer educação, mas é muito difícil trabalhar em educação. Por que é difícil trabalhar em educação? Porque os recursos para educação eles são poucos, e nós muitas vezes não podemos fazer aquilo que nós pretendemos, aquilo que nós queremos e aquilo que nós sabemos que é preciso ser feito. E esse é o meu maior desafio, muitas vezes eu me deparo assim com situações constrangedoras, né, porque eu me sinto impossibilitada de resolver determinadas coisas que eu gostaria muito de resolver. Então eu trabalho na educação porque eu gosto de fazer educação. E eu sinto assim um apego muito grande a educação, eu acho que ruim comigo, e eu acredito que se eu sair a situação é bem pior. Não quero dizer com isso que eu sou insubstituível, mas é porque eu sinto amor por aquilo que eu faço, então às vezes eu digo “Senhor, será que eu vou conseguir uma pessoa que faça, que queira fazer exatamente isso que eu pretendo fazer também?”, então eu tenho muito medo, eu tenho muito cuidado com a educação do meu município, certo? Porque eu sei que existem muitas pessoas boas, né, inclusive na minha equipe existem pessoas comprometidas, né, mas eu sinto assim um apego muito grande a educação do meu município. E eu queria e peço muito a Deus pra que quando eu sair da Secretaria Municipal da Educação que vá, uma pessoa também iluminada por Deus possa também assumir, né, o comando da educação de Alagoa Nova. Não só da educação de Alagoa Nova, peço também a Deus para que ilumine a todas as pessoas que comandam a educação do nosso país, porque a nossa educação ainda precisa de muita ajuda, não é, precisa de muita ajuda a educação pública do nosso país. Então eu sou muito feliz por estar a frente da Secretaria de Educação porque eu batalho muito pela educação, não é, e fico mais feliz ainda quando eu consigo um gestor que também se compromete com a educação do nosso município. E graças a Deus, eu agradeço mais uma vez a Deus porque atualmente o gestor Cleber Moraes, ele é comprometido com a educação e eu acredito que é exatamente por isso que nós estamos avançando um pouco mais na educação municipal de Alagoa Nova. P/1 – Ivenete pra encerrar como é que foi pra você contar um pouquinho da sua história pra gente? R – Foi ótimo, eu gostei muito, né, apesar de estar um pouco assim tensa, porque não faz parte do meu dia a dia, né, dar entrevista, mas foi gratificante para mim, não é, poder relatar, poder contar algo sobre a educação do meu município, né, e dizer que temos muito a fazer ainda por essa educação. P/1 – Tá certo então Ivenete, obrigada.
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