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História

Projetos para uma educação melhor

Sinopse

Engajado em alguns projetos dentro das escolas, Francisco relata como eles ocorreram e seus objetivos. Feitos visando o coletivo, os projetos educacionais objetivavam ver o outro de forma ativa, ou seja, como um sujeito de um processo histórico. Ele relata também as suas aspirações para o futuro do projeto.

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História completa

P/1 – Bom dia.

R- Bom dia.

P/1 – Por favor, seu nome completo, o local e a data de nascimento.

R – Francisco Alencar de Souza. Data de nascimento, três de agosto de 1965. Local, Juazeiro do Norte, Ceará.

P/1- Francisco, eu queria que você falasse sobre os dois projetos  que estão acontecendo o encontro hoje: O Prevenção Também se Aprende e o Comunidade Presente.

P/1 – Esses dois projetos, eles acontecem ao mesmo tempo dentro da escola, e geralmente está sendo desenvolvido pelo mesmo professor, ou pelo mesmo grupo de professores. Então, torna-se até difícil diferenciar agora, Prevenção e Comunidade Presente, mas eles estão acontecendo de uma forma,digamos lenta, pelo tempo que nós estamos trabalhando, mas é, digamos assim, pouco ainda o trabalho, mas eficiente já e significativo.

P/1 – O que é “Valorização da Vida” nas escolas da sua região?

R - Respeito. Possibilidade de desenvolver um trabalho onde tenha como princípio “o outro”.Acho que passa principalmente por essa questão de respeito ao outro e essa possibilidade de enxergar o outro como sujeito de um processo histórico que está aí, sendo desenvolvido.

P/1- E como é que está a convivência nessas escolas, depois da implantação desses dois projetos?

R - Olha, já dá pra gente pegar alguns pontos positivos nessa questão, porque o projeto vem junto com outros,mas, agora falando desse especificamente.Pra romper com uma questão, que a meu ver é fundamental dentro da escola, ou seja, que se rompa dentro da escola, na tentativa de se construir uma educação diferente, que seria o rompimento com uma prática individual dentro da escola, que se estruturou aí durante o início da educação. Então, o projeto vem pra contribuir com essa ruptura,  desse individualismo.Quando você chega dentro de uma escola e convida um grupo de professores pra fazer uma reunião, você está abrindo a perspectiva desse rompimento de uma prática individual, pra uma prática coletiva, que a meu ver é: ou nos unimos pra resolver os problemas  dentro da escola, ou, sozinho, você não vai resolver.  Então, o projeto nas escolas onde eu acompanhei um pouco mais próximo já tem esse grupo, que seria o início dessa ruptura de uma prática que se não muda, fica difícil de pensar nessa perspectiva de uma educação  diferente.

P/1- Você tem algum caso, de alguma escola que está fazendo um trabalho bem concreto, que está dando certo, pra contar pra...

R – Tem. Tem sim.Por exemplo, uma escola onde através de um grupo de professores pra fazer com que uma biblioteca funcionasse, começou chamando pais e mães de alunos e ex-alunos pra organizar essa biblioteca. Sabendo-se as condições que a escola pública ainda se encontra, que não são muito favoráveis, mas foi através da ajuda de pais e mães – e eu vou citar uma escola chamada José Maria Witaker – onde existe um grupo de mães que cuidam mesmo da escola e tem horário direitinho. Tem uma série de atividades dentro da escola, onde elas vão se dividindo, a escola permanece com sua biblioteca funcionando relativamente o dia todo e alguns dias durante a noite.  Essa escola é um exemplo de que o projeto teve essa função de modificar a dinâmica da escola.

P/1- Francisco, quando é que se erra nos projetos?

R - Quando se entende um projeto como um campo de força, uma camisa de força. Isso acontece muito com os projetos institucionais, que eu até diria que eles são entendidos como recados, como: “Tal dia faz isso”. Como se fosse um recado, em que você tem que cumprir uma tarefa tal dia. Então, o erro está nesse entendimento. Assim, quando se entende que o projeto parte de dentro da escola e aí os outros se ____ contribuir aquilo que a escola já se interessa fazer, seria um caminho. Mas o erro principalmente está em entender o projeto como uma camisa de força, ser obrigado a fazer isso tal dia. E aí ele também não funciona.

P/1- Você pode dar uma contribuição pra gente? O que você acrescentaria nesse projeto, para que ele se desenvolvesse mais no ano que vem?

R –Olha, tem uma questão que eu acredito fundamental pra que no próximo ano a gente consiga colher uma quantidade de fluxos maiores com esse projeto. Nós enfrentamos, na oficina pedagógica, uma questão, um problema que, eu acredito que junto com o pessoal da FDE [Fundação Para o Desenvolvimento da Educação], nós vamos conseguir resolver. Seria, assim, um trabalho com os supervisores.A gente sai de dentro da oficina, passa na escola e aí tem todo um trabalho dentro dessa escola, de montar um grupo onde a manutenção desse grupo necessita da ajuda do coordenador e do diretor da escola, que necessita de uma ajuda do supervisor, que é quem, na verdade,  na ponta, está assinando uma série de papéis dentro de uma escola, e até mesmo,  por exemplo, liberando um dia pra gente fazer uma reunião.Eu acredito que o pessoal da FDE frequentando um pouco mais as diretorias, e aí marcando mesmo reunião com supervisores.  Uma coisa é eu sair da oficina e falar: “ O projeto é esse”, ou você fazer junto com alguém da FDE, em que pode estar contribuindo na explicação do que é aquilo e na funcionalidade daquilo. Eu acho que essa junção entre o pessoal da FDE e a oficina pedagógica dentro da diretoria, esse projeto poderia ser mais aceito  dentro das escolas.

P/1 – Está certo, Francisco. A gente agradece muito a sua colaboração e o registro das atividades da sua região.

R – Obrigado.

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