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História

Profissionalismo: essa é a razão!

História de: Adjarma Azevedo
Autor: Raquel
Publicado em: 09/06/2021

Sinopse

Infância no Brás, em São Paulo. Primeiro emprego como office-boy. Qualificação em Desenho. Experiências no ramo da tecnologia do alumínio. Profissionalismo. Sagacidade. Vivências políticas. Presidência da Alcoa. Presidente da ABAL.

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História completa

Projeto: Trajetória Alcoa Entrevistado por: Maria Raciope e Lenir Justo Depoimento de: Adjarma Azevedo Local: São Paulo Data:19 de fevereiro de 2008 Realização: Instituto Museu da Pessoa Código: ALCOA_HV006 Transcrito por: Juliana Leuenroth Revisado por: Bruna Melo dos Santos Duque Estrada P1- Boa tarde, senhor Adjarma. Nós vamos começar a entrevista com o senhor nos falando seu nome completo, local e data de nascimento. R- Adjarma Azevedo, nasci em Marília em 11 de maio de 1940. Marília no Estado de São Paulo, no interior. P1- E qual é a sua atividade atual? R- Eu sou consultor. P1- Qual o nome dos seus pais? R- José Azevedo e Benta de Freitas. P1- E qual é, ou era, a atividade dos seus pais? R- Do meu pai era garçom, e a minha mãe era do lar, né? P1- E o senhor sabe a origem da sua família, qual era? Qual é, né? R- Ah, tem descendência portuguesa, né? O nome já diz, Azevedo, né? Descendência portuguesa. Meu avô era português, Trás dos Montes. P1- De parte de pai? R- Por parte de pai. P1- E de mãe também eram portugueses? R- Não, eram todos brasileiros. P1- Eram brasileiros... E na sua infância, onde o senhor morava? R- Até seis anos de idade, eu morei em Rancharia. Dos seis em diante, eu morei em São Paulo mesmo. P1- E nessa época de Rancharia, o senhor lembra um pouco desse lugar, da sua casa? R- Muito pouco, fragmentos só. P1- E em São Paulo, onde? R- Ah, eu lembro tudo. P1- O senhor pode contar um pouquinho como era a casa? R- A casa era um sobrado, onde viviam muitas famílias. E nós, na realidade, chamávamos o sobrado de cortiço, porque não era outra coisa além de um cortiço. Inclusive, eu tenho um livro escrito que conta essa história do sobrado. Então a casa era assim: nós morávamos num quarto, onde cabiam dez pessoas no máximo e dormíamos no chão do lado um do outro. Foi um começo, assim, muito interessante. Pra mim, que era moleque, era muito divertido. P1- E as atividades de crianças, as brincadeiras, como eram? R- Ah, eu fui um camarada de rua. Brinquei demais, eu... Tudo o que você possa imaginar de folguedos aí de criança. Eu joguei bola de gude, fiz guerra de pipa, carrinho de rolimã, eu soltei balão, fiz muito balão, sou um grande baloeiro. Hoje em dia, infelizmente, eu não solto. Mas faço alguns balões pra ensinar os meus netos, como ensinei os meus filhos. P1- Esse local que o senhor morava... R- No Brás? P1- No Brás? R- Não tem lugar no mundo melhor pra morar, no Brás, na minha época. Na época, né, porque era o bairro dos boêmios, dos cantores, das serenatas à noite, muito bacana. Eu tive uma infância e uma juventude muito boa. Nada, de nenhum trauma. Foi muito bom. P1- O senhor lembra da cidade, na época, como que era? R- São Paulo? São Paulo não era, né, era um... Muito tranquila, a gente só andava de bonde, eu era o [zero e vezero?], pegar bonde e não pagar, fugia do cobrador. Ônibus, né, tinha ônibus... Mas a gente andava com muita tranquilidade em São Paulo. A gente não tinha problema nenhum. Eu, moleque ou moço, andava de noite, duas, três horas da manhã, eu podia andar, nunca me senti intimidado, nada. Era uma província, naquela época. P1- O senhor tem alguma lembrança marcante dessa época? R- Eu tenho tantas... Se você me desse uma dica... Tem tanta coisa pra contar. Bom, vou contar uma assim, eu... Quando chegava a época de Natal, nós éramos pobres, pra ganhar presente eu frequentava um parque infantil e nós ganhávamos um cartão que dava direito a receber um presente do governador, na época acho que era o Adhemar de Barros. E, então, na véspera desse dia, do dia 25, que era dia de Natal, nós íamos lá ficar na fila pra poder receber o presente. Então a farra era muito grande nessa fila, né, porque era uma fila imensa, gente de tudo quanto é canto, tal... E passávamos a noite ali. E, no dia seguinte, entrávamos, cada um com o seu cartãozinho. O governador já tinha ido embora, dependendo do lugar que você estava na fila, mas aí você recebia um pacote de presente, tal, né, cada um recebia... E tem muitas histórias boas sobre isso, sobre os presentes, sobre abrir ali ou depois, sanduíche ou não, bola... Era muito divertido aquela época. P2- O senhor tinha irmãos? R- Não, eu sou filho único. Eu tinha tios, alguns tios até um pouco mais velhos do que eu, que eram os meus grandes companheiros. P1- E a época da escola, como é que foi? R-A escola foi muito boa. Eu fui muito briguento, né, eu era um terror na escola. Mas a escola foi muito boa, muitos amigos, tenho amigos até hoje… P1- A escola era ali no bairro? R- No bairro mesmo. Chamava-se Romão Puiggari. Ficava bem em frente à Igreja do Brás, onde eu fui coroinha, fui congregado mariano, bebia o vinho do padre, comia as hóstias. Eu fiz tudo que eu tinha direito… P1- Participava daquelas festividades do Brás? R- Das festividades, das procissões, né, tudo... Reza, missa, eu era coroinha, entendeu? E, de vez em quando, eu “sacaneava” o padre também, porque dependendo de como ele me tratava, na hora certa de consagrar, eu não balançava nada, ele ficava louco [RISOS]. Então foi ótimo, viu? Foi muito divertido, minha vida foi muito divertida, foi ótima. P1- Até quanto tempo você ficou nesse colégio? R- Ah, no Romão Puiggari? eu não me lembro... Acho que foi, quando é que você saía? Onze anos, né? Você fazia o quinto ano, depois você ia fazer ginásio, né? P1- Tem alguma lembrança de professores? R- Olha, os professores eu lembro, as pessoas, o momento, mas não lembro o nome, eu tenho dificuldade de lembrar o nome. Mas foi muito bacana. Era uma turma endiabrada, né? P1- Depois, qual outro curso que você realizou depois do primário, ginásio? R- Ah não, eu fiz administração de empresas eu já tava trabalhando, inclusive, acho, que na Alcoa. Eu fiz administração de empresa em Santo André, no Instituto Superior, hoje até mudou de nome, nem sei qual é o nome. Eu fiz lá administração de empresa pública e privada, que foi muito bom também, foi numa época boa... P1- E o seu primeiro emprego, qual foi? R- Foi no Banco Interamericano, que tinha até um, como se diz, uma conta pra criança, chamava Canguru Mirim. Acho que vocês são jovens pra lembrar disso, mas era o Canguru Mirim... E eu era office-boy lá. Aliás, era bacana, porque eu tinha uma farda, um uniforme de office-boy tudo dourado, as meninas gostavam da gente daquele jeito. Depois de lá, eu fui trabalhar...onde é que eu fui depois daquilo? Depois de lá, eu acho que fui na [Imprivano?]... P1-Quem influenciou o senhor a escolher administração? Foi o trabalho? R- Foi o trabalho. Bom, mas eu fui desenhista profissional também, desenhista técnico. Eu fiz um curso de desenho na Escola Getúlio Vargas de Desenho Técnico, eu fiz um curso lá. E já arranjei emprego logo depois. Então, eu desenhava, vivia na prancheta, né? E eu cheguei aqui na Alcoa pela prancheta, eu vim, sabe, e as coisas foram acontecendo. P1- Então o senhor trabalhou logo cedo, assim, o senhor foi office-boy com quantos anos? R- Com onze anos já estava trabalhando. Antigamente se tinha uma carteira de trabalho de menor, eu tenho ela até hoje, comecei com onze anos no Canguru Mirim, né? P1- Você trabalhou como office-boy? R- É, eu trabalhei como office-boy. Eu também trabalhei numa outra, chamada [Imprivano?], também como office-boy. Depois disso, eu tô tentando lembrar, teve um pedacinho que eu trabalhei... Eu trabalhei na Falchi, Chocolates Falchi. Nossa Senhora... Foi muito bom lá, eu progredi bastante também. Eu era muito esperto... [RISOS]. Eu era, naquela época... P1- Como que o senhor veio para a Alcoa? Como é que aconteceu a Alcoa? R- A Alcoa foi assim: eu trabalhava numa empresa de engenharia, chamava-se [Athur Gimakee?], era uma empresa de engenharia, de desenho, de projeto. E, eu acho que era a segunda vez que eu trabalhava nela, porque eu trabalhei e ela depois teve que parar aqui no Brasil, porque tinha acabado o contrato dela com a Siderúrgica Nacional, que era de engenharia mesmo. E aí quando ela voltou para o Brasil de novo, ela me chamou. E eu fui lá trabalhar. P1- Você fazia o que? R- Eu era desenhista técnico. E aí eles mandaram a Alcoa, a Alcoa contratou a McKee para fazer a inspeção dos equipamentos da Alcominas, que eles estavam construindo a Alcominas, então precisava inspecionar o equipamento, um monte de coisa, tal. E quem era encarregado disso na McKee era um americano, tinha um nome até bonito: Robert Thomas Taylor... Porque tinha o Robert Taylor, né? [RISOS]. Aquele ator, e eu, de vez em quando, dizia: “Eu trabalho pro Robert Taylor”. Aí, puxa, arranjei até confusão pra ir no aeroporto, ele fez a gente esperar com o papelzinho... Você já percebeu que eu sempre fui um gozador. E ele, eu não me lembro se pegou uma hepatite, o que foi, alguma coisa assim, acho que um troço desses, e na hora me mandaram cobrir o buraco dele. E aí, eu vim parar na Alcoa. Então era responsável na Alcominas, isso era ainda 1967, né? Então, eu era responsável pela equipe que fazia, como é que se diz, inspeção dos equipamentos, tal. E depois de algum tempo, essa é muito divertida, tinha um funcionário lá, um graduado lá importante da Alcominas, chegou pra mim e disse assim, um americano: “O senhor entende de importação?” Porque eles estavam importando, a Alcoa, a primeira fábrica, em Poços de Caldas, foi um projeto aprovado e financiado pelo Banco Mundial. Então, você tinha concorrência no mundo inteiro, né, pra fornecer aquilo ali. E quando ganhava gente lá de fora, eles tinham que trazer aquelas coisas, e tinha um departamentozinho de importação da Alcominas, né, que era meio mambembe, mas andava. Aí, me perguntaram se eu entendia, eu digo: “Poxa vida, entendo isso... Escrevia as leis de importação”. [RISOS] Aí, passei pra importações. P1- Mas aí o senhor já era funcionário da Alcoa? R- Não... Contratado, eles foram e ampliaram meu contrato com a McKee. A McKee ganhava bem, né, em cima de mim, então fez um contrato. Então tinha inspeção e tinha as importações. Eu fui uma pessoa de muito sucesso nas importações. Se não tinha o documento eu criava, né? [RISOS]. Então, tem umas passagens interessantes… P1- Então, o senhor pode contar as passagens interessantes? R- Não, é que quando você ia preparar o conjunto de documentos pra poder fazer a guia e dar entrada, naquele tempo, na CACEX [Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil], tinha documentos que vinham do Banco Mundial, da própria Alcoa nos Estados Unidos, tal. E a grande dificuldade era reunir esses documentos ao mesmo tempo pra você preencher os papéis. E os que vinham do Banco Mundial, eles vinham em cópias xerox, que aqui só tinha uma máquina de cópia xerox, que era na Ladeira Porto Geral, uma coisa assim. Não tinha em São Paulo. Vinha em cópia xerox, tal. E aí, um dia, no meio dessas cópias xerox, veio um papel em branco do Banco Mundial. “Eu preciso resolver esse assunto aqui.” Aí, eu fui na copiadora que tinha lá e tinha um bolo, assim, de papel. Aí chegava o que era pra importar. “Quem será que participou aqui?” Começava a criar os participantes. Bom, eu sei que as coisas andaram muito bem, começamos a importar. Até o dia que eu tirei uns dias de descanso e esse americano recebeu um monte de documentação. Aí ele começou a olhar aquele monte de documentação e falou: “Bom, mas o equipamento já chegou”. Então ele não entendia como é que podia ter chegado... [RISOS]. Ah, foi um inferno aquilo ali, viu? Eu recebi... Foi quando eu conheci o Antônio Roberto Sampaio Dória, diretor da Alcoa, diretor jurídico, né, que veio a ser um grande amigo, né, ao longo do tempo. E aí, eu sei que fui chamado para uma reunião, naquela época era o… quem era?... O Moe Perry era o presidente, tava o (Josker?), diretor financeiro, tava Antônio Roberto Sampaio Dória, que era o diretor jurídico e o Joe [Sokats?], que era esse cara que achou os documentos, tal. Aí eu expliquei pra eles: “Veio, eu tirei cópia e comecei a preencher”. Até que não errei muito, né? Porque não tem... Foi um troço assim, aquelas broncas, né, muito grande, tal. E eu fiquei: “Bom, acho que eles vão chamar o McKee ...” E eu continuei a trabalhar o resto da minha vida do mesmo jeito, trazendo tudo e ninguém mais abriu a boca. Então foi interessante aquilo... Mas igual a essa, tem umas 50. Lembre-se que nós estamos em 1967. No Brasil tá tudo pra acontecer ou tá acontecendo, a velocidade é muito grande, você não pode bobear, as coisas vêm por cima de você, você tem que estar na frente. Então precisa se transportar naquele ambiente, naquela época, pra saber que pioneirismo puxa a gente pra fazer um monte de coisa, né? Eu acho que nunca pus em risco a empresa, ali, naquele momento quem tava em risco era eu. Não pus em risco a empresa, porque aqueles documentos eram só pra juntar, não tinha, o negócio já estava resolvido, já tava decidido. Eu só precisava daquela burocracia pra trazer o equipamento. Então era assim, você tinha que se virar. Senão aquela fábrica não teria saído no tempo que saiu, entendeu? Então, foi muito divertido aquilo lá porque... Quem sabe disso aí? Eu, porque o resto... P1- E depois dessa fase aí, como é que foi? R- Bom, aí quando foi 1970, entre janeiro... Dezembro de 1969 e 1970, eu conheci o Bill (Stanick?), que era, que viria a ser presidente da Alcoa, aqui do Brasil, ele veio para isso, né? Mas ele veio pra ser diretor comercial, então ele tava na Itália e veio para o Brasil. E a sala dele ficava em frente a minha e nós nos confraternizamos, ficamos amigos ali, tal. Aí, quando acabou o meu contrato, a Alcoa, né, tava tudo resolvido, não precisavam mais da McKee, nada, eu teria que voltar pra McKee . Aí eu fui lá e disse: “Bom, como é que é o meu próximo contrato?” “Ah, mas tenho um excelente pra você.” Eu digo: “Onde é?” “No Amapá.” Falei: “No Amapá?” Disseram: “É, no Amapá. Nós estamos construindo lá uma fábrica da (Icome?), móveis (Icome?) e vai precisar de alguém de campo pra instalar toda a fábrica, tal...” “Você tem certeza que você tá me oferecendo pra ir pro Amapá?” [RISOS]. Pois é, mas era isso. Aí eu digo: “Bom, vamos ver o que vai dar”. Aí eu voltei pro escritório da Alcominas, né, e tinha encerrado... Comecei a fechar as minhas coisas, pegar, embalar, tal. Aí vem esse Bill (Stanick?) e falou: “O que é que você está fazendo? Você vai mudar de sala?” Eu digo: “Não, eu tô indo embora”. “Mas como? Você tá saindo da empresa?” Eu falei: “Não, eu nunca trabalhei aqui, eu sou contratado”. Aí, ele disse: “Mas de jeito nenhum. Você vai ficar, vai trabalhar com a gente”, tal [RISOS]. Aí, eu falei: “Eu não sei...” “Não, sabe como é que é, eu preciso... Você precisa me ajudar a montar a parte comercial da Alcominas no Brasil.” “Mesmo porque”, dizia ele, “eu vou ter que voltar para a Itália, eu vou voltar daqui a quatro meses e alguém precisa ficar fazendo isso.” “Não sei...” Fiquei, assim, enrolando um pouco, pensando: “Como é que eu tiro vantagem disso” [RISOS]. Porque eu preciso tirar alguma vantagem. Bom, aí passou uns dias e eu vi que ele tava meio apreensivo, que ele vinha falar comigo: “Você decidiu?” Aí, um dia que ele entrou na sala dele, eu peguei, bati, abri a porta assim: “Realmente, eu sou o cara que você precisa. Você quer um departamento”, eu já tinha pensado em um monte de coisa, departamento, falado com bolsinhas de campos [?], né, que que era preciso. Aí eu disse pra ele: “Você precisa de um departamento. E eu sou essa pessoa. Vou te construir um departamento comercial excelente, vou desenhar as notas fiscais, a forma de pedido, vou cadastrar todos os clientes de alumínio, contar história, vou visitá-los...” Ele ficou, falou assim: “É isso tudo que eu quero”. E eu: “Pois é, eu sou esse cara. E eu não custo barato” [RISOS]. Aí ele chamou lá o Joe [Sokaks?] e todos eles concordaram, todo mundo. Quer dizer, me perdoaram do passado, concordaram, tal. E aí eles foram lá falar com a McKee , não sei. E depois eu fui lá na McKee. E aí foi que eu comecei a trabalhar na Alcominas. Não tinha nada, tudo para fazer, uma maravilha, né, porque você tinha carta branca, não é verdade? Se eu precisasse comprar, o [Joss?] falava assim: “Eu acho que eu vou precisar contratar um consultor pra me ajudar”. “Pode contratar.” Então, era assim, né? E você só tinha que fazer e mostrar o que tinha feito. Então, foi muito bom, foi muito bacana. A primeira investida minha no mercado brasileiro de alumínio foi nas Páginas Amarelas, nunca vou esquecer disso. Eu tinha uma secretária, contratei uma secretária, a Maria Alice, eu falei: “Maria, você copia e passa num papel todos, o que falou alumínio, você põe”. E foi, eu fiz exatamente o que eu tinha dito que queria fazer, né? Quando ele voltou, quatro meses depois, eu já tinha visitado uma boa parte dos clientes de alumínio, dos possíveis consumidores do nosso alumínio no Brasil, eu tinha feito. Eu tinha um relatório pra cada um, uma estimativa de consumo, o que eles faziam, quem era quem… P1- E era você que ia visitar? R- Eu ia visitar, era o único, né? E a secretária que mandava brasa, né? Eu também fui, por causa dessas coisas, eu fui a primeira pessoa na Alcoa a ter um carro, a Alcoa me deu um carro pra trabalhar, né? Foi muito divertido quando me deram o carro, me falaram: “Você faz o seguinte com esse carro, esse carro é de trabalho. Então, quando você for embora, você deixa ele aqui. E na segunda de manhã você pega ele pra trabalhar”. Eu digo: “Mas isso não faz sentido, porque tem um monte de cliente, de futuros clientes que moram pro lado que eu moro. Então, se eu tenho que vir aqui pra buscar e voltar, não faz sentido. Agora, que tal se eu ficar com o carro e não usá-lo no final de semana? De tal forma que eu possa na segunda já estar trabalhando?” Aí foi aquela discussão... “Tá bom, tá autorizado.” Tá bom, lá vou eu. Aí, depois de um tempo, cheguei pro presidente e falei assim: “Moe, me diz uma coisa, eu deveria poder usar esse carro no final de semana. Eu anoto a quilometragem, a que tem e depois a que eu usei, e eu pago para a companhia essa diferença”. Aí, ele ficou assim, tal, acho que eles conversaram entre eles, e voltou: “Muito bem, tá autorizado”. Daí eu tinha umas folhinhas e preenchia. O que que eu fazia? Toda segunda-feira, quando eu chegava, eu falava: “Bom, você precisa assinar isso aqui”. Até que ele falou: “Olha, você quer fazer uma coisa? Você usa esse carro, me abandona e deixa em paz, né?” [RISOS]. Então foi o primeiro carro… P1- E qual que era o carro? R- Era um... Acho que nem existe mais, rapaz… P1- Você não lembra? R- Eu vou lembrar... Eu sei que ele era o Volkswagen, era um caixão, eu não lembro agora... Sei lá eu... mas foi muito bom. Então, mas ah, o Bill, então, pediu pra eu fazer essa... Então, quando ele voltou, quatro meses depois, a coisa tava lá. Tava andando, né? E aí, eu fui apresentá-lo para o mercado de alumínio. E, naquela época, também, eu comecei a insistir que nós deveríamos ter uma associação de alumínio, sabe, ter uma associação, ele também concordava. Tinha lá, a Aluminum Association nos Estados Unidos, tal. A gente começou a conversar com os outros players no mercado e acabamos fundando, em 1970 mesmo, a ABAL [Associação Brasileira do Alumínio]. Eu fui um dos fundadores da ABAL. Lembro, inclusive, que os primeiros móveis da ABAL, isso é famoso dentro da ABAL, fomos nós, da Alcoa, que doamos. Fui eu que doei, né? Cheguei pro Moe Perry, ele tava mudando, acho que nós estávamos na Rua... Xavier de Toledo, era a Xavier de Toledo, e nós íamos mudar pra um escritório novo, ou mudamos, naquela época estávamos mudando, que era na Praça da República, bem atrás daquele prédio que pegou fogo lá, como é que era? P1- O Joelma? R-Não, o Joelma não. P1- O Andraus? R- É, o Andraus. E aí, tinha os móveis dele, que eram todos feitos naquela, como chamava, onde tinha a Pinacoteca, ali, a... Que faz móveis, um negócio muito bom, feito a mão, tal. Eu falei, peguei os móveis todos dele e falei: “Moe, vou doar todos os seus móveis”, porque eles iam colocar em algum lugar, porque não servia, e ele concordou. Então, a ABAL ficou muito elegante, ela se inaugurou elegante, né, não tinha ninguém pra trabalhar, mas que ela tava elegante, tava elegante. [RISOS] P2- Então, naquela ocasião, a fábrica era em Poços, mas o escritório? R- A fábrica nem era… P2- Ainda estava e construção? R- É... Ela foi começar a produzir em meados de 1970 e eu acho que a primeira entrega foi lá pra setembro, outubro de 1970. P2-Mas o escritório central ficava em São Paulo? R- É, a sede continuou sendo em Poços, como é até hoje, e o escritório era aqui em São Paulo. P1- Mas você sempre ia pra Poços, ou não? R- Eu ia. Mas não havia muita necessidade, não. P1- Ah, a tua parte era outra, né, mais... R- A minha parte era a comercial. Mas eu ia sim, ia pra Poços bastante, principalmente no início, né? Você tem problema de frete, as transportadoras, você tem que organizar a coisa juntamente com o pessoal de Poços, né? O pessoal lá era muito bacana. Mas tem muita coisa, essa época, por exemplo, como que você pedia uma ligação telefônica. Por exemplo, eu queria falar com Poços, aí você pedia pra telefonista, levava uns dois dias, mais ou menos isso, era um negócio... Vocês não têm ideia. Esse DDD que vocês ouvem aí não é nada. E nós queríamos até conversar com Poços e nós estávamos tentando, tava com um processo para ter rádio, de tal forma que tinha uma antena lá em Poços e pelo rádio, né? E aí, um dia, quem foi que chegou em mim: “Você entende de rádio?” Eu digo: “Que rádio? Pode deixar comigo, qual é o problema?” [RISOS]. “Nós precisamos ser autorizados para usar esse rádio lá em Poços.” Aí e passei a mão nisso, fui embora pro Rio pra resolver, né? Eu era tão… P1- Era comunicação, que era importante, né? R- Era, pô, uma salinha fechada que a pessoa entrava pra falar no rádio. Mas cruzava com a, lembra da Colsan, que recolhia sangue? Colsan era uma instituição de coleta de sangue, Coleta de Sangue. Então ela tinha caminhões por aí, que coletavam sangue pro Hospital das Clínicas e outro, tal. E o nosso cruzava lá com eles. Então era muito divertido, nós falando de alumínios, eles falando de sangue, dava cada rolo que não era brincadeira. Mas o fato é que eu fui no departamento, no Rio de Janeiro, que era responsável por liberar essas coisas e eu, inadvertidamente, entrei nesse lugar antes de abrir, ele abria, você lembra? As coisas públicas só trabalhavam à tarde, e eu nem me toquei, peguei e fui de manhã. Aí eu entrei, tal, aquele negócio, alguém veio me atender e eu digo: “Eu tô precisando falar com alguém que libere, autorizar pra nós usarmos o rádio”. Aí ele fala: “Fulano de tal”. Aí me deram o nome do cara, eu fui lá. Eu vi que o cara não me atendia, eu já tava meio, né, mas lá pelas tantas ele me atendeu e eu expliquei pra ele essa coisa toda e que a fábrica era de Poços. “Eu também sou de Poços.” Ele era de Poços de Caldas... E eu disse pra ele que nós estávamos criando cargos pra engenheiros, pra essas coisas, nós íamos, tal... Pô, não teve dúvida, né? P1- O cara abriu as portas? R- Abriu as portas, resolvemos. Quando eu voltei pra São Paulo, eu falei pra quem me pediu, eu não sei quem era, acho que foi o Thomas Shefield eu digo: “Thom, vai sair no Diário Oficial, aí, você pode ficar sossegado, tá tudo resolvido, grande amigo meu. Já conheci...” [RISOS]. Eu era um enrolador mesmo. Mas o fato é que nós conseguimos, né? Então essa também foi uma história, bom tem várias, até _______. Lembre-se, nós estamos falando de 1970, tudo pra acontecer, né? As coisas tinham que cavar, assim. Nada caía feito, você tinha que cavar, tinha que se expor, não é verdade? Senão você não conseguia. Embora tivesse muita burocracia, ela era muito mais humana do que hoje. Então, com um pouco de humanidade, você conseguia fazer as coisas. P1- E você ficou quanto tempo nessa área comercial? R- Eu acho que praticamente a vida toda. Eu fiz tudo na Alcominas. Depois virou Alcoa, tal, né? Mas eu fiquei, acho que a minha vida toda, eu tive sempre na área comercial. Mas eu fui dirigir a fábrica, negócios... P1- Quais foram a sua trajetória dentro da Alcoa? R- Pois é, eu tava com o meu currículo aí, né? P1- Mas é mais ou menos o que você se lembra, dos cargos que você ocupou... R- Eu lembro que eu entrei como, meu primeiro cargo foi gerente administrativo de venda. Não tinha venda pra administrar, não tinha nada pra fazer, mas eu era o gerente administrativo de venda. E depois eu fui pra gerente de vendas. Que promoção... Aí eu fui pra gerente geral comercial e essa aí foi muito interessante, porque isso foi já em 1972, mais ou menos. Essa foi interessante. Deixa eu só, essa eu tenho que contar, que essa é boa. Nós tínhamos feito um projeto, já naquela época, pra expandir a fábrica de Poços de Caldas, naquela época, em 1972. Ela foi inaugurada em 1970... E nós queríamos melhorar a área de produtos químicos, que nós desenvolvemos porque não tinha onde enfiar a alumina aqui. A gente viu que eles usavam os produtos químicos, né, as aluminas nos Estados Unidos, no mundo, e aqui nós começamos a negociar também, e aí tem histórias maravilhosas nesse negócio. E, bom, eu sei que nós fizemos um projeto... Não, não foi 1972, foi 1974, fizemos os projeto pra expandir e eu sei que ligaram lá pro Moe Perry, que era o presidente, e disseram: “Tem uns problemas aqui no projeto que nós gostaríamos de mais esclarecimento, principalmente, nessa área química, que vocês estão propondo uma expansão maior pra refinaria do que é necessária pra produzir alumínio”. Aí ele falou: “Tá bom, vamos ver isso aí então”. E o cara falou lá pra ele: “ O seu gerente de vendas não tá vindo pro Brasil?” Ele vinha pra um treinamento, né? Ele falou: “Então, talvez, ele possa explicar isso”. Então fui promovido naquele dia pra gerente geral comercial porque eu ia lá explicar essa história toda, né? Eu me lembro que eu falei pro diretor financeiro: “Joss, se não tiver sucesso lá nessa discussão, pra eles aprovarem essa expansão, a Alcominas vai ter outras oportunidades”. E eu me lembro que ele falou: “Ah vai, mas você não”. Então, eu viajei realmente numa tensão muito grande, realmente, foi uma tensão... Quando eu cheguei lá em Pittsburgh, eu fui pro hotel e recebi um recadinho, que eu tinha que ir na sala de fulano de tal, que eu não lembro o nome, eu digo: “Ah, face to face, com o cara”. Pra mim, o meu inglês era macarrônico, né, mas: “Eu cheguei até aqui, ninguém vai me derrubar”. Aí eu vou lá, naquela sala toda entusiasmado, tal, e lá eles me redirecionam pra outra, onde tinha o grupo que tava discutindo a expansão. Eu me lembro que me apresentaram todo mundo. Pessoas que depois vieram a ser muito importantes na Alcoa, presidência, essas coisas todas, mas estavam naquele nível lá, naquela época. E eu sei que eu cumprimentei todo mundo, mas eu não guardei nada. Eu tava tão tenso, pensando: “Como é que eu vou me sair dessa agora”. Aí eles me perguntaram, disseram: “Olha, aqui nós temos...” Me perguntaram se eu, perguntaram pra mim que eles tinham alguma dúvida sobre a comercialização dos produtos químicos que estavam ali, pá pá pá... “Tá tudo aí no livro.” E eu tinha, obviamente, lido aquilo de cabo à rabo, porque não sabia de onde vinha a brincadeira, né? Então, eu tava que tava: “Página 172, página não sei o que lá...” E no meu inglês macarrônico, eu fui explicando isso. Quando você... um request for autorization, naquela época eu não sei se hoje eles mantêm, você tinha que colocar alguma coisa em duas frases ou uma frase que justificasse o investimento e que não estivesse dentro do projeto. Era uma coisa interessante isso aí, né? Aí, lá pelas tantas, eles falaram assim pra mim: “Olha, então tá bom”. “Tem mais alguma pergunta?” “Não, nada...” Aí eu já tava meio aliviado, aí me falaram: “Bom, me diz uma coisa, nos diz uma coisa, o que você colocaria aqui que...”, eu já sabia o que era, “que não está no projeto? Uma frase para sustentar esse projeto”. Aí eu pensei: “Bom, vocês conheceram a pessoa responsável por vender esse produto. Então, eu sou essa frase” [RISOS]. Uma arrogância... Eu fui motivo de chacota na Alcoa porque...aí eu saí de lá: “Muito obrigado”. Aí eu fui fazer um treinamento, aí fui para uma fábrica, me levaram na fábrica, tal. E dois dias depois, eles tinham um jornalzinho interno, e aparecia uma charge que dizia assim: “Qual é a razão que você nos dá pra justificar o investimento de (na época) 50 milhões de dólares?” “Sou eu! Eu sou essa razão.” [RISOS]. Então eu fiquei famoso, passei a ser a razão do investimento. Mas funcionou. P1- Deu certo. R- Deu certo, né? Então essa também foi divertida. Eu, se eu to indo pra frente... Eu não tô cronológico. Eu tô indo pra frente, voltando. Que é como eu tô dizendo pra você, né, eu tô contando aí das coisas que aconteceram comigo, mas com os meus colegas da época. Todos eles, em cada área, tentado resolver os problemas da implantação e esse pioneirismo que a gente tá mencionando, eles também usavam dos recursos mais hilários pra poder resolver os problemas. Então, o Adjarma não tá contando a história de um homem só aqui. Mas de todo mundo. P1- Uma equipe, né? Aí, nessa época, o senhor estava com o cargo de gerente geral comercial? R- É, já era gerente comercial. P1- Aí, depois, qual foi a próxima etapa desse projeto que foi aprovado, essa expansão? R-Bom, aí foi uma sequência de... Nós tínhamos muita coisa pra ser feita, né? Nós tínhamos que parar as importações de metal, que senão, você não conseguia vender o seu. Então eu tive um trabalho muito grande, nós tivemos, o pessoal da Alcoa. Mas eu era encarregado dessa área muito grande pra criar contingenciamentos e dificuldades pras importações ocorrerem. Então esse foi um trabalho muito grande que foi realizado. Nós tínhamos realmente que consolidar essa posição com o supridor, né? E tínhamos que pensar como é que nós íamos crescer. No primeiro instante, nós fomos expandindo Poços de Caldas até o limite que tá hoje, que, na época, nós achávamos que era o limite dela, de 90 mil toneladas, mas nós levamos até lá. Então, essas coisas… P1- Depois a Alcoa também diversificou os produtos que ela comercializou aqui no Brasil, né? R- É, tinha também... Voltando um pouquinho. Quando eu tô dizendo que a minha área era comercial, eu não tava vendendo só o lingote de alumínio e também não estava só desenvolvendo a área de produtos químicos, que vendíamos os hidratos e aluminas calcinadas. Nós também representávamos a Alcoa e vendíamos os produtos importados da Alcoa. Então eu tive, eu fui o primeiro cara a botar o pé na Embraer, né? Inclusive, coronel Osíris, que depois foi ser ministro, que foi do conselho da Alcoa, ele declarou que a Alcoa, na época Alcominas, e a Embraer eram empresas irmãs, né, porque estávamos nascendo juntas. Então eu fui o primeiro vendedor lá. Foi uma experiência muito boa. Aliás, a Alcoa vende até hoje lá… P1- Na Embraer, né? R- E nós vendíamos uma série de produtos importados. Então era, tinha bastante atividade, né? E o nosso objetivo era trazer mais produtos importados, vender pra criar mercado, pra que a gente pudesse, um dia, fazer aqui também. Mas a gente tinha aqueles sonhos, né? Nós queríamos crescer, passar pra área de transformados de alumínio, não só no lingote. Nós queríamos ir pra área de transformados pra fugir um pouco do Cipe, o Cipe também era... Essa também tem cada história... Cipe era o Conselho Interministerial de Preços. Ele que aprovava o seu preço... Então, eu também estava nessa área de tentar aprovar o preço do alumínio. Então isso é muito divertido. Coisas do arco da velha, né? P1- Porque esse preço do alumínio também era feito com outras empresas? R- Não, quem aprovava, quem dava o preço, porque empresa por empresa era o governo, né, estabelecia o preço. Mas se você fizesse produtos um pouco mais elaborados, já era mais difícil o controle. E se você tivesse distribuição, era quase impossível o controle, e era isso que nós queríamos, sair, deixar de ser tão controlado como nós éramos, né? Então foi uma experiência genial. Quem nunca passou sobre um controle de preços sério não sabe a farra que ele perdeu, porque era muito divertido. A gente sofria, mas que era divertido era, conseguir o aumento de preços. Mas nós sempre estávamos pensando em crescer. Nós estávamos tentando, naquela época, a Asa, que depois viemos a comprar, que é a Alconort, né, Alcoa Nordeste. Nós tínhamos incentivado o Salvador Arena, que era dono de lá, faleceu, grande amigo da Alcoa, que é dono da Termomecanica, a montar uma fábrica de cabos de alumínio em Poços de Caldas, que ele fez e que um dia nós compramos. E assim foi. Agora, nós sempre perseguimos o crescimento. A primeira chance que surgisse, nós iríamos crescer, inevitável. Agora quando foi 1979, foi quando o Alain foi pra presidente, porque isso é uma história até chegar aí, né? E eu me lembro que teve uma reunião, um pouquinho antes, que nós chamamos a reunião dos cinco, mas que no fundo eram seis, que era o Alain, eu, Castro, Soichi, Luiz Visconti, que eu espero que você entreviste todos, e, um que não tava lá que é, o Antônio Roberto Sampaio Dória, que esse não andava... Ele era o nosso guru, de botar a gente no trilho, porque a gente desgarrava, né, e ele: “Vem cá, vem cá...” Aquele era o pai de todos. E nós traçamos um plano pra crescer, porque quando o Alain foi pra presidente, a Alcoa, ou a Alcominas, ela já era Alcoa no Brasil, era uma empresa de 90 milhões de dólares. Titica pras nossas ambições, nada. E aí nessa reunião: “Nós precisamos fazer o seguinte: nós vamos fazer um plano pra que daqui a dez anos nós estarmos faturando dez vezes mais”. A conclusão que nós chegamos, que pra chegar a isso, nós teríamos que vender muito bem o Brasil lá nos acionistas. Então, foi quando nós nos armamos, né, compramos até uns filmes da câmara americana, tal, que a gente chegava lá e passava o que era o Brasil. Passava tanto que o locutor inglês ficou rouco, ele já nem falava. Eu me lembro que a gente chegava no prédio da Alcoa, os caras falavam: “Ih, chegou aqueles caras...” Um dia roubaram o filme da gente, eu nunca mais achei o filme, e era bom. Eu sei que nós montamos um... essa equipe, montou esse plano: “Nós temos que crescer dez vezes”. P1- Vocês vendiam o Brasil lá fora, né? R- Nós temos que vender o Brasil lá fora. Então cada um que ia já vendia. Era um tal de... E era muito bom esse grupinho, que a gente tinha esse “mote” de crescer dez vezes. Isso não era escrito em lugar nenhum, isso foi uma reunião lá entre nós. E esse... Então, cada um fazia o seu trabalho, mas se o que ele tava fazendo não tava na direção de crescer dez vezes, então não era por aí. E, como nós não tínhamos politicagem, não tinha nada, era todo mundo por todo mundo. Era muito gostoso porque você sabia o que um tava fazendo, o que o outro tava fazendo, um ajudava o outro, né? Mas o fato é que, dez anos depois, nós faturamos um bilhão de dólares. Quer dizer, nós crescemos dez vezes, né? Mas eu me lembro desse grupinho do começo. P1- Vocês conseguiram o resultado esperado, além do esperado. R- Foi... Mas tem uma coisa, muito divertida. Meu filho, também um executivo hoje, ele perguntou pra mim: “Pô, qual era a essência da coisa?” Eu digo: “Era tão divertido”. Quando eu falo divertido, de rir mesmo, daquelas situações terríveis que a gente entrava, mas a gente encarava com muito bom humor. Porque nós éramos... Um dia me perguntaram: “Como é que vocês realizaram tanto?” Eu digo: “Ah, porque nós éramos jovens e irresponsáveis”. Não tem outra explicação. Acho que não foi irresponsável, eu falei inconsequentes. Nós éramos responsáveis, nós éramos inconsequentes. Eu sempre imaginava tudo aquilo, né, nós procurávamos agir dentro dos valores mais corretos possíveis, mas nós éramos jovens, quer dizer, não tínhamos medo de nada, né? P1- E a matriz americana não dava muito...qual era? R- A matriz americana não era...acho que ela...depois que o Alain veio a ser presidente, ela sempre nos acompanhou, eu não posso dizer que nos virou as costas, né? Mesmo porque, lembra que eu te falei, que naquela reunião que eu fui falar: “Eu sou o cara”, tinha muita gente que foi ser presidente, ao longo do tempo, então, nos acompanharam sempre. E assim, o Alain tinha aquelas reuniões dele, no começo ainda, reuniões pesadas na área econômica, financeira, ali, foi o pessoal que foi crescendo. E como também esse nível de... era muito pequeno esse grupo da própria Alcoa, todo mundo se conhecia. Ou você confiava, ou você não estava mais no time, não é verdade? Então não foi… P1- Eram as mesmas pessoas com os mesmos objetivos. R- Os mesmos objetivos. Então, lógico, você tinha que ir lá vender o Brasil porque o cara da Austrália tá vendendo a Austrália, o cara da Europa ta vendendo a Europa, né, o americano tá vendendo o seu país. Aliás, o que mais sofria, né, porque a gente queria tirar deles. Então, obviamente, você tinha que ir lá brigar pela sua fatia no bolo, né? Então é muito divertido isso tudo, que você tinha que se armar, tinha que tá preparado, não é verdade, sabendo que o outro lado estava fazendo a mesma coisa, mas nunca, assim, com coisas desonestas, nada. Eles estavam de coração aberto procurando conseguir uma parcela de investimentos. Então, essa era uma constante, né, o trabalho nosso era constante, era perene, tal. P1- E como você chegou à presidência da Alcoa? R- Ah, é uma questão de sucessões. O Alain, quando ele foi lá pra cima, ele nomeou o Fausto Moreira, que foi uma transição, que não é fácil uma... Sai o Alain Belda, qualquer um que viria depois dele iria ser comparado com ele. Então, é difícil, não é brincadeira. E depois do Fausto, fui eu. E eu fui também já querendo, chegando a minha hora, eu deveria escolher alguém pra me substituir, essas coisas todas. Então foi uma coisa natural, assim, simples assim. P1- Me diz uma coisa, a Alcoa diversificou os seus ativos na década de 1990. R- 1990? P1- Não foi mais ou menos? R- Não. Aqui no Brasil? P1- É. R- Não... Nós compramos a fábrica de cabos, que era Termocanadá em 1979, 1980. Tem cada história boa... P1- Então conta. R- Mas eu vou ficar... Não dá... Se eu ficar contando história vai ser quatro horas. Depois disso nós compramos, em 1980, a Asa [Alumínio. S. A], que veio a ser a Alcoa do Nordeste enquanto nós trabalhávamos para construir a Alumar, que nós negociávamos contrato de energia, localização... Estados Unidos e vem pra cá e vai pra lá, bauxita na... Ah, que coisa. Você não tinha um dia igual ao outro. Então foi aí que nós começamos, em 1979 pra 1980. P1- E a sua gestão na Alcoa? Conta um pouco dessa sua gestão na presidência, como foi. R- A minha gestão na presidência eu diria que foi mais de assentamento da empresa, de consolidação. Eu já nem lembro mais o que nós mais trabalhamos naquela época. Eu sei, por exemplo… P1- Os principais projetos da época... R- Não, eu sei que, por exemplo, na época, um pouco antes, eu era responsável, O Fausto me encarregou, nós trabalhamos muito pra ter energia elétrica própria, não é verdade? E aí, num determinado momento, tinha um nosso diretos, que eu acho que vocês vão entrevistar, Fernando Tigre, fabuloso, um cara muito divertido, e ele tinha ficado com uma... Quando ele veio, eu tirei uma parte da minha parte, que era energia, e ficou com ele. E ele ficou encarregado da primeira concorrência nossa, que era a ITA, construir uma usina elétrica, nós não ganhamos a concorrência, e logo depois veio pra mim de novo a parte, ele saiu, e veio pra mim a parte de energia. E nessa época nós fomos construir Machadinho, depois eu, o [Fosse?] era um cara que dava um apoio fantástico nesse negócio, ele conseguia enxergar lá na frente. Eu sei que nós comprometemos a Alcoa com Machadinho, Barra Grande, Serra do Facão, Santa Isabel, Estreito de Paiquerê, seis hidrelétricas que hoje, né? Então, na minha parte também foi muito consolidar essas coisas que estavam acontecendo, né, foi muito boa. Eu acho que eu ajudei a incrementar bastante o Instituto Alcoa, certo? Eu assumi mesmo, pra valer, o Instituto Alcoa, de toda essa parte que deu hoje. P1- Essa gestão da sustentabilidade foi já na sua época? Como é que aconteceu? R- Ah, isso a Alcoa sempre teve isso e tal. Mas isso também, a primeira política, como é que se fala, de relações comunitárias, essa coisa da Alcoa, quem escreveu fui eu. O Alain dava umas missões meio bestas: “Você entende de astronomia? Então escreve um tratado sobre...” [RISOS]. Então, a primeira foi minha, né? O Alain trabalhou muito pra conseguir fundar o Instituto, isso nós conseguimos em 1990. E daí teve toda uma... Um entourage, precisou consolidar essas coisas todas e hoje é o que você conhece aqui no Brasil, né? Eu acho que na minha gestão eu, além da energia, realmente consolidei bem o Instituto, não só, porque ele só tinha cinco milhões de dólares de dotação e eu acho que botei mais uns dez ou quinze, né, consegui que os acionistas fizessem isso, tá certo? Porque tinha uns acionistas, tinha a Camargo Correa que era uma grande acionista, não é verdade? Eu acho também que o relacionamento Alcoa e acionista, na minha época, também foi incrementada à enésima potência. Funcionou muito junto, acho que isso foi muito importante pra nós também. Não sei, sei lá eu, tanta coisa... [RISOS] P1- Você tem alguma...qual foi o maior desafio, assim, seu nessa época de presidência ou na época da sua carreira de Alcoa? Teve algum desafio que você acha que você... R- Ah, se você tivesse perguntado: “Qual foi o momento que você não teve desafio?” Ih... [RISOS]. Eu teria mais dificuldade. P1- Todo dia era um desafio? R- Todo dia. Eu não sei dizer qual foi o maior, viu? Veja, um dia eu recebi uma missão do Alain, por exemplo, que era da Alcoa de montar a Alcoa na Venezuela. Então era assim: nós temos que montar, eu era o coordenador, gente boa na equipe, só tinha cara da pesada, não era qualquer um, era uma turma da pesada. Mas montar um projeto de um bilhão e meio de dólares na Venezuela. Então eu acho que foi um grande desafio, não é? Mas quando eu penso, eu olho pra trás e digo: “Porra, não foi tanto assim”. Não perdi noites sem dormir por causa daquilo, entendeu? Eu acho que, obviamente, eu tive dificuldade aqui, mas eu arranjei a saída pela porta, entendeu, eu sei me virar. Então, mas foi um desafio. O outro, acho que foi quando nós quisemos salvar a Alcoa do México, que nós assumimos aquilo lá. Aquilo deve ter sido um desafio. Eu me lembro que eu tinha uma dificuldade grande ali, pra entender o que os mexicanos me diziam, porque às vezes falavam alguma coisa, era outra. Então, é complicado. Mas também, quando eu olho pra trás, eu: “Será?” Não sei, viu? Olha, vou te contar, difícil, assim, o grande desafio. P1- A cada tempo vem uma coisa muito maior, né? R- Não, porque eu posso te garantir que eu tive momentos, isso já não, o momento que tinha ali o que eu deveria fazer e eu chegava, não acreditava que eu tivesse competência pra realizar. Muitas vezes eu me disse: “Chegou o meu limite, como é que vai ser isso?” Eu me lembro que eu ia enfrentar esses assuntos de boca seca, eu tava com dor de estômago, quer dizer, “Eu tô frito. Este eu não realizo”. E na realidade eu realizei. Não pode esquecer, eu depus numa CPI, né, uma Comissão Parlamentar de Inquérito, no senado. Eu depus numa outra CPI, na Comissão de Economia da Câmara. Então, eu tive uns momentos a enfrentar, né? R- E como você passou por esses momentos, como é que foi? R- Olha, o da Câmara foi até interessante porque eu ia lá defender a implantação das primeiras fábricas de latas de alumínio, totalmente. Eu fui um dos responsáveis pelo lançamento da lata bimetálica, as primeiras latas que eram de ferro e a tampa de alumínio. Eu fui um dos responsáveis por aquilo, que era a lata as Skol, né? E eu era presidente da ABAL quando a Reynolds estava trazendo as máquinas pra fazer as latas no Brasil. A indústria do aço, se sentindo ameaçada, acusou a Reynolds de trazer equipamentos velhos e não coisa nova, pra enfrentar todo investimento que... pra pôr em perigo toda a indústria do aço tinha feito até aquele momento. Imagina, a indústria do aço no Brasil é forte. Então, aí teve muita briga, mas aí eu fui, teve uma ação pra decidir essa história toda. Aí 15 dias antes, eu me preparando, tal, alguém me diz: “Olha, tem um deputado lá chamado Denisar Arneiro, você toma muito cuidado com ele. Essa pessoa vai te derrubar”. Tudo bem, né? Aí eu vou lá pra Brasília, me preparando, me articulando, aí o cara passa e diz: “Olha, tem um deputado Denisar Arneiro, você toma cuidado. Este cara vai te pegar, toma muito cuidado”. Bom, chegou o dia. O nosso homem em Brasília, o Jorge Costa Neves, que, aliás, você deve entrevistar, porque ele tem toda história nossa, ainda hoje é o nosso homem em Brasília. Aí, ele disse: “Olha, tá tudo bem, mas tem um deputado... [RISOS] deputado Denisar Arneiro, eu não sei o que ele tá aprontando e ele vai te pagar”. “________________, vamos ver.” Aí tinha o vice-presidente da ABAL, Renato Curi, que era presidente da Panex naquela época, da fábrica de panela, Panex, era um dos donos e ele se incluiu lá no meio da imprensa, de todo mundo e voltou: “Pô, só falam num tal de Denisar Arneiro” [RISOS]. Eu digo: “Bom, eu tô acabado”. Bom, o fato é que eu fui lá para aquela mesa, vocês já viram como é que é, tais cansados de ver na televisão, né?! CPI, esses negócios todos, o cara começou a me perguntar, aí eu fiz uma exposição, me permitiram fazer uma exposição. Eu elogiei tanto a indústria do aço, que eu acho que os caras ficaram até constrangidos, porque eu conhecia a turma do aço, eram meus amigos, o mundo era pequeno. E eu vi que o pessoal pedindo, o pessoal pedia a palavra, né, porque... Aí o cara tinha dito assim pra mim: “Olha, você não dê aparte. Se alguém pedir aparte, você não dá aparte. Quem controla isso sou eu. Porque se você der aparte, acabou”. “Tá bom.” E aí foi. Aí, lá pelas tantas, acabei minha exposição, aquela coisa toda e começaram as perguntas, ou perguntas ou os deputados se manifestando, então cada um se manifestava de um jeito. Mas teve um momento que eles me perguntaram sobre energia elétrica, que não tava no esquema. Me perguntaram, um lá me perguntou porque eu achava, o Antônio Ermírio de Morais, da CBA, ele preferia investir em ter suas próprias hidrelétricas do que comprar. Eu digo: “Ele tá se protegendo dessa loucura que são os preços aí da indústria de alumínio, da energia elétrica do Brasil. Vocês tão falando que tem que pagar 52 dólares, isso aí, preço de energia atômica, energia nuclear, então ele tá se protegendo disso”. E disse, um cara: “Não, mas a Eletro Norte, a Eletro Norte vende pra vocês energia subsidiada”. Eu digo: “Não, ela não vende subsidiada. Ela pode vender incentivada, que é bem diferente, subsidiada não. E depois vocês já viram o custo da Eletro Norte? 52% é juros durante a construção, porque o dinheiro que o tesouro pegou, ele nunca pagou, então usava, era de outro fim, usava o dinheiro pra fazer outras coisas”. Aí foi passando, aí falaram, eu bater eu não batia, eu defendia. Aí eu olhei, deputado Denisar Arneiro. Se medo tivesse cheiro, não ficava ninguém dentro daquela sala, eu juro, eu senti tanto medo. Não por mim, senti medo do fiasco que eu poderia fazer, pelo que o cara iria fazer, tal. Mas ele pisava na bola, ele se levantou, eu me lembro que ele dizia assim: “Senhor presidente da ABAL, o senhor fez uma das mais graves declarações jamais feitas nessa casa. Isso vai precisar ser esclarecido. E não adianta negar, porque isso está gravado, está taquigrafado. O senhor declarou que o tesouro desviou dinheiro que devia pagar o setor elétrico pra outras coisas”. Quando ele falou isso, “Putz, o cara é um idiota, tranquilo, né?” E falou tudo isso aí, né? Aí eu tinha que responder, o cara falou: “Responde já”, o presidente da mesa que já devia estar p... com o Denisar Arneiro. Aí eu disse: “Deputado, eu não to muito acostumado com essas lides parlamentares, né, mas quem fez uma grave acusação aqui foi o senhor. Isso aí você deveria saber, porque é representante do povo. Eu sou presidente da ABAL, né? E venho aqui pra falar uma coisa que todo mundo sabe, só o senhor não sabe? E digo mais, deputado, isso tá taquigrafado e tá gravado” [RISOS]. Aí um outro levantou lá e falou: “É, é isso aí seu presidente, não se intimide, porque isso é um capacho da Companhia Siderúrgica Nacional”. Aí quebrou um pau entre eles... Mas aquele cara me custou pelo menos alguns anos de vida, de tanto medo, de tanta tensão, porque depois que acabou tudo, aprovou-se tudo que eu fui lá pra conseguir, ele veio falar comigo. Ele falou assim: “O senhor é bom, hein? Eu tava preparado” [RISOS]. Então tem essas historinhas, assim, que foi... Igual a essa tem outras, né? Mas essa foi boa, porque essa ficou gravada, tá taquigrafada [RISOS]. P1- O senhor ficou quanto tempo na ABAL, na presidência? R- Ah, eu sempre tive um papel um pouco de destaque na ABAL, porque como era o fundador, né, e você ativo, lá era muito importante pra nós, né? Eu tô até hoje na ABAL. Eu sou vice-presidente, primeiro vice-presidente. Eu sou o porta-voz da ABAL hoje, né? Voltei porque a Alcoa me solicitou que eu voltasse e eu voltei. Mas eu fui presidente da Abal durante sete anos, uma coisa assim, né? Mas eu sempre ocupei ou a coordenação de primário, que é a mais forte lá, sempre fiz, ajudei a fundar a comissão de economia e estatística, que é a principal deles. Então eu tô sempre atuante na ABAL, sempre eu tive lá. Eu criei uma associação: a Abrace, que é Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e seus Consumidores Livres. P1- E conta um pouquinho sobre essa sua gestão na Abrace. R- Ah, na Abrace, nós fundamos a Abrace acho que em 1976, 1977. Você vê como as coisas acontecem, né? Eu era presidente da ABAL nessa época e eu tinha enfrentado, como presidente da ABAL, tinha uns vespeiros, tô tentando lembrar agora, nessa época, mas o fato é que eu deis graças à Deus que eu saí da presidência da ABAL e eu fui pra Abrace, fundar, eu tava nas duas. Eu saí de presidente da ABAL e fui eleito presidente da Abrace. E aí teve o racionamento de energia no Norte, Nordeste, onde a gente tinha as nossas fábricas. Quer dizer, eu pulei da frigideira pra forno. Eu tô querendo lembrar qual foi o grande problema que eu tive como presidente da ABAL na época. Eu acho que foi o governo mesmo, ah, foi o plano Cruzado, que... Lembra que aumentou o preço da energia e congelou todos os preços. Adivinha quem era o presidente da ABAL? O Adjarma [RISOS]. Eu recebi voz de prisão do, como é que era o nome do ministro, o ministro da... Espera aí. Ele morreu com câncer até, na pele, né? Ah, essa história da voz de prisão é de outro mundo, também. Mas, de qualquer maneira, o plano Cruzado, o congelamento de preços e, eu, presidente da ABAL, tendo que enfrentar toda aquela história que foi... P1- Não é Funaro? R- Funaro, Dílson Funaro. Então eu tive, eu passei, foi difícil aquilo lá, uma situação muito difícil. Divertida, aconteceu de tudo. Mas você tinha que ver o humor da coisa. Mas, de qualquer maneira, foi uma parte difícil. Aí digo, bom, me pediram: “Você tem que dirigir a Abrace, tal”. Eu falei: “Tá bom, se vocês me apoiam, todo mundo apoia”. Eu saí, peguei a Abrace, teve o racionamento. Aí já foi outra poeira. Deus me livre. Foi muito difícil. Você tá falando de desafio? [RISOS]. O congelamento do Funaro e o racionamento de energia, de 1987, né? Quando é que foi o Funaro? P1- Ah, eu não lembro datas. R- É, foi 1987, 1986... né? O Funaro, não foi isso? Foi nessa época aí. Ah, foi mesmo. 1986, foi o plano Cruzado, né, e 1987 foi o racionamento. Foi muito divertido, foi... Foram dois, eu tive muita dificuldade de circular nessa época, que eu me lembro, de conseguir resolver as coisas, mas... P1- O senhor tinha cargos simultâneos na Alcoa também, levava os dois juntos? R- Eu era diretor da Alcoa. É, eu assumi a diretoria da Alcoa em 1979. O Alain foi pra presidente, dois meses depois eu e o Castro, Antônio Monteiro de Castro, fomos eleitos diretores, o Castro financeiro, eu comercial. Isso em 1979. Então essas coisas... eu era, assim, diretor da Alcoa. E esse era um problema porque você ia brigar com o governo, você era ABAL, mas eles sabiam que você era da Alcoa. Você tinha que pisar nos ovos e tal, mas tudo funcionou muito bem. P1- Falando nesse negócio do setor elétrico, como você vê a contribuição da Alcoa na expansão do setor elétrico no Brasil? R- Muito grande, né? Porque nos últimos anos, até recentemente, os únicos investimentos de peso que foram feitos na área do setor elétrico na geração de energia hídrica, foi feita pelos autoprodutores, né? E a Alcoa é uma delas. Então a Alcoa contribuiu muito e tá contribuindo, mas essas coisas não são reconhecidas pelo atual governo. Aliás, eles são contra o governo, o privado, né? Eles querem é estatizar mesmo. Eles só estão a favor de trazer privados para participar porque o governo não tem condição de fazer o que tem que ser feito, ele precisa de ajuda. Mas não fora isso... Acabavam com os privados, não querem nem saber. P1- E o que o senhor considera como foi uma das suas principais realizações na Alcoa? R- Ah, eu diria o seguinte, olha a Alumar foi uma grande realização. E eu sei que não foi minha, foi uma ação coletiva. Foi um trabalho coletivo. Mas se tem uma coisa que eu me orgulho muito é ter participado dela, eu sei que eu tive a minha participação, foi importante. Eu sei o quanto eu fiz e eu contribuí pra que a Alumar existisse. Então, eu diria que a Alumar deve ser, de toda a nossa turma, uma das maiores realizações. Eu sei, por exemplo que a usina de Machadinho é uma grande realização, eu me sinto muito orgulhoso dela. As demais, a Barra Grande eu comecei, mas não terminei, que eu já tava... me aposentei. Mas eu fui lá recentemente ver. Eu mergulhei muito naquilo porque eu sei que eu fui um dos idealizadores, o ideal tava ali. Então essas coisas, eu acho que esse legado de energia elétrica, que eu contribuí pra deixar na Alcoa, foi muito importante. Era um grupo, né? Aqui na Alcoa nós nunca fizemos nada sozinhos. Nós éramos um team work, nós trabalhávamos em team work mesmo. Nos ajudávamos mutuamente. Então, não tem uma realização isolada, você sempre vai ter alguém do teu lado e outros, né? P1- Você falou em team work. E como era o relacionamento com os colegas, com os funcionários? R-Bom, o meu, eu nunca, eu desconheço se tive algum inimigo, algum... Pra mim, foi um relacionamento que foi muito bom. Se eu me lembro bem, eu, poucos entreveros, no pessoal. Nossa turma era muito boa, divertida. Lembre-se, nós, a Alcoa foi considerada o maior celeiro de executivos do Brasil, não pode esquecer disso, não é verdade? O que saiu da Alcoa, que está por aí não é brincadeira. A Alcoa... Você imagina um time, né? P1- Foi uma escola, né? R- Foi uma escola. Você imagina aquele time, juntos, uma loucura. Cada um mais brilhante do que o outro, né? Eu só não me senti inferiorizado porque eu era mais velho, então, tudo bem [RISOS]. Mas a turma era da pesada, né, não brinca não. P1- E o que a Alcoa representa para os funcionários no passado e atualmente? R- Bom, eu não sei se você tá falando pros mesmos funcionários? P1- É. R- Bom, do passado, foi a nossa vida, não é verdade? Pra mim representa uma boa parte da minha vida, não só pra mim, mas pra minha família. O nome da Alcoa dentro da minha casa, dos meus filhos, dos meus netos, até hoje tudo é um nome, eu não digo santificado, mas um nome muito respeitado. Porque, inclusive, até hoje eu uso a Alcoa pra educar os meus filhos, pra eles não se deseducarem e os meus netos para se educarem, né, os valores, as coisas que eu aprendi aqui, que nós ajudamos a construir. Eu uso todos os exemplos que nós tivemos de pioneirismo, de luta, de trabalho, eu uso. Então, pra mim a Alcoa foi isso, foi parte da minha família e também o meu aprendizado, tudo. Tudo eu devo à Alcoa. E hoje, bom, hoje eu tô no conselho da Alcoa, continuo, sou consultor da Alcoa. P1- Esse conselho da Alcoa, qual a atuação? R- É um conselho, eu tenho dois, é um conselho consultivo. O presidente da Alcoa no Brasil consulta esse conselho. Então, nós nos reunimos a cada quatro meses, ele nos apresenta como é que está a situação, quais são os planos, tal, e aí nós discutimos. Então é bom, você se mantém vivo, né, com a empresa, que é a empresa que a gente viveu. Qualquer notícia da Alcoa você já sai brigando por aí. E é difícil. Pode achar igual, melhor, jamais. Então, os alcoanos realmente têm essa ligação emocional muito grande com a Alcoa, né, porque a Alcoa emociona. A Alcoa e emocionante. Mas a pergunta que você ia fazer era... P1- Então, o senhor falou que o senhor faz parte do conselho e que vocês se reúnem, que é uma oportunidade de você também tá por dentro daquilo que acontece na Alcoa. Então conta um pouquinho quem são as pessoas que fazem parte desse conselho? R-Não, espero não esquecer todos os nomes, né, mas tá o Oscar Bernardes tá lá, tá o José Luiz Alqueres... P1- Essas pessoas são ex-funcionários, como é que são? R- Não o Oscar Bernardes é um consultor famoso, ele foi da Bozz-Allen, não sei se ele é ainda, mas é um expert e conhece bem a Alcoa, porque ele sempre participou de alguma forma das coisas da Alcoa. O José Luiz Alquéres é o dono da Light hoje, é o presidente da Light, mas ele já foi presidente da Eletrobrás, já foi, ocupou cargos importantes no governo, é um homem muito entendido de energia elétrica, né? Você tem o Fernando Almeida, né? O Fernando Almeida é do Cebds [Conselho Superior de Meio Ambiente], que é meio ambiente, quer dizer, é um nome internacional do meio-ambiente, tá lá também. Tem o Pedro Malan, que foi ministro, é presidente do Unibanco, tá aí também. Tem o Ricardo Belda, vocês vão entrevistar o Ricardo Belda? P1- Ah, deve estar na programação, com certeza. R- Então, ele, Ricardo Belda, irmão do Alain, é muito importante. Ele viveu grandes aventuras conosco. Também tá lá. Ah, tá o Rafael de Barros, que foi presidente do conselho da Camargo Correa, ele tá lá também, nos ajuda muito. E eu tô esquecendo gente... Bom, o Franklin é o presidente, tá lá também. Tô esquecendo, tô querendo olhar, assim, as pessoas sentadas... [RISOS]. Eu acho que é melhor você confirmar agora com a Cristina, os nomes. P1- E essas reuniões são frequentes, como elas são? R- Não, como lhe disse, quatro meses, né? De quatro em quatro meses, então a gente se reúne. Mas às vezes nós nos reunimos aqui e a penúltima vez nós fomos nos reunir em Juruti, nos Quintos dos Infernos, né? P1- Então vocês discutem... R- Falando de Juruti, eu acho que essa é também um legado que eu deixei pra Alcoa, de hoje. Porque quando a Alcoa comprou a Reynolds [Metals], veio a Juruti. Que que é Juruti? Bom, tem uma mina em Juruti, diz que tem 150 milhões de toneladas de bauxita. Tá bom. Aí eu digo: “Bom, eu preciso de ajuda aqui”. Eu peguei e chamei o Thomas Shefield, que infelizmente faleceu, uma perda, uma perda... Bom, eu chamei o Zé Mauro Sebusiani e nós fomos ver o que íamos fazer com Juruti. Eu tava contando pra vocês, quando alguém interrompeu, que lá na Alumar, ela não expande assim, não foi? Mas eu não concluí. P2- Melhor o senhor contar desde o começo da Alumar. R- Não, é que uma coisa ia ligar na outra, entenderam? Bom, não faz mal. Então nós fomos trabalhar pra Juruti. Começamos com o pé direito, quer dizer, trabalhando direitinho, olhando pra comunidade, nós já tínhamos aprendido muita coisa, né, olhando pro meio ambiente, pra sustentabilidade e nós fomos expandindo os nossos direitos de lavra. Com calma. Arranjamos um advogado, que já era da Reynolds mesmo, e hoje é aquilo que você vê: são 700 milhões de toneladas de bauxita e a Alcoa tá botando lá um bilhão e duzentos milhões de dólares. Então esse é um legado que eu também deixei pra companhia. Então foi isso aí. Mas eu me lembro que eu olhava aquele mapa e dizia assim: “Olha, a gente precisa pegar tudo isso aqui”, que era mais ou menos o que o Joseph Bates tinha feito quando nós estávamos olhando os terrenos pra Alumar e disse: “Como é que nós vamos fazer? É isso aqui”. E nós pegamos mais do que nós precisávamos. Mas foi bom porque se hoje em dia nós quiséssemos expandir a fábrica em Alumar assim, nós não íamos conseguir, certo? Então nós temos tanto terreno, suficiente pra expandir lá dentro. Então nós não precisamos empurrar ninguém mais, né? Foi uma grande decisão aquilo lá. Assim também nós estamos com Juruti, né? Então, isso aí. P1- Você falou que foi um dos que fez a primeira gestão sustentável no projeto meio ambiente. Você pode me contar um pouquinho mais que foi na sua gestão que foi fundado o Instituto Alcoa, a parte de meio ambiente. R-Não, não foi na minha gestão que foi fundado o Instituto Alcoa. O Instituto Alcoa foi fundado em 1990, né? Eu participei muito do início do Instituto, inclusive eu mencionei pra você que eu escrevi a primeira... P1- É, então fala um pouco sobre essa... R- Não, a Alcoa sempre foi orientada, desde que nos conhecemos, quer dizer, à medida que você vai se conscientizando, vai entendendo, vai tendo números, meios de entender o que você está fazendo, a Alcoa sempre foi inclinada para uma grande respeitabilidade, não só ao meio ambiente, mas também às comunidades que ela impacta, né? Porque uma fábrica que nem ela causa impacto, não é verdade? Então, isso veio com a Alcoa. Tanto é que essas coisas não se impõem, essas coisas vêm aos pedaços, aos pouquinhos, tá certo? Segurança no trabalho, não é verdade? A Alcoa é muito responsável nessa parte, né? E gene ocupacional. A Alcoa é muito responsável nessa área, né, ela olha pro empregado, pro seu colaborador, agora não sei mais como chama, colaborador, companheiro, funcionário, sei lá eu... Mas ela se preocupa realmente, tá certo? Ela tenta cumprir, ela cumpre todas as leis, sejam ambientais, trabalhistas, o que for, né? Ela é uma empresa legalista, ela vai além disso aí até. Então, eu acho que os parâmetros da Alcoa são muito mais apertados do que as próprias leis, né? Então, não existe um momento em que a Alcoa começou a se preocupar com o meio ambiente, ela foi se preocupando. E hoje ela, pela quarta vez, ela é eleita entre as 100 empresas no mundo, imagine 100, com maior nível de sustentabilidade, que faz parte disso. E ela fez, há uns cinco, seis, sete anos atrás, sei lá eu quando foi, ela estabeleceu uma visão de que ela tem que ser... A Alcoa, o que ela almeja: ser a maior empresa do mundo. Ela já teve vários slogans. Um era: “We can´t wait for tomorow”, “Nós não podemos esperar pelo amanhã”. Eu era assim, eu seguia isso assim: “Tem que fazer já”, não é verdade? Então nós não podemos esperar pelo amanhã. Então foi um mote que inspirou muito todos nós da Alcoa. Mas esse último, que é o que está em vigor, que ela almeja ser, não é que ela almeja, ela vai ser, ela será a melhor empresa do mundo. Então, pra melhor empresa do mundo você não pode ter acidente de trabalho nas suas fábricas, né? Você não pode ter ninguém com problema de doença ocupacional nas suas fábricas, não é verdade? Você não pode ter nenhum passivo ambiental, você não pode causar nenhum desastre ambiental, os seus funcionários quando forem fazer uma pesquisa, tem que dar 100% de compromisso com a empresa. Olha que desafio. E quando é que vai acontecer tudo isso? 2020. Então nós temos um target muito apertado, certo? É, em 2020 a Alcoa não pode, não vai ter mais acidentes, será o lugar mais seguro pra você trabalhar, né, não vai ter passivos ambientais, todos já terão sido recompostos, aquilo que nós fizemos por ignorância no passado, e não terão novos no futuro. E nós teremos as nossas comunidades fechadas conosco. Então nós serenos, realmente, uma empresa lucrativa, né, tem que ser lucrativa, se não tiver dinheiro não adianta, acionista vai embora. Então ela vai ser essa empresa e vai ser a melhor empresa do mundo. E é bom esse mote. Se você estiver fazendo alguma coisa que não indique, então não adianta, né? Então, não existe esse momento. Cada um contribuiu um pouco com essa preocupação da Alcoa com o meio ambiente, essa conscientização, que é melhor... E tem uma coisa também, isso vem de cima pra baixo, porque se o gerenciamento não acredita, o de baixo não acredita também. Então vem de cima pra baixo. Acho que a Alcoa já tá até invertendo o ciclo, viu, tá vindo de baixo pra cima, eu acho, né? Mas faz parte da cultura, né, da cultura da Alcoa isso. P1- Vamos falar um pouquinho da sua família. A sua esposa, estado civil? R-Casado, casadíssimo. Dia 6 de fevereiro fiz 43 anos de casado. P1- Qual é o nome da sua esposa? R- Cleusa. P1- E como você conheceu a Cleusa? R- Num pau-de-sebo [RISOS]. No duro, menina. Eu tava no San Vitto, é aquela festa junina, né, e a gente trepava no pau-de-sebo, eu tinha 17 anos, trepava no pau-de-sebo, tinha bacalhau lá, tudo pendurado. Eu sei que eu fui o último a subir, né, já tinha caído muita gente, tal. Aí foi um agarrando o outro, eu fui passando por cima, cheguei lá em cima eu tava cansado. E a turma aqui arreando. E eu... Aí eu vi a Cleusa lá de cima, eu digo: “Pô, que menina bonita”. Ela tinha um vestido de sete, aquele que tinha sete saias, era redondo assim, tal, era interessante, parecia uma rolha, de cima, assim, redondo, né? P1- Olha que tá gravado [RISOS] R-É, não, mas parecia mesmo. Eu olhei, assim, vi: “Pô, mas que menina linda”. E os caras: “Pô, sobe, desgraçado”. E eu digo: “Pô...” E aí eu realmente subi, tal. Aí desci, depois descemos, tudo sujo de graxa, tal, e fui procurá-la e não achei. Aí eu era diretor social, imagine você, tinha 17 anos e era diretor social de um clube de futebol que tinha uma sede por sinal, chamava-se Vasco do Brás. Time de futebol bom, de várzea, quebrava cada pau. E lá nós dávamos bailes. E um dia, quem eu vejo lá? A dona Cleusa. Ah, não tive dúvida. E aí foi que nós começamos a namorar. Mas foi assim, né, quer dizer, eu disse lá que eu era diretor social, eu disse: “ Vamos fazer o seguinte, vou botar uma música. Quando eu botar essa música, ninguém tira menina pra dançar, essa música sou eu que tiro”. “Ah, tá bom, vamos respeitar.” Coloquei a música: [canta em espanhol] “Esperame en mi cielo, corazón...” Aí ia lá eu e tirava ela pra dançar. Aí eu mandava no cara que mudava o disco. Aí tocava uma outra música... [canta em espanhol] “Espera me...” [RISOS]. Aquele disco ficou fundo de tanto tocar. Mas foi aí. P1- E quantos filhos você tem? R- Eu tenho três. A Débora, né, que é a mais velha, a Carina e o Rodrigo. P1- E o senhor tem netos também? R- Tenho só dois. Da Débora, que é o João e a Vitória. P1- E o que o senhor mais gosta de fazer nas suas horas de lazer? R- Bom, eu sou um escritor amador, eu sou um leitor voraz, não é? Então se eu não tenho outras coisas, se eu não tenho meus netos por perto pra me dedicar a eles, ou eu estou escrevendo, ou eu estou lendo, né, eu gosto muito disso. Gosto muito de cinema também. Bem, agora que eu tô aposentado, menina, sessão das três e meia, quatro horas, sessão dos coroas, né, só dá coroa, né? Você senta sossegado... Já assisti filmes bons, eu a Cleusa e ninguém mais na sala. É ruim, porque o ar condicionado, você não tem carga térmica, não, você fica congelado. Mas de qualquer maneira, é isso que eu faço. Eu viajo muito, né, nós viajamos bastante. Esse ano que passou agora nós fomos pra China, pro Marrocos... Esse ano já estamos entabulando, a gente tem viajado bastante. São essas coisas, assim. P1- Agora nós vamos para uma parte meio final da entrevista. Qual a sua visão atual sobre a Alcoa? Você já falou um pouco, mas atualmente, qual é? R- Ah, eu posso te dizer que eu tinha algumas preocupações. Quando você fala, você fala Alcoa mundial, né? P1- A Alcoa Brasil é toda a Alcoa, né? R- A Alcoa mundial, nós estamos dentro do contexto. A Alcoa Brasil? P1- É. R- Agora eu tô me sentindo melhor, tava muito mal há algum tempo atrás, porque a organização que tava aí, era uma organização que só adicionava custo, era uma droga, né? Eu falei isso pro Franklin, mas o Franklin também era um camarada que lutava dentro disso. Agora, com ela regionalizada, inclusive botaram mais dois problemas aí pra nós, que é Suriname e, quem mais? Suriname e, daqui a pouco eu lembro... Jamaica. Mesmo com esses dois, duas oportunidades grandes em você fazer alguma coisa, eu acho que a Alcoa tá melhor. Eu acho que agora o Franklin pode, inclusive, exercer melhor a presidência dele, porque agora ele tem essa região, coisa, na mão. Então, há uns tempos atrás, tava meio desgostoso, tal, eu achava que não era por aí. Bom, mas essas coisas são sempre assim, né, elas se consertam. Agora, a Alcoa no mundo, eu também tenho preocupação, né? A Alcoa... A percepção do Alan é muito séria, né, porque a Alcoa tentou comprar a Alcan, né? Fez a oferta, acho que foi 27, 28 bilhões de dólares. ___________ comprou a Alcan oferecendo 37, tal, jogou dinheiro dos acionistas fora, presumo. Não sei qual é a conta que eles fizeram, mas fizeram. Nessa hora, levando em consideração os grandes conglomerados russos ou chineses de alumínio, a Alcoa ficou pequena. Uma empresa, ela ainda é líder, né, você pega a qualidade, você pega meio ambiente, você pega relações comunitárias, lucro, ela tá indo muito bem. Pega tudo isso, né? Tecnologia do alumínio, esses grandes indicadores, a Alcoa é uma grande empresa. Mas ficou pequena. Só dá grandão aí. Qualquer hora ela pode ser absorvida. É um target. Então isso dói no coração, porque eu não gostaria de ver o nome Alcoa sumir, né? Bom, mas parece que ela deu uma cartada aí, né? Junto com os chineses, eles compraram, se não me engano, 9 ou 12% da _______Inc, quer dizer, a Alcan, né, também, e eu acho que estamos no jogo novamente. Então nós vamos ter a nossa chance de crescer, né. A Alcoa realmente precisa crescer e muito. E eu acho que a nossa direção lá em cima tá consciente disso. Tanto é que tentou comprar a Alcan, não deu, agora, junto com os chineses, já botou um pé na ______Inc, é pequeno, mas é assim mesmo, viu? Você bota um pé, depois, como é que é? Passa um boi, passa uma boiada. [RISOS]. P1- E na sua opinião, qual a importância da Alcoa para a indústria do alumínio? R- Tudo. As grandes invenções, eu tenho um livro, né, que conta a história da Alcoa do ponto de vista técnico, tudo o que você tem na indústria do alumínio, grande parte, saiu dos laboratórios da Alcoa. A Alcoa, se você ler aqueles primórdios, começando pequenina, naquele Pittsburgh Redoxon Company, alguma coisa assim, foi adicionando muita tecnologia de como resfriar um alumínio, como laminar um alumínio, né? Ela também foi instigada pelo governo americano pra pesquisar, desenvolver, porque tinha a guerra, né, a primeira, segunda guerra, né? Então grande parte das coisas que tem aí hoje, aí na indústria de alumínio, é obvio que outros vieram e também contribuíram com a sua parcela para desenvolver a indústria de alumínio. Mas a Alcoa, como pioneira, na realidade a indústria do alumínio hoje, uma parcela dela que acabou virando a Alcan pra concorrer e tal. Eu achei que isso foi muito importante porque bom, importante, mas bom, porque arranjou concorrência. É só a concorrência que faz você crescer, a Alcoa tava dominando tudo, né? Aí veio aquela lei antitruste, né, teve que abrir mão de uma parcela, criou a Alcan, que é um filhote, né, a Alcan virou concorrente, e concorrente forte. E assim foi, a Reynolds virou concorrente, a Kaiser virou concorrente. Porque se ela tivesse sozinha, ela teria morrido, na minha opinião. Eu vejo assim, né, a empresa que tem esse monopólio, vai ficar uma empresa arrogante, um dia ela acaba. Então pra Alcoa foi muito bom porque ela teve concorrência. Então a Alcoa foi...o mercado de alumínio é hoje o que a Alcoa plantou lá atrás. P1- E qual fato mais marcante que presenciou ao longo dos anos trabalhando na Alcoa? R- Mais marcante? P1- Ou fatos, né? Não precisa ser só um. R- Ah, eu acho que na Alcoa eu vivi tantos momentos históricos do Brasil, eu participei deles, não é verdade? Eu participei de grande parte da... Eu não tava na Alcoa, eu era desenhista na época, projetista da ____________ quando teve, em 1964, aquela, a revolução, né? 1964. Aí eu vim pra Alcoa em 1967, em 1970, né, ainda no governo militar, eu tava na Alcoa. E, por força do trabalho a ser realizado, eu era um rato de Brasília, né? Vivia em Brasília. Tanto é que eu fui diretor das relações governamentais da Alcoa, isso mais pra frente. E ali dentro eu pude presenciar muita coisa que se tornou, vieram a se tornar, fatos históricos na nossa história, né? E não sei qual deles era o maior, viu? Não sei não, se foi a campanha das Diretas, que foi impressionante aquilo lá, na época, se foi a queda do Collor, assim, para um histórico, não sei. P1- Mas fatos também que aconteceram na Alcoa, assim, que você acha que seja relevante. R- Eu acho que um dos fatos relevantes da Alcoa no mundo, foi quando ela mudou a sua presidência não trazendo, não pegando alguém de dentro da Alcoa, que vinha historicamente se tornando presidente, foi buscar fora. Isso lá nos Estados Unidos. Foi uma revolução, você imagina uma empresa com cem anos de idade como ela é, historicamente você faz aquela carreira... Vira presidente, não, agora vem um de fora, que foi o O’Neal, sabe que ele foi até Secretário de Estado, tal, posteriormente. Tinha sido ates, mas foi posteriormente também. Então como é que foi essa, eu acho que essa foi uma mudança conceitual muito grande, eu acho que foi pra melhor, porque trouxe novas visões, nova forma de encarar a coisa, né? Eu acho que isso foi, dentro da Alcoa, um momento histórico, isso aí eu presenciei. Tanto eu presenciei, que estava fazendo um curso, que se chamava Advanced Management Conference, nos Estados Unidos, e lá teve uma reunião com o presidente na época, que era... Já já eu lembro o nome dele... Desculpa, mas, o presidente na época... Aí acabou lá as reuniões e teve muito debate, uma série de coisa. Tô vendo que... A fisionomia dele e tô esquecendo o nome. Aí eu voltei, falei pro Alan, que o Alan: “Como é que foi lá?” “Foi bom, mas olha, eu acho que nós vamos ter, logo logo, um presidente de fora aqui.” “Por que?” “Porque aconteceu isso, tal...” Conversamos, trocamos ideias, né, o Alan também tinha suas visões, seus insights, né? E eu me lembro que foi num feriado desses de Ação de Graças, qualquer coisa americana assim, logo depois que eu recebo um telefonema do Alan, dizendo assim: “Aconteceu aquilo que nós preconizamos”, porque ele também achava, aconteceu. Mas você sentia naquela reunião que esse camarada, que era o presidente, como é que era o nome dele, grande amigo meu, era um daqueles que tava naquela turma... ele sentiu que as perguntas que eram feitas pelos... porque nesse Advanced Management só tinha os tops gerentes, tá entendendo, mundiais, eu era diretor naquela época. As perguntas, como eram dirigidas, eram perguntas quase que esbarravam no desrespeito, né, então as perguntas agressivas que não eram o tipo de coisas que naquela hora dá pra perceber que a turma estava achando que era carta fora do baralho. A minha pergunta foi respeitosa, era meu amigo, nunca se esqueça, e eu sou educado e a Alcoa nos ensina a ser educados [RISOS]. Mas aconteceu, então eu acho que esse foi um dos grandes momentos da Alcoa. A outra coisa importante que veio depois disso, muitos anos depois, foi a indicação do Alan pra presidente mundial da Alcoa, porque é um cucarracha, né? É um cara de fora, brasileiro. Vocês não têm ideia do que é isso, só quem chegou lá, você tentar montar, desenvolver essa credibilidade, né, os caras te olharem como igual, né? Então isso é muito importante, primeiro porque veio um de fora, O’Neal, e segundo porque ele indicou o Alan. O Alan um brasileiro, de fora. Isso começou a mudar na Alcoa, porque a Alcoa é realmente uma multinacional, que ela vai buscar o seu recurso aonde estiver o melhor, seja ele onde for, ou então é melhor ela ficar quietinha lá no bairro de Pittsburgh e pronto. Então eu acho que isso também historicamente, dentro da Alcoa foi uma mudança brutal. Agora nós temos um alemão, não é verdade? Agora é o Alan que aconteceu isso, ele teve que carregar isso no peito, né? Eu sei as dificuldades que ele teve, se há alguém que teve desafios na vida, né, isso aí é desafio dos diabos. Mas eu acho que esses foram grandes momentos históricos também. Aqui na Alcoa do Brasil, eu acho que a decisão que nós encaminhamos na Alumar foi uma grande decisão porque talvez é a melhor fábrica de alumínio do mundo, é uma loucura. Da porta dela até o porto são sete quilômetros, só pra você ter uma ideia. A gente vê no papel, quando a gente tava pensando aquilo, não dá ideia daquele troço. Eu acho que isso é muito importante. Eu acho que um desvio que nós fizemos, em algum momento de procurar ter a nossa energia elétrica, isso é fundamental. A Alcoa aqui tá construindo o futuro da Alcoa nos próximos 25 anos. Eu acho que isso aí é muito importante. Agora, ela tá pegando a bauxita, desenvolvendo Juruti, é fundamental. Mas quando eu digo isso, bauxita, desenvolve, é a indústria do alumínio. A indústria do alumínio é a bauxita e energia. Então a Alcoa brasileira tá posicionando, se posicionando, posicionando a Alcoa mundial. Acho até que isso vai servir de exemplo, se já não serviu, pra Alcoa americana, porque ela, de um certo tempo, ela deixou a energia meio de lado. Nós aqui incentivamos muito, provocamos demais. Mas eu acho que ela tinha bons contratos de energia, entendeu? “Pra que eu vou me preocupar?” Mas o mundo mudou, né, a energia é uma coisa cada vez mais escassa e nós aqui estamos no caminho certo, difícil enfrentar ONG, essas ONG financiadas pelo governo, uma loucura, meio ambiente no Brasil é uma loucura, isso é uma ideologia, um troço, não é uma coisa sã, é doentia, né? Então você tem que enfrentar esses movimentos de atingidos pelas barragens. É um... Tem muito criminoso no meio disso tudo. E quando eu falo criminoso, eu falo bandido, bandido. Eu não falo isso aqui, eu falo isso no jornal, já falei dentro da Câmara dos Deputados, fui fazer uma exposição lá recentemente, no ano passado, é tudo bandido, né? Então tem que enfrentar tudo isso, precisa ter coragem, estoicismo e saber o que quer. Então, mas a Alcoa tá ensinando, a Alcoa brasileira tá ensinado como fazer isso, não é verdade? Então, eu acho, por exemplo, que o projeto de Juruti vai ser uma lição pra Alcoa no mundo todo, pra qualquer outra empresa, porque é um projeto que considerou antes, antes de considerar a bauxita, nós pensamos na comunidade: “Como é que nós vamos fazer?” Nós pensamos na sustentabilidade. Hoje é uma coisa bem sustentada, cada vez mais. Você vai ouvir falar mal de Juruti, mas, acredite em mim, quem tá falando são as ONGs que tão vendo dificuldade pra se pegar, tá entendendo, facilidades, vender coisas, ou o próprio Estado, que no Estado você tem de tudo, né, tem tudo lá que você pode imaginar. O projeto, acredite em mim, é fantástico, esse vai ser um case mundial, um dia, quando tiver pronto, funcionando, consolidado, vai ser um case mundial. Harvard vai usar isso aí, tenho certeza absoluta. Então é isso, a Alcoa brasileira. A Alcoa tá ensinando isso pro mundo. Sei lá eu, tem tanta coisa que nós fizemos aí que... Cada vez eu fico me empolgando e vou embora [RISOS]. P1- Mas tem que falar mesmo. E quais foram os maiores aprendizados de vida, trabalhando na Alcoa? R- É, eu diria o seguinte: primeiro, como eu te contei, eu várias vezes fui empurrado pro meu limite, sofri muito, porque achei que tinha chegado nele e não tinha. Então, esse é um aprendizado que eu jamais vou esquecer, eu não tenho limite. Eu passo isso pros meus familiares, pros meus amigos, nós não temos limites, nós somos imbatíveis. Agora, precisa encarar, se até precisar olho no olho, senão, você piscou, você... Entendeu? Então eu acho que isso é uma coisa muito importante pros valores da Alcoa. Os meus valores sempre bateram com o da Alcoa, então eu sou um camarada feliz, mas os da Alcoa sempre superaram os meus, né, porque eu sempre aprendi uma coisa a mais. Eu me lembro que uma vez eu fui preparar os valores da Alcoa, eu fui escrever os valores da Alcoa dentro de um negócio americano, tal, aí eu fui adaptando pro português, mas foi um grande exercício passar aquilo, porque aquilo realmente introjetou dentro de mim, que ficou como uma segunda natureza. Então eu acho que isso também foi um grande aprendizado. Outra coisa que me marcou profundamente são as amizades, eu fiz muitas amizades na Alcoa. E eu tenho, quando os vejo, ainda quinta-feira eu fui jantar, não, quinta-feira não, quando foi? Sexta-feira eu fui jantar com o [Carlos] Saudini, né, eu não sei se vocês vão entrevistar o Saudini, e a gente fala de tudo, de neto, tal, mas um pedaço acaba sendo Alcoa, não tem jeito. Então amizades eu tenho inúmeras amizades da Alcoa e, por causa da Alcoa, muita amizade dentro da indústria. Então, eu sou, meu nome é bem conhecido, mas eu tenho muitos amigos em tudo quanto é parte da indústria do alumínio. Depois, fiz muitas amizades em Brasília, né, conheço presidente, senadores, deputados, fiz grandes amizades. Tem pessoas que eu respeito muito, tem outros que eu não gosto nem falar o nome. Mas eu fiz boas amizades também. Eu viajei muito pela Alcoa, o mundo, né? Eu fui exposto a várias culturas, eu tive de dialogar com gerentes de outros mundos, né, vamos colocar nesses termos, que isso abre a sua mente. Me lembro a primeira vez que eu cheguei na Alcoa, já contei pra vocês a história do “Eu sou a razão”. Mas eu fui exposto, né, sempre à essa multicultura mundial. Então isso me abriu a mente, muito grande. Outra coisa que a Alcoa deu e me ensinou é dar oportunidade, né, você tem que dar a oportunidade para as pessoas se revelarem em tudo. Se você não fizer isso, aliás eu acho que o dirigente tem que tá pensando nisso a todo instante, certo? Você tem que revelar aquela pessoa, dizer: “Essa pessoa que eu tô vendo não é ela, eu preciso revelá-la”. Então, essa oportunidade, você precisa estar puxando, lidando, fazer com que as pessoas confiem nelas mesmas e dê oportunidades. Nós tínhamos dito, eu me lembro até que o Alan chocou os americanos numa dessas reuniões internacionais, tal, eu não sei o que que saiu, negócio de administração, o Alan falou: “Olha, o negócio é o seguinte, lá no Brasil a gente pega o cara e joga dentro da água, se ele souber nadar, ele continua na empresa, se ele não souber, ele morreu, então acabou”. Então era isso mesmo, às vezes é dar a oportunidade, às vezes você fala assim: “Eu tô dando uma coisa pra essa pessoa fazer muito maior do que ela”. Ilusão sua, pura ilusão. É raro isso acontecer, a pessoa é muito maior do que você pensa. Então nós sempre sobrecarregamos os nossos executivos, os nossos companheiros com coisa além do que ele supunha que poderia, e nós também, suportar. A surpresa é que eles sempre tiraram de letra. Então, essas coisas também nos ensinam, que é, o homem realmente não tem limite. O que mais eu posso dizer, pô. Não sei, a Alcoa ensinou tenacidade, ensinou não esmorecer, ela ensinou retroceder, nós tivemos que dar passos atrás, pra dar o próximo pra frente, é duro retroceder, nós temos que engolir o nosso ego, admitir aquela derrota momentânea, sempre classificando de momentânea, e voltar. E isso engrandece a pessoa, né? Então foi isso. P1- E o que é ser Alcoa? R- Olha, é uma pergunta que eu, sinceramente, ainda não entendi o alcance dela e como respondê-la, eu não sei como responder o que é ser Alcoa. Se você me perguntasse o que é ser alcoano, eu já te disse [RISOS]. Então, ser alcoano é ser tudo isso que eu acabei de falar. E, em geral, se você for conhecer as pessoas aqui, alcoanos, você vai pensar que tá repetindo a minha entrevista, porque eles vão falar assim, em geral. Principalmente se tiver uma longa, se vier lá dos primórdios, eles vão falar assim com você porque é uma vida. Não sei, você acredita em vida depois da morte? “Será que eu vou voltar?” Não sei, mas esta vida aqui, grande parte dela foi a Alcoa. Eu vivi dentro da Alcoa, foi onde eu passei a maior parte da minha vida. Então eu vou dizer uma coisa. O que é a Alcoa? A Alcoa sou eu, certo? Eu sou a Alcoa. P1- E o que acha da Alcoa estar resgatando a sua memória através desse projeto? R- Pois é, eu ouvi a primeira vez que parece que teve m empresa que fez assim, não é? Essa memória. P1- Várias empresas estão fazendo. R- Várias empresas, né? Nunca vi nenhuma, né, eu não sei, não tenho ideia. Mas que a Alcoa precisa resgatar a sua história, precisa. Eu acho que isso aqui é um jeito. Agora, deve ser emocionante, porque você vai ouvir pessoas falarem e a história vai se ligando, né? Eu tô muito curioso pra ver como isso vai ficar. Eu acho que tem que fazer mesmo. Eu acho que a Alcoa tem que contratar também um historiador pra poder resgatar tudo, porque isso aqui é impossível, você poder gravar tudo, né? Tinha que ter capítulos. “Olha, esse...” Toda essa gravação devia ser um capitulozinho de algum momento. Como é que você vai, numa gravação contar tantos anos de... Mas, num livro é factível você fazer, né? Então eu acho, e até comento, vou falar aí no conselho falar: “Olha, participei lá, mas tô recomendando que tem que ter...” P1- Mas nós somos historiadores [RISOS]. R- Ah, não sei, mas é que eu tenho que contratar o serviço então. Se já tem o historiador, tem que contratar o serviço e pesquisar. Aí você vai descobrir um mundo de coisas, né? Então, muito bacana, a história, tal... P1- É, esse projeto tem várias fases, né? Tem outras fases. R- Ah, então tá bom. [PAUSA] P1- E o que o senhor achou de ter participado dessa entrevista? R- Muito boa, poxa, me deu tanta recordação, me veio tanta coisa na cabeça e me deu vontade de começar a escrever agora a história da Alcoa, porque eu preciso registrar um monte de coisa, que isso vai se perder, do meu ponto de vista, né, porque tem os outros. O que eu já escrevi é da minha família, um negócio bacana pra chuchu. Não é para publicar, é pro meu neto ler, ele entender. Então eu acho que eu preciso escrever da Alcoa, viu? Isso tá começando a me despertar essa vontade. P1- E tem alguma coisa que a gente não perguntou que você gostaria de falar? R- Tem tanta coisa que vocês não perguntaram... Nossa, nem dá pra falar [RISOS]. Tem muita coisa, tem muita coisa que eu não falei, mas eu falo demais mesmo, né? Então não sei, mas vocês têm um roteiro e esse roteiro deve ser comprido e eu acho que vocês deram até uma profundidade, uma latitude pra gente falar, né? É que eu fui introduzindo alguns causos, né, posso te garantir que não os mais terríveis, mas coloquei. Eu gostei muito, viu? Eu estou pronto pra fazer outras. P1- Então, em nome da Alcoa e do Museu da Pessoa, nós agradecemos a sua entrevista. R- Tá bom, eu é que agradeço a oportunidade de falar da empresa que eu amo tanto. Obrigado!
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