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Profissionais que inspiram

História de: Denise Kussler
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Publicado em: 29/04/2020

Sinopse

Em seu depoimento, Denise conta seu sonho em ser professora, o que a motivou e sua dificuldade ao ingressar na faculdade. Fala sobre a contraditoriedade do seu medo de mexer em computador no início da graduação e, hoje em dia, não conseguir se desconectar da internet. Aborda seu nervosismo ao entrar pela primeira vez em sala de aula para lecionar, como conquistou seus alunos, e o que a levou a seguir na educação infantil. Descreve sua rotina e o planejamento de suas aulas. E também conta como as ferramentas aprendidas no programa “Professores em Rede” são úteis em suas aulas hoje.

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História completa

P/1 – Então, Denise, eu vou retomar da escola. A gente estava falando da sua escola, escola da tua professora, do gibi, né? R – Sim. P/1 – Eu queria que você continuasse falando um pouco desse sonho de ser professora, começou com essa primeira professora, ou você teve outras referências? Como é que…? R – Na verdade, ela foi uma das minhas referências. Depois, da quinta à oitava, tinha uma professora de História, ela era professora de História, Geografia e também formada em Pedagogia, ela era ótima, até hoje, assim, todos os alunos que passam por ela, admiram. Ela não tem problema de indisciplina na sala dela e ninguém tem dificuldade nessas matérias. Só que ai, eu tive que… na oitava série, eu casei, abandonei a escola e anos depois… mas eu mantive o sonho vivo. E anos depois, que eu fui estudar, que eu consegui estudar, fazer magistério, fazer faculdade, queria ter uma noção. P/1 – E Denise, antes de falar desse período, eu queria que você falasse um pouco… você falou que gostava da professora de História, como é que eram as aulas dela, o quê que tinha de diferente? R – Na verdade, ela conseguia… as aulas dela eram diferentes das outras, não era aquele sistema bancário, né, aquela coisa de ficar sentado, só prestando atenção. Ela fazia a gente debater, ela levava a gente pra fora, ela fazia… trabalhava na prática e dentro, não tinha as tecnologias que tem hoje, mas a gente fez o mapa numa latinha de azeite, pra representar o mundo, coisas assim. Ela conseguia mostrar na prática, aquilo que era teoria e sempre, ela sabia, não usava muito os livros didáticos, o que ela fazia era falar muito e ela fazia a gente refletir e discutir em sala de aula e fora dela. E analisar, sempre com a realidade. P/1 – Legal. E você falou que ai na oitava série você casou. Conta um pouco como é que foi R – Ah, pois é! Eu casei e… eu tinha 13 anos, eu estava grávida, casei. E com 16, eu fui trabalhar numa empresa de… trabalhei de auxiliar de produção, com 15 anos, eu tinha os dois filhos. E aí, depois de alguns anos, quando veio a separação, eu fui atrás do meu sonho, porque antes, eu nem tinha como, eu tinha que cuidar de filho, trabalhar, marido e, eu fui atrás do meu sonho. Consegui fazer a minha faculdade, consegui me formar e tô em sala de aula, tô feliz e às vezes, eu fico preocupada, porque eu acho que… os meus filhos cresceram agora, cada um seguiu a sua vida, mas às vezes, eu fico pensando que eu não tinha vida antes de ser professora, o que me salva são as crianças, quando eu chego na sala de aula, quando eles vêm correndo me abraçar, quando eu consigo ver que eu consigo passar alguma coisa pra eles. Eu acho que não tem nada que recompensa mais. P/1 – E me conta como que foi antes de chegar na faculdade, né, como que você conseguiu chegar lá? R – Bom, eu fui fazer o magistério, trabalhava de dia, e à noite, eu fazia o magistério e achava que nunca ia conseguir fazer uma faculdade, que não ia conseguir, né? E aÍ, o meu pai me disse que se eu precisasse, ele ia me ajudar. Apareceu uma oportunidade na época, abriu aqui uma virtual, que era o Cemap, que oferecia o curso à distância, um sistema que tinha que estudar. Eu nem tinha e-mail na época. Quando eu fui pra faculdade, eu não sabia ligar um computador, lá que eu aprendi a ligar um computador e fui me virando. P/1 – Então, me conta um pouco do magistério assim, o quê que te marcou mais no magistério? R – No magistério, eu acho que era muito mais prática, era uma coisa mais técnica. Não tenho assim, muita… o meu estágio foi uma coisa que foi bem complicada, porque foi quando eu reafirmei que era isso mesmo que eu queria, que eu queria estudar, ser professora, mas não… do magistério, na época, assim, eu não tenho muita… e era muito sofrido, trabalhava de dia, e tinha os filhos, e tudo muito corrido. P/1 – E na faculdade, você já tava trabalhando como professora, como é que…? R – Eu trabalhava como camareira e o meu chefe, na época, ele conseguiu mudar o meu horário da meia-noite às seis da manhã, pra eu poder fazer faculdade. Então, depois de dois anos de faculdade, eu consegui começar dar aula, então eu dava aula de dia; das seis à meia-noite, eu me dedicava aos estudos; e da meia-noite às seis da manhã, eu trabalhava. Ai, eu fui promovida a camareira, porque eu fazia faculdade e a porteira do local lá onde que eu trabalhava e às vezes, eu conseguia dormir, quando não tinha hóspedes que batia, que… P/1 – Entendi. Você falou que chegou na faculdade sem saber ligar o computador, como é que foi o primeiro contato com o computador? R – Não, na verdade, era um medo incrível! Porque a minha geração e a nossa realidade aqui, a gente não tinha vídeo game, a gente não tinha acesso, televisão era só no horário que os pais deixavam assistir, que era a hora do jornal, a gente não podia assistir, tinha que trabalhar, não podia ficar assistindo televisão de dia, ou ligar o rádio. Então, a gente tinha medo de estragar tudo, medo disso, medo daquilo. E quando eu fui pra faculdade, nossa, chegar no laboratório, cheio de computadores e não saber nem ligar o computador? Nossa, foi… aí eu fui procurar um curso de informática e não me identifiquei com o curso, não gostei, porque o que eu queria? Aprender a ligar e a desligar. Eu chegava lá, estava ligado. Então, o computador estava ligado, tinha um programinha pronto, que eu ia digitando algumas coisas e eu não gostei, abandonei o curso, comprei um computador, pedi pro técnico me ensinar como fazia pra ligar e desligar, comecei a mexer e dali pra frente, só evolui. P/1 – E me conta sobre o magistério em si, como é que foi o… desculpa, a graduação, né, como é que foi a faculdade? R – Em que termos assim? P/1 – Porque você já falou um pouco do laboratório. Quais foram as experiências mais marcantes, professores, como é que era o cotidiano? R – Ah, eu me dedicava muito, estudava muito, eu fazia parte da turma do fundão, mas nem por isso, eu deixava de estudar. E eu formei grandes amizades lá, a grande maioria que frequentava lá já estava em sala de aula, era eu e acho que mais uma ou duas, que não estávamos em sala de aula… P/1 – Pode ficar tranquila, pode continuar. Quem não dava aula ainda era você e outra aluna… R – É, uma ou outra aluna que na época, não trabalhava em sala de aula P/1 – E quando que você foi ter a sua experiência em sala de aula? R – Eu já tinha tido o meu estágio do magistério, mas eu consegui aula antes do meu estágio da graduação. Ai, eu entrei numa sala de aula, com 32 crianças e me descabelei. Confrontar a teoria com a prática, mas devagarzinho, a gente vai descobrindo o jeitinho, como é que tem que ser, a gente aprende a lidar. P/1 – Me conta um pouco mais desse primeiro dia, como é que foi a… o primeiro dia, você entrar na sala de aula e… pela primeira vez? R – A primeira vez, eu me preparei psicologicamente o final de semana inteiro, na segunda-feira, eu fui para dar aula, conhecer a turma, cheguei na sala de aula, assim, 32 crianças ansiosas pulando, gritando e eu sem noção nenhuma do que fazer! E agora, né? ai, sentei, comecei a contar historinha e comecei a conversar com eles e consegui conquistar eles. P/1 – E essa foi uma turma que você já pegou e começou a dar aula? R – Na verdade, eu trabalhei três meses com essa turma que foi só uma substituição. Depois, eu fui dar aula para o ensino médio, porque trabalhava com substituição, mas me dei bem na época, os meus filhos eram adolescentes, então era fácil, era como lidar com os meus filhos. E eu consegui depois, eu optei em me especializar na educação infantil, porque era isso que eu queria, era esse o meu chão e tô até hoje. Eu trabalho 20 horas no Cmei e 20 horas numa escola, que eu tenho um pré misto lá, que é pré I e pré II, mas é lá que eu me identifico, eles são… nossa, aquelas crianças são tudo pra mim e a escola também, a escola é mais no interior ainda, são crianças que nunca frequentaram a escola, não foram a Cmei, eles vêm direto pra escola, eu sou a primeira professora deles, e os alunos do terceiro, os do quarto, que foram os meus alunos, eles vêm para escola me abraçar, eu acho que a primeira professora fica na lembrança de todos, né? P/1 – E por que educação infantil? O quê que te levou a fazer essa opção? R – Na verdade, a gente é fruto da história da gente, né? E como eu tive muita dificuldade na minha vida, eu acho que pra começar te ditar de novo, nada melhor do que em crianças, porque eles são espontâneos, eles nunca vão mentir pra você. Eles vão te falar aquilo que eles sentem e eles vão expressar o que eles sentem, se eles gostam, se eles não gostam, eles vão demonstrar isso também. E você vê que você consegue se identificar e fazer alguma coisa por essas crianças, eu acho que isso é a melhor coisa do mundo, e quando você consegue conquistar eles. E você vê que todos eles gostam de você, você consegue trabalhar tudo com eles, porque eles vão aprender, eles vão prestar atenção, eles sendo apaixonados pela professora e a professora por eles, acho que isso faz a grande diferença. Eu acho que teoria, todo conhecimento que isso eu tenho, todos os cursos de formação, tudo ajuda, mas esse lidar, a facilidade de lidar com os pequenos, eu acho que isso é… que não tem coisa melhor. P/1 – E Denise, me conta uma coisa, como é que você prepara as aulas, como é que é a sua aula, se você tivesse que explicar como é que funciona? R – A preparação, o planejamento ou o meu dia a dia lá na escola? P/1 – Começa pela preparação, ai você desenvolve pra todos esses… R – Ai é assim: eu tenho… a gente tem todos os conteúdos que tem que ser trabalhados e eu tenho também, tenho os problemas que acontecem no dia a dia, você tem que adaptar com a realidade deles e, às vezes, tu tem uma aula inteira planejada, que você sabe que chega lá e, às vezes, não é aquilo que vai conseguir trabalhar, mas basicamente, eu foco em cima da alfabetização, dos problemas lógicos matemáticos, em coisas que eles vão usar na vida deles. Eu pesquiso, eu gosto de usar vários recursos, até porque na educação infantil, a gente tem um problema grande, não é um problema, né, mas você faz… com os maiores, você faz uma prova e lá tem o seu resultado, e com os pequenos, você não tem tanto registro. Então, você tem que estar ciente, você tem que estar trabalhando em cima disso pra conseguir obter o resultado e fazer os registros de uma forma diferenciada. Eu gosto que eles pesquisem também, apesar de que na verdade, os meus alunos, eles não têm muito acesso em casa, a maioria ainda não tem internet lá e na escola, tem. Então, eu gosto de levar eles uma vez por semana, no laboratório de informática, onde que a gente vai acessar o site que é diferenciado e eu tenho alguns CDs de jogos também, que eles não têm isso em casa, então lá é aonde que vai ser o diferencial. P/1 – Entendi R – E eles sabem exatamente a rotina da minha aula. Se você quiser ir hoje lá dar aula pra eles, eles vão te falar o que você tem que fazer, que dentro da rotina, eles já sabem, você chega lá, você tem que cantar musiquinha, depois a gente vai fazer a rodinha de conversa, tem a chamada, e tem o calendário, a contagem dos alunos, quantos alunos faltam, quantos não faltam, tem uma história e eles esperam a atividade do dia, a conversa tema do dia e a atividade do dia. E ai, depois que isso terminou, já é a hora do lanche, a gente vai pro lanche, eles podem brincar no parque, depois a gente volta para a sala de aula, eles sabem toda a rotina e ai do dia que fugir! “Vamos fazer atividade hoje?” “Mas prof., o que a gente vai aprender hoje?” P/1 – Legal. E Denise, você falou agora da coisa do laboratório de informática. Que tecnologias vocês acabam usando na sala de aula? O quê que você…? R – Na educação infantil, eu acho que um dos maiores recursos é usar a máquina digital, nós temos na escola, a tela também, já que tá funcionando. Na verdade, no meu dia a dia, eu uso o computador, jogos, DVDs, a gente baixa filmes, filminhos do YouTube para eles assistirem… eu acho que a gente já tá inserido e eles nasceram num mundo inserido e de tecnologia, né? P/1 – Então, Denise, eu tava te perguntando como que você conheceu o “Professores em Rede”, né, como que você foi participar? R – Então, eu trabalhei em um outro município, onde a realidade era diferente dessa. Quando eu vim pra cá, eu fui trabalhar nessa escola que eu trabalho agora, eu deixei meu nome de inscrição para qualquer curso de formação que tivesse, até porque a gente precisa dessa formação continuada. A orientadora da minha escola falou que teria o curso e eu me interessei. Então, já deixei o meu nome à disposição, até na época, nós fomos quatro da mesma escola, que fomos fazer o curso, deu quase briga por causa da vaga, porque todo mundo queria fazer e foi isso. Fui fazer o curso, e a prefeitura ofereceu um horário de aula, dai tinha o quê? Remanejar professor, para estar lá substituindo. P/1 – Entendi. Você falou que achava importante a formação continuada. Qual é a importância da formação continuada? R – Na verdade, a gente precisa se atualizar todo dia, né, não é só ir lá pra faculdade e achar que tá pronto. Ou fazer uma pós e achar que isso vai mudar, que vai capacitar a gente, né, não é, porque todo dia, tudo vai mudando e a gente tem que ir se atualizando, senão vai ficando pra trás. P/1 – E me conta da formação em si, como é que foi a formação do programa “Professores em Rede”? R – A gente aprendeu a usar muitos recursos, até um dos recursos que eu mais uso hoje é o movie maker, que eu nem sabia que existia no meu computador, aonde que eu faço vídeos. Eu elaboro projetos de cantigas, de poemas, com os meus alunos, eu gravo eles, depois, eu elaboro lá o vídeo e passo para eles assistirem. É uma das coisas que… eles levam pra casa, o irmão que vem no ano seguinte, já sabe tudo o que eu tinha ensinado, porque eles cansaram de assistir aquilo. No final do ano passado, eu fiz um vídeo com os melhores momentos da nossa turma, eu juntei as fotos, juntei alguns vídeos e não que tenha sido muito bonito, mas todos os pais choraram, se emocionaram no final do ano, encerramento do ano, todos solicitaram cópia e eu acho que foi esse um dos pontos altos assim, que me recompensou muito do curso, porque os pais, às vezes, eles não veem tudo o que a gente faz, como eu disse antes, a educação infantil, ela não tem tanto registro e, cada coisinha que você vai fotografar, cada momento eles fazendo uma atividade, eles brincando no parque, eles cantando ou gravando eles, isso… eu acho que quando os pais veem isso, eles veem o trabalho que a gente faz na escola. P/1 – E Denise, as aulas do programa “Professores em Rede”, como é que era quando você ia? Elas sempre foram presenciais, foram à distância, como é que foi o curso, assim? R – Tinha aula à distância, a gente tinha que estudar em casa, tinha todo o material assim pra ler, todas as atividades, tinha fórum para participar, as atividades para fazer e a gente tinha uma vez por semana que era presencial. A gente ia lá aprender a usar uma nova ferramenta, depois, a gente treinava em casa P/1 – E como que você avalia essa coisa pra formação à distância? O quê que você achou? R – Na verdade, eu sou fruto disso, né? A minha faculdade, eu acho que muita gente critica, só que tudo depende do aluno. Eu posso ir todo dia na aula e não prestar atenção, como eu posso me envolver na tecnologia, através disso, levar a sério, estudar em casa, como se eu tivesse lá. Eu acho que isso é uma coisa que vai, cada vez mais, vai se desenvolver dessa forma, porque as pessoas acabam tendo o tempo muito restrito, é muita correria, muita coisa e você acaba separando o tempo que você pode, você pode escolher o teu tempo pra estudar à distância. P/1 – Legal. Você falou dessa possibilidade de continuar a educação à distância. O quê que você vê pro futuro em relação… o quê que você acha as possibilidades de educação à distância? R – Eu acho que não vai demorar mais muito tempo em que todo mundo vai estar inserido nesse mundo digital. Educação à distância, eu acho que é um contento, é na verdade, só uma consequência da evolução que a gente tá tendo hoje, das mídias de hoje em dia. P/1 – E Denise, você já fez um pouco a avaliação da recepção dos pais desse material, mas o quê que você sente em relação aos alunos? Como a tecnologia, ela interfere na educação, no dia a dia? R – Eu acho que é tudo, porque eles já nasceram no mundo digitalizado, né? Eles vêm pra escola, aqueles que têm acesso à computador, à máquina digital, eles sabem muito mais do que muitos adultos. Às vezes, tem alunos que são eles que sabem colocar o filme no DVD, mexer no controle, que sabem regular a linguagem, sabem ligar o computador, que os pais e os avós nem sabem. Eles aprenderam isso sozinhos. P/1 – E de alguma forma, você acha que o curso trouxe mudanças pra escola, não só para a sua aula, você vê que mudaram coisas na escola? Quais foram as mudanças? R – Para toda a escola. Desde os recursos que a gente aprendeu a usar, uma cruzadinha, web toy, o site que a gente acessou, a gente chegava na escola, os professores perguntavam: “O quê vocês aprenderam hoje?”, a gente passava, facilita muito. Fazer uma cruzadinha lá na mão pra um professor lá de Língua Portuguesa, que tem não sei quantas escolas pra trabalhar, e ele faz tudo na mão e depois, vai… ou faz no Excel, e vai lá se lascando pra fazer e saber que tem lá um programinha que você vai lá digitar e que ele vai sair pronto. Você não tem que ficar estressando. Hoje de manhã, até apareceu uma situação, eu falei que eu viria na entrevista, e as meninas disseram: “É, mas a nossa formação aqui na escola tu não vai dar?”, porque eu tava passando um dos recursos pra elas e elas falaram: “É, mas a gente quer, vamos ter que fazer uma formação disso numa reunião pedagógica, vai ter que passar esses sites pra gente”. Então, muda, né, é uma facilidade maior de você trabalhar, a pesquisa se torna bem mais produtiva, porque você tem diversos lugares para você procurar e no dia a dia, tem tudo, eu acho que facilita muito. P/1 – E pra você, quais foram os seus aprendizados pessoais, o quê que você aprendeu com o projeto? Porque daquela Denise que tinha medo do computador, como que é a Denise hoje? R – Não, hoje eu sou… tenho um problema seríssimo, porque eu sou viciada em internet, eu não consigo ficar um dia na casa da minha mãe, porque lá não tem internet, porque lá não tem sinal de celular, eu vou de manhã, eu à tarde já tô pensando em voltar pra casa, porque eu preciso ver isso, porque eu lembro daquilo, desde redes sociais, desde tudo! A gente acaba, de uma certa forma, direcionando a vida da gente nisso, né? Eu não consigo nem imaginar, que há dez anos, eu não sabia nem ligar o computador e hoje, eu sei desmontar e montar. P/1 – Eu queria que você sintetizasse pra mim, qual que foi a importância do projeto, se você tivesse que fazer um balanço? R – Pra mim, foi muito importante. Para toda a situação… para formação continuada, para essa situação das ferramentas que a gente aprendeu, ferramentas novas, tanto que solicitamos a formação continuada desse curso, desse projeto e estamos indo, agora, nós estamos no horário que seria um órgão de planejamento, a gente tá indo lá pro curso para continuar essa formação, porque eu acho que é imprescindível hoje em dia, essa atualização acho que todo professor deveria fazer, não tem…até porque os nossos alunos exigem isso, né? O mundo de hoje em dia exige isso. P/1 – E quais são as dificuldades, ou os desafios que o projeto ainda tem que enfrentar? O quê que você acha que são os pontos fracos? O quê que falta? R – Olha, eu não tenho queixa, não posso dizer assim, de pontos fracos. O que eu digo é assim, que todos deveriam ter acesso. Isso deveria ser uma coisa que todos os professores deveriam ter acesso para essa formação. P/1 – Então… você já respondeu a segunda, mas quais as mudanças que o projeto ainda pode fazer? Uma delas é a inclusão de todos os professores, né? R – A inclusão de todos os professores, porque a gente ainda vê professores com bastante dificuldade, não quero criticar a minha classe, mas tem professores que ainda não conseguiram se atualizar nessa área. P/1 – E quais os desafios para educação aqui em Concórdia, o que você acha que são os desafios para o futuro na educação aqui? R – Nossa! Isso é complicado. Os desafios da educação de Concórdia? Eu acho que o nosso município, ele tá muito bem, comparado com outros lugares, com outras experiências, a gente hoje tava assistindo a um filme que é “Vida Maria”, uma menina estava escrevendo o nome dela: Maria José na janela e a mãe dela a chamava para fazer os trabalhos. O filme acho que teve repercussão nacional, teve um prêmio. E, na verdade, depois essa menina cresceu e ela tinha a mesma atitude da mãe dela, tinha que trabalhar, tinha que puxar a água para os animais e ela teve sete, oito, nove filhos e isso foi se seguindo em várias gerações, eu acho que essa já não é mais a nossa realidade. Claro que temos bastante dificuldade, os pais ainda não participam o suficiente, não participam quanto a gente gostaria, a gente tem um monte de dificuldade, mas eu acho que tudo vai se encaminhando, tudo vai andando. É uma realidade, de repente, diferente de outros locais do país. A maioria dos nossos professores tem pós graduação, pelo menos na escola que eu trabalho, a maioria é efetiva e a maioria com pós e todo mundo procura se atualizar na nossa escola. Então, é realidade diferente de outros locais né? P/1 – E Denise, caminhando agora um pouco pro final, eu queria te perguntar quais são as coisas mais importantes na sua vida hoje? R – As coisas mais importantes… P/1 – Não só profissionalmente… R – O lado pessoal? Tá. Em primeiro lugar, eu tenho uma filha com câncer, ela tem 20 anos, faz tratamento de câncer de mama. Então, acho que essa é a minha prioridade, na verdade, é o encaminhamento dos meus filhos na vida. E a segunda, eu sempre digo, é o meu trabalho, porque é isso que me recompensa. E o resto, a gente vai levando. P/1 – E os seus sonhos, quais são os seus maiores sonhos hoje, Denise? R – Eu acho que eu não tenho muito sonho. Eu tenho um sonho de ascensão profissional, de conseguir fazer um mestrado, algumas coisas assim, nada que seja… P/1 – Legal. E como é que foi contar um pouquinho, pelo menos, dar essa entrevista e contar um pouco dessa trajetória? R – Eu fiquei muito nervosa, né? Complicado a gente ficar falando da gente. P/1 – Tá certo. Tá bom, Denise. Tem alguma coisa que eu não te perguntei, que você gostaria da falar, gostaria de registrar? R – Hum, hum. P/1 – Tá bom então. Tá ótimo. Denise, obrigadão.

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