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História

Professores e estudantes juntos na Educação Digital

História de: Adriana Meine Antunes da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/04/2020

Sinopse

Adriana narra suas diferentes adaptações às escolas pela qual passou ao longo de seu ensino básico, por conta das constantes mudanças que carreira musical do pai acarretava. Apesar de seu grande sonho de cursar Veterinária, seguiu a área de Informática e, assim, começou a trabalhar na área da educação na cidade de Concórdia (SC). Participando de projetos como o Língua Digital e os Professores em Rede, Adriana nos conta os desafios que enfrentou dentro da área pedagógica e como o seu trabalho auxiliando professores e estudantes por meio da tecnologia, transforma a vida diversas pessoas.

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História completa

P/1 – Então Adri, pra começar, vou pedir para você falar o seu nome completo, a data e o local do seu nascimento

 

R – Meu nome é Adriana Meine Antunes da Silva, eu nasci em Seara, Santa Catarina, dia 12 de junho de 1982

 

P/1 – Legal. E Adriana, eu queria que você me falasse um pouco da sua casa na infância, como é que era a casa na qual você nasceu, que você cresceu.

 

R – Na verdade, a minha infância, como o meu pai trabalhava com música, a gente fazia mudança, muita mudança assim, cidade. E uma casa que eu lembro mais assim, foi uma época em que eu morei em Peritiba, aqui em Santa Catarina, mesmo, que era uma casa mais isolada assim, do centro da cidade, que era uma cidade bem pequenininha, mas era mais isolada, tinha bastante espaço, bastante área verde, pra gente brincar, tinha uma casa de… como se fosse uma casa de… pra visitas, assim, à parte, acho que foi o lugar que mais me marcou e outra também, foi quando a gente morou numa casa que tinha piscinas, a gente cuidava… meus pais cuidavam dessas piscinas, foi também uma época que me marcou bastante.

 

P/1 – Você falou dessa coisa de viajar, me conta um pouco o que os seus pais faziam, como é que era a sua relação com eles?

 

R – O meu pai era músico. Ele até hoje, ele tem uma outra profissão, que ele é motorista, na prefeitura, mas ele continua com essa área de música, né, ele toca pistom, que é de sopro. Então, conforme ele fosse mudando de banda, a gente mudava de cidade [risos]. E a minha mãe era dona de casa, então não tinha empecilho, né, na época, hoje em dia, a minha mãe trabalha como… na área de enfermagem, ela é técnica em enfermagem, assim agora não tem… eles moram em Ipumirim, que é uma cidade vizinha aqui, eu vejo eles toda semana, porque é pertinho, mas ele continua na área de música e a minha mãe como agora trabalha com enfermagem, eles se estabeleceram já faz uns 15 anos nessa cidade.

 

P/1 – Que bacana. E aí, como é que era essa questão a escola, com essa coisa de mudança, quais são as primeiras lembranças de escola?

 

R – A minha primeira lembrança, eu não fiz pré. Na minha época, não era obrigatório fazer o pré, a gente podia ingressar direto no primeiro ano, né, então assim, eu lembro que eu fui… eu morava em Ipumirim, na época e a gente foi pra Peritiba e no primeiro dia que o meu pai me levou pra escola… a gente chegou um dia na cidade, no dia seguinte, foi  o meu primeiro dia de aula, eu não conhecia ninguém. Ele me levou pra escola, me deixou lá e foi embora. Eu lembro que eu chorava e chorava e chorava e aí, uma outra menina sentou do meu lado e disse: “Mas se você não quer ficar, por que que você não vai pra casa?”, dai eu peguei e fui pra casa, eu não conhecia a cidade, mas eu consegui chegar. Fui pra casa, não queria ficar, porque eu não conhecia ninguém e assim, eu tive bastante dificuldade no primeiro ano, porque a maioria das crianças tinha feito pré, então eles já tinham uma noção de escrita e de leitura e eu não, mesmo assim, eu consegui fazer, não reprovei, mas assim, eu tive bastante dificuldade, principalmente nos primeiros meses. 

 

P/1 – Você falou um pouco desses primeiros dias, você lembra das primeiras atividades, como é que foi esse começo de escola, o quê que vocês faziam?

 

R – É, o mais difícil pra mim foi fazer amizade, assim, como eu fui sempre bastante introvertida, agora eu já mudei um pouco, mas quando eu era criança, adolescente, eu lembro que eu tinha dificuldade e um dos principais motivos era por eu ter sido introvertida, eu não tinha coragem de perguntar se eu tinha alguma dúvida, não tinha coragem de chegar no professor: “Olha, não entendi”, acho que essa foi a minha maior dificuldade no início, a vergonha de pedir, de dizer: “Olha, eu não entendi, pode explicar de novo?”

 

P/1 – E ai, como é que foi esse seu desenvolvimento desde pequenininha pro ensino fundamental, essa passagem para o estudo fundamental? 

 

R – Sim, depois foi bem tranquilo. A minha dificuldade foi no primeiro ano. Depois que eu aprendi a ler e a escrever, se eu tirasse alguma nota abaixo de seis, sete, eu chorava, chorava e chorava [risos]. Não, foi tranquilo, tranquilíssimo, até o ensino médio.

 

P/1 – E aí, como é que eram as aulas dos professores já mais velhos, você lembra como eles davam o conteúdo, que tipo de tecnologia eles usavam, como eles ensinavam em sala de aula?

 

R – Não tinha… eu acho que tinha um computador, uma das últimas escolas que eu estudei e… mas ele ficava na secretaria, né, porque eles usavam bastante mimeógrafo, era basicamente tudo rodado em mimeógrafo e os livros. Eu lembro que no ensino médio, a gente teve que adquirir os livros, que cada um teve que comprar os seus livros. Era baseado nisso, praticamente, não tinha… a gente não tinha acesso a computador, nem os professores, na verdade.

 

P/1 – E aí, teve algum professor que te marcou mais na escola? Alguém professor que você lembra?

 

R – Sim, de Língua Portuguesa, professora Hilda Vecker, eu lembro até hoje o nome dela, eu adorava ela. Do quinto ano até a oitava série, sempre foi ela a minha professora e eu sempre digo: “Se hoje… eu sou uma pessoa que… eu consigo me dar bem na língua portuguesa, eu consigo… nos concursos que eu já fiz, eu sempre consigo razoável, assim, uma média, acho que porque na época, ela cobrou bastante e eu gostava muito dela.” As aulas dela eram maravilhosas. E outra, foi uma professora que trabalhou comigo também numa pós que eu fiz, e ela foi minha tutora na pós. Ela trabalha até hoje na escola, onde eu atuo, ela é professora de Língua Portuguesa e Espanhol e muito do que eu consegui naquela pós, eu aprendi com ela, que é a professora Cleusa. Então, eu assim, na questão da Língua Portuguesa, ela foi excelente pra mim, assim!

 

P/1 – Bacana. E Adri, me conta um pouquinho mais desse período da sua adolescência, quando você se instalou em Concórdia, quando vocês vieram de vem aqui pra cidade?

 

R – Em Concórdia, na verdade, os meus pais ainda moram em Ipumirim, o meu irmão também mora lá. eu comecei… eu vim pra cá, na verdade, no ano que eu formei na faculdade, porque eu trabalhava lá e Ipumirim não tinha nada a ver com a área de informática e ai, eu comecei a procurar emprego aqui em Concórdia e vim pra cá. Aí, nos primeiros tempos, eu morei na casa de uma colega minha, depois eu fui pra uma república e… mas foi no último ano de faculdade, eu tinha 18, não, 22, 22! 

 

P/1 – Então, me conta um pouco sobre a faculdade, quando que você decidiu assim, a carreira, como que foi essa coisas assim, de decisão, do que fazer?

 

R – Eu sempre quis ser veterinária, meu sonho era fazer veterinária. Só que não… agora, que chegou aqui em Concórdia, né, uma faculdade de veterinária. Assim, na época, só tinha a UNC aqui e das opções de cursos que tinha, eu resolvi que eu não queria ficar em casa, que eu queria fazer alguma faculdade, né, então, das opções que tinha, a que mais me chamou a atenção foi Sistemas de Informação, por isso que eu escolhi essa. Mas assim, até hoje, se um dia eu conseguir fazer veterinária, meu sonho é esse.

 

P/1 – Legal, e o quê que te levou, eu sei que das opções…mas o quê que te mobilizou mais para escolher Sistemas da informação?

 

R – Porque assim, a maioria das faculdades que tinha, era sempre… eu considerava a mesma coisa e informática muda todo dia, de um dia pro outro, uma coisa que você aprendeu já muda totalmente, a questão de mudança, de inovação, você tem que estar sempre estudando, lendo, se informando, acho que foi mais essa…

 

P/1 – Legal. E você falou que antes, ainda durante o colegial, ainda não tinha tanto essa coisa de computadores, professores… quando você começou a conviver com computador, foi realmente na faculdade, foi um pouco antes? Quando foi?

 

R – Não, foi no meu primeiro emprego. Eu tinha curso básico, já de informática, e eu comecei a gostar, porque no meu emprego eu trabalhava como secretária e tinha computador e eu comecei a aprender sozinha várias coisas e também… esse foi também um dos motivos de eu ter escolhido, eu comecei a gostar, achei legal.

 

P/1 – Legal. Me conta um pouco do primeiro emprego, como é que foi o primeiro trabalho?

 

R – Como eu nunca tinha trabalhado, eu comecei com 15 anos a trabalhar. A menina que saiu, né, que eu entrei no lugar dela, ficou um dia comigo, foi num sindicato, o sindicato rural, como secretária, então ela me passou o básico, no início, eu fiquei bem nervosa, porque eu tinha que fazer atas, trabalhar com documentos, coisas que eu nunca tinha feito e eu era bem… era adolescente ainda, né, então, no início foi bem complicado, assim, mas ai, eu tive o auxílio da antiga secretaria, meu chefe também me ajudava bastante. Depois de uns três meses, comecei a pegar o jeito assim.

 

P/1 – Você lembra o que você fez com o seu primeiro salário?

 

R – O meu primeiro salário… eu acho que como eu já tava com intenção de ir fazer faculdade, eu queria guardar, guardar o que eu pudesse pra… porque eu sempre… eu não sabia o que eu queria fazer, mas eu sabia que eu queria fazer faculdade. Então, a minha intenção era sempre guardar o que eu conseguisse pra… porque não tinha muita universidade federal, agora que tem aqui. Assim, eu sabia que se eu fizesse, teria que pagar, né?

 

P/1 – E me conta um pouco do desenvolvimento da faculdade, né, como é que foi essa fase, você foi depois morar em república, ter que sair de casa, como é que foi essa fase?

 

R – Ah, no início foi bem difícil, principalmente, porque eu era acostumada com os meus pais em casa, a minha mãe me ajudava com tudo, então, você vai… chega num lugar diferente, com pessoas que você não conhece, eu sempre tive dificuldade em me adaptar assim, com pessoas estranhas. Então, pra mim, o início foi bem complicado, né? E também a questão da faculdade, os seis primeiros meses, que teve essa fase de programação, eu lembro que eu chorava bastante assim, eu cheguei a pensar em desistir, mas eu pensava: “Mas se eu desistir, agora eu já tô aqui, o quê que eu vou fazer? Não tem nada que me agrade aqui”, não tinha outras opções, na verdade, de cursos que me chamassem a atenção. Assim, eu fui, fui insistindo, insistindo, consegui, depois de quatro anos, consegui me formar.

 

P/1 – Bacana. E a sua primeira experiência dentro da área de trabalho, quando é que foi depois de formada?

 

R – Foi quando eu assumi na prefeitura mesmo, há cinco anos. Porque logo que eu me formei, eu trabalhei num laboratório de análises clínicas, não era na parte de análises, era com um computador, mas ele não era na área específica, a gente trabalhava o básico. O básico, qualquer pessoa com ensino médio conseguia fazer. Mas aí, com informática mesmo, foi quando eu fiz o concurso, porque eu sabia que iria que trabalhar com crianças na escola e tal, foi ao que eu trabalhei mesmo, na minha área mesmo.

 

P/1 – E me conta como é que você ficou sabendo desse concurso, como é que foi essa chegada?

 

R – Na verdade, sempre que tem um concurso, aqui, eles divulgam em jornais, no próprio site da prefeitura, como é uma cidade pequena, então, quando vai ter um concurso, meses antes, já é comentado: “Olha, vai abrir o concurso da prefeitura”, alguma coisa assim. Ai, eu fiquei sabendo que ia ter e me inscrevi só que… me inscrevi, mas nem… geralmente tem bastante pessoas inscritas, né, eu fiquei em quinta, quinta colocada e tinham duas vagas na época. Mas aí, colocaram duas vagas, mas foram colocando mais e mais e depois de três meses de ter feito o concurso, eu já fui chamada.

 

P/1 – E o concurso especificamente era pra quê?

 

R – Era pra Orientador à informática. A nossa função seria mais orientar os professores e os alunos, porque todas as escolas iam ter laboratório. Seria mais tirar dúvidas dos alunos e orientar, auxiliar os professores. Mas, a gente faz também a parte de manutenção básica dos computadores, a parte de instruir professores, de auxiliar, de indicar alguns sites ou ideias mesmo de como que eles possam trabalhar, né, com os alunos.

 

P/1 – E como é que foi depois de ingressar já a primeira experiência numa escola assim?

 

R – O primeiro dia, eu fiquei apavorada, porque eu não tinha noção assim, de como é que era trabalhar com alunos. Eu lembro que… porque quando eu cheguei na escola, o ano letivo tinha iniciado em fevereiro e o laboratório ficou fechado até março do mesmo ano, que foi quando eu fui chamada no concurso e fui para a escola, a diretora não deixou ninguém utilizar antes de eu chegar, né? Então no dia que eu cheguei, os alunos, quando eles me viram abrindo a porta, não interessava para eles se eles me conheciam ou não, eles queriam ver o laboratório, era novidade há cinco anos atrás, poucos tinham em casa. Aí, todo mundo foi entrando, entrando, entrando, quando eu vi, tinham 15 máquinas e tinham 40 alunos dentro da sala e aí, eu não tinha aquela coragem, né, de… não sabia lidar com eles. Por isso, alguns professores tiveram que me auxiliar nos primeiros dias e dizendo: “Ah, tem que ser com hora marcada, não pode entrar quando vocês querem”, e assim, demorou pra eu conseguir… hoje, eu não tenho muito problema com eles, pra eu aprender a lidar com eles demorou quase um ano, porque eu não tinha noção nenhuma.

 

P/1 – E nesse começo, teve algum aluno que marcou, alguma situação mais cômica, algum caso? 

 

R – Na verdade, teve uma oitava série, no primeiro ano que eu comecei a trabalhar lá, que me chamou bastante a atenção foi uma oitava série no geral, assim. Os alunos interessados, eles não eram mal educados, eles chegavam, conversavam, como se fosse um adulto, eles conversavam coisas assim, de pessoas adultas mesmo, sabe, comigo. E os trabalhos também deles foram trabalhos que chamaram a atenção, até a gente divulgou em jornais naquela época, em sites, que eles fizeram história em quadrinhos, fizeram fotonovelas, com as imagens deles, montagens. Acho que foi a turma no geral, na oitava série que me chamou.

 

P/1 – E fala um pouco, você já falou um pouco em relação aos alunos, mas fala um pouco da recepção, tanto a alunos, quanto a professores de tecnologia na escola, com a chegada dos laboratórios, como que foi a dinâmica inicial?

 

R – Tanto dos professores principalmente, não importava no início, o quê que eles iriam fazer, eles queriam usar. Eles queriam usar o laboratório, então no começo, foram mais pesquisas mesmo e aí, depois que eles descobriram o Power Point, era Power Point [risos], bastante Power Point. Depois, pra mudar um pouco, foi Movie Maker, porque eram fases assim, mas até hoje o que é mais utilizado é pra pesquisa, Power Point, Movie Maker. E agora que nós recebemos, no ano passado, os computadores Linux, como não tem Movie Maker, tem outros programas que substituem, né, mas assim, desde o início até agora, foi mais utilizado para pesquisa, eles direcionam as pesquisas, os alunos.

 

P/1 – E aí, no começo, como é que era a tua atuação, era uma atuação mais passiva, você dava sugestões, como é que você atuava?

 

R – No começo, não passava muitas sugestões, até porque eu tava aprendendo também. Então assim, no início, eu tinha… como a nossa formação não tinha nada de pedagógica, eu tive que aprender a lidar com os alunos, para depois, entender como é que os professores trabalhavam, pra dai, agora, faz uns dois, três anos que eu comecei a sugerir sites, que eu comecei a passar ideias de como é que eles podem… eles vêm perguntar: “Como é que eu poderia trabalhar isso?”. Agora, veio uma professora de ensino religioso, por exemplo, que ela tem umas cartilhas sobre o bom uso da internet. Então, ela veio e me perguntou: “Como é que a gente poderia trabalhar isso, de uma forma que chamasse atenção, não apenas resumir aquela cartilha”, Por isso, eu sugeri pra ela o Story Jumper, que é um site que a gente trabalhou na semana passada, até, no Professores em Rede, e que os alunos poderiam em grupinhos, montar talvez livros, montar uma cartilha, poderia ser impressa, poderia ser divulgada no blog da escola. Agora que eu me sinto mais segura, mais apta mesmo pra sugerir para os professores alguma coisa.

 

P/1 – Legal. Você falou do Professores em Rede, Adri, quando começa o seu envolvimento no Professores em Rede?

 

R – Foi no ano retrasado, metade do ano… que eu comecei a trabalhar com o Professores em Rede. No primeiro ano que o pessoal veio pra cá, o curso foi, acho, que em 2008 ou 2009, a primeira turma, que foi a Elvira mesmo que veio passar a formação e o Danilo e aí, era pra professores de Língua Portuguesa, só que como não fecharam as turmas… era uma turma, eu acho, aí, a diretora da minha escola perguntou: “Ah, é um curso que tem a ver com informática, Adri, não queres talvez fazer?”. Aí eu fui e fiz, né, isso foi em 2008 e ai, teve mais uma turma que foi quando a Neidi também se formou e  teve a terceira turma que já iniciou com a Neidi, a Flávia e eu, como tutoras, foi ano retrasado, foi metade do ano retrasado, que a gente teve uma formação em São Paulo, com a Elvira e que aí, a gente começou a formar uma turma.

 

P/1 – Legal.

 

R – Foi a primeira turma também, começo do ano passado, que eles se formaram, daí.

 

P/1 – Então, me conta um pouco como é que foi essa formação com o Instituto Jaborandi, assim?

 

R – A Elvira trabalhou toda a plataforma, né, todo o site, sugerindo o quê que a gente poderia trabalhar, porque os sites têm textos, tem chatas, tem fóruns, sugerindo como que a gente poderia trabalhar os textos, sugestões de ferramentas, mas basicamente, foi explorando a plataforma mesmo. Sugestões de como trabalhar na plataforma, esses textos da plataforma, como ela é jornalista, então, ela gosta dessa parte de leitura, né?

 

P/1 – E qual que você avalia que é a contribuição do Instituto Jaborandi para o projeto?

 

R – O Instituto Jaborandi, principalmente, eu acho a questão da Elvira, né, que representa o instituto. Eu acho que ela, nessa parte de sugestões… a maior contribuição na minha opinião é ela, né, como jornalista, ela sugeriu muitas coisas, ela auxiliou nos trabalhos no final do ano passado: “Ah, eu gostei disso”, “Ah, você podia melhorar nisso”, ela veio aqui pra Concórdia, numa visita que o pessoal fez a BRF. Eu acho que a maior contribuição foi ela [risos]. 

 

P/1 – Legal. Adri, você falou que você começa então em 2008, 2009, na Língua Digital, ainda?

 

R – É, eu trabalhei no Língua Digital também.

 

P/1 – Então, explica primeiro como é que foi o Língua Digital, o quê que foi o Língua Digital?

 

R – O Língua Digital foi um projeto parecido com o Professores em Rede, que é um site também, só que ao invés de trabalhar com professores, a gente trabalhava com alunos de sétimas e oitavas séries. No início, foram escolhidas duas escolas e como o projeto deu certo, no ano seguinte, foram escolhidas mais três escolas do município, nas quais a Neidi e uma outra professora de Língua Portuguesa trabalhavam, acho que era a professora Jane.  A Neidi e a Profª Jane trabalhavam em duas escolas diferentes em período extraclasse, por exemplo, os alunos que estudavam de manhã, que tinham interesse de fazer o projeto, iam à tarde pra escola no laboratório de informática. E foi aí que eu conheci a Neidi, que a gente trabalhou junto na Escola Nações, primeiro com o projeto Língua Digital e aí, depois, ela começou também a trabalhar como professora de Língua Portuguesa no outro período, né?

 

P/1 – Legal! E aí, Professores em Rede, qual a diferença, o quê que é Professores em Rede?

 

R – Professores em Rede é uma plataforma para trabalhar com professores. É um site pra tentar dinamizar o trabalho dos professores, tem textos, tem fóruns pra debater assuntos relacionados… tanto assuntos pedagógicos, como assuntos de tecnologia. Na verdade, Professores em Rede é tentar juntar um pouquinho a sala… o lado pedagógico com a informática, com as TICs, na verdade, não só a informática, mas a todas as TICs. 

 

P/1 – Legal. Pra quem não sabe, o quê que é TIC?

 

R – Tecnologia de Informação e Comunicação.

 

P/1 – Legal. E deixa eu te pedir uma coisa, como é que foi pra você, assumir essa função de tutora assim, né, você que trabalhava como orientadora, trabalhava como… como é que foi essa mudança de papel na sua atuação?

 

R – No inicio foi até a Flávia que convidou a Neidi e eu. Eu fiquei em dúvida, fiquei… eu pedi pra ela pra eu pensar de um dia pro outro, porque a gente ia ter que viajar para São Paulo, fazer formação e é uma responsabilidade maior, muito maior do que você simplesmente ficar num laboratório, atender os alunos. Mas aí, também eu comecei a pensar e pensei: “Se eu não aceitar agora, talvez seja a minha chance”’, porque também não ficar sempre fazendo a mesma coisa, né, porque no laboratório, por mais que sejam pesquisas variadas, que sejam alunos diferentes todos os anos, você trabalha sempre com a mesma coisa, né? E aqui com as formações, ficou diferente.

 

P/1 – Legal. E aí, qual é o papel do tutor dentro do programa?

 

R – O tutor… é auxiliar o professor. Nos nossos cursos, agora, a gente… principalmente é auxiliar o professor no uso das tecnologias.

 

P/1 – Legal e explica um pouco como é que são os cursos, a formação que vocês dão para o professor, qual o conteúdo? Como é que são as aulas?

 

R – O Professores em Rede, que é uma das formações, que tem a lousa também, o Professores em Rede, basicamente se resume a textos pedagógicos, que a gente já tem dentro desse site, dessa plataforma e a gente tem debates em fóruns, e, geralmente, todas as aulas têm algum tema pedagógico que tem a ver com a tecnologia e a gente passa alguma ferramenta para os professores, ferramenta que eu digo, algum site que eles possam trabalhar com os alunos no laboratório, ou algum programa que eles possam trabalhar, tanto com os alunos ou como pra eles trabalharem sozinhos, isolados para fazer alguma montagem pros alunos. A gente sempre tenta trabalhar alguma coisa pedagógica e alguma ferramenta. Todas as aulas e a formação da lousa. Esse ano… na verdade, a gente tá terminando a primeira turma agora, como todas as escolas receberam lousas aqui na cidade, as escolas do município, e a gente começou a perceber que poucas pessoas utilizavam, porque os professores ainda têm aquela imagem de que é uma coisa de outro mundo assim” “Ah, se eu chegar perto, vai estragar”. Então como a gente notou, percebeu que poucas pessoas estavam utilizando, a gente resolveu abrir essa brecha que, como o núcleo tinha… tem agora essa sala disponível pra isso, que até o ano passado não tinha, a gente resolveu oferecer e a procura foi grande, já tem lista de espera. Esse primeiro curso são quatro encontros, por que só quatro? Poderiam ser mais encontros numa vez só, só que não adianta a gente ficar trabalhando dez aulas seguidas, se eles não têm tempo para praticar, porque o que vai fazer com que eles aprendam é a prática, nós é que estamos passando uma noção básica, né, e agora, eles têm que praticar. Para daqui a um tempo, eles fazerem uma segunda formação com ferramentas mais avançadas. 

 

P/1 – Legal. E Adri, qual é a diferença, que… por exemplo, os computadores já tinham os computadores, qual é a diferença dos professores que participam do Professores em Rede dos professores que só usam o computador? O quê que Professores em Rede oferece de diferença?

 

R – Eu acho que o que mais mudou, que fez Professores em Rede foi a confiança. Ele aprendeu a não depender sempre dos outros para fazer as coisas. Até uma coisa que, para alguns, pode parecer ser muito simples, como salvar um documento, tem pessoas que não sabem fazer, professores que não sabiam fazer. Então, a gente… esses que têm mais dificuldades, a gente ensina do básico até… mas o que mais a gente nota é a questão de segurança, a pessoa sai daqui muito mais seguro, aprendendo a se virar sozinha, ou o que a gente sempre diz: “Utiliza a internet”, você tem uma dúvida, a internet vai ser o teu melhor amigo, pesquisa que você consegue descobrir.

 

P/1 – Você falou dessa coisa do medo, né, como é que é a primeira recepção dos professores quando a gente fala em TICs, em novas tecnologias, né?

 

R – É, alguns têm essa questão do medo e outros, a resistência de aprender: “Ah, eu acho muito difícil”, uma coisa que a gente tá vendo muita resistência é o Linux agora, a gente nas escolas… a maioria das escolas tem Linux educacional, nós recebemos do governo e assim, quando utiliza a palavra Linux, alguns não querem nem ouvir. Então, até no laboratório tem uma bancada que é Windows, que a gente já tinha nas escolas e outra que é Linux. Até dos alunos mais velhos, assim, sexta, sétima, oitava série, a gente já percebe que eles já vão no Windows que eles conhecem, coisa que não acontece com os pequenos, pré, primeiro, segundo ano. Eles já escolhem os computadores mais bonitos, que são os novos, que são os Linux. E os professores, a gente nota que é parecido: se eles vão para o laboratório, por exemplo, num horário livre deles pra fazer um planejamento, eles já chegam perguntando: “Qual é o computador que tem Windows?”, porque eles se sentem mais seguros. É o que eles têm em casa, né?

 

P/1 – Falando um pouco mais da formação, eu queria que você me desse exemplos de quais são as ferramentas, você falou de Story Jumper, fala um pouco dessas ferramentas que vocês ensinam.

 

R – Sim, a Story Jumper, máquina de quadrinhos, que é um site também pra criança, de história em quadrinhos, que é da Turma da Mônica, o Movie Maker, esse ano, a gente vai ter formação, no Professores em Rede, a gente vai passar o básico da lousa também. A gente ensina também a baixar vídeos, porque no YouTube tem muitos vídeos que eles podem utilizar em salas de aula e como nem sempre eles têm acesso à internet na sala de aula e todos têm DVD, então a gente sempre ensina usando Freemake, que foi o mais fácil que a gente conseguiu, Freemake pra baixar esses vídeos, para poder utilizar em salas de aula, fóruns. A gente ensina montar um blog e também a gente faz um blog da turma, todos os anos é feito o blog da turma.

 

P/1 – E Adri, me conta um pouco, uma parte do curso é sempre presencial, né?

 

R – Sim

 

P/1 – E é à distância. Como é que funciona essa coisa da educação à distância?

 

R – À distância nos dias… como o curso é quinzenal, a gente sempre faz, não necessariamente no dia que eles deveriam estar aqui, mas… ou à noite, a gente combina um horário e a gente faz… escolhe algum assunto pra debater por chat, ou eles têm aqueles textos que eu comentei antes, que já tem na plataforma, textos pedagógicos ou que tem a ver com tecnologia, e eles têm que fazer algum trabalho relacionado com esse texto e postar no diário pessoal, que já fica dentro da plataforma também, que… é… funciona como um e-mail este diário pessoal.

 

P/1 – E como que você avalia o uso da educação à distância, você acha que dá certo, que eles acompanham, qual é o resultado?

 

R – Eu acho que dá certo sim, nem todos levam à sério como deveria, a gente sempre tenta chamar a atenção, por exemplo, nos chats, a gente direciona para determinado assunto e, às vezes, alguém acaba puxando para uma coisa que não tem nada a ver, então, a gente, de vez em quando, tem que retomar, dizendo: “Vamos falar sobre o assunto que a gente pediu”, mas eu acho que funciona sim, é levado à sério.

 

P/1 – E ai, Adri, qual que você acha que é a contribuição das tecnologias, das novas tecnologias para educação?

 

R – Ah, eu acho assim, as tecnologias estão para serem usadas aqui em Concórdia, todas as escolas têm acesso, eu acho só que faltam poucas vezes de… entendo de… talvez, os professores pararem de desistir, tirarem esse medo que eles têm. Eu acho que tá aí: se os professores não se aperfeiçoarem, os alunos vão passar eles a diante. Então… eu acho que não tem… hoje em dia, não tem mais como conviver sem as tecnologias.

 

P/1 – Bacana.  E quais foram os aprendizados que você tomou ao longo do curso, que você tem como projeto? O quê que você aprendeu, Adri? O quê que ficou pra você?

 

R –  Principalmente a segurança, se, como eu comentei antes, há um tempo atrás, alguém viesse me pedir uma sugestão: ‘O que eu posso fazer nessa aula? O que eu posso trabalhar?”, eu não teria o que… assim, agora, o que mudou pra mim foi a questão de segurança.

 

P/1 – Legal. E qual você acha que é importância dos Professores em Rede?

 

R – Eu acho que é um programa, que como já diz, é pra tentar divulgar, dinamizar o uso das tecnologias e é isso que ele tá fazendo. 

 

P/1 – Legal. E falando das coisas… você já percebe mudanças nas escolas a partir…

 

R – Percebo.

 

P/1 – Quais são essas mudanças?

 

R – Porque muitos professores que trabalham comigo, já fizeram e estão fazendo agora. A questão de segurança, a questão de uma vez, eles me chamavam pra qualquer detalhe, assim, agora eles já tentam fazer sozinhos várias vezes, antes de chamar, antes de pedir auxílio, você percebe na questão do relacionamento com os alunos, às vezes, eles não… eles levavam os alunos pro laboratório, mas não sabiam, por exemplo, usar um Power Point. Hoje em dia, eles dizem: “Não, é ali, é isso que você tem que fazer”, “É no Power Point que eu quero”, eu acho que transmite uma segurança bastante grande.

 

P/1 – Legal. E quais os desafios para continuação agora do projeto?

 

R – O desafio principal é que a gente recebeu a plataforma e agora, a gente vai ter que mexer nela e é programação, né, que eu também vou ter que estudar muito pra conseguir fazer, porque eu não mexo com programação desde a época que eu me formei. Então, a principal, pra mim, vai ser essa. E também, que a gente vai tentar montar a nossa própria plataforma, porque essa que tem agora, dos Professores em Rede é para professores, e a gente tá pensando em montar uma plataforma para trabalhar com alunos.

 

P/1 – Me conta um pouco mais dessa pretensão de vocês de criar uma plataforma

 

R – É algo… a gente gostaria de talvez, não sei se como o Língua Digital, porque o Língua Digital é mais pra sétima e oitava série, nós ainda estamos decidindo se vai ser para primário, porque nunca foi trabalhado com primário. Já foi feito nas escolas, na época do Língua Digital com adolescentes, né? Assim, a gente tá ainda estudando se vai ser voltado pra alunos menores ou se a gente vai tentar no início que vai ser mais fácil montar para adolescentes. A gente pensou em fazer um site que trabalhasse temas relacionados à adolescência e ao uso das tecnologias, que juntasse as duas coisas, que também tivesse fóruns, que tivesse bate-papo, que tivessem textos, trabalhar ferramentas também, até o uso do Facebook, do Orkut, que eles não usam, eles usam de uma maneira que os pais, se souberem que eles fazem, ficam apavorados. É isso que a gente tá pensando.

 

P/1 – Legal. E Adri, você falou da coisa de incorporar a plataforma agora. Como é que tá sendo essa passagem do município receber agora a plataforma, o projeto de uma plataforma, né?

 

R – É, nós ainda não conseguimos colocar ela no ar, a gente já tá providenciando o domínio que provavelmente vai ser professoresemrede.concordia.gov.br, se tudo der certo, a semana que vem vai ficar no ar já, antes de utilizar ainda, a gente vai precisar alterar fotos, alterar logos, porque ainda tem uma logomarca da Sadia, que hoje, nem é mais Sadia, é BRF. Então, vai ser mais essa parte de alterações mesmo, de planejamento, do quê que a gente vai modificar.

 

P/1 – E você falou agora da BRF, você consegue avaliar qual que foi a participação, a contribuição da BRF pros Professores em Rede, pro projeto, de maneira geral?

 

R – Na verdade assim, eles contribuíram, a gente fez visitas, visitas na própria empresa BRF, sempre que a gente precisou de auxílio, ou alguma coisa, sempre foi a Marlei, que a gente conversou com ela, sempre ficou bem pronta pra atender a gente, é…

 

P/1 – Mais ou menos um pouco isso…

 

R – É.

 

P/1 – Tá certo. E Adri, voltando um pouco pra sua vida pessoal, eu queria perguntar quais as coisas mais importantes pra você, hoje?

 

R – Na minha vida pessoal…

 

P/1 – Tanto na sua vida pessoal, quanto na profissional, agora já saindo um pouco…

 

R – Na minha vida pessoal, é o meu filho, com certeza, meu filho, que já tava nos meus planos há anos, né, que… e na vida profissional, agora é que dê certo essa passagem, dê certo a plataforma, que a gente consiga fazer a nossa própria plataforma. Essa que é… acho que o nosso maior objetivo, tanto meu, quanto da minha equipe, fazer a nossa própria, até o final do ano, se tudo der certo.

 

P/1 – Você falou da coisa do filho, como é que é ser mãe?

 

R – Ah, é maravilhoso [risos]! Eu fiquei planejando bastante tempo, antes de engravidar e tal e tá sendo ótimo! Eu já tinha todo… na verdade, eu esperei, como eu já tinha todo o conhecimento que eu já tinha trabalhado em escola com as crianças, então foi muito mais fácil do que eu imaginei que fosse, assim, foi bem fácil.

 

P/1 – Bacana. E quais seus sonhos hoje, Adri?

 

R – Meus sonhos? Profissional, é que dê certo esses projetos e que a gente consiga, talvez, implementar em todas as escolas essa plataforma. E um outro sonho também é que eu ainda quero um dia, é fazer a minha faculdade de veterinária.

 

P/1 – Bacana, legal. E aí, pra fechar, queria te perguntar um pouco como é que foi contar um pouquinho dessa história, contar a trajetória do projeto?

 

R – Achei muito legal, bem… achei interessante, aí, bem… foi divertido, achei bem legal mesmo!

 

P/1 – Bacana, tá bem então. Obrigado Adri. Então é isso.

 

R – Obrigada.

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