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História

Professor dedicado

História de: José de Almeida Amaral Junior
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/10/2013

Sinopse

A entrevista de José de Almeida Amaral Junior foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 29 de agosto de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa, e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". José de Almeida Amaral Junior conta sobre a imigração dos seus pais para o Brasil na tentativa de trabalho e melhor condições de vida. Chegando no Brasil, seu pai foi trabalhar como administrador de empresas e sua mãe foi dona de casa. José conta sua interesse pela leitura desde cedo e a influência disso em sua escolha de estudo universitário. Trabalhou muito tempo na prefeitura e migrou para o ensino, principalmente universitário, onde ainda atua até hoje.

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História completa

O meu pai começou a trabalhar, me parece, com 15, 16 anos na cidade do Porto. Ele saiu da aldeia dele e foi pra cidade do Porto e de lá ele veio com a mãe para o Brasil. Tinha arriscado a vida lá no Porto, quando ele saiu, deixou a aldeia dele foi pra lá. E me parece que ele foi trabalhar na administração de alguma empresa. E aí eles vieram pra cá nesse grupo de pessoas da região, especialmente esses irmãos todos. Passou a trabalhar na administração de Fábrica de Etiquetas Helvétia, que foi a mais antiga fábrica de etiquetas aqui do Pari, ela existe até hoje, mas não está mais no Pari. A fábrica saiu de São Paulo e foi pra Grande São Paulo. Minha mãe é dona de casa. Meu pai queria morar numa casa que tivesse uma condição então comprou uma casa na Joaquina Ramalho na Vila Guilherme, então tive o privilégio de ser filho de dono de uma casa. Eu tenho consciência disso porque eu tenho muitos alunos, hoje ainda, eu vejo que muitos não são donos de casa, pagam aluguel e tal, com todo sistema de crédito existente hoje. Naquela época meu pai conseguiu ser dono da casa dele. Quando eu comecei a fazer o ginásio, comecei a intensificar a leitura, comecei a conhecer mais gente, você vai ficando mais velho, vai fazendo mais contatos, começa a ter mais liberdade pra ir daqui pra lá, tal. E eu comecei a me interessar muito por livros. Eu ganhei um livro do Monteiro Lobato quando era pequeno, eu devia ter uns 11, 12 anos, que foi muito importante pra mim, é o História do Mundo para as Crianças. Eu lia aquele livro assim, eu gostava muito de história. E desde pequeno eu comecei a pensar que eu poderia estudar História. Aí, na hora de fazer uma decisão mais adiante eu pensei na questão do Jornalismo e acabei estudando Economia. Por quê? Porque depois conversando com algumas pessoas, eu tentei juntar a fome com a vontade de comer porque o curso de Economia é um curso na área de Ciências Sociais, na verdade. As pessoas pensam que Economia é um curso da área de Ciências Exatas, ledo engano, o curso de Economia é um curso na área de Ciências Sociais e eu acabei tendo a sorte de estudar na PUC. Porque o curso de Economia é um curso que tem muita coisa na área de História, de Sociologia, Filosofia, além dos cálculos e tudo o mais, e me possibilitaria arrumar emprego. Prestei concurso e fui trabalhar na Prefeitura. Fui para o serviço público. E aí foi muito bom porque eu ficava longe do meu pai pegando no meu pé, eu ganhava minha grana, ajudava a pagar a faculdade. Meu pai falou pra mim que queria pagar a faculdade. Ótimo! Muito bom! Não fiz nada na minha adolescência em relação ao que muita gente faz, de ter que trabalhar jovem e sacrificar o estudo tal, eu não, eu tive essa coisa. O meu pai bancou a faculdade, ele falou: “Eu vou fazer isso”. É aquele negócio, eu também guardava a grana, eu estudava e trabalhava, então não ficava viajando, fazendo um monte de coisa, eu acabava guardando dinheiro, então de uma forma ou de outra uma mão lava a outra. E eu fui trabalhar na prefeitura, na Secretaria da Família e do Bem-estar Social. Mais tarde fui coordenar uma creche da favela. Eu fiquei um ano e meio na direção dessa creche e foi um trabalho muito legal, muito legal, do ponto de vista de lidar com essa população. Chegar dentro de uma favela, tem uma curiosidade. Conheci a Tânia, a minha mulher, ali. A minha carreira acadêmica é uma coisa muito importante na minha vida porque eu estou nela até hoje. Eu trabalhava na Prefeitura do Município de São Paulo até 86 quando aconteceu uma grande greve, eu participei da greve e fui demitido. E a Tania, que na época era minha namorada, eu já tinha começado a namorar com ela, naquela época ela conseguiu dar um jeito de pedir ajuda pro pai dela que trabalhava na prefeitura, estava lá dentro e tal e ela conseguiu. Eles estavam precisando de gente pra trabalhar na Prodam e eu fui trabalhar na Prodam. Trabalhando na Prodam, eu fiquei lá durante um tempo, mas era essa coisa de serviço burocrático e eu sempre gostei muito de ler e tal. Eu fiz uma pós-graduação na virada dos anos 80 pros anos 90, me formei em Economia da PUC que foi uma coisa importantíssima, eu já falei. Daí eu estudei na Escola de Sociologia e Política. E da Escola de Sociologia e Política, onde eu fiz a pós-graduação, eu tentei ir pra PUC e começar a fazer mestrado lá na área de sociais. Aí ficou uma situação meio complicada porque eu precisava de bolsa porque pra pagar a pós ali era caro. Quer dizer, eu sempre achei que eu pudesse ter espaço no mundo acadêmico porque, como eu disse, eu gosto muito de estudar, sempre gostei muito de estudar, fui incentivado pelos meus pais a ler, a estudar. Apesar deles não terem aprofundado o ensino, eles sempre tiveram isso como uma coisa muito importante. Aí, eu fui trabalhar nesse período, acabei trabalhando como Professor de Educação de Adultos, com a Tania. Fiz uma carreira então que me levou até a Uninove. Chegou uma hora que não estava mais dando pra ficar com a prefeitura, então eu fiquei com a Uninove, fiquei fazendo os estudos de mestrado e, cada vez mais, acumulando aulas. E desde então eu mantive a carreira acadêmica, quer dizer, eu continuo sendo professor universitário. Mas aí aconteceram algumas coisas interessantes. Quando eu cheguei na Uninove, a Uninove ainda era uma escola relativamente pequena e ela estava bastante vinculada ao bairro da Vila Maria. E exatamente no momento que eu cheguei foi quando aconteceu o boom das universidades, e exatamente a Uninove foi uma protagonista nessa história toda, esse fenômeno de faculdades que proliferaram. Então, a Uninove passou a ter campus em vários locais na cidade, o número de alunos aumentou que foi uma coisa brutal, e as exigências pra se trabalhar dentro da Uninove aumentaram também. Eu acabei dando aula nas várias administrações porque eu peguei aulas de Economia e de Sociologia, são duas matérias que são muito utilizadas pra diversas faculdades. Então acabei dando aula na Admistração de Empresa, Comércio Exterior, Contabilidade. Dei aula pra Nutrição, também na aula de Sociologia. Dei aula pra Informática no curso de Ciência da Computação porque eles também tinham Sociologia e Economia. Dei aula no Direito um bom tempo, dei aula no Serviço Social. E o curso que eu mais fiquei, estou até hoje, é o curso de Jornalismo. E o curso de Jornalismo pra mim foi especialmente importante. Por quê? Jornal pra mim é uma coisa que desde pequenininho está muito presente na minha vida. E dando aula no curso de Jornalismo, é inevitável, os professores, vários são jornalistas mesmo e os alunos, muitos deles, já militam na área, no rádio, alguns na televisão e nos impressos. E aí, papo vai, papo vem, eu acabei recebendo convites pra escrever em jornais. Eu escrevo até hoje pra eles. Agora particularmente, eu quero assim, quero ter oportunidade de fazer mais trabalhos nessa linha de memórias e de cultura, trabalhar um pouco mais na área de cultura porque Economia e Política eu estou um pouco cansado de fazer isso. Eu gostaria de trabalhar mais na área de música, de artes, colaborar mais nesse sentido.

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