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História

"Processos bastante atualizados"

História de: Ademar Marra
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/04/2020

Sinopse

Atividade dos pais. Infância em Marília (SP). Mudança para São Paulo. Trabalho na Votorantim. Áreas do Grupo em que se envolveu. Momentos marcantes da carreira. Inovação tecnológica. Parte social da empresa. Atualização e avanço. Família Ermírio de Moraes. 

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História completa

P/1 - Charles Silva

P/2 - Elizabeth Quintino

R - Ademar Marra

 

P/1 – Qual o nome completo do senhor, a data de nascimento e o local?

R – Meu nome é Ademar Marra, nasci no dia 16 de abril de 1944, na cidade de Vera Cruz. E com alguns meses de nascimento minha família transferiu-se para Marília, onde eu fui criado até vir a São Paulo em 1965.

P/1 – Qual é o nome dos pais do senhor?

R – Meu pai é José Marra e minha mãe, Amélia Queramont Marra.

P/1 – Qual a atividade que eles exerciam?

R – Meu pai foi sapateiro e minha mãe do lar.

P/1 – E onde o senhor morava em Marília?

R – Na Avenida Pedro de Toledo, no número 1938. É um bairro, Vila Palmital.

P/1 – Senhor Ademar, qual era o cotidiano da sua casa?

R – Bem, meu pai era descendente de pai sapateiro. Logicamente, ele não tinha muitos recursos, no entanto, eles procuraram dar aos filhos, primordialmente, a educação, dentro da possibilidade. E fomos criados então naquela vida interiorana, com muita tranquilidade. Uma vida boa como crianças, brincando na rua, jogando futebol até, realmente, ter início a fase de trabalho. Porque eu comecei a trabalhar aos 14 anos, iniciei trabalhando meio expediente só porque conciliava com estudo. E trabalhei como balconista vendendo calçados.

P/1 – O senhor se lembra do local em que o senhor trabalhava ou não?

R – Lembro-me. Era uma casa comercial de nome Casa Flórida. Situava-se na Rua São Luis, no Centro da cidade. 

P/1 – E quais as lembranças mais marcantes que o senhor tem da infância?

R – Ah, são muitas boas lembranças, né? Porque a gente vivia livre de preocupações. E a vida, por mais difícil que pudesse representar para os pais, correto, para a criança sempre era uma boa. Quer dizer, a gente brincava, tinha boas amizades, tinha um time de futebol local que a gente participava. Então foram, realmente, momentos muito bons. E a gente não conhecia maldade. Hoje tem essa grande insegurança com que a gente convive de uma forma muito aberta através da própria televisão [e], naquela época, não tinha televisão, então a gente ficava um pouco abstraído, pelo menos, desse mal. A gente vivia assim de uma forma muito tranquila, não conhecia esses grandes problemas que hoje pululam de uma forma permanente no cotidiano de cada um.

P/1 – E como é que foi a fase da escola do senhor? Como que surge essa memória?

R – Pela minha época, né, ainda era época do primário, da época do ginásio. Então, a gente passou por essas fases todas, e estudei até um certo período em cursos matutinos. Depois, eu já passei a estudar à noite para poder trabalhar durante o dia para ajudar meus pais. 

P/1 – E como foi essa mudança do senhor de Marília para São Paulo?

R – Eu era jovem nessa época. Tinha o amor da família, a compreensão dos próprios irmãos. Vivia bem na cidade assim como um todo, amizades - natural do interior, que é bastante familiar, né, é mais ou menos uma grande família. Mas, logicamente, eu senti a necessidade de partir para voos mais altos. E impus-me, então, o desafio de deixar a cidade, de deixar o conforto de casa, o amparo dos pais, e partir para a mudança. E optei por São Paulo.

P/1 – Como é que foi esse primeiro momento aqui na cidade de São Paulo?

R – Eu fui muito felizardo, né? Eu cheguei em uma segunda-feira cedo. No período da tarde, folheando o jornal, eu vi que a Votorantim, no caso, propriamente, a CBA, estava com vagas para auxiliar de contabilidade. Dirigi-me naquela oportunidade ao escritório, que era ainda na Rua Riscalla Jorge. Eu fiz o teste e pediram para que eu aguardasse. E na mesma oportunidade, eu fui procurado lá pelo contador, e aprovando o meu resultado, pediram para que eu começasse no dia seguinte. Então eu, felizmente, cheguei em um dia e no dia seguinte já estava iniciando o trabalho na Companhia de Alumínio.

P/1 – E como é que foi o primeiro dia de trabalho na Votorantim? O senhor se lembra ou não?

R – Lembro, me lembro sim. Aquele impacto, né? Você recém chegado do interior em uma cidade grande, totalmente desconhecida, sem amigos, e ter que enfrentar todas as adversidades que são naturais nesse momento. Mas, felizmente, fui muito bem aceito. O pessoal, de uma forma geral, colaborou bastante. E a gente foi suplantando os problemas da saudade da família, dos amigos que deixamos. E acabamos nos enraizando e continuamos até hoje.

P/1 – Como é que foi esse desenvolvimento da trajetória profissional do senhor dentro da Votorantim?

R – Olha, felizmente, foi para mim muito prodigiosa. Eu encontrei, assim, um terreno muito fértil, muito propício e comecei nos primórdios de 1965 como auxiliar de contabilidade. Já em 1967, eu era subcontador, e então tive realmente uma ascensão bastante rápida, correto? E um campo bastante salutar para trabalhar. 

P/2 - O senhor já conhecia a Votorantim antes? O senhor já tinha ouvido falar?

R – Não, não conhecia. Quando morava em Marília, eu realmente não conhecia. Eu a conheci a partir do momento em que comecei a trabalhar na Votorantim. 

P/2 - E quando o senhor começou a trabalhar na Votorantim, em paralelo ao trabalho, o senhor começou a estudar, a fazer algum curso?

R – Não no primeiro ano. A partir do segundo ano, sim. Aí começamos a fazer alguns cursos de curta duração, correto? Basicamente de reciclagem, aprimoramento. E 5 anos depois, nós iniciamos o curso superior. 

P/1 – Qual foi o contato do senhor pela primeira vez com a família Ermírio de Moraes? Em que ocasião o senhor os conheceu?

R – Eu os conheci diretamente através de contatos pessoais a partir de 1970. Até então eu trabalhava em funções nas quais eu os conhecia, mas não tinha acesso junto à família.

P/1 – Tem alguém da família que o senhor se lembre com carinho especial, que marcou o senhor? Que marcou a sua trajetória dentro da empresa?

R – Olha, todos eles são muito, realmente... Eu sou muito grato a todos. Porque, todos eles, cada qual tem um perfil, mas a gente conseguiu se espelhar nesses perfis e a gente acabou sendo moldado, correto, através desses bons exemplos que a gente colheu. Mas o próprio doutor Antonio, nessa época que nós não tínhamos contato, nós o conhecíamos pela sua presença. Em uma época muito difícil, uma época pós-Revolução [de 1964], em que ele se defrontava através de seus pensamentos defendendo os interesses nacionais sem temor de ordem alguma. Com valentia, né? Com determinação e com muito conhecimento. Nunca se acovardou, mesmo naquele momento em que era bastante difícil e com muita repressão. 

P/2 - Seu Ademar, eu gostaria que o senhor falasse um pouquinho sobre a Votorantim Metais.

R – Eu sempre estive ligado diretamente na área de metais. Iniciei, em 1965, na Companhia Brasileira de Alumínio, na área de Alumínio. Trabalhei então até 1970. Nessa época, a Mineira de Metais, que é da área de Zinco, tinha iniciado a sua produção no final de 1969. E em 1970, nós fomos convidados para ingressarmos na Mineira de Metais, foi quando ela começou a entrar em uma área de produção constante e mercado. Então é uma área em que a gente conviveu nesses quase 40 anos diuturnamente.

P/1 – Como se dá a relação entre as empresas? Por exemplo, Companhia Brasileira de Alumínio [e] a Companhia Mineira de Metais?

R – Até o momento em que nós trabalhamos diretamente vinculados às empresas, quer dizer, as empresas tinham um tratamento basicamente autônomo entre si. Cada qual tinha a sua diretoria, os seus objetivos, as suas metas e, consequentemente, os seus interesses de resultado. O fornecimento de uma em relação à outra era tido como um fornecimento natural. O relacionamento de uma empresa junto à outra se dava como se fosse uma cliente. Não obstante a gente pertencer ao mesmo grupo, mas cada qual defendia o seu território e os seus resultados com unhas e dentes. 

P/1 – E tem alguma história interessante que o senhor se lembre em relação a Votorantim Metais que o senhor gostaria de contar para a gente?

R – Eu diria para você o seguinte: todos os momentos que a gente consagrou nesse período todo foram realmente bons. Cada dia com inovações, com coisas novas, sempre. Aprendendo cada vez mais. Principalmente admirando nossos líderes, porque a cada dia a gente via o exemplo e percebia o quanto nós tínhamos que tentar aprender para poder acompanhar nessa caravana. Então foram realmente momentos muito bons. E se passaram quase quatro décadas sem que a gente tenha até percebido.

P – Senhor Ademar, nessas quatro décadas, o senhor esteve muito vinculado à administração. Assim, qual foi uma inovação tecnológica na área do senhor que mexeu muito com o seu setor? Acabou criando uma revolução? Ou o senhor poderia também estar contando para a gente como eram as coisas no período anterior, as evoluções tecnológicas?

R – Olha, a lembrança que eu tenho dessas quatro décadas, [é que] a gente convivia permanentemente com as palavras que eram assim, vai, fixas. Ampliações. As empresas mal conseguiam atingir a meta de uma ampliação e o presidente já começava a se preocupar com uma nova expansão, com uma nova ampliação. E, paralelamente a essas ampliações, nunca deixou de se preocupar com modernização, com as inovações tecnológicas. Inclusive, encaminhando pessoas e funcionários aos centros mais desenvolvidos em busca de nova tecnologia. Então a gente acabou vivendo esse período todinho de mutações constantes e permanentes.

P/1 – Tem alguma que o senhor se lembre que é marcante?

R – Temos, né? Na área do cimento, antigamente moía-se a seco. Depois, mudou-se o processo totalmente. Na própria Mineira de Metais os processos sofreram modificações de uma forma muito permanente. Então a preocupação com avanços tecnológicos e comparações com o que tinha de países mais avançados sempre foi constante, uma preocupação permanente. 

P/1 – O senhor acompanhava essa questão dos novos investimentos da Votorantim em diversas áreas. Como que isso chegava para o senhor?

R – Essas fases de ampliações obviamente eram discutidas, apresentadas pela presidência às diretorias. E, consequentemente, eram desenvolvidos orçamentos e periodicamente havia um acompanhamento desses orçamentos em relação aquilo que era investido.

P/1 – Em algum instante o senhor pensou o que levava a família Ermírio de Moraes, o grupo Ermírio de Moraes a assumir essas novas procuras no campo da indústria do país? Da indústria de base?

R – Sem sombra de dúvida é o amor pelo país. Acredito que eles nunca pensaram em benefício próprio, mas sempre a grande preocupação era o bem estar da grandiosidade do país. A preocupação na geração de mais empregos para realmente possibilitar que mais pessoas conseguissem atingir a fase de trabalho.

P/1 – Para o senhor qual seria o melhor momento do Grupo Votorantim?

R – Olha, para mim foi o que eu lhe falei: nas quatro décadas, as fases foram se complementando. A gente vai realmente aprendendo a cada dia através dos próprios exemplos, através da própria experiência. Então foram fases bastante marcantes e todas elas positivas. 

P/1 – O grupo passou por algumas crises, creio que bastante importantes. Por exemplo, a crise do petróleo que começa em 73 e que afetou o grupo. Como o senhor viu isso ao longo da sua estada no grupo?

R – A gente pôde sempre perceber que à nossa frente o nosso presidente tinha a grande visão de antecipar aquilo que era necessário para pelo menos minimizar os efeitos dessas crises. Então, as crises de petróleo, as crises energéticas, sempre foram antecipadas. Ele sempre teve antídotos que eram colocados em prática de forma tal que, se não se apresentassem como uma solução final, pelo menos, amenizavam sobremaneira os impactos desses problemas.

P/1 – O doutor Antonio Ermírio sempre foi responsável pela área de metais do Grupo Votorantim ou ele foi para outras áreas?

R – Desde que eu estou ligado ao grupo, ele sempre liderou a área de metais. Apesar de que não era uma divisão assim formal, apenas administrativa, mas ele esteve sempre à frente da área de metais. 

P/2 - Nesses anos em que o senhor trabalha nessa área, quais outras indústrias e companhias foram agregadas à Votorantim Metais? Como ela foi crescendo e qual a necessidade de que fossem trazidas?

R – Uma das preocupações da própria direção era justamente ser sempre autossuficiente nas suas necessidades. E, dessa forma, houve a criação de outras empresas que entravam no mercado justamente para preencher essa lacuna, nascidas, às vezes, pela necessidade do momento. Eu me lembro, em um certo momento, da Mineira de Metais quando nós cogitávamos uma ampliação e um dos ítens era trabalhar com um alto-forno para o qual seria necessário a utilização de carvão vegetal. Então, antecipadamente, nós compramos uma grande área onde iniciamos a área de reflorestamento na Mineira de Metais. Criando para isso uma nova empresa que cuidava exclusivamente da área de reflorestamento. Então esse tipo de preocupação e de antecipação era muito comum. Era uma praxe, né, do dia a dia da própria direção.

P/2 - Seu Ademar, o senhor poderia falar um pouquinho da experiência até 97, quando o senhor ficou na empresa, quais eram os maiores consumidores que estavam ligados à Votorantim Metais?

R – Nessa época, nós trabalhávamos na área do zinco. Então os grandes consumidores do zinco eram a Companhia Siderúrgica Nacional, Companhia Belgo Mineira, as produtoras de autopeças que produziam uma liga especial, que era o zamaque. Nós produzimos óxido de zinco também, que era fornecido às indústrias de produção de tintas. Esses eram os grandes consumidores, né?

P/1 – Como é feito o escoamento da produção da Votorantim Metais?

R – A empresa, a fábrica, é sediada no interior de Minas Gerais às margens do Rio São Francisco. O metal lá produzido atingia os grandes centros consumidores através de transporte rodoviário.

P/1 – E esse metal chega em forma de minério ou passa por um processo de transformação antes de ser comercializado?

R – Ele sofre um beneficiamento na jazida. A jazida do zinco, no caso, é em Vazante. E de lá é transportado até Três Marias. Antes de chegar a Três Marias, na própria origem, ele sofre então um tratamento e é transportado para ser trabalhado em Três Marias.

P/1 – Senhor Ademar, foram 40 anos de Votorantim. O que o senhor percebeu de mais inovador dentro da gestão do Grupo Votorantim?

R – Houve sempre uma preocupação, conforme eu lhe falei, de manter os processos bastante atualizados. A gente viveu uma fase em que o doutor Antonio, basicamente, estava sozinho à frente da área metalúrgica. Os filhos todos estavam estudando, completando os seus cursos e assim que eles completaram esses cursos, eles foram iniciando os seus trabalhos nas respectivas áreas e empresas da área da Votorantim. Com isso, automaticamente, eles foram adicionando uma série de modificações, de atualizações e de racionalizações também, correto? Por força do próprio momento. A própria informática já estava muito mais fixada no próprio país, muito mais desenvolvida. Então tudo isso aí consequentemente foi facilitando essas modificações e gestões. 

P/1 – Como foi a introdução da informatização do setor de Administração para o senhor? 

R – Olha, nós tivemos o privilégio de iniciar o sistema de implantação de informática na Companhia Brasileira de Alumínio em 1967. Você vê que é uma época bastante distante, basicamente o início da implantação no país. Era uma fase que estava no início e a gente tinha muitas dificuldades naturais, mas o importante é que sempre houve o grande interesse dos próprios empregados na aceitação e no próprio desenvolvimento. Então essa implantação ficou germinando durante alguns anos e depois passou por um impulso bastante grande.

P/1 – O senhor acha que a Votorantim se tornou uma referência mundial? A gente poderia falar sobre isso? Falar nesse termo: mundial?

R – É aquilo que eu te falo... Desculpe, né? (pausa) Preciso interromper...

[Pausa]

P/1 – Até 97, até o período que o senhor esteve ali?

R – É, então, até 1967, iniciou-se uma preocupação através de “benchmark” de efetivamente dotar a empresa de comportamentos e atualizações tecnológicas para atingir realmente esse ponto de destaque a nível mundial.

P/1 – Como foi esse processo de unir todos os conglomerados do Grupo Votorantim em torno dessa marca Votorantim Metais? O senhor acompanhou isso até 97, como estava essa discussão?

R – O grande nome Votorantim tem um peso, uma história e um respeito significativos, o que transmite a cada um a credibilidade, a qualidade e a segurança dos produtos. Então, de uma forma inteligente, buscou-se a utilização desse nome, dessa marca, para unificar não somente as empresas, mas também os próprios produtos.

P/1 – Mas as empresas continuam ainda tendo um relacionamento que não afeta o funcionamento, por exemplo, da CBA, não afeta o funcionamento da CMM? Elas continuam mantendo relações comerciais entre elas?

R – Ah, com certeza. Porque uma acaba sendo cliente da outra, em diversas situações. Agora, o que procurou foi uma racionalização de gestão e de administração envolvendo empresas de mesmo segmento. Então, por exemplo, diversas empresas da área de Metalurgia estão hoje aglutinadas em uma única orientação de gestão [e] com isso, diminuiu-se os cargos de diretoria, racionalizou-se funções. Conseguiu-se, realmente, uma maior agilização e racionalização de processos, e com custos realmente menores. 

P – O senhor poderia dizer algum ramo que se lembra que a Votorantim tenha deixado de lado?

R – É, o que a gente pode perceber é que os ramos de atividade que realmente não conseguiam trazer resultados salutares, e foram deixados de lado. E direcionar, voltar toda sua energia e suas forças para os segmentos que realmente eram mais bem significativos do que os demais. 

P/1 – Tem algum segmento que o senhor se lembre de ter sido deixado?

R – Tem a área de Refratários, né? Quer dizer, voltando ao passado, antigamente, nós fabricávamos luvas industriais. No caso, seria mais certo... Chegamos a produzir soda cáustica. Então, durante uma certa fase, elas apresentavam razões e significados [do] porquê [não era mais viável produzir]. Chega um certo momento que, efetivamente, até por questões racionais, foram deixados de lado. 

P/2 - Pensando na história da indústria brasileira, como o senhor vê a importância da Votorantim Metais nessa história? Como ela contribui, como faz parte, como tem peso?

R – É, eu acho que o peso é imensurável, né? Quer dizer, ela é o maior conglomerado nacional, [e] de respeito internacional. Então eu acho que a importância que isso representa para o país, através da geração de empregos, do recolhimento de impostos, da assistência às áreas em que estão instaladas é realmente imensurável. 

P/2 - Aproveitando que o senhor falou das áreas em que as empresas estão instaladas, o senhor poderia falar um pouquinho dessas regiões? Por que elas estão nestas regiões?

R – Principalmente na área de metalurgia, a instalação das fábricas é muito próxima às jazidas. A localização de jazidas é um processo natural, não dá para se mudar a jazida de lugar, né? Então procura-se instalar, consequentemente, as fábricas em uma área tanto quanto possível mais próxima, para justamente racionalizar a utilização dos minérios. E são áreas distantes, muitas vezes desprovidas de maiores recursos. E as instalações dessas fábricas trazem progresso à região, né? De uma forma muito latente, através da geração de empregos, do recolhimento dos impostos, da necessidade das famílias se instalarem. Vai aumentando, realmente, o fluxo das cidades, e por consequência, o próprio comércio, as escolas. Então é uma grande geradora e motivadora da expansão da economia dentro do país. 

P/2 - O senhor melhor do que ninguém sabe o quanto a Votorantim é uma empresa de um grupo sério. Nós sabemos que, principalmente nessa área de metais, existe um impacto ambiental nas áreas. Como é tratada essa questão pela Votorantim?

R – Com muito respeito e preocupação. É obvio que não dá para se pensar em extrair minério sem cavar, então agora o que se tem procurado sempre é uma forma conciliadora. Há a necessidade de haver um meio termo para que as duas partes se ajustem. E essa parte sempre foi realmente tida e respeitada. As áreas uma vez utilizadas são recuperadas. Temos exemplos, inclusive, de replantio de essências florestais. Enfim, existe sim a exploração, correto, mas, paralelamente, existe o respeito e a preocupação com a sua recomposição. 

P/1 – Senhor Ademar, existe algum programa social que o Grupo Votorantim mantém que o senhor considera importante para estar falando para a gente um pouquinho?

R – É, o grupo sempre esteve muito preocupado com a parte social. Como nós falamos há pouco, nessas regiões onde sempre estiveram presentes, né? Paralelamente à sua exploração industrial, sempre estiveram solidários com a parte social da região através de construção de hospitais, de manutenção de escolas, de construção de escolas. Escolas, inclusive, de ensinos profissionalizantes. Então sempre esteve voltado à essa preocupação ao lado social. 

P/1 – Eu gostaria de voltar um pouquinho atrás e pedir para o senhor a seguinte questão: a indústria metalífera no país provavelmente teve grandes avanços, mas também teve contextos difíceis. O senhor conseguiria marcar um contexto que o senhor acredita que foi bastante prejudicial à indústria metalífera brasileira, no que se refere também à Votorantim?

R – É, eu entendo que a família sempre esteve assim face a face com problemas, até desde o início da sua implantação. Desde o início da sua instalação. A própria instalação da indústria de alumínio sofreu muita pressão na ocasião por outros concorrentes internacionais, tentando tanto quanto possível retardar, impedir, complicar essa instalação. Agora, o denodo, o esforço, a competência foram conquistados a duras provas para ir rompendo toda essa seara de dificuldades que eram apresentados. Eestão aí, as empresas instaladas. Desafio faz parte do dia a dia. Então eu acho que todos os desafios e a própria concorrência têm que serem vistos de uma forma positiva, que faz com que realmente haja a competência de se correr atrás de novas soluções. 

P/1 – O que o senhor poderia falar para a gente da trajetória de um funcionário dentro do Grupo Votorantim, pensando nessas quatro décadas em que o senhor ficou dentro da Votorantim? Como isso é incentivado?

R – Sempre foi um campo muito fértil, possibilitando o crescimento e o aproveitamento de todos os recursos humanos dentro da casa. Quer dizer, nós sempre fomos tratados de uma forma muito respeitosa pela própria administração superior com reconhecimento acima de qualquer coisa. Antes, com muita humildade, né? E incentivando, empurrando, para que cada um realmente consiga lutar em prol de um crescimento interno. Oportunidades nunca faltaram. E com certeza não faltarão.

P/2 – O senhor poderia falar agora um pouquinho sobre a CBA, contar um pouco da sua história? Qual é a sua importância não só para o grupo, mas para a indústria brasileira?

R – Da CBA... Mas eu conheço mais a Mineira de Metais.

P/2 - Tudo bem, (risos) não tem problema.

R – É porque eu trabalhei mais propriamente com a Mineira de Metais. Então, a Mineira de Metais iniciou a fase de produção em 1969 - foi quando foi fundido o primeiro zinco nacional. Hoje é a única produtora de zinco no Brasil. Na nossa época, nós tínhamos uma outra concorrente que não tinha jazida. Ela trabalhava com minério importado, quer dizer, ela trazia de fora o minério. Só reprocessava e vendia em lingotes, correto? Mas a única, então, hoje, que tem jazida e produz zinco no Brasil é a Mineira de Metais. Ela, inclusive, acabou adquirindo a própria Paraibuna, que é essa que é concorrente. Que foi concorrente no passado. E é uma empresa também que no curso desses anos teve uma série de ampliações, crescendo de forma permanente [e] produz produtos de primeira linha, primeira qualidade. Atende satisfatoriamente o mercado interno e, inclusive, tem uma pauta de exportação grande. 

P/1 – O senhor alguma vez se interessou em acompanhar como é feita essa produção, desde a extração do minério até o produto final? 

R – Apesar de não ser a minha área, vamos dizer, industrial, mas pela força de nosso trabalho nós estávamos permanentemente ligados e inteirados com ela, né? De uma forma bastante permanente com as fábricas, então, a gente frequentava permanentemente as jazidas, conhecia todo o processo de extração e ia acompanhando todas as modificações. A partir da extração até o produto final, que é a fundição.

P/1 – O senhor gostaria de falar de alguma modificação que o senhor achou interessante nessa área de mineração e metalurgia?

R – É, os processos foram sendo aperfeiçoados. A parte de filtração primária foi totalmente mudada por processos modernos, eliminou-se uma série de tarefas. Consequentemente eram locais onde se consumia muita mão de obra física, correto? Hoje se trabalha com parte mecanizada, eliminando consequentemente isso aí. Então são inovações permanentes que são agregadas, racionalizando fluxos de produção, com melhorias constantes e permanentes.

P/1 – O que é que o senhor levou para a sua vida dessa questão das racionalizações que o Grupo Votorantim fez?

R – Quem não modifica, não acompanha, não muda acaba sendo absorvido. Acaba se estagnando de uma tal forma e quando dá conta, não vai conseguir mais acompanhar absolutamente nada. Então, queiramos ou não, as modificações, as atualizações são necessárias e fazem parte em todos os segmentos da nossa vida. Então tem que ser por aí mesmo, e ai daquele que efetivamente não estiver preparado à essas mudanças.

P/1 – Qual a opinião do senhor no que se refere à forma como o Grupo Votorantim administra os seus negócios através da família? Como é que o senhor vê isso?

R – Com muita competência, seriedade, disposição de trabalho e humildade. De, realmente, transmitir à equipe esses exemplos e contar, inclusive, com esses resultados, também como nível de resultado. 

P/1 – Além do doutor Antonio, o senhor chegou a trabalhar com outros membros da família Ermírio de Moraes diretamente?

R – Tive a oportunidade de trabalhar durante vários anos com um dos filhos dele, o doutor Mário Ermírio, que esteve conosco na diretoria da área do zinco. 

P/2 - Fugindo um pouquinho da família, voltando mais para trás, o senhor estava falando agora há pouco do maquinário, que houve um...

R – Um avanço tecnológico muito grande. 

P/2 – Um avanço muito grande, que diminuiu um pouco o número de pessoas trabalhando. Eu gostaria de saber se, necessariamente, tem que ter uma mão de obra especializada?

R – Então, tem setores de alta tecnologia que exigem logicamente mão de obra especializada e tem seções aonde impera mais a força de trabalho. Mas a grande virtude que a gente sempre pode acompanhar é que independentemente, por exemplo, da localização da área de trabalho, sempre houve muito estímulo com relação ao estudo. Quer dizer, sempre foram colocados programas incentivando todos indiscriminadamente, a voltarem a bancos escolares ou a complementarem cursos. Visando justo a quê? Um crescimento interno. Então um simples operador que às vezes começava sem qualificação, ao cabo de algum tempo, ele estava ocupando outras funções, já com uma melhor qualificação. Advinda do quê? De um treinamento interno, de um treinamento através de cursos. Através, às vezes, de encaminhamento, até em outros centros mais desenvolvidos em busca de outros tipos de tecnologia. Mas o que é muito latente é a preocupação com o crescimento de cada funcionário, de cada empregado. 

P/2 - Esse incentivo desde que o senhor conhece a Votorantim, sempre houve?

R – Sempre houve. 

P/2 - E cada vez vai crescendo mais.

R – Crescendo mais. E uma outra coisa que eu acho que também é um fator muito importante é o respeito que a gente cada vez mais certifica da família para com os empregados. E a preocupação também, correto, até na própria manutenção e crescimento de oportunidade de trabalho.

P/2 – O senhor tem mais alguém da sua família que trabalha na Votorantim?

R – Não, não tenho. Eu procurei deixar meus filhos com livre arbítrio de escolher os seus caminhos. Então, eu tenho quatro filhos e cada qual está direcionado em uma área de atuação completamente diferente da minha. 

P/1 – Senhor Ademar, se o senhor pudesse traçar nessas quatro décadas um perfil do senhor dentro do Grupo Votorantim, como diria que era no início e como o senhor saiu? Como vê esse seu crescimento? O senhor poderia fazer uma progressão para a gente?

R – É, conforme eu falei no início, eu fui aquele garoto, vai, meio rebelde, recém chegado do interior, sem maiores e grandes conhecimentos, né? E tive oportunidade de entrar em uma empresa séria aonde, acima de tudo, nós tínhamos baluartes como exemplos, que acabou realmente nos forjando, complementando a educação que havíamos recebido dos nossos pais. Então a gente viveu nesse período todo sendo trabalhado, sendo forjado a cada dia e tendo pela frente um grande espelho que é a própria família, né? Que através da humildade, da idealização dos seus atos, ele acaba realmente frutificando em cada um somente esse tipo de coisas boas. A gente viveu, por exemplo, esse período todinho percebendo e acompanhando o crescimento das empresas através do quê? Da própria utilização de recursos de uma empresa, que eram repassados para outras. E a própria família, por exemplo, não retirava de forma alguma, nenhum tipo de dividendos, ou seja, todos os lucros gerados nas respectivas empresas foram capitalizados ou na mesma empresa ou em outras empresas, mas em prol da sua autossustentação, do seu autodesenvolvimento e do seu crescimento. Eram exemplos que a gente foi catalisando e aprendendo até no aspecto de disciplina. Então foi muito bom, muito válido.

P/1 – O senhor trabalhou no Grupo até 97. E depois de 97, como o senhor organizou a vida?

R – É, nós nos aposentamos e tivemos a grata felicidade de sermos convidados a permanecer, mas não vinculados às empresas [e] sim atendendo aos interesses de ordem familiar. E estamos até hoje nessa, nesse tipo de trabalho, tentando colaborar e atender no que for possível aos próprios familiares.

P/1 – As relações se intensificaram?

R – Ah, com certeza. Nunca tive, nunca houve distância, mas hoje, pelo próprio tipo de atividade, nós estamos mais próximos de uma forma mais constante.

P/1 – E os funcionários mais antigos da Votorantim, eles se encontram ainda? Há esse hábito de encontro dos funcionários antigos da empresa que se aposentaram?

R – É, nós vivemos em uma época, eu diria, de grande fertilidade nesse aspecto. A gente comungava e convivia em uma grande família. Em que o tempo de casa do pessoal era realmente de décadas. Era muito comum cada um contar com 20, 30 anos de trabalho. Quer dizer, foi um período em que a gente gozava de muito apoio e de muita compreensão. Era aquele estado paternal das coisas em que um ia repassando conhecimentos para os outros, era uma formação bem espontânea e natural. É uma pena que realmente a vida vai nos pregando uma série de surpresas. Tivemos aí, é ou não é, o desaparecimento de uma série de pessoas que nos foram caras, né? A gente aprendeu muito, conviveu de uma forma muito próxima, muito amiga, fraterna, mas continuamos ainda com aqueles que ainda continuam almoçando, se falando nas datas de aniversário [e] nas épocas de final de ano, procurando se cumprimentar. Então são coisas boas que se perpetuaram.

P/1 – E tem alguém que trabalhava na mesma área do senhor que atualmente permanece na Votorantim, também próxima à família do doutor Antonio Ermírio?

R – Que trabalhava assim diretamente comigo, não. Alguns já faleceram, outros estão um pouco mais distantes, moram em outros estados. Mas, realmente, nessa condição, não tem ninguém.

P/1 – Tem alguém especial nesses anos de Votorantim, alguma pessoa, amigo que já tenha partido e que tenha deixado um lastro de coisas para o senhor?

R – Ah, tiveram vários, né, correto? Porque, como eu lhe falei, eram pessoas que realmente serviram para nós pelo menos que estávamos em uma fase iniciante, mais jovem. Então eram nossos grandes modelos, que a gente aprendeu muito. Nós tivemos, assim, pessoas que marcaram e que nos deixaram realmente grandes lembranças. Deixaram vácuos aí não preenchidos.

P/1 – O senhor se lembra o nome de alguma?

R – Tenho nomes sim. Tem o senhor Osvaldo Campos [e] o senhor José Borowsky que foram, assim, pessoas que tivemos a feliz oportunidade da convivência, da participação, do dia a dia. Infelizmente, a vida já os levou.

P/1 – E, atualmente, o senhor fica sediado no prédio da Praça Ramos, né?

R – Certo.

P/1 – Qual foram os locais que o senhor trabalhou nesses anos que se lembra?

R – Quando eu iniciei na Votorantim em 1965, nós iniciamos na Rua Riscalla Jorge, décimo andar. E alguns meses depois, nós mudamos lá para a Praça Ramos de Azevedo. Naquela época, como eu trabalhava na CBA, nós nos instalamos no terceiro andar no prédio lá da Praça Ramos. E lá permaneci então até 1970. Quando eu fui para a área do zinco, nós fomos para o sexto andar, também na Praça Ramos. Ficamos lá até 1997. E agora estamos no mesmo prédio no sétimo andar.

P/1 – E o senhor nunca teve projeção, nunca teve proposta de mudar para outro estado para acompanhar mais de perto a produção da Votorantim Metais?

R – É, a área do zinco, as suas jazidas de fábrica são situadas no estado de Minas Gerais. Nós viajávamos de uma forma muito constante para esses locais, mas sempre fixados em São Paulo.

P/1 – O senhor acompanhou o processo de formação da Companhia Níquel Tocantins (CNT)? O senhor poderia falar alguma coisa para a gente sobre esse processo, se foi difícil?

R – É, não foi a área em que nós atuamos, né, mas a gente participando, logicamente, do grupo, queira ou não queira, a gente acompanhava de uma forma constante o andamento e o posicionamento da sua instalação. Na época, quer dizer, todas essas construções, essas instalações de novas fábricas foram desenvolvidas com muito sacrifício, com muita dificuldade, de acordo com a disponibilidade de caixa. O doutor Antonio sempre se preocupou com o endividamento, procurava sempre o tanto quanto possível desenvolver as suas empresas com uma boa porcentagem de recursos próprios, com a menor dependência possível de recursos externos. E o processo também industrial era bastante complicado, difícil. Mas foi realmente tomado e hoje é, felizmente, uma grande empresa com bons resultados. 

P/2 - Senhor Ademar, como o senhor vê o investimento da Votorantim na área social?

R – É, sempre foi, eu acho que respeitável. Depois da nossa saída, a gente percebeu logicamente pela própria mudança de gestões, programas mais estruturados. Obviamente, enquanto nós estávamos participando à frente das empresas, não por descuido, mas por questões de momento, havia sim a dotação de verbas tal, mas não com a criação de organismos específicos voltados exclusivamente para dar a cobertura que nós vemos hoje, era apenas para a forma de como administrar talvez os recursos. O importante é que a preocupação sempre existiu desde a época do senador, que foi copiada, que foi passada e repassada para os filhos e, automaticamente, até hoje, é cultuada por toda a direção, essa preocupação com a parte social.

P/2 - Eu gostaria que o senhor falasse agora dos valores do Grupo Votorantim, que são valores que acabam vindo da família e de toda essa história. Como o senhor vê isso? Acredita que são valores muito fortes, que existe uma cultura Votorantim?

R – Com certeza. Eu acho que o grande resultado é o que nós temos na nossa frente, correto, são os baluartes da coisa. O nosso espelho é muito forte. Aonde a gente vê que prevalecem valores como humildade, dedicação, respeito, honestidade, força de trabalho, determinação, coragem, né? São valores que acabam irradiando naturalmente à toda a equipe, de uma forma soberana mesmo. Então eu acho que não acreditar, não zelar e não reconhecer isso aí seria realmente fugir à luz do sol.

P/1 – O senhor tocou na figura do senador; chegou a ter relações de amizade com ele? Chegou a conhecê-lo? como ele era? O senhor poderia falar um pouquinho?

R – Eu, na realidade, não tive esse privilégio. Quando eu comecei a trabalhar, cheguei a vê-lo em algumas oportunidades no próprio prédio da Praça Ramos, mas não tive, pela minha ocupação, na época, a oportunidade de ter nenhum tipo de contato com ele pessoalmente, mas a gente conheceu toda a trajetória dele, todo o trabalho dele, toda a educação tão boa que ele soube repassar para os filhos, né? Está aí até hoje os exemplos que estão fixados.

P/1 – E o senhor José, o irmão do senhor Antonio? O senhor tinha contato com ele com alguma frequência?

R – É, de uma forma geral, após nós assumirmos a diretoria de uma das empresas. Consequentemente, a partir daí, a gente passa a ter contatos com outros membros da família, mesmo em menor intensidade, mas por força de uma série de circunstâncias. Então, assim sendo, nós tivemos a oportunidade de termos diversos contatos com o doutor José Ermírio. O próprio cunhado do doutor Clóvis, né? São membros com quem a gente sempre conviveu.

P/2 - Senhor Ademar, como o senhor avalia a importância do Grupo Votorantim no crescimento econômico do país?

R – É, eu acho que é uma das grandes molas propulsoras. Um conglomerado que mantém um quadro de funcionários tão grande quanto o nosso, que recolhe o volume de impostos anualmente, que se preocupa em transmitir e zelar pelos seus valores, que se preocupa com essa parte social, que se preocupa de uma forma permanente na continuidade de geração de novos empregos. Está permanentemente preocupado em novos investimentos através ou de criação ou de aquisição, ou de expansão das próprias empresas. Então é, realmente, a grande mola propulsora do país.

P/1 – O senhor acha que o Grupo Votorantim seria diferente se não tivesse entrado nesse ramo de mineração e metalurgia? O senhor conseguiria fazer essa prospecção?

R – É, eu acho que é difícil a gente apenas medir o resultado, mas eu diria o seguinte: seus dirigentes não seriam diferentes. Os dirigentes eu tenho certeza que o "modus operandi", o modelo de trabalho com relação às pessoas e aos seus respectivos valores, estivessem atuando onde esteja, não sofreriam nenhum tipo de modificação em função do tipo de atividade que estariam trabalhando. Que dizer, isso é inerente a eles, faz parte. São pessoas que irradiam essa perseverança, esse trabalho. E estariam bem sucedidos com ótimos resultados, porque os princípios, consequentemente, os levariam a bons resultados. É a dinâmica de trabalho, né? É a vontade, a disposição, a perseverança diante dos desafios, a confiança na reversão de situações mesmo adversas. Mas a persistência, né?

P/1 – E o que o senhor acha de estar fazendo parte desses 85 anos do Grupo Votorantim? Como o senhor se sente?

R – Eu acho que foi o que eu lhe falei no início: eu me sinto privilegiado por ter participado durante essas quatro décadas no Grupo e, coincidentemente, agora, nesse comportamento dos 85 anos. E vendo que realmente as coisas, graças a Deus, estão em um bom caminho. Vendo todas as dificuldades de ordem internacionais, o Grupo permanece firme com as mesmas perspectivas, com convicções, bons resultados advindos, obviamente, da preocupação, do acompanhamento, da pertinência, da perseverança dos seus administradores. Então irradia o quê? Uma saúde muito boa, correto? Uma perspectiva firme, confiável. Então eu acho que aqueles que efetivamente participam dessa mesa, dessa família, que é a família que congrega as empresas da Votorantim, sentem-se realmente orgulhosos e satisfeitos por participar, por ter essa oportunidade. 

P/2 - Senhor Ademar, nós estamos chegando no fim, o senhor gostaria de falar alguma coisa que nós não perguntamos, que o senhor considera importante?

R – Não. Se é possível deixar uma mensagem eu registraria, pelo menos, para os mais jovens, para se valer realmente desses exemplos que cotidianamente eles têm no espelho, para que se disponham realmente a trabalhar - e trabalhar mesmo - com muito suor, com muita força, muita vitalidade, porque as oportunidades estão aí. Eu acho que aqueles que efetivamente saberão aproveitar-se dessas oportunidades, consequentemente, amanhã estarão ocupando grandes posições, terão grandes satisfações e tendo também seu lugar ao sol. Porque se depender, pelo menos, da diretoria, esse reconhecimento todos terão. É necessário que todo mundo também se disponha a trabalhar e enfrentar com dignidade, com boa força de vontade os desafios que fazem parte do dia a dia. 

P/1 – Senhor Ademar, se o senhor fosse mudar alguma coisa na sua trajetória de vida com a Votorantim, o que é que mudaria?

R – Olha, sinceramente falando, você entendeu, para mim eu não teria muita coisa que mudar, não. Porque foram anos, como eu lhe falei, tão bons, que a gente acabou realmente aprendendo muito, tendo a oportunidade de conviver com pessoas que foram tudo para a gente. Através de exemplos, de ações, de a gente, às vezes, os representar e fazer aquilo que a gente sabia que era o endereçamento do resultado. Então eu seria capaz de repetir exatamente os passos que nós fizemos.

P/2 – Senhor Ademar, eu queria agradecer a sua presença pela Votorantim e pelo Museu da Pessoa. Nós agradecemos o senhor ter vindo aqui [mesmo] sendo uma pessoa tão ocupada e ter ficado um pouquinho com a gente contando um pouco da sua história. Obrigada.

P/1 – Obrigado.

R – De nada.

[Fim do depoimento]

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