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Primeiro de maio

História de: Heiguiberto 'Guiba' Della Bella Navarro
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/05/2005

Sinopse

Guiba jogava muito futebol na adolescência. O futebol acabou facilitando sua entrada na Ford; ele jogou no time da empresa e participou de vários campeonatos. Mas seu destaque na empresa foi mesmo no envolvimento com o sindicato dos metalúrgicos, conseguindo vitórias históricas para os trabalhadores. 

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P - Eu queria começar perguntando o seu nome completo, data e local de nascimento.

R - O meu nome é Heiguiberto Navarro. Nasci no dia 20/12/1945.

P - E qual foi o seu primeiro emprego?

R - Olha, o meu primeiro emprego na verdade aconteceu numa loja, aos 9 anos de idade. Eu, então, na verdade eu era comerciário. Comecei nessa loja e depois eu fui pra uma mecânica de pintura, e depois eu fui (trecho inaudível), aí na verdade começou a minha trajetória de metalúrgico. Depois eu entrei numa metalúrgica chamada Facspel , ainda antes dos 14 anos. Fiz 14 anos e depois eu fui pra outras metalúrgicas. E em 1967 eu entrei na Ford lá em São Bernardo do Campo, e aí começou a minha trajetória, não somente de metalúrgico mas também político.

P - E hoje, qual é a sua atividade básica?

R - Eu sou Delegado Regional do Trabalho do Estado de São Paulo, portanto, do Ministério do Trabalho.

P - E você se lembra do primeiro Primeiro de Maio que você participou?

R - Olha, eu lembro de muitos primeiros de maio, mas o primeiro de maio que sempre marcou, alias, me marcou a vida e me marcou muito de nós petistas, de uma nova posição, foi o primeiro de maio de 1980. Esse primeiro de maio ficou na história do Brasil. É um primeiro de maio que tinha uma repressão da polícia, do exército, e nós saímos abraçados o caramba esse primeiro de maio levantando uma bandeira, pedindo paz, pedindo autonomia. Já naquele período pedindo autonomia e liberdade. Então aquele primeiro de maio me marcou bastante. E depois outros primeiros de maio, porque aí veio a democracia, e com a democracia conquistada pelos trabalhadores começou a vim os primeiros de maio, os grandes primeiros de maio como este que nós estamos realizando, que é a participação de toda a população e a participação dos jovens principalmente.

P - Então hoje a gente está aqui num grande primeiro de maio na Avenida Paulista, quando os jovens que vão ler a entrevista. Conta como é que era então os primeiros de maio sob a ditadura. Qual era a grande diferença.

R - Olha, os jovens precisam compreender e entender que a coisa não é tão fácil como é hoje. Na ditadura militar era uma coisa muito difícil, difícil pra distribuir o boletim, difícil pra se comunicar com os trabalhadores, difícil pra dizer aos trabalhadores que precisavam ir na assembléia e dessa assembléia fazer as reivindicações. Era um período da ditadura, uma pressão muito forte. Todos nós éramos presos se nós deixássemos de fazer alguma política. Portanto, agora foi muito difícil. Mas fomos conquistando, fomos avançando, e nesses avanços é que nós fomos conquistando (trecho inaudível) desse aí. Então a juventude precisa entender hoje que essas conquistas não é só uma conquista que nós devemos perder, mas cada vez mais avançar de outras conquistas. Por isso que as lutas dos primeiros de maio, as convocações, e hoje um primeiro de maio diferente, um primeiro de maio já com os trabalhadores no governo, dirigindo o país, ampliando o salário mínimo na história do Brasil, que era uma reivindicação de chegar a 100 dolares. Hoje nós estamos já a 100 dolares. A reivindicação de gerar emprego, estamos gerando emprego. A reivindicação de dar distribuição de renda ao povo brasileiro nós já estamos fazendo. Portanto, são conquistas que esse jovem precisa entender que a coisa não era fácil e que agora dá continuidade às nossas lutas e às nossas conquistas.

P - Terminando a nossa entrevista, ano que vem a gente comemora 120 anos do primeiro de maio. O que representa o primeiro de maio pra classe trabalhadora?

R - Olha, o primeiro de maio é luta, o primeiro de maio não é somente diversão. Deve ser uma reflexão das conquistas, das perdas, de algumas pessoas que foram assassinadas, de mulheres que conquistaram a reivindicação das 40 horas. Portanto, são reflexões. A gente tem que fazer uma festa, mas nessa festa tem que fazer a reflexão e pensar nos primeiros de maio que já aconteceu e nos primeiros de maio que vão acontecer. 120 anos de primeiro de maio. É a história do povo, é a história dos trabalhadores, e é com isso que nós precisamos, não comemorar, mas fazer uma reflexão do que melhorou pra classe trabalhadora e o que avançou.

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