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História

Preparado para guerra

História de: Domingos Zago
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Domingos narra momentos de sua vida, conta sobre seus tempos de estudo no colégio, sobre como decidiu estudar contabilidade e o dia em que conheceu sua esposa em um baile da época, depois de uma briga. Relata também sobre seus tempos no Exército, quando foi preparado para a guerra.

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História completa

P/1 – Oi, senhor Domingos, tudo bem? A gente vai começar com três perguntinhas.

 

R - Está bom. Está ótimo.

 

P/1 - Seu nome completo, o local e a data de nascimento.

 

R - Nasci em São Paulo, na Vila Pompéia, em 09 de março de 1936.

 

P/1 - E o seu nome completo é?

 

R - Domingos Zago.

 

P/1 - Como era a Vila Pompéia nessa época, Domingos?

 

R - Era bem menos povoada, não é? E eu nasci em frente à biquinha. Tinha uma biquinha, tem assim um córrego e eu nasci em frente essa biquinha.

 

P/1 - Sim. E quais eram os nomes dos seus pais?

 

R - Carlos e minha mãe Jesumína.

 

P/1 - Você tem irmãos?

 

R - Um irmão, Plácido Red.

 

P/1 - Qual é a memória que você tem dessa época? Uma história que você tem dessa época?

 

R - Da época que eu vivia no alto da Lapa? Tem muitas histórias, mas eu não vou lembrar de uma em especial, assim.

 

P/1 - A sua mãe te contou como é que foi o seu parto alguma vez?

 

R - Não tenho lembrança.

 

P/1 - Não? E o que os seus pais faziam para sobreviver?

 

R - Meu pai era alfaiate e a minha mãe cuidava da casa e o ajudava também no trabalho de costura.

 

P/1 - A sua mãe cuidava da casa? 

 

R - Da casa.

 

P/1 - E como era um dia normal de vocês, nessa época que você morava com seus pais?

 

R - No alto da Lapa?

 

P/1 - É. No alto da Lapa. 

 

R - Olha, eu trabalhava na fábrica Fiel, não sei se vocês conhecem, de fios elétricos, na Rua Guaicurus. Eu ia para o trabalho e eles ficavam em casa, meu pai era alfaiate, na época ele trabalhava em casa. Então, ele costurava.

 

P/1 - Sim. Seu pai costurava?

 

R - É. Alfaiate.

 

P/1 - Mas e da infância? O senhor brincava bastante? Conta uma brincadeira que o senhor costumava fazer na época, com seu irmão.

 

R - É. Futebol.

 

P/1 - Vocês gostavam bastante de futebol?

 

R - É. Molecada, não é? Gosta de futebol.

 

P/2 - Senhor Domingos, eu queria te fazer uma pergunta: como foi esse seu primeiro emprego? Foi a fábrica Fiel?

 

R - Não. Eu trabalhei primeiro com a dona Marieta, numa fábrica de meia. E, antes disso, ainda menino, eu comecei a aprender o ofício de serralheiro, com o primo do meu pai.

 

P/1 - Que legal. E o senhor tinha quantos anos?

 

R - Acho que uns treze anos, mais ou menos.

 

P/1 - E o irmão do senhor, trabalhava também com o senhor ou não?

 

R – Meu irmão trabalhava com meu pai. Ele aprendeu o ofício de alfaiate com meu pai, que era alfaiate também. Então, ele trabalhou sempre junto com ele.

 

P/1 - Entendi. Legal. E como era a relação com seu irmão, senhor Domingos? Vocês se davam bem?

 

R - Bem. Graças a Deus.

 

P/1 - Brincavam bastante?

 

R - Brincava. Mas ele pegava mais na agulha.

 

P/1 - É?

 

R - Que ele, com sete anos, começou a aprender o ofício de alfaiate.

 

P/1 – Nossa! Sete anos?

 

R - É. Sete anos.

 

P/1 - E o senhor nunca teve dom para esse lado?

 

R - Meu pai falou: “Você não presta para isso. Vai jogar futebol”. Meu irmão levantou. “Você fica aí”. (risos)

 

P/1 - Entendi. E quais eram os principais costumes da sua família, na época? Quando vocês saíam para passear, o que vocês faziam?

 

R - Passeios? Quando a gente ia para a praia, não é? Um passeio mais importante, assim.

 

P/1 - Para a praia?

 

R - É. A praia.

 

P/1 - Conta uma história dessa, na praia, para a gente. 

 

R - Nós íamos na casa de um parente do meu avô chamado Perela, e lá a gente brincava, não é?

 

P/1 - Brincava bastante? E você teve bastante contato com esse seu avô?

 

R - Meu avô? Os dois. Tanto o Domingos, quanto o Plácido.

 

P/1 - Ah, então, o senhor herdou o nome dele? Conta um pouquinho dos seus avós para a gente.

 

R - Bom, meu avô Plácido era pedreiro, trabalhava de servente de pedreiro; meu avô Domingos era motorista de praça. Ele teve armazém, tudo, mas depois se colocou a comprar um carro de praça e se colocou na praça. Os meus dois avôs eram bons, tenho boas lembranças deles.

 

P/1 - Tem boas lembranças? Conta uma lembrança que você tem, marcante, com algum dos seus avós?

 

R - Marcante?

 

P/1 - É.

 

R - Era tudo normal, não é? Uma lembrança assim, especial, acho que não tenho.

 

P/1 - Não tem nada? Você já foi trabalhar algum dia com algum dos seus avós? Conheceu o trabalho deles?

 

R - Meu avô, no tempo que eu era menino, ele teve um armazém, depois ele vendeu o armazém e foi de motorista de praça. Fazia ponto na Lapa, na Rua Clemente Alves, se não me engano. Tinha ponto de taxi. E o avô Plácido era servente de pedreiro. Trabalhava com o irmão na construção. Eles pegavam serviço e ... quer que lembre mais alguma coisa deles? 

P/2 - Se o senhor tiver história e quiser compartilhar com a gente.

 

R - Eram gente boa, isso eu posso te afirmar.

 

P/2 - E o senhor ia visitá-los bastante? Como era a casa deles, assim? O senhor se lembra?

 

R - Lembro. A casa do meu avô era na Rua Toneleiros, minha avó morreu... não me lembro a data, mas era menino ainda, e meu avô depois casou-se com uma outra senhora, mas eu o visitava sempre lá na rua Toneleiros. E o avô Plácido era servente de pedreiro e, quando minha avó morreu, ele não parava em casa, estava sempre na rua. (risos). Eram pessoas boas, do bem.

 

P/1 - Então, senhor Domingos, a família do senhor cresceu ali no bairro do alto da Lapa?

 

R - É.

 

P/2 - E o senhor sabe como seus pais se conheceram? Como foi quando eles se encontraram?

 

R - Puxa. Meu pai com minha mãe?

 

P/1 - Isso.

 

R - Não lembro disso, não. Deve ter tido alguma conversa, mas eu não lembro, não. Como se conheceram eu não sei, mas foi lá na Lapa, não é? Acho que alguma festa, alguma coisa assim, acabaram se conhecendo.

 

P/2 - Entendi. E escola, senhor Domingos? Como foi para o senhor? O senhor se lembra do primeiro dia de aula? Com quantos anos o senhor foi para a escola?

 

R - Barbaridade. (risos) Eu era novinho, não é? Agora sou velhinho. Eu tinha sete anos, não é? Fui para o Grupo Escolar Thomaz Galhardo. Acho que ele existe ainda. Ele era na Rua do Lírio, o grupo escolar, e depois ele se mudou lá para cima, não me lembro, Vila Romana, qualquer coisa assim.

 

P/1 - O senhor usava uniforme?

 

R - Usava uniforme, sim.

 

P/1 - Como é que era esse uniforme, o senhor lembra?

 

R - Era uma calça azul, qualquer coisa assim, e uma camisa branca, acho que era isso.

 

P/1 - O senhor gostava de ir pra a escola?

 

R - Eu sempre gostei de ir para a escola, as professoras é que não gostavam de mim.

 

P/1 - Por quê elas não gostavam de você?

 

R - Eu não parava, não é?

 

P/1 - Você fazia muita arte na escola?

 

R - Não. Só algumas, assim, besteirinha.

 

P/1 - O senhor tem alguma história dessa para contar para a gente, de escola?

 

R - Não tenho lembrança assim de...

 

P/1 - Não? O senhor só lembra que elas achavam o senhor uma pestinha? (risos)

 

R - (risos)

 

P/2 - Legal, senhor Domingos. A gente queria saber, então, como foi entrar na adolescência. Como o senhor se divertia quando saía com os amigos?

 

R - Faz tempo.

 

P/2 - Faz tempo? Mas o senhor tem alguma lembrança assim, da primeira vez que o senhor saiu sozinho, se o senhor ia para algum baile com o seu irmão?

 

R - Com doze, treze anos, comecei a trabalhar. Então, fui aprender o serviço de serralheiro com o primo do meu pai. E acho que não dava muito bem para a coisa, não. Aí eu fui, mais adiante, trabalhar numa fábrica de meia, no escritório. Não fazia nada. Só ficava lá. E depois eu entrei na fábrica Fiel de fios elétricos, não sei se vocês conhecem, era na Rua Guaicurus e lá eu trabalhei oito anos. Comecei como office boy lá, não é? Fiz serviço de rua, aquelas coisas todas. Quando voltei do exército fiquei acho que um ano, ainda, lá, depois de servir o governo, fiquei um ano. Aí eu fui trabalhar na Eugênio Motores Diesel, na Rua Florêncio de Abreu, uma empresa de austríacos.

 

P/2 - Que legal. Bom, agora o senhor comentou um pouquinho dessa fase do exército, o senhor pode contar pra gente como é que foi?

 

R - O exército?

 

P/1 - Isso.

 

R - Tranquilo. Me dei bem com o serviço, não tinha dificuldade alguma. O que tinha de bom é que fazia exercício todo dia. (risos) Que eu não tinha hábito, não é? No exército tinha que fazer exercício todo dia. Era no quartel do Parque Dom Pedro que eu servi.

 

P/2 - Entendi.

 

R - Ia para a faculdade. Naquele tempo, eu subia a ladeira, saia na Álvares Penteado; descia a ladeira, estava no quartel.

 

P/2 - E conta para a gente como era, então, a rotina do senhor, nesse período que serviu o quartel.

 

R - Era só isso. Fazia o serviço de quartel e ir para a escola, lá na Alvares Penteado.

 

P/2 - E qual era esse serviço que o senhor costumava fazer lá?

 

R - No quartel?

 

P/2 - Isso.

 

R - Fazia ordem unida, tem coisas típicas de um quartel, assim. O soldado tem que se preparar, não é? Então, tem algum exercício físico, alguma coisa assim.

 

P/1 - E assim que o senhor saiu do exército, o senhor começou a trabalhar?

 

R - Não. Eu já trabalhava.

 

P/1 - Já trabalhava. Na fábrica?

 

R - Quando eu trabalhava e quando fui para o exército, eu trabalhava na fábrica Fiel.

 

P/1 - Ah está, trabalhava ao mesmo tempo.

 

R - Quando eu fui para o exército, parou, não é? Eu fiquei um ano e um mês. Voltei, fiquei um pouco de período e pedi a conta. Saí. Aí fui trabalhar na Florêncio de Abreu, com os austríacos.

 

P/1 - E foi bom esse emprego?

 

R - Foi. Foi bom. Me dei bem, tanto num, quanto no outro. Era um bom emprego.

 

P/1 - Do primeiro ainda, como era o seu dia de trabalho?

 

R - Do primeiro?

 

P/1 - É.

 

R - O primeiro era com o primo do meu pai, fazendo vitrô. Mas eu era franzino. Eu sou franzino hoje, eu era magríssimo. E era serrar ferro para ele fazer as construções, os vitrôs. Era só isso. 

 

P/1 - E aí, no próximo, como era o seu dia de trabalho?

 

R - Depois eu fui trabalhar na fábrica de meias Lana. Dona Marieta. E lá era escritório, mas escritório não tinha nada. Então, ficava lá mais matando o tempo, pegava um livro de escola e estudava. E ficava esperando ordem de fazer alguma coisa. Aí me ensinaram a fazer algum serviço na meia lá, passar a meia no ... tinha um pé assim, enfiava a meia, para passar a meia. (risos) Então, eu fazia alguma coisa.

 

P/2 - Legal. Senhor Domingos, eu queria saber como foi a entrada do senhor na faculdade. Como o senhor decidiu escolher esse curso, e como foi entrar nessa profissão de contador. Conta um pouquinho para a gente.  

 

R - Contabilidade eu fiz no segundo grau. Eu fiz o primeiro grau comércio, era quatro anos na atividade e de lá eu já cheguei fazendo o curso de contabilista, técnico em Contabilidade. E, nesse tempo, já quase no fim do curso, eu fui fazer o curso para estudar Economia, na Álvares Penteado. Aí eu fiz exame, passei. Eu comecei o curso, mas não completei.

 

P/1 - Mas você lembra como você se sentiu quando você passou?

 

R - A gente se sente bem, não é, quando a gente passa. 

P/1 - Foi bom?

 

R - Foi. Foi bom. Um período bom.

 

P/2 - E o senhor tinha quantos anos nessa época?

 

R - Dezoito, por aí. Eu fui servir o exército com dezenove anos. Servi no Parque Dom Pedro. Lá naquele quartel do Parque Dom Pedro. E eu continuei estudando, era só subir a ladeira estava na Álvares Penteado. Eu era comportado. Não ficava zanzando, não. Voltava para o quartel direitinho.

 

P/2 - Entendi. E aí o senhor entrou nesse período da faculdade, depois terminou de servir o exército e começou já a trabalhar na área de contabilidade?

 

R - Depois que eu terminei o serviço militar, eu estava também completando o técnico em Contabilidade. E eu trabalhei numa empresa, como auxiliar, não é, inicialmente, e depois eu passei a contador da empresa. Na Eschenbach.

 

P/1 - E como era o seu serviço como auxiliar?

 

R - Auxiliar de contabilidade?

 

P/1 - É.

 

R - Rotina. Fazer livro. Naquele tempo a gente fazia o... como é que chama?  Diário Razão, o Razão era livro, não era folha, era um livro grande que você fazia o Livro Razão. Sabe o que é um Livro Razão, não é? Você tem o Livro Diário, que conta a história e você tem duas contas, débito e crédito. O Razão você tem as contas separadas. Então, o que é debitado e creditado vai passando nesse livro chamado Razão. Aí você, depois da soma, você faz o balanço. Você sabe o que você gastou, o que você ganhou. É contabilidade. Tem alguma noção de contabilidade, alguma coisa? Nada? Na escola não aprendeu nada? 

 

P/1 - Aprendi depois, mas agora eu quero saber do senhor. O senhor tinha alguma namoradinha, nessa época desse curso?

 

R - Eu não fui muito namorador, não.

 

P/1 - Não?

 

R - Não. Mas tinha namoradinha.(risos)

 

P/1 - O senhor quer contar alguma história sobre isso ou não?

 

R - Não tem nada especial.

 

P/1 - Nada especial? Então, está bom.

 

R - Comecei a namorar com a minha mulher, isso quando voltei do exército e ficamos acho que uns dois, três anos namorando, depois casei.

 

P/2 - E como foi que o senhor a conheceu, senhor Domingos? Conta para mim.

 

R - Um colega de escola que tinha casado, eu fui na festa e teve uma briga, e convidaram para ir numa outra festa, no próprio bairro, na rua de cima tinha uma outra festa e me levaram para lá. (risos) E lá eu a conheci.

 

P/1 - O senhor se lembra como o senhor se sentiu quando a viu pela primeira vez

 

R - A gente vai sentindo as coisas conforme vem, né? De lá a gente foi sabendo onde costuma andar e a gente procurou andar onde andava, não é? (risos) E acabou namorando. Foi bom o tempo de namoro. Não foi mal, não.

 

P/1 - E o que vocês costumavam fazer juntos quando começaram a namorar?

 

R - Fazia junto?

 

P/1 - É. Fazia algum passeio?

 

R - Batia papo e saía, não é? Assim, parque e tal. Mas sempre tinha uma companhia junto, não deixavam a gente sozinho. (risos)

 

P/2 - O pai dela tinha bastante ciúmes?

 

R - É. Eles tinham precaução, não é? Não era ciúmes. Precaução, porque você sabe como é que é.

 

P/2 - E quantos anos ela tinha quando vocês se conheceram?

 

R - Eu tinha perto de vinte e ela tinha dezoito.

 

P/2 - E aí namoraram quanto tempo?

 

R - Uns três anos.

 

P/2 - E o senhor se dava bem com a família dela?

 

R - Me dei bem com eles. O velho era hungarês. Eles eram de terras eslavas, não é? Húngaros. E eu sou descendente de italiano. Mas não tive problema, não. Me dava bem com o pai dela.

 

P/2 – Legal, senhor Domingos. E como foi essa preparação para o casamento? O senhor lembra? Onde o senhor foi morar? O dia do casamento, como é que foi? Conta um pouquinho para a gente desse dia.

 

R - Faz tempo, hein? Nós começamos a namorar, primeiro, assim, nós nos encontramos no cinema. E lá no cinema foi o primeiro encontro, assim, que a gente teve. Assistimos o filme, saímos. Uma separação tremenda. Eu mais fui até perto da casa dela. Não na frente da casa dela. (risos) Mas daí, foi se entrosando, foi se entendendo. Foi bom. Foi bom.

 

P/1 - E aí vocês casaram?

 

R - Dois anos depois de namoro, assim.

 

P/1 - Teve festa?

 

R - Fizemos uma festinha, não é?

 

P/1 - Como foi esse dia do casamento?

 

R - Foi bom. Sabe, coisas do dia assim, é difícil dizer.

 

P/2 - Muito bom, senhor Domingos.

 

R - Sei lá, a gente se entendeu bem. E se entende bem até hoje.

 

P/1 - Ah é?

 

R - Quando briga, um dá tapa um no outro. Mentira.

 

P/2 - Senhor Domingos, e aí depois de quanto tempo de casado que vieram as crianças? Vocês foram morar onde? Como era essa rotina? O senhor já trabalhava como contador?

 

R - Já.

 

R - Nós fomos morar... na casa do meu pai tinha duas casas. Nós fomos numa das casas do meu pai, morar. Foi normal. A gente se dava bem, ela se deu bem com a minha mãe. Se davam bem.

P/1 - É?

 

R - Vivemos bem, graças a Deus.

 

P/2 - E ela ficava em casa ou ela trabalhava fora?

 

R - Não. Ela ficou em casa.

 

P/2 - Ah. E aí nesse tempo o senhor trabalhou com quê?

 

R - Eu era contador. Já fazia contabilidade. Trabalhava na Eschenbach.

 

P/2 - Nessa época o senhor já trabalhava.

 

R -  Na Florêncio de Abreu. Então, tinha uma caminhada do alto da Lapa até a Florêncio de Abreu. Do ônibus tinha caminhada, porque o ônibus deixava na Praça Ramos de Azevedo e tinha que ir a pé até lá o final da Florêncio de Abreu. Era rotina diária. De tarde ia para a escola, na Álvares Penteado. Subia a Florêncio de Abreu, comia alguma coisa e ia para a escola.

 

P/2 - Legal, senhor Domingos. Muito bom. E aí o senhor morou quanto tempo nessa casa dos fundos?

 

R - Até eu comprar uma casa em São Mateus. Foram... agora preciso me lembrar as datas. Foram uns quatro, cinco anos, mais ou menos.

 

P/1 - Aí o senhor foi para São Mateus?

 

R - E aí fui para São Mateus. Ninguém acreditava que eu ia conseguir ficar em São Mateus. Não tinha nada em São Mateus.

 

P/2 - Como era lá, senhor Domingos, quando o senhor chegou?

 

R - São Mateus?

 

P/2 - É.

 

R - Era bem deserto. Era uma localidade inicial, não é? Estavam iniciando as coisas. E a casa que eu comprei era uma casa de construtora, que construía as casas e depois vendia, através da Caixa Econômica, não é? E fomos levando a vida lá.

 

P/1 - E o senhor gostava de morar lá?

 

R - Gostei. É um bairro bom.

 

P/1 - E como era a casa antes, quando o senhor comprou?

 

R - Era uma casa pequena: dois quartos, cozinha. Simples. E eu trabalhava, era na Vila Diva. Tinha uma caminhada de casa até a Vila Diva. Caminhada boa.

 

P/2 - E o senhor ia andando?

 

R - Não. Eu já tinha um carrinho pequeno, que me levava.

 

P/1 - Legal. Qual era esse carro?

 

R - Um Fiat bem ___________ [25:07]. Mil novecentos e _________ [25:09]. (risos)

 

P/2 - E foi o primeiro carro do senhor?

 

R - Foi.

 

P/2 - Legal, hein? O primeiro carro é sempre emocionante, não é? E, senhor Domingos, depois o senhor mudou então, para São Mateus, e aí a família aumentou, não é? Como foi a chegada das crianças? O senhor se lembra o dia? Quando soube que ia ser pai? Como o senhor reagiu a tudo isso?

 

R – Ah, foi bom. A gente espera, não é? Quando você casa, a primeira coisa que você espera é que logo apareçam filhos. (risos) E a primeira foi a minha filha, a Helena. A primeira. Depois, veio o filho, dois anos depois, veio o filho.

 

P/2 - Qual o nome do filho do senhor?

 

R - Maria Helena, a menina e meu filho, Domingos Carlos. Levaram os dois primeiros nomes, o meu e da minha mulher. Minha mulher é Maria.

 

P/1 - Como foi o dia do nascimento da Maria Helena?

 

R - Você me pergunta coisa muito antiga.

 

P/1 - O que o senhor lembra desse dia?

 

R - Foi bom. Eu sei que ela nasceu na maternidade João Daudt D’Oliveira. Acho que vocês nem conheceram essa maternidade, não sei se existe ainda. Ela tinha convênio com o sindicato dos Contabilistas, eu já era contabilista e associado ao sindicato. Então, ela foi receber o nenê lá na Maternidade João Daudt. Foi assim, simples.

 

P/2 - E isso já era em São Mateus, não é?

 

R - Como é que é?

 

P/2 - Isso, vocês já moravam em São Mateus?

 

R - Não. Morava no alto da Lapa. 

 

P/2 - No Alto da Lapa. Então, quando mudou para São Mateus, as crianças já eram crescidas?

 

R - Já tinham crescido.

 

P/2 - Para o senhor, como foi ver essa transformação do bairro São Mateus? O senhor acompanhou, então? 

 

R - Para mim foi normal. Bom, meus pais é que sentiram, porque já estavam se acostumando com as crianças, não é? Então, sempre sente, não é? Mas para mim foi normal. Naquele tempo São Mateus era isolado, não tinha nada. Era matão, mesmo. Mas, está bom. Tudo bem.

 

P/2 - E como foi esse desenvolvimento do bairro São Mateus? O senhor acompanhou, viu chegar novos moradores, fábricas. O senhor se recorda, mais ou menos, essas mudanças que teve?

 

R - Eu fui morar num conjunto criado por eles, não é? Chamava-se Vilsan, se não me engano, a imobiliária que fazia as casas lá. Então, era uma casa de uma imobiliária, não é? Então, tinha várias casas, todos moradores eram novos, porque construção nova, não é? Todos moradores eram novos. A gente foi fazendo amizade com os vizinhos e aí foi bom, deu para encarar bem.

 

P/2 - Muito bom, senhor Domingos. Bem legal. E aí, o senhor continua morando em São Mateus até hoje?

 

R - Até hoje. Na época eu trabalhava na Vila Diva. Tinha uma pequena empresa na Vila Diva. E essa pequena empresa mudou, perto do Jardim Sapopemba, que está até hoje.

 

P/1 - Era empresa de quê? Era empresa de contabilidade?

 

R - Não. Essa empresa era e é fabricante de material de proteção individual: luvas, aventais, máscaras, máscara para soldador, máscara respiratória. No geral, equipamento, aquilo que equipa o empregado para trabalhar, na agressividade do trabalho. Proteção na agressividade do trabalho.

 

P/1 - Era sua empresa, não é?

 

R - Até hoje.

 

P/1 - Como é que foi que surgiu a ideia dessa empresa?

 

R - Eu tenho escritório de contabilidade na Lapa. E um cliente no Ipiranga, que era a Protebrás, que é a minha empresa até hoje. E eu dava atendimento a essa empresa e a outras empresas. Só que essa empresa aí, um dos sócios, que eram irmãos, resolveu abandonar, cuidar da sua vida e ir para outro lado, e o outro irmão, que eu tinha boa amizade com ele, me convidou para ser sócio dele e daí fui sócio, durante muito tempo estivemos associados, mas depois, um dia, ele resolveu parar e descansar, aí meu filho ficou sócio de mim e continuamos a empresa.

 

P/1 - Vocês trabalham em família nessa empresa?

 

R - Eu, minha mulher e meu filho.

 

P/1 - Ah sim, e a sua mulher faz o que lá?

 

R - Costuras. A parte das costuras ela cuida. É uma empresa pequena, não é uma empresa grande, que tem muita gente. Mas sempre tem serviço.

 

P/1 - Que bom, não?

 

R - Serviço tem, o que falta é dinheiro.

 

P/2 - Senhor Domingos, e como foi para o senhor, mudar de ramo? Ter uma empresa agora?

 

R - Natural. Aceitei naturalmente. Como contabilista, você participa da administração, não é? Então, naturalmente a coisa se passa, pela própria profissão. 

 

P/2 - E o senhor cuida até hoje da empresa? Trabalha bastante?

 

R - Trabalho normal, bastante não.

 

P/2 - Mas acompanha, tudo o que está acontecendo lá dentro?

 

R - Tudo. Eu, meu filho e minha mulher.

 

P/2 - Que legal. E os filhos do senhor, como foi quando eles começaram a crescer, começar a sair? Como era essa rotina do senhor como pai? Ficava bastante preocupado? 

 

R - Preocupação sempre os pais ficam, não é? Mas, naturalmente, eles eram bem comportados, tudo avisava onde estava, a gente sempre sabia o que eles estavam fazendo. Nunca tive problema nem com a filha, nem com o filho. Os dois.

 

P/2 - E eles fizeram faculdade também?

 

R - Fizeram. Meu filho é químico, nível superior e a minha filha fez... como chama ... e agora? Estou tentando lembrar como é que chama a faculdade. Ela fez um curso de Administração.

 

P/2 - Recursos Humanos, será?

 

R - É de Recursos Humanos, mas tem uma especialidade própria, só que agora eu não me lembro.

 

P/2 - Não tem problema.

 

R - E ela tem uma empresa com o marido, ela não exerce a profissão dela exatamente. Ela ficou empresária, não é? E o meu filho ficou comigo. Também empresário.

 

P/1 - A empresa dela é do quê?

 

R - A nossa empresa?

 

P/1 - A dela.

 

R -  A dela?

 

R - Eles fazem é ... como é que chama aquilo? Eles tem geradores de ar. Ar comprimido. E eles alugam essas máquinas que geram ar comprimido, para diversos serviços, não é? Principalmente a construção civil, para os materiais deles, lá.

 

P/1 - Entendi. E o senhor tem netos?

 

R - Quatro. 

 

P/1 - Quatro?

 

R - É. Minha filha tem um casal e meu filho tem outro casal.

 

P/2 - Tudo de casal, então? 

 

R - É. 

 

P/2 - E como foi para a chegada dos netos? O senhor se lembra quando soube que ia ser avô? Como foi a chegada do primeiro neto?

 

R - É que a velhice está chegando, não é? Vai ser avô. Foi bom. Não tenho nada de especial assim, normal. Aceitamos normal a vida.

 

P/2 - Legal. E quais os nomes dos netos do senhor?

 

R - Heloisa Helena e Renato, são os filhos da minha filha e do meu filho é Nádia e Rodrigo. São quatro netos.

 

P/2 - Que legal. E como é a relação com os filhos do senhor? Vocês se dão bem?

 

R - Graças a Deus. Bem. Normal. Nunca tivemos encrenca, não.

 

P/2 - E como foi quando eles saíram de casa? Como foi para o senhor a mudança assim, na rotina, de não ter mais eles lá todo dia?

 

R - Normal. Aceitamos a coisa como deve ser aceito, não é? O crescimento da vida é isso mesmo. Os filhos saem. Vocês não são casadas ainda, não é? Mas estão se encaminhando para o casamento, não é? Seus pais vão aceitar naturalmente. Espera que o namorado seja bom, boa pessoa, vão procurar saber se é bom mesmo, para que tenha uma vida boa também, não é? Porque não vai casar com qualquer um aí, para depois ficar tropicando.

 

P/1 - Você tem alguma história com seu filho, na empresa, alguma história que você queira contar aqui? Algum dia que vocês trabalharam juntos.

 

R - Nada especial, assim. Vida corriqueira. Normal. A gente trabalha junto, se dá bem, graças a Deus, mas em especial assim, de que tenha acontecido alguma coisa, não tem nada especial, não.

 

P/2 - Senhor Domingos, queria saber então, como é a sua relação com os seus netos?

 

R - Boa.

 

P/2 - Boa também?

 

R - Boa. Graças a Deus.

 

P/2 - E eles já tem filhos ou não?

 

R - Da Maria Helena, tem a Heloisa Helena e o Renato. A Heloisa Helena tem dois filhos, um casal.

 

P/2 - Tudo casal.

 

R - É. E o Renato ainda não tem filho. Do filho do Domingos, ele teve dois filhos também, um casal também, a Nádia e o Rodrigo. A Nádia está casada, mas ainda não tem filho e o Rodrigo está namorando. Está prestes.

 

P/2 - Senhor Domingos, e o senhor, o que costuma fazer assim, durante os finais de semana? O que o senhor gosta de fazer com a dona Maria? Passear, viajar?

 

R - Eu vou trabalhar. Durante a semana eu vou trabalhar. Final de semana a gente passeia um pouco, vai até o Parque do Carmo e tal. Passeio simples, ou fica em casa vendo televisão. O Sílvio Santos.

 

P/2 - E a relação do senhor com ela?

 

R - Com a Maria?

 

P/2 - É.

 

R - Boa.

 

P/2 - Boa.

 

R - A gente sempre se deu bem, quando briga, um dá tapa no outro, mas é só de brincadeirinha. (risos)

 

P/2 (risos) E o senhor continua morando no bairro de São Mateus?

 

R - São Mateus. E trabalho lá também.

 

P/2 - A empresa do senhor é lá também?

 

R - É próximo. Eu estou no Jardim Tietê e a empresa está no Jardim Sapopemba. É próximo um do outro.

 

P/1 - E o que o senhor gosta de fazer para se divertir, atualmente?

 

R - Ver o Palmeiras ganhar do Corinthians. (risos)

 

P/1 - (risos) Aí é bom, não é? 

 

P/2 - E o senhor costuma acompanhar futebol desde jovem?

 

R - Eu não acompanho assim, não é? Eu gosto de futebol, gosto do Palmeiras, não me desgosta o Corinthians, não me desgosta o São Paulo, nada. Não tenho nada contra. Gostei do Palmeiras. Acho o verde mais bonito.

 

P/2 - E o senhor já foi ao estádio, senhor Domingos?

 

R - Estádio?

 

P/2 - É.

 

R - Com a idade que eu tenho devo ter ido, não é? No Pacaembu.

 

P/2 - E como eram essas experiências de ir ao jogo no Pacaembu? Era bem diferente, não é, do que é hoje?

 

R - Não sei. Eu ia só assistir o futebol, não me metia em briga, porque tinha sempre um bafafá, não é? Eu ficava quietinho no meu canto, não tinha ... estava bem com a vida.

 

P/2 - E o senhor se lembra a primeira vez que foi ao estádio? Com quem foi?

 

R - Quando eu era menino, nos domingos, meu pai saía, pegava os dois filhos e ia num campo de futebol. Nós morávamos na Rua Coriolano, na Água Branca, não sei se você conhece.

 

P/2 - Sim.

 

R - E tinha futebol lá em cima no ... era de uma empresa lá de cima, que eu não estou lembrando o nome. Ou a gente ia do lado da Freguesia do Ó, tinha vários campos de futebol, a gente ia assistir e tal, o futebol. Ou ia no Parque Antárctica, ia ver o Verdão.

 

P/2 - Então, a companhia do senhor no estádio era sempre o ...

 

R - Meu pai. Meu pai e meu irmão.

 

P/2 - E o senhor se dá bem com eu irmão?

 

R - Graças a Deus.

 

P/2 - Cresceu se dando bem, amigos?

 

R - Só que ele é são paulino. Eu sou palmeirense. (risos)

 

P/2 - (risos) Muito legal, senhor Domingos. E qual lembrança que o senhor tem, assim, do seu irmão, depois de crescidos? Criança o senhor já comentou do futebol.

 

R - Sempre foi um cara legal. Sempre foi bom. Ele era alfaiate, não é? Estava sempre puxando a agulha. Mas a gente se deu bem. Eu não puxava agulha. Quando eu quis pegar uma peça de pano para costurar, meu pai falou: “Você não presta para isso, vai jogar futebol”. Meu irmão levantou. “Você fica aí”. (risos) Como eu não me dei bem com a agulha, ia jogar futebol.

 

P/2 - Certo. E quantos anos o senhor ... quem é o mais velho? O senhor?

 

R - Meu irmão era mais velho. Ele já faleceu, não é?

 

P/2 - Faz tempo?

 

R - Não me lembro.

 

P/2 - Entendi. Ele faleceu com quantos anos?

 

R - Não sei dizer agora de pronto, assim. Mas já tinha família já crescida. Não foi cedo, não.

 

P/1 - O senhor tem algum plano para o futuro, agora ou o senhor quer aproveitar?

 

R - É só esperar a hora que Jesus chama. (risos)

 

P/2 - Não em nenhum lugar assim, que o senhor gostaria de conhecer, de visitar?

 

R - O Brasil inteiro.

 

P/2 - Brasil inteiro?

 

R - É. Mas não tenho oportunidade, porque você precisa ter tempo e dinheiro. E falta os dois. (risos)

 

P/2 - (risos) E o senhor já fez alguma viagem assim, que marcou o senhor? Viajou para fora ou não?

 

R - Não. Só viagens comuns, em lugares conhecidos.

 

P/1 - Qual foi o lugar que você viajou que você mais gostou?

 

R - Litoral.

 

P/1 - Litoral?

 

R - É. Itanhaém, Praia Grande. Litoral. 

 

P/1 - O senhor gosta de praia?

 

R - Bom, não é? Praia é bom. Você não gosta? Claro que gosta, não é?

 

P/2 - Então, o que o senhor costuma fazer hoje é cuidar da empresa, ficar com a família.

 

R - É. Trabalhar.

 

P/2 - Trabalhar. O senhor gosta de trabalhar, então?

 

R - Eu sou um trabalhador, que nem o Lula.

 

P/2 - Analisando assim, a história do senhor, a vida do senhor, quais foram as coisas mais importantes que o senhor já fez, assim?

 

R - Montar família, não é? O mais importante. Fazer uma família, ter filhos. E depois ter netos.

 

P/1 - O senhor mencionou o Lula. O senhor votou nele?

 

R - Não.

 

P/1 - Não? Nunca votou nele? 

 

R - Não sou lulista.

 

P/1 - Em quem o senhor votou?

 

R - Nem me lembro.

 

P/1 - Não lembra?

 

R - Não lembro as pessoas que eu votei, mas no Lula eu não votei, com certeza. Maluf também não votei, não. Que é o oposto, não é?

 

P/2 - Muito legal. Muito legal, senhor Domingos, ouvir a história do senhor. E hoje, com a experiência que o senhor tem, de trabalho, quais os planos, para quando for tirar umas férias, descansar, quais os sonhos que o senhor tem agora, para o futuro?

 

R - A gente não tem plano, não é? A gente espera o dia que Jesus chama e...

 

P/2 - Mas e até lá, o que o senhor planeja fazer?

 

R - A gente vai trabalhando. Trabalhando, lutando. Vivendo. Gozando a vida da melhor forma possível. Sendo honesto. Continuando ser honesto. De bons princípios. E a vida vai se tocando. É isso aí.

P/1 - Muito legal. Senhor Domingos, como foi contar a sua história hoje?

 

R - Me sinto bem, não me sinto mal, não.

 

P/1 - Como foi relembrar todos esses momentos?

 

R - É bom.

 

P/2 - Deu saudade?

 

R - De alguma coisa a gente sempre tem saudade, não é? Mesmo até do serviço militar eu tenho saudade.

 

P/2 - É?

 

R - É. Eu servi um ano e um mês. Mas foi tranquilo. Foi bom. Eu não era militar. Nunca fui militar. Vivi assim minha profissão de contabilidade, como funcionário de empresa, depois abri um escritório de contabilidade na Lapa, durante muito tempo e quando eu fiquei com a Protebras, firma de material de proteção que a gente tem até hoje, eu vendi o escritório para um cidadão chamado Sarmento. Parente do radialista Moraes Sarmento. E esse cara continua com o escritório. E tinha tudo bras. Era Contabras o nome da empresa de contabilidade, e a empresa que depois eu fiquei, de material de proteção, é Protebras.

 

P/2 -  Ah é? E porque bras?

 

R - A gente usou o nome bras de Brasil, não é? Protebras. Até hoje.

 

P/1 - Tem alguma história que o senhor queira contar para a gente? Que o senhor pensou em contar hoje?

 

R - Nem pensei em nada. Que história eu poderia contar?

 

P/1 - Uma que você queira deixar registrada aqui no Museu, uma história que marcou o senhor.

 

R - Não tem nada em especial. É uma vida comum. Só quando eu fui para o serviço militar é que a vida foi diferente, que é a preparação para a guerra, não é? Você se prepara para outra coisa. Eu me preparei para fazer contabilidade, (risos) e de repente me acho numa situação de me preparar para a guerra. Então, foi diferente. 

 

P/3 - Como era essa preparação?

 

R - Ah, você aprende a primeira coisa é a manejar arma, não é? Que eu nunca usei arma, nunca tive arma. E lá você se habitua. Eu dava serviço de sargento, usava aquele cartuchão aqui do lado, era mais pesado do que eu. (risos) Eu era magro para burro e aquele troço era mais pesado do que eu. Então, quando dava serviço de sargento era vinte e quatro horas, não é? De serviço. Acho que você conhece isso, serviço militar. Então, você tinha vinte e quatro horas à disposição. Dormia, mas dormia pouquinho, duas horas, depois dava duas horas de serviço. Serviço militar normal, não sei como é hoje, mas deve ser a mesma coisa. Você não serviu o exército.

 

P/1 - Você gostou de servir o exército?

 

R - Quando tiver o serviço militar feminino você vai servir e vai ver.

 

P/1 - O senhor gostou de servir o exército?

 

R - Me dei bem, fiz amigos.

 

P/1 - Você teve contato com esses amigos depois?

 

R - Tenho até hoje.

 

P/1 - Até hoje?

 

R - Sargento Vilmar, por exemplo, do Rio de Janeiro. Me dei bem com esse cara. Fomos amigos. Eu era soldado e ele era sargento já, quase oficial, já estava no fim para ser sub oficial. Mas é uma pessoa que eu me dei bem no exército. E os colegas eu me dei bem com um monte deles.

 

P/1 - Então, foi uma época boa?

 

R - Foi. Tranquilo.

 

P/3 - Como eram as amizades lá? Vocês conversavam? Dava tempo de fazer alguma coisa além do...

 

R - Do quartel?

 

P/3 - É.

 

R - Tinha sempre um tempo disponível fora da atividade. Era preparação, não é? Você tinha que se preparar para atender uma necessidade bélica, não é? Mas dava para se entender bem com as pessoas, tudo. Eu fiz boas amizades, Não tive más amizades, não. A turma tem medo do exército. Diz que é tudo pilantra, mas não é, não. Eu servi o exército e encontrei gente boa lá.

 

P/3 - Nos dias de folga, o senhor ficava no exército?

 

R - Não. Eu ia para casa. Inclusive, não dormia no quartel, dormia em casa. Só quando estava de serviço ficava no quartel. Mas sendo dia normal, tinha que ficar fardado. Chegava em casa, tirava a farda e punha a roupa de paisano. (risos) Não podia, mas a gente fazia. Ainda estava estudando, ia para a escola sem a farda, não é? Porque quando eu ia com a farda a turma já falava: “Já chegou o general”. (risos) Eu estudei no Álvares Penteado, lá no Largo São Francisco, conhece, não é? E era uma pândega da turma. Me dei bem lá. Não me dei mal, não. No serviço militar também, não me dei mal, não. Fiz amizade. Ao contrário, não fiz inimigos, fiz amigos. Isso é bom, não é?

 

P/2 - Lógico. Mas quando o senhor estudava na escola Álvares Penteado também fez bastante amigos?

 

R - Quando estava estudando na Álvares Penteado estava servindo o exército.

 

P/1 - Sim. Mas aí tinha os amigos, também, da escola.

 

R - Da escola. Me dei bem com eles também. Só que quando chegava na escola, chegava fardado, porque eu saía do quartel, lá embaixo, ia para a Álvares Penteado, chegava lá a turma já gozava: “Chegou o general”. (risos) 

 

P/3 - E o senhor respondia o quê?

 

R – Brincadeira é brincadeira, não é? Mas eu poderia ter seguido, em seis meses já podia ser sargento. E acho que me daria bem, subiria com facilidade, porque eu já tinha escola, não é? Já tinha o técnico em Contabilidade, o último ano. Então, dava para se dar bem, no progresso. 

 

P/1 - E porque que o senhor não seguiu?

 

R - Porque não era minha área, não é? Não queria ser militar. Eu pensava o seguinte, na época: “Se o Brasil precisar, e eu for chamado, eu vou atender, mas eu não quero servir como profissional”, 

 

P/2 - Entendi.

 

R - Que o militar é um profissional, não é?

 

P/2 - Sim.

 

R - E o Brasil, graças a Deus, não é de guerra. Graças a Deus os políticos brasileiros, podem ser safados, mas não são de guerra. Porque tem político que gosta de fazer uma guerrinha, não é? E o povo é que sofre. Você não é militar? Nunca foi? Ela foi militar.

 

P/2 - Eu? Não. (risos). Bom, senhor Domingos, então, a gente queria... o senhor tem mais alguma história para contar, assim?

 

R - História sempre a gente tem. Se não tem, a gente inventa.

 

P/2 - Deixa eu perguntar: os filhos do senhor chegaram a servir também?

 

R - Não.

 

P/2 - Não?

 

R - Foi livre. Dispensado.

 

P/2 - Ah, então, o senhor foi, porque foi chamado, mesmo?

 

R - Eu me apresentei, com dezenove anos. A gente se apresenta, eu me apresentei, eles me seguraram: “Esse é bom, esse é magrinho. Serve de bucha de canhão”. (risos) Então, eles me seguraram, aí eu fiquei um ano e um mês servindo. Não tinha o que fazer, fiz o curso de cabo, depois o curso de sargento. E se dava para fazer curso de oficial, também faria. Não tinha problema. Mas me dei bem com o pessoal todo, tanto de sargento, com os colegas, com os oficiais. Todos me dei bem. Nunca tive atrito com nenhum.

 

P/1 - Muito legal. Mas o senhor queira mesmo seguir na área de contabilidade, não é?

 

R - Eu tinha projetado a minha vida para fazer uma vida civil, não uma vida militar. Tem gente que quer ser militar. Eu não queria ser militar. Mas se o Brasil precisasse de mim, eu ia servir. Até hoje, se ele precisar, ainda, acho que ainda tenho fôlego para segurar uma arma.

 

P/3 - E lá foi o único lugar que o senhor teve contato com armas? Lá no exército foi o único lugar que o senhor teve contato com armas?

 

R - Só no exército. Nunca tive arma, revólver, coisa assim nunca tive em casa. E não achava necessidade também de tê-la, não é? A vida normal, se você tem que enfrentar um bandido, com arma ou sem arma, o bandido está sempre na dianteira, não é? É melhor não ter arma.

 

P/1 - Senhor Domingos, se o senhor pudesse dizer alguma coisa para o Domingos jovem, o que seria?

 

R - Meu filho.

 

P/1 - Não. Para você, quando você era jovem. Se você pudesse dizer alguma coisa.

 

R - Para ele?

 

P/1 - É.

 

R - Ia dizer muita coisa. Estuda, trabalha, leva a vida séria. Eram as coisas que eu poderia falar para ele. Ele era boa gente. Era. E foi um bom soldado também. (risos). Nunca tive punição no exército. Que é normal, no exército, o cara serve, já começa com punição. Começa a ter alteração lá, eu nunca tive. Me dei bem, sabia que estava sendo preparado para a guerra. Que o exército nada mais é do que preparação para guerra. Você pensa que o serviço militar é o quê? É aprender a tirar. Atirar nos outros. É o que a gente não deve fazer, não é? (risos) Mas você vai no exército para aprender a atirar nos outros. Uma incoerência, não é?

 

P/2 - É.

 

R - Precisa estar preparado. Aliás, os povos precisam ter serviço militar. Você nunca sabe quando você pode ser atacado. Você pode não atacar, mas podem te atacar, não é? Então, você precisa estar preparado para se defender. Esse é o serviço militar. Você não fez serviço militar. Não foi soldada. Não. Ainda bem que eles não convocam as moças, né? (risos) Você serviu?

 

P/3 - Não. Por conta da miopia, me dispensaram.

 

R - Foi dispensado. Mas não é mal, não. Serviço militar não é mal, não. Se quiser aprender alguma coisa de bom, você aprende, ou se quiser aprender alguma coisa de mal, também aprende. É como aqui na vida normal, não é? A vida também é assim. A gente pode aprender coisa boa, seguir o caminho do bem, como pode seguir o caminho do mal. Vocês seguem o caminho do bem, não é? São boas moças.

 

P/1 - Como foi contar a sua história? Você gostou? Quer deixar algum recado? Alguma coisa?

 

R - Felicidades para vocês. Sejam bastante felizes.

 

P/1 – Pra você também, senhor Domingos. A gente adorou. 

 

P/2 - A gente queria agradecer, senhor Domingos, pela presença do senhor aqui, por estar disponível a contar um pouquinho da sua história, da sua caminhada como trajetória. Então, acredite que foi muito especial para a gente e a gente espera também que tenha sido para o senhor, viu?

 

R - Eu não contei da minha mulher.

 

P/2 - Então, por favor.

 

R - A gente se conheceu, namorou e casou. (risos)

 

P/1 - (risos) Conta mais um pouquinho da sua mulher, como é que ela é?

 

P/3 - Quem foi que falou primeiro? Ela que veio falar com o senhor ou o senhor que foi falar com ela?

 

R - Eu.

 

P/3 - Ah é? E falou o quê?

 

R - A gente foi numa festa. Eu fui no casamento de um amigo de escola, e teve uma briga e a turma falou: “Não, não vamos embora não, tem uma outra festa aqui na rua de cima”. Então, nós fomos na outra festa, nessa outra festa é que eu conheci minha mulher.

 

P/3 - Não, mas como é que foi? Ela estava lá e o senhor foi chamar ela para dançar?

 

R - Ela estava lá, a gente dançou, brincou, conversou.

 

P/3 - E o senhor não a conhecia?

 

R - Não. Não conhecia. Foi a primeira vez que eu a vi. 

 

P/3 - E alguém que apresentou?

 

R - Sabe, a gente começa a andar por volta, para ver se a pessoa... e começamos, um dia, a namorar. E namora, e depois a gente faz a burrice e casa. (risos) Não é burrice. Você é solteira, não é? Então, não é burrice, não.

 

P/1 - Como foi seu casamento?

 

R - Como foi?

 

P/1 - É. Como foi? Como é?

 

R - É bom até hoje.

 

P/1 - Até hoje? Como ela é?

 

R - Minha mulher?

 

P/1 - É.

 

R - Uma boa pessoa. A gente se dá bem. Nunca tivemos encrenca. Encrenca tem, você tem uma necessidade de resolver um problema, você vai discutir o problema. Mas sempre se demos bem, nunca houve atrito, graças a Deus. Só que ela era são-paulina. E eu palmeirense, ela deixou de ser são-paulina. Pelo menos, não ficou palmeirense, mas deixou de ser são-paulina (risos). Você é corintiana, não é?

 

P/2 - Não.

 

R - Não? Deus me livre.

 

P/1 - Quantos anos vocês tem de casados?

 

R - Ih ... faz tempo. Casei em trinta e um de dezembro de cinquenta e nove. Sessenta e nove, setenta e nove, oitenta e nove, noventa e nove, dois mil e nove, dois mil e dezenove.

 

P/1 - É muito tempo.

 

R - Faz tempo, não é?

 

P/3 - Seis décadas.

 

R - É. Quase. Está lá. Estou chegando nas seis décadas.

 

P/3 - E foi de dia ou de noite, o casamento de vocês?

 

R - Foi no fim da tarde.

 

P/3 - Igreja?

 

R - Igreja.

 

P/3 - Qual igreja?

 

R - Lá da Vila Ipojuca. Não sei se você conhece. 

 

P/3 - Só de ouvir falar, pessoalmente não. E aí, como é que foi? O senhor ficou lá esperando? Ela foi aquela noiva atrasada?

 

R - Não. Mas o casamento se passou na igreja da Vila Anastácio, onde ela morava. Mas foi normal.

 

P/3 - Muita gente?

 

R - Os parentes, não é? Amigos. Que a gente convidou. Fez uma festinha, não é? Pão com cebola.

 

P/3 - Ela estava chorando no altar?

 

R - Não. Chorando, não. Graças a Deus. Ela se sentia bem. A gente se deu bem, graças a Deus, desde o começo e até hoje. A gente briga, um bate no outro, mas está tudo bem.

 

P/3 - E quem pediu quem em casamento?

 

R - Eu.

 

P/3 - E como é que foi esse dia?

 

R - Eu fui pedir para o pai dela, não é?

 

P/3 - Para o pai?

 

R - É. A gente começou a namorar. Vai se entendendo. Chega uma hora, a gente pensa em casar. Tem que falar com alguém, não é?

 

P/3 - E o senhor lembra desse diálogo com o pai dela? (risos)

 

R - (risos) É. A gente tinha um certo receio, porque era jovem, não é? Mas eu estava bem preparado já, eu conversei com o véio lá, o véio também estava preparado para aceitar tudo.

 

P/3 - Ele foi reticente, como foi? O o senhor chegou lá e falou: “Seu moço, eu vou casar com a sua filha agora” ou não? Como é que foi?

 

R - Não. “Eu estou namorando com ela e pretendo me casar com ela” “Está bom”.

 

P/1 - Vocês têm alguma música?

 

R - É. Uma música especial?

 

P/1 - É.

 

R - Tico tico no fubá. (risos) Não tem especial, nada. Eu sou palmeirense, ela era são-paulina. Agora ela é palmeirense. O que ela vai fazer, não é? Você é são-paulina? Corintiana, coitada.

 

P/1 - Não. Eu sou palmeirense também.

 

R - Você o que é que é?

 

P/3 - Eu sou palmeirense.

 

R - Gente boa, você vê, está sempre rindo. Você também é palmeirense?

 

P/2 - Eu não.

 

R - Eu não. Deus me livre.

 

P/3 - Tem alguma história que a gente não perguntou e que o senhor gostaria de contar?

 

R - Não tem nada especial. Serviço militar, na preparação para a guerra. E eu entendia facilmente isso. Você vai fazer serviço militar, não é para brincadeira. É uma preparação pra enfrentar a guerra. 

 

P/3 - Como foi o primeiro dia do senhor no serviço militar? Quando o senhor entrou, assim, tipo, e olhou tudo aquilo, o que foi que o senhor pensou? Como é que foi isso?

 

R - Normal. Aceitei bem. Não tive problema, assim, de adaptação.

 

P/3 - Mas eles falam alguma coisa para receber? Como é que é?

 

R - Não fala nada.

 

P/3 - Você chega...

 

R - Você aí, você se apresenta e vai compor uma ... no meu caso, era uma artilharia antiaérea, então era quatro baterias, três de tiro e uma de comando de serviço. Mas quando eu servi, tinha apenas uma bateria de tiro e uma bateria de comando de serviço. E eu servi na bateria de comando de serviço. Então, a gente estava lá para atender, começar a aprender as coisas que se passam dentro da caserna, não é? Aí você vai enfrentando a situação como ela vem.

 

P/3 - Qual foi a primeira coisa que o senhor aprendeu lá?

 

R - Dar tiro. A única coisa é que eu nunca tinha pegado numa arma.

 

P/3 - Mas você primeiro aprende a desmontar e montar ou já vai atirando com ela montada?

 

R - Você vai recebendo instruções, não é? Inclusive a montagem, desmontagem, como faz, e quando chega no tiro você vai na peça onde tem a preparação para tiro, lá no Parque Dom Pedro, e tinha lá, eles fechavam as ruas, porque ia dar tiro, então punha lá o quadro que você tinha que atirar, acertar ou errar. Então, você ia se preparar para atirar. Fazer a mira certa, então, você prepara. No nosso caso era mosquetão, não era fuzil, é uma arma menor que o fuzil. Fuzil pesa quinze quilos e o mosquetão cerca de seis quilos. Então, você tinha que pôr aqui, bem encaixado, eles davam instrução, encaixa bem, porque ele dá o tranco, se você deixar solto, ele te dá um tranco forte mesmo, pode te arrebentar aqui. Então, você tem que estar preparado para atirar. Então, primeiro eles preparam a pessoa que não é militar, não é? Não está acostumado a atirar, nunca tinha pegado numa arma. Fui pegar lá.

 

P/3 - E quando o senhor deu o primeiro tiro, o que foi que o senhor sentiu?

 

R - Normal. Já tinha sido preparado por eles para aceitar. Só que quando era serviço sargento, tinha o... como é que chama?... cinturão, e usava uma arma, que eu nem me lembro como chamava aquela pistola, acho que era pistola mesmo. Era mais pesada do que eu. Andava assim, de lado (risos). Eu era magro para burro. Eu sou magro hoje. Naquele tempo eu era magríssimo. Não pesava nada. Você serviu o exército? Não. Nem vai servir, não é? Você serviu? 

 

P/3 - Eu fui dispensado por causa da miopia. Eles não gostam de gente cega, não. 

 

R - Teve sorte. Meu irmão também foi dispensado. Eu não. Me recolheram lá. Ainda que me deixaram estudar. Eu recebi uma carteirinha, para poder andar à noite. Eu saia do quartel ia para o Álvares Penteado. Era só subir a ladeira lá, estava na Álvares Penteado. E voltava para o quartel. Então, tinha que ter uma ordem, para poder andar fora de hora. Mas eu era comportado. Era do quartel para a escola e da escola para o quartel. Não ficava zanzando na rua, não. Tem gente que gosta de ficar passeando, não é? Eu fazia o que tinha que fazer. Minha obrigação. E você, o que faz?

 

P/1 - Agora é só sobre o senhor. Tem mais alguma história que o senhor queira contar?

 

R - Da carochinha. Não serve?

 

P/1 - É só isso? Mais nenhuma história sobre a sua vida? Uma história especial. 

 

R - Não tem nada especial. Namorei, casei. Conhece Vila Anastácio? Eu morava no alto da Lapa, e ia do alto da Lapa até a Vila Anastácio, para namorar. E passava por cima, passava pela Vila Leopoldina, passava por lá e descia a rampa lá, para ir na Vila Anastácio.

 

P/1- O senhor ia lá namorar?

 

R - Namorar.

 

P/1- Com a sua esposa?

 

R - Com a minha esposa.

 

P/1 - Ela morava lá?

 

R - É. A única namorada que eu tive. Não tive outra namorada.

 

P/1 - Aí vocês iam passear?

 

R - A gente saía, sim. Fim de semana, ia no cinema. É mais o cinema, não é? Não sei hoje como é que são as moças. Vocês que são jovens, como é que é? Vai em outro lugar ou é cinema também? Assistir uns filminhos, não é? Dar uns abracinhos. Precisa, não é?

 

P/2 - Então, mais uma vez, muito obrigada senhor Domingos, pela participação do senhor, por ter compartilhado essas memórias com a gente. O Museu da Pessoa agradece, por ter o registro do senhor no nosso site, no nosso portal. Então, é isso, em nome do Museu a gente agradece a presença do senhor, a disponibilidade e também esses momentos compartilhados.

 

R - Espero que eu tenha sido útil de alguma forma.

 

P/1 – Foi, sim. Cada história de vida é especial. A sua foi muito,

 para a gente. Obrigada.






















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