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História

Prazeres hoje está na moda

História de: Flávio Minervino da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/08/2003

Sinopse

Orgulho do pai. Apropriação da sua identidade. Vergonha e orgulho da comunidade. Avô. Moradores. Militância. Trabalho social. Convite para ser presidente. Projeto. História do Morro. Casarão. Experiências com o futebol. Arrependimento. Significado de morar no Morro dos Prazeres. Família. 

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IDENTIFICAÇÃO
Meu nome é Flavio Minervino da Silva, meu local de nascimento é aqui no Rio de Janeiro, sou carioca. Nasci em 08 de abril de 1966.

FAMILIA
Meu pai é Minervino. Antes de começar a esticar, quando mais jovem eu não gostava muito do Minervino, mas com o passar do tempo teve uma importância muito grande o Minervino. Hoje eu só assino Flavio Minervino e faço questão que me chamem de Minervino. Quero herdar isso dele porque eu acho muito gratificante. Meu pai tinha pouco estudo, trabalhava na construção civil, tinha seus ideais, tinha dificuldades que todo pai de família tem por não ter estudo. Fomos criados com aquela dificuldade, mas conseguimos superar tudo isso. Ele me deu uma boa educação e hoje nós estamos aí dando seqüência ao trabalho que ele começou. Do meu avô pouco que eu me lembro. Eu vi ele duas vezes, e assim que eu comecei me entender como gente ele se mudou pra Santa Luzia, Niterói, lá em São Gonçalo. Ele faleceu quando eu era muito jovem ainda. Ele era paraibano. Aqui tem uma coisa de tradição, tem muito paraibano aqui, tem até um pedaço que chama Morro dos Paraíbas. Eu tenho duas filhas a Márcia de 19 anos, Amanda de nove anos. Tenho duas netas a Bruna de um ano e três meses e tenho a Julia de um mês e meio.Todo mundo morando no Morro dos Prazeres e com o maior prazer. Meus avós moraram aqui, meus pais, eu, meus filhos e meus netos. São cinco gerações da família Minervino morando aqui. Cinco gerações e detalhe que só sai mulher. Lá em casa são cinco mulheres na minha vida: minha esposa Vilma, minhas duas filhas e minhas duas netas.

MORRO DOS PRAZERES
Eu tenho uma estimativa de que há, entre 10 e 12 mil moradores no Morro dos Prazeres. Eu sou suspeito pra falar do Morro dos Prazeres que eu já gosto muito dessa minha comunidade, e eu falo minha porque eu já adotei ela e tenho o maior orgulho. Cinco anos atrás eu tinha até vergonha de falar, quando alguém perguntava, eu falava: “eu moro em Santa Tereza”, hoje não, hoje eu tenho um orgulho muito grande de falar que eu moro no Morro dos Prazeres, até pelo fato dos Prazeres hoje estar na moda. O primeiro da família a vir pro Morro dos Prazeres foi meu avô, o pai da minha mãe. Quando ele veio pra cá era só mato, tinha quatro ou cinco casas. Eu moro nessa localidade, porque na época só tinha paraíba hoje está misturado: tem paraíba, cearense, mineiro, todos eles é bem chegado e tem uma política até boa conviver ao lado desse pessoal. É um pessoal trabalhador, não gosta de confusão, gosta de manter a ordem no local aonde mora, manter o respeito e é muito gratificante. Por morar no Morro dos Prazeres e por ser Presidente da Associação, também eu tenho acesso a muitas comunidades.Eu sei que o Morro dos Prazeres ele está anos luz a frente de muitas comunidades, que pra conseguir o que nós conseguimos vão demorar um pouquinho. O Morro dos Prazeres pra mim é tudo, eu até sairia dos Prazeres se fosse para uma situação melhor, mas para ficar na vida que a gente leva aqui em cima igual aos Prazeres você não vai encontrar em comunidade nenhuma do Rio de Janeiro. Por que o nome Morro dos Prazeres? Há muitas histórias. Uma delas é que no passado tinha uma planta com nome de “prazeres” e daí esse nome veio pegando de lá pra cá, mas já ouvi outras versões até mais convincentes que a minha, mas a que eu tenho é essa da planta chamada prazeres. Mas o nome do morro tem tudo a ver, tudo combina com prazeres. Prazeres da vida, prazeres de viver, é um prazer.

ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES
É ASSAM

P - Sociedade Amigos do Morro dos Prazeres, a sigla é ASSAMP. Eu entrei na Associação no dia 20 de março de 1999. A minha entrada na Associação foi uma coisa até meio que por acaso. Houve no passado umas cinco ou seis eleições em que meu nome foi cogitado e eu não sabia. Fui chamado por alguns e não aceitei e por sentir o abandono que se encontrava a Associação me senti no direito de tomar uma atitude. A gente se envolve tanto por morar na comunidade, você não quer ver a coisa desandar com tantas conquistas que nós já conseguimos. Fui convidado a fazer um trabalho social aqui na escola de dança que nós temos na comunidade há vários anos e eu fazia um trabalho com os jovens, ligado à área de futebol com meninos e meninas. Quando veio o convite pra mim assumir a diretoria de esportes, eu fiquei super empolgado, comuniquei à minha esposa em casa. Trabalho social eu sempre fiz, mas não ligado diretamente e regulamentado pela Associação. Aí na primeira reunião me chamaram pra ser Presidente, relutei não quis aceitar, mas com o passar do tempo fui aceitando essa idéia de Presidente e hoje estamos já no final do segundo mandato. Graças a Deus eu acho que o objetivo está sendo alcançado. De vez em quando acontecem algumas coisas que você foge do seu objetivo, mas assim que eu posso eu volto novamente e estamos chegando no final do mandato cheio de gás, vendo a comunidade cada vez melhor. O meu objetivo como Presidente da Associação é dar cidadania pra minha comunidade apesar de entender que a comunidade em si ela quer muito, ela dá pouco pelo tanto que ela quer e aos poucos você vai até desanimando um pouquinho. Mas tenho esperança que a coisa vai se confirmar, conscientizar a comunidade que ela unida, não depende de estadual, de municipal, de federal. Ela não depende de nada, ela depende dela mesmo. Se cada um fizesse um pouquinho que tem direito essa comunidade seria já é boa, mas seria muito melhor. Temos agora o programa “Vida Nova” que é um programa do governo do Estado que já está há três anos na comunidade. Já tirou vários jovens da vida do crime e está dando todo apoio aí. Continua hoje firme e forte. Temos um outro projeto “Jovens pela Paz” que está vindo muito forte, tem vários jovens que trabalham na Associação comigo, até tenho conhecimento que em outras comunidades não está funcionando, mas aqui eu trago eles comigo trabalhando. Temos um projeto da nossa creche comunitária que é um projeto que a gente abraça, e apesar de toda dificuldade a gente tem mantido aos trancos e barrancos e tem beneficiado muitos pais e muitas mães pra poderem ir pro seu trabalho.

CASARÃO DOS PRAZERES
Olha, memória mais recente é que aqui eu já namorei muito nesse Casarão, no passado quando ele estava só na ruína. E aqui já foi escola, já foi abrigo para pessoas, para morador aí sem teto e é muito gratificante hoje nós termos esse Casarão do jeito que ele se encontra. Na verdade quando começou a reforma, eu falei até uma grande besteira: que pela verba que ia ser gasta aqui nesse Casarão eu pedia até que ele fosse demolido e reconstruído. Só que na demolição dele você ia matar uma história e essa história hoje nós estamos junto com o Museu da Pessoa tentado ressuscita-la e é uma história muito bonita.

LAZER NO MORRO
Futebol Eu não tenho uma lembrança não muito boa do futebol não. Eu hoje era pra ser um jogador profissional já aposentado devido aos meus 36 anos, mas eu treinei no Vasco, treinei no Flamengo e desisti na ultima semana que ia ser escolhido um goleiro, porque eu era goleiro. Eu já trabalhava, treinava uma vez por semana e meu treinador falou: “Na próxima semana é seu teste final e você tem tudo para passar.” Nessa semana não compareci e eu tenho uma grande magoa por não ter tentado, de repente não dava certo por não ter tentado. Sempre quando eu lembro disso eu acho que perdi uma grande chance da minha vida, de repente não dava em nada, mas você não vai saber se não tentar. Fora isso sempre vou jogando as minhas bolinhas, agora nem tanto que a Associação toma muito meu tempo. Dedico 14 horas por dia à Associação de Moradores e não tenho mais tempo pra jogar futebol hoje. Eu tiro o meu domingo pra poder dormir um pouquinho até mais tarde. Aqui no morro, eu tinha um time chamado Colorado. Esse time tem vários troféus, aqui na comunidade até que não era muito bom, mas do Aterro do Flamengo a gente tem alguns troféus em casa pra guardar de recordação.

AVALIAÇÃO DO PROJETO
Olha, o que eu acho desse trabalho é que esse trabalho é muito gratificante para o meu trabalho como Presidente de Associação e como pessoa. Eu acho que é muito importante ressuscitar varias histórias. Quer dizer a mesma história contada por vários anos só que com outras versões. Estou aprendendo com esse trabalho, porque também sou historiador, também faço parte desse projeto e percebo que aprendi muito com esse trabalho e vou aprender mais quando estiver editado tudo isso. A gente vai aprender muito com esse trabalho

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