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História

Prazer em tomar e em produzir guaraná

História de: Henio Nalini Junior
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/02/2008

Sinopse

O paulistano Henio Nalini Júnior recorda-se que, desde cedo, o guaraná fez parte de sua vida. Esperar pela bebida, que era comprada pela família apenas uma vez por ano, no Natal, é algo que marcou sua infância. Talvez inspirado por essa história, ele foi trabalhar na Antarctica e passou a atuar, exatamente, na produção do refrigerante. Henio fala dessa experiência, do que acompanhou na cidade de Maués, no Amazonas, onde a empresa cultiva a fruta, e das mudanças que a fusão com a AmBev trouxeram para esse processo. Ele também revela sua admiração pela planta do guaraná e conta a lenda indígena que explica sua origem. 

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História completa

Meu nome é Henio Nalini Júnior, nasci em São Paulo, no dia 5 de agosto de 1948. Desde que me conheci por gente, o guaraná Antarctica fazia parte, era o nome de refrigerante que eu conhecia, e a coisa era mais anual. Era no Natal que a gente podia, em função das dificuldades de família, que você podia tomar o guaraná. E é um produto que eu sempre gostei e a expectativa pelo Natal era sempre muito grande por causa desse produto. Para mim, era um sabor agradável, ele misturava um doce com alguma outra coisa que na época eu não sabia, mas que me agradava bastante.

Eu tive o contato com a história do guaraná, a fabricação, quando eu entrei na Antarctica, em 1968, através do próprio Orlando de Araújo e de outros, algumas outras pessoas que tinham cargo de chefia. Por outro lado, eu creio que não existe alguém que vá te afirmar categoricamente que esse foi o primeiro guaraná, que essa é a fórmula do guaraná na realidade, que se tem notícia de 1921. Dizem que essa fórmula foi comprada de um químico em Piracicaba, mas nada de concreto disso até hoje, com certeza.

A fábrica da Antarctica em Maués, na realidade, é a fazenda de 1971, salvo engano meu, foi a fazenda, a fábrica talvez dessa mesma época. O que a gente tinha conhecimento é que a semente vinha de Maués já torrada, vinha para São Paulo, e o extrato era fabricado na fábrica de essências aqui em São Paulo, na Mooca. Maués teve uma fase antes da fazenda, teve uma fase posterior à fazenda e teve uma fase também depois da fusão. É assim: a Antarctica mantinha a Fazenda Santa Helena, mantinha 230 mil, 250 mil pés de guaranazeiros, mantinha uma estrutura, mas uma coisa mais artesanal, e eu creio que a cidade, ela teve um crescimento maior após a fusão. A Brahma investiu, a AmBev investiu bastante na cidade, fez parcerias com a prefeitura, com os produtores locais, quer dizer, além da fazenda, ela tinha os produtores locais.

Ah, isso é uma coisa fantástica! Só quem vê sabe, porque, quando aquele fruto ele está realmente abrindo, que ele já está pronto para você colher, é uma coisa espetacular. É um vermelho com branco, aquele preto no meio parece um olho realmente. Aquilo é uma coisa espantosa, é muito bonito ver aquilo. Ainda mais para quem gosta. Aquilo é muito bonito, realmente é.

Foi justamente num restaurante desses onde nós estávamos almoçando, em Maués, que a pessoa perguntou se podia sentar na mesa. Eu falei: “Claro.” Você sempre aprende alguma coisa útil. E aí ele perguntou para mim: “Você sabe como é que surgiu essa lenda do guaraná? Você sabe a lenda?” E eu falei: “Não, me conta.” E durante todo o almoço ele foi contando a lenda da índia com o índio, que ninguém queria, que eles fugiram, parece história de amor aqui recente, nós temos muitos casos desses aqui, né? E foi assim. Então, ele disse que onde caiu o raio em que os dois estavam cresceu a planta do guaraná, que tinha os olhos da índia.

Depois que eu estive, depois que eu entrei na Antarctica, quando eu realmente fui para a fábrica de essências trabalhar lá, vi que o costume do pessoal era sempre pegar um pouquinho de pó de guaraná de manhã, colocar numa água quente, agitar, deixar lá durante uma hora, duas, e depois mexer e tomar. Foi lá que eu adquiri o hábito, e eu parei com esse hábito agora, nesse ano, quando eu tive esse probleminha, que precisei colocar um stent. Parei, mas mais por uma questão de não acelerar muito a circulação. Agora, depois, eu volto a tomar. Faz bem, com certeza, bem, bem.

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