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História

Praticamente paulistana

História de: Carmen Silva Vernucci
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 25/02/2021

Sinopse

Carmen compartilha memórias de sua infância da Praça Central de São José do Rio Preto. Conta da mudança para São Paulo e do frio que sentiu ao chegar na cidade. Diz que se sente praticamente paulistana e divide suas impressões sobre os bairros de São Paulo onde morou. Fala do primeiro emprego, do processo de escolha do curso de psicologia e de seu interesse contínuo pela publicidade. Nos lembra que ler e dançar faz bem para a alma.

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História completa

Memórias do Metrô

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de Carmen Vernucci

Entrevistada por Maria Racioppi

São Paulo, 16 de Maio de 2008

Código: METRO_CB012

Transcrito por Thaís Ferreira da Silva

Revisado por Leticia Oliver Fernandes 

 

 

 

 

P/1 - Vamos lá, vamos começar a entrevista. Você falando o seu nome completo, local e data de nascimento.


R - Meu nome é Carmen Silva Vernucci. Eu nasci em São José do Rio Preto, interior do Estado de São Paulo.


P/1 - E a sua data de nascimento?


R - Dia 21 de abril.


P/1 - E qual a sua atividade?


R - Eu sou psicóloga, mas trabalho na área de pesquisa, na área de publicidade [risos]. 


P/1 - E qual é o nome dos seus pais?


R - Minha mãe chamava-se Carmen (Jordas?) Vernucci e o meu pai, Sidney Vernucci. 


P/1 - E a atividade deles? Qual era? 


R - Os meus pais já são falecidos. Minha mãe era dona de casa, e o meu pai era corretor na área de terras. Mas os dois já são falecidos.


P/1 - Em que bairro você mora em São Paulo?


R - Eu moro na Vila Mariana.


P/1 - Você nasceu onde, mesmo, que você falou? 


R - São José do Rio Preto. 


P/1 - E você lembra do seu tempo de infância em São José? Como é que foi? 


R - Olha, eu lembro muito pouco. Eu, na verdade, vim para São Paulo quando eu tinha 7 anos de idade. Vim para cá em 1968. Então, assim, eu tenho alguns flashes de Rio Preto. Eu tenho mais a minha memória de criança de São Paulo, né? Eu sou praticamente uma paulistana. Mas eu tenho algumas memórias, assim, bonitas de Rio Preto. 


P/1 - Você tem alguma coisa que você lembra, algum fato, alguma... 


R - Lá em Rio Preto? 


P/1 - … como é em Rio Preto? 


R - Olha, tem uma coisa que eu sempre me recordo, é... na época do Natal. Nós morávamos perto de uma praça muito bonita que tem em Rio Preto, a Praça Central, onde tem a catedral central, né? Aquela coisa típica de interior. E na época do Natal a minha irmã me levava para... Eu usava botinha ortopédica, e a gente tinha que encher de grama, as botinhas, porque o... Como é que chama? O Papai Noel vinha... Fazia o meu presente à noite, e os... Como é que chamam os bichinhos, gente? Os que levam o trenó tinham que comer, né? Então a gente ia até a praça, pegava a grama, enchia a botinha de grama, colocava na janela, pro Papai Noel chegar, deixar o presente, e as renas comerem, né? Essa é uma das lembranças que eu tenho de Rio Preto. A praça é uma grande lembrança que eu tenho de Rio Preto. À noite, durante o dia... Era um local aonde eu ia... passava muito. E eu saía correndo na frente. Eu tenho uma boa lembrança dessa parte de Rio Preto. 


P/1 - E depois você veio para São Paulo com quantos anos? 


R - 7 anos. 


P/1 - E em São Paulo, como é que foi a sua chegada aqui? Você lembra de alguma coisa? 


R - Por coincidência, eu tava conversando com uma pessoa hoje, dizendo que eu cheguei em São Paulo em 1968, no mês de julho. Que, naquela época, era inverno em São Paulo, e era um frio terrível. E eu vim em julho, porque eu tava no primeiro ano de alfabetização, então tiveram que esperar as minhas férias pra poder mudar. Então você imagina o susto que eu tomei quando cheguei em São Paulo, aquele frio absurdo, né? Mas eu me adaptei rapidamente. Lembro que eu ficava com as bochechas vermelhas por causa do frio. E não sentia tanto frio assim, criança... E me adaptei muito facilmente em São Paulo. Eu não me lembro de ter, assim, vontade de voltar pra Rio Preto... Nada disso. 


P/1 - E como que era o bairro em que você morava, a casa... você lembra disso? 


R - Olha... nós, quando nós chegamos em São Paulo, durante um ano e pouco, nós moramos no bairro da Pompeia. Eu lembro muito pouco da Pompeia. Era um edifício de três ou quatro andares, nós morávamos no último andar. Eu lembro perfeitamente do apartamento, é, lembro do bairro. Era um bairro extremamente residencial, calmo, tranquilo. Mas aí nós já viemos aqui pro Paraíso, na verdade. Hoje eu saí do Paraíso e tô na Vila Mariana, que é ali, do lado, né? E aí no Paraíso eu morei trinta anos; desde os meus 9-10 anos, eu morei no Paraíso.


P/1 - Como foi a sua vida em São Paulo? Dá pra você resumir um pouquinho?


R - Resumir minha vida em São Paulo? Meu Deus do céu, tem que resumir bem, né? [risos] A minha vida, olha...


P/1 - Você chegou, foi estudar... 


R - Sim, cheguei e já tava... Já fui estudar. 


P/1 - Aí qual foi a sua formação? 


R - Eu fiz psicologia, mas eu demorei pra fazer a faculdade, não fiz assim no tempo normal, depois dos 18 anos, porque eu não tinha noção do que eu queria fazer. E aí demorei um tempo pra fazer faculdade, até que me decidi por psicologia... não exatamente por... pela psicologia, mas eu trabalhava já na área de pesquisa de mercado. E você tem uma área de análise em pesquisa, que se você tem uma formação em psicologia, te ajuda muito no critério de análise dos estudos que você tem que fazer. E eu fiz essa faculdade mais pra usar em pesquisa do que pra qualquer outra coisa. E acabei trabalhando com agência de publicidade, instituto de pesquisa de mercado. Então eu uso muito essa área de psicologia, mas mais voltada para o marketing. Esse foi o rumo que eu fui tomando. 


P/1 - E antes disso, você... você não foi direto pra essa área, você passou por outros... você já foi…?


R - Trabalhei... não, comecei a trabalhar com 17 anos. Fui trabalhar no Bradesco; o primeiro emprego que eu tive na vida foi no Bradesco. Fui até Moça Bradesco, olha que coisa incrível, isso é antigo pra caramba [risos]. Fui Moça Bradesco... Trabalhei dois anos no Bradesco. Aí, de lá, parece que a coisa já foi me encaminhando... Eu fui trabalhar na Almap, que é uma grande agência de publicidade. Eu tinha já 19 anos. E, desde lá, eu nunca mais eu saí da área, entendeu? Eu sempre continuei em publicidade, marketing, eu continuei aí. E aí eu fui definitivamente pra pesquisa, e tô até hoje. 


P/1 - Tem algum fato marcante na sua vida que você queira falar? Alguma coisa interessante, um fato pitoresco...?


R - Um fato marcante, assim, do quê... vida profissional, pessoal...?


P/1 - Profissional, pessoal, aquilo que você achar que...?


R - Ah, não sei, acho que fato marcante... Nossa, agora você me pegou [risos].

P/1 - [risos].

R - Deu um branco geral [risos].


P/1 - E o seu bairro atual, onde você reside, é na Vila Mariana?


R - Vila Mariana, bem próximo do Paraíso...


P/1 - Sei... 


R - ... é quase divisa com o Paraíso. 


P/1 - Como é o bairro hoje? Descreve um pouquinho do bairro...


R - Ah, o bairro hoje é muito diferente do que era quando eu mudei lá, né? Hoje é um bairro com muitos edifícios, muitas construções, muito trânsito, muito barulho, muito cachorro. Eu costumo dizer que naquele bairro tem três cachorros por habitante [risos], de tanto animal que tem... É um bairro gostoso, tradicional, é um bairro, assim, bem localizado... você tá em um bom local pra morar. Mas assim, como eu estou lá desde 1974, eu consigo ver que, em qualidade de vida, ele caiu muito. Já não é mais o que ele era quando eu mudei pra lá. Completamente diferente. Mas é um bairro que eu gosto, gosto muito, é muito simpático. 


P/1 - Você gosta de ler?


R - Adoro. 


P/1 - E de qual livro você mais gosta?


R - Olha, eu gosto de livro... É, eu sou daquelas meio rato de livraria. Qualquer coisa que cai na minha mão, eu tô lendo.


P/1 - Não tem nenhum livro, assim, que você acha que é marcante?


R - Marcante... um livro marcante... deixa eu me lembrar... Nossa, assim, agora, de supetão, teve tantos livros maravilhosos... Mas o último que eu reli, que marcou muito a minha vida, foi Os Miseráveis, do Victor Hugo. Reli há pouco tempo, inclusive. E é um livro maravilhoso, né? Ensina cada coisa que... só faz bem pra alma [risos]. 


P/1 - E qual é a atividade de lazer que você gosta de fazer nas suas horas vagas?


R - Olha, lazer, eu gosto de dançar, eu gosto de ler, eu gosto de encontrar com os amigos. Eu sou, assim, muito próxima, tem... meus amigos são amigos de longa data, de muitos anos de amizade. Então, nós sempre nos encontramos. Ou é na minha casa, ou é na casa deles, ou vamos a um restaurante. É mais ou menos isso. Mais por aí. Encontro com os amigos, e dançar, que eu adoro dançar. Dançar faz bem pra alma. 


P/1 - O que você achou desse depoimento?


R - Ótimo, maravilhoso. Um prazer enorme dar esse depoimento pro Museu [risos]. 


P/1 - Tá, então, o Museu agradece a sua entrevista. 


R - Obrigada [risos]. 


--- FIM DA ENTREVISTA ---


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