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História

Pragmatismo e Prevenção

História de: Valerie Engelsberg Bekhor
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/02/2021

Sinopse

Nasce nos EUA. Muda-se pro Brasil ainda criança porque o pai viria a montar o Dpto. de Física da UFPE. Difícil adaptação. Lado artístico. Episódios de vida tardios. Muitas mudanças, muitas viagens. Choque cultural. Viveu a infância num universo acadêmico. Estudou numa escola judaica. Participou de movimento juvenil judaico. Viagem a Israel. Retorna aos Estados Unidos por 1 ano. Volta pro Brasil. Forma-se em arquitetura. Conhece o marido num Festival de Cinema Judaico. Casa e tem dois filhos. Um aborto entre eles. Desequilíbrio hormonal. Menopausa precoce. Cuidados estéticos. Medo da velhice, conscientização; Inicia uma rotina com exercícios; cuidados da alimentação. Se preocupa com a perda de memória. Trabalha com branding.

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História completa

Eu acho que essa vinda pro Brasil ela me define, né. Essa história... porque ela me define. Alguém vê meu nome, me pergunta “mas de onde você é?”, né. E eu não tenho um lugar pra dizer “ah, eu sou de não sei da onde... eu cresci em Recife” / “mas esse teu nome da onde é?” / “é que eu nasci nos Estados Unidos”/ “ah, é mesmo, mas o que, seus pais são americanos?” / “não, na verdade meus pais são argentinos”. Então assim, essa trajetória de tantos lugares, de tantas proveniências, ela define quem eu sou, né. Acho que tá no meu nome, e toda vez que eu tenho que contar a minha história, ela vem por aí, né. A primeira história que vem na minha vida, ela já vem com nome, porque puxa esse tema. Da onde é esse... “é Valery ou e Valéria ou é Valerie?”. Primeira coisa “ah, porque não é Valerie, não é francês?” / “não, não é francês, é inglês”, entendeu, sempre isso eu acho que permeia minha história, né, a maneira que eu conto a minha história acaba sempre sendo pelo nome. O nome é sua marca, né, trabalho com isso. O nome diz muito, né, “da onde vem esse nome”, e tal. Acho que meu nome tem uma marca de uma coisa diferente, mais individual que puxa, sei lá, se eu me chamasse Ana talvez essas histórias não iam vir de cara, né. Mas ela vem, porque quando você põe o nome assim, isso já brota junto. Alguém vendeu o peixe, falou “é maravilhoso, você vai morar na frente da praia, você vai estar na América Latina”, Brasil tem sempre aquele imaginário que é um lugar legal pra morar, e aí em 74 – quatro de outubro de 74, a data a gente comemora todo ano, a gente lembra todo ano – a gente veio pra Recife. Meu pai não tinha ideia de pra onde ele tava indo. É quase como hoje você levar sua família pra morar num pequeno vilarejo no meio da África, que você não tem ideia do que é. Porque era assim, você morou na Argentina a vida toda, que era um país super europeu, desenvolvido, e tal. Aí você morou nos Estados Unidos, oito anos, e aí você chega em Recife, que naquela época o aeroporto era um toldo, e as ruas eram de barro em muitos lugares. E isso era uma coisa muito inédita, ele nunca tinha ido prum lugar em que uma rua não era asfaltada, e você lembra, em Recife você podia encontrar uma vaca andando na rua, você podia encontrar um porco no lixo. Eu lembro, eu tenho essas lembranças de infância. Era normal isso. Você tinha um terreno baldio, tinha uns porcos comendo, tinha vacas, e isso era muito fora do padrão. Tanto é que eu lembro disso muito marcado na minha vida porque não era algo comum, né, e aí a gente foi morar lá no Transatlântico, na Avenida Boa Viagem, na frente da praia, a promessa era a frente da praia, e de fato era na frente da praia. Mas foi um choque pra eles. Eu acho que eu sou bem pragmática, assim, sempre eu acho que... se você parar pra pensar, também trabalho muito assim com pesquisa, e vejo assim, sempre existe um trigger, né, uma porta que te leva pra esse lugar, né. Eu acho que eu sempre fui baixinha, e as pessoas que são baixinhas sempre têm a preocupação com o peso, por uma questão estética, então tão sempre fazendo dieta, sempre sofrendo com a balança, tem gente que até os vinte e poucos anos nunca soube o que é se privar de comer alguma coisa, e isso sempre tava em mim desde os meus 15 anos, desde que eu menstruei eu acho que... então, isso é algo que te leva ao longo da vida, né, você ter privações, pra manter o peso. Eu sempre fumei, fumei até antes de ter filho, meu marido falou “ó, se você não parar de fumar não vai ter filho, comigo”, então eu lembro que em 99 eu parei de fumar. Não é que eu era uma pessoa preventiva, saudável, eu era magra, queria ficar magra, esse era o ponto. Nunca fiz atividade física, detestava, não era atlética, na escola sempre era péssima nos esportes, meu negócio era arte, ou usar a cabeça. Então assim, até 38 anos de idade, eu não acho que eu era uma pessoa que tinha uma preocupação de saúde, a não ser manter o peso, que já é muita coisa, né, uma pessoa que consegue manter o peso provavelmente também evita muitas doenças, colesterol alto, então não é uma coisa pequena, ela te ajuda lá na frente, com certeza, hoje. Mas aos 38, eu lembro que depois que eu tive a Maya, teve um momento muito icônico na minha vida, que eu acho que isso acontece com todo mundo, essa virada, né, a mulher quando vai chegando nos 40, também comprovei isso, aos 45, por aí, é um momento de virada. Cai a ficha pra mulher que ela tá envelhecendo. Isso cai. Pra mim caiu aos 38, eu lembro que eu estava agachada – eu tinha tido uma filha há seis meses, tal – e pra me levantar de me agachar de pegar uma coisa, eu precisei segurar numa cadeira, eu não tinha força na perna pra me levantar. E aí me caiu uma ficha, eu falei “eu preciso fazer alguma coisa, eu tenho 38 anos e estou precisando de apoio pra me levantar”. Então assim, acho que todo mundo passa por um momento de lucidez, e aí eu comecei fazer pilates, que eu não gostava de atividade física, foi aí que eu entrei no “pô, preciso fortalecer, não é só ficar magra pelo magra”, né. Então comecei a fazer pilates, e não virei um yoga freak, né, que tem aí os desesperados, pilates, yoga, nada disso, então comecei com fortalecer abdome, pá pá pá. E aí, acho que aos 41, 42, eu comecei a sentir o climatério, que eu acho que é um outro grande evento feminino que te coloca a saúde na tua frente. Como eu falei, eu comecei a menstruar tarde e comecei a menopausa cedo, por um lado talvez me deu mais cedo essa clarividência que muita gente talvez não tenha, então vamos olhar pelo lado positivo, né. Então, comecei a ter os calores, então fui no médico, naquela época era um homem ginecologista, ele falava “ah, é assim, começa a rarear os óvulos”, e era tipo “viva com isso”, e eu lembro que a taxa baixava depois subia, e aí melhorava. Uma vez por ano eu tinha um mês que eu tinha os calores, era tipo um processo, parece que dava uma renovada no útero. Até que, depois eu morei nos Estados Unidos de novo, eu fui um ano sabático com a família, há cinco anos atrás, aí comecei a andar muito de bicicleta, lá era meu meio de transporte, então comecei a melhorar minha resistência aeróbica, que até então eu só fazia pilates, achava que eu era uma atleta porque eu fazia pilates duas vezes por semana. E aí entrou a bicicleta na minha vida, eu vi que melhorou, sei lá, dor de joelho, comecei a ser mais... assim, eu não gosto de atividade física, eu faço por obrigação, me faz bem, mas eu acho que a bicicleta é uma maneira de ser o meu meio de mobilidade, então pra que que eu vou gastar um táxi... “vai de bicicleta”. Quando eu voltei dos Estados Unidos, aí que a menopausa me pegou, forte. Eu tinha 45 talvez, e aí foi um conjunto: parei de dormir bem, tinha muita suadeira noturna, muito mal humor, meio que depressãozinha, eu tava sem trabalhar na época, então era um conjunto, foi um momento bem dramático. E aí que começou um caminho de “tá, o que que é pra fazer?” Aí eu fui na minha médica, então ela começou a regularizar essa questão do meu sono, começar a fazer uma reposição antes de chegar no estrogênio, então... assim, dormir é sagrado, então eu tenho que descobri tudo que eu posso fazer pra dormir, pra dormir bem, né. Então foi aí que acho nessa época eu comecei mais essa coisa de prevenção, você faz uma reposição hormonal, você tem que estar em dia com todos os exames, não pode deixar passar o prazo. Então você fica mais atento ao corpo, porque esse desequilíbrio hormonal pode acontecer a qualquer hora, eu to num desequilíbrio hormonal. Então assim, é terrível, e como que eu faço pra voltar a ter esse equilíbrio, né. Então acho que a menopausa é um tema pouco falado mas ele é muito impactante, e eu defino que é o momento da verdade pra mulher, é assim “eu to numa fase da minha vida onde finalmente meus filhos estão grandes e eu posso olhar pra mim, e a mulher se depara que nesse momento que ela olha pra ela, a saúde começa a deteriorar. Porque quando ela tem filho pequeno, ela não olha pra ela, ela não olha pros sinais do corpo, ela pode estar acima do peso, pode estar largada, não tá cuidando de si, né, então existe uma coincidência onde ela tá pra ela e ela vê que não é mais a mesma, aí ela tem que mudar. Agora eu sempre fui muito vaidosa, e eu sempre tive problema de pele, sou muito branca, então eu já também ia pro dermatologista cedo, porque eu tinha que cortar uma coisa aqui, tirar uma bola ali, então assim, isso te leva prum caminho mais preventivo. Então comecei a ir pra dermato, fazer lasers pra diminuir essa coisa de ter as feridas e evitar o ato cirúrgico, né. Então eu tenho a consciência de que não tem milagre, né, você tem que se cuidar, tem que comer bem, tem que ir ao médico, não é só fazer plástica e não se cuidar. Então eu tenho certas regras, eu não vou resolver a estética enquanto eu não to bem nos meus exames de sangue, né, o dentista. Então, assim, a estética pela estética é a cereja do bolo, mas tem que fazer tudo antes, tem as obrigações do antes, tem que estar em dia com a mamografia, estar em dia com a colonoscopia, papa Nicolau, né.

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