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História

Pra onde a maré vai, a gente vai

Sinopse

Em seu relato, o Mestre nos fala de sua infância humilde e aguerrida no Quilombo Gibirié de São Lourenço, de como muito aprendeu com seus familiares, em especial a arte e as técnicas da pesca. Conta como ainda jovem se embarcou no alto mar diversas vezes, para ir pro comércio do Mercado Ver-O-Peso, em Belém do Pará. A partir daqui, o Mestre nos conta sobre como foi seduzido pela música, que vivia ao seu redor na presença do Mestre Vieira, no carimbó, merengue, salsa, entre outros ritmos. Por fim, destaca sua carreira como músico, compositor e incentivador da cultura local barcarenense e paraense.

 

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História completa

Bubuia é o meu apelido, meu apelido artístico. Mestre Bubuia, cantor de carimbó. Porque é uma linguagem nossa aqui da região: é a pescaria de bubuia, eu também sou pescador. Por exemplo: a gente ia pescar pro rio, né, a gente chega lá, joga a rede, joga a linha lá e aí a gente fica de bubuia em cima da maré. Por onde a maré vai, a gente vai e quando a maré volta, a gente volta junto com a maré, por isso que é o de bubuia. 

Olha, o rio sempre foi importante, foi o meio de vida, né? Tanto para sobrevivência, como para transporte, porque pelo rio se viaja e também no rio que a gente buscava, muitas vezes, o nosso alimento. Naquele tempo tocava as músicas, era dos anos 70, era as músicas do Roberto Carlos, Ronnie Von e aí já apareceu o Pinduca. A gente escutava muito merengue, as lambadas também, que a gente chamava de lambada internacional. Depois que foi surgindo, surgiu o brega, né, o carimbó também, no tempo do Pinduca e do Verequete. 

Olha, eu já estava, já vinha com intuição de tocar, de cantar, desde menino, que papai tocava algumas coisas lá, cantava também. Ainda mais que papai curtia um goró e cantava e tocava um pouco de banjo lá também. Já vem de lá, mas aí foi já pra cá, depois dos anos, talvez dos anos 90 pra cá, que eu comecei a me envolver mais com os colegas, negócio de bar e aí a gente montou, fomos montando um negócio de conjunto de pagode, de cantar em bar, só para beber cachaça mesmo. Bebia cachaça e ia animar a galera. Foi dos anos 80 pra cá, dos anos 90, né? É, eu sempre vivi no Quilombo Gibirié. Deixa eu ver, eu nasci em 1958, fui nascido e criado lá, junto com a mamãe e papai, da forma que te falei, nas minhas primeiras canções, de sobrevivência.

 

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