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História

Porta, porteira, portaria

História de: Walter Sérgio da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 02/12/2004

Sinopse

Seu Walter, antigo funcionário da CTBC, inicia sua carreira na companhia como auxiliar de portaria em 1978. No entanto, antes de chegar à vida adulta, ele nos relata um pouco de sua vida em Pedregulho, interior de São Paulo, onde se lembra das brincadeiras de infância e do árduo trabalho no campo. Após a mudança de cargo para o DG da Companhia, Seu Walter passa aconhecer outros processos do ambiente de trabalho, no qual passa a compreender a CTBC e seus colegas como parte importante de sua vida.

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História completa

P/1 - Boa tarde, Seu Walter.

 

R - Boa tarde.

 

P/1 - Muito obrigado por estar aqui. Eu queria, para começar, que o senhor, por favor, nos dissesse o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

 

R - Meu nome completo é Walter Sérgio da Silva, e a data de nascimento é de dezenove de dezembro de 1951.

 

P/1 - E o senhor nasceu onde?

 

R - Pedregulho, Estado de São Paulo.

 

P/1 - O nome da sua mãe e do seu pai, por favor.

 

R - Minha mãe é a Nair Valerinho da Silva, e meu pai é João Batista da Silva.

 

P/1 - O senhor conheceu seus avós?

 

R - Não.

 

P/1 - Nenhum dos quatro?

 

R - Não.

 

P/1 - O senhor saberia o nome deles?

 

R - No momento eu disse pra ela que não lembro, assim, lembro o nome dele. Sei que era Pascoal, que era da parte da minha mãe, e Maria, nome da parte da minha mãe; e Jerônima e Joaquim por parte do meu pai. Agora, o nome certinho eu não lembro assim.

 

P/1 - Seu Walter, o senhor tem notícias se os seus avós eram da região mesmo, se foram pra lá depois?

 

R - Por parte de minha mãe, meus avós, eles vieram praticamente da Itália, que eram italianos mesmo, né, vieram da Itália mesmo. E, de parte do meu pai, foi vindo de Goiás, parte de Goiás.

 

P/1 - Certo. Quer dizer, a sua mãe é a segunda geração da família.

 

R - Da família, porque o pai dela era italiano mesmo, da Itália mesmo.

 

P/1 - Que se instalaram lá em Pedregulho mesmo?

 

R - Não, eles se instalaram em Cristais Paulista, de parte da minha mãe, e depois, com certo tempo, acho que conheceu meu pai lá também, que era da própria região, se uniram e se casaram.

 

P/1 - E a atividade do seu pai, qual era?

 

R - Era lavrador, roça...

 

P/1 - Lá em Pedregulho?

 

R - É, Cristais. Porque hoje a gente pôs Pedregulho. Assim, a gente fala Pedregulho, Cristais…. Naquela região tudo que pertence. praticamente… Pedregulho... São assim, ali por perto.

 

P/1 - E a atividade da sua mãe?

 

R - Era sempre em casa, né? Em casa e ajudava também ele na própria roça, também.

 

P/1 - Você tem irmãos?

 

R - Tenho. 

 

P/1 - São quantos?

 

R - Nove irmãos, com eu.

 

P/1 - Nove com o senhor?

 

R - É.

 

P/1 - Quantos homens e quantas mulheres?

 

R - Seis homens e três mulheres.

 

P/1 - Ah, a atividade do seu pai era em terra própria, era meeiro, como é que era?

 

R - Era meeiro, ele trabalhava de meeiro. Esse negócio que fala assim, trabalha por porcentagem. Meeiro, né, que fala? Isso daí.

 

P/1 - Quando o senhor nasceu, o seu pai estava numa fazenda?

 

R - Estava numa fazenda, numa fazenda. Foi em Pedregulho, chamada Fazenda Sobrado. Depois de um certo tempo, mudamos na própria região lá, que foi na Fazenda Baguaçu, aí depois viemos pra Pedregulho. Ficamos um certo tempo em Pedregulho, e depois já viemos para Franca.

 

P/1 - Certo, ele tinha algum... No trabalho da roça, ele tinha alguma especialidade, alguma coisa que ele fizesse melhor ou que ele fosse…?

 

R - Ele gostava muito era de plantio, arroz, feijão... __________ isso, né? Plantava muito arroz e feijão. Na roça era mais arroz que ele plantava, café mesmo, assim, tinha pouco do  café. Era mais a plantação de arroz que ele fazia.

 

P/1 - Certo, o senhor se lembra lá dessa Fazenda do Sobrado? Como era a sua casa?

 

R - Lembro bem.

 

P/1 - Como é que era?

 

R - Minha casa era... Gente que morava na roça, a gente tinha um certo ________ tudo, um campo de futebol logo pra cima, e logo se tinha tipo uma colônia, a gente fala colônia, que é mais de uma casa. Nessa colônia moravam uns certos pessoais, e nós morávamos um pouco afastados dessa colônia. Não era longe, assim, que a gente vai dizer, assim... Mil metros, mais ou menos, longe dessa colônia, e a nossa casinha era uma casinha simples, era tipo, assim... Pra você chegar nela você tinha que subir uma escada, hoje é tudo escadinha... Mas era escadinha de pedra, aquelas escadinhas de pedra feita, tudo, e a gente subia na casa assim, que era feita a casa lá. Não sei quantos cômodos que tinha, embaixo tinha a mina d'água, tudo, a mina d'água... A gente tinha o tudo os… Onde a gente guardava milho, gastava, guardava os outros alimentos da gente, tudo. E lá pra baixo tinha tipo um curralzinho, que a gente tinha uma vaquinha que a gente... Pra ter o leite, os porquinhos, tudo, essas criações. Era tudo ao lado da casa que era agrupada ali, né, e a gente morou ali muitos anos, uns dez anos, e depois a gente foi seguindo.

 

P/1 - E nessa lida do seu pai no campo, com a criançadinha pequena ali, as crianças tinham uma responsabilidade, tinha afazeres?

 

R - Tinha, cada um de nós tinha a sua obrigação, a gente saía da escola, a gente vinha, a gente andava seis quilômetros de pé pra vir estudar, que nós estudávamos em Pedregulho. Todo dia às seis e meia da manhã, minha mãe esquentava um ovo pra nós, a gente tomava aquele ovo com pão feito em casa, que era feito, e a gente comia lá seis horas da manhã, seis, seis e pouca, e rachava, né. A gente andava seis quilômetros, mais ou menos, e vinha pra escola, que foi… Pedregulho... Deixa eu ver se eu lembro do nome da escola... Eu não lembro agora o nome da escola em Pedregulho, é um ginásio que tem lá, hoje é ginásio. Estudei lá praticamente do primeiro ano até o quarto ano, depois nós saíamos meio dia, e voltava a mesma rotina. Chegava lá, cada um tinha a sua obrigação, um já tinha que juntar os animais tudo, porque a gente olhava __________ também. Ia buscar as criações para separar os bezerros das vacas, outro já ia debulhar milho pras galinhas, tratar dos porco, outro já tinha que limpar o chiqueiro... Cada um tinha as suas obrigações.

 

P/1 - E isso... Fazia um rodízio entre os meninos?

 

R - Isso daí talvez conforme... Se eu fizesse... Peguei a minha parte e acabei, eu ia ajudar o outro. A gente acabava, ia ajudar o outro. Assim, o único que tinha assim, que era mais assim, eram os mais velho pra mexer com as criações, do tipo que era vaca, esses negócios aí. Os mais pequenos, não. No caso, sempre era eu e mais meu irmão, que eu sou um dos mais velhos, que nós tomava... Meu pai mandava buscar isso daí. E nos dias, sempre sábado que a gente sempre tinha, depois de uma certa época... A gente já tinha seus doze, treze anos já, pra cima, nós tínhamos que fazer, passar na roça o... Não sei se sabe? Carpideira, esses negócios assim. A gente ia fazer assim nas folguinhas. Tinha uns animais lá próprios, você punha eles na carpideira e eles mesmo iam, seguiam por si mesmo, não precisava... Pra capinar o arroz, esses negócios.

 

P/1 - Certo, Seu Walter. O senhor disse que andava seis quilômetros para ir, seis quilômetros pra voltar pra escola, fazendo chuva, fazendo sol...

 

R - Tanto frio, sol, calor, normal.

 

P/1 - São doze quilômetros de caminhada.

 

R - Doze quilômetros por dia, pra eu conseguir fazer o meu primeiro ao quarto ano. Hoje, a primeira série, que eles falam, né? Mais foi o primeiro ao quarto ano.

 

P/1 - E o senhor se lembra da sua primeira professora?

 

R - Lembro, ela chamava Dona Antônia.

 

P/1 - Ela era severa, boa?

 

R - Era um pouco severa, bagunçava, jogava o apagador na cabeça da gente, chegava a agachar pra __________ na parede. (risos)

 

P/1 - E o senhor aprontava muito, não?

 

R - Ah, um pouco né, toda criança quando... Não tem... A gente bagunçava um pouco na escola, a gente gostava muito, na hora do recreio, de brincar de pique, que a gente falava. E a gente chegava tudo danado, brincava, _________ pra cá, ela chegava e não gostava que a gente brincasse disso. Ela dava a maior bronca em nós, não era só comigo, não, com todos. Era uma vida gostosa.

 

P/1 - Ô, Seu Walter, nessas longas caminhadas diárias, quem é que ia, o senhor e seus irmãos?

 

R - É, nós tínhamos... Porque juntava assim, já, porque eram eu e mais três, mais um irmão e outro irmão. Nós éramos três, só da minha casa, e tinha dessa colônia que eu disse a vocês, tinha mais crianças. Aí nós vínhamos todos, dava uma média de quinze meninos,  quinze, dezoito, um molecada vinha tudo. Nós vínhamos todos naquela turmada para a escola, vinha e voltava.

 

P/1 - E aí, o que rolava ali nessa caminhada?

 

R - Nós íamos tudo brincando, a gente ficava brincando. Tinha dia que a gente chegava em terra, que menino é muito... Você sabe disso, né? E tinha muitas frutas do mato que a gente falava, e a gente tinha camisa branca e uniforme azul marinho, que era o uniforme nosso, e o bicho se enfiava lá no meio do mato. Chegava em casa, era hora da mãe dar a maior bronca. Chegava todo sujo, tudo danado, e minha mãe, porque vinha assim... No tempo de fruta que dava no campo, e a gente ficava atrás disso daí, muitas frutas, a gente ficava...

 

P/1 - Não ia deixar tudo pra lá, né?

 

R - É, ficava procurando. Isso daí nos tempos, porque cada tempo tem um, cada tempo dá uma, e a gente ficava procurando.

 

P/1 - Seu Walter, e o calçado?

 

R - Assim como?

 

P/1 - Não, o que que vocês calçavam?

 

R - A gente tinha, calçava era... Chamava alpargata, é uma assim... Alpargata é uma... Tipo um sapato de pano, mas não é pano. Tipo enroladinho, tinha, tipo quando... A gente fala assim, tem aqueles amarradinhos, que é feito aquilo lá, que a gente vinha calçado era com aquilo lá, alpargata. Na própria sola dele era tipo um cabelo, mais duro sabe, e aquilo lá que a gente vinha.

 

P/1 - Mas, Seu Walter, doze quilômetros por dia, não há alpargata que resista.

 

R - Não, elas eram boas, elas eram boas, mas boas mesmo. Hoje ninguém vê aquilo lá mais, era a média de três meses, três meses e pouco meu pai nessa faixa comprava pra nós, comprava alpargata e comprava chapéu, aquele chapéu redondinho que a gente punha na cabeça e vinha, que a gente falava o coité. A gente punha na cabeça e o sapatinho, e vinha.

 

P/1 - E o que comia? Não dava fome na caminhada?

 

R - Não, não dava porque a gente já trazia de manhã. A gente comia tudo lá em casa, e a gente vinha pra escola tinha sopa, assim, no próprio... Que era o que Estado dava a sopa, né. Essa sopa era feita em torno de dez horas, dez e pouco. A gente comia essa sopa, era igual um almoço, saía de lá e vinha embora. Chegava em casa, a gente nem almoçava mais por causa dessa sopa, a gente falava “vamos merendar”, aí chegava em casa e merendava de novo, que era um pão e outras coisas que tinha.

 

P/1 - E, Senhor Walter, como é que era Pedregulho nessa época, a cidade?

 

R - Hoje ainda é simples, ainda lá, né? Mas só que, igual a uma roça, porque lá não tem, não tinha indústria. Hoje já tem algumas, mas é uma cidade assim, tipo uma... Tinha muito pouca condição, mas era... Tinha muito era carro de boi, essas coisas todas, não tinha asfalto, não tinha nada, era uma cidade simples mesmo, igual uma fazenda mesmo. Chegava assim nas tardes o pessoal vinha tudo pra buscar as coisas, tudo. Normal, simples de tudo.

 

P/1 - Me diga uma coisa, Seu Walter, o senhor olha, andando doze quilômetros por dia, estudando, com essas obrigações em casa... Sobrava tempo pra se divertir, pra ter uma…?

 

R - Nós não tínhamos muito tempo, não, para se divertir. A gente mais... O tempo que tinha era nos domingo só, porque a gente tinha que ________ tudo em torno, assim. Quando escurecia a gente tinha que fazer lição de casa, da escola. A gente ia fazer, meu pai ia ensinar, e meu pai que ensinava né, nós não sabíamos, ele sentava na mesa e ensinava você a fazer conta, a fazer tudo. Meu pai que ensinava, ele e minha mãe sentavam, cada um de um lado, e mandavam a ver mesmo.

 

P/1 - Tinha luz elétrica?

 

R - Não, era lamparina, querosene que tinha. Só de domingo que a gente juntava a molecada e íamos jogar bola, juntava nesses campinho que tinha assim, lá pra cima.

 

P/1 - Quer dizer, a brincadeira principal era essa, o jogo de futebol?

 

R - Lá era mais isso daí, depois surgiu mais pra frente um pouco a bicicleta, aí começava a andar pras estrada por perto, naquela estradinha que tem. Mas era isso daí.

 

P/1 - Quando tava chovendo muito, ia pra escola assim mesmo, chegava ensopado?

 

R - Chegava. A gente já levava, punha a roupa, outra roupa, dentro de uma sacol. Chegava lá, a gente trocava, na própria escola a gente trocava aquela. Tirava a molhada, punha a enxuta e ia estudar.

 

P/1 - E se tivesse que voltar com chuva?

 

R - A gente chegava molhado em casa, era assim.

 

P/1 - E depois o senhor saiu dessa Fazenda do Sobrado e foi pra outra, né?

 

R - É, depois saímos pra próprias regiões, né? Que era tudo, mais ou menos, era quase dos próprios mesmos donos, porque eram as fazendas lá que eram do Euripes Branquinho, e depois a outra era do ____________, também Branquinho. Tudo das próprias mesmas famílias, tudo das redondezas ali. 

 

P/ 1 - E a produção maior?

 

R - A produção maior [eram] mantimentos, arroz, feijão, café era muito pouco. Nós tínhamos que colher muito era arroz. Arroz era muito, mas muito mesmo, café era pouca coisa, milho só mais pras criações.

 

P/1 - O mantimento da casa era comprado lá em Pedregulho, na venda?

 

R - Não, nós mesmos que produzíamos, só comprávamos aquelas coisas que não tem como produzir.

 

P/1 - Querosene e o sal.

 

R - Mas alimento, carne, isso daí nada comprava.

 

P/1 - E como é que eram as refeições da sua casa? O seu pai fazia questão de comer todo mundo junto?

 

R -  Era tudo junto, só no almoço que não, porque cada um tava... Mas, na janta, na hora de jantar, juntava a molecada tudo.

 

P/1 - Sua mãe chamava?

 

R - Não isso daí cada um já tava acostumado, era só falar assim. A minha falava: "Já tá pronta a janta." Aí cada um já pegava o seu pratinho e já ia mandando.

 

P/1 - O que a sua mãe gostava mais de fazer assim? O que vocês gostavam de comer?

 

R - A gente gostava muito era de polenta, que eles falam, né? Macarrão e frango, isso daí eram as melhores coisas que tinha.

 

P/1 - E tinha sempre?

 

R - Sempre.

 

P/1 - E no domingo?

 

R - Era macarronada, raça italiana mesmo.

 

P/1 - É, ta no sangue.

 

P/1 - Macarronada mesmo, com frango. 

 

P/1 - Tá certo.

 

R - Carne de vaca a gente próprio lá matava pra fazeR. A fazenda matava um por mês, e repartia aquilo. Tinha os porcos, papai matava os porcos, minha mãe fritava, punha na gordura, e ficava. A gente ia comendo aquilo lá, nós não comíamos óleo, era só gordura de porco mesmo.

 

P/1 - E a carne de vaca, guardava de algum jeito?

 

R - A gente guardava ela, só que a gente cozinhava e punha já junto com a própria gordura. Você cozinhava ela fazia as... Como é que se chamam aquelas pelotinhas? Eu não me lembro mais como é que se chamam aquelas pelotinhas, tipo moídas. Você moía a carne naquelas maquininhas.

 

P/2 - Almôndegas.

 

R - É isso daí, almôndega.

 

P/1 - Italiano, porpeta.

 

R - É, fazia almôndegas, você punha na gordura e ia comendo normal também.

 

P/1 - E guardava também na gordura pra conservar?

 

R - Normal, ela fritava bem fritadinha e na gordura normal.

 

P/1 - Gordura de porco o tempo todo?

 

R - De porco, direto.

 

P/1 - Tá certo. O senhor, quando saiu dessa Fazenda do Sobrado, mudou pra fazenda dos...

 

R - Dos próprios donos.

 

P/1 - Donos... E a escola continua no mesmo esquema?

 

R - A mesma coisa. Se é divisa, às vezes não é assim, é divisa de córrego, de cerca, às vezes você tava aqui, você tá avistando a outra lá embaixo, mas logo pra frente um pouquinho, é tudo perto.

 

P/1 - Certo. E até quando o senhor morou na fazenda com a família?

 

R - Até nos meus dezesseis anos.

 

P/1 - Aí a intenção da mudança foi da família ou foi sua? 

 

R - Não, foi do meu próprio pai, porque nessa época que nós trabalhávamos na roça, os mais velhos eram meu irmão e depois eu, e ele, nessa época, ficou doente e não podia mais trabalhar na roça, e viemos pra Pedregulho. Em Pedregulho moramos numa chácara, dentro de Pedregulho mesmo, aí ele ficava zelando essa chácara, tomando conta, porque não podia fazer serviço pesado e a gente ia trabalhar nas fazendas, a gente saía de manhã e voltava à tarde dessas fazendas. Aí foi até meus dezoito anos praticamente, e nessa faixa foi que eu vim pra Franca.

 

P/1 - Mudou o circuito, né, em vez de sair pra voltar pra Pedregulho, saía de Pedregulho pra ir pras fazendas.

 

R - É, inverteu.

 

P/1 - E, nesse meio tempo, o senhor continuou a estudar?

 

R - Estudava. Chegava, nós trabalhávamos na Fazenda Igarapava, a gente saía cedo, parava às quatro horas na fazenda e vinha estudar. Aí nessa época eu fiz a quinta série, que a gente falava. Eu já vim e fiz a quinta série, aí depois da quinta série eu parei um ano e pouco, dois anos, foi na época que eu vim pra Franca. Vim pra Franca e voltei a estudar de novo.

 

P/1 - Porque motivo o senhor veio para Franca?

 

R - Porque já não dava, a minha família já tava ficando mais crescida com os outros e não tinha onde trabalhar, por causa das minhas irmãs e tudo, e não tinha onde trabalhar, não tinha emprego. E levar elas pra roça meu pai não quis, aí resolvemos, na época foi ou ir pra Franca ou Ribeirão. Aí meu pai achou melhor vir pra Franca, porque a família dele já tava praticamente toda em Franca, aí ele veio e estamos até hoje em Franca.

 

P/1 - Como é que foi pra um garoto dos seus dezesseis anos, dezessete anos, que viveu a vida toda no campo e daí veio pra uma cidade que, não [era] grande, mas era uma cidade?

 

R - É, porque a gente estranha um pouco. Vou te falar que estranha um pouco, porque a gente tava lá, em Pedregulho, na roça. A gente gostava muito daquelas brincadeiras dançantes, esses negócios todos que tinha, né, a sanfoninha e tal. E a gente ia, né, e vir pra Franca... A gente chegou meio desertado, como diz o outro, você não conhecia ninguém, conhecia nada, era só do serviço pra casa, da casa pro serviço. Ficou um certo tempo até a gente ir se ambientando com a cidade, não conhecia muito bem cidade, não sabia muito bem.

 

P/1 - E vocês vieram morar onde aqui?

 

R - A primeira foi… Eu morei na primeira, foi na rua... Deixa eu ver o nome da rua... Cavalheiro Petraglia, em Franca, Cavalheiro Petraglia 640, foi em Franca mesmo, que eu vim morar aqui, o primeiro endereço de Franca foi esse.

 

P/1 - Muito diferente, certamente, daquele espaço que o senhor tinha lá na casa na fazenda...

 

R - Isso, lá era grande, morar em casa apertada mesmo, dormia em belichinha, porque não tinha como, né, não tinha como pagar um aluguel porque ganhava muito pouco.

 

P/1 - E pra essa garotada, pro senhor, pro seu irmão o que que significou isso? Quer dizer, isso mudou totalmente o...

 

R - Mudou o clima da rotina porque a gente estava lá, aí depois já vieram minhas irmãs, começaram a trabalhar meus irmãos, tudo né, e cada um foi seguir um caminho, foi estudar. Foi tudo, aí depois já foram os outros, já foram crescendo tudo, entrando em fábrica de sapato e ambientando com o próprio clima, que a gente vai acostumando.

 

P/1 - O senhor, na sua cabeça de jovem, na época, tava mais preocupado em voltar a estudar ou em conseguir um emprego? Como é que era?

 

R - Não, eu pretendia os dois, porque eu gostava muito e gosto até hoje de estudar, sempre falo, até hoje eu gosto. E eu tinha que trabalhar pra sustentar a minha família porque meu pai não podia trabalhar, e tinha que estudar pra continuar a minha vida, porque esse serviço, quando eu vim pra Franca, que já foi já na prefeitura, eles começaram tudo e foi subindo, eles falavam pra gente assim: "Continua estudando que você vai subindo um pouco de cargo." Porque a gente ganhava coisinha e a gente, foi os próprios... Próprios, assim, chefes nosso, encarregados... Foi assim, a gente foi estudando, já foi seguindo.

 

P/1 - O que o senhor foi fazer na Prefeitura? Como é que o senhor conseguiu o seu primeiro emprego aqui em Franca?

 

R - Foi o que eu falei, foi assim porque tinha um parente nosso que já morava aqui em Franca, ele trabalhava na prefeitura e ele ia sempre lá em Pedregulho, nas casas. Aí, um dia, ele falou pra nós, pra mim e pro meu irmão, conversou com o papai primeiro, se o papai consentia, de ele arrumar um serviço pra nós e trazer nós pra cá. Meu pai consentiu e falou assim: "Se vocês quiserem ir tudo bem." Saí da roça, aí ______ que pesar tudo: "Vamos embora, né, vamos tentar." E aí veio. Foi um dia lá e ele já chegou lá e falou: "Já pode arrumar a malinha de vocês, que vocês vão trabalhar com nós lá, comigo. Já arrumei esse serviço." Aí viemos pra Franca e começamos a trabalhar.

 

P/1 - E o que que era o serviço?

 

R - Era serviço pesado, pior do que roça. A gente trabalhava, entrava pra fazer rede de água e esgoto, fazer mesmo, furava buraco na rua mesmo. Que eu fiz isso daí, eu não tenho vergonha de falar, não. Eu trabalhei muito tempo, jogava um enxadão, picareta nas costas e enfrentar mesmo.

 

P/1 - O enxadão, picareta?

 

R - Eram os dois. Trabalhei nisso um certo tempo, depois, conforme fui estudando, aí a prefeitura tinha uma escavadeira que fazia as coisas tudo, e já passou nós para fazermos o encanamento. Eles nos ensinaram tudo, a gente foi fazendo encanamento e trabalhou mais um certo tempo, e eu fui estudando um pouco. Aí já me deram uma promoção que eu já fui para operador de estação de água. Trabalhei, aprendi tudo que eu já tava estudando, trabalhei muito tempo, uns quatro anos de operador de estação de tratamento de água, né, ali eu era operador de bomba, eu aprendi isso daí.

 

P/1 - E fazia manutenção também?

 

R - Fazia tudo, fazia manutenção de... Tratava... Sei até hoje, tem ______, eu sei fazer, né.

 

P/1 - E onde é que o senhor continuou estudando esse tempo aqui?

 

R - Aqui eu estudei no Barão da Franca, que é uma escola, que foi um pouco de ______. E estudei um pouco no Colégio Jesus Maria José, que é uma escola particular na cidade, que foi o que eu estudei, fiz a formatura lá. Depois fiz esses cursinhos pra especializações.

 

P/1 - E o que que o senhor optou mais pra fazer?

 

R - Eu fiz cursinho, que eu estudei um pouco, que foi da CTBC, que era pra aprender a trabalhar nas manutenções que a gente faz até hoje. E na época lá foi pra eu aprender, porque eu sou técnico em química, a fazer produtos, inclusive até hoje eu tenho uma função paralela, que eu tenho, eu faço isso daí.

 

P/1 - Detergentes, essas coisas?

 

R - É.

 

P/1 - Desinfetantes?

 

R - Tudo isso aí a gente faz, inclusive eu sou responsável pela produção de uma 

firma de Franca, né, eu é que controlo tudo.

 

P/1 - O senhor chegou a se formar no curso de químico industrial, alguma coisa assim?

 

R - É, técnico em química industrial, que foi nesse colégio particular.

 

P/1 - Como é que o senhor chegou na CTBC?

 

R - Eu cheguei na CTBC foi... Um dia eu tava saindo, nós trabalhávamos aqui já, na Usina de Laticínios Jussara, e eu passei lá um dia. Tinha um senhor lá que se chamava José Rose, inclusive é pai de uma menina que trabalha, nem sabia quem era, e conversamos lá. Passei na porta e perguntei pra ele se não estavam precisando de gente, e ele falou assim: "Não, no momento, não. Mas de vez em quando você passa aqui." Passou um tempo, eu passei lá e ele falou assim: "Olha eles vão pegar gente pra trabalhar aqui na CTBC." Eu falei: "Ah, então vamos tentar, né?" Aí ele falou pra mim, tinha uma pessoa na época que se chamava Jane, agora não lembro, não sei do quê, que era negócio de departamento pessoal lá.

 

P/1 - Departamento pessoal?

 

R - Aí eu tentei, né? Fui lá, ele disse: "Vai lá e conversa com ela lá." Fui lá, conversei com essa Jane, ela disse assim: "Tal dia você vem cá fazer uma ficha, traz documentos, tal, tal, traz a fotografia." Fui lá e fiz, aí depois passou um certo tempo, eu achei que nem iam me chamar mais. Aí chegou uma pessoa lá e falou: "Olha, é pra você comparecer lá, assim, assim, assim, tal dia." "Tá bom." Aí eu me lembro do dia que eu conversei lá, aí ela falou assim pra mim: "Olha, você fez aquela ficha, agora tem que fazer outra que você vê que…” O Senhor Luís Márcio falou pra mim, num sabia quem que era também, tudo bem, que vê se vai aprovar a ficha ou não. Então preenchi a ficha tudo de novo, fiz outra, ela falou assim: "Agora aguarda um pouco." Tinha uma salinha ao lado, assim, da CTBC, ali onde é o escritório, tem uma salinha ao lado, de vidro, e tinha um senhor lá, eu não sabia que era o Seu Luiz. Ela falou assim pra mim: "Peraí que eu ver com o Seu Luiz Márcio, para aprovar tudo." Aí ela entrou lá dentro, não sabia quem que era, só me lembro que ele me deu uma olhada assim, tudo, aí ele acenou com a mão pra eu entrar dentro da sala, fez umas perguntas e eu tudo bem. Me mandou embora e ela só falou assim: "Você daqui três dias volta aqui." Tudo bem, e voltei. Ela falou assim: "É pra começar a trabalhar já, só que você vai trabalhar de auxiliar de portaria." Que era completamente diferente. Ali, hoje, que era outra coisa, né, a gente atendia o pessoal. Você tinha o controle de entrada e saída de funcionários, que era o negócio de cartão, esse negócio todo, e a gente foi trabalhando um certo tempo. Eu trabalhei uns sete ou oito anos na portaria, que era completamente diferente, a gente teria na hora de almoço, atendia tudo, e depois daquele horário era... Você ia assim, atendendo tudo, atendendo pessoal, e ia tocando. Depois que eu trabalhei um certo tempo portaria, teve hoje que... Você deve conhecer o Anselmo, que tá trabalhando de ________, aí ele falou pra mim: "Vai precisar de gente para outros setores.” Aí tinha, no caso… Ele falou assim: "Se você quiser tentar sair da portaria e ir pra esses outros setores..." "Não custa, né? Vamos tentar".

 

P/1 - Pra quem já tinha saído da _______ escavadeira.

 

R - É, e já foi pra outro lado, que eu sofri muito na vida. _________ na portaria, que trabalhar de porteiro era difícil, mas trabalhava um mundo de horário, né. Se fosse um horário só era bom, mas...

 

P/1 - Como é que era esse processo do trabalho? Descreve pra gente como é, por que era muito difícil?

 

R - Não… Porque, assim... Era difícil porque a gente... De primeiro era assim, nós trabalhávamos, entrávamos um horário, seis da manhã, saíamos às onze. Entrava depois, me parece, às quatro e saía às oito. Vamos supor, se eu entrasse seis da manhã eu ia até às onze, depois voltava às quatro e ia até as oito. Se eu entrasse às onze, saía às quatro, depois entrava às oito e ia até a meia-noite. E era difícil porque a gente não tinha uma estrutura e morava longe, entendeu? Morava longe e o serviço cansava muito porque era assim: você vinha em pé, voltava em pé, o serviço era puxado. Não que você fazia muito com os braços assim, mas era com a cabeça, porque na época a CTBC, quando tinha... A gente que fazia... De primeiro ela tinha o 104, que caia tudo e a gente que informava conta. Vamos supor, você tinha o seu telefone, você chamava nesse 104, caía em certo lugar que era na portaria, aí você perguntava assim: “Quanto que eu tenho que pagar dos valores?” Você tinha que ir naquele borderô que fala, aqueles folhões, e procurar tudo; você passava o número tal e tinha que olhar e falar os números, quanto tinha de valor, falar tudo, a gente que fazia tudo.

 

P/1 - Então não era um trabalho de portaria só?

 

R - Não, por isso que eu te falo, era difícil por causa disso. Aí tirava aquele horário, a hora que o pessoal chegava de manhã ou na hora do almoço, você tinha que ver na hora. O pessoal chegava, se ele chegava atrasado você tinha que marcar, se ele chegava... Tudo isso daí você tinha que ter. A portaria que fazia.

 

P/1 - Certo.

 

R - Era uma portaria, entendeu? Mas era um... Fazia o serviço de quase tudo, que era um tipo comercial. Tinha que saber quem que faltou, que hora, isso tudo era controlado ali.

 

P/1 - E que endereço era esse aí?

 

R - Era da própria CTBC, no mesmo lugar que era hoje, só que quando você entrava na porta ali, tinha um balcão, esse balcão era um balcão de pedra, essa pedra que _________, essas pedra de mármore que tinha, e você ficava ali. O escritório era pequenininho nessa época, e no fundo você olhava assim, quando eu trabalhava a noite tinha uma quarenta telefonistas que ficavam. Hoje não tem, mas tinha umas quarenta telefonistas em cada horário, ficava sentado aquele cordão, tudo que era interurbano caía ali, e elas iam. Você quer falar pra tal lugar, elas completavam, e a gente ficava ali assim, acompanhando, tudo assim, a gente e elas, que era tudo da rotina ali, que foi.

 

P/1 - Mas o senhor chegava a auxiliá-las em algum momento?

 

R - Tem vezes que a gente talvez queria alguma coisa, vamos supor que ela também não poderia sair do local. Você que ia buscar, você que ia fazer, que talvez, conforme lá, não poderia sair. Elas entravam lá pra dentro e faziam seis horas, só que eu não lembro dos horários que elas faziam.

 

P/1 - E tinha turno noturno, ou não?

 

R - Tinha, 24 horas.

 

P/1 - E a portaria também trabalhava?

 

R - Trabalhávamos 24 horas, eu não lembro dos horários assim, certinho, porque faz muito tempo, muitos anos. Mas eu sei que era das seis às onze, das onze às quatro, das quatro às oito, das oito à meia-noite, da meia-noite às seis. Sei que eram esses horários.

 

P/2 - Seu Walter, nessa fase aí da portaria, que tinha esse tanto de telefonista, o senhor chegava a controlar a vestimenta, as roupas, se estava bem…?

 

R - Não, isso daí, não. Isso daí elas já tinham porque os próprios uniformes delas, elas já chegavam e, assim, os seus... O lugar que elas guardavam, lá, elas já chegavam e entravam pra dentro tudo. Você tinha que saber, por exemplo, só que teria que ter um horário, você controlava o horário delas chegarem. Elas não podiam chegar depois daquele horário que elas tinham que fazer, porque se tivesse chegado depois daquele horário você não podia entrar mais.

 

P/2 - Aí ela perderia o dia?

 

R - Perdia o dia, era controlado, elas tinham ______________. Vamos supor, a telefonista que entrava a noite não poderia chegar antes e nem depois do horário, era controlado. E todos os horários ela teria que estar sempre quinze minutos antes do começo. Vamos supor, se fosse pegar seis horas, teria que estar quinze pras seis. Em cada horário você tinha que estar quinze minutos antes, era feito assim. 

 

P/1 - O senhor falou que elas tinham uniformes?

 

R - Tinham.

 

P/1 - Como é que era esse uniforme?

 

R - Ih, agora a minha cabeça não recorda, mas eu sei que parece que era camisa branca e saia bege parece, me parece... Eu não lembro certinho na cabeça, faz muito tempo.

 

P/1 - E quando o namorado ia levar a telefonista, assim, podia levar?

 

R - Podia, normal, só que ele chegava até na porta, ela pra dentro e ele pra fora. Como diz o outro, não entrava no recinto de jeito nenhum, só entrava até ali. A gente vendia na portaria a famosa fichinha.

 

P/1 - O que é isso?

 

R - De primeiro… Hoje, há uns tempos, é cartão, porque é telefone público, né?

 

P/1 - Ah, sim.

 

R - Que eram aquelas fichinhas. Nós que vendíamos na portaria. Se mexia com dinheiro também, né, mexia, a gente atendia as entradelas e vendia se você chegasse lá. No carro, você falava assim: "Eu quero tantas fichinhas." Tinha as fichinhas interurbanas e a fichinha local, aí você vendia tudo. Eu não me recordo quais eram os valores, aí a gente, num certo tanto, acertava uma pessoa do comercial. Você passava o dinheiro pra ela, tudo certinho, marcado no livro, tudo certinho, “fulano de tal tá com tantos valor de ficha, fulano tem tanto”, depois, se faltasse, você teria que pagar, se passasse também. Você tinha que trabalhar controladinho.

 

P/1 - Era um PS ali também.

 

R - Era tipo um PS, igualzinho um PS. Você vendia, atendia o público normal até à meia-noite. Depois, com esse problema que conforme vai aumentando, passou até às 22 horas. Aí chegava às 22, você fechava as portas e ficava lá dentro, ficava até à meia-noite. Depois da meia-noite entrava um outro rapaz, ou a gente mesmo, isso daí era rodízio.

 

P/1 - Seu Walter, como é que resolvia o problema daquele assinante, daquele cliente mal educado, aquele sujeito meio carne de pescoço, que _________querendo brigar, querendo bater?

 

R - Isso tinha e tem até hoje, porque a gente foi orientado, você nunca... Sempre, o cliente, ele tem... A gente tem que tentar conversar, explicar pra ele. Agora, quando ele não entende, ou você vai tentando, explicando, explicando... Se ele não entender tudo, você talvez, conforme o caso, você tem que passar pra um superior a você. E é o que nós tínhamos, as orientações. Sempre tentava explicar de tudo quanto é jeito, nunca maltratamos pessoa nenhuma, você tem que tentar explicar tudo dentro das próprias normas. Agora, quando ele não quer, ele pode falar, te xingar, fazer tudo, mas você…. Nunca alterar, entendeu? Aí você passa ele pro seu superior.

 

P/1 - E o senhor já teve problema assim?

 

R - Já, muitos. Até hoje.

 

P/1 - E você lembra de algum que tenha ficado marcado pro senhor?

 

R - Não, eu só lembro de uma vez, que um senhor até de cor, que foi, ele chegou eram umas dez e meia, onze horas da noite e ele queria fazer com que a gente fosse obrigado a dar as fichas pra ele. Isso nós não poderíamos, entendeu? Aí ele começou a gritar, fazer aquela... Aí ele viu que a gente não deu pelota, como diz o outro, e nesse caso, nessa época, a gente chamou a polícia. A polícia veio, tentou acalmar tudo e, graças a Deus, passou tudo normal. O mais marcante foi esse, agora, os outros é rotina mesmo, é normal. Porque problema tem sempre, mas esses problemas são problema de rotina mesmo, isso daí não...

 

P/1 - E como é que era a relação do senhor com os superiores hierárquicos que também passavam pela portaria.

 

R - Passavam, graças a Deus a gente era normal, eles eram muito bons também, eram todos bons. que eu lembre. E era... Na época era.... Hoje acho que é o Seu Cassiano, que era o encarregado da Engeset, Seu Luiz Márcio, que é até hoje, e tinha um senhor que se chama Arquimedes Marques, ele trabalhou muito anos também, era muito bom. A única coisa é que tem dia que parece que eles, sei lá... o Arquimedes era muito bom, tinha dia que ele chegava meio nervoso, sabe? Acho que algum problema... Ele já chegava dando a maior bronca em todo mundo, né. (risos)

 

P/1 - Cuspindo marimbondo?

 

R - É, aquilo lá era normal. Normal isso daí. Graças a Deus, a gente combinava muito bem, você procurava ele, normais eles todos.

 

P/1 - O Senhor Arquimedes, ele aprontava? Assim, tipo, de chegar dando bronca sem mais nem menos?

 

R - Não... É por que ele era encarregado de rede, a gente fala encarregado de rede, e eu acho... Tinhas muitas linhas físicas, linhas físicas que eram entre Franca, Ibiraci, Franca, Ribeirão Corrente... Eram assim essas redes, e o trem dava muito problema, que era tempo de muita chuva e faísca, pegava aquelas faísca e acabava com tudo. Um dia ele chegava com aquela chuvarada, nego não tirava defeito, prensava ele, chegava cuspindo fogo. Por causa disso, no outro dia, muito dia que a gente tinha muito problema era aqui nessa Usina Estreito, que era uma linha daqui lá, que acho que ela pegava muita __________ e era danada pra pegar faísca. Essas faíscas vinham e acabavam com a proteção, tudo. Nego não conseguia, e com razão, e nego virava um trem em cima dele.

 

P/1 - Do Seu Arquimedes?

 

R - É, que era encarregado geral de rede, aí ele virava um trem de bravo. Logo, também, voltava ao normal.

 

P/1 - O senhor conheceu o Seu Alexandrino Garcia?

 

R - Conheci.

 

P/1 - O que o senhor fala dele pra nós?

 

R - Olha, às vezes que eu vi ele, ele era uma pessoa que parecia que gostava de conversar com todo mundo, ele não determinava pessoa nenhuma. Se ele chegava aqui dentro, encontrava com um, conversava; encontrava com outro, conversava. Pelas vezes que eu encontrei com ele, umas quatro, cinco vezes, todas as vezes ele conversou conosco. Chegava, pegava na mão... Bom mesmo, mas bom mesmo. Só que ele gostava do negócio em cima, né?

 

P/1 - Como assim?

 

R - Ele não gostava de desperdício, não gostava de nada. Se ele via que estava desperdiçando, vamos supor, qualquer uma coisa que não poderia, assim... Que poderia ser aproveitada... Se ele visse, pra qualquer um ele falava, pode ser eu, qualquer um, ele dizia que não estava sendo aproveitado aquele material e corrigia. Nisso daí ele era enérgico, nesse ponto, e com razão, _________, estão nessa firma, né?

 

P/1 - O senhor vai testemunhar algum episódio dele?

 

R - Não, não via, não. A gente via, falava, a gente via... Muitas vezes eu vi, isso aí eu vi, poucas vezes que eu vi ele. Uma vez ele estava dentro de uma oficina que nós fomos, lá em Uberlândia e tinha uns parafusos assim no chão. Isso daí eu vi ele catar o parafuso e guardar, o parafuso e mais uns negócios, porca, isso aí eu vi ele fazer uma vez, dentro de uma oficina.

 

P/1 - E o Doutor Luiz, o senhor chegou a ter algum contato com ele?

 

R - Não, com o Doutor Luiz... A gente tem o contato com ele assim, que ele vem em Franca, talvez, sempre ele passa? Agora, em Uberlândia mesmo, daqui ele tem o contato assim, “bom dia”, “boa tarde”, “ta bom”, “isso daí”, nas convenções lá, tudo, mas é isso daí o Doutor Luiz.

 

P/1 - E esse seu trabalho, voltando pra portaria agora, quer dizer que não é uma portaria simples, é uma portaria complicada?

 

R - É aquilo que eu te falei.

 

P/1 - Como é que ele vai evoluindo, porque aí chegou um momento que as telefonistas já não estão…?

 

R - É, foi evoluindo porque a CTBC, na época, ela era assim…. Vamos dizer, assim, uma firma pequena, que tinha em torno de umas dez mil assinantes, e ela vai aumentando. Aí vai aumentando gente, aí teve que ir cada vez ir modificando. Depois foi modificando, depois já entrou o DDD. Hoje já foi diminuindo, tudo isso já foi diminuindo, mais gente, isso já foi mudando tudo, foi terceirizando, tinha o DDD, tinha aqueles telefones... Como é que falava?

 

P/1 - Magneto?

 

R - Não, não era magneto, não. Você tirava ele do gancho, aí tocava lá na mesa, a telefonista te atendia e te ligava aonde você quisesse.

 

P/2 - PABX?

 

P/1 - Semiautomático?

 

R - É, semiautomático. Isso daí eu peguei tudo da minha época, você entendeu? Tudo isso daí, do semiautomático, aí foi mudando, foi aumentando e evoluindo. Foi onde está até hoje.

 

P/1 - Pois é, mas o senhor trabalha ali, como é que foi se modificando esse processo?

 

R - Foi porque a gente foi tentando, foi mudando com a força de vontade da gente, né? E, graças a Deus, mudando, mudando ainda ficou a portaria, e depois surgiu essa vaga que é no DG, que eu consegui. Prestei tipo um curso lá dentro e consegui sair da portaria e ir pro DG aqui, hoje.

 

P/1 - Quando é que aconteceu isso, Seu Walter?

 

R - Eu trabalhei sete anos e pouco na portaria, entrei em 1978, com mais sete vai dar 1985, mais ou menos. Aí eu passei pro DG, que é o Distribuidor Geral. Só que a portaria continuou, só que foram outras pessoas, só que já era mais... Assim, já não tinha esse... Pra fornecer conta, na minha época nós que entregava as listas telefônicas, fazia fila que dava volta nos quarteirões, e tudo isso daí, que não tinha mais, que era tudo diferente, foi mudando tudo, aí eu fui pra lá e foi. Hoje não tem mais portaria e, hoje, no DG, que é o Distribuidor Geral, que consegui tudo com a força de vontade, aprendi tudo.

 

P/1 - Pois é, mais como é que o senhor passou da portaria pro DG? O senhor teve que aprender outras coisas né, como é que foi essa transição?

 

R - É, foi na época, tinha uma pessoa que trabalhava no DG que ia aposentar, ele se chamava Orlando Natal, e ele ia aposentar. E um dia o Seu Anselmo e o Cassiano falaram pra mim que ia ter essa vaga, que era pra eu ler um livro, um livro tipo uma cartilha, mandou eu ir estudando, falou “vai estudando esse livro, depois faz as perguntas”. Aí eu estudei esse livro que eles deram um certo tempo, aí eles um dia eles me deram uma ficha pra eu preencher, eu e mais outros lá de dentro mesmo. E, graças a Deus, eu consegui, aí eu fui aprender, fui pro setor sem saber nada e fui aprendendo. Lá, os próprios colegas de serviço, na época, foram me ensinando como que era, como era feito, como fazia o teste num telefone, como ligava um telefone, como fazia teste numa mesa. Daí em diante foi que a gente foi evoluindo. Aprendi tudo que era... De um certo tempo pra trás era tudo manual, tudo era feito manual. A gente, quando eu entrei lá, se você reclamava no 103, caía lá pra nós. Tinha um negócio que tinha todos os nomes, todos os números de telefone, tudo lá dentro, a gente pegava e ia rodando aquele ________, a gente pegava e ia rodando aquela... Fazia assim... Pegava o número, aí se você fez a reclamação, tirava a reclamação, tirava a ficha sua, do seu telefone. Tinha um papelzinho, a primeira e a segunda via de uma papelzinho amarelo, _______ a gente punha ali. Você reclamou, vamos supor "ta mudo, ta isso", você marcava naquele papelzinho.

 

P/1 - Marcava o defeito?

 

R - Marcava o que que você falou, né? Punha junto com a própria ficha, aí as pessoas que trabalhavam na rua chamavam pra nós e nós passávamos pra eles telefone tal, endereço tal, tudo, o código de rede. Que hoje é tudo um sistema. A gente passava tudo manualmente, tudo assim, por telefone, porque era pouco. Depois que eles iam à sua casa, no caso, verificavam o defeito, aí ele passava, o fio tava arrebentado, que tinha na ficha. Depois você marcava na própria ficha do telefone, “foi tal fulano que foi lá, defeito tal”, e ia lá e punha a ficha no mesmo lugarzinho.

 

P/1 - Tudo manual Seu Walter?

 

R - Tudo manual. Nós atendíamos o 103, que hoje é o 0800. A gente fazia e marcava tudo, tinha uma rotina nos finais de semana, que a gente trabalhava normal, que era das sete horas, sete e meia, coisa assim, até às seis, cinco e meia. E nos finais de semana tinha uma listagem dos telefones de fazenda, a gente chegava naquele fim, que era sossegado, chamava tudo naqueles telefones de fazenda pra ver se estavam funcionando.

 

P/1 - Ligava pra lá?

 

R - Ligava tudo, era feito tudo isso aí. E a gente, depois que fazia, marcava naquela ficha e passava no outro dia pra segunda-feira, pra ver o que que estava acontecendo, ____________ era feito isso.

 

P/1 - E tinha muita reclamação, Seu Walter?

 

R - Não, não era muito, não. Mas, depois, conforme foi aumentando o total de redes, o total de assinantes, foi aumentando, aumentando... Depois chegou um certo tempo que não deu pra fazer à mão, assim, manual.

 

P/1 - Quando é que foi esse momento, quando é que se percebeu que estava complicado?

 

R - Foi quando entrou o SS... O TDX, que é o SSO, que vai sair agora, que praticamente deve fazer uns oito, dez anos mais ou menos, eu não lembro a data na cabeça certinho, mas foi quando ele entrou que acharam que não tava mais dando conta.

 

P/1 - E o que mudou?

 

R - A única coisa que mudou, porque não éramos nós que fazíamos mais, não tinha uma pessoa que fazia mais, e era bem mais fácil e mais rápido, porque menos gente e mais quantidade de serviço, porque você já abria o próprio sistema, a própria CTBC já deu quando foi pra implantar, ela deu um curso pra todo mundo, a gente não tinha noção de como é que era, e ela deu um curso pra gente como é que fazia pra você operar um computador, no começo a gente apanhou bastante, como diz o outro, e foi...

 

P/1 - Chamado SSO, isso?

 

R - É.

 

P/1 - O senhor sabe do quer dizer SSO?

 

R - Ah, agora na cabeça, é um sistema de gerenciação, né?

 

P/1 - E o senhor falou que apanhou muito do computador, mas o sistema era confiável, ele funcionava?

 

R - É, quando tinha menos coisas era mais controlado. Depois, quando foi aumentando, que é o que tá hoje, aí teve que fazer muitas modificações, porque cada pessoa, vamos supor... Eu trabalhava nesse setor, tinha o pessoal de facilidade que era o controle... Vamos supor, se eu manobrasse um par de uma rede lá, aí a facilidade tinha que ir lá nele.

 

P/1 - Facilidade?

 

R - É, facilidade, que é o que controla a rede inteira até hoje, que ele ia lá e digitava tudo, o telefone tal, foi pra parte tal, secundário, tal... Isso daí que é feito, depois ________ necessário, eu ia lá e entrava no próprio sistema e ele tava completinho. 

 

P/1 - Para verificar se estava ok.

 

R - Tudo ok, e era confiável.

 

P/1 - Quer dizer, pra quem estava anotando isso na mão já foi uma...

 

R - Foi, e dava muito erro. Na mão a pessoa às vezes te falava, vamos supor assim, tinha uns códigos, cada coisa tinha um código, talvez você errava um número talvez no código, porque tinha a tabela...

 

P/1 - Como é que eram esses códigos, o senhor se lembra?

 

R - Eu sei que era cinco números. Agora, cada uma… Porque, vamos supor, o que era defeito interno tinha um código, você tinha que marcar lá, tinha um mapinha que a gente ia olhando. No fim você já tá sabendo na cabeça, código de linha aberta é tal, curto é tal, terra é tal, isso daí tudo você já sabia na cabeça.

 

P/1 - Pra passar pro pessoal da rede ir atrás.

 

R - Já sabia tudo. Agora, hoje tem os códigos de linha aberta, linha de curto, e a gente sabe bem qual é o código do aberto, código de um curto. Isso daí é o que a gente trabalha dia-a-dia. Agora tem os outros códigos que são do fechamento das _________. Quer dizer, tem que fechar, né?

 

P/1 - Das ordens de serviço?

 

R - É, das ordens de serviço que já não são nós. É o outro setor, né? A gente põe o código dele... Vamos supor, tá com linha aberta, jogou o código pra ele saber o que tem, então o curto tem que jogar o código pra saber o que tem. Se é um interno você tem que saber o código pra fechar isso daí.

 

P/1 - Aí eles concertam lá...

 

R - Não, aí volta porque a gente já manda. Porque é o despachante que é uma cooperativa que tem, a gente faz tudo e manda pra essa cooperativa, aí o pessoal da Engeset chama lá nessa cooperativa, que eles chamam despacho lá, passa tudo lá depois e volta. Aí eles chamam tudo pra gente testar, ver se as linhas estão boas já, se estão normais. Aí já deu o ok pra eles, eles já chamam lá pra dar baixa, e aí eles põem os códigos, não somos nós mais.

 

P/1 - Certo, e nesse processo o senhor já não tem contato com o assinante, né?

 

R - Tenho, nós temos contato direto, desde quando... Se ele chamou, o assinante chamou, ele cai. Se ele chamou no 0800 lá, ele cai e eles já lançam lá na trilhagem, nós que vamos fazer contato com o assinante assim, só por telefone, não pessoalmente. Você vai fazer contato pelo telefone, vai perguntar pra ele se está... O que está acontecendo, tal, se é defeito do aparelho. Agora, quando você já pode conversar com o assinante, tem umas que não tem como, que ele ta interrompido, aí você tem que mandar já a pessoa da Engeset, no caso, para verificar.

 

P/1 - E quanto tempo demora em média pra sanar um defeito desses?

 

R - Isso daí varia. Tem defeito que já fechado, interno, talvez se ele entrar nos _________, você entra e já tá lá, é uma média de dez, quinze minutos. Agora, quando já se joga, ele já tem o total do que nós temos comerciais, que são dentro de oito horas, os residenciais, que são de 24, e as LPs, que são duas horas, todas passando por nós, porque tudo isso varia.

 

P/1 - O prazo de concerto deve ter duas horas...

 

R - É, duas horas no assinante, no comércio. Mas, assim, desde quando já foi despachado esse total de tempo, porque é um fluxo de serviço, você tem que ir despachando conforme, por isso que é um fluxo de sequência.

 

P/1 - Mas chega a atrasar assim, não?

 

R - Muito difícil ficou, porque nós trabalhamos em cima do objetivo, porque se nos atrasarmos ele poderá sair fora do... Se ele não cumprir aquele objetivo.

 

P/1 - E nessa situação, diferentemente da anterior... Mas, enfim, ainda tem aquele problema do assinante que não se conforma, que quer já?

 

R - Tem, tem muito isso daí. Tem muitos que, talvez, eles acham que se eles reclamam hoje, já tinha que ter visto ontem o defeito. E tem uns que não concordam que talvez o defeito é dele, porque de primeiro a gente via defeito interno, via tudo, ele não concorda que o problema é dele. Como provar pra ele que o defeito é dele, tem uns que é difícil, difícil, mas difícil mesmo, principalmente no tempo das águas, no tempo da chuva. No tempo de seca é menos um pouco porque não dá tanto, no tempo da chuva é bravo.

 

P/1 - E qual é o segredo dessa relação com o assinante? Quer dizer, nessas situações mais críticas, qual é o segredo de falar com ele, convencer?

 

R - Não, porque tem uns que você já explica pra ele mesmo, a gente pede pra comprovar. Tem uns que eu sempre falo, quando é do aparelho você pede pra ele tirar o aparelho, talvez substituir, pegar o do vizinho, entendeu? Pra entender eles, agora tem uns que não tem como você explicar, aí você tem que mandar um funcionário lá da Engeset, vai lá, abre na torrinha, corta o fio põe um aparelho da Engeset no ________, chama ele, diz “aqui tá bom”, ligou pra frente e não funciona, aí eles entendem.

 

P/1 - Tá certo, e essa relação com a Engeset é uma relação que ta ajeitada, funciona bem?

 

R - É, porque hoje nós éramos da CTBC, hoje nós somos Engeset também. Nós, até o mês de maio... Eu trabalhei com a CTBC, e hoje com a Engeset, é o mesmo grupo, né? Ela terceirizou o nosso setor, assim, terceirizou num ponto, mas só que passou da CTBC para Engeset. O motivo é porque a gente está muito envolvido com... Porque a Engeset é parte da rede, e nós estamos muito envolvidos com a rede, porque nós que temos o liga e desliga, somos todos nós que fazemos, nós que fazemos. Foi por causa disso que foi passado pra...

 

P/1 - E como é que foi, Seu Walter, naquele período em que a empresa passou por uma reestruturação forte, quando a gestão estava sobre a responsabilidade do Seu Mário Grossi, como é que foi a sua experiência ali naquele período?

 

R - Porque quando foi, foi no caso quando a gente tava assim, a CTBC tava saindo de uma fase e entrando numa outra fase que era... Porque antes sentia que talvez, assim... Porque o Mário Grossi tava querendo fazer... Que a CTBC tava saindo de uma realidade lá embaixo pra tentar no novo mundo. Ele quis fazer e tentava explicar pra nós todos que a realidade talvez era outra, mas tinha que entrar naquele ritmo pra poder acompanhar o mundo. Porque de primeiro a telecomunicação era pequena e ela subiu praticamente de uma vez, do mercado de uma vez, e nós também tivemos que fazer a cabeça, teve que mudar muito de uma pancada pra outra. Que foi, eu acho, que isso daí pra... Ele tentou e conseguiu, né, onde é que tá hoje o grupo.

 

P/1 - E essa reestruturação já mudou a base de crescimento?

 

R - É, foi.

 

P/1 - E o senhor conheceu o Senhor Mário Grossi?

 

R - Vi ele uma vez, eu conheci assim, pessoalmente, uma vez.

 

P/1 - E que impressão que o senhor ficou dele?

 

R - Essa vez que eu vi ele, achava que não era ele, sabe? Porque pela cabeça que ele tinha e tem até hoje, eu achava que não era ele.

 

P/1 - Por quê?

 

R - Sei lá, parece que eu acho ele uma pessoa muito simples, você entendeu? Não simples de tudo, mas uma pessoa simples, com uma inteligência muito grande, um mercado, ________ pra mercado muito alto.

 

P/1 - E hoje, Seu Walter, esse seu trabalho... Qual vai ser o caminho dele, no que ele vai melhorar?

 

R - Porque nós estamos… A tendência, hoje, porque nós estamos... Hoje, até mais uns quarenta dias, nós ainda vamos ter muitas coisas manuais, que ainda é feito, que a gente trabalhava com os telefones digitais e analógicos, e dentro de uns quarenta dias vai melhorar. Uns quarenta dias, sessenta dias no máximo, nós... Franca, principalmente, nós não vamos ter mais analógico, isso daí vai mudar um pouco já. Hoje isso ainda é feito muito teste, em mesas, nessas mesas grandes que são feitos manuais. E daqui a uns sessenta dias, eu acho, mais ou menos, já não tem mais. Aí vai ser tudo computador mesmo, porque nós hoje temos uma parte de computador e uma parte manual, e daqui a uns sessenta dias, só computador.

 

P/1 - E o senhor tá preparado pra isso?

 

R - Sim. 

 

P/1 - O senhor e sua equipe?

 

R - Estamos, estamos porque a gente já está aprendendo, a gente já tem a base. Eles já colocaram já o pessoal, já colocaram todos os comandos pra gente ir já evoluindo, na hora que ela entrar já entra total. Porque isso daí não pode esperar, o assinante tá lá, ele não pode esperar. Se o telefone parou, você quer ele funcionando, você tem que estar reestruturado pra aquela forma, pra qualquer coisa.

 

P/1 - Seu Walter, o senhor que passou... Quer dizer, essa evolução tecnológica toda, o senhor acompanhou tanto lá na portaria, que não era uma simples portaria, deviam mudar nome. Mas também agora, que o senhor está acompanhando esses passos novos que o senhor acabou de dizer, que a empresa tá dando agora, digitalizar todo o processo... Como é que o senhor vê o que vem pela frente, Seu Walter, com essa sua experiência? O que o senhor é capaz de vislumbrar nesse horizonte?

 

R - Olha eu acho que a gente até hoje aprendeu, saiu lá de baixo e veio subindo devagarzinho. E peço, assim, que as mudanças que estarão acontecendo, toda essa agitação, a gente tem e ainda tem que aprender mais um pouco de muitas coisas ainda, porque o mercado de telecomunicações ele não vai parar só aqui, a tendência dele é, amanhã, já entrarem os novos equipamentos, a gente já tem que estar preparado pra novas funções.

 

P/1 - E como fazer isso, o senhor tem ideia?

 

R - Procurar, procurar aprender, estudar, fazer curso, esse negócio.

 

P/1 - O senhor acha que a Companhia oferece condições pra isso?

 

R - Oferece um pouco, em partes. Agora, você não pode esperar toda a coisa, você tem que procurar por si mesmo. Eu acho que muitas coisas você não pode esperar pela própria empresa, você tem que procurar você mesmo, no mercado, as coisas sempre, progredir uma coisa que será boa pra você e pras outras coisas, né?

 

P/1 - Seu Walter, como é que o senhor avalia que a comunidade aqui, a população de Franca, o assinante aqui de Franca... Como é que o senhor avalia a relação deles com a CTBC?

 

R - Eu acho que a CTBC, perante os assinantes, é muito boa. A CTBC é uma firma que ela não, assim… Tem muitas outra operadoras que você vê, talvez fica parado seu sistema e não estão nem aí. E a CTBC não. Ela procura, porque nós temos, talvez, um prazo de 24 horas, talvez possa ser feito em duas ou três horas. Isso daí cativa o próprio assinante, que ele fala assim: “Preocupa com a gente, preocupa de sempre fazer pra não deixar muito tempo parado, pra não deixar muito tempo. Porque ele não fica parado e ela também não perde.”

 

P/1 - O senhor tem essa sensação quando conversa com as pessoas ou não?

 

R - Tem, sempre a gente procura informar a todos. Ele se preocupa, quer saber talvez qual o motivo pelo que aconteceu isso, o que foi que aconteceu, por quê. Isso é que a gente tenta explicar claramente pra pessoa, você nunca encobre as coisas, né?

 

P/1 - E a concorrência, Seu Walter, que está aí nos calcanhares?

 

R - É... Isso daí tá uma coisa difícil. Eu acho assim, a CTBC está preparada pra isso porque nós estamos aqui já batendo na porta e pode entrar outra operadora aqui, normal. Ela pode entrar em qualquer local também. Eu acho que ela está preparada pra enfrentar o mercado, a única coisa que fica mais difícil, porque tem uma firma, talvez uma firma muito grande, é que ela tem que tentar fazer de tudo pra competir, que essa outra firma... Que essas estrangeiras... Porque ela tá só no meio, né?

 

P/1 - E a qualidade, Seu Walter, o que ela pode fazer de diferenciado?

 

R - Hoje eu acho assim, tem muitas coisas que acho que a CTBC não é ruim, mas ela tem muitas coisas, talvez, que estão sendo melhoradas. De primeiro a qualidade dela não era muita coisa, porque, assim, a pessoa que ele via lá na firma tal, tem um serviço todo mais elevado, e ele queria ter, às vezes falar e ela não tinha aquela qualidade pra ser feito. E hoje ela vai pegando o padrão da qualidade praticamente bem mais alto.

 

P/1 - Seu Walter, o senhor já tá satisfeito? Eu queria saber se teria alguma coisa que o senhor gostaria de ter dito e que a gente não…?

 

R - A gente falou tanta coisa, ___________, não... A única coisa que eu acho é que a CTBC é uma firma muito boa pra trabalhar, nós temos um ambiente agradável, isso eu falo. É assim. Eu acho que o pessoal não é uma firma, é uma família. O que eu penso é isso daí, que a gente não tem aqui, assim, igual você vê numa fábrica, num negócio, aqueles atritos. E dentro, não, aqui dentro da CTBC, não. Eu acho que você brinca dali, _________ dali, aquilo outro, nós somos uma família ali dentro. Porque eu não sei se a gente faz tanto tempo que tá ali e as outras que vem entrando, parece que já entram naquele ritmo, aquelas outras já apanham amizade com aquela outra pessoa que tava ali, acho que acostuma naquele ritmo e continua aquela amizade, que são amizades limpas, graças a Deus.

 

P/1 - Seu Walter, o senhor tem sonhos na vida?

 

R - Ah, eu... A única coisa que eu tenho [desejo] é de ter uma vida agradável, de não ter uma doença, essas coisas que prejudicam, a única coisa é essa daí. O resto, que eu tentei até hoje, com uma vida simples até que eu tenho, nós não somos ricos... Mas um sonho que eu tinha era de ter uma casinha quando eu vim, _______ e graças a deus, consegui. E que eu tenho a outra, tem outra já que eu já fiz, que eu tinha. Eu falei assim, olha: "Quero ter a minha, e quero ter uma pras minhas filhas." E, graças a Deus, consegui a minha e a para as minhas filhas. O dia que elas casarem, já tem as casinhas delas. As coisas que queria na vida eram isso.

 

P/1 - O senhor tem quantas filhas?

 

R - Duas meninas.

 

P/1 - Duas meninas.

 

R - Duas moças.

 

P/1 - Beleza, Seu Walter, como é que foi pro senhor dar esse depoimento pra nós?

 

R - Não... Isso daqui, graças a Deus, foi uma coisa simples, não foi uma coisa assim exposta. Conversando como amigos, entendeu? Isso daí é contar uma parte, uma passagem da sua vida.

 

P/1 - Uma parte importante?

 

R - É uma parte da sua vida.

 

P/1 - Pelo menos depois que as pessoas conhecerem o seu depoimento, ninguém vai achar que o encarregado da portaria é porteiro. (risos)

 

R - É... Porque já foi, né? A gente foi nessa faixa, depois passou, quando eu entrei foi isso daí. (risos)

 

P/1 - Tá certo, Seu Walter! Muito obrigado pelo seu depoimento.

 

R - Obrigado a vocês.

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