Busca avançada



Criar

História

"Porque a imagem narra"

História de: Angela Lago
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/01/2015

Sinopse

A dificuldade com as palavras por conta da dislexia não a impediram de ser uma leitora assídua, que escondia debaixo do avental da escola, livros para ler durante as aulas sem que os professores percebessem. Faz do esplêndido, seu diálogo com Deus, e ora através da leitura de poesias. Os contos de fada parecem guiar sua forma de ver o mundo, bem como lhe encorajam a alcançar os sonhos. Hoje, preferindo o desenho à escrita, entende a imagem como forma de narrativa.

Tags

História completa

P/1 – Então Angela, boa tarde.

 

R – Boa tarde.

 

P/1 – Estamos começando a nossa entrevista, queria que você fizesse a sua identificação, falasse o seu nome completo, data e local de nascimento.

 

R – Tá bom. É Angela Maria Anastácia Cardoso, é o meu nome de nascimento. Nasci em 17 de dezembro de 1945, em Belo Horizonte.

 

P/1 – E você podia falar o nome dos seus pais e a atividade deles?

 

R – Tá bom. Meu pai foi fazendeiro e comerciante, Antonio Pio Cardoso Filho. E minha mãe era dona de casa, embora fosse uma leitora contumaz, assim, uma leitora viciada...

 

P/1 – E o gosto...

 

R - ...Hercília Anastácia Cardoso.

 

P/1 – E o gosto da leitura vem mais por ela?

 

R – Vem mais por ela. Do meu pai vem o gosto por Minas, pelo folclore, pela tradição oral, pelos contos, pelos causos, pelos contos de assombração também.

 

P/1 – O seu pai é de Bom Despacho?

 

R – É de Bom Despacho. E acho que dele vem o gosto de desenho, porque ele desenhava com gosto o que na época chamavam catitas, são figuras tipo J. Carlos, uns desenhinhos de caras e moças, e deixava aqui uma catita, ali outra, então... E gostava também de fazer umas logomarcas, fazendo umas letras estranhas. Eu me lembro de achar fantástico, tanto as catitas quanto as palavras escritas com letras diferentes, umas letras que iam se encaixando umas nas outras, gordinhas, não sei se vocês lembram dessa moda, não devem lembrar não, é bem dos anos 50.

 

P/1 – E, Angela, a sua mãe que contava histórias de noite pra vocês?

 

R – Mamãe lia Andersen, os Irmãos Grimm. Eu ainda me lembro dos livros da... Acho que era uma coleção da Melhoramentos, eram livros-álbuns grandes ilustrados. E papai contava caso quando estava dirigindo, às vezes brincava, gostava muito de provérbios. Agora, o hábito de ouvir histórias vem da mamãe, que lia. Ela não contava, ela lia. E nós éramos em seis, era impossível pra ela atender o desejo de todos. Eu me lembro o gosto que eu tive de aprender a ler pra poder ler justamente essas histórias, que eram contos de fada que ela lia à noite. Eu corri pra biblioteca da escola, peguei os mesmos livros que tinha em casa pra ler essas histórias.

 

P/1 – E a sua casa era um ambiente que tinha livros?

 

R – Sempre muitos livros. Mamãe sempre foi uma leitora que chorava e ria com os livros abertos, então eu sempre imaginei que o livro era um lugar que valia a pena entrar, era uma porta interessante.

 

P/1 – Ô, e que porta, né? E antes de a gente entrar um pouco na sua história da leitura, você poderia contar um pouquinho do que as meninas da sua época brincavam em casa e na rua?

 

R – Tá. A gente tinha brincadeiras quando estava com a roupinha de domingo né, toda passadinha, que era passa-anel, estátua, brincadeiras bem comportadas. Agora, as brincadeiras que eu me lembro com mais gosto era de trepar no muro pra espiar a casa do vizinho e, sobretudo, se tinha festa era ótimo. E uma coleção que eu fiz de joaninha no mato, perto de casa. Tinha algum lote vazio e eu me lembro de catar joaninha em caixa de fósforo. E lembro também da gente pegando borboleta. Agora, eu acho que eu não fui má suficiente pra fazer coleção de borboleta, só fiquei com a joaninha mesmo.

 

P/1 – É, porque joaninha ficava viva na caixinha andando, né? E a borboleta dói.

 

R – A borboleta tem a história do alfinete, né, de você espetar ela ainda viva pra colecioná-la; eu tenho horror.

 

P/1 – E, Angela, você tinha mais irmãos?

 

R – Nós éramos seis irmãos: um menino e cinco meninas.

 

P/1 – Então a brincadeira com as suas irmãs em casa era mais de quê?

 

R – O quintal era o lugar mágico. Eu me lembro da gente colocar uma toalha entre duas árvores e fazer teatro de sombras. A gente fazia maldades também (risos), tipo, o meu irmão fazia xixi numa garrafa de guaraná e a gente servia pras visitas! (risos) Éramos seis, a gente aprontava! (risos)

 

P/1 – (risos) Ai ai, que ótimo! E aí, Angela, você começa, então... Você descobre o livro em casa?

 

R – Sim.

 

P/1 – Você tem um primeiro encontro assim... Tem um livro que te marca?

 

R – São esses contos de fada mesmo.

 

P/1 – Ah tá, lidos pela sua mãe.

 

R – É, é. E são esses contos de tradição europeia. Minha mãe é filha de italianos, e eu cresci, talvez, com esse enfoque de contos de tradição europeia, o conto de fada mesmo. Talvez o Perrot tenha entrado num momento mais tardio, mas, sobretudo, os Irmãos Grimm, foi a minha leitura. Eu não li Monteiro Lobato de criança por alguma razão, na escola nós não vimos Monteiro Lobato, e eu tampouco tinha em casa. Talvez, não sei, não sei o motivo, talvez Monteiro Lobato tenha sido visto como comunista, e nos anos 56 havia todo um, né, outro mundo. Pode ter havido uma coincidência de época.

 

P/1 – E que contribuição a escola traz pra você, em termos de leitura?

 

R – Nós tínhamos uma hora de leitura por dia, o que é diferente do que acontece hoje. Era a leitura livre, então a gente ficava numa biblioteca que eu me lembro que era alta, muito grande, com certeza não tão grande assim, e a gente mesmo escolhia o livro que queria ler. Eu li contos de fada loucamente minha infância inteira, e sigo lendo contos de fada até hoje. Acho que conto de fada é um conto de passagem, são contos de ensinamentos, contos que nos ensinam e nos incentivam a sermos corajosos, então continuo acreditando neles.

 

P/1 – E Angela, na outra conversa você contou um pouquinho...

 

R – Dos contos de fada eu já pulei pra livros que minha mãe lia também. Eram bons, policiais, tipo Simenon, Paul, alguma coisa de Balzac que ela selecionava e que ela achava que a gente daria conta de ler, sabe?

 

P/1 – Ah, que legal!

 

R – É, foi legal!

 

P/1 – Que salto! E você me contou na outra entrevista, queria que você falasse um pouquinho do... Você já fazia então uns cadernos na escola que você escrevia e desenhava...

 

R – E ilustrava e assinava assim: “Da menina prodígio que escreve e ilustra Angela Anastácia Cardoso”. Porque eu tinha uma dificuldade com sons e uma dislexia né, eu confundia “F” com “V”, então eu tive alguma dificuldade na escrita. Na leitura não, mas na escrita eu trocava as letras que eu não reconhecia também, minha audição não reconhecia diferença. Eu acho que pra superar essa dificuldade eu resolvi ser uma criança prodígio, que escrevia, ilustrava e assinava. E mamãe guardou alguns desses poemas que eu pude rever já adulta, com a assinatura fantástica e os desenhos.

 

P/1 – Ah, que legal! E quais eram os temas que você fazia?

 

R – Olha, tinha um que era que minha mãe tinha vindo do céu e eu estava aqui na Terra esperando. Eu acho que eu trocava um pouco as bolas também na questão da realidade, não eram só as letras não. Eu me lembro desse que eu achei muito interessante, eu sei que tinha esperado a minha mãe, sabe? Essa grande paixão nossa pelos pais, né, na infância o tema era esse.

 

P/1 – E você mostrava isso pra alguém?

 

R – Eu deveria presentear os meus pais com esses poemas.

 

P/1 – Ah tá, mas na escola não, você tinha confidente dessas coisas de leitura, de dividir?

 

R – Não, na escola não, eu era muito tímida, em geral.

 

P/1 – Entendi. E, Angela, agora a gente vai fazer um salto, né Thiago?

 

P/2 – Vamos pro teatro agora. Timidez?

 

P/1 – É, no Rio de Janeiro. Você vai passar umas férias no Rio, não é isso?

 

R – Certo. Está chovendo muito, não tem praia e Maria Clara Machado dá um curso no Tablado, um curso de férias. Então, eu vou fazer esse curso, acho ela uma pessoa fantástica, de uma força fantástica. Ela me ensina, por exemplo, que nós somos sementes e temos que ir brotando pouco a pouco, exercícios como esse. E fala uma frase que eu nunca esqueci: “Que é muito bom ver um mau espetáculo, que o mau espetáculo nos ensina, às vezes, mais do que um bom espetáculo”. E eu acho que às vezes é muito bom, também, ver um mau livro, ver com esse mesmo interesse de tratar, de perceber o que a gente não deve fazer no livro.

 

P/1 – Que ótima lição, né?

 

R – Eu acho bem interessante.

 

P/1 – E como era a Maria Clara, assim, o temperamento dela, o jeito dela?

 

R – Cheio de vida! Cheia de vida! Bonita, alegre, radiante, uma pessoa radiante, fascinante.

 

P/1 – E aí você teve esse momento, esse curso no Rio.

 

R – Certo.

 

P/1 – Animou-se com a carreira teatral?

 

R – Não. Na verdade a intenção do curso foi de tentar melhorar a minha timidez, era uma tentativa dos meus pais de fazer com que eu vencesse a minha timidez. Não venceu, mas quem sabe um pouquinho melhorou, um pouquinho né, não sei.

 

P/1 – E você continuava sua vida de uma leitora.

 

R – Certo.

 

P/1 – Você concluiu os estudos, fez universidade?

 

R – Certo, certo. Sempre lendo muito durante a escola. A gente usava um avental, então eu tinha uma maneira de esconder o livro, e eu lia durante as aulas todas, eu não era uma boa aluna, não. Mas era uma boa leitora, lia muito durante as aulas. E durante a universidade eu continuei com o mesmo hábito, as aulas tampouco eram grande coisa, ou eu me interessava pouco e lia Carlos Drummond, que até hoje é pra mim uma leitura, também, que eu estou sempre voltando, e que está sempre... É o meu leitor... É o meu poeta predileto, sem dúvida.

 

P/1 – E você chegou a conhecer o Drummond vivo?

 

R – Eu mandei pra ele livros e ele me respondeu um cartão, que eu tive perto de mim durante muitos anos, um cartão muito amável. Eu não sei como ele conseguia tempo, porque ele era uma espécie de rainha Elizabeth no Brasil, não era? Ele era consultado pra tudo, procurado pra tudo, e ele respondia com um bilhete carinhoso, que demonstrava que ele havia lido o livro, porque ele falava de parte do livro. Realmente, eu não consigo, eu consigo entender. Porque ele falava: “Não me mandem mais originais, por favor. Não me peçam mais opinião”, né? Isso eu consigo entender.

 

P/1 – É, e fora as crianças que ligavam pra fazer pesquisa, né? (risos) E, Angela, como acontece essa sua viagem pra Escócia? Isso foi em que período?

 

R – Eu fui nos anos 70 acompanhando a pessoa com quem eu tinha me casado, que foi fazer um curso de pós-graduação. E eu também iria fazer Antropologia lá, que era meu interesse. Mas chegando lá eu resolvi... Dei uma guinada e resolvi fazer um curso de Artes Gráficas, que foi muito bom pra mim.

 

P/1 – Mas o que aconteceu que deu esse clique, essa...

 

R – Pois é. Eu já desenhava e já publicava, eu publicava poemas no Suplemente Literário, que na época tinha o Murilo Rubião na frente.

 

P/1 – Ah tá, do Minas Gerais.

 

R – É. E eu publicava poemas que estavam se transformando em uma coisa parecida com o poema concreto, eram poemas visuais, não tinha as mesmas linhas dos poemas concretistas, mas de alguma forma eu usava caminhos e formas que possibilitavam diferentes leituras do mesmo texto. Eu me lembro de um, por exemplo, que eu desenhei os versos como se fossem cristais, e como eles estavam unidos um ao outro como uma colmeia, cada verso... Você podia ir de um verso pro outro, pro outro, pro outro, fazendo múltiplas leituras. Chamava, por sinal, “Cristal”. Então os poemas foram virando desenhos, e eu gostava de desenhar desde criança. Resolvi fazer artes gráficas pensando em unir essas duas linguagens: a linguagem da poesia e das artes gráficas. Mas como eu estava ali na casa das fadas, na Escócia, o gosto pelo conto de fadas foi voltando, eu voltei a ler muito conto de fada e, de repente, eu estava decidida que iria escrever e ilustrar para criança. Talvez, pelo fato da Escócia também ser uma cidade muito inglesa e da literatura pra criança inglesa ser uma literatura que nos interessa, né? É muito boa. Talvez isso, ver a literatura infantil tão espetacular que a Inglaterra já tinha feito, os trabalhos que eram bons na época, que estavam sendo feitos nos anos 70, e a possibilidade de unir desenho e imagem.

 

P/1 – Você morou em Edimburgo por quanto tempo?

 

R – Eu morei dois anos e meio.

 

P/1 – Ah, foi um bom tempo, então, né?

 

R – Não tanto né, mas marcou.

 

P/1 – E o que você fez durante esse tempo em que fez o curso?

 

R – Eu fiz o curso e eu tinha que fazer um trabalho final, e meu trabalho final já foi sobre o conto de fada, foi sobre a ilustração do conto de fada.

 

P/1 – Ah tá. E aí você pensou: “Quando eu voltar pro Brasil vou me dedicar a isso”?

 

R – É. Eu já voltei com alguns esboços, com algum... Já pensando em começar a trabalhar nessa área de literatura infanto-juvenil, sem saber o que eu ia encontrar por aqui, porque tinha muito tempo que eu estava fora, antes de ir pra Escócia eu estava na Venezuela, então eu (estava?) sem saber se haveria um campo. Eu chego aqui e nós estamos justamente em um boom da literatura infantil. Tudo me ajuda, tudo me encaminha, uma série de coincidências vão abrindo as portas e eu só vou indo, como uma água correndo entre as pedras, já com o caminho traçado.

 

P/1 – Na entrevista da Nelly Novaes, ela falou de muitas coincidências significativas, que a fizeram, também, percorrer esse rumo. Você pode contar algumas de que você se lembra?

 

R – Bem, isso de ir morar sem ser uma escolha minha no lugar das fadas, eu acho que é uma, e de ter sido tão amante do conto de fada durante a minha infância, ter sido a minha primeira leitura, os primeiros contos que eu ouvi, né? O fato de ter feito o meu trabalho, essas coisas que eu te contei. Aqui, em Belo Horizonte, eu cheguei e, na verdade, apesar de ser o boom da literatura, não foi o boom pra mim não. Eu fiquei depois de já estar com o livro prontinho pra mostrar pra editora com todos os desenhos, com texto. Eu andei bem, uns dois anos de editora em editora, mostrando e sem conseguir nada. Quando eu consegui, já estava com o meu segundo livro pronto, então publiquei de uma vez dois livros.

 

P/1 – E você publica os dois no mesmo ano, 80, né?

 

R – É, com a mesma editora, lá de Belo Horizonte mesmo, chama Editora Vigília, que não existe mais. Mas os livros ainda existem, porque um editor, a RHJ, comprou os direitos desse livro e ainda vende esses livros.

 

P/1 – Angela, e como foi esse impacto, então? Você lança dois livros e o que acontece?

 

R – Pois é. Um deles recebeu o Altamente Recomendável da Fundação, na época era Laura Sandroni. E Laura Sandroni é muito responsável pelo meu desencaminhamento, ou o meu encaminhamento. Porque a cada momento que eu achava: “Não, eu não vou conseguir viver desse trabalho, eu preciso dar mais força pro trabalho de artes gráficas”, que eu fazia na época pra me sustentar, a Laura comentava os livros, fazia release, críticas no jornal, acho que O Globo. Entãomvinha além do release uma cartinha da Laura com a Xerox que ela carinhosamente enviava. Ela me dava aquele ânimo, aquele desejo de continuar. Quando eu estava quase desistindo, vinha uma palavra de uma pessoa que eu acreditava, que era uma pessoa cuja visão, cuja crítica eu acreditava e acredito até hoje. Eu acho uma pessoa que sempre conheceu muito profundamente o que fazia. Então ela me estimulou muito. Nelly também teve um papel importante pra mim.

 

P/1 – Ah, conta um pouquinho de onde que você conhece a Nelly?

 

R – Olha, a Nelly eu conheço, talvez, aqui, numa das bienais. Eu me lembro dela ter feito uma crítica que ela tinha toda razão, de um livro que de repente foi muito premiado. Eu escrevi dois anos depois de publicado esses primeiros livros, em 82...

 

P/1 – Nós não falamos os nomes dos livros.

 

R – Ah tá. Em 82 eu publiquei “Uni duni e tê”, que hoje está na Moderna. Eu publiquei com uma editora que tampouco existe mais, mas a Moderna publica esse livro até hoje. E esse livro ganhou muitos prêmios: ganhou um prêmio importante em Belo Horizonte, que chama João de Barro, que ainda é um prêmio bom, importante. Ganhou um prêmio que a Laura foi uma das organizadoras, chamado... Acho que só teve esse ano, “Maioridade Crefisul”. Ele ganhou o segundo lugar, e eu fiquei muito feliz. Depois ganhou o prêmio da Fundação. Então foi um livro muito premiado. Um livro, as ilustrações foram pro Japão, correram pelo Japão inteiro, porque foram escolhidas num concurso, que, por sinal, esse ano eu estou indo como jurada.

 

P/1 – Ah é?

 

R – Agora em novembro.

 

P/1 – Você vai pro Japão esse ano?

 

R – É. Fiquei muito feliz com o convite. E só sei que esse livro ganhou uma porção de prêmio. E Nelly foi dura com ele, na crítica dele, sabe? Então isso é tão importante, porque é uma puxada de orelha, né? A Nelly me chamou a atenção que eu usava o folclore da minha idade, e que nem sempre era o folclore vigente, eram Cantigas de Roda da minha idade. E hoje eu percebo que eu deveria ter sido mais cuidadosa mesmo, porque em algumas cantigas funcionam, a trama usa as cantigas à sua maneira. A cantiga não precisa ser reconhecida, porque a trama segue independente dela ser ou não reconhecida. Mas que a chamada da Nelly foi muito pertinente... E hoje, quando eu estou usando folclore, eu sempre me pergunto se eu estou usando um folclore já esquecido, e nesse caso eu trato de trazer uma transparência que funcione claramente e que o fato da pessoa não reconhecer, ali, uma quadra tradicional, ou um canto tradicional, não impeça que a leitura seja fluida com toda a riqueza. Cabe um elogio à Nelly, o livro estava tão festejado com tantas premiações e ela tem essa crítica, que ela escreve e publica, tão verdadeira e tão pessoal, né? Essa originalidade da Nelly, esse olhar sempre dela, corajoso, é um olhar que nos...

 

P/1 – Então, Angela, você podia falar um pouquinho do “O Cântico dos Cânticos”, e a relação dele com esses livros anteriores que você comentou?

 

R – Certo, certo. Tanto o “Outra Vez” quanto o “Cena de Rua”, quanto “Os Cânticos” têm uma literatura circular, eles pretendem que o leitor, chegando à última página, retorne à primeira. Eles prevêem o leitor que lê e relê o mesmo conto, né, que é a criança. O Cântico... O “Outra Vez” é uma história, é um conto passado nas cidades mineiras. O “Cena de Rua” é um conto passado numa cidade grande, não é um conto, é uma reportagem passada numa cidade grande. E “Os Cânticos” é um poema, é um poema que está na Bíblia, o nosso leitor deve de alguma forma ir buscar esse texto na Bíblia, o texto não está no Cântico dos Cânticos, mas ele é um poema em si, e ele quer ser um poema como é na Bíblia, e ele é um poema circular que também volta a leitura, só que dessa vez nós voltamos invertendo o livro, pondo o livro de cabeça pra baixo, nós invertemos as cartas, né? Então, são três livros circulares: um conto, um poema e uma reportagem.

 

P/1 – E Angela, você podia falar um pouquinho do mundo da cultura popular nos seus trabalhos, do “Sete Histórias pra Sacudir o Esqueleto” e o “Muito Capeta”, né?

 

R – “Muito Capeta”, é. Eu até prefiro falar do “Muito Capeta”, porque o “Sete Histórias” fez a história dele, o “Muito Capeta” está indo mais devagar por causa do título, e provavelmente porque hoje, com o problema do capeta ser uma palavra proibida pra algumas religiões, ele ficou, talvez, mais vetado. No entanto, ele é um pot-pourri com as histórias mais deliciosas, mais mineiras, mais italianas. Também tem muitas histórias de capeta italiano que são muito parecidas com as histórias mineiras. E eu acho que eu consegui montar uma história só com esse pot-pourrizinho. Com isso, acabei fazendo mais do que um reconto, porque no “Sete Histórias para Sacudir o Esqueleto” são recontos de contos que o meu pai contava, cada conto um conto. E no “Muito Capeta” eu juntei todos e virou um conto só, sabe? Eu não sei o que eu faço pra convencer esse pessoal que capeta não é uma palavra tão trágica assim.

 

P/1 – É, mas tem uma resistência, o Brasil está ficando muito evangélico, muito fundamentalista na religião, e está difícil.

 

R – É, e no entanto nós precisamos tanto de Exu pra nos abrir os caminhos, né?

 

P/1 – (risos) É verdade. E Angela, você podia também me falar um pouquinho da chegada do computador no seu trabalho.

 

R – Pois é, foi muito cedo. Eu comecei, tive o primeiro computador caseiro. Quem me ensinou o encanto que era o computador foi Denise e Fernando, você se lembra deles? Dois ilustradores que foram morar nos Estados Unidos, muito bom ilustradores. Era uma dupla: Denise e Fernando, moravam no Rio, compraram o primeiro computador e eu fui à casa deles: “Gente!” A gente desenhava, saía uma linha no computador, “Ah, que maravilha! Que espetáculo! Essa é a nova gravura!” Nós descobrimos o mundo, e a gente trabalhava só com disquete, computador ainda não tinha memória. Mas eu publiquei só com disquete dois livros, pesquisando, na época consegui uma maior economia, porque eu não fiz filme, publiquei em 89 já o “Sua alteza, a Divinha” e em seguida o “De Morte”, que tem, nós... Eu não fiz filme, eles têm, eles estão em péssima resolução, porque era a resolução possível, e o filme era um papel tipo papel vegetal, que a gente imprimia e servia de filme, então ficava realmente barato. Eu fiz diversos livros usando esta técnica, que depois eles fizeram o fotolito, copiavam, agora devem ter feito disco, né? E eu imaginava que muito rapidamente nós teríamos maior controle sobre a produção, o que está acontecendo agora só, né? Então eu me interessei mesmo, achava que era a nova linguagem. Ainda acho que é o novo pincel, ainda acho que diante do pouco que foi explorado, os pincéis ainda... Os pincéis digitais, ele é o pincel da nossa época se compararmos com o tanto que os outros pincéis já foram explorados. Hoje eu voltei a usar o computador como minha linguagem predileta, para livros também. Tenho usado fotografia, misturado fotografia com desenho em trabalhos que devem sair logo, ou mesmo no trabalho dos poemas da Emily Dickinson, que foi feito no computador como se fosse um livro de horas né, eu usei fotos que depois eu colori por cima pra conseguir uma tonalidade que se adequasse umas às outras, e também à iluminura. Acho que nós estamos desenhando os últimos manuscritos, e que os últimos manuscritos estão sendo feitos no computador. Acho que o papel... Há muita probabilidade do papel se tornar inviável, feito... Um dia se tornou inviável, tá me faltando a palavra...

 

P/1 – Pergaminho?

 

R – Não. O que deu margem ao pergaminho que era...

 

P/1 – Papiro?

 

R – O papiro né, é feito de planta, e que de repente na Europa era impossível conseguir o papiro,  o pergaminho substituiu dando margem ao Códice, porque o papiro não era dobrável, e o pergaminho podia se fazer um caderno. Acho que hoje com o problema ecológico nós vamos de alguma forma ser levados a evitar o papel feito de celulose. E, com isso, é muito provável que ganhe alguma forma digital pra impressão do livro, pra leitura de textos. E que provavelmente nós estamos fazendo os últimos manuscritos, os últimos livros para o Códice, nesse sentido. Não são mais manuscritos, mas são ainda em Códice, em cadernos, e por isso há que fazê-los belíssimos. E é mais um motivo para comemorar esse objeto perfeito e para se debruçar sobre esse objeto perfeito e fazê-lo cada dia melhor, porque podem ser os últimos, né? E nós vamos ter que mudar muito a nossa linguagem, porque a ilustração, por exemplo, numa mídia digital, não faz sentido ser estática, né? Então é claro que a ilustração vai ser uma ilustração com movimento, é claro que o livro vai gerar outras formas de leitura, da mesma forma que nós encontramos a navegação, porque a gente podia virar a página, então, nós temos o índice e podemos ir pelo índice, temos o dicionário e a enciclopédia, porque o livro é caderno. É claro que nós vamos inventar outras coisas e vai aparecer outras coisas que nem no rolo, nem no caderno eram permitidas, e eu tenho profundo interesse em acompanhar, estar viva e fazer, ainda, livros pra essa nova mídia.

 

P/1 – Você podia falar um pouquinho do seu site e que você, inclusive, faz as animações já. No seu site a gente encontra várias, né?

 

R – É, eu faço animações, eu estudo linguagem de computador, action script, que é a linguagem em flash. Estou voltando a estudar de novo, porque teve um avanço muito grande recentemente, colocando coisa nova. E pra internet o mais importante é a interatividade, eu acho. Ainda mais que o meu site é pra criança, eles gostam é de clicar, não é? Eles têm que clicar, tem que acontecer, tem que... Não é? O nosso gosto de virar a página é agora, na internet, o gosto de descobrir coisas novas, de explorar, né? Por isso eu tenho que estudar também essas linguagens que estão sofisticando barbaramente, mas que estão permitindo coisas fantásticas, e que é bonita como é a matemática, viu? É uma coisa bonita essa linguagem de computador; com um parágrafo você resolve tanta coisa que você demoraria anos e anos pra fazer. Se você fosse animar tudo junto, você teria que animar tudo junto com diversas possibilidades diferentes, né? E com essa linguagem você, por exemplo, faz com que um objeto esteja presente ou não na cena, dependendo da criança clicar ou não, sem ter desenhado a cena toda de novo. É fantástico. Estou com jogos novos e já usando essa linguagem mais sofisticada, e devo... Agora, eu acho que a internet, com essa linguagem, ajuda tanto a gente a aprender... Porque eu estou voltando a uma coisa que era proibida até pouco tempo: ensinar!  Nós fomos proibidos de ensinar como se literatura, e não o artista, vivesse numa torre, era a literatura que vivia numa torre. Ela não podia ensinar, não podia ter ética, isso dos 70 pra cá, né? E agora, graças à internet, nós estamos nos permitindo de novo a ensinar e a aprender, que é uma grande brincadeira, e é uma grande diversão, também.

 

P/1 – Ah, mas sem dúvida! E eu queria desviar um pouquinho a conversa, Angela, pra você contar desses 30 anos de carreira. Aconteceram muitos encontros com os leitores. Você podia contar algumas coisas que te marcaram, de encontro com gente que leu os seus livros?

 

R – Olha, uma coisa que... Críticas sempre marcam mais. Uma coisa que eu achei ótimo quando eu escrevi um livro que chama “O Personagem Galhardo”, que tem um texto que quem quisesse ler podia ler, mas o texto principal é sobreposto, e esse texto é como se eu não quisesse que fosse lido, está rabiscado. Então uma criança me mandou uma carta toda rabiscada e pôs no final: “Pra você aprender!” (risos) Eu achei ótimo!

 

P/1 – (risos) Pô, que sacada, heim? E Angela, você, também, além de fazer o teu trabalho, você ilustrou outros autores, né? Podia contar alguns livros que te marcaram aí dessas parcerias?

 

R – Certo. Eu gostei muito de ilustrar “A Árvore que Pensava”, do Osvaldo França Junior, acho que está pela Nova Fronteira. Me deu muito prazer, é um texto muito bonito, é um texto também que ensina, é um texto com uma ética... E cada vez eu tenho menos vergonha de falar essa palavra, que nos foi tão proibida durante tanto tempo, sabe? Eu acho que um pouco da minha rebeldia pode correr por aí, sabe? É um texto que nos fala do lugar de relevância que a árvore tem numa cidade, no meio da praça, e como ele pode perder essa relevância, sabe? Esse lugar que é sempre pequeno, o lugar da fama, do ser bem visto, né? E esse livro é bom a gente ler de vez em quando.

 

P/1 – E você ilustrou dois livros de Ferreira Gullar, né?

 

R – Certo, certo.

 

P/1 – “O Gato Chamado Gatinho”.

 

R – Eu ilustrei “O Gato Chamado Gatinho” e “O Touro encantado” com muito prazer, e também com muito temor, porque Ferreira Gullar, além de ser um escritor e um poeta, é um crítico de arte, então eu tive muito medo dele, de como ele veria o trabalho. Eu deveria ilustrar outro livro dele, porque na verdade não é um livro dele, uma tradução dele é do “Eros e Psique”, mas eu não dei conta, é um texto do Apuleio, e depois de dois anos trabalhando eu não dei conta do Apuleio, sabe? Eu acho o Apuleio complicado demais, ele, pra ser lido por uma criança, eu precisaria explicá-lo, talvez. Eu tive milhões de dúvidas, achei dificílimo, decidi não ilustrar, só iluminar. E agora desisti, desisti. Acho que a gente tem permissão, aos 63 anos, de desistir de alguma coisa, não é?

 

P/1 – É claro! Tem que se dar isso, né?

 

R – É, é. Talvez eu faça outro projeto, porque foi um longo trabalho de pesquisa, um projeto meu, mas abri mão desse texto.

 

P/1 – Falando em longo trabalho de pesquisa, Angela, como é o seu dia-a-dia de trabalho de criação?

 

R – O que eu mais gosto de fazer é trabalhar, qualquer tempinho que eu tenha é pra trabalhar, eu adoro trabalhar! O meu trabalho é bom demais! Minha pesquisa é ficar lendo, passeando pela internet, experimentando um tracinho aqui, experimentando outro tracinho ali, desenhando e ouvindo música ao mesmo tempo. Eu não gosto de escrever, acho escrever difícil, escrevo a duras penas. Mas adoro desenhar! Eu só queria desenhar, na verdade. Eu queria desenhar toda a minha vida, não precisar ir à festa de aniversário, que eu detesto. Não precisaria ir à Bienal, que eu acho difícil (risos). Só desenhar! Agora, então, eu desenho o dia inteiro, eu acordo de manhã, leio, leio umas duas ou três horas, vou pro computador e desenho, desenho, desenho. Quando eu estou exausta, estou aprendendo a tocar violoncelo, eu toco violoncelo. É que o gesto, eu gosto muito de estar aprendendo a tocar, porque eu não toco, estou aprendendo, o gesto é muito diferente e exige gestos muito finos também, minhas marquinhas de violoncelo, está vendo? Que são completamente diferentes dos gestos de computador, de maneira que eu nunca tenho dor muscular nem nada.

 

P/1 – Pela alternância...

 

R – É, porque na hora que eu estou exausta, eu toco violoncelo.

 

P/1 – Mas você contou que escrever, então, não é uma coisa assim muito...

 

R – Nada prazeroso.

 

P/1 – Mas, desde o início você está publicando, escrevendo e ilustrando, né?

 

R – É, pra poder fazer o que eu quero, tá? É porque o texto que te é dado não é a história que você está sonhando, e o que eu gosto de fazer é o livro, o livro inteiro, então eu escrevo pra poder fazer o livro. Embora eu tenha começado como poeta, escrevendo poesia, o desenho hoje tem um apelo muito maior pra mim.

 

P/1 – Mas... Quer dizer, você também fez vários livros de imagem, né?

 

R – Fiz, fiz. Mas alguns livros não dão pra ser contados com imagem.

 

P/1 – Não, isso é verdade. Do livro de imagem... Cadê o nome dele aqui?

 

P/2 – “Outra Vez”?

 

P/1 – Não.

 

R – São esses três que nós falamos. Agora eu vou te falar uma coisa, eu considero todos os meus livros, livros de imagem, porque a imagem narra. O texto é secundário, o mais importante pra mim é a imagem, é ela que está contando a história, o texto é que ilustra os meus livros, o texto completa os meus livros.

 

P/1 – Tá. Então dentro desse raciocínio...

 

R – Tirando um ou outro que tenha um texto maior.

 

P/1 -... Eu queria que você falasse um pouquinho lá do “João Felizardo”.

 

R - Pois é, o João Felizardo é um livro de imagens. Ele foi feito pra Fundo de Cultura, e eu queria fazer sem palavras, mandei as imagens pro Daniel Goudinho − que é um editor muito interessante −, sem palavras, e ele caladinho, na hora que eu mandei, ele falava: “Mais, mais, quero mais, quero ver mais. Mande o que você está fazendo, mande a próxima”. Então eu fui trabalhando, desenhando e mandando, desenhando e mandando. Quando eu falei: “Essa é a última” ele falou assim: “Então agora vamos escrever uma história?” (risos) E aí nós escrevemos uma história... Eu escrevi uma história, ele não lê português, então eu escrevi no espanhol, no meu “portunhol”, e trabalhamos essa história que ficou feito, é o espanhol cheio de palavra desnecessária, cheio. Não tem essa doçura do português, o espanhol, ele é muito mais grandiloquente do que a nossa língua, eu acho. Então na hora de traduzir pro português, eu contei com a ajuda da Isabel Coelho e com a ajuda do poeta lá da Cosac Naify, o nome dele está me faltando agora...

 

P/1 – Massi, Augusto Massi.

 

R – Massi, Augusto Massi!

 

P/1 – E a Isabel Coelho é editora, né?

 

R – É. Eles me ajudaram a fazer a tradução, porque eu já estava exausta do texto, de um texto que tinha sido elaborado e reelaborado em português. E eu gostei muito da ajuda dos dois, acho que foi valiosa, foi uma experiência pra mim, receber essa ajuda. Porque em geral eu entrego o livro já pronto pro editor. Fazer uma tradução também do meu próprio texto foi muito bom. E realmente o texto é secundário, eu espero que as crianças leiam as imagens daquele livro.

 

P/2 – Da Emily Dickinson, conta um pouquinho como que surge o projeto, como você faz.

 

R – Ah, está ótimo. Pra mim sempre, eu sempre... Meus pais não tinham religião, eu nunca tive religião, mas sempre tive uma carência de Deus muito grande. Então a minha maneira de rezar era − e até hoje é − cair em êxtase com a beleza, sabe? Ficar assim “Aaah! Que árvore, que árvore, que árvore!” Eu estou rezando, sabe? É a minha maneira de rezar. E ler poesia é minha maneira de pedir ajuda. Se eu estou esperando alguém que está numa sala de cirurgia, eu venho pra um poema qualquer e fico recitando aquele poema como as pessoas recitam Ave Maria, e vou ficando mais tranquila. E eu tenho muitos poemas de muitos autores que eu rezo. Mas eu precisava... De alguma forma eu tentei fazer um livro com todos os poemas que eu rezava, mas era uma confusão para conseguir direitos autorais e tal. E conversando com Maria − acho que foi com a Maria −, nós vimos que uns 60% era Emily Dickinson, falei: “Então vamos dedicar só à Emily Dickinson”. Eu peguei esses poemas que já tinha da Emily Dickinson, resolvi ler todos de novo e selecionar mais alguns, então incluí alguns poemas novos pra mim, e acho que novos pro leitor português, de língua portuguesa, porque nenhum dos novos que eu escolhi têm tradução, muito dos antigos que eu rezava têm tradução, porque antes de dominar o inglês eu já rezava alguns desses poemas, mas agora temos alguns poemas novos. E o que eu gosto mais é o “Da Alegria”, porque é novo para mim, que eu chamo “Da Alegria”.

 

P/2 – Podia só falar pra gente um pedacinho dele?

 

R – Alegria... Eu não sei se eu vou... Que eu vou lembrar mais em inglês... Se eu vou lembrar a tradução:

“Alegria é um vento que nos carrega do piso

e nos deixa em outra parte,

num lugar em desaviso.

Não traz de volta

voltamos sóbrios depois de um tempo,

novatos para uma tarde na terra do encantamento”.

 

P/1 – Nossa, que memória!

 

R – Mas é bonito, não é?

 

P/1 – É lindo!

 

R – E Deus pra mim é isso, é uma tarde no encantamento, sabe? Nós somos novatos pra Deus.

 

P/1 – Angela, quer dizer, dá pra ficar umas dez horas conversando, porque as perguntas são muitas, mas a gente tentou passar por um pouco do seu trabalho. E o que tem de lacuna que a gente pode...

 

R – Acho que nada. Acho que nós falamos tudo.

 

P/1 – Falamos, é, falamos um tiquinho, mas...

 

R – Não, falamos muito.

 

P/1 – Eu queria terminar a entrevista com duas perguntas: uma que você falou, então, da Ana Maria Clara, queria que você falasse um pouquinho do Elias, do Elias José, quando você o conhece.

 

R – Ótimo! Certo, certo. O Elias José é essa figura que nós todos gostamos, ele é um amigo querido, é um grande amigo. Sempre com um sorriso, sempre com uma palavra boa, sempre aberto. Nós combinamos, muitas vezes, fazer um livro juntos, e ficou faltando. Mas ficou a lembrança dele e o exemplo dele, que é um exemplo de camaradagem, de amizade com os colegas, de abertura, de aceitação do outro, qualidades que eu acho que fazem o grande homem. E é um grande homem, que aparece no escrito do texto do Elias também, esse homem amoroso que ele é.

 

P/1 – E Angela, então pra terminar, eu queria que você contasse pra gente o que você achou de dar esse depoimento para o Museu da Pessoa, dentro da Memória da Literatura Infanto-Juvenil.

 

R – Achei uma delícia, acho a história do Museu da Pessoa uma delícia. Eu espero que depois vocês ampliem esse projeto em outros projetos. Imagino que seria fabuloso um projeto com pessoas, por exemplo, pessoas do campo, deve (ser?) muito divertido; ou trabalhadores da cidade, que devem ter muitos casos bonitos pra contar. Fotógrafo de praça, vendedor de pipoca, eles devem saber de histórias inimagináveis, né? Fico torcendo pro Museu da Pessoa se ampliar, se ampliar, se ampliar, e que esse projeto se desdobre em muitos.

 

P/1 – Então tá, Angela. Muito obrigado.

 

R – Muito obrigada vocês.

 

P/2 – Obrigado.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+