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Por trás das lentes: a vida de Sérgio Reis na televisão

História de: Sérgio Reis
Autor: Nathália
Publicado em: 16/06/2016

Sinopse

Com mais de 60 anos de carreira, o jornalista dirigiu a primeira transmissão de tv a cores no Brasil  


Sérgio Reis tem mais de 50 anos de experiência na televisão. Ele dirigiu, em 1972, a primeira transmissão a cores da TV brasileira. Antes disso, já havia participado da inauguração das TVs Gaúcha, Difusora e Guaíba, nas quais exerceu as funções de diretor de programação e de apresentador de programas. Além de jornalista, é escritor e professor.

 

OBS: produção conjunta com Geila Katielle Nascimento dos Passos.

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História completa

Por quase sete décadas, o jornalista portoalegrense Sérgio Luiz Puggina Reis acumula experiências com os meios de comunicação. O primeiro contato foi como rádio, aos 9 anos, quando começou a interpretar personagens infantis em rádio-novelas da Rádio Farroupilha. A partir da convivência com a área da informação, surgiu o impulso para seguir no ramo do jornalismo. "Cresci lá dentro, foi uma consequência. Nunca pensei em fazer outra coisa", conta Reis.

 

Migrar para a TV, assim que a tecnologia chegou ao sul do Brasil, em 1959, foi um processo natural. Ele foi uma das "peças-chave" na implantação da tecnologia no Rio Grande do Sul, em dezembro de 1959. Sérgio Reis foi convidado a fazer um curso na TV Tupi, no Rio de Janeiro, para dirigir a TV Piratini de Porto Alegre - na época canal 5. Houve, então, a inauguração da primeira emissora de televisão do Estado.

 

A Piratini contabilizava cerca de 40 funcionários efetivos em 1960 - entre animadores, técnicos, contra regras e profissionais especializados. Além deles, trabalhavam mais 50 profissionais ligados a Rádio Farroupilha, ao Teatro Amador, as Escolas de Ballet e a Conjuntos Musicais, que recebiam cachê. Nas grandes produções do teleteatro, o número de pessoas envolvidas chegava a duzentas, divididas entre atores, produtores, equipe técnica e figurantes.

 

O destaque alcançado na produção e apresentação televisivas na TV Piratini fez com que assumisse, aos 23 anos, o cargo de Diretor de Programação da emissora TV Gaúcha, hoje RBS TV. Aceitar o cargo voltado ao ramo administrativo afastou Reis do jornalismo, por um curto período. Ao perceber o distanciamento com a profissão, não teve dúvidas: abdicou de um salário mais alto para retornar às funções de jornalista. Além de participar da inauguração das TVs Difusora, Gaúcha e Guaíba, Reis exerceu as funções de diretor de programação e apresentador de programas nestas emissoras.

 

A cor na telinha

Após uma temporada de trabalhos nos Estados Unidos, pela Rede Difusora de Comunicações, Reis foi diretor, em 1972, na primeira transmissão de TV a cores no Brasil. O marco na história da televisão brasileira ocorreu durante a Festa da Uva, em Caxias do Sul, em 19 de fevereiro daquele ano.

 

Ainda em 1972, Reis foi diretor da TV Rio, até sua falência em 1976. Mesmo com tantas lembranças gloriosas e de sucesso, se pudesse escolher alguma época da profissão para reviver, seria o fracasso na TV Rio. "Eu estava em um momento de ascensão profissional e essa experiência foi um tombo, eu errei. Se fosse possível voltar no tempo, tentaria fazer certo", conta emocionado. Após o episódio de insucesso, Reis retornou às origens: TV Gaúcha. Lá permaneceu até 1979, quando migrou para a TV Guaíba, onde trabalhou até 1983.

 

O Caminho de Santiago

Com uma grande bagagem e histórico construídos no jornalismo, aos 54 anos Reis se encontrou em um momento de reflexão e questionamentos pessoais. Decidiu fazer o caminho de Santiago, uma peregrinação de quase mil quilômetros a pé na Espanha, apenas com uma mochila nas costas. A viagem rendeu um livro, "O Caminho de Santiago: uma peregrinação ao campo das estrelas", que já está em sua 18ª edição e continua a vender nas livrarias.

 

O "divórcio" com a tv

Em 2010, aos 72 anos, o jornalista optou por seguir a vida acadêmica e obter o título de Mestre. A decisão foi estimulada pelo desejo de satisfação pessoal e da experiência positiva adquirida ao ministrar aulas de Radialismo. Enquanto concluía o mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), apresentava programas de televisão na Rede Vida. "A TV era como um casamento que eu não desmanchava, e dar aulas era como uma namorada que eu tinha, uma curtição."

 

O rompimento com a televisão ocorreu em 2011, ao perceber dificuldades para se encaixar na TV, em decorrência da idade. "A televisão brasileira é composta por jovens, pela mentalidade jovem." Longe dos estúdios, atualizou o currículo com o mestrado em jornalismo e distribuiu cópias às universidades. O ingresso na Univates ocorreu no primeiro semestre de 2013, com mediação do professor Leonel José de Oliveira.

 

Atualmente em contato semanal com estudantes, Reis conclui que a internet gera mais empregos na área do jornalismo. "Hoje em dia tem muito mercado para os jornalistas. Numa época era apenas o jornal, aí surgiu o rádio, a TV. E agora, com a internet, existe mais uma área de atuação. E também há possibilidade de trabalhar em empresas e órgãos, como assessores de imprensa", avalia o jornalista.

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