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Poeta do Aço - Servídio Dias

História de: Servídio Dias
Autor: Maurício Sérgio Dias
Publicado em: 25/03/2020

Sinopse

Primeira história que narro com meu pai, Servídio Dias. Caldeireiro, formado na profissão de ferreiro, depois caldeireiro, logo no início da história da indústria pesada no Brasil. Início dos anos 1950 até começo dos anos 1990. Caipira, engenhoso, inventor de encrencas (é assim que chamo quando me refiro a uma pessoa inquieta), sujeito de tino.

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História completa

Em 22 de agosto de 1929 nascia meu velho, meu pai, Servídio Dias, um pouco antes do Crack da Bolsa de Nova York. Homem nascido em Gramadinho, bairro de Itapetininga, viveu sua infância e juventude no campo. Cedo, saiu de casa e foi aprender a trabalhar na indústria metalúrgica, nascente naquele período no BR. Tornou-se um excelente ferreiro fundidor, e depois viria a se tornar metalúrgico. E quando digo "excelente", não é a minha opinião, e sim dos que viveram com ele. Com segundo ano primário incompleto, vi na minha frente fazer cálculos trigonométricos altamente sofisticados sem usar papel e lápis. Caldeireiro de mão cheia, formou gerações de trabalhadores metalúrgicos. Sr. Ciro Gomes, conhecido encarregado da EF Sorocabana em Mairnque/SP, é um dos que falam do conhecimento metalúrgico de meu pai. Quando era pequeno, em algumas situações, chegava falando em desabalada carreira com ele. Se estava olhando pro nada, burilando algo, só fazia um gesto com a mão para eu esperar. Depois de alguns segundos, acenava com a cabeça e dava permissão pra eu falar. Eu não entendia muito bem na época, mas hoje eu compreendo: ele estava projetando, pensando. Minha cunhada, Ana Rita Ramos, diz que foi esta a herança que ele deixou para seus filhos e descendentes: o ato de pensar. Na foto abaixo, a escultura de meu pai, feita pelo meu caro irmão, Toco Dias; meu irmão mais velho, Servídio Dias Junior Jr., seguiu a profissão de meu pai, foi seu aprendiz direto, e dominou a arte com extrema destreza; meus sobrinhos, Guilherme Costa e Gabriel Ramos, cada um à sua moda, também nutrem a atividade do pensamento; meu filho, Pedro Galileu Proença Dias, um nativo digital, tem seu próprio jeito de articular de ideias. A saudade de uma cadeira vazia, do cheiro de metal que impregnava as roupas de trabalho, de sua fina ironia, dos traços do caipira que nunca deixou de existir nos seus atos, do assoar o nariz usando dos dedos, os ensinamentos da "botica da natureza", mijar na mão pra curar machucado. Esse jeito caipira, que pretendo cultivar até meus últimos dias de estada na Terra, vem dele. Abençoada seja sua ausência pai, mais presente que nunca. Feliz aniversário, onde quer que esteja. Base do texto feito para o Facebook, 23.agosto,2013. Segue trecho de canção que fiz pra ele na viola caipira: “Poeta do aço Pescador de tarrafa Homem de três pinga Zé Pistola, boa praça Engenha o mundo Faz tudo engrená Diz pelo silêncio Que é seu jeito de ensiná”

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