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História

Podemos ter muitos profissionais bons se incentivarmos a base da educação.

História de: Eliete Maria Lins
Autor: Raquel
Publicado em: 08/06/2021

Sinopse

Pai trabalhador, mãe dona de casa. Lembranças da infância, brincadeiras. Família grande. Prazer pela leitura e pela educação. Experiência com a chegada das indústrias na cidade. Coisas mais importantes da vida. Incentivos. Faculdade e trabalho. Vida corrida. Área da educação. Formação de projetos para que jovens continuem seus estudos e aumentem a perspectiva de vida.

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História completa

Projeto Instituto Camargo Correa Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Eliete Maria Lins Entrevistada por Fernanda Prado Ipojuca, 06 de maio de 2011 Código: CC_HV031 Revisado por João Vitor Muricy P/1 – Eliete, bom dia. R – Bom dia. P/1 – Eu queria pedir pra você repetir seu nome completo, local e a data do seu nascimento. R – Meu nome é Eliete Maria Lins, nasci aqui em Ipojuca Sede, em 24 de novembro de 1973. P/1 – Certo, e qual é o nome dos seus pais? R – Luís de Aldevino Lins e Josefa Maria da Silva Lins. P/1 – Qual é a atividade deles? O que seus pais fazem? R – Meu pai, atualmente, é aposentado, mas ele trabalhou por mais de 40 anos na Usina Ipojuca. Era encarregado do armazém de açúcar, setor de venda de açúcar. P/1 – E sua mãe? R – Minha mãe é dona de casa, nunca trabalhou fora não. P/1 – E você tem irmãos? R – Tenho, eu sou a sétima. Tenho seis irmãos. P/1 – Você é a sétima, a mais novinha? R – É. P/1 – Então conta um pouquinho, como era essa sua casa de infância? Como era ser a mais nova de seis irmãos? R – De sete irmãos, né? Nós moramos na usina, até o último ano da faculdade eu ainda morava lá, então eu tive uma infância bem assim, no campo, porque a usina tem uma vila operária - eles chamam vila, mas é considerada área rural ainda. E tem muitos engenhos, são mais de 30 engenhos e nós sempre em período de férias, íamos como aventura conhecer esses engenhos, comer fruta, correr, brincar…, então foi uma infância bem pé no chão, bem gostosa. P/1 – Conta pra gente como que era essa vila de operários? R – A usina tem a fábrica de açúcar, que é onde meu pai trabalhava; e tinha algumas ruas, entendeu? Aí, tinha um mercadinho, quadra, campo. Eu estudei lá até a quarta série, e da quinta em diante eu vim estudar aqui em Ipojuca. P/1 – E como era essa casa na vila? Você tinha bastante amigos na região? R – Tinha, sim. Eu tinha muitos amigos. A casa era grande, bem espaçosa, mas como éramos muitos, sempre tínhamos que dividir. Três mulheres e quatro homens…, então, aí eu comecei a ter sobrinhos cedo, meus irmãos mais velhos se casaram. A família não foi diminuindo, foi aumentando, porque chegavam os sobrinhos com os netos do meu pai… Eu morei lá até os meus 21 anos, então, depois mudei pra cá, pra Ipojuca. P/1 – E quando você era novinha, do que você gostava de brincar com a turma da vila? Quais eram as brincadeiras? R – Na usina, a gente brincava de tudo. Eu sempre gostei muito de estudar, então, tinha o horário da escola, horário de estudar em casa…, mas as brincadeiras ficavam mais no horário da noite. Reuníamos a turma da rua ou das ruas mais próximas, e a gente brincava de barra bandeira, de pega, de boneca, de tudo que imaginasse. Muitas brincadeiras desse tipo…, na própria rua. P/1 – E conta pra gente como que foi essa sua primeira escola lá na vila até a quarta série. Como é que ela era? R – A escola mudou de local, então até a terceira série a escola era numa determinada localidade, era num prédio bem antigo. Aí, depois construíram outra escola que ficou na parte mais alta da usina, na rua do vento - era chamada “rua do vento” porque era a rua mais alta de lá. E eu passava uns 10 minutos pra chegar na escola, mas eu também gostava muito porque ela tinha bastante área; a segunda escola tinha uma área grande. Então, eu sempre fui muito de fazer amizades e brincar muito com os colegas na hora do recreio. Eram mais amizades com meninas, brincadeiras mais leves, mas na hora do recreio sempre aparecia de todas as brincadeiras que imaginávamos. P/1 – E de ser mais nova, assim, você via seus irmãos indo pra escola. O que você sentia na época quando eles iam e você não? Você se lembra assim? R – Lembro. Antes, naquele período, só podia começar a estudar com cinco anos. A escola da usina só pegava a partir dessa idade mesmo e como todos já estudavam, os mais velhos, eu queria estudar também, eu ficava nessa agonia pra estudar. Aí eu terminei entrando um pouquinho antes dos cinco – quatro e alguns meses – porque todos os dias quando eles saíam eu ficava chorando, querendo estudar também. E como eles gostavam de estudar e papai, apesar de ter feito só até a terceira série, sempre gostou de comprar livros: eram livros, jornais…, então eu tive essa prática da leitura em casa. Eu gostava muito de ler. P/1 – E o que você mais gostava de fazer quando era criança? R – O que eu mais gostava era estar em família mesmo, assim, essa questão de reunir a família em feriado, em festas em que todos estavam juntos - com os primos também. Porque eu venho de uma família entre irmãos grandes e, também, com muitos tios e primos, então, sempre gostei de estar em meio de muita gente. P/1 – Depois dessa escola, dentro da vila, como foi pra você mudar de escola, vir pra cidade estudar? Você sentiu alguma diferença? R – A adaptação até que foi boa, porque eu já tinha meus irmãos estudando aqui e muita gente da usina, que fazia a quarta série, veio pra mesma escola. Eu saí da escola da usina pra escola estadual, aqui em Ipojuca: a Escola Domingues de Albuquerque. Então a adaptação foi boa por isso, porque já tinha bastante gente conhecida estudando e eu vim com um grupo que terminou a quarta série lá também. P/1 – E como é que vocês faziam pra vir? Vinham todos juntos? R – Vínhamos de ônibus. Tinha ônibus. Teve um período até que não, não foi ônibus, era um carro da usina adaptado – um caminhão com banco – mas a maior parte do tempo era ônibus mesmo. Vinham todos juntos no mesmo horário e voltávamos juntos, ou, às vezes, quebrava e a gente andava a pé uma parte, mas na maioria das vezes era no ônibus mesmo. P/1 – Tá certo. R – Aí eu estudei da quinta até o terceiro ano na escola estadual, nessa mesma escola. P/1 – E você chegou a trabalhar ao mesmo tempo em que estudava ou só estudou? R – Cheguei. Com 18 anos eu comecei a trabalhar no CPD da Usina Ipojuca. Porque lá na usina eles têm o Escritório Central, Escritório Agrícola…, o CPD que era de processamento de dados – centro de processamento de dados - quando começaram a informatizar mais lá, né? Eu terminei o terceiro ano do colegial aos 17 anos, e com 18 comecei a faculdade - fiquei seis meses trabalhando e estudando. Só que o transporte pra Recife era difícil, não tinha horário até tarde. A gente, o grupo que passou, conseguiu um ônibus da prefeitura pra estudar em Palmares, porque lá tem a Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul [Famasul]. Nós passávamos 1h30 à 2h de viagem pra ir, mais a mesma coisa pra voltar. Aí, foi quando eu consegui conciliar, trabalhava de dia e estudava à noite; mas ficou muito pesado, eu achei o rendimento caiu um pouquinho. Eu saí da usina com seis meses, porque eu estava tendo que optar por trabalhar ou estudar; e lá na usina era de domingo a domingo, não tinha folga. Era uma folga a cada 15 dias. Aí, meu pai que ficou pagando e eu parei, fiquei só estudando. Só que nenhum dos meus irmãos tinha feito faculdade, eu fui a primeira. Hoje as duas irmãs já são também, mas na época, nenhuma. P/1 – E como é que foi estudar, fazer a faculdade, escolher o curso? Ainda mais que você falou que nenhum dos seus irmãos tinham ido estudar. Como é que foi isso pra você? R – Eu observava a questão do meu pai pela escolaridade - ótimo, ele conseguiu até crescer e dar uma vida boa pra gente. Porque nunca passamos necessidade, não erámos ricos, mas tínhamos uma vida tranquila. Mas eu sempre pensava, eu era muito de ficar observando, estudando e escutando os conselhos dos professores, porque eles sempre incentivavam a não parar. E eu fui fazer Letras meio pra não ficar sem fazer nada. Eu não tinha certeza se era isso que queria, porque eu gostava muito da área de Exatas e também gostava muito da área de Português, da leitura. Aí fiquei em dúvida. E como lá era formação de professores, só existia o curso de Letras, Matemática, História, Geografia e Biologia, então eu fiquei em dúvida entre Matemática e Letras; mas como eu gostava de línguas também, no caso Inglês e Literatura, pesou mais o lado de Letras. Então eu fiz. Depois disso, o início da faculdade foi realmente como eu imaginei, eu me identifiquei com o curso e foi ótimo. Fiz novos amigos lá, porque tinha a Faculdade de Palmares e ela pega alunos de cerca de 40 municípios. Eu fiz amigos até do estado de Alagoas, porque alguns municípios de lá vêm pra Palmares e aqui né, Ipojuca, Cabo, Sirinhaém, Formoso, Escada…, tinha gente estudando lá de todos esses municípios. P/1 – E como é que era o município de Palmares? R – Palmares é um município que até hoje vive mais do comércio, ele não tem indústrias, mas ficou como fosse polo daquelas cidades menores que existem ao redor dele. Aí, era assim, o comércio forte e só tem, naquela área até hoje só tem a faculdade, a Famasul. Inclusive passou pela segunda enchente agora, né? Tá passando, mas a faculdade não é atingida. Ela fica na parte alta, já serve de abrigo para as pessoas desabrigadas. P/1 – Qual foi um momento marcante que você teve do período da faculdade? Um evento que marcou bastante? R – Lá eu tive bons momentos, alguns momentos marcantes, mas dois marcaram mais. Foi justamente o período que teve um acidente – quer dizer, um foi um momento ruim e outro um momento bom. Um acidente com uma amiga em um ônibus, jogaram pedra e ela perdeu a visão, ela foi até pra UTI, foi um período difícil. Enquanto muitos desistiram por conta desse acidente, ela voltou e terminou o curso no tempo certo. Aí, teve que fazer – enquanto estudava – mais 11 cirurgias, mas assim, a ela realmente perdeu a visão de um lado, né, ela teve que colocar platina e tal. Ficou um lado meio deformado, depois de umas cirurgias melhorou, mas assim, chegou, voltou e terminou no tempo certo. Pra mim, isso foi um exemplo de vida que eu acredito que nunca vou esquecer. E em relação aos colegas, a gente fez um curso de férias - por conta de uma disciplina que a gente estava pagando normal, eu fiz normal, não fiquei devendo nenhuma matéria -, aí tinha que passar duas semanas lá, porque foi a faculdade que não ofereceu no tempo certo, na grade. E como aqui era ruim de transporte pra Palmares, nesse período de férias, a prefeitura não disponibilizava o ônibus, aí, eu tive que ficar lá. A gente ficou na casa de amigos e foram duas semanas que foi até melhor. Já era sétimo período, mas estreitou mais a amizade, tanto com os amigos que eu fiquei na casa, como também com o grupo todo, porque a gente passava o dia inteiro estudando e isso fortaleceu muito a turma, e até hoje mantemos a amizade. Muito bom. Mesmo estando distante, ficamos amigos – sempre quando um precisa, o outro ajuda. P/1 – Eliete, teve que fazer estágio durante a faculdade? R – Tive. A partir do sexto período. Como a formação é em português e inglês, a partir do sexto período começamos o estágio. Fizemos no sexto, no sétimo e no oitavo. No sexto período eu fazia de português, no sétimo, de inglês e no oitavo, dos dois. P/1 – E como eram esses estágios? Eram em sala de aula? R – Eram em sala de aula. Prática de ensino mesmo. A gente tinha aulas teóricas lá e colocava em prática. No caso, eu estagiei aqui em Ipojuca, na Escola Municipal Professor Aderbal Jurema. Eu (escolei?) porque já tinha algumas pessoas conhecidas, mas eu realmente fiz o estágio, porque algumas pessoas iam à aula e depois davam um jeito de não ir. Mas eu procurei, porque como eu não tinha experiência como professora, eu achei que o estágio era o ideal pra base ali. Mesmo não sendo remunerado, eu procurei seguir. Eu procurei fazer o estágio todo e isso me ajudou muito. Pois quando eu realmente me formei e comecei a trabalhar, eu já tinha algumas experiências e as pessoas que procuraram não estagiar, de tipo driblar, né, passar a enganar o professor, sentiram muita dificuldade. Foi quando eu disse: “Tá vendo que era importante estagiar?!”. Porque o estágio, realmente, dá aquela base pra você poder continuar. P/1 – E, Eliete, como foi esse primeiro contato com a sala de aula? O que você sentiu, quais eram os desafios? R – Como eu disse, né? Eu fui meio que sem saber muito se era ensinar que eu queria, porque durante o ensino médio eu fiz técnico em Contabilidade. Lembra o que eu falei? Eu gostava de números, de exatas, né? E não quis fazer magistério porque eu não me via ensinando a crianças, eu achava que não era muito a minha área. E aqui no município só tinha Magistério ou Contabilidade, então eu fiz Contabilidade, mas quando eu terminei, foi quando eu disse: “Não, ao invés de eu fazer lá e ficar parada, eu prefiro fazer um curso superior”. Foi mais por isso que eu fui, porque se quisesse alguma outra área eu tinha que ir a Recife. Eu ainda pensei em fazer Veterinária, porque eu também gostava muito dessa área de animais, de ciências e tal. Mas como tinha que ser em Recife, era difícil. Hoje não, hoje está tudo mais…, a gente tem transporte até da prefeitura mesmo que leva pra lá. Aí eu optei por Letras, mas no primeiro e segundo período você fica ainda naquela adaptação, mas do terceiro em diante eu não me via em outro trabalho, outro curso. Eu realmente vi que fiz a escolha certa. Claro que no início, quando você começa a estagiar ou ensinar numa escola pública tem muitos alunos e turmas difíceis, mas eu sempre procurei lembrar os bons exemplos. Eu era muito de observar como os professores se comportavam em determinadas situações e procurar seguir um pouquinho, claro que cada um tem um jeito né. Eu ia dando meu jeito, mas seguindo os bons exemplos. E eu acreditava que era mais de conversar e não de bater de frente; se o aluno vem agressivo e você reage agressivo, você não consegue conciliar, você só vai afastar. E eu procurava sempre esse lado dos professores que conseguiam convencer, que conseguiam realmente o que eles queriam, conversando, na conversa, na fala. E foi por aí que eu fui e consegui me dar bem. P/1 – Então quando você terminou a faculdade você começou a dar aula? R – Sim. Eu comecei a estagiar ainda estudando. Primeiro foi só o do curso, mas no período, o pessoal gostou, aí, perguntaram se eu queria ficar remunerada em outro horário também. Eu fazia o estágio em um horário aqui e a tarde eu fui fazendo no Cabo - o pessoal do Cabo me chamou. Tinha uma professora que ele conhecia e apareceu uma vaga lá. Aí, eu saía da usina, vinha estagiar aqui e ainda ia dar aula no Cabo. A minha vida sempre foi muito corrida, não foi muito de parar não. P/1 – E como é que se deu a sua entrada na Secretaria da Educação? R – Primeiro, eu sempre fui de ficar estudando pra concurso. Eu fiz o concurso do estado, e assim que terminei eu entrei pela Rede Estadual de Ensino de Pernambuco. Fiz o concurso, consegui passar. Na época a gente não era área metropolitana, ainda era Mata Sul, aí eram 13 vagas só para essa área – Ipojuca, Sirinhaém, Formoso, Barreiros e São José da Coroa Grande. Aí eu ficava ali torcendo para que eu conseguisse uma dessas vagas e graças a Deus eu consegui ficar em primeiro nessa área daqui. Só sete pessoas passaram e eu fiquei com a primeira colocação. Aí escolhi ficar em Ipojuca, porque eu morava aqui, já. Aí comecei ensinando no estado e fiquei. Eu já tinha feito a especialização, e então me chamaram pra ensinar em Palmares, na faculdade em que estudei. Fiquei ensinando lá, e por último foi que eu passei no concurso da prefeitura. Teve um concurso aqui e eu ingressei como professor II - que é o professor de quinta à oitava série. Mas já estava com a experiência do estágio, experiência da faculdade, curso superior, então a adaptação foi bem mais fácil. Mas assim, gosto de ensinar até hoje. Apesar de estar como secretária, ensinar sempre me faz bem até quando eu to trabalhando de dia em outra coisa e vou pra faculdade à noite, eu costumo dizer: “Parece, como fosse uma terapia”. Ali eu saio tão tranquila tão descansada que… eu realmente me identifico ensinando. P/1- Que legal. Como é que você entrou então na prefeitura e começou a dar aula de quinta à oitava…? R – Através do concurso. Aí comecei a dar aulas da quinta à oitava na Escola Aderbal Jurema, que fica aqui no município mesmo, a parte mais alta da cidade. Eu andava muito. Na época, eu ainda não tinha carro, eu ia de uma escola pra outra. Saía do estado, ia para a do município, aí me chamaram pra ser coordenadora de Português num município, então eu diminuí a carga horária, mas não saí da sala totalmente e assumi a coordenação. Aí eu era coordenadora, não da escola, coordenadora da área. Nós tínhamos encontros quinzenais e eu que coordenava, eu que dava as diretrizes pra isso aí. Aí eu fiquei por uns três anos como coordenadora de português, depois disso, fui ser vice-diretora na escola estadual. Saí da coordenação, porque ficava muito corrido. E foi no período de 2005, eu estava ainda como vice-diretora lá na escola estadual, aí o prefeito Pedro Serafim ganhou aqui e eu já tinha uma amizade, um contato com ele, já ajudava muito em campanha. Então, convidou pra ser secretária-adjunta de educação, aí eu fiquei excedida do estado pra prefeitura. A minha entrada na secretaria foi como secretária-adjunta. Eu fiquei de 2005 a 2007 como adjunta e, no ano seguinte, aquele que era secretário, o Romero, voltou porque era vereador e assumiu a secretaria. Ali se afastou pra se candidatar novamente e eu assumi a secretaria em abril de 2008. O primeiro mandato de Pedro terminou, ele foi reeleito e no segundo mandato, o prefeito disse: “Não, agora você vai ser secretária titular”. Com o Romero na câmara, porque ele era vereador, eu fiquei como secretária; e a adjunta foi antiga diretora de ensino. P/1 – Eliete, conta pra mim, como é que você foi sentindo essas mudanças de atribuições? De você virar coordenadora da área de Português com toda essa responsabilidade? De ver como está o andamento da área nas escolas pra, depois, ser vice-diretora de uma instituição que já muda bastante as atividades, as atribuições pra, então, ser secretária adjunta. Como é que foi isso pra você? R – Foram mudanças que trouxeram experiências muito boas. Como eu disse a você, desde a época em que eu comecei a fazer a faculdade, eu já corria muito estudando, trabalhando e depois estagiando. Eu sempre tive os três horários, eu era assim: manhã tarde e noite. Em cada horário eu estava numa determinada situação. Então eu não vi isso com muita dificuldade por isso, porque eu sempre conciliei o lado mais técnico com o lado pedagógico. Que a partir do momento em que eu fiquei sendo professora e coordenadora eu já vi um pouquinho do outro lado né, porque eu até dizia assim: “Todo professor devia experimentar um pouquinho”. Porque às vezes eles ficam cobrando coisas de imediato e não sabem como é que funciona na prática. E no caso, quando eu passei a ser coordenadora eu comecei a ver do outro lado: o lado não como professora, mas como alguém que está na parte técnica da coisa, administrativo. E eu acho que isso me ajudou na minha prática pedagógica, na forma de ver, de pensar, de opinar sobre as coisas. E, realmente, quando você vai pra vice-direção é bem diferente, ainda mais, porque o coordenador tem muito do pedagógico, apesar de ver um pouquinho do técnico. A vice-direção trouxe uma experiência muito boa, porque você tem que fazer de tudo em uma escola, né? De repente você está na secretaria vendo a documentação e faltou, ou não tem, o porteiro e você que fica ao mesmo tempo, volta, vai pro portão, ajuda na questão da cantina… Quer dizer, um diretor e um vice-diretor na rede pública, principalmente a estadual, ele faz mil e uma coisas. Eu acho que isso ajuda você a crescer, né, a se tornar um profissional mais versátil. Você tem que estar preparado pra inovar. De repente, aparece um problema, você tem que resolver e tem que dar um jeito e muitas vezes não é resolver mandando o outro fazer, é você indo fazer também. Eu acho que isso ajudou muito. Então, eu já cheguei na secretaria com um grau de experiência bom pra estas questões assim, de ter que resolver de improviso, sabe? Muitas vezes você planeja, muitas vezes você tem que resolver de imediato porque depende daquilo ali. Eu acho que a minha experiência como secretária adjunta - devido ao que eu tinha de histórico - ajudou muito e o secretário também, era a primeira vez, então, ele era professor também e a gente terminou construindo junto. Porque eu não peguei um secretário que já era secretário. Era a primeira vez dele como secretário e a minha primeira vez como secretária adjunta. P/1 – E quais eram os grandes objetivos nesse momento que você entrou aqui na secretaria? O que tinha de mais urgente ou quais eram os…? R – A gente pensava assim. Na primeira gestão fizemos um planejamento, e isso era questão, recuperar escolas - a gente tem uma área rural muito grande. E eu já conhecia, porque eu morei em usina e conhecia alguns engenhos, mas assim, era aquele desafio de melhorar a qualidade de ensino realmente. No entanto, no caso da usina, a gente tinha os donos bem presentes, e a escola dessa usina era referência na região como uma escola boa. Mas já na área rural, que era mantida pela prefeitura, a situação era precária tanto na questão física quanto na questão pedagógica, na formação. Então, a gente fez um planejamento que envolvia a formação continuada, que envolvia a recuperação de escolas, que o objetivo era melhorar a qualidade de ensino e trazer os alunos pra quinta série, porque eles saem, na área rural, só tem até a quarta. Porque hoje a gente já tem o primeiro ano, segundo e terceiro, implantou há três anos né, mas a gente não tem o nono. E o objetivo era que o aluno que chegasse aqui em Ipojuca ou (Cambili?) ______ - porque são os distritos, Ipojuca é a sede e tem mais dois distritos que ficam como a área urbana -, chegasse com uma formação melhor, porque a gente sentiu que tinha aluno que saía da quarta série, vinha estudar aqui na sede do município e nem sabia ler. O processo de letramento estava muito problemático, muito defasado. Então, a gente concentrou nisso aí. De 2009 pra cá, assumi realmente como titular. Eu fiz, a gente, eu e toda equipe – porque ninguém faz sozinho – fizemos melhorar isso aí, procurar melhorar, aprofundar e fazer diagnóstico pra sentir como é que poderíamos melhorar. Porque você tenta fazer, mas como estamos com o campo muito vasto, são 80 escolas no município: as 60 rurais e 20 urbanas. E tem uns desafios, por exemplo, do inverno que fica um período sem passar carro. Então, a gente teve que aprender, se adequando. Ainda não está no ideal, mas ainda estamos na batalha. Mas o objetivo é sempre esse, procurar estar melhorando a estrutura física da qualidade, né, pra que o aluno esteja se sentindo bem e sempre procurando melhorar na parte pedagógica também. P/1 – E você falou de desenvolver um diagnóstico do município. Qual é esse seu diagnóstico? Como é que você vê…? R – A gente procura sempre levantar as áreas que estão melhores. Quais são as escolas, o que é que uma começou a desenvolver de projetos - porque a gente dá essa liberdade pra que o diretor possa fazer projetos junto com a sua equipe. O gestor escolar, o diretor, o vice-diretor, os coordenadores e quando um determinado projeto começa a dar certo, a gente procura divulgar, pra que isso sirva de exemplo e estímulo pra as outras escolas. Eu sempre observo o seguinte: tem um lado da estrutura física, mas não é só isso. A questão pedagógica pesa muito mais, porque a gente já teve bons exemplos de escolas muito pequenas numa área rural que só tinha 20 e poucos alunos e a escola precária, não era uma escola tão boa. A gente já fez algumas recuperações, mas acho que até pelo próprio local, pela quantidade assim. A escola não está entre as escolas em melhor situação física e estrutural. Já passou por alguns roubos e tal, aí tinha tudo, aí tem aquele tempo pra repor tudo. Por ela ser perto de uma BR, fica fácil essas questões de arrombamento durante a noite. Passou por dois, três, e mesmo assim, hoje já melhorou, porque procuramos colocar guarda, segurança. Algumas têm segurança terceirizadas, em outras tem guarda municipal, mas assim, a gente sentiu que a professora fez um trabalho tão lindo numa escola que não tem uma estrutura tão boa. Um trabalho com crianças fazendo história em quadrinhos e tal, e as crianças terminando a quarta série, já todas sabendo ler bem e a apresentação do trabalho, assim, belíssima. Enquanto outras escolas, que tem uma estrutura boa, sentíamos que tinha defasagem na questão pedagógica. Então, claro que tem que trabalhar esse lado pra que a estrutura física fique boa, mas se ela não tiver outro lado, não tiver o envolvimento pedagógico bom, fazendo com que o aluno participe e consiga desenvolver o letramento de forma adequada e consiga se tornar um leitor, essa escola tende a não progredir muito e os alunos continuarem passando aquela mesma dificuldade que a gente percebeu lá em 2005, entendeu? P/1 – E, Eliete, você que é daqui do município, viu a chegada e a implantação do Porto de Suape, da chegada das indústrias e tal…, como é que você vê esse momento do grupo Camargo Corrêa, de toda essa movimentação no município? R – Foi um momento muito bom, eu digo assim, por eu ser daqui. Eu sou meio suspeita de falar sobre gestão. Mas sempre tivemos a Suape. A Suape já tem mais de 30 anos no município. A população local não era beneficiada, no caso, com empregos em Suape, então, o que é que tinha pra população? Era trabalhar na usina, mas a usina dava cerca de 2000 empregos. A gente tinha a usina em Ipojuca e a usina Salgado. Aí no caso, as pessoas que não trabalhavam na usina ou no comércio - eu digo no escritório e na fábrica da usina, em si - só iam pro comércio. O comércio daqui nunca foi muito grande, era um comércio bem pequeno, tanto daqui da sede quanto do distrito de Camela e Nossa Senhora do Ó. E tinha as praias, mas os hotéis só queriam pessoas também capacitadas. Então, quer dizer, as pessoas ficavam meio sem opção e a área rural que ainda é grande até hoje, muitas pessoas que trabalhavam no engenho não tinham muita perspectiva. Paravam de estudar porque o pai trabalhava no corte da cana, então, a mãe também e eles em determinado momento paravam e ficavam no corte da cana. Então a monocultura da cana-de-açúcar por muitos anos foi muito forte aqui. Infelizmente, o poder público, até então, não tinha despertado para a capacitação, pra formação profissional, pra que as pessoas também tivessem acesso à Suape. Porque víamos ônibus chegando de Recife e do Cabo e o porto de Suape é dentro do município de Ipojuca, porque a Suape é dividida em Ipojuca e Cabo, mas a parte do porto é dentro de Ipojuca. E quase ninguém trabalhava lá, eram pouquíssimas pessoas daqui. Aí a partir de 2005, eu ajudava no grupo, porque eu via que aqui tinha um potencial grande. Tinha a questão financeira, porque a gente já recebia os impostos de Suape, mas investimento na população. E eu, como professora, via que os alunos não tinham muito horizonte. Eles perguntavam: “Vou estudar pra quê?”. Muitos falavam assim: “Trabalhar onde? Fazer o quê?”. E quando começou a gestão de Pedro Serafim, a gente já começou isso, a formação profissional. Muita gente passou a trabalhar assim, a ter mais acesso. A ter, também, formação pra área hoteleira. E quando chegou a questão, estaleiro, refinaria querendo também ajudar a formar essas pessoas, a gente encaixou isso aí; e pra gente foi muito bom. E quando eu fui apresentada ao Camargo Corrêa, eles fizeram o primeiro contato com o gabinete do prefeito e disseram: “Como é mais voltado pra área da Educação, eu gostaria que você fosse comigo”. Eu fui pra reunião com o prefeito lá no estaleiro. A gente já tinha até mantido contato com o estaleiro já pensando no que eles também queriam investir na área educacional. Aí, eu já conheci umas pessoas de lá. E quando fui apresentada ao instituto e vi os projetos do programa “Escola Ideal”, se encaixava com tudo que a gente já estava desenvolvendo e queria melhorar, então foi assim, eu via como um casamento perfeito. E a partir daí, o prefeito deu carta-branca e disse: “Se você vê que vale a pena, então pode continuar”. Aí, nós abraçamos todos os projetos que ficam dentro do “Escola Ideal”. Na época, foi o Francisco que apresentou o instituto, e o estaleiro também estava querendo investir e apoiou o projeto, então a empresa privada que ficou com o instituto Camargo Corrêa - porque eles quando chegam, eles sempre pegam uma ou mais de uma empresa -, que nos apoiou de imediato, foi o estaleiro Atlântico Sul. Então ficou da iniciativa privada: o Camargo Corrêa, o estaleiro Atlântico Sul, junto com a Prefeitura Municipal de Ipojuca. E a gente pegou os cinco projetos de uma vez, da “Escola Ideal”. P/1 – E como é que foi a apresentação - a negociação da implantação - desse projeto? R – Tivemos essa primeira reunião lá, a que eu falei. Aí nessa, eu, como secretária da educação, o prefeito Pedro Serafim, a secretária de ação social Débora também, foi presente, fomos aqui da prefeitura e nós tivemos o primeiro contato. E ele apresentou todo o programa mostrando que dentro da “Escola Ideal” nós tínhamos o projeto de leitura “Nas Ondas da Leitura”, tínhamos o “SGI” [Sistema de Gestão Integrado], o “Jornal Escolar”, “Vida Solidária” – que é o projeto que faz o mutirão nas localidades – e o “Fortalecimento dos Conselhos”. Então, quando isso tudo foi apresentado, era como eu disse, de “casar”, porque estávamos vendo que estávamos fazendo investimento, mas algumas áreas ainda estavam precárias, tipo reparação de escolas, que a gente reformava; e com seis meses depois, a escola já estava toda acabada. O que a gente pode fazer pra que a população também conserve? Porque o dinheiro que você volta ou o tempo pra voltar pra aquela escola pra consertar de novo, você já podia fazer outro investimento, não é isso? Equipando os laboratórios, trocando as máquinas, aumentando o acervo da biblioteca, quer dizer, você poderia estar investindo em outras coisas da escola ao invés de estar retornando pra o mesmo ponto. Aí esse projeto, “Juntos pela Escola Ideal”, que é o “Vida Solidária”, que faz a reforma, não é só reforma. Ele faz um mutirão com a comunidade pra que a ela participe no final e veja o quanto é interessante, isso ajuda a conservar mais o patrimônio. Então, a gente vê esse projeto assim, foi um dos primeiros que chamou a atenção por essa questão da conservação. Mas aí, eu fui a São Paulo - dessa vez eu fui sozinha, não com o prefeito -, eu fui saber um pouco mais sobre o Instituto Camargo Corrêa. Fiz a visita. Foi uma visita rápida. Eu fui num dia e voltei no outro, só foi uma manhã lá pra que pudesse pegar mais detalhes de como funcionava. Aí eles perguntaram se eu gostaria de conhecer na Paraíba, que é aqui pertinho, funcionando já em algumas escolas. Aí eu fui. Já fui com uma equipe da secretaria e disse: “Dessa vez, a gente já vai com a equipe”. Eu, a secretária adjunta e os diretores de avaliação de ensino foram todos convidados, e mais alguns coordenadores e diretores. Não dava pra levar todo mundo, porque a equipe é grande, né, mas foi um grupo bom, mais de dez pessoas. Então, nós fomos à Paraíba, e lá, nós visitamos três cidades e já vimos o projeto em algumas, já fazia mais de um ano, quer dizer, o projeto já bem adiantado. Eu tinha visto a parte teórica do projeto, mas lá nós vimos na prática como funcionava. Isso foi muito bom, porque eu realmente vi que tínhamos tudo pra dar certo, pra melhorar a qualidade de ensino, ainda mais trabalhando junto, fazendo essa parceria com o instituto Camargo Correa, o Estaleiro Atlântico Sul e a Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal. P/1 – E, Eliete, o que mais te chamou a atenção nessa visita à Paraíba? R – Vi o Jornal, vi a questão da “Ondas da leitura”, porque é a entrega das bibliotecas móveis, mas o que chamou mais atenção, naquele período, foi o SGI – que é o sistema de gestão integrado. Porque foi uma forma de ajudar todo mundo a trabalhar de uma forma mais unificada. Aqui, nós temos vários diretores, vice-diretores e coordenadores escolares, mas às vezes, uma escola estava trabalhando de um jeito, outra de outro e a gente sentia que em algumas o efeito estava bom, mas em outras não. Portanto, nós pensamos: “Como é que a gente pode fazer?”. Aí com o SGI, ele trabalha na escola da merendeira do zelador até o diretor, todos participam do projeto. Como eu vi acontecendo lá na prática, eu disse: “Não, esse daí é um dos projetos que mais vai nos ajudar, vai ser importante pra que a gente melhore a questão da gestão como um todo”. Aquela questão da integração da escola com os funcionários, dos gestores com os funcionários, com todos e também com a comunidade, então o SGI eu vi que era um projeto que ia nos ajudar muito. Todos são muito bons, mas aí que vi que ia ajudar nessa questão mais de preparar o gestor. Até porque eles estavam pedindo já: “Porque não faz uma formação só pra gestores?”. Porque a gente ia fazer uma formação à parte, mas através do SGI no Instituto Pitágoras, a gente viu que casava direitinho com o que a gente estava querendo e o que eles estavam pedindo também. P/1 – E qual é a importância desse processo de formação? R – Eu acho que já é meio que do ser humano. Você não pode deixar totalmente solto, você tem que planejar, dar uma direção, ver quais metas você quer alcançar e ao mesmo tempo acompanhar. E quando você está numa formação dessa, todo mundo é cobrado, até o secretário é cobrado, e ele tem que participar também. Então, é uma forma de estar mais junto, de vivenciar ainda de forma mais abrangente, ampliar o leque de conhecimento e, ao mesmo tempo, estar mais perto de toda a equipe. Portanto quando você se reúne numa jornada – que o SGI faz jornada assim, você passa dois dias inteiros ali – você começa a ver com outros olhos alguns problemas que você via e passava meio rápido pela correria do dia a dia. Então, eu acho que ajuda a organizar melhor o tempo, porque hoje em dia todo mundo vive correndo tanto, né? E muitas vezes é uma questão de adequação. Mas você não está registrando, você não tá juntando aquilo ali, você não tá observando no final do dia o que rendeu e o que não rendeu e com o SGI você consegue ter uma visão melhor desse lado da gestão e ajuda aos diretores, nessa formação também, a como ele proceder, como ele se portar diante de determinadas situações e a como ele organizar a escola pra que, também, receber melhor o novo projeto e tal. Claro que nenhum desses é 100% aceito, a mudança causa sempre um pouco de medo em algumas pessoas. Então, há uma certa resistência em alguns, mas é justamente isso, o projeto ajuda a tentar conquistar e a fazer o outro ver. Não é deixar pronto, é ter que construir junto. Então, é uma forma que quando ele passa a se envolver ele vê e se acha importante também, porque não é uma coisa que a secretaria fez e mandou pronto pra ele fazer, mas ele está construindo. Então quando isso acontece, o envolvimento e a forma de ver as coisas e de pensar é bem diferente. P/1 – Eliete, então você estava contando do processo de formação, eu queria aproveitar essa deixa para perguntar qual é o papel de cada agente dessa parceria? Tem o papel da Secretaria da Educação, das empresas parceiras, do grupo institucional, do professor…, qual é o papel de cada um nesses projetos? R – Nós firmamos o convênio, né? Atualmente, nós temos uma parceria firmada entre a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Educação, Estaleiro Atlântico Sul e Instituto Camargo Corrêa. Eu terminei falando do SGI, mas os outros são muito importantes, porque temos o “Jornal Escolar”, que os alunos se sentem verdadeiros escritores, autores, e isso os empolga muito e combina com o nosso projeto. Escolhemos o ano de 2011 como o ano da leitura no município, “Ipojuca formando leitores” foi o nosso tema. E o jornal tem levantado muito. Às vezes, quase todas as escolas se envolveram com a questão da leitura, e nós estamos – enquanto prefeitura – aumentando, ampliando o acervo das bibliotecas e colocando em escolas que não tem e ganhamos também, através dessa parceria, do instituto e estaleiro, estantes móveis, né, biblioteca móvel. Então, esse é o nosso objetivo neste ano, despertar, realmente, esse prazer da leitura no aluno e fazer com que isso não seja momentâneo, seja algo que fique, faça parte da base e seja construído nele e que ele passe a ser um leitor. Aí, quando a gente vai pra esses projetos, todos eles têm a contrapartida financeira também. Tem parte que é pelo instituto, tem parte que é pelo estaleiro e tem parte que é pela prefeitura, nós também entramos com isso aí. Então, ficou só o estaleiro e o Camargo Corrêa, e em outro, nós entramos também com a parte financeira, nós demos a contrapartida. Mas além dessa questão financeira, tem todo o apoio também. A secretaria, enquanto gabinete, tem a obrigação, responsabilidade e o objetivo de levar e despertar nos gestores escolares, nos professores e nos alunos o envolvimento nesses projetos. Porque se não tiver o envolvimento de quem tá lá na ponta, de quem tá nas escolas, não tem como o projeto dar certo. Na parte técnica da prefeitura, cada um se engajou mais com um desses projetos e o objetivo maior é estar despertando nas pessoas que estão na escola essa vontade de participar - e que dá certo. Uma disputa saudável. Quando uma escola está fazendo determinada coisa, a outra quer fazer também. Não é uma disputa pra levar ao desentendimento, mas é uma disputa saudável, é o papel de cada um. A Secretaria de Educação acaba ficando com o peso maior por ser a secretaria que está em contato e que está em formação com os professores e gestores, de estar sempre acompanhando, participando e vendo se realmente está sendo colocado em prática nas escolas. Em relação à parceria privada, eles também acompanham, né? Eles têm os coordenadores que vêm e participam da formação e sempre faz o contato pra saber como é que está funcionando na escola. Nesse de “Vida Solidária” mesmo, juntos pela escola ideal. Então vem a participação, representantes do instituto, representantes do estaleiro e todos os que fazem a secretaria. Portanto é algo que entra em contrapartida financeira, que todo projeto precisa, aí entra a questão humana. Como é que as pessoas estão interagindo, como é que elas estão se envolvendo. O desafio maior da secretaria, é justamente envolver todos os profissionais da Secretaria de Educação. Muitas vezes, até precisamos de outras parcerias, de envolvimento de outras secretarias, com uma infraestrutura na parte de reforma. Procuramos estar sempre entrosados com toda prefeitura pra que os projetos funcionem. P/1 – Tá certo. Eliete, quando foi firmada a parceria, quais foram os primeiros desafios, as primeiras atividades? R – Como eu costumo dizer: “Toda mudança traz aquele primeiro impacto”. Muitas vezes as pessoas não querem. Elas querem continuar do jeito que estão, achando que tá dando certo, achando que já está bom. E muitas vezes, se a gente não mexer um pouquinho, não procurar esse diagnóstico que eu disse, não saber como é que está; o que é que está bom; o que é que não está; e o que é que pode melhorar. Quando a gente detecta que tem determinadas áreas e ações que devem ser melhoradas, se não a gente vai ficar estacionado, isso causa em alguns profissionais aquela insatisfação. Mas aí, temos que procurar nos envolver, mostrar a importância sem procurar demonstrar que está exigindo aquilo ali, fazer entender, porque se você passar a impor, você não vai ter uma aceitação boa. Então o desafio é justamente se envolver, pra que ele perceba essa mudança. E, estamos sempre monitorando e acompanhando pra que vá mostrando que já começou a mudar, né? Que todo esse processo na educação não é um processo instantâneo. Você não vê o resultado de forma tão rápida, geralmente é a médio e a longo prazo, mas graças a esse movimento todo, essa parceria que está dando certo, nós, em alguns momentos, vemos, em até a curto prazo um efeito bom. Isso nos alegra muito, enquanto secretaria, enquanto equipe de educação aqui em Ipojuca. P/1 – E o que já foi alcançado com esses projetos? R – Nós já conseguimos lançar o “Jornal Escolar”, que não existia antes. Tinha projetos assim, isolados. Uma escola fez, outra estava querendo fazer. Mas aí, através do “Jornal Escolar” - que é do programa “Escola Ideal” - nós já conseguimos que mais de 50% das escolas se envolvessem e elas já lançaram a primeira edição. Já deve estar saindo outra. Isso daí é um avanço bom, porque os alunos estão produzindo, os professores estão se envolvendo e pra fazer isso, você tem que ler mais, então tá combinando com o nosso projeto inicial, que é de melhorar essa questão da leitura. Os jornais saíram, entregaram pra gente, e ficamos até emocionados de ver como eles estão fazendo os depoimentos e tal. O lançamento foi assim, acho que deixou todo mundo meio com vontade de chorar de tanta emoção. Então o jornal já está funcionando a todo vapor, nós temos as estantes e as bibliotecas móveis funcionando nas escolas também. As crianças e os adolescentes ali se envolvendo, buscando aquilo ali, vendo aquele livro. A biblioteca municipal se envolveu nesse processo, com contadores de histórias. Estão visitando as escolas pra ajudar, e que o aluno realmente tenha aquela vontade de pegar o livro, de ler e de se interessar. Esse “Nas Ondas da Leitura” já está funcionando. Tem também a formação que está sendo feita em parceria com a equipe da Universidade Federal de Pernambuco, a UFPE. A formação acontece, mas o livro já está na escola sendo manuseado pelos alunos, então é outro que está a todo vapor. O SGI, é porque ele depende de várias jornadas, né, tivemos a quarta jornada, mas a partir da quinta, sexta, é que realmente vai ver toda escola envolvida. Esse é um processo um pouquinho mais lento. Quando eu fui à visita à Paraíba eu já vi funcionando a todo vapor, nós ainda estamos naquela parte de adequação. Eu acho que é o que tem mais resistência, porque ele realmente tem uma exigência maior. Tem aquela questão de fazer e mostrar que está fazendo e porque está fazendo, então a exigência é bem maior. E esse, do “Vida Solidária”, “Juntos pela Escola Ideal”, acontece desde o ano passado em cada comunidade que é feito nos engenhos. É uma realidade diferente, porque as pessoas se diferem, mesmo sendo da área rural, a gente não pode taxar que todo mundo é do mesmo jeito. Cada engenho tem as suas particularidades; umas pessoas são mais festivas, outras são mais tímidas. Aí, cada mutirão desse é uma experiência nova, mas é muito boa. Tivemos o último agora há uns 15 dias, no engenho do mato, e assim, foi uma verdadeira festa na comunidade rural. Mas isso é muito bom, que a gente vê a comunidade se envolvendo também. O que a gente vê que está caminhando de forma mais lenta é o conselho escolar, porque a gente já tem o conselho funcionando, mas tem escola que leva a sério. Tinha outras que a gente percebeu através desse levantamento que era mais pra forma, e esse do conselho escolar é justamente pra preparar e ajudar pra que o conselho funcione realmente como mais uma alternativa de ajudar a melhorar; com o envolvimento dos pais também. Então todos os projetos estão muito bons. Estamos satisfeitos aqui e acreditamos que vai melhorar mais, porque os projetos vão crescendo, as pessoas vão vendo os exemplos de algumas escolas e sentindo vontade de fazer daquele jeito. P/1 – O que, pra você, ainda falta alcançar? R – Você diz em relação a esses projetos especificamente ou na secretaria como um todo? P/1 – Bom, primeiro em relação a esses projetos e talvez outros objetivos futuros. R – O projeto, como eu disse, tá andando a todo vapor. Eu acho que o nosso objetivo é conseguir 100% das escolas e 100% dos gestores. Estamos realmente envolvidos nisso. E 100%, às vezes eu digo: “A gente tá quase numa utopia”, mas temos que pensar assim. Se tivéssemos tudo ok, se o Brasil já tivesse bem, não estaríamos sempre nas últimas colocações das avaliações de leitura e de matemática. Então eu acho que o objetivo é, realmente, conseguir chegar em toda escola, pra que chegue em todo aluno, porque pelo menos a gente vai saber que se tentou e se colocou pra todos. O objetivo é esse, é que toda escola se envolva, que toda escola passe a ter professores envolvidos com a leitura, a ter professores envolvidos com a formação, professores envolvidos com o todo da escola, não só com a estrutura física, mas, principalmente, com o pedagógico. Então eu acho que o objetivo maior da secretaria é chegar, principalmente pra esse ano de 2011, ao final do ano com um desempenho maior, a gente fez o diagnóstico inicial, por exemplo, das quintas séries. Temos o objetivo de melhorar ainda mais a área rural e chegar ao final do ano, realmente, tendo um grande número de alunos leitores. De que venha pedidos de mais livros, ao invés de estarmos colocando aquilo no meio, tentando fazer o que é importante, mas que a gente sinta a necessidade. “Olha, o acervo da biblioteca precisa ser renovado porque os alunos leram tudo”. Esse é um sonho nosso. O objetivo é que cada escola possa chegar com o depoimento assim, pra gente sentir realmente que tá surtindo efeito, né? Como é que aquilo tá chegando lá na comunidade. P/1 – E qual é a importância da participação do poder público na implantação dessas mudanças? R – É de suma importância, porque quando uma iniciativa privada chega pra implantar, pode ter a maior boa vontade e investimento, mas se não tiver o poder público envolvido, não tem como surtir um efeito desse porte realmente, né? De abranger, por exemplo a rede inteira na educação de Ipojuca. A gente tem 80 escolas e o nosso objetivo enquanto secretaria é que todas as escolas passem por isso. Então quando você tem uma iniciativa privada chegando e o poder público não abraçar; se a gente não tivesse abraçado e deixasse fazer isoladamente, eles atingiriam outra escola e não conseguiriam um objetivo. Porque para as pessoas que trabalham lá, a gente tá vendo esse projeto, é bom. Aí por um período de tempo saiu aquela equipe e o projeto estaria esquecido ali. E enquanto Secretaria da Educação, temos o objetivo de não ser uma coisa pra 2010, 2011, 2012. Eles estão sendo trabalhados pra que criem raízes e em determinado momento a gente não precise do projeto, porque o regular já deve estar muito bom, entendeu? Eu sempre digo isso quando chega um projeto novo, eu digo: “Olha, não é mais um projeto, é um projeto que se casa com tudo que a gente vem fazendo e vai nos ajudar a chegar num ‘ideal’”. E qual é o nosso ideal? É não precisar que estejamos com vários projetos acontecendo ao mesmo tempo. Por quê? Por causa de o ensino regular atingir metas sem projetos, de um índice bom, por exemplo o IDEB [Índice de Educação Básica], que ainda estamos abaixo. A gente conseguiu ir melhorando nesses anos, mas ainda está abaixo do ideal e qual é o nosso ideal? É que a gente não precise ter um projeto, alguém cobrando pra aquilo acontecer. É que as pessoas sintam, realmente. É importante que aquilo aconteça e que o ensino público passe a ser, de fato, um ensino de qualidade. Que a pessoa possa sair da escola pública no mesmo patamar de quem está na escola privada. Que possa concorrer de igual pra igual. Que possa estar abraçando o mercado de trabalho da melhor forma. E nós, enquanto município, que é sede de Suape, do estaleiro, Atlântico Sul, da refinaria, né, _____que a gente possa ter as pessoas do município preparadas, capacitadas e qualificadas pra entrar no mercado de trabalho. Que a gente está se importando, e essas pessoas, esses jovens, adolescentes, ficando adultos, eles vão ficar trabalhando onde? Como vai ser essa perspectiva de vida se ele não tiver preparado pra se engajar no mercado de trabalho local, não é? Eu acho que isso ajuda em tudo, a ociosidade, o crescimento das drogas, projetos como esse envolvidos com a Secretaria da Educação, ajuda muito os jovens, né? Ele ter um horizonte, um norte. Ele ter algo a seguir, a chegar e saber que ele também pode, que também é capaz, que ele tem oportunidade pra aquilo. E antes essa oportunidade era meio que negada pra ele. P/1 – _______sabe que no município de Ipojuca tem também o outro programa do instituto acontecendo que é o “Infância Ideal’? R – Tem. A gente tem. ele disse que ia começar também com os três, aí além da “Escola Ideal”, tem o “Infância Ideal” e o “Futuro Ideal”. O “Futuro” não envolve muito com a gente, já que é uma turma mais velha e a gente só tem infantil até a oitava série. Mas a “Infância Ideal”, apesar de ser um projeto que eles procuram ONGs, a gente também entra como parceiro. Agora mesmo, nós conseguimos implantar três creches. Ajudar nessa construção de associações que já trabalhavam com um pouquinho meio isolado e através da “Infância Ideal”, tá tendo encontro de formação com instituto também e a gente entrou como parceiro. Nessa questão da “Infância Ideal”, nós, através da parceria com a prefeitura, começamos já nesse ano o fardamento, a merenda e o pagamento dos professores. Quer dizer, a gente tá dando todo o apoio pra que as creches possam funcionar a todo vapor no município. P/1 – E qual é a importância, também, de se olhar pra essa faixa etária de zero a seis no comecinho da educação? R – Porque, eu acho que quando você começa a trabalhar com o jovem, sempre tem jeito, em qualquer idade você pode mudar. Mas, há mais resistência e você consegue atingir menos. No entanto, quando você começa a trabalhar com crianças pequenas, trabalhando esse lado educacional de forma forte, dando uma base sólida pra eles, a tendência é eles se tornarem pessoas melhores, adolescentes melhores, adultos melhores. E nós podemos ter muita gente boa, muitos profissionais bons, porque a base foi bem feita. Então eu acredito muito que esse investimento da base é o ideal pra que a gente possa ajudar. Eu tô falando da base, não só em relação a Ipojuca, né, Pernambuco, mas em relação ao Brasil. Todo mundo tem essa preocupação com a base, pra trabalhar o lado cultural, o lado educacional, e fazer com que tenhamos no futuro jovens mais educados, mais preparados e mais cultos. Eu acho que o segredo é trabalhar a base, porque se não for assim, a gente vai só piorando a situação e crescendo a violência, porque se ele está na creche e de cedo começa a se interessar por isso aí, é menos gente na rua daqui uns anos. Meninos que às vezes deixam e vão pra lá…, não, ele vai começar numa rotina, numa atividade que vai despertando nele a vontade de estar na escola, vai sendo bem trabalhado com certeza. Se for bem feito, se todo mundo se envolver e desde a creche ele se sinta bem ali, ele vai querer sempre estar na escola. E assim, a gente vai cuidando em todos os níveis educacionais, mas acho que se ele já vem com isso da base, tem tudo pra gente realmente ter todo aluno na escola. Toda pessoa na idade educacional, realmente, na escola. P/1 – Certo. Eliete, voltando agora para questões pessoais. Você falou que mudou da Vila da Indústria com 21 anos. Como é que foi essa mudança, pra onde que você mudou? R – Eu não vi nem como uma mudança, porque até hoje tem moradores lá, mora mais de mil pessoas na usina. Então a relação é sempre aqui com a sede do município. Toda semana a gente tá aqui e eu sempre fui muito de acompanhar minha mãe. Como mais nova pra não ficar em casa, vinha acompanhando. Então a feira era feita aqui, a gente vinha pra igreja, vinha pra festa, então eu já tinha uma convivência muito próxima com o município, né, e tinha amigos aqui já também. Então pra sair, a partir do momento que você passa a quinta série, vários amigos são do município, aí, às vezes eu vinha e já ficava no final de semana na casa de algum parente, de algum amigo, porque ia ter alguma coisa assim interessante. E mudar pra cá, eu me senti em casa praticamente, porque eu já tinha uma convivência com o município, com a cidade. Porque eu morava no município, mas não na cidade. P/1 – E você é casada? R – Sou. Sou casada há seis anos. P/1 – Como é que você conheceu seu marido? R – Conheci em um acampamento de carnaval da igreja - porque eu sou evangélica. Em um desses acampamentos nós nos reencontramos. Eu já conhecia daqui, porque a família dele tinha uma loja, mas depois fechou. Ele era do Cabo, aí ficou só com uma loja lá e passamos um tempo sem nos ver, mas nesse período só foi amizade. Não tinha mais nada. Depois de dez anos nós nos reencontramos, porque tinha saído aqui do acampamento, aí foi que começou a paquera e o namoro, então nós nos casamos. P/1 – Você tem filhos? R – Ainda não, mas pretendo ter. P/1 – Tá certo. E como é que são as suas atividades hoje? Como é o seu dia a dia? R – Eu continuo, né? Digo assim, às vezes quando eu paro, quando eu____: “Eu vou ficar uma semana parada”. É difícil ____ tanto a vida ter sido corrida desde cedo - eu digo corrida: trabalhar e estudar. Aí, hoje eu gosto, me sinto bem estando aqui na Secretaria, porque como eu gosto muito da Educação, eu procuro sempre me atualizar, vendo o que eu posso melhorar. É como se eu fosse a eterna insatisfeita, mas no sentido bom, tem sempre algo que a gente possa dar de contribuição, buscar melhorar pra que dê certo. A secretaria toma muito tempo, né, chego aqui de manhã, 7h, 7h30, e às vezes só saio no final da tarde ou da noite. Mas isso daí é bom, tem todo um lado. Mas eu vejo que nos - profissionalmente, na área em que viemos - nunca devemos estacionar, por isso que mesmo estando na secretaria, nessa vida corrida, eu procurei fazer um mestrado. No caso, agora só falta a defesa, já terminei toda a dissertação. Não deu pra fazer aqui seguindo semanalmente o mestrado mais tradicional, porque a secretaria não dá, ou você faz um mestrado, desses que tem que ir todo dia, ou você é secretária; os dois não dá pra você acumular. Então eu fiz um convênio em parceria com a Universidade de Portugal, apareceu essa oportunidade, alguns amigos iam fazer e avisaram. Eu fiquei fazendo em Recife, porque é área metropolitana e temos muito contato. Então vieram alguns professores de lá e eles deram aula aqui, porque eram por módulos, aí esse dava pra fazer porque ficava sexta, sábado; e domingo, algumas vezes. E nessa parceria vieram alguns professores de lá pra cá, outros eram daqui mesmo. Só que a defesa é em Portugal, então agora em julho eu vou viajar à Portugal pra fazer a defesa da dissertação. Já fui lá uma vez, mas era pra entregar, pra colocar, mas a defesa vai ser em julho ainda. E eu tinha isso como um sonho também, que eu acho que a gente nunca deve parar, né? Tem que estar sempre buscando enquanto ser humano. Se nós falarmos, “Formei em Letras e vou ficar parado só em Letras”, não dá, tem que… Aí eu fiz especialização, agora o mestrado e eu acho que a gente tem que estar sempre assim, se atualizando. Isso nos ajuda a ficar mais jovens, a entender melhor a estar no contato, né? No ano passado e esse ano, pra que eu pudesse me dedicar à secretaria, como eu estava fazendo mestrado, eu saí de licença na faculdade. Porque eu ensinei até dois anos em Palmares, né, aí eu pedi licença pra me dedicar mais à secretaria. Mas, eu pretendo voltar, talvez ano que vem eu volte, porque eu já vou ter defendido o mestrado e eu acho que ao mesmo tempo em que você está numa área técnica, mas tá no pedagógico, você entende melhor. Você vai acompanhando melhor a evolução do ser humano e as mudanças. Porque quando você passa um ano ou dois em sala de aula, você já sente que é como se a forma de pensar das pessoas, do aluno, e a forma de conduzir, tivessem já bem parecendo - porque faz dez anos, né, uma coisa de um ano, dois. Então é por isso que eu acho importante esse contato com a sala de aula também, além de estudar, a ler, - porque você vai trocando ideias com os colegas e buscando até soluções pra educação básica aqui, porque nós trabalhamos aqui com a educação básica. P/1 – Certo. Eliete, quais são as coisas mais importantes pra você hoje? R – Quais são as coisas mais importantes? São várias. Eu não gosto de pensar em uma coisa só [risos], mas eu posso priorizar. As coisas mais importantes são: estar bem com a minha família, eu sempre gosto de colocar a família em primeiro lugar, estar bem com a família; e a outra coisa é a minha comunhão com Deus, porque eu sou uma pessoa que, em qualquer situação, fica buscando a fé, acreditar que Deus está à frente de tudo. Nesse caso, Deus, família e trabalho. Eu coloco sempre nessa linha aí. É importante eu estar bem com a minha comunhão, estar bem com Deus, estar bem com a minha família - digo, estar bem com meu esposo, porque a gente se dá muito bem. Falta um complemento aí, que é o filho, mas também com minha família, com meus pais, meus irmãos porque a gente tem um vínculo muito forte. E o trabalho. Aí, se estivermos bem nesses três, vem a questão das amizades, mas eu acho que pra estarmos bem com os outros, a gente tem que estar bem nessa sequência. Consigo mesma, é quando eu consigo ________ quando você tá bem, espiritualmente falando, né, você consegue ficar bem consigo mesma. Consegue ficar bem com a família e no trabalho, o restante vem como consequência. As amizades, os novos desafios…, isso tudo vem como consequência. P/1 – Certo. E, Eliete, quais são os seus sonhos? Você falou agora um pouquinho do mestrado, mas qual é o seu maior sonho hoje? R – Por enquanto, eu acho que nunca devemos parar. Eu penso em fazer um doutorado, mas não quero emendar logo agora, porque tem que ter um tempo também para a família, para o trabalho, mas eu penso ainda em fazer doutorado. Seguir a área da educação, fiz Letras, especialização em Língua Portuguesa. Já o mestrado, fui pra área da educação, porque eu acho mais abrangente do que a área de Linguística, por exemplo, que eu fico restrita a uma área. Aí, fiz em educação e pretendo, no doutorado, seguir essa linha da educação também, mas no momento eu não estou com um grande sonho. Eu penso em não parar e conseguir terminar essa gestão, porque depois a gente não sabe como fica. Terminar até 2012 procurando fazer um bom trabalho aqui na secretaria e melhorando a qualidade de ensino, e tendo os ipojucanos como leitores. Esse é o objetivo maior até 2012. Mas um grande sonho agora eu não tenho. Tenho o do mestrado que estou conseguindo realizar, mas em especial, agora eu não tenho, com certeza vai _____. P/1 – Eliete, como é que foi pra você sentar aí e contar um pouquinho da sua história pra gente? R – Foi algo bom. Eu estava pensando que eu ia falar só sobre projetos quando disseram: “Vem pra fazer uma entrevista sobre mim”, eu imaginei que, pronto…, tudo isso que eu falei saiu da forma mais natural possível. Porque eu nem de longe imaginei que eu ia falar um pouquinho sobre mim ou sobre o trabalho mais detalhadamente, em relação a como cheguei a secretaria, mas assim, hoje eu vim pensando que ia falar só dos programas, como foi, né, com o Instituto Camargo Corrêa, com o Estaleiro e como tá sendo o programa hoje. O programa “Escola Ideal”. Mas eu vi de forma boa, natural. Às vezes eu digo: “Eu não sou muito à vontade pra falar de mim mesmo”, mas da forma que foi conduzida, deu pra sair de forma à vontade, espontânea, foi bom. Não foi ruim não. É bom a gente relembrar um pouquinho de todo processo, né, todo percurso que a gente passou pra chegar aonde a gente tá. P/1 – Tá certo, Eliete, obrigada. R – Obrigada também Fernanda.
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