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História

Petroleiro é abrir a camisa e vamos lá!

História de: Disraeli Carvalho Moreira
Autor: Ana Paula
Publicado em: 16/12/2021

Sinopse

Disraeli acompanha o poço de petróleo desde o início até o fim, quando esgota. A automação dos processos é fundamental para o acompanhamento da produção, reduzindo a imprecisão do trabalho. Considera a Bacia de Campos muito promissora. Para ser petroleiro deve estar preparado a qualquer questão que aparecer: abre a camisa e vamos.

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História completa

Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Disraeli Carvalho Moreira Entrevistado por (Juliana?) Mazeli Macaé 04 de junho de 2008 Código MBAC_CB035 Transcrito por Denise Yonamine Revisado por Esalba Silveira P/1 – Queria começar pedindo pra você dizer pra mim o seu nome completo, local e a data de nascimento. R – Bom, meu nome é Disraeli Carvalho Moreira, eu nasci em 09 de maio de 1972, em São Gonçalo, Estado do Rio de Janeiro. P/1 – E qual que é a sua formação? R – Eu sou graduado em engenharia civil pela UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], né, me formei em 1995, então já tem um bom tempo. P/1 – E aqui na Petrobras, qual é a sua função? R - Eu aqui na Petrobras, eu sou engenheiro de petróleo, né, eu trabalho com elevação de petróleo nos poços da P31 que é uma AIP [Acordo de Individualização da Produção] ou seja, é um navio, né? P/1 – E quando e como foi que você entrou aqui na Petrobras? R – Eu já trabalhava na Petrobras como contratado, no antigo serviço de engenharia, hoje, atual órgão de serviço e engenharia, e eu trabalhei lá desde 1995, fiquei lá até o ano de 2001 quando eu fiz o processo seletivo, um grande processo seletivo que a Petrobras fez depois dos vários anos que ela deixou de contratar pessoal, né? Então eu tentei esse cargo de engenheiro de petróleo, fui classificado e após a gente entrou em um curso de formação, de 12 meses, aproximadamente. P/1 – E aqui como engenheiro de petróleo como é o seu cotidiano de trabalho? R - Nós, na atividade de elevação de petróleo, dentro da elevação e escoamento, né, que é o setor responsável pelo acompanhamento da produção. Então a gente acaba acompanhando a produção dos poços e verificando se o poço está dentro do estabelecido para produção, se ele tá com a produção menor, o que que a gente faz pra recuperar, pra retomar essa produção, né? P/1 – Você acompanha o poço desde a descoberta do poço até...? R – Exatamente, desde o início quando ele é colocado em produção até o fim quando ele é abandonado. P/1 – E você trabalha embarcado? R – Não, nossa atividade é de terra. Antigamente essa atividade era realizada nas plataformas, mas isso já tem um bom tempo, né? P/1 – E por quê que deixou de ser? R – Antigamente a estrutura, mobilizado na plataforma era gigantesca, né, os engenheiros de produção eram colocados na plataforma, e isso acabava demandando uma logística muito grande de pessoal, né, então esse pessoal veio todo pra terra. Hoje a parte de engenharia, de acompanhamento da produção, de gerenciamento de campo, hoje, é toda em terra. P/1 – E aí você já tinha trabalhado aqui uns anos antes como contratado e depois, agora, como concursado. E você pode dizer pra mim o que que foi o maior desafio dessa sua trajetória? R – Eu trabalhei como contratado no Rio de Janeiro, né, no edifício na General Canabarro. Lá eu trabalhava como engenheiro civil para as obras, normalmente, do abastecimento das refinarias e algumas obras da AIP Nordeste [Acordo de Individualização da Produção] são as unidades de processamento de gás natural e outras mais. E hoje, como engenheiro de petróleo, para a companhia a minha atividade deixou de ser a engenharia civil pra Petrobras há um bom tempo. Eu sou engenheiro civil, de fato, pra sociedade civil, e na atividade de engenharia civil que eu realizava tinha bastante desafio, a gente acompanhava obra no país inteiro. Então era um investimento gigante de grande soma e a área aqui na engenharia de petróleo, o grande desafio é a gente manter o poço produzindo pra gente garantir a nossa meta, que a gente acorda todo início de ano. Todo início do ano a gente faz um acordo que tem que produzir tanto e no final do ano a gente tem que pelo menos cumprir essa meta pra ficar bem na foto, vamos dizer assim, né? P/1 – E a meta desse ano qual que é? R – Olha, eu não tenho o número de cabeça, porque o número varia a cada ano, né, eu não tenho realmente esse número. P/1 – Mas tem ideia mais ou menos? R – O (NBC?) coisa de 800, entre 800, 900 mil barris/dia. P/1 – Por dia? R – É. Eu não tenho esse número exato, né? P/1 – Ah, não tem problema. Aqui a gente tem percebido que tem pessoas vindas de vários lugares. Como é esse relacionamento com pessoas de outras culturas? R – É, no meu setor, nós temos lá um baiano, um mineiro, uns três ou quatro daqui mesmo do interior que são de Campos. O nosso chefe também é daqui e eu acho que é só, não estou esquecendo de ninguém não, acho que só um baiano e um mineiro, né? Quer dizer, eles não estão muito distantes da nossa realidade, nós somos sudeste, não tem ninguém do Norte, mas eu tive colegas do meu curso de formação de diferentes... aliás, todos e qualquer canto do país, né, Pará, Amazônia, Nordeste em geral, né, Sul... tinha um rapaz lá de Santo ngelo, eu acho que ele deve dormir com pinguim, bastante lá pra baixo. Então é bastante enriquecedor esse contato com essas pessoas... assim, é bastante enriquecedor, né? P/1 – E agora você mora aqui em Macaé? R- Eu, atualmente, moro em Rio das Ostras, mas eu comprei uma casa aqui em Macaé, pretendo daqui algum tempo vir pra Macaé pra ficar mais próximo do meu local de trabalho, né, pra aumentar minha qualidade de vida. P/1 – E como você tem percebido a mudança na cidade em relação com a Petrobras? Você acha que tem alguma interferência? R – Eu quando cheguei aqui, só pra ter uma ideia, um termômetro, eram poucas as vagas na rede hoteleira, tanto que a minha turma, no meu período de estágio a gente tinha que dividir quarto com colega. A cidade está mudando, hoje as vagas da rede hoteleira são maiores, a cidade cresce aí pra todos os cantos, onde é possível crescer. E espero que isso não dê grandes problemas com relação a infraestrutura viária, porque é algo temeroso pro nosso dia a dia, principalmente quem hoje mora em uma cidade próxima, mas é fora aqui do centro, que é Rio das Ostras, né? A estrada fica realmente com alto tráfego, né? P/1 – Você tem algum momento de destaque que você ache, assim, na produção aqui na Bacia de Campos? R – Um momento de destaque? P/1 – É, um acontecimento marcante, uma coisa que você ache que caracterize o sucesso de produção? R – A gente teve aí, né, falando da Bacia de Campos que envolve três unidades de negócio, que é o NBC RIO. E o Espírito Santo foi agora há pouco tempo... a meta da autossuficiência atingida com a instalação da P50 [Plataforma] isso, realmente, foi bastante gratificante pro corpo de empregados de um modo geral. Eu acho que é o marco mais relevante dos últimos tempos, né? P/1 – E você tem alguma história interessante pra contar pra gente desses seus anos de trabalho, algum causo, alguma coisa? R – Agora? Nesse exato momento não me vem nada não. P/1 – E o que você acha que mudou desde que você entrou aqui ou desde quando você trabalhava antes, o que mudou na Bacia de Campos? Os equipamentos com o que você trabalha, telecomunicação, isso mudou ajudou no seu trabalho? R - Sem dúvida, a automação do nosso processo é fundamental, né? Pra acompanhamento da produção você tem que ter todos os dados que vem do campo, dados de pressão, temperatura, produção dos poços, eles têm que estar chegando na sua estação de trabalho e disponível pro seu trabalho num prazo bem rápido, porque isso é insumo pro seu trabalho, pro seu diagnóstico. Então isso tem acontecido, naturalmente. Para a gente a automação dos processos isso é bastante interessante pro acompanhamento, assim nós temos condições de reduzir bastante a imprecisão do nosso trabalho. Isso é algo bastante interessante, é algo que eu gosto muito de tá participando, automação, instrumentação, é algo que eu, particularmente, pessoalmente gosto muito! P/1 – E você conseguiria pensar como você vê o futuro aqui da Bacia de Campos? R - Bastante promissor, bastante promissor. A Petrobras como todo mundo tá sabendo, tem conseguido áreas que antes eram desconhecidas, tá descobrindo novas acumulações de petróleo, mas a Bacia de Campos eu acredito que ela ainda vai continuar sendo a grande vaca leiteira da Petrobrás. A UN-BC [Unidades de Negócio Baia de Campos] é a unidade que já passou pelo seu pico de produção, a gente tá em declínio de produção o que dá mais força, mais ânimo pra gente continuar trabalhando, tentando produzir, não deixar, vamos dizer assim, a peteca cair e isso é bastante interessante, né? Porque a companhia, ela precisa de novas áreas, mas ela precisa garantir também a produção nas áreas que ela já tem, e isso é, no fim de tudo, isso é o nosso salário é a nossa garantia da nossa sobrevivência como pessoa dentro de uma organização, né? P/1 – Você falou do declínio da produção tem uma estipulação de período de duração da produção de um poço, ele já nasce com essa coisa estabelecida? R – Isso é natural de qualquer campo de petróleo ele começa a produzir, ele passa por um pico de produção e depois ele tem, normalmente o declínio, o declínio acontece porque numa acumulação de petróleo você vai tirando massa dessa acumulação e o que que acontece com essa acumulação ela perde pressão, né, ela perde pressão e o volume que fica restante a cada momento é menor, então naturalmente a produção ela tem que cair. Isso acontece com qualquer campo petrolífero. P/1 – Mas tem um tempo já previsto, um poço dura 50 anos? R – Não, depende, não tem uma regrinha de bolo pra isso, depende do mapeamento de cada acumulação, isso depende. P/1 – Você conseguiria definir o que é ser petroleiro? Qual é o sentimento? R - Olha, ser petroleiro, o perfil desejado pro petroleiro é uma pessoa aberta a tudo, a tudo! A contato com pessoas diferentes a todo momento. Na área do petróleo a rotatividade de mão-de-obra é tremenda, às vezes você tá aqui hoje, daqui a cinco anos você pode ser transferido pra uma outra unidade de negócio, então a todo momento você tem contato com pessoas distintas, né? E isso pode ser doloroso como pode ser muito bom! Depende de como você lida com essas questões. E o recurso tecnológico é impressionante como tudo muda, a todo instante, então se você for uma pessoa fechada, que goste de fazer aquele seu trabalho que você já conhece, consagrado, você tá fadado a ter dissabores, o ideal é que você tenha o perfil aberto a tudo. Isso é interessante pra pessoa, isso eu acho que é ser petroleiro, ter uma pessoa aberta a tudo, a qualquer questão que aparecer, abre a camisa e vamos lá, vamos em frente, isso é interessante. P/1 – Uma coisa mais pra gente concluir o que você acha de participar de um projeto desse, nosso aqui de memória da Petrobras, de contar a história da Bacia de Campos a partir das lembranças, da história dos trabalhadores? R – Eu considero interessante, principalmente, daqui a dez anos quando eu me vir nesse vídeo que você ta filmando agora, aí talvez daqui a dez anos eu vou ter mais sensibilidade de constatar isso, né? Porque eu sou novo de casa, então talvez vá cair a ficha pra mim daqui a dez anos, quando eu me vir nesse vídeo, se eu ainda tiver cabelo, né? [risos] P/1 – Então era isso. Obrigada! R - Tá bom. -----------------Fim da Entrevista---------------------------
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