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História

Pertencimento, música e a Comunidade do Rosário

História de: Carlos Casemiro
Autor: Mauricio Dias Duarte
Publicado em: 12/04/2019

Sinopse

Na entrevista, Carlos Eduardo Casemiro começa contando a história de sua família e as relações tecidas no início de sua vida, sejam elas familiares, sejam elas em relação ao bairro pela participação junto a Igreja Católica, no contexto cultural do bairro da Penha e na escola, tanto a formal quanto a de música nos anos de trabalho no conservatório. Na vida adulta destaca-se as falas em relação a sua carreira musical, tocando em bares da Vila Madalena principalmente e acompanhando artistas. Nos encaminhamentos finais da entrevista, Carlos destaca seu retorno ao bairro da Penha e a sua reconexão com laços que havia se distanciado, passavam a dar significado a sua vida neste momento de reencontro com a comunidade, a fé e na projeção de sua vida a partir de um momento de superação.

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História completa

Eu me chamo Carlos Eduardo Casemiro, sou da cidade de São Paulo, eu nasci na Liberdade, na Vergueiro, e penhense, me considero um penhense da gema, a questão da Liberdade só foi uma questão de nascimento, mesmo, sou da Penha, nascido e criado aqui, filho de Lauro Casemiro, Maria Narciso Casemiro, meus avós Silvina Narciso e Edmundo Narciso, por parte materna, por parte do meu pai seria Laureano Casemiro e Rita Casemiro.


A nossa razão de estar na Penha está mais puxado pelo lado da minha avó, parte da minha mãe, parte da família da minha mãe eram todos penhenses, então tinha ela, as irmãs dela, os irmãos dela, e se radicaram todos aqui na Penha, e por conta também desse lado religioso, eles eram todos ligados a parte religiosa aqui da Penha, quando eu falo que sou católico é aquele cara que foi coroinha, fez a primeira comunhão, fez a crisma, todo um processo dentro dessa história da Penha e essa minha avó, por si, era a zeladora, eles eram zeladores da Igreja do Rosário dos Homens Pretos, da Penha de França no qual eles pegam, como zeladores, de lá de 1930, por aí e vai até quase 60, nos anos 60, eu nasci em 61, não tive o prazer de conhecer minha avó porque 25 dias após o meu nascimento a minha avó veio a falecer, então eu não tenho... meu avô me conheceu, mas eu era criança não tenho nenhuma lembrança dele, assim, mas eles tiveram uma história muito forte aqui no bairro, talvez isso foi a razão da gente ficar, agora o lado do meu pai já são os municípios, Guarulhos, meu avô por parte de pai veio para Guarulhos e ali, então, ficou bem demarcada, tenho bastantes parentes, primos, irmãos, para o lado de Guarulhos, eu sou raspa do taxo de uma família muito antiga.

 

Minha mãe também tem uma história muito bacana, porque ela já vem dessa criação daqui, mas ela também trabalhou para uma família que o cara foi, inclusive, eu tenho um irmão de leite, eu não sei nem onde... minha mãe foi mãe de leite de um cara que chegou a ser diretor do Hospital das Clínicas, da família, então ela teve uma certa oportunidade, perante essa família, ela vem estudar no Colégio Auxiliadora, ali na Rangel Pestana, no Belém, se formou uma costureira que hoje seria, eu vejo pelos trabalhados que ela tinha, trabalharia como uma estilista, porque todas roupas nossas era ela quem fazia, para nós, para o meu irmão, ela tinha essa habilidade de desenho, de coisa, tinha uns books grandes, porque ela se formou como uma costureira profissional, meu pai era mais tranquilo, então tinha muita coisa, eu vejo, que ele jogava para ela, era tipo assim - “Aqui você vê o que vai fazer, paga ali, o que eles precisarem”, e largava na mão dela.

 

Nós éramos em três, a gente costuma dizer que foi uma passagem, que ele nasceu, eu acho que ficou alguns meses, era um moleque muito saudável, mas faleceu, é uma história que a gente não... eu não sei o que acontece, foi bebê, mesmo, esse seria o mais velho se ele estivesse vivo, que era o Maurício, depois vem o Roberto que eu falei dele, vem o Benedito que era o do meio e eu Carlos, e esses nomes também estão ligados à questão religiosa, como ele falou, o Benedito hoje é dia dele, hoje é dia de São Benedito, dia cinco de outubro, então a minha mãe colocou, por devoção, o nome de Benedito José, então tinha lá em casa, também, aquela coisa de imagem na cozinha, São Benedito, Santo cozinheiro, o cafezinho dele lá no local, aquela coisa que hoje a gente até, aquela coisa do São Benedito, já meu irmão, Roberto Expedito, então tinha um Santo Expedito grande, aquele... e é o Eduardo, Carlos Eduardo, ela colocou propositalmente o nosso nome por conta de alguns santos, de Santo nenhum dos três têm nada, mas só o nome, então acabou sendo nós três

 

E um detalhes, a minha família, meu irmãos todos, mesmo fazendo outros tipos de atividades, eles sempre se interessaram pela música, então, praticamente, meu pai cantava, tocava clarineta, minha mãe cantava, os irmãos dela tinham um grupo de chorinho, meu Tio Maninho, eles tinham um grupo de chorinho no qual a família toda... e por conta disso a gente tinha, praticamente, na Igreja, um coral praticamente de família, não com todas as pessoas que eu estou falando, mas com algumas, uma agora faleceu vai fazer um ano agora, e ela teria cem anos agora, faleceu com noventa e nove, lúcida, só foi coisa assim que ela começou a... ela perdeu a memória, mas o Alzheimer que a pegou, mas foi pouco tempo que ela teve, mas foi uma pessoa muito ativa, cantava, vivia, então a gente criou, a música veio para mim, também, dessa maneira, a coisa já de infância, cantando com eles desde pequenos, o coral são quatro vozes, soprano, contralto, tenor e baixo, então soprano são notas agudas, uma contralto já aquela pessoa que tem aquela voz mais grave, uma Ana Carolina, nos dias de hoje, vamos falar desse jeito, ela é uma grande contralto, aí vem outro tenor e o baixo, que hoje eu sou um baixo mais, eu passei por todas essas vozes, então eu cantava primeiro com as minhas tias, ali, que eu alcançava os agudos, então a voz foi mudando, eu fiz toda essa questão musical, por isso, hoje talvez até a razão de estar entregue também na música, por conta da família, isso tudo vem dessa questão religiosa.

 

A diversão, tinha muitos parques, bailes, aqueles parquinhos de diversão, mesmo, de quermesse, Demis Russo tocando lá, e a gente... tinha muito baile, principalmente a zona leste, aqui, a Toco saiu daqui, vários bailes de clubes, tinha muita festa em casa de família, tudo era motivo para um baile, na juventude eu me diverti muito mesmo, até ser freado: “Aqui você não vai”, porque antigamente tinha isso, hoje um pai fala para um filho, tem que conversar com ele porque dependendo da situação ele não aceita, na minha época, falava: “Você não vai, não vai, não importa”, “não, mas eu tenho 5 anos”, “Não eu estou falando que você não vai.”, “Mas o meu irmão vai...” “Ele vai, mas você não vai.”, então a gente respeitava essa questão, com muita raiva, mas respeitava.

 

De jovem, com amigos, eu era o cantor da turma e brincávamos muito. A gente gostava de viajar, tinha uma turma que curtia várias noites, fazíamos luau. Não conhecíamos ninguém de repente, acabava todo mundo amigo, isso que marcava muito. Às vezes, acabava um alimento na sua barraca, e vamos cantar ali, e vamos fazer, e aparecia uma cervejinha, aparecia um, “ah, amanhã vamos fazer um almoço”, então, quer dizer a gente viveu esses sufocos também de acampamento. Eu lembro uma vez, que fomos acampar e estávamos em Cananéia, era um carnaval, e acabo, para ir lá tem que atravessar uma balsa para entrar na cidade, e choveu muito, o temporal, o mar teve ressaca, a balsa estava longe e tivemos que ficar duas semanas até arrumar as balsas para sairmos de lá, e família? Alimentação? Então, tivemos essas aventuras.

 

Também na juventude eu trabalhei no conservatório, eu já estava com 16 anos, 15 a 16 anos. Essa escola de música foi de onde meu irmão saiu para música e para onde eu também tive uma direção, por que, eu fui trabalhar no lado administrativo, fazer inscrição de aluno que iria estudar o que você vai estudar? Piano. Violão. E eu fazia a matricula na máquina de escrever, e matriculava o aluno, montava a sala de aula, como, por exemplo, iria ter aula eu já deixava tudo preparado. Era um secretario de tudo, eu tenho, ou está faltando material, leva para tal professor era aquela coisa, abria e fechava a escola. Foi quando também, na oportunidade meu irmão também dava aula lá, mantinha um coral de alunos da escola eu cantava no coral também, tinha umas atividades lá. E montamos o primeiro grupo que montei chamava-se Grupo Estilos, a gente montou com os alunos e começamos a participar de festivais, festivais universitários.

 

Participei de vários grupos musicais, tem uma música em especial, música de carreira, que foi um tanto triste pois falava um pouco do que estávamos vivendo, e até do nosso afastamento da zona leste, “quem chora triste de saudade, pelas ruas da cidade, procurando uma emoção. Saudade é coisa da vida, que invade e não pede perdão. Sabe que a vida é um segredo, coragem e medo, realidade e ilusão. Quando o samba canção do Cartola, que invade não pede perdão. É bom sair, se divertir, ir para as rodas de samba, curtir um pagode de bamba, com exaltação, meu coração, não podia existir, uma lembrança vulgar, mas se for ir para vila.” E tinha um que grita” Vila Matilde” “me lamentar, tem gente da antiga para me amenizar” que é a velha guarda da Nenê, “se eu for para vila, me lamentar, tem gente da antiga para me amenizar” e tinha um coralzinho lalaialalaia lalaia isso era as meninas as nobres que faziam para nos esse backing vocal. Então foi uma fase na minha vida de ouro mas, tudo vem nessa maravilha que, depois também vira. Por quê? Por que depois a gente começa a ficar de uma forma, o sucesso para trabalhar com ele é complicado. Hoje tem uma assessoria melhor. A gente pastou muito para chegar nessa condição que estou falando, muitas bases, muitos lugares, muitas vezes enchemos casas, e alguém chegava e tem que pagar fulano, o que eu tenho haver com isso, nós combinamos isso contigo. Mas, não deu esse valor, e você está vendo que a casa do cara bombeou, a noite toda. Então, ficava, e nos perdendo a noite em claro. Então, é muita coisa, essa semana cozinhando música, e eu vim a convite das pessoas que cantaram, e tinha um dessa época, que era o Serginho Madureira, estava aí para assistir e prestigiar. Ele também, participou. A gente estava lembrando disso, ele falou “nossa, eu também estive nesse meio”, eu falei “rapaz se eu tivesse a cabeça de hoje talvez não fosse naquela explosão” por que, veio muita gente querendo assessorar, querer empresariar, querer não sei o que, querendo não sei o que mais, e começou a desarmar aquela união, que a gente tinha. E nessa altura do campeonato, muita gente falando, eu, na época, acho que fui até precipitado, ou talvez radical demais, mas hoje eu venho ver que não estava tão errado. Porque coisas que aconteceram, depois vem me mostrar isso, então, em uma dessas noites que a gente tinha lá no Moises em uma programação dessas, já tinha acompanhado Bezerra da Silva, já tinha estado com um monte de gente, por que tinha mais uma coisa, o artista carioca, quando vinha para São Paulo, ele não trazia a banda dele, por que ficava caro. Então, o que ele fazia? Quem está mais ou menos aí em ascensão hoje, que tem um monte de grupo, hoje a Leci mora em São Paulo, eu até tenho contato com ela, em uma das oportunidades ela estava falando isso, que São Paulo me acolheu... e ela tem bandas e mais bandas que acompanham ela aqui, hoje. Quinteto Preto e Branco, e outras bandas que se formaram. Hoje é um prazer para os caras, entendeu? Vou acompanhar ela, tinha outros caras. E nessa época, era a mesma coisa, mas tinha poucos grupos.

 

E nós estávamos nesse meio. Então, a gente acompanhou muito show. Eu e o Bezerra da Silva acompanhamos uns cinco shows que ele veio fazer aqui em São Paulo na época... Então, em uma noite dessas eu ponho um basta em tudo isso, em uma discussão. Eu saí, peguei o meu violão e vim embora da cidade.

 

Nós tivemos uma discussão, um desacordo de ideias. Tipo: “não concordo com isso. Você está achando isso, mas eu não concordo com isso”. E: “beleza, mano. Vai em frente”. E eu venho embora. Então, aí, foi uma fase difícil. Entendeu? Começou uma situação, e eu com tudo ali, e a coisa rolando, e eu de fora ouvindo o meu trabalho também rolando ali. Foi muito difícil. Saí de cena mesmo. Foi quando eu voltei a trabalhar com o Estadão. Entrei no Estadão e fiquei uma temporada lá até 91. Por isso que hoje eu trabalho em uma editora, até por conta dessas experiências no Estadão. Fiquei lá um tempo.

 

Admitir a minha derrota, admitir que eu tinha perdido por total. Essa ajuda tem um nome, essa ajuda se chama Alcoólicos Anônimos. Fui parar lá. Hoje eu tenho um grupo. Eu cheguei nesse grupo aqui na Penha mesmo. E depois, com seis meses mais ou menos, eles fundaram um outro grupo no qual eu fiz parte dessa fundação, e hoje esse grupo tem praticamente o meu tempo de sobriedade, que eu vou completar agora, dia 9 de novembro, vinte e cinco anos lá dentro, fazendo o mesmo trabalho que fizeram para mim. Hoje já tenho até orgulho de falar sobre isso. Hoje a gente vê pessoas aí, eu ouço histórias, conheço muita gente. Por conta de não falar, você pode estar deixando de ajudar alguém. Então, essas portas voltaram, eu achei que não conseguiria voltar, fazer muita coisa que eu fazia. Muito pelo contrário, eu faço hoje muito mais coisas que eu não fazia. Inverteu tudo. Hoje eu faço parte de um, como eu passei por educação de conservatório, eu tenho uma pequena leitura musical. Então, eu fui parar em um grupo de música clássica. Hoje eu faço parte do Coral e Orquestra Rapsódia. A gente trabalha com grandes cerimoniais em São Paulo. Eu tenho uns projetos dentro da música popular. Eu tenho esses trabalhos que eu não abro mão: dois dias meus são todos dedicados a isso, alguns horários, algumas coisas, fazer alguns trabalhos. A gente tem programa em rádio, a gente tem várias coisas, vários trabalhos que às vezes a gente é obrigado a fazer. Somos procurados. É uma malhação.


Minha reaproximação com o Rosário se deu assim: estava vivendo já com minha mulher e etecetera e tal, já fazendo meus trabalhos. E em 2000 a igreja entra em estado de ruínas. O Estado vem aí, interdita por conta de arriscar cair alguma coisa. E o que aconteceu: essa interdição causou uma enorme coisa dentro da comunidade entre aspas, de alguns grupos. Nesse grupo estava o Movimento Cultural Penha, estava uma sociedade civil - onde envolvia algumas pessoas -, estava essa parte cultural - que aqui hoje é um centro cultural -, mas na época era tudo dividido, uma parte da biblioteca não falava, era outra, o teatro, um diretor. Então esse pessoal também pegou essa parte tudo, começa, faz um grande movimento e abraça esse lado, porque poderia acontecer de tirarem essa igreja do local e sumir com ela. Uma história de uma igreja com o que hoje está com 216 anos. E é a única que foi construída pelos escravos aqui em São Paulo que está no mesmo lugar e a Casa de Cultura se incumbe de a gente pegar e trazer algumas pessoas, no caso, tinha um rei do congo que vem para cá junto da rainha do congo, a dona Cassilda, e ele traz para nós todas as informações. Essa primeira montagem, eu ainda não estou. Está meu irmão. Estava sabendo, ele passava para mim, meu irmão vem com esse lado até da cultura, da Penha, o maestro e tal. Ele se junta a esse grupo também. Eles recebem essas informações e sai essa primeira festa que vem buscando a história como ela praticamente aconteceu na época, lá atrás, trazendo congadas, trazendo grupos populares para cá, porque hoje é uma festa enorme. Mas, na época, eles trazem congada, trazem Folia de Reis, trazem maracatu, e vem um povo de fora para abraçar essa história. Meu irmão foi o primeiro rei dessa festa, por conta já da história da minha vó. A nossa história com a igreja. Eu praticamente vivi aí dentro, nós vivemos aí dentro. Nas procissões que tinha, meu pai tinha a chave. Eu lembro que ele vinha, eu era o caçula e vinha comigo no colo, entrava na lateral, abria porque estava chegando, para receber a multidão, porque ela sempre foi pequena, então, as coisas aconteciam no santuário que era maior e tal e tinha aquela coisa e era bonito, que nem no dia de hoje, São Benedito, é o santo cozinheiro. Então, após a missa, tinham os doces que eram doação dos comerciantes.


E isso, essa motivação, eu estava morando fora da Penha. A gente pôs a nossa casa para reformar e eu estava morando em um outro bairro aqui: Ponte Rasa. Foi com minha atual esposa e eu venho para essa primeira festa e aquilo já me atraiu porque já me trouxe a infância, toda aquela história que eu vivi, aquela coisa, e emocionado pela causa também. “Puxa vida”. Vem pai, mãe. Porque eu falo dos meus avós, mas tem o seu Lauro tem a dona Maria Narciso que eram meus pais que também eram envolvidos nisso aí. Então, acabei me emocionando com a coisa. E venho para esse, no segundo ano eu já estou aí caminhando. E as pessoas que estavam envolvidas aí são todos amigos meus até hoje. Pessoas que estão desde o início, eu conhecia todos.

 

O que é participar de uma comunidade? Você se lembra bem que no meio de eu contar os meus relatos, eu tive uma fase na vida meio ruim. Então, hoje essa comunidade, ela também traz esse lado para mim espiritual - o qual estava meio distante. Eu fiquei meio distante de tudo, desse lado antepassado, desse lado espiritual que eu tenho hoje com esse segmento. Isso me traz uma outra condição de vida. Hoje eu busco mais a serenidade; eu não quero tomar o lugar de São Benedito, porque eu não sou santo, tenho problemas e defeitos que procuramos no dia a dia corrigir. Isso é muito legal você compartilhar com o outro. Aqui nós saímos, já rodamos para vários lugares; principalmente quando fizemos um intercâmbio entre São Paulo e Minas, em que nos deparamos com aquele pessoal humilde, mas com muita fé inabalável. Na nossa cabeça essa humildade muda, parece até que estamos em um palácio, tamanha a fé. É uma fé que faz você acreditar em um determinado tipo de coisa. A fé é você quem faz, a fé é de cada um, seja de qual religião for. É uma emoção de poder e querer homenagear os seus pais. Ali eu me senti dividindo isso com eles, com os meus avós, com os meus tios, pessoas que não estão aqui, mas que de onde estavam sentiam que estavam vibrando porque viveram naquele chão, naquele momento. Foi bem família mesmo, foi gratificante. É um símbolo, mas é como pedem para eu falar para os reis: “olha, Casemiro, fala com eles, porque eles foram eleitos, dá uma orientação para eles do que é”. Porque a pessoa pensa que é colocar aquela coroa na cabeça e representar o Rosário em uma festa. São Benedito é um santo que requer uma festa todo final de semana. Toda missa dele tem um almoço; se for bater uma regra, eu não almoço na minha casa, não fico na minha casa porque cada semana tem.


A igreja, em sua cultura, ela é um braço muito forte, ela é o braço de tudo. Essa ligação - porque também venhamos e convenhamos - tem um lado cultural. É um patrimônio tombado que tem que ser mantido, também tem um sonho de um restauro para manter.

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