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Percurso docente

História de: Tamires
Autor: Tamires
Publicado em: 22/01/2022

Sinopse

Baseada em um história pessoal, expõe como meu passado refletiu e influenciou o meu ingresso na Pedagogia.

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História completa

            UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE

 

       CENTRO DE EDUCAÇÃO, LETRAS E ARTES

 

                       CURSO DE PEDAGOGIA

 

               TAMIRES ALVES DO NASCIMENTO

 

                             AUTOBIOGRAFIA

 

 

                           RIO BRANCO-ACRE

 

                                      2021

 

 

         TAMIRES ALVES DO NASCIMENTO

 

                              Eu professora

 

Devido à instabilidade e inconsistência da vida, quase não conheci o mundo no dia 3 de Março de 2001. Filha de Maria Nicirlei Alves do Nascimento e José Rocha, nasci em Rio Branco- Acre. Quando criança morei poucos anos com meus pais biológicos, minha infância foi ao lado da minha avó materna, que, aos 6 anos de idade, decidiu que meu lugar era ao lado da minha mãe.

 

Iniciei e concluí meus estudos em Rio Branco no ano de 2018, a partir do momento que analisei a situação e percebi que aquele ciclo encerrou, confesso que fiquei pensativa e perdida ao mesmo tempo. Antes de chegar ao fim da educação básica, eu sabia o que queria, tudo estava devidamente planejado, o que eu gostaria de cursar e o que queria ser como profissional. Mas a vida real me chamou e eu me senti com 6,7,8 anos, toda semana alterava a profissão dos meus sonhos (bailarina, veterinária, policial).

 

Após os resultados do tão esperado ENEM, infelizmente meus planos fizeram uma enorme curva... essa curva me levou pra um lugar que eu realmente não esperava, a Pedagogia. Dentre as minhas opções ela nunca esteve presente, no início, não tinha ideia do que se tratava a profissão, a faixa exata do público, as funções e o próprio trabalho em ação, mas não deixou de ser uma conquista em meio a tantas pessoas que não conseguiram. Em 2019 ingressei oficialmente na Universidade Federal do Acre- UFAC, como discente do curso de Licenciatura em Pedagogia.

 

Os primeiros dias foram dedicados a conhecer o espaço, os colegas e informações necessárias sobre o funcionamento, foram justamente esses detalhes que me espantaram, tudo era imenso, novo e difícil. naquela tarde, eu me senti perdida, e eu literalmente estava, tanto em espaço como escolha. O primeiro período na universidade foi extremamente desafiador, muitas pessoas, informações, trabalhos e didática totalmente diferente do que eu costumava fazer, mas estava dedicada a aprender e fazer o possível. À medida que os períodos passavam, conheci ótimas pessoas, professores e disciplinas, e uma lição sobre o curso que eu estava inserida “ele não era o que eu queria, mas também não era o que pensava". Não posso afirmar o exato momento em que entendi isso, mas os primeiros anos neste curso foram decisivos e esclarecedores para ter uma noção inicial do que se tratava a Pedagogia.

 

Assim como muitos, eu possuía uma visão totalmente distorcida dos profissionais e da sua atuação, mas tinha em mente três detalhes que são reais: desvalorização da profissão, excesso de trabalho e a baixa remuneração, eram esses detalhes que me faziam não querer. Em meio a tantas informações, bons professores foram extremamente importantes em apresentar a verdadeira face da Pedagogia, mesmo não sabendo exatamente do que se tratava, parecia ser “simples", conclusões que eu obtive lembrando das minhas professoras da educação básica. O choque de realidade aconteceu, e eu pude refletir sobre a minha presença naquele curso, diferente do que eu pensava, o curso de formação de pedagogos não era só música infantil, desenhos, Português, Matemática e Geografia; eu estava compreendendo alguém além de mim em todo aquele processo, a criança. Tudo aquilo que parecia óbvio de primeira vista, era bem mais intenso e fundo.

 

Ao longo do curso foram apresentadas as faces do trabalho docente, bem como problemas reais que seriam encontrados na sala de aula e até mesmo fora dela. Algo que foi importante nessa jornada foi a forma como alguns professores nos ensinaram a sermos não somente pedagogos, mas humanos e cidadãos. Eu nunca cansei de dizer para todas as pessoas que me perguntavam sobre o curso que, “ele é totalmente diferente de tudo que falam, é surpreendente” Eu nunca me imaginei como professora de crianças, embora adorasse minhas professoras; aquele trabalho parecia ser muito difícil, mas não somente por ser professora, mas de crianças já que por um tempo eu quis ser professora de Espanhol.

 

A partir do momento que comecei a conhecer a importância do professor, tentei me dedicar ao curso, porém um acontecimento parou as atividades do mundo. A expansão da covid-19, sem dúvidas, comprometeu as aulas presenciais e afetou toda organização do curso, principalmente por ser voltado para a prática. A covid-19 nos obrigou a ficarmos em casa, a cuidar da nossa saúde e demais coisas, mesmo tratando-se de um caso voltado para a saúde, a minha jornada com a Ufac não tinha chegado ao fim, foi outro desafio a adaptação ao ensino remoto. Naquele momento eu não era somente uma professora em formação, mas também como aluna, o que me trouxe muitas reflexões sobre o público tão diverso que me aguardaria no futuro. Eu pude compreender as dificuldades dos que não possuem todos os recursos para estar em um ambiente propício para estudo, a preocupação com estudos, saúde e as tarefas de casa.

 

Embora não tenha ocorrido em bons momentos, todo esse caos me levou a refletir sobre a minha formação e atuação como professora, como cidadã, aluna e como pessoa. Eu sempre tive muito carinho e empatia pelas crianças, sua segurança e respeito pela sua infância; o curso e a covid-19 me colocaram em uma situação de desafio e reflexão sobre o meu papel, eu compreendi a criança como nunca imaginei, sua escrita, seus desenhos e como elas são extraordinárias. Esse foi outro ponto que marcou o meu processo de formação, por vezes o professor é sempre destaque no ato educacional, “o professor deve ser qualificado”, isso sem dúvidas é importante, mas o que adiantaria ter uma boa formação e não ser capaz de refletir de maneira compreensiva na atuação na sala de aula, principalmente devido à diversidade dos alunos? Essa questão não possui uma resposta exata e correta, mas sem dúvidas foi algo bastante pensado e trabalhado durante os primeiros períodos. Todos os elementos que tornariam a educação de qualidade possível foram trabalhados, a importância do autoconhecimento como professor, e também da compreensão do aluno, do sistema, do governo, a psicologia, filosofia, financiamento, tudo isso fez parte da minha reflexão como futura professora.

 

Sempre ouvia críticas a respeito da educação, principalmente dos anos iniciais, mas também ouvia como algo fácil e isso me deixava confusa, a licenciatura me proporcionou minha própria visão sobre a profissão e a relevância que a ação de um professor possuía na vida dos alunos. Assim como a Pedagogia não era algo que eu queria, ela também não era o que eu pensava, depois da minha experiência no presencial e remoto tive a possibilidade de me colocar em vários lugares, de entender o meu papel como professora e aceitar que sozinha eu não poderia mudar o mundo, mas as minhas atitudes como professora e ser humano poderiam refletir de forma positiva ou negativa na vida de uma criança.

 

Todo esse processo ainda em andamento excluiu os estereótipos da carreira docente, proporcionou conhecimentos para a minha formação, e não somente isso, todo esse conhecimento possibilitou a formação de uma aluna, professora e ser humano; não era somente sobre educação e conteúdo, mas sim reflexão para a ação na vida real. Assim como eu não sabia o que esperar e me surpreendi com o tanto de conhecimento por trás da pedagogia, espero surpreender meus alunos sendo uma professora profissional, compreensível e que possibilite uma ótima educação a todos que cruzarem meu caminho.

 

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