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Pela vida "à galope"

História de: Balceonupes Brião
Autor: Alessandra Vida
Publicado em: 22/09/2016

Sinopse

Chamado de seu "Brião" em virtude de seu complicado nome, Balceonupes enfrentou dificuldades e perdas em sua vida mas sempre com muita coragem

 Por: Alessandra K. Vida

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História completa

Vindo de família humilde, da cidade de Candiota, seu Balceonupes viu Porto Alegre pela primeira vez aos 18 anos. Daqui tem lembranças que confortam, outras que despertam lágrimas. Muito devoto, deposita sua fé em São Jorge, o santo cavaleiro e assim como ele enfrentou com garra muitos dragões. O destino por diversas vezes lhe trouxe surpresas amargas mas que constroem pedaços de uma história que vale a pena ser contada.

 

De Candiota a capital

 

Balceonupes Corrêa Brião, mais conhhecido como "Brião", filho de uma dona de casa e de um agente da Brigada Militar, tem outros seis irmãos. Seu nome foi dado em homenagem a familiares que até hoje desconhece a origem. Sua cidade natal, Candiota, no interior do Rio Grande do Sul, é composta por seis bairros ou vilas: João Emílio, Diário Lassance, São Simão, Seival(onde vive até hoje sua mãe, dona Lurdes), Vila Operária e Vila Residencial. No município, devido ao seu subsolo abundante em riquezas minerais, tais como carvão e calcário, a principal fonte econômica é a geração de energia térmica e foi lá que Seu "Brião" começou a trabalhar. Ele e seu irmão mais velho trabalhavam juntos na construção de maquinário para a termoelétrica da cidade, Presidente Médici.

 

 

O susto  

 

 Aos 18 anos, veio para Porto Alegre com seu irmão para trabalhar na empresa de terraplanagem Transportes Cortinaz, onde lidava e consertava grandes equipamentos. Aos 20, conheceu sua primeira esposa que tinha um filho do primeiro casamento e a quem reconheceu legalmente como seu. Alexsandro Gonçalves Brião é atualmente advogado e atua no estado de Santa Catarina. Deste casamento, veio ao mundo sua filha mais nova, biológica. Pouco mais de três meses com a esposa, seu Balceonupes trabalhava na troca de um pneu de uma retro escavadeira quando de repente viu-se segurando a mesma para que não caísse sobre ele. O reflexo lhe redeu 22 pontos nas costas e a eminente possibilidade de permanecer paraplégico. De acordo com ele, era ainda muito novo e não compreendia o risco que corria naquele momento. Trinta dias depois, praticamente recuperado das lesões, volta a trabalhar na mesma empresa onde sofrera o acidente.

 

 

 

Enfrentando dragões

 

 

Seu Brião já frequentou as mais diversas religiões, mas encontrou-se espiritualmente na chamada Umbanda Branca, especificamente no Templo Universal da Paz Pai Francisco de Luanda – Tala, há mais ou menos 12 anos. É devoto de São Jorge, assim como seu pai e fora essa devoção que lhe deu forças para encarar um momento muito doloroso em sua vida. Sua segunda esposa, Sued (Deus escrito de trás para frente) era vinte anos mais velha que seu Balceonupes. Conheceram-se no Acampamento Farroupilha e logo começaram a namorar. Tinham em comum a paixão por cavalos. Sued, fazia algum tempo, sentia dores fortes no corpo. Indo ao médico e fazendo todos os exames, descobre que desenvolvera um câncer gravíssimo nos ossos. Foi internada para iniciar o tratamento o mais breve possível. Precisava realizar procedimentos invasivos como a quimioterapia e que exigiriam bastante da saúde de Sued. Ela, contudo, se negava a fazer qualquer tratamento. Infelizmente, quinze dias após sua internação, veio a falecer. Hoje, passados alguns anos, seu Brião superou a perda. A paixão de Sued por cavalos deixou rastros: a égua de seu Brião, apelidada de Candiota, era a única que não prejudicava sua coluna. Sued, antes de partir pediu que nunca se desfizesse dela, pois era muito especial.                                                                                                      

 

 

 

A “cavala”

 

Candiota sempre foi a preferida de seu Brião: seja por seu trotar macio ou pelas lembranças que ela traz. Tão especial e única que o dono deu-lhe a cunha de “cavala”. Quando perguntado o motivo do nome, ele responde: “Porque é diferente, porque é minha.” Contudo, Candiota sumiu há cerca de dois meses. De acordo com ele, a égua sempre foi muito obediente e acredita que alguém possa tê-la encontrado solta e se prontificou a tomar conta, acolhendo-a. Ele faz um apelo para que a encontrem. Candiota não é apenas um animal de estimação, é especial e insubstituível. Companheira há tantos anos , a ligação entre os dois não permite que seu Balceonupes desista e acredite que a encontrará muito em breve.

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