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Pela democratização os espaços

História de: José Carlos Gonçalves Sobral
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/10/2018

Sinopse

Carioca formado em Administração, José Carlos inicia sua carreira no banco por meio de uma subsidiária do BNDES, a IBRASA. Encantou-se com a área que atua hoje, de comunicação e cultura, e gosta dos projetos que possuem um viés cultural. Conta do coleguismo dentro da instituição, bem como de seu sucesso, inclusive empregando grande número de pessoas.

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História completa

P/1- Boa tarde. Qual seu nome, local e data de nascimento?

 

R- José Carlos Gonçalves Sobral, nascido no dia 30 de março de 1949, Rio de Janeiro.

 

P/1- E quando e como se deu seu ingresso no BNDES?

 

R- Em sete de abril de 1980, eu fui entrevistado por várias pessoas da então IBRASA, investimentos Brasileiros S/A, que era uma subsidiária do BNDES, e na verdade eu estava indo provavelmente para uma empresa. Fui contatado de acordo com o meu perfil, se eu gostaria de entrar no grupo de executivos da IBRASA. Aí, na verdade, eu fiz uma série de entrevistas. Na época o diretor superintendente era o doutor Ulisses Viana, passei também por uma entrevista com o diretor de administração e finanças, Fernando Lan(?) Vasconcelos, e com o superintendente de administração e finanças. Depois eu tive a notícia de que eu tinha sido aprovado, e eu comecei trabalhando na IBRASA.

 

P/1- E a IBRASA fazia parte do BNDES?

 

R- Na ocasião o BNDES tinha três subsidiárias, que era a IBRASA, a IBRAMEC − voltada pra máquinas e equipamentos − e FIBASE, voltada para os insumos básicos. Mais tarde essas três subsidiárias se fundiram e tornaram-se a BNDESPAR, BNDES Participações S/A.

 

P/1- Conta então o seu primeiro dia no BNDES.

 

R- Bom, o primeiro dia foi sete de abril de 1980, e o primeiro dia é um pouco desconfortável, por mais que você se ache desinibido e com facilidade de relacionamento, é desconfortável, porque você não conhece as pessoas, não sabe como vai ser recebido. A gente nunca acredita que vai ser bem recebido, que vai correr tudo bem, a gente sempre tem a tendência de achar que as pessoas vão estranhar, mas absolutamente, no primeiro dia a sede da IBRASA era na Avenida Rio Branco, foi interessante. Como as subsidiárias tinham crescido, o banco tinha alugado instalações que seriam de um hotel, então as salas eram pequenas, como apartamentos de hotel, mas foi excelente, fui muito bem recebido.

 

P/1- Claro que depois de tantos anos de banco o senhor já trabalhou em várias áreas. Qual a área que você destaca como mais importante, que você já trabalhou no banco?

 

R - Tem dois aspectos. A área que eu criei mais afinidade é a que eu estou hoje, que é a área de Comunicação e Cultura, na reestruturação. Anteriormente era a área de relações institucionais, eu me identifiquei profundamente, é como se fosse a área de Marketing, essa área eu já passei nela duas vezes, e sem dúvida nenhuma a gerência que eu ocupo, que é a Gerência de Projetos e Comunicação, eu tenho uma afinidade incrível, um carinho, um amor pelo que eu faço. A gente cuida da cultura dentro do banco, tem o espaço BNDES, tem o prêmio BNDES de economia, tem feiras, excursões, congressos, seminários. Tem a participação em eventos de terceiros, tem filiação em entidades, tem o mailing list, a mala direta... Nós temos a parte toda de comunicação interna, então é a área que eu tenho maior afinidade e o maior carinho, mas não posso deixar de mencionar também que eu já fui da assessoria de quatro presidentes, que é muito interessante, cada um com um estilo, com sua dinâmica, e eu passei mais de quatro anos assessorando quatro presidentes.

 

P/1- Descreva um projeto que o senhor participou, que considera mais importante, o que o que se envolveu mais.

 

R- Essa é uma pergunta muito difícil de responder, mas eu diria que de tudo que eu faço dentro do banco, a coisa que eu mais gosto é do viés cultural, porque eu acho que através da cultura você está educando, passando uma mensagem, passando uma sensibilidade, então na verdade, das atribuições de todas que eu tive, o Espaço BNDES, que cuida da galeria, onde nós fazemos seis exposições(?) por ano e do _________BNDES, onde fazemos apresentações pro público, gratuitas, franqueadas, num total, aproximadamente, que varia de 37 a 40 apresentações por ano. Eu acho que isso no BNDES, uma empresa pública, democratizar o seu espaço franqueando a comunidade pra que venha assistir um show de personalidades conhecidas no Brasil e no exterior e também de artistas que estão começando a sua trajetória, eu acho esse trabalho lindíssimo e esse trabalho eu alegaria como mais importante.

 

P/1- E quais as lembranças marcantes do seu dia a dia do BNDES, um caso interessante?

 

R- Um caso interessante... Eu fui representar o BNDES num programa do Governador Moreira Franco, ele estava querendo fazer, naquela época, a modernização do sistema público, e eu era representante do BNDES nesse programa. O Governador me convidou pra ser gerente executivo desse programa, e eu fui cedido, então, ao governo do Estado por quatro anos, retornei ao banco em 90, na oportunidade o doutor Sérgio________ Viana, nosso colega − primeiro colocado no prêmio BNDES de Economia, hoje presidente do IBGE −, ele me perguntou em que eu gostaria de trabalhar dentro do banco, eu falei, na época, que eu gostaria muito de trabalhar ou na privatização, que estava deslanchando no início de 90 ou no FINAME(?), hoje BNDES EXIM, que é a parte de exportações. Ele rapidamente falou “vamos trabalhar na privatização, na verdade nós precisamos de um reforço, e você vai ser muito útil nessa parte”. Eu entrei pra colaborar junto à privatização e rapidamente fui ser assessor do presidente __________. Nós fomos a várias reuniões, formatamos as reuniões técnicas junto aos empregados para mostrar como era o processo de privatização, como funcionava, e o presidente _________, na verdade, entrou com uma primeira a ser privatizada: a Usiminas. Tivemos diversas reuniões com os empregados, uma coisa muito difícil e complexa, porque os empregados e a comunidade rejeitavam muito a privatização. Com muito sucesso, no dia 24 de outubro de 91 a Usiminas foi privatizada. Eu estava no Gabinete em meados de 91 e chegou de surpresa uma delegação de Cubatão, interfonaram dizendo que tinha umas 15 pessoas querendo falar com o presidente __________. Eu imediatamente falei: “O presidente não está, mas vamos recebê-los.” E avisei aos pares(??) que estava acontecendo isso, mas na verdade, tenho que ser sincero, o presidente estava na casa, mas eu já tinha dito que não estava para preservar a imagem do presidente. Depois de um certo tempo, preocupado porque as reações negativas eram muito grandes, eu disse: “Vai ter uma reação das pessoas de Cubatão, não querendo ser privatizado.” Fui atender as pessoas e, para grande surpresa minha, depois de cinco minutos de conversa com a delegação, eles vieram me perguntar quando é que a Cosipa [Companhia Siderúrgica Paulista] ia ser privatizada, porque a Usiminas tinha sido privatizada e estava muito mais moderna, muito mais dinâmica e roubando espaço comercial da Cosipa. Então eles estavam aqui porque queriam que a Cosipa fosse privatizada e queriam saber que data estava no cronograma a privatização da Cosipa. Naquele momento eu fiquei totalmente surpreso, não podia demonstrar isso, e conversamos. Estava louco para pegar o presidente que estava na sua sala e dizer que era esse o assunto, mas eu tive que segurar como se o presidente não estivesse. Então esse foi um caso interessante, você me pegou de surpresa, e a Cosipa foi privatizada no dia 20 de agosto de 93, no ano seguinte.

 

P/1- E o que é o BNDES pro Senhor?

 

R- O BNDES é talvez hoje o maior empregador do Brasil, eu tenho um amor muito grande por esta instituição. É uma instituição muito pequena e enxuta, que há um coleguismo e amizade muito grande entre as pessoas, um respeito profissional imenso. É uma empresa que dá todo conforto e liberdade para você trabalhar, se você souber trabalhar com afinco, dedicação e honestidade é a melhor empresa que tem. Eu acho o BNDES uma instituição importantíssima para o país, está comemorando agora 50 anos, que precisa mesmo ser comemorado com muita dedicação, a comunidade precisa ter consciência disso, a importância do  BNDES para o Brasil é imensa, e na verdade temos que comemorar com muito orgulho e que ele fique por mais 50 e 50 anos.

 

P2- E o que o senhor achou de ter participado dessa entrevista e contribuir para o projeto 50 anos do BNDES?

 

R- Olha, é claro que existem pessoas que têm muito mais a dizer do banco, tem muito mais tempo, mas eu queria parabenizar a vocês, do Museu da Pessoa, por esse profissionalismo, e toda a equipe da ________ que se envolveu, especialmente nossa superintendente, que teve a ideia de montar esse projeto conosco, junto à alta administração e é um projeto interessantíssimo, nós temos certeza que os resultados serão maravilhosos.

 

P/1- Muito obrigada, boa noite.

 

R- Obrigado você.

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