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Auto Elétrica e Mecânica Semprini

História de: Pedro Semprini
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/05/2021

Sinopse

Pedro Semprini nasceu em 16 de outubro de 1944 na cidade de Ribeirão Preto. Possui seis irmãos. Moravam em uma chácara em volta da cidade. Seu pai era serrador e a mãe dona de casa. Relembra brincadeiras de rua de época. Trabalhou como marceneiro e em uma oficina de concessionária. Pedro realizou o curso da Bosch e também é especialista em veículos da Mercedes-Benz.  Há diversos clientes que de empresas particulares que buscam reparos no seguimento de caminhões. Descreve como era o comércio, as ruas e praças da cidade. É integrante de uma associação comercial. A oficina hoje possui 46 anos na cidade de Ribeirão Preto com clientes de todos os estados. Pedro tem um filho e uma filha. 

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História completa

          Sou Pedro Semprini. Meu pai era João Semprini, e minha mãe era Emília Pasquini Semprini. Não cheguei a conhecer meus avós, mas sei que eles vieram de Rimini, Itália. E vieram direto pra Ribeirão. O meu pai era serrador, e a minha mãe era do lar. Na época, eles moravam em chácara, meio em volta da cidade. E eu moro em Ribeirão desde que nasci. Eu nasci na Rua Piauí, número três. Aqui era chácara, com ruas de terra, e a gente brincava de cadeirinha de cavalo, de bets... brincava também de esconde-esconde, de uma série de brincadeiras que a gente tinha. Era muito saudável. Antigamente, a cidade era diferente. O mercado era à beira do rio, na Francisco Junqueira. Comparando com hoje, Ribeirão Preto era muito pequena.

          A serraria dele ficava no centro da cidade. Na Rua Sergipe, número 116, era a marcenaria; e no número 125 era a serraria. Todo dia eu levava o almoço lá pros meus irmãos e pro meu pai. Eu saía de casa, levava o almoço pra firma, e de lá eu ia pra escola. Retornava, e só aí que eu ia ajudar o meu pai a tirar serragem do equipamento.

          E eu frequentei a escola até fazer o exame de admissão. Eu fiz a quarta série e a admissão, só. Daí eu parei, fui me tornar mecânico. Isso porque a empresa era da família, e eu passei a trabalhar com todos eles ali: meu pai, meus irmãos. Quando tinha a fábrica, o meu irmão tocava a fábrica de móveis, e eu, com 12 anos, ia para a estação ferroviária despachar os móveis pro estado de Minas. Era tudo selo. Eu colava o selo na hora, porque senão eles roubavam, entendeu? Aí selava e despachava por trem.

          Nessa época, o meu pai era funcionário do meu irmão. O meu irmão mais velho é que era o proprietário. Aí, trabalhei um tempo na marcenaria, depois fui trabalhar de mecânico. Montei firma em 1971: Auto Elétrica e Mecânica Semprini. É a mesma até hoje. Aprendi na raça. Eu sou especialista em Mercedes Benz. Nós fazíamos aqui a parte elétrica e a parte mecânica. E eu fiz bomba injetora também.

          Mas quando eu montei a oficina, eu já era especializado, porque eu tinha trabalhado em concessionária - uma concessionária Mercedes e também no Rápido Ribeirão Preto. Eu aprendi desde novo, quando eu fiz curso na Mercedes; eu fiz dois cursos na Mercedes, lá em São Paulo.

          Pra mim foi muito fácil abrir meu negócio, porque eu saí da concessionária e tinha muito conhecimento, muitos conhecidos. Quando eu abri a oficina, freguês não faltava. E até hoje, a gente trabalha pra muitas empresas aqui de Ribeirão Preto. Tem cliente de todo lugar. Mas no comércio, se você analisar, nada é fácil. Tudo você tem que correr atrás.

          Porque a gente construía a firma trabalhando. Hoje, praticamente, nós estamos com 46 anos e estamos mexendo ainda na parte da firma. É sempre os reparos que têm que ser feitos. A gente tem que correr atrás. Nós estamos em sete, oito funcionários. Assim, contando com os meninos que limpam a oficina. O meu pátio lá é de 306 metros quadrados. É grande. Cabe tudo lá!

          Eu tenho um casal de filhos, mas quem toca a oficina é um filho, o Júnior – é ele, porque eu me tornei diabético, aí começou a me faltar um pouco de visão, entendeu? Eu me afastei um pouco, mas ele e um sobrinho tocam a oficina; hoje são os primos que tocam.

          Ao longo do tempo, pra eu me atualizar, fui fazendo curso, palestra. Tinha palestra de serviço, Pelo Sindirepa - Sindicato de Reparação de Veículos do Estado de São Paulo. Hoje, o meu filho, por exemplo, faz muita eletrônica na firma, porque tem muitos veículos que vêm tudo na parte eletrônica. Eu, mesmo, não conheço a área, mas eles já estão por dentro. É por isso que eu digo que, de agora pra frente, são eles que têm que tomar a reta.

          Antigamente, tudo era muito diferente. Tinha muita falta de peça, tinha muita coisa que precisava ser recondicionada, então a gente tinha que esperar muito tempo, demorava mais tempo. Pra pagar, deixavam tudo anotado em uma caderneta, marcavam.  Eles pagavam por mês, porque o caminhoneiro, por exemplo, ia lá pra Porto Velho, muito longe.

          Na verdade, nós estamos assim: nós temos a ideia de fazer o pé de meia. O pé de meia ajuda. Então, quando você tem certa idade, igual ao meu caso, eu não dependo mais da oficina. Eu fiz as rendas, eu também tenho alguma coisa alugada, tudo certo. E é a minha vida agora.

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