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História

Paulo Cesar Garcia Lopes: dos armarinhos ao Sincomércio

Sinopse

Apresentação do entrevistado; origens da família. Breve descrição da atividade dos pais e dos avós. A Ribeirão Preto dos anos 60, e a cidade que que passou a ser referência em saúde e serviços. A mudança bem como a evolução no setor do comércio. Descrição de público e produtos de uma loja de armarinhos. A entrada na faculdade de Engenharia, a mudança de cidade. As férias com a família e o início da jornada no ramo de armarinhos. Os produtos mais procurados em época de festa, como carnaval, por exemplo. A formação em engenharia e a opção pelo comércio. A participação em feiras e convenções, que o levaram ao Sindicato do Comércio Varejista. A digitalização do comércio, o desenvolvimento de alternativas para lidar com a pandemia; a criação do marketplace. A infância dentro da loja de armarinhos e o valor do trabalho passado por seus pais. O casamento que já dura mais de trinta anos com sua esposa e hoje sócia. As estratégias e as políticas para conter a pandemia, com criação e leis para promover o comércio. Pensamentos para o futuro. 

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História completa

          Sou Paulo Cesar Garcia Lopes, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região, nascido em Ribeirão Preto, em primeiro de fevereiro de 1960. Os meus pais são Antônia e Benedito. Os dois montaram uma loja de armarinhos aqui, há 54 anos, que eu acabei sucedendo. E eles trabalharam com a loja até os filhos se formarem, e a gente escolheu sucedê-los. Depois montamos uma outra loja, abrimos duas lojas, em dois irmãos. Infelizmente, hoje eu estou com uma só, porque o meu irmão faleceu recentemente.

          A loja começou onde está hoje, no mesmo imóvel desde o início. Depois a gente abriu um prédio maior, porque crescemos. Mas eu fiquei sempre sediado no ponto onde começou, porque sempre dei muito valor a esse ponto importante do comércio, que é na Rua Duque de Caxias. Ela chegou a ser comparada com uma 25 de Março de Ribeirão Preto, guardadas as devidas proporções. Mas é claro que desde os anos 60 a cidade cresceu muito. Nós temos hoje vários centros comerciais, e os armarinhos também foram pra essas áreas.

          Mas antes, até o final dos anos 70, mesmo no início dos anos 80, tinha concurso de vitrines. A gente tinha ruas em Ribeirão Preto em que as pessoas saiam à noite, pra ir às lojas. Foi antes dos shoppings isso. Na época anterior ao shopping, o comércio de rua era muito vitalizado. Tinha decoração de Natal também, concurso de vitrine de Natal. E havia decoradores que iam para as lojas, sobretudo na Barão do Amazonas, na São Sebastião, a General Osório, antes do calçadão. Eu era criança e ficava na loja com os meus pais. Mas mesmo assim, fora do centro, a cidade já tinha centros comerciais fortes, como a Avenida da Saudade, depois veio a Dom Pedro. E com a vinda dos shoppings, aí explodiu, porque a região toda começou a vir a Ribeirão Preto com mais intensidade ainda.

          A loja de armarinhos foi se modificando ao longo do tempo. Quando o meu pai montou a loja, era estritamente de público feminino. Sempre teve o ramo da costura, só que o armarinho era um tipo de bazar mesmo, no sentido de ter de tudo. Então, o armarinho vendia cosméticos, esmalte, bob de cabelo, grampo de cabelo, coisa que muita gente nem sabe o que é. (riso) E vendia material escolar, vendia brinquedo, bolsas femininas, lenços. Mas hoje há uma tendência de partir mais pro lado da costura, mesmo, e dos trabalhos manuais, do artesanato. Hoje, o forte do armarinho é o artesanato, pois são produtos pra fazer trabalhos manuais, para o cliente ter uma fonte de renda. Pois existe uma tendência muito grande da personalização, inclusive fora do Brasil. As lojas grandes de tecidos, de roupas, têm um cantinho lá pra fazer uma personalização. Seja uma loja de tênis, como eu vi na Nike, na Adidas, nos Estados Unidos; seja até a Levi’s, que coloca lá um cantinho também. A personalização, hoje, é muito forte.

          O comércio é muito escravizante, no sentido de que a gente tem muito pouco tempo pra viajar, pra tirar férias. A gente se empolga muito e sempre teve uma necessidade de abrir o máximo tempo possível. Aí, nessa época que eu já estava com as lojas, eu fui convidado por amigos que já participavam das entidades. E comecei a ir às assembleias, todo ano, do reajuste de salário no Sincovarp. Na ACI também eu fui convidado, eu fui vice-superintendente da Distrital Centro durante 12 anos. E aí o Pedro Alem, que era o presidente do sindicato, me enxergou ali, mal aproveitado na associação, e me convidou pra participar mais do sindicato. Então eu embarquei e acabei virando presidente do sindicato, do qual estou, hoje, há oito anos.

          Nos últimos dez anos, a gente teve uma revolução enorme no comércio, seja pelas tendências de mudança de hábito do consumidor, seja pela participação dos lojistas também. O desafio grande das entidades era trazer o lojista mais próximo, pra se sentir representado. O Sincovarp tinha uma força muito grande, que era a contribuição sindical, que era obrigatória. Nós percebemos que ela iria acabar e, inclusive, apoiamos o fim da contribuição obrigatória. Mas, em função disso, nós começamos a investir muito no sindicato, na prestação de serviços para os associados, para os afiliados.          

          Hoje o sindicato tem uma gama de benefícios para o associado. Temos convênios de saúde com condições muito superiores ao mercado, fazemos também muita capacitação, temos parceria com várias entidades, como o próprio Sesc, o Senac, sobretudo o Sebrae. A gente também participa de missões nacionais e internacionais. Temos um comitê de comércio eletrônico que está capacitando essa tendência de digitalização do varejo, que é uma coisa que já está ocorrendo, que veio goela abaixo com a pandemia.

          O sindicato foi ‘obrigado’ a acompanhar as tendências do varejo, e esse trabalho a gente tem feito com bastante força. Principalmente porque nosso papel também é ser o elo de ligação entre os associados e o poder público. Hoje nós somos muito respeitados na cidade, através do Ministério Público, da Câmara Municipal, prefeitura, diversas secretarias, mesmo no estado. Porque as entidades têm uma força importante, que é o de fazer essa ligação, de levar os pleitos dos lojistas ao poder público.

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