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História

Paternidade militante

História de: José Antônio Gomes Coelho
Autor:
Publicado em: 26/01/2022

Sinopse

Quando criança, José Antônio acalentou o desejo de ser médico. Chegou a fazer vestibular para Medicina, mas não foi aprovado. Deixou sua cidade natal, morou em Porto Nacional, Recife e Goiânia, e as peripécias da vida o levaram a estudar Educação Física, área em que se tornou professor. Militante do SINPRO-DF, foi delegado sindical, integrou comissão de negociação nos movimentos grevistas e participou de cinco gestões do sindicato.

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História completa

Cristalândia era cidade pequena, tinha apenas o primário, aí meu pai e minha mãe queriam botar os filhos para estudar e mandavam para Porto Nacional. No quarto ano primário, eu já fui para Porto Nacional. Quando foi para fazer o admissão [ao ginásio], que naquela época tinha o admissão, aí eu já vim para Goiânia. Primeiro veio a [irmã] mais velha, começou a estudar, aí depois ela trouxe outro irmão, outra irmã, aí foi vindo. Meus pais já mudaram para Goiânia no começo de 1966, eu vim em 1965. Eu pensava em ser médico. Cheguei a fazer vestibular lá em Recife para ser médico, mas não passei. Aí a vida mudou, porque eu engravidei a ex-esposa. Voltei para casar e mudaram os planos todos. Voltei para Goiânia, mudei de opinião e fui acabar sendo professor de Educação Física. Fazer Educação Física que dava para conciliar o trabalho e a família. Fui fazer Educação Física trabalhando nos Correios. Eu fazia Educação Física de manhã e trabalhava à tarde e à noite nos Correios. Eu terminei em dezembro de 1979, na época da greve dos professores, a primeira grande greve. Eu estava inscrito no concurso e quando eu vi que era para chamar no período da greve, eu falei: “Se chamar no período da greve eu não assumo”. Eu tinha passado até bem, mas como eu não apresentei os cursinhos que eu tinha, eu fiquei numa classificação mais embaixo, não me chamaram de imediato. Quando a greve acabou, eles começaram a chamar a partir de janeiro de 1980. Acabou que a gente veio ser chamado já em 1982, quando eu assumi. O concurso para professor de Brasília, naquela época, nos anos 1970 e 80, era o melhor concurso no Brasil. Vinha gente do Brasil inteiro. [Minha primeira escola] foi o CEF 4, do Gama, na época era Centro de Ensino 4. Assumi lá e vinte dias depois assumi no noturno no Centro Educacional 4. No primeiro dia que eu entrei na Secretaria eu me filiei ao SINPRO e à CABE – antes era a CABE, Caixa Beneficente da Educação, e depois virou ASEF, Associação dos Servidores da Educação. Quando eu entrei no SINPRO comecei a ser delegado sindical. [Entre] os primeiros delegados sindicais por escola, eu já entrei. Fui o primeiro delegado sindical da parte leste do Gama, o primeiro eleito pelos professores. O militante normalmente perde muita convivência em casa. Eu tenho três filhos, todos os três foram muito apegados a mim. Até eles terminarem a oitava série, eu os levava para escola e buscava, mesmo militante. Morando aqui no Gama, eu levava os três para escola onde eu trabalhava: iam comigo e voltavam comigo, era a hora que eu tinha, aí depois eu ia para militância. Era desse jeito. O convívio era complicado, mas tinha que ser, não tinha como abrir a mão: tinha que fazer as duas coisas. O SINPRO ele transcende a categoria dos professores e toda vez que ele se estreita, é o momento de conflito. O SINPRO não é estreito. A história do SINPRO é muito ampla, então [o sindicato] não pode ter diretores limitados. O SINPRO tem que ter diretores politizados e inseridos na sociedade. O SINPRO eu ajudei a construir. Eu quero que essa entidade seja perene, que ela perdure, e que ela sempre seja vanguarda. Ela não pode ser entregue a essa direita conservadora, a esse sindicalismo pelego. A gente não pode permitir.

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