Busca avançada



Criar

História

Leite pasteurizado

História de: Tereza
Autor: Simone
Publicado em: 28/10/2017

Sinopse

A nossa convidada para ser entrevistada e nos contar um pouco da sua história foi a Tereza de Moraes Caetano. Uma das histórias que ela contou foi sobre o leite pasteurizado. Quando a Tereza chegou aqui em Votorantim em 1967 não tinha leite pasteurizado. As pessoas davam o leite da vaca para as crianças. Ela conta que o Tomazinho, que é morador aqui do bairro, tinha vacas e dava o leite para as pessoas pagarem quando pudessem. Ela contou que uma vez apareceu um homem vendendo leite e dizendo que dar leite de vaca fazia mal para as crianças e que ele vendia leite pasteurizado. Mas como ele não vendia fiado a Tereza continuou dando o leite que pegava com o Tomazinho e nunca aconteceu nada de ruim com as crianças por conta disso.

Tags

História completa

A nossa convidada para ser entrevistada e nos contar um pouco da sua história foi a Tereza de Moraes Caetano. Ela nasceu em 16/03/1938 no bairro Cajuru em Sorocaba mas foi criada em Salto Grande-SP, na divisa com o estado do Paraná. Foi pra lá com 10 anos e voltou quando seu filho tinha 11 anos. Ela nos contou como sofreu na ida porque deixou aqui duas avós e nunca mais as viu. Seu marido era de Ipaussu e ele faleceu há 30 anos. Sempre que pode a Tereza viaja para lá visitando a família do seu marido. Começamos a entrevista e quando perguntamos o que ela queria ser quando crescesse respondeu que não tinha opções e que começou muito pequena a trabalhar com seus pais na roça. Seus amigos eram Deus em primeiro lugar e depois seus pais. Ela sempre trabalhou com seus pais na roça, depois como babá. Ela sempre ajudava as pessoas nas outras horas do dia. O trabalho na roça era pesado, ela plantava café, fazia cova, e depois de 4 anos tinha que mudar. O dinheiro que as crianças ganhavam ficava com os pais. As brincadeiras de que ela gostava de brincar, quando dava tempo, era chutar bola com seus irmãozinhos e brincar de boneca. Os pais nunca deixavam as crianças saírem sozinhas ou com amigos, sempre saiam com algum idoso. Sobre namoro ela contou que só teve um namorado que foi seu marido. Namorou com 12 anos e casou-se com 16 anos. O namoro era só de olhar, um bem longe do outro. Casou-se em Salto Grande-sp e participava da igreja da comunidade. A Tereza contou também que morou em várias casas pois seu pai era lenhador, quando se esgotavam os recursos do local, tinham de se mudar. Quando ela veio morar em Votorantim, ela veio com seus sete filhos para morar em um cômodo. Tinha de colocar a filhinha de três anos pra dormir dentro da gaveta bem forrada do guarda-roupa com um colchãozinho de berço e os demais dormiam todos juntos numa cama grande. Quando ela e a família se mudavam não levavam móveis, somente o essencial. Quando ela veio de Salto Grande pra cá foi assim: o patrão deu cinco passagens e a família da Tereza era de sete pessoas então teve de esconder os pequeninos. O tempo de viagem era de mais ou menos doze horas. Tinha baldeação, carga e descarga em várias cidades, e o trem balançando. Perguntamos para ela sobre sua escola. Ela disse que era bem longe e tinha que passar pelo meio do cafezal de a pé. Para entrar às 7 horas na escola ela saía de casa às 5 h. Disse que teve professores bons e professores que nem tanto. Mas teve uma professora, a dona Tereza boccari, que marcou muito a Tereza. Ela conta que certa vez ela fez uma mudança e morou num barraco de pau a pique coberta com sapê. Depois de 8 dias essa casa pegou fogo e sua família ficou somente com a roupa do corpo. Lá na escola ficaram sabendo do que tinha acontecido e eles se juntaram e ajudaram com roupa, colchão, um barraco melhor. Depois de mais ou menos 50 anos quando a Tereza foi para Salto Grande-SP, teve uma surpresa. Ela ficou sabendo que sua professora ainda morava na mesma casa e foi visitá-la. Ela já não se lembrava das pessoas devido à idade avançada. Ela morreu com 107 anos. Quando a Tereza chegou aqui em Votorantim em 1967 ela disse que não tinha bairro aqui. Era só mato. Não tinha água, era água de caminhão. Aqui na rua Jasiel tinha uma mina, e as pessoas colocavam o balde na cabeça para pegar água para beber, cozinhar, lavar. Não tinha água no poço e quando ouvia um barulho ia ver e se a água estivesse suja as pessoas choravam quando tinham de voltar com a roupa pra trás. Sem luz, sem água, não tinha asfalto. O posto de saúde era longe e tinha de ir de a pé porque não tinha onibus. Escola não tinha no bairro. As crianças estudavam numa casa de quatro cômodos com um puxadinho, então tinha criança que ficava dentro e tinha criança fora. Oração se quisesse fazer não tinha igreja. Ela é uma das fundadoras da igreja do bairro. Todos se juntaram e começaram a carpir o terreno porque chamaram o trator e ele não apareceu e, assim apareceu a igreja do Divino Espírito Santo. Naquela época não tinha leite pasteurizado. As pessoas davam o leite da vaca para as crianças. Ela conta que o Tomazinho que é morador aqui do bairro, ele tinha as vacas e dava o leite para as pessoas pagarem quando pudessem. Ela contou que uma vez apareceu um homem vendendo leite e dizendo que dar leite de vaca fazia mal para as crianças e que ele vendia leite pasteurizado. Mas como ele não vendia fiado a Tereza continuou dando o leite que pegava com o Tomazinho. Depois de um tempo veio a pequena venda do sr. Edmundo, Servbem. Ela comprava as coisas de bicicleta e depois o caminhão entregava na casa. A Tereza estava aqui quando aconteceu a enchente Votorantim em 2002. Lembrou que Votorantim encheu de água e que uma professora morreu e foi encontrado o corpo dela 15 dias depois. Agora a Tereza diz ter muito orgulho da cidade e do seu bairro. Hoje tem ônibus quase na porta de casa. Ela contou também que conheceu a professora Dides Crispim e que era sua amiga. Sobre a comunidade, ela disse que ajudou muitas pessoas e também foi ajudada. Disse que desde pequena gosta de ajudar as pessoas. Ela ainda dá banho em pessoas doentes, lava suas roupas, cuidar dos filhos dos outros quando alguém precisa. Hoje, o mais importante para ela são seus filhos. Ela tem sete filhos homens (dois faleceram) e duas mulheres. O sonho da Tereza é ganhar na mega-sena. Perguntamos como ela se sentiu ao nos contar um pouco da sua história e ela respondeu que gostou muito. Todos nós ficamos muito emocionados e muito felizes em conhecê-la.

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+