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História

Passou em 5º lugar no concurso para carteiro

História de: André Gonçalves de Almeida
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/03/2014

Sinopse

Carteiro, irmão de Karina e Edilson, também funcionários dos Correios, André se orgulha de ter estudado muito e passar em quinto lugar no concurso para a função de carteiro. Na adolescência, teve uma banda de música e hoje gosta muito do que faz. 

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História completa

Eu não tinha um sonho específico de alguma coisa quando eu era criança. Então foi difícil pra decidir. Eu entrei na faculdade, aí eu desisti. Eu entrei em outra, aí eu como já estava nos Correios decidi fazer logística que é o foco da empresa pra eu poder continuar na empresa. Primeiro tive que fazer na área de edificações, depois área de mecânica, aí depois eu optei pela logística.
Sobre o concurso dos Correios, minha irmã ficava falando e a gente resolveu também entrar. A gente estudou na mesma unidade que a gente entrou também. O CDD era pequeno. Na mesma unidade. O dela era próximo, mas a gente estava na mesma unidade quando a gente entrou nos Correios. Depois eu fui pro CDD de Alphaville. Agora eu estou no CEE Jardins.
Quanto ao trabalho, a maior parte do tempo era separando correspondências. A entrega é só à tarde. A maior parte do tempo a gente ficava separando as correspondências. O distrito que eu fazia várias vezes me mandaram fazer favela. Aí na favela tem muita numeração repetida, então você tem que decorar nome. Eu decorei tanto nome. Decoro, eu sei o nome de todo mundo por nome assim. Às vezes você não sabe nem quem é a pessoa, mas você sabe o nome de todo mundo da rua, do bairro.
Eu já fui mordido, não várias vezes, umas três vezes, mas eu nunca fico cismado não. Mas é coisa leve. Uma vez mordeu o braço aqui. Outra vez pegou aqui o cachorro e outra vez mordeu o calcanhar. Eu nunca fui cismado não, os pequenininhos gostam de ficar. Agora o que pegou meu braço aqui era um grandão. A caixinha do correio da pessoa era dentro assim do portão, eu não percebi que tinha um cachorro deitado ali. Aí enfiei o braço assim, o cachorro puxou. Mas eu estava de blusa nesse dia, estava frio. Sorte que estava frio. Ele pegou mais a blusa, rasgou a blusa e só pegou a pontinha dos dentes no braço. Eu dei sorte. O carteiro que me ensinou, o primeiro, totalmente calmo, sossegado, era paciente, explicava direitinho, o Altenberg ele explicava direitinho, era calmo pra caramba. Ele já me deu essa sorte.
Em área residencial a gente tem muito contato direto com a pessoa. Eu tenho experiência em aérea residencial, mas eu já entreguei conta lá no Alphaville, entreguei bastante área comercial. É um pouco diferente que sua relação é só com aquela pessoa que está te atendendo ali e ele está trabalhando também então não é tão estreito. Você conversa um pouquinho, tem uma certa intimidade, mas não é como uma área residencial, que é outra historia. Teve um distrito que eu fazia, que tinha uma senhora, ela morava sozinha. Isso aí é chato, mas quando eu passava na frente da porta dela, ela vinha assim, aí conversar com você. Você está com vontade de ir embora, terminar pra ir embora, ela falava uns 20 minutos. Ela era gente fina, mas tinha hora que você estava com um pouco de pressa, aí quando ela fazia assim, eu fazia de conta que eu não ouvia às vezes e ia embora. Quando eu estava com tempo eu parava, mas quando eu estava com pressa assim, com alguma coisa pra fazer, aí eu fazia de conta que não estava vendo e ia embora, mas ela era legal.
Quando eu entrei nos Correios não era gordinho assim não. Eu não fiquei assim depois que eu parei de trabalhar na rua, mas trabalhando na rua mesmo fui engordando quando eu estava trabalhando andando. Aí quando eu parei de andar eu até estabilizei mais ou menos no peso. Diferença pouca, mas a época que eu engordei mais quando eu andava todo dia. Quando eu trabalhava no Rio Pequeno eu andava bem mais, que eu trabalhava, mais ou menos uns cinco ou dez mais ou menos. Quando eu fui pro Alphaville, como tem bastante prédio, eu ia em condomínio, aí eu andava bem menos. Tinha distrito que eu fazia três ruas, quatro ruas. Era bem menos. Mas era mais cartas, mas andava bem menos.
A entrega não só residencial. Você vê empresa. Tem empresa que é aquele esquema de segurança todo. Aí você chega com essa camiseta assim, eles já vão abrindo a porta pra você. Banco, sem olhar e já chega e já desliga o negocinho, você já entra direto. Não precisa ter aquela burocracia. Você tem aquela confiança, os Correios tem aquela confiança. Pros outros tem outro tipo de recepção, pra gente é diferente. 
Já aconteceu de rasgar minha calça na rua. Às vezes dependendo da calça, está mais apertada, se dá um passo maiorzinho... Já aconteceu, rasgou minha calça, ter que amarrar a blusa ou colocar a blusa por dentro. Você tem que terminar o serviço. Agora tem pouca carta. A maioria é fatura, já vem impressa. Mas mesmo carta impressa vem com vários erros. A gente já vai porque a gente sabe. Tem bastante coisa errada, mesmo impressa, não só escrita à mão.
A gente já trabalhou em CDD, a gente entregava carta registrada assim, entregamos não muito, mais era carta mesmo. Encomenda é uma caixinha pequena, porque o setor de entrega de encomenda é o CEE. Agora eu trabalho em CEE. Lá só vem caixa. Você trabalha na entrega só tem caixa assim. Aí é outro tipo de serviço. O cara trabalha no carro, vai com motorista particular, entrega. 
Outra curiosidade que eu encontrei uma vez, eu estava prestando serviço no setor internacional. Então lá vem diversas coisas, a gente vê de tudo. Eu estava passando uma caixa lá no raio X, aí apareceu aquele formato assim diferente, a gente ficou olhando o que que é, aí aquela cabeça aqui embaixo… (risos) Não, primeira vez que eu vi eu estranhei, mas depois eu vi passando mais um monte. Vinha bastante dessa coisa aí. O pessoal está comprando bastante. Vem de outros países, que lá no internacional compra vem é de outros países, vem importado. Aí você vê o formato direitinho do objeto. O que é internacional tem que passar tudo. Aí como eu trabalhei um mês no setor internacional, eu passei de tudo. Aí você vê bastante. Agora na minha unidade mesmo, você tem aquela porcentagem que passa. Nesse um mês que eu trabalhei lá, eu vi muito mais coisa que de dois anos que eu trabalho na minha unidade, lá vi bastante coisa. 
Eu também já fui entregar um brinquedo na comunidade. Aí você vê, tem aquelas cartas que são escolhidas, você já tem o endereço pra entregar, mas quando você chega na rua que a criançada vê aquele monte de brinquedo. Aí você tem aquele endereço certo da carta, aí você fica até meio sem graça porque você já tem aquelas pessoas pra você vai entregar, então não dá pra dar presente pra todo mundo. Aí você vê a criança: “Tio, não tem pra mim?”. Aí não tem como. Aí a gente levava uns docinho e dava um docinho pras crianças que não tinha, mas dava dó. Você vê que não tinha condições, que era criança bem pobre.
Quem sabe também eu caso com alguém dos Correios e nós fica tudo em família? Quando eu tiver com uns quarentinha. Nosso esporte agora é truco, a gente participa do campeonato de truco que é mais fácil.
Meu objetivo é esse. É crescer pessoalmente, profissionalmente, adquirir conhecimento e conviver bem com a família e com os colegas de trabalho e amigos. Não, casar não tenho tanta pressa, mas eu quero também. Eu também, eu gosto de churrasquinho, gosto de ir num samba todo fim de semana, pelo menos uma roda de samba…Eu gosto do videogame ainda, de ver o Coringão ganhar também e essas coisas. Jogar um baralho.

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