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História

Paraná e seu shopping de autopeças

História de: José Aparecido Faustino (Paraná)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/03/2021

Sinopse

Infância em São Jorge do Ivaí-PR. Mudança para Jesuítas-PR. Primeiro Trabalho. Aprendeu a cultivar café. Paixão pelo futebol. Disputa de campeonato juvenil. Primeiro trabalho em loja de autopeças. Interesse pelo segmento. Passagens pelas cidades de São Paulo e São Caetano. Estudo e aperfeiçoamento de conhecimentos. Sandro, o sócio. Fundação de sua primeira loja própria. Filhas e relação com a família.

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História completa

          Aqui na cidade e em toda a região, todo mundo me conhece como Paraná, porque o nome da empresa é Paraná Autopeças e Acessórios. Às vezes eu falo meu nome, ninguém sabe quem é. Na verdade, eu me chamo José Aparecido Faustino, sou nascido no dia 26 de março de 1956, e estou com 64 anos. E eu vim do Paraná. Trabalhava no Paraná, numa loja pequena de autopeças, mas aí eu acabei indo pra São Paulo e fui trabalhar em autopeças também lá; e depois eu acabei vindo pra Bauru, pois eu tinha uma tia que morava aqui.

          Em 1979 eu comecei com uma loja pequenininha, tinha cem metros quadrados, eu e meu primo. Meu primo se chama Sandro e veio trabalhar comigo quando tinha 14 anos de idade. Hoje ele é meu sócio aqui na empresa. Na verdade, quem toca a parte de peça, hoje, é ele. Eu fico mais na administração. E nós hoje estamos aqui com 82 funcionários, em uma loja com 3,5 mil metros de área total construída. Temos estacionamento pra 50 carros e fizemos dessa pequena loja de antes um verdadeiro shopping, não é? A gente tem acessórios, tem mercado, tem televendas também, vendemos pras oficinas da região, pra Botucatu, Jaú, Pederneiras, Piratininga, Lençóis, Agudos, Duartina... a gente faz um raio de cem quilômetros aqui.

          Mas quando eu era criança, meu pai era lavrador. Meu pai tinha um pequeno sítio lá no Paraná, uma pequena terra. Eu sou nascido na cidade de São Jorge do Ivaí, perto de Maringá. Depois, quando eu tinha seis anos de idade, meu pai foi pra Jesuítas, uma cidade perto de Cascavel. Meu pai tinha um pequeno sítio lá também, onde a gente plantava café, e eu fiquei com ele na lavoura até os 17 anos. Quando eu completei 17 anos, eu fui trabalhar numa pequena autopeças que tinha na cidade. Aí eu fiquei lá até os 20 anos, trabalhando nessa autopeças. Depois eu fui pra São Paulo e acabei arrumando um serviço numa rede de lojas que tinha no ABC, a Tropical Autopeças. E aí, eu fiquei lá trabalhando com eles, e depois em São Caetano, numa loja aonde eu fui ser gerente, aos 21 anos, 22 anos. Aí, quando foi com 23 anos, eu vim pra Bauru e abri essa pequena lojinha aqui, no mesmo lugar que é hoje, mas era um salãozinho alugado, de cem metros quadrados.

          Aí eu comecei a crescer e fui comprando umas casas antigas que tinha aqui. Depois eu comprei também outro salão do lado, e a loja foi crescendo. Mas no início, quando comecei a trabalhar com autopeças, tinha um menino que estudava na mesma sala que eu, e o irmão dele tinha autopeças. Daí ele falou pra mim assim: “Meu irmão está precisando de um menino pra trabalhar, você não quer?” Aí eu falei: “Vou”. Só que eu não entendia nada de autopeças, né? Eu cheguei lá e daí ele começou a me ensinar. Jesuítas era uma terra vermelha, então passavam aqueles carros, e a rua ainda não tinha asfalto e era puro poeirão - tinha que ficar limpando as prateleiras quando passavam os caminhões. E a gente gostava muito quando chovia, porque daí a gente vendia corrente. Naquela época tinha muito viajante, mascate, em setenta e pouquinho. Então a gente vendia corrente pra acorrentar os carros, passar em volta do pneu, porque senão o carro patinava na lama pra trás e não ia pra frente. Então, o dia que chovia, a gente fazia festa, né, porque era o dia que mais vendia.

          Mas aqui em Bauru, tinha um colégio que se chamava Liceu Noroeste, tinha o curso de Contabilidade. Aí eu me matriculei lá e trabalhava de dia e fazia o curso à noite. Consegui concluir, sou contador também, uma coisa que me ajudou muito, por eu entender essa parte de contabilidade. Então, eu tinha uma visão como era. Mesmo muito jovem, quando eu abri a loja, mas eu tinha uma visão. Eu era um bom vendedor e tinha conhecimento na área de contabilidade

          Achei a cidade de Bauru, na época estava com 150 mil habitantes, acho que 160 mil e era uma cidade muito pacata, né? Eu tinha acabado de sair de São Paulo, quando eu cheguei aqui, eu estranhei demais. Eu estava querendo voltar. É que deu muito certo meu negócio aqui, por isso que eu não voltei. Então, eu acabei ficando aqui.

          Tem a Igreja da Nossa Senhora Aparecida, na esquina debaixo tinha uma porta com a placa “aluga-se” e era da imobiliária. Eu liguei lá, o cara falou: “Nós estamos alugando aí”. Daí eu fui até a imobiliária e ele veio, abriu pra mim o salãozinho, né, pequenininho, mas eu gostei do lugar e falei: “Não, é aqui mesmo”, e acabei montando meu negócio aqui. E aí não saí mais deste lugar aqui. (risos) Na época todo mundo falava: “Você é louco! Não vai vingar nada aqui embaixo, não sei o quê”, (risos) mas sei lá, eu acho que tudo tem um porquê na vida. Hoje é um polo de autopeças e de acessórios, de oficinas, tudo nessa região, né? Acabou crescendo pra esse lado. Eu não sei se o outro lado também, sei lá, talvez daria certo, mas eu acho que é o lugar certo, na hora certa. O que tem que ser, é. A gente correndo atrás, o que tem que ser, é.   

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