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História

Para ter uma casa

História de: Priscila da Silva Alves
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

Nascimento no Rio de Janeiro em 1987. Trabalhou alguns anos em uma loja de roupas dentro de um shopping. Abriu o próprio negócio, o Saborearte, um buffet, no projeto da Chevron. Fala sobre o prazer de se trabalhar com o que gosta. 

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História completa

“Quando eu nasci, minha mãe trabalhava em casa de família. Com meu pai eu tive pouco contato, porque ele logo sumiu. A minha mãe é uma guerreira, muito amiga. Mesmo com as dificuldades dela, está sempre batalhando, sempre procurando. Ela teve um nódulo no pé, então ela não consegue ficar muito em pé. Ela anda de muletas agora. Por isso que eu continuo morando com ela, porque não posso deixá-la. Mas como ela não pode trabalhar, ela teve que fazer o quê? Pegar criança pra cuidar. Ela começou com uma, hoje já tem sete. Eu falo pra ela “Pelo amor de Deus, mãe, não pega mais criança nenhuma pra tomar conta, não dá.” Ela diz “Tá bom, não vou pegar mais ninguém, não. Ah, mas Fulano falou que ele é tão bonitinho, não tem com quem ficar”. Eu falo assim: “Tá bom então, abre uma creche logo.” Eu comecei a trabalhar quando tinha acho que vinte anos. Foi num call Center, depois numa loja de roupa e também no Wallmart. Aí fiquei um tempo parada até que apareceu esse projeto. Foi assim: a mãe de uma das meninas que trabalha com a gente tem uma barraca de lanche. Aí eu sempre ficava lá com ela. Foi quando um policial daqui trouxe a notícia que ia começar um projeto que, no fundo, ele não sabia explicar, mas era com mulheres, que iam ganhar um recurso pra abrir um empreendimento no bairro. Fizemos a inscrição e fomos chamadas pra uma capacitação de negócio de empreendimento pra poder aprender a lidar com dinheiro e pra poder no final dessa capacitação ser escolhido o projeto. Lá, acho que se formaram três grupos, um que era de comida, que era o nosso, que o nosso objetivo não era abrir, era só fornecer quentinha pra fora. O curso começou com todo mundo que já tinha ido, depois foi diminuindo, foi saindo, foi saindo, foi saindo, que no final ficaram sete. Aí das sete saíram cinco e, no fim, duas. Abrimos o Saborearte. Foi aí que tudo se transformou. Porque depois que abriu aqui o Saborearte, eu falei “Caramba, é meu”. Quando que eu ia poder ter uma coisa minha? Aqui na comunidade* tem algumas pensões, e o povo normalmente fala que a comida não é muito boa. Nós, pelo menos, não estamos recebendo reclamação! Abriu e deu certo. E agora, de noite, fazemos o boteco para o pessoal da madrugada. Teve até época com pagode, que queremos reavivar. E eu ainda vou até fazer faculdade. E juntar um dinheiro pra comprar uma casa pra minha mãe. Uma que ela não tenha que subir escada, por causa do problema no pé. Vou tentar...ver se eu consigo.

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